Winchester X Salvatore

2 Capítulo 2 - Psycho Killer


Notas iniciais
Psycho Killer é o nome de uma música do Talking Heads. Achei legal usá-la como nome do capítulo por motivos que vocês descobrirão logo mais.Bem, neste capítulo veremos o que aconteceu com Mia quando ela chegou em Mystic Falls. Definitivamente, não foi um ataque de animal... Divitam-se!

Mia fechou a conta no hotel que ficava a alguns quilômetros de Mystic Falls e andou até o seu Mustang no estacionamento. Guardou suas coisas no porta-malas e entrou no carro. Ligou o rádio.

Pegou a estrada e dirigiu o resto da tarde. Quando já era noite, finalmente viu uma placa que dizia Bem Vindo a Mystic Falls. Mudou de rádio e tomou um gole de café. Estava tocando Psycho Killer do Talking Heads. Resolveu tomar mais um pouco de café. E quando colocou a garrafa térmica no banco ao lado e passou a mão pela boca sentiu uma leve dor de cabeça e uma espécie de enjoo. Olhou para sua mão e viu que havia sangue nela. Olhou pelo retrovisor e entendeu o que tinha acontecido. Seu nariz estava sangrando. Seu coração acelerou. Sam, Dean e Castiel estavam certos. O ritual tinha feito alguma coisa com ela. Além disso, não era a primeira vez que aquilo acontecia. Desde que saiu de São Francisco aquilo tinha se repetido algumas vezes...

Pensou em chamar Castiel, mas sentia que ele e os Winchesters deviam estar ocupados com o lance dos testes. Não queria preocupá-los com mais uma coisa. Ia dar um jeito de resolver aquilo sozinha. Só não sabia como.

Castiel tinha prometido que iria vê-la todos os dias, mas ela não o via desde que se despediram pouco antes dele ir encontrar Sam e Dean e ela pegar a estrada. E pra ele não ter aparecido significava que as coisas tinham se complicado um pouco.

Por mais que sentisse saudade, não podia simplesmente rezar para ele aparecer. Sabia que se ele pudesse estaria ali. Por mais que o amasse não podia colocar esse sentimento acima do bem maior. E o bem maior era completar os testes para fechar o Inferno. Quando tudo aquilo terminasse quem sabe eles não poderiam recomeçar de onde tinham parado? Pensar nisso a deixou mais confiante. Tudo o que ela tinha que fazer era pensar numa forma de consertar os efeitos do ritual sobre o seu corpo. E claro, se manter viva enquanto isso.

Pegou um lenço no porta-luvas e limpou o nariz. Mas ao voltar os olhos para a estrada freou bruscamente.

Era irônico. Ela tinha acabado de prometer para si mesma que se manteria viva e quase se envolveu em um acidente. Mas também, o que aquela pessoa fazia ali deitada no meio da estrada?

Mia buzinou e se perguntou se seria inteligente descer do carro. Aquilo estava muito estranho. Buzinou novamente. Não podia simplesmente ir embora. Mesmo que quisesse ignorar aquilo, não conseguiria passar com o carro por ali. Aquela pessoa estava deitada bem no meio da estrada com os braços abertos. Aquilo era estranho.

– Eu não devia fazer isso. — disse para si mesma enquanto abria a porta do carro — Ok... Eu estou fazendo isso. Não morra, Mia. Não morra...

Caminhou devagar e viu que era uma mulher que estava deitada ali. Não devia ter mais de dezoito anos, era bonita e tinha os cabelos longos e escuros. Estava com os olhos fechados. Mia deu mais um passo e tentou dizer algo:

– Moça... Você está bem? Está sentindo alguma coisa?

Elena abriu os olhos e Mia se assustou um pouco. Então ela respondeu:

– Eu não sinto nada.

– Quer saber... Eu tenho um cobertor no porta-malas e vou te trazer um pouco de café. Você vai se sentir melhor. Eu volto já. Não se mexa. — propôs Mia se afastando e indo até o carro.

Abriu o porta-malas e procurou o cobertor. Parou sentindo uma sensação estranha. Como se tivesse alguém atrás dela. Virou-se e Elena confessou:

– Eu estou com fome.

Mia notou que os olhos dela ficaram diferentes quando disse aquilo e deu um passo para trás. Pegou uma faca de prata dentro da sua bota, mas quando ergueu a mão, Elena a segurou rapidamente.

