Winchester X Salvatore
4 Capítulo 4 - Missão Kamikaze
Notas iniciais
– Bonnie... O que você está fazendo aqui? — quis saber Stefan enquanto ela entrava no quarto.
– Impedindo que vocês se matem. — respondeu ela ainda os torturando com as dores de cabeça.
– Nós não íamos nos matar. — garantiu Damon — Nós só estávamos conversando, não é amigos?
De repente Bonnie suspendeu a tortura que exercia sobre eles e ordenou:
– Vão embora!
Damon e Stefan se levantaram e saíram relutantes depois de encararem a bruxa e os irmãos Winchester mais uma vez. Dean sussurrou para Sam:
– Nós devemos matá-la?
– Eu salvei a vida de vocês. — respondeu Bonnie ouvindo o que Dean tinha perguntado.
– Eu acho que nós estávamos nos virando bem. — mentiu Dean.
– De nada. — ironizou ela olhando a bagunça em volta.
– Você não é um deles... — deduziu Sam.
– Não, eu não sou uma vampira, se é o que você quer saber. Eu sou uma bruxa. — explicou a garota.
– Bruxa?! — repetiu Dean surpreso e depois olhou para o irmão — Essa cidade é pior do que eu pensava...
– E por que você está aqui? — quis saber Sam.
Bonnie ergueu a poltrona que havia sido derrubada durante a briga, pegou uma sacola do Mystic Grill que também estava no chão e colocou sobre a mesa antes de responder:
– Eu já disse. Pra impedir que vocês se matassem. Vocês podem não acreditar, mas eu estou aqui para ajudar.
– Engraçado, quem foi que pediu a sua ajuda? — indagou Dean rispidamente.
– Dean... — repreendeu Sam enquanto Bonnie o encarava.
Ela arrumou as cadeiras em volta da mesa e sentou.
– Você não veio aqui só para separar uma briga. — deduziu Dean.
– Não. — assentiu Bonnie — Eu vim aqui para impedir que vocês cometam um grande erro.
– Tipo o quê? Matar Elena e todos os vampiros como ela? — sugeriu Dean enquanto Bonnie abria a sacola e colocava a torta em cima da mesa — E talvez você?
– Ótimo! Eu estava mesmo com fome. Espero que vocês não se importem... — prosseguiu ela sem prestar atenção no que ele tinha falado.
– Era minha... Torta... — murmurou Dean.
– Sim, eu estou aqui por causa da Elena.... — recomeçou ela ignorando o comentário.
– O quê? Você vai nos dizer que no fundo ela é uma boa pessoa? — perguntou Sam — Porque aqueles dois vampiros já tentaram isso e não deu muito certo.
– Eu vou contar a verdade. O que vocês vão fazer com ela não é minha responsabilidade. — propôs ela.
– Então você não vai nos mandar ir embora de Mystic Falls como os outros fizeram? — estranhou Dean.
– Claro que não. No fundo eu acho que vocês podem ajudar. Principalmente, a Mia. Ela pode ajudar Elena. — começou a explicar Bonnie terminado a torta.
– Olha, eu admito que você salvou a nossa vida, mas isso não muda o que você é. — disse Dean indo até a porta — E você não é bem vinda aqui... Bruxa...
– Ajudar como? — interessou-se Sam.
– Sentem-se. — pediu Bonnie — Nós precisamos conversar.
– Eu prefiro ficar em pé. — disse Dean enquanto Sam sentava.
– Deus! Qual o seu problema comigo? — aborreceu-se Bonnie.
– Ah! Eu achei que você não ia perguntar... Bruxa... — provocou Dean.
– Dean! Vai com calma... — pediu Sam.
– Eu odeio bruxas. — confessou Dean.
– Engraçado. Eu não tenho nada contra caçadores. Pra falar a verdade... Eu até gostava de um deles. Jeremy. — lembrou Bonnie.
