Winchester X Salvatore
1 Capítulo 1 - Ataque de animal
Notas iniciais
Mia sentia a chuva caindo sobre o seu rosto no asfalto e encharcando as suas roupas. Tremeu de frio e se encolheu um pouco. Onde estava? E por que o seu pescoço doía tanto?
Começou a abrir os olhos e viu seu Mustang parado um pouco adiante. Era madrugada e a luz do farol a incomodou. Então colocou uma das mãos sobre os olhos e tentou levantar. Mas sentia-se tão fraca que mal conseguiu sentar.
Sentiu uma leve vibração na estrada e o barulho de um carro se aproximando em alta velocidade. Virou-se na direção do ruído e protegeu o rosto quando o veículo parou a poucos centímetros dela. Reconheceu a placa e o carro. Logo os dois ocupantes desceram e se aproximaram surpresos e visivelmente preocupados.
– Sam... Dean... — murmurou ela — O que diabos vocês estão fazendo aqui?
– Na verdade, nós íamos te perguntar a mesma coisa. — disse Sam querendo entender o que Mia fazia deitada numa estrada no meio do nada e com toda aquela chuva que caía.
– Mia, o que está acontecendo aqui? — quis saber Dean e ao notar algo incomum perguntou — E por que o seu pescoço está sangrando?
Só então Mia levou a mão ao pescoço. E ao afastá-la da região onde doía o sangue escorreu entre seus dedos. Então ela lembrou do que tinha acontecido e respondeu:
– Eu fui atacada...
– Atacada? — repetiu Dean — Pelo quê?
– Como assim "pelo quê", Dean? Por um animal, gênio. — explicou ela enquanto tentava levantar.
– Animal? — quis confirmar Sam.
Mia ficou tonta e sentiu que ia desmaiar de novo. Mas teve a impressão de que alguém a segurou e a impediu de cair no asfalto novamente. Era Sam.
– Mia! Acorda! — gritou ele.
Mia queria explicar que estava ouvindo, mas sua visão ficou turva e sua garganta seca antes que conseguisse formular qualque frase e a última coisa que ouviu foi Dean dizendo:
– Sammy, coloca ela no carro. Vamos sair daqui...
Quando Mia abriu os olhos novamente parecia que tinha se passado anos, mas era apenas a manhã seguinte daquele estranho reencontro. Olhou em volta. Estava em um quarto de hospital. Sam estava sentado em uma poltrona perto da porta pesquisando alguma coisa no seu notebook. Ao vê-lo de terno, Mia lembrou do dia em que viu ele e Dean pela primeira vez. Disfarçados de agentes do FBI. Automaticamente lembrou de Castiel. Não por causa do notebook ou do terno, mas por causa da poltrona. Sentiu saudade.
– Sam... — sussurrou ela com dificuldade enquanto via que uma intravenosa lhe dava soro.
– Mia... Como você está? — perguntou ele se aproximando da cama preocupado.
– Onde eu estou? — quis saber ela enquanto via uma série de equipamentos ligados ao seu corpo, monitorando seus batimentos cardíacos e lhe dando algum tipo de medicação.
– Mystic Falls. — respondeu ele.
– O que aconteceu...? — quis saber a garota.
– Mia, você precisa descansar. Você perdeu muito... Sangue ontem a noite. — contou Sam.
– Por que eu estou aqui? Em um hospital? Por que vocês não chamaram o Cas? Ele poderia me curar... — questionou ela.
– Mia, você tem visto o Cas? — indagou Sam um tanto surpreso.
– Como assim? — estranhou ela — Eu estava com ele no hotel em São Francisco há dois dias. Depois você ligou e ele foi encontrar você e o Dean e então eu...
– Mia... — interrompeu Sam sem entender o que estava acontecendo e como ele diria aquilo para ela — Mia... Isso foi há quase um mês. E nós não vemos o Cas há no mínimo duas semanas... Você não dá notícias desde aquele dia. Por isso nós viemos pra cá. Para procurar você...
No começo Mia pensou que Sam estava brincando, mas depois entendeu que ele não tinha motivo para isso. Ele estava sério e parecia esperar uma explicação. Mas ela também não entendia como aquilo era possível. Ele estava visivelmente preocupado quando tentou sondar:
– Mia... Sobre o ritual...
– Sam. — cortou ela — Eu estou bem. — garantiu.
– Você não lembra de nada que aconteceu nas últimas semanas e estava desacordada no meio de uma estrada. Você não está nada bem. — discordou ele.
– Meu carro... — lembrou ela.
– Não se preocupe. Eu o levei para o hotel enquanto Dean te trazia pra cá. — tranquilizou Sam.
– Onde o Dean está? — perguntou a garota.
– Eu estou bem aqui. — respondeu o Winchester mais velho entrando no quarto também disfarçado de agente do FBI — Como você está se sentindo?
– Como se eu tivesse sido quase atropelada por um Impala... — respondeu e depois perguntou — Onde você estava?