– Não corra. Não grite. — ordenou Elena olhando fixamente nos olhos de Mia que deixou a faca cair no chão.

Então Elena se aproximou rapidamente do pescoço dela. A dor da mordida não foi nada em comparação a agonia de não conseguir reagir. Mia fechou os olhos e apoiou as mãos no carro. A cada segundo sentia-se mais fraca. Elena se afastou e elogiou:

– O seu sangue é delicioso. É diferente...

– Obrigada. Eu acho... — respondeu Mia enquanto a vampira a mordia novamente.

De repente Elena parou e olhou as coisas que sua vítima guardava no porta-malas. Se afastou um pouco e compeliu Mia indagando:

– Quem é você e por que tem todo esse arsenal?

– Meu nome é Mia. Eu sou caçadora.

– Sério? — surpreendeu-se Elena.

Mia assentiu. Era horrível não conseguir pensar nem correr. Elena continuou:

– E por que veio para Mystic Falls?

– Para investigar um caso. E matar alguns monstros. Vampiros, eu acho. — revelou ela.

– Você? — debochou Elena e enquanto passava a mão no cabelo de Mia continuou — Sabe, eu poderia te matar agora mesmo, mas o seu sangue realmente é especial. O quê você é exatamente?

Mia não sabia responder aquela pergunta. Às vezes pensava que era uma garota comum, mas então se lembrava do pacto que seus pais fizeram para tê-la e de como aquilo tinha a afetado. Lhe dado um dom que mais parecia uma maldição. Prever mortes de pessoas próximas. E ainda tinha aquela coisa de voltar da morte depois de fazer um ritual de exorcismo que mataria 99% das pessoas.

– Dizem que eu sou sobrenaturalmente especial. — foi o que Mia conseguiu responder.

– Eu aposto que sim. — concordou Elena a mordendo novamente.

Dessa vez Mia pensou que ia morrer. Começou a suar frio à medida que sua pressão arterial caía. Se apoiou novamente no Mustang. A dor no pescoço era excruciante, mas o mais difícil era não conseguir lutar contra aquilo. Por que estava agindo como se estivesse hipnotizada? OK. Talvez fosse exatamente isso.

Elena se afastou e limpou a boca enquanto propunha:

– Como eu disse, o seu sangue é uma delícia. Seria um disperdicio te matar agora e não aproveitar isso futuramente. Então vamos fazer um acordo. — Elena a encarou novamente e a compeliu — Você vai esquecer do momento em que resolveu vir para Mystic Falls para caçar... coisas. Vai voltar para o último hotel em que ficou e não contará sobre mim para ninguém. Se alguém perguntar, você foi atacada por um animal. E todas as noites neste mesmo horário você estará aqui e deixará eu me alimentar do seu sangue.

Mia assentiu.

– Agora vá. — dispensou Elena.

Mia obedeceu. Fechou o porta-malas.Tropeçou nas próprias pernas, mas conseguiu entrar no carro. Olhou pelo retrovisor e não viu mais a vampira. Amarrou um lenço no pescoço para esconder a marca que a mordida tinha deixado. Ninguém podia descobrir aquilo. Tinha que ser discreta. Tomou um pouco do café e sentiu-se melhor. Já podia dirigir de volta ao hotel. E foi o que fez.

Na noite seguinte voltou para aquela mesma estrada conforme a vampira tinha dito para ela fazer. E deixou ela se alimentar do seu sangue conforme ela também tinha dito para ela deixar.

Mas na última noite, enquanto se alimentava, Elena ouviu um carro se aproximando em alta velocidade e se afastou. Estava mais faminta do que de costume e Mia sentia-se cada vez mais fraca. Ia desmaiar. Era questão de minutos. Elena a olhou profundamente e a compeliu:

– Um animal te atacou.

– Sim. Um animal me atacou. — concordou Mia.

Então ao ver que um Impala estava se aproximando, Elena deixou Mia cair no asfalto e fugiu enquanto uma chuva impiedosa caía.

Mia sentiu uma leve vibração na estrada e abriu os olhos. Tentou levantar, mas sentia-se tão fraca que mal conseguiu sentar.

Virou-se e aquele carro parou a poucos centímetros do seu rosto. Reconheceu a placa e o carro. Os ocupantes desceram.

– Sam... Dean... O que diabos vocês estão fazendo aqui? — indagou Mia.