– Quem é Jeremy? — quis saber Sam.
– O irmão de Elena. Ele era um caçador de vampiros. Não como vocês. Ele era um dos Cinco. — respondeu a bruxa.
– O que é isso? Os Cinco? Um clube? — não entendeu Dean.
– Já chega! — irritou-se Bonnie levantando — Você tem razão, é melhor eu ir embora.
– Ótima escolha! — concordou Dean.
– Não! — discordou Sam segurando o braço de Bonnie e a fazendo sentar — Você fica. Você começou agora vai até o final. O que você quer dizer com ajudar Elena? Da ultima vez que eu chequei ela parecia ser bem perigosa e não precisava da ajuda de ninguém.
– E não há nada que irá nos fazer mudar de ideia sobre ela. — acrescentou Dean — Então se eu fosse você, não perderia o seu tempo tentando nos convencer do contrário.
– Bonnie, vá em frente. — assentiu Sam disposto a ouvir o que ela tinha a dizer — Por que você acha que a Mia pode ajudar Elena?
– Porque as duas passaram por coisas difíceis. Traumas. Como perder os pais. E as duas são seres sobrenaturais... Espero que vocês não se importem... Eu andei pesquisando sobre Mia e vocês. — explicou Bonnie.
– Mia não é um monstro. Ela é só uma garota especial. — ressaltou Dean.
– Ela tem um lado sobrenatural e vocês sabem disso. Mas eu concordo com você, Dean, ela não é um monstro. Assim como Elena também não é. Assim como eu também não sou. — expôs Bonnie.
– Continue. — pediu Sam sob o olhar insatisfeito do irmão.
Bonnie respirou fundo e prosseguiu:
– Elena perdeu os pais em um acidente de carro há alguns anos e depois disso ela conheceu Stefan e Damon. Aconteceram muitas coisas, ela passou por muitas tragédias, conflitos, perdeu os pais biológicos que não eram... Bons exemplos de pais, perdeu Jenna, Ric e por ultimo Jeremy. Isso foi pouco tempo depois que ela se tornou vampira. Ela nunca quis ser isso, mas assim como Mia, Elena também teve complicações e Meredith achou melhor tratá-la com sangue de vampiro. O problema é que ela sofreu um acidente de carro e... Morreu com o sangue em seu organismo. Quando se é vampiro todas as emoções... Amor, ódio, tristeza, tudo é multiplicado. E quando Jeremy se foi, Elena não aguentou e Damon a convenceu a desligar a humanidade. Eu sou a última pessoa que defenderia Damon, mas a verdade é que ele ama Elena, assim como Stefan, e ele achou que estava fazendo a coisa certa. E agora Elena só vai ligar a humanidade de novo, se tiver um bom motivo para isso.
– E você acha que por terem uma história parecida, Mia pode convencê-la a ligar a humanidade? — deduziu Sam.
– Exato. — assentiu Bonnie.
– Como Mia poderia conseguir isso se todos vocês fracassaram? — relutou Dean — E mesmo que ela conseguisse, Elena ainda seria uma vampira e você... Uma bruxa.
– E isso significa que vocês tem que nos matar? — desafiou ela.
– Sim! — assentiu Dean.
– Não! — discordou Sam.
– Sammy... — disse o mais velho.
– Bonnie, eu agradeço por você ter vindo aqui, mas agora eu preciso conversar com o meu irmão. — disse Sam.
– Ok. — concordou ela se levantando — Eu só queria deixar uma coisa bem clara. Apesar de Mystic Falls estar repleta de seres sobrenaturais, nem todos nós somos monstros. A maioria dos vampiros não se alimenta de pessoas. Eles mantém um estoque de bolsas de sangue... Às vezes, temos problemas, mas não precisamos que mais pessoas se envolvam nisso. Não seria inteligente pra nenhum dos lados. Então tudo o que eu peço é que vocês pensem no que eu e Meredith falamos antes de nos julgar ou de matar alguém. Acredite, se vocês encostarem um dedo em Elena, os Salvatore não hesitaram em revidar. Se vocês matarem Elena, eles não hesitaram em transformar Mia só para atingí-los.