XXX

No quarto do hospital Mia observava a reação dos Winchesters sobre o que ela tinha acabado de contar. Pareciam em choque. Foi Dean que quebrou o silêncio dizendo:

– Então você está dizendo que uma vampira te hipnotizou, te fez de delivery e se alimentou do seu sangue como se ele fosse... fast food?

– Dean, isso não tem graça. Ela poderia ter me matado. — ressaltou Mia — Aliás, se vocês não tivessem aparecido, provavelmente ela teria.

Sam e Dean se entreolharam entendendo o que ela queria dizer. Era sobre Castiel não ter aparecido quando ela mais precisava.

– Mia... Sobre o Cas... — começou a dizer o mais velho.

– Eu sei, Dean. — interrompeu ela — Se ele pudesse estar aqui, estaria. Se ele não está deve haver uma boa razão pra isso. Eu sei e eu entendo. Mas eu não consigo deixar de pensar que se vocês não tivessem aparecido, provavelmente eu estaria morta. Então o que ele está esperando?

– Foi como você disse. Deve haver uma boa razão. — lembrou Sam.

– Eu não sei... Talvez seja hora de parar de pensar nele e simplesmente seguir em frente. — ponderou Mia com um olhar distante.

Foi Dean que a trouxe de volta dizendo:

– Sabe o que é realmente engraçado? Desde quando vampiros hipnotizam pessoas? Como isso é possível?

– Como é possível eu não sei, mas tem uma forma de impedir que isso aconteça. — lembrou Sam tirando as pulseiras que Meredith tinha lhe dado do bolso e jogando uma para Mia e outra para Dean — Verbena.

– É uma nova grife? — indagou Dean.

Sam sorriu e respondeu:

– É um tipo de planta, Dean.

– E como você sabe disso? — quis saber Mia enquanto colocava a pulseira.

– Ah... Na verdade, foi a sua médica que me contou. — disse Sam.

– Como assim? — estranhou Dean — Então ela sabia que Mia foi atacada por um sanguessuga?

– Dean... Na verdade, nós tivemos uma conversa bem... Honesta. — contou Sam.

– Defina "honesta". — pediu Dean preocupado.

– Ela sabe que nós não somos do FBI. — disse o mais novo.

– Sam... — repreendeu Dean.

– Dean, eu não disse nada pra ela. Ela só juntou as peças. E eu não tive como negar. Ela é inteligente, esperta... — explicou-se Sam.

– Bonita. — completou Dean.

Sam ficou em silêncio e depois de alguns instantes concordou:

– Sim. Ele é bonita. Mas não é nada disso que você está pensando, Dean. Eu não sei... Eu só acho que ela quis ajudar. Então eu acho que nós podemos confiar nela. Ah! E pelo visto não é só ela que sabe sobre os vampiros. — lembrou Sam enquanto abria o notebook e mostrava algumas reportagens locais — Olha isso. Relatos de ataques de animais são frequentes por aqui. "As vítimas tiveram todo o sangue de seus corpos drenado."

– E as autoridades ainda acreditam que foram ataques de animais? — duvidou Dean.

– Eles estão acobertando. — deduziu Mia.

– Por quê? — estranhou Dean.

– Pra não gerar pânico, talvez. — sugeriu Mia — Acredite, eu preferia continuar acreditando que um animal me atacou...

– Ou porque eles não estão sabendo lidar com isso direito. — ponderou Dean — É... Parece que temos um trabalho por aqui...

– Sabe o que eu acho estranho? — recomeçou Sam olhando para Mia — Por que aquele vampiro fez você lembrar do que realmente aconteceu naquela estrada?

– Eu não tenho ideia. — admitiu Mia — Mas talvez ele conheça a vampira que me atacou e quisesse ter certeza. Eu aposto que no fim ele iria me hipnotizar de novo e me mandar esquecer tudo, mas aí vocês apareceram e ele só teve tempo de fugir.

– Esses vampiros com certeza não são como os outros. — refletiu Dean. — Podem hipnotizar pessoas e são alérgicos a uma simples plantinha?

Todos ficaram em silêncio pensando sobre aquilo. Realmente aquela cidade tinha mais mistérios do que eles haviam imaginado. De repente Dean lembrou de uma coisa e mudou de assunto:

– Hey, Mia! Por qual razão estúpida você não nos ligou quando desconfiou que tinha alguma coisa errada com você? Quando se sentiu mal por causa daquele maldito ritual?

– Desculpe. — pediu ela — Eu sei que o mais prudente seria ter ligado, mas não parecia certo. Eu sabia que vocês estavam ocupados com o segundo teste. Eu tinha sonhado com isso. Então eu só achei que poderia resolver as coisas sozinha.

– Você podia ter morrido. — lembrou Sam.

– Nós sempre fazemos isso, não é? — refletiu Dean.

– Isso o quê? — quis entender Sam.

– Mentimos um pro outro quando tínhamos prometido ser honestos. Quando tínhamos garantido que pediríamos ajuda se fosse necessário, se as coisas se complicassem. Que nos ajudaríamos, que contaríamos um com o outro. Como uma família. Nós sempre cometemos o mesmo erro. Sempre tentamos resolver as coisas sozinhos e... Nos ferramos. — disse o mais velho.

– Dean... — interrompeu Sam.

– Ele está certo. — concordou Mia — Eu sinto muito. Eu devia ter procurado vocês ou Cas... Mas sabe o que é mais esquisito nisso tudo? Depois de tudo que eu passei com o ritual e com o lance do... fast food, eu deveria estar me sentindo péssima. Talvez morta... Eu não sei como, mas eu me sinto ótima. Forte. Disposta. Como eu me recuperei tão rápido? Eu sinto que eu poderia sair daqui agora mesmo.

– Você está falando a verdade dessa vez? — quis confirmar Dean.

– Claro que sim! Eu me sinto ótima. De verdade. — garantiu Mia — Eu só não como isso é possível...

Dean reparou que Sam tinha ficado pensativo como se ele soubesse de algo que ele e Mia não sabiam e perguntou:

– Sammy, enquanto você brincava de médico com a Dra. Fell ela te disse alguma coisa sobre a saúde da Mia?

– Na verdade, ela disse. — confessou Sam.

– Ah meu Deus! Você fez aquela cara... — observou Mia ficando preocupada — Aquela cara que as pessoas fazem quando sabem que alguém, no caso eu, está nas últimas, mas não sabe como contar.

– Você não está nas últimas, Mia. — tranquilizou Sam — Não mais...

– Como assim "não mais"? — desconfiou Dean e como o irmão não respondeu insistiu — Sammy, nós acabamos de prometer que diríamos a verdade independente de qualquer coisa, então desembucha.

– Ok... — concordou Sam e quando encontrou as palavras que pareciam certas continuou olhando para Mia — Segundo Meredith, o seu estado era grave. Muito grave. Não só pela questão de ter perdido muito sangue, mas havia outra coisa também. Não entre em pânico, mas você tinha um... Aneurisma. Provavelmente por causa daquele ritual... Mas não se preocupe. Você está bem agora.

– Como? — quis entender Mia.

– Sam, o que aquela médica fez com a Mia?! — perguntou Dean visivelmente nervoso.

– Um tratamento... Experimental. Com sangue de vampiro... — revelou ele.

– O quê?! — gritou Dean — Ela deu o quê pra Mia?!

Meredith entrou no quarto e deduziu:

– Ah! Então o nome dela é Mia? O dele é Sam e o seu...

– Meu nome é Dean Winchester! — disse ele empurrando a médica contra a parede — E eu não estou gosto da forma como você trata os seus pacientes! Especialmente se esse paciente é uma amiga minha!

– Dean, solta ela! — ordenou Sam se aproximando dos dois — Ela não teve escolha. Sem isso Mia estaria morta...

– E qual o efeito colateral disso? — indagou Dean — Sim porque sempre há efeitos colaterais quando se mexe com o sobrenatural! O que isso vai fazer com ela?!

– Se você me soltar, eu poderei explicar. — sugeriu Meredith.

Depois de alguns instantes, Dean finalmente se afastou e olhou para Mia que estava paralisada. Em choque.

– Então eu sou uma vampira? — temeu ela.

– Não! — tranquilizou a médica se aproximando da cama — Não é e não precisa ser.

– Mas eu tenho sangue de vampiro no meu corpo e eu li no diário de John Winchester... — recordou Mia.

– Mia, — interrompeu Meredith — Quando você chegou aqui o seu estado era muito grave. Eu precisei te dar uma grande quantidade de sangue. O sangue te curou. Mas isso não faz de você uma vampira...

– Algum efeito colateral? — insistiu Dean ainda desconfiado.