– Isso é uma ameaça? — perguntou Dean.
– Não. Mas eu preciso que vocês pensem em todas as possibilidades. — avisou ela — Não há vencedores numa guerra. E apesar de vocês terem sido criados nesta vida e sentirem-se prontos para mais essa batalha, se vocês prosseguirem com isso estarão colocando em risco, além da vida de vocês, a vida de Mia também. A questão é: Vocês estão dispostos a correr esse risco?
Bonnie saiu do quarto e Dean bateu a porta dizendo:
– Ah, já chega! Vamos colocar fogo nessa cidade e ir embora de uma vez, Sammy!
– Dean... E se Bonnie estiver certa? — indagou o mais novo.
– O quê?! Ela é uma bruxa, Sammy! E essa cidade está infestada de vampiros! E nós caçamos monstros! E é isso que nós vamos fazer! — disse Dean com raiva.
– E o Benny? — lembrou Sam.
– O que tem o Benny? Não! Eu não quero falar sobre ele... — esquivou-se o irmão.
– Dean, Benny era um vampiro e eu o julguei no momento em que o vi. Mas você e ele me mostraram que eu estava errado. Benny não era um monstro. E se Elena também não for? — questionou o mais novo.
– Você não quer comparar o Benny com os vampiros dessa cidade, quer? — irritou-se Dean.
– Dean, e se nós estivermos julgando mal essas pessoas... — prosseguiu Sam.
– Não são pessoas, são vampiros, Sammy! — ressaltou Dean.
– Que seja, Dean! Mas e se estivermos julgando mal esses... Vampiros? E se houver mais coisas sobre eles do que nós estamos vendo? E se Bonnie estiver certa sobre Elena? E sobre Mia poder ajudar de alguma forma? E se estivermos os julgando como eu julguei Benny no começo, ou como você julgou... Amy? E se estivermos errados, Dean? — indagou Sam.
– Eu não sei, Sammy... — relutou o outro.
– Exato, Dean. Nós não sabemos. E nós não seríamos nós, se não buscássemos a verdade antes de tomar qualquer decisão. Nosso trabalho é caçar tudo que é uma ameaça, mas e se Elena não for uma delas? E se os próprios irmãos Salvatore também não forem? O que Bonnie contou faz sentido. Eles estão tentando proteger Elena... Como nós estamos tentando proteger Mia. — expôs Sam.
– Não... Não... Definitivamente, os Salvatore são uma ameaça, ok? Elena talvez não seja, mas eles... Eu tenho vontade de matá-los só de lembrar deles aqui dentro revirando as nossas coisas, investigando as nossas vidas! — irritou-se Dean enquanto caminhava de um lado pro outro — Quer saber? Eu preciso de uma cerveja! — disse saindo do quarto e deixando o irmão sozinho com todos aqueles questionamentos.
XXX
No dia seguinte, Sam e Dean andavam em direção ao hospital para buscar Mia que tinha recebido alta. Antes de entrar, Dean parou na porta e disse para o irmão:
– Você estava certo, Sammy. Sobre os vampiros. Sobre Elena. Talvez possamos consertar as coisas por aqui sem precisar...
– Matá-los. — completou Sam — Ok, Dean. Que bom que você pensou sobre as coisas que Bonnie disse. Aliás, por que todo aquele ódio ontem? — ao ver que Dean não tinha gostado da pergunta, encerrou — Ok, não vamos falar sobre bruxas. Eu entendi. Agora vamos...
Mia arrumava algumas coisas dentro de sua bolsa quando Sam e Dean entraram no quarto a tempo de ouvirem Meredith dizer:
– Mia, depois do que aconteceu ontem, talvez seja melhor você ficar em observação por mais um dia...
– O quê?! Nem pensar. E receber mais visitas como as de ontem a noite? E quase morrer? De novo? Não, eu não posso mais ficar aqui. Não é mais seguro... — disse Mia e ao ver que Sam e Dean estavam ouvindo resolveu mudar de assunto — Hey, meninos! Alguma novidade?
– Ah... Na verdade não. — mentiu Dean — Noite tranquila.
– É? — duvidou Mia — Nenhuma novidade? Nada atípico?
– Absolutamente nada... E você? — quis saber Dean.
– Tudo tranquilo também. — mentiu Mia, mesmo sabendo que eles tinham ouvido.
– O que aconteceu com o lance de falarmos a verdade? — lembrou Sam sentindo-se confuso com aquela encenação.
– Ok. — concordou Dean — Nós conhecemos dois vampiros ontem. Damon, aquelea da máquina de refrigerantes e que te visitou ontem, e Stefan. E tivemos uma longa e agradável conversa com eles.
– E eu recebi mais duas visitas ontem, depois que vocês saíram. Caroline e Elena. Caroline também é vampira e filha da Xerife da cidade, acredita? — contou Mia.
– Nós precisamos conversar. — sugeriu Sam confuso com tantas informações.
– Depois. Agora eu preciso comer alguma coisa. — disse Mia. — Eu estou morrendo de fome.
– Eu também! — confessou Dean — Que tal irmos no Mystic Grill? — sugeriu ele.
– Qualquer lugar onde eu possa tomar umas seis xícaras de café! — vibrou a garota.
Enquanto Mia e Dean saiam do quarto, Sam olhou para Meredith e perguntou:
– Como ela está? De verdade?
– Ela é teimosa, mas vai ficar bem. Tomem cuidado, ok? — orientou a médica se afastando.
– Hey! — chamou Sam segurando seu braço — Você não estaria a fim de... Tomar café com a gente?
Meredith o olhou um pouco sem graça e dispensou:
– Eu adoraria, mas estou trabalhando agora...
– Ah... Claro... — disse Sam um pouco sem graça.
– Mais tarde? — propôs ela, o fazendo sorrir.
– Claro! Mais tarde, então. Até lá. — disse ele saindo do quarto.
Algum tempo depois, no Mystic Grill, Sam e Dean observavam Mia tomar a terceira xícara de café.
– O quê? — estranhou ela.
– Você devia ir com calma. — aconselhou Dean — Você acabou de receber alta.
– E você não deveria comer hambúrguer às 10 da manhã. — observou Mia enquanto Dean dava uma generosa mordida no lanche.
– Tome o seu café. — devolveu ele sem conseguir argumentar.
– Então Mia, — recomeçou Sam — Você disse que Elena e uma outra vampira te visitaram ontem? Como foi isso?
– Ah! Primeiro eu estava rezando pro Cas aparecer... Mas parece que ele anda meio surdo ultimamente... Então Caroline apareceu. No começo eu pensei que ela ia me matar, mas ela parece ser diferente. Nós conversamos depois que ela me impediu de cair pela janela, me contou tudo sobre Elena Gilbert, disse que minha predadora não é o que parece ser, que houve complicações e ela ficou um tanto perdida. Mas aí Elena apareceu e acabou com qualquer dúvida que eu tinha sobre ela. Ela é um monstro. Merece morrer... — contou Mia.
– Talvez não... — interrompeu Sam.
– Como assim? — estranhou ela — Vocês acreditam que ela possa ser inocente? Vocês não viram ela ontem... Se não fosse meu spray de verbena, ela teria me matado. Mas me contem, como foi a conversa entre vocês e aqueles vampiros?
– Explosiva... — murmurou Dean.
– Na verdade, eles tem uma teoria parecida com a da Caroline. Parece que todos acreditam que Elena não era ela mesma quando te atacou naquela estrada. — recomeçou Sam.