– Mia, pra se tornar uma vampira... Você teria que morrer com o sangue no seu organismo e depois se alimentar para completar a transformação. — explicou a médica.

– Desgraçada! — xingou Dean dando um passo em direção à ela, mas sendo barrado por Sam.

– Dean, ela só quis ajudar... — ressaltou Sam.

– De boas intenções, Sammy, o Inferno está cheio de Rubys! — disse Dean com raiva.

– Então tudo o que eu preciso fazer é...? — quis saber Mia.

– Tomar cuidado. Como eu disse, eu precisei te dar uma quantidade significativa de sangue, mas em alguns dias, três provavelmente, ele terá saído do seu organismo. — explicou Meredith.

Tomar cuidado significava não morrer. Da última vez que prometeu para si mesma que se manteria viva, Mia encontrou uma vampira no meio da estrada. Como poderia ter certeza que as coisas dariam certo desta vez se nem Castiel parecia se importar...?

– Tudo bem. — aceitou Mia por fim.

– Tudo bem? — repetiu Dean — Você tem noção do que ela fez com você?

– Sim, ela salvou a minha vida. Assim como vocês. E eu sou grata aos três. — agradeceu Mia fazendo com que Dean se acalmasse — Isso não é o fim do mundo. Eu vou ficar bem. Eu não estava pensando em morrer mesmo. A única diferença é que agora eu tenho mais um motivo para me manter viva.

– Isso não tem graça, Mia. — repreendeu Dean — Você é mestre em se meter em confusão.

– Não se preocupe, Dean. Eu não vou morrer dessa vez. Eu prometo. — prometeu Mia sorrindo e depois voltou-se para a médica — Quando eu poderei sair daqui?

– Amanhã. — respondeu Meredith.

– Ótimo. Agora se vocês não se importam, eu queria ficar um pouco sozinha. São muitas informações para digerir. — disse Mia.

– Claro. — concordou Meredith.

Sam também assentiu e andou em direção a porta. Mas Dean não estava convencido e voltou dizendo:

– Nós não podemos te deixar sozinha com aquele vampiro psicopata por aí. Muito menos com aquela vampira que te atacou ainda à solta.

– Depois da entrada triunfal de vocês há pouco, eu duvido que qualquer um dos dois apareça por aqui. Eles devem estar se perguntando quem são estes caçadores que chegaram em Mystic Falls. Estudando o inimigo. E vocês deveriam fazer a mesma coisa. Além disso, vocês viajaram a noite toda. Também precisam descansar um pouco. Eu vou ficar bem. — disse Mia.

Dean pensou um pouco e percebeu que ela tinha razão. Eles tinham que descobrir mais sobre aquela cidade e seus peculiares habitantes.

– Ok, mas com uma condição. — propôs Dean e em seguida pegou um facão dentro de uma das bolsas e escondeu embaixo do travesseiro de Mia — Se você precisar, não hesite em usar isto.

Em seguida ele e Sam saíram do quarto e Mia sentiu que finalmente podia pensar realmente sobre aquilo. Não morrer. Ao pensar nisso, lembrou de Castiel. Fechou os olhos e repetiu:

– Castiel, eu preciso de você. Apareça.

Abriu os olhos. Continuava sozinha.

Enquanto isso, Sam e Dean foram até o Mystic Grill e almoçaram. Ao mesmo tempo, Sam pesquisava no notebook a história daquela cidade, sobre os fundadores, sobre os habitantes e sobre os ataques de animais. Ficaram ali o resto da tarde. Jantaram. De vez em quando Sam ligava para Meredith para tentar conseguir uma ou outra informação que poderia ser útil.

De repente um garçom do lugar se aproximou da mesa e perguntou:

– Vocês vão querer mais alguma coisa? Uma sobremesa?

– Sim! — respondeu Dean e indicou uma figura no cardápio dizendo — Eu quero essa torta aqui. Dois pedaços. Um para agora e outro eu vou levar.

– Eu não quero nada. — disse Sam e notou que o funcionário olhava discretamente para o que ele pesquisava no computador.

Sam fechou o notebook ao mesmo tempo em que ele perguntou:

– Por que o FBI está interessado em um ataque de animal?

– Por que todo mundo dessa cidade pergunta isso? — devolveu Sam desconfiado.

– Eu vou pegar a sua torta. — desconversou o garçom se afastando.

– Depois. — disse Dean segurando o braço do sujeito — Qual o seu nome?

– Matt. — respondeu ele.

– Matt, por que você não se senta com a gente um pouco? Temos algumas perguntas. — intimou Dean.

– Eu não posso. Eu estou trabalhando. — esquivou-se ele.

– Eu tenho certeza que o seu chefe não vai se importar por você colaborar com o FBI. — insistiu Sam.

Matt olhou em volta e depois sentou com eles. Sam abriu o notebook e mostrou uma foto recente de um evento em Mystic Falls e pediu:

– Que tal começar nos mostrando quais dessas pessoas são vampiros. — sugeriu Sam.

– Como é? — surpreendeu-se Matt e depois deduziu — Vocês não são do FBI. Como sabem sobre os vampiros? Quem são vocês?

– Hey! Nós fazemos as perguntas. — lembrou Dean.

Matt se levantou dizendo:

– As pessoas desta foto, a maioria são meus amigos. Eu jamais faria ou diria qualquer coisa que os colocasse em perigo.

– Um dos seus amigos quase matou a nossa amiga. — disse Dean e indicou alguém na imagem — E esse aqui fez uma visita pra ela hoje no hospital. Alguma ideia de quem ele é?

– Não. — mentiu Matt.

– Você tem certeza? — perguntou Sam — Por que Meredith nos disse que você poderia ajudar.

– Vocês falaram com Meredith? — quis confirmar Matt.

– Sim. Foi ela que nos contou o que realmente atacou nossa amiga. — disse Dean. — Ela é uma ótima pessoa, sabia? Ela quer ajudar e você deveria fazer o mesmo. Podemos não ser do FBI, mas acredite, você não vai querer nos ter como inimigos.

Matt pensou um pouco e então respondeu:

– O nome dele é Damon Salvatore.

– Alguma ideia de onde podemos encontrá-lo? — interessou-se Sam.

Matt anotou o endereço em uma das páginas do bloco de anotações, destacou e colocou em cima da mesa dizendo:

– Provavelmente ele encontrará vocês antes.

– Obrigado, Matt. — agradeceu Dean pegando o papel — Você é muito colaborativo.

– Vocês conhecem mesmo Meredith? — quis certificar-se ele.

– Claro! Ela e meu irmão ficaram amigos hoje. — contou Dean.

– E ela falou mais alguma coisa para vocês? — indagou Matt.

Enquanto Dean pensava a respeito, Sam respondeu:

– É... Na verdade, ela disse para irmos embora o mais rápido possível. Por quê?

– Vocês deviam seguir o conselho dela. — sugeriu ele e antes de se afastar disse para Dean — Eu vou trazer a sua torta.

Depois que Matt se foi, Dean comemorou:

– Finalmente uma pista!

– Eu não sei Dean... — desconfiou Sam — Você não acha que pra quem não queria falar ele colaborou rápido demais?

– Ele mudou de opinião quando você disse o nome de Meredith. Contatos são tudo, Sammy. — justificou Dean, mas Sam continuava desconfiado.

Enquanto isso, Matt atendia uma ligação nos fundos do restaurante:

– Está feito, Damon.

– Bom garoto. — respondeu o vampiro do outro lado.

– Eu preciso lembrar que eu fiz isso por Elena? — ressaltou o garçom.

– Eu sei... E se ela não tivesse desligado a humanidade provavelmente ela te agradeceria agora mesmo. — disse Damon.

– Ou não. — discordou Matt — Porque se ela fosse a antiga Elena, nada disso estaria acontecendo. Ela não teria atacado aquela garota.

– Ok, pode me culpar por isso. É tudo culpa do Damon... — disse o vampiro.

– Olha, dá pra pelo menos me explicar por que você me pediu isso? — quis entender Matt.

– Para ganhar tempo. — respondeu Damon.

– Mas eles vão sair daqui e vão direto pra sua casa. — quis entender Matt.

– Exato. E nós não estaremos lá. — prosseguiu o vampiro.

– Nós? — repetiu o garçom confuso.

Damon revirava as coisas de Dean no quarto do hotel onde ele e Sam tinham se hospedado, enquanto Stefan mexia nas coisas de Sam e Elena permanecia sentada com os pés em cima da mesa. Eles tinham compelido o dono do hotel para convidá-los a entrar no lugar.

– Onde vocês estão exatamente? — desconfiou Matt.

– Precisamos descobrir mais sobre esses tais... Winchesters. — insinuou Damon revirando alguns CDs — Humm... Parece que um deles gosta de rock.