– E o que vocês acham? — interessou-se ela enquanto tomava mais café.
– Que ela merece o benefício da dúvida. Talvez... — respondeu Sam observando qual seria a reação da garota.
– Vocês estão brincando, certo? — estranhou Mia.
Dean sorriu e Sam continuou:
– Mia, todos parecem ter a mesma versão sobre Elena. Então nós achamos melhor checar todas as possibilidades pra não cometer um erro. Uma injustiça. Há alguns anos eu não diria isso, mas a verdade é que nem sempre um monstro é um monstro de verdade.
– Ok... Então qual é o plano? — quis entender ela — Intimar Elena para uma conversa civilizada e amigável, como a que vocês certamente não tiveram com os irmãos Salvatore, e implorar para que ela ligue a tal da humanidade de novo e seja uma boa menina de agora em diante? Isso é... Loucura.
– Na verdade... — tentou explicar Sam enquanto Mia tomava mais uma xícara de café — Nós estávamos pensando se você não se importaria em conversar com ela primeiro...
Mia começou a tossir engasgada com o café e surpresa com aquela proposta. Quando conseguiu respirar continuou:
– Vocês ficaram doidos?! Ela tentou me matar antes, o que a impediria de me matar agora?
– O seu spray de verbena. — sugeriu Dean sorrindo.
– Ela quebraria meu braço antes que eu pudesse usá-lo nela de novo... — cogitou a garota.
– Mia, nós não vamos deixar você sozinha. — tranquilizou Sam.
– Então o plano nunca daria certo de qualquer jeito, porque se vocês forem comigo ela nunca vai me ouvir. Ela vai se sentir ameaçada... — ponderou Mia.
– Viu? Você já está considerando a ideia. — brincou Dean.
– É uma péssima ideia. — ressaltou ela — A propósito, o que fez vocês mudarem de ideia sobre Elena e colocarem a minha vida em perigo? Eu pensei que nós éramos amigos...
– Não vamos colocar a sua vida em perigo. Estaremos por perto. — garantiu Sam.
– Uma bruxa. — respondeu Dean — Foi ela que nos fez mudar de ideia.
– Eu pensei que você odiasse bruxas, Dean. — questionou Mia.
– E eu odeio! Eu queria que todas elas queimassem! Queime, bruxa, queime! — confirmou ele ao mesmo tempo em que Bonnie tossiu e sentou com eles à mesa.
Mia olhou para eles sem entender. Dean parecia aborrecido.
– Você deve ser Mia. — começou ela.
– E você deve ser a bruxa que o Dean odeia. — deduziu Mia.
– Sim. Meu nome é Bonnie. Apesar das circunstâncias é um prazer conhecê-la. — disse sorrindo.
– É... Aproveita porque parece que eu não vou durar muito tempo por aqui. — refletiu Mia.
– Vejo que eles já te contaram sobre o plano. — deduziu Bonnie.
– Plano? — repetiu Mia — Está mais para uma missão kamikaze. Mas tudo bem, eu já estive em situações piores. Quer saber, eu topo!
– Sério? — surpreendeu-se Dean — Por que se você não estiver 100% certa disso, nós podemos pensar em outra coisa.
– Não, não podemos. — discordou Bonnie — Essa é a única solução. Fazer Elena ligar a humanidade.
– Quem pediu a sua opinião, mesmo? — resmungou Dean — Ligar a humanidade de uma vampira pode ser a prioridade para você, mas a nossa é proteger Mia. Deus... Qual o problema dessa cidade? Vampiros? Bruxas?
Bonnie o olhou surpresa e perguntou:
– Você é sempre tão doce assim?
– Ah! Você precisa me ver quando comem a minha torta! — devolveu ele.
– Então é isso? Você não gosta de mim por causa daquela maldita torta? Se serve de consolo, ela estava horrível. — disse Bonnie se exaltando um pouco.