– Espera aí. — pediu Matt — Vocês estão...

– Matt... Eu adoraria continuar falando com você, mas... A ligação está horrível... E Matt? Alô? Matt? Eu não estou ouvindo... — mentiu Damon desligando o telefone em seguida.

– Hey! — chamou Stefan — Eu encontrei uma coisa.

Damon se aproximou e viu o que o irmão segurava.

– Até que enfim alguma coisa interessante. — disse Damon pegando o diário das mãos de Stefan e deitando em uma das camas.

– Elena... — começou Stefan se aproximando da garota — Você também precisa ajudar.

– Por quê? Eu já falei, eu não me importo com nada disso. Estamos perdendo tempo aqui... — disse ela com certa frieza.

– Você deveria. — afirmou Stefan — Você chamou a atenção de caçadores para Mystic Falls. Agora nós temos que consertar as coisas antes que isso tome proporções maiores...

– Temos? — repetiu Elena — Sabe o que nós temos que fazer, Stefan? Matar todos eles. Pronto, problema resolvido. E ainda resolveria outro problema também... Eu estou com fome.

– Nós não vamos matar ninguém. — discordou Stefan — A antiga Elena nunca pensaria assim.

– Exato. E a antiga Elena se foi, Stefan — lembrou ela — Quando vocês vão aceitar isso? A garota que vocês amavam não existe mais e a nova Elena não dá a mínima pra o que está acontecendo. E se vocês não querem matar esses caras, tudo bem. Eles não vão hesitar em matar vocês. — disse ela se levantando — E eu não vou ficar aqui para assistir, muito menos para ser a próxima.

– Elena... — tentou Stefan, mas ela já tinha saído do quarto rapidamente. — Leitura interessante? — perguntou para Damon que parecia muito concentrado naquele diário.

– Na verdade... Muito. — confessou ele impressionado com as coisas que estava lendo — É de um tal John.

Enquanto isso, Sam e Dean se aproximavam do hotel.

– Você vai me explicar por que nós não estamos seguindo a pista do Matt? — quis entender Dean.

– Porque estaríamos fazendo exatamente o que eles estavam esperando que faríamos. — disse Sam indicando a janela do quarto para o irmão.

Dean observou e entendeu o que Sam queria dizer.

– Eu não deixei a luz acesa... — observou Dean antes de andar em direção à porta junto com o irmão — Filhos da mãe... — xingou baixinho.

Perto dali, no hospital, Mia começou a acordar. Tinha dormido a tarde inteira e se surpreendeu quando percebeu que tinha anoitecido. O quarto estava escuro e o hospital silencioso. Aquilo era estranho. Talvez fosse mais tarde do que ela pensava. A rua também estava silenciosa. Sentou na cama e por mais que quisesse seguir em frente não conseguiu evitar. Pensou em Castiel. E em como as coisas seriam mais simples se ele estivesse ali. Ele a fazia mais forte. Precisava dele. Fechou os olhos e resolveu tentar mais uma vez:

– Castiel, eu preciso de você. Apareça.

Mia abriu os olhos e se assustou com um vulto que passou rapidamente no corredor. Definitivamente, não era Castiel.

Colocou a mão embaixo do travesseiro e pegou o facão que Dean tinha deixado ali para uma emergência. Em seguida puxou a intravenosa que ainda estava na sua mão. Nos filmes, as pessoas faziam aquilo com se fosse a coisa mais simples e indolor do mundo. Mas eles estavam errados. Aquilo tinha doído. E talvez não tivesse sido inteligente já que um pouco de sangue saiu do lugar aonde a intravenosa estava e se houvesse um vampiro no corredor, com certeza aquilo o atrairia.

Mia resolveu arriscar. Levantou da cama segurando o facão na altura do rosto e andou lentamente até a porta. O vulto passou novamente e ela se assustou mais uma vez. Continuou andando.

Sam e Dean abriram a porta do quarto e entraram lentamente segurando as armas com balas de madeira. Outra dica que Sam tinha conseguido com Meredith. Mas não tiveram tempo de atirar. Ou de reagir. Muito menos de pensar. Alguma coisa acertou as suas cabeças e eles caíram no chão desmaiados enquanto Damon e Stefan os observavam um tanto surpresos...

Notas finais
Gostaram? Esclarecedor? O próximo capítulo será publicado na quarta-feira! Inté!