– Não, eu não gosto de você porque você é uma bruxa. E eu odeio bruxas. E não! Não serve de consolo. Era minha torta! — respondeu Dean irritado.
Bonnie levantou de repente e entregou um papel para Mia dizendo:
– Se você quer mesmo ajudar, ao contrário de certas pessoas, esse é um bom lugar para começar a se aproximar de Elena. Vá sozinha. Eu tenho a visto passando perto da casa, pode ser que ela apareça. E ela não vai confiar em você se você levar o gigante e rabugento junto.
Quando Bonnie se afastou, Mia olhou para o papel e insinuou:
– Humm... Senti uma certa tensão sexual no ar....
– Tensão o quê? O que tem no seu café? — indagou Dean pegando a xícara de Mia.
– Admita, Dean... — insistiu ela.
– Ela me chamou de rabugento. — lembrou Dean.
– E você a chamou de bruxa. — argumentou Mia.
– Mas é o que ela é. — disse ele e quando percebeu que Mia ia falar algo e desistiu indagou surpreso — O quê? Você vai dizer que eu sou rabugento?
– Às vezes... — disse Mia com cuidado.
– Sammy, eu sou rabugento? — indagou ele voltando-se para o irmão.
– Às vezes... — respondeu Sam e vendo que Dean não se conformava emendou — Nós combinamos que seríamos sinceros, lembra?
– Não sobre isso. — disse Dean.
– Ok... Que tal mudar de assunto? — propôs Mia.
– Ótima ideia. — concordou Dean — O que tem no papel? Dicas de sobrevivência em território inimigo?
– Um endereço. — respondeu ela e quando Dean tentou pegar o papel de sua mão ela desviou dizendo — Eu preciso ir sozinha.
– Mas nós precisamos saber onde você vai estar. Prometemos falar a verdade um pro outro, lembra? — argumentou Dean.
– Ok... Eu mostro o endereço se você contar o que realmente sente por Bonnie...- propôs Mia com um sorriso.
– Ódio. — respondeu ele — Agora me mostra o endereço.
– Tem certeza que é isso mesmo, Dean? — provocou ela enquanto Sam tentava não rir — Sabia que o amor e o ódio andam de mãos dadas?
– Eu acho melhor te levar de volta para o hospital. — sugeriu Dean.
– E você Sam? — quis saber ela — O que acha de Meredith? Você a convidou para um encontro, não foi?
– Não... Não. Eu não quero falar sobre isso... — desconversou ele sorrindo.
– Mas nós prometemos que seríamos sinceros, lembram? — insistiu ela.
– Não sobre isso. — responderam Sam e Dean ao mesmo tempo.
Mia viu alguém passando perto da mesa e chamou:
– Xerife Forbes?
Ela virou para a mesa onde Mia estava com os Winchester e Mia continuou:
– Oi! Eu sou Mia. Eu conheci a sua filha ontem... Caroline. Ela me disse que a senhora a mandou lá no hospital para me contar sobre Elena...
Mia parou de falar quando percebeu que a Xerife parecia não ter ideia do que ela estava falando.
– Ah! Claro... — concordou a xerife e depois mudou de assunto — Então vocês são aqueles caçadores que se passam por agentes do FBI? Eu poderia prendê-los, sabiam?
– E nós poderíamos contar para todo mundo sobre a sua filha vampira... — ameaçou Dean.
A Xerife pensou um pouco e então continuou:
– Caroline é uma boa pessoa. E acredita que vocês também sejam. Então eu vou dar um voto de confiança e esperar que vocês resolvam o que acham que precisam resolver por aqui e depois deixem Mystic Falls.
– Sabe o que eu mais gosto nesta cidade, Xerife? A hospitalidade. Nunca me senti tão bem vindo num lugar como aqui. — ironizou Dean sorrindo.
Quando a xerife se afastou, Sam percebeu que Mia parecia distante e perguntou:
– Mia... O que foi?
– Caroline disse que a mãe dela a mandou no hospital ontem. Me chamem de paranóica, mas eu tive a impressão de que a xerife não fazia ideia do que eu estava falando. Caroline mentiu. A questão é: Por quê? — estranhou a garota.
– Por que ela é uma vampira. — sugeriu Dean.
– Não... — refletiu Mia — Caroline estava seguindo ordens de alguém. Mas de quem?
Matt se aproximou e colocou uma torta na mesa.
– Deve ser algum engano... Nós não pedimos isso. — disse Sam enquanto Dean pegava o prato.
– Bonnie pediu que eu trouxesse para o irmão rabugento. — disse ele se afastando.
Dean relutou em comer a torta ao saber que tinha sido a bruxa que tinha mandando, mas como estava morto de fome resolveu esquecer deste detalhe.
– Humm... — brincou Mia — Conquistando Dean Winchester pelo estômago.
– Mia, pára com isso. — pediu Dean — Mesmo que ela não fosse uma bruxa, ela ainda é bem mais nova do que eu. Ela ainda está escola...
– E qual o problema? O amor não tem idade, sabia? Veja eu e o Cas, por exemplo. Ele é milhares de anos mais velho do que eu. — disse a garota.
Sam gargalhou e disse:
– Desculpe, eu nunca tinha pensado por esse lado...
– O endereço. — lembrou Dean.
Mia entregou o papel para ele. De repente Dean jogou o garfo no prato.
– Dean... — reprovou Mia — Não seja rabugento. Bonnie fez uma gentileza.
– Ela tinha razão... É horrível. — explicou ele.
Terminaram de tomar café e Mia levantou. Quando chegaram no estacionamento Dean avisou:
– Não vai rolar de você ir sozinha.
– Mas vocês ouviram o que Bonnie disse. Se vocês forem e Elena perceber que vocês estão comigo, ela nunca vai se aproximar. — lembrou Mia.
– Então nós faremos com que ela não perceba. — argumentou Dean.
– Como, gênio? — quis saber ela.
– Eu e o Sammy ficaremos por perto, no meu bebê e a qualquer sinal de que você está em perigo... Eu não vou querer ser Elena. — explicou Dean.
Mia pensou um pouco sobre aquilo. Ainda estava relutante, mas por outro lado seria bom ter a proteção deles naquela situação, já que Cas... Parecia não se importar mais se ela viveria ou morreria naquela cidade. Sem contar aquela possibilidade dela se tornar uma... Vampira.
– Ok. Mas eu dirijo! — concordou ela indo na frente em direção ao Impala.
– Dean... Você sabe como isso pode ser perigoso, não sabe? — preocupou-se Sam.
– Ela não vai morrer, Sammy. Nós não vamos deixar. — garantiu o mais velho.
– Nós prometemos isso antes... Por duas vezes. E por duas vezes ela morreu. — lembrou o outro.
– Dessa vez vai ser diferente. — prometeu Dean e depois deu-se conta do que Mia tinha falado antes — Ela falou em dirigir o meu bebê?! Mia! — gritou ele correndo pelo estacionamento.
Obviamente, Dean não deixou Mia dirigir o Impala. Seguiram para a missão kamikaze e logo ele estacionou perto do endereço que Bonnie tinha indicado. Mia desceu.
– Mia... — chamou Dean e quando ele colocou a cabeça na janela ele pediu — Tome cuidado, ok? Tipo... Não morra.
Ela assentiu e andou pela rua em direção a casa que Bonnie havia indicado no papel. Parou de repente. Aquilo devia ser algum engano. Mia estava em frente a uma casa, ou o que parecia ter sido uma casa um dia. Mas o lugar estava em ruinas e cinzas. Olhou o papel novamente. Não era um engano. Era a antiga casa de Elena. Definitivamente havia acontecido um incêndio ali. Encheu-se de coragem, respirou fundo e entrou.
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