– Ah! Eu fui checar o hotel onde você ficou hospedada nas últimas semanas. Sabe, eu já vi muita coisa estranha nesse negócio de caçar coisas, Mia, mas eu tenho que confessar que ao falar com a recepcionista do hotel eu fiquei impressionado. — explicou Dean.
Mia ainda tentava se acostumar com o fato de terem se passado semanas desde que ela falou com os Winchesters pela última vez quando perguntou:
– Como assim? Que hotel?
Dean ficou em silêncio e olhou para Sam sentindo que tinha alguma coisa errada com Mia. Sam o olhou como quem diz "eu explico depois" e só então Dean continuou:
– O hotel na cidade vizinha. O Sammy rastreou as suas utilizações do cartão de crédito e eu fui até lá conferir. E... Foi como eu disse... Eu fiquei impressionado!
– Dean, fala logo. Você está me deixando nervosa. — disse Mia sentando-se na cama.
– Tudo bem... — concordou ele e depois de alguns instantes prosseguiu — Bem, resumindo a história, a recepcionista me disse que você chegou lá há umas três semanas e toda noite você fechava a conta e dizia que estava indo para Mystic Falls. Só que na manhã seguinte você reaparecia e se hospedava de novo. Mia, você fez isso várias vezes, por dias, e ontem...
– Foi a última vez. — completou ela — Porque vocês apareceram e de alguma forma quebraram o... Círculo vicioso. Por que eu faria uma coisa assim?
– Você não lembra de ter feito isso? — estranhou Dean.
– Na verdade... Não. — admitiu ela — Eu não lembro de nada desde aquele dia em que saí de São Francisco.
Dean a olhou preocupado e sondou:
– Mia... Sobre o ritual...
– Eu não estou louca, ok? — interrompeu ela — Eu estou ótima! Eu me sinto ótima! — garantiu enquanto tentava se levantar, mas ficou tonta e Dean a amparou.
– Hey... Vai com calma... — pediu ele a fazendo voltar para a cama.
– Eu não entendo... — confessou ela — Onde o Cas está? Por que ele não veio com vocês?
Dean voltou a observá-la preocupado assim como Sam.
– Eu sei o que vocês estão pensando. — disse Mia — Mas isso não tem nada a ver com o ritual, ok? Eu fui atacada por um animal ontem e... Onde está Castiel? Por que vocês não o chamaram?
– Mia, o único motivo pro Cas não estar aqui é que ele... — tentou explicar Dean.
– Ele fugiu, Mia. — contou Sam — Com a tábua dos Anjos.
– Tábua dos anjos? Do que vocês estão falando? — quis entender ela.
– Digamos que aconteceram algumas coisas enquanto você estava presa no Feitiço do Tempo. — resumiu Dean.
– Que tipo de coisas? — perguntou ela cada vez mais confusa — O que aconteceu?
– Mia, nós vamos te explicar tudo. Só que mais tarde. — prometeu Sam — Agora você precisa descansar um pouco.
– É um ótimo conselho. — concordou uma voz feminina.
Sam e Dean olharam juntos para trás e viram a médica que estava parada perto da porta.
– Bom dia. Eu sou a Dra. Fell, mas podem me chamar de Meredith. — apresentou-se a médica enquanto entrava no quarto e se aproximava da cama — Como você se sente, Mary? Desculpe, eu gosto de chamar meus pacientes pelo primeiro nome. Espero que você não se importe.
Mia demorou um pouco pra entender que Meredith estava falando com ela e gaguejou ao responder:
– Por mim... Tudo bem, Meredith... Ah! Eu me sinto bem melhor. Por falar nisso, quando eu terei alta?
– Logo. Você está se recuperando muito bem. — respondeu a médica.
– Ataque de animal, hein? — insinuou Dean esperando que Meredith pudesse saber algo sobre o que realmente tinha acontecido com Mia — Fiquei sabendo que isso é muito comum por aqui...
Ela o olhou como se tivesse entendido suas intenções e desconversou:
– Agentes, ela precisa descansar. Seria ótimo se vocês voltassem mais tarde.
– Nós já vamos sair, doutora. — prometeu Dean enquanto Sam observava a médica de um jeito diferente.
Quando Meredith deixou o quarto, Sam olhou para Dean e em seguida também saiu. Queria conversar com aquela médica. Sentiu que ela sabia alguma coisa sobre o que tinha acontecido, mas não queria ou não podia falar.
– Então, Mia... — recomeçou Dean.
– Se você perguntar como eu estou me sentindo, eu juro que te dou um soco. — prometeu ela.
– Você pode não gostar, mas nós nos preocupamos com você. — esclareceu o Winchester mais velho.
– Não se trata disso, Dean. É que eu não vejo motivo pra tanta preocupação. Eu estou bem. Foi só um ataque de animal. Nada demais. — expôs a garota.
– Mia, você acredita mesmo no que você está falando? Porque eu não acredito. Eu já vi tantas coisas durante esses anos, nesse negócio, que eu posso afirmar com todas as letras que o quê te atacou ontem não foi um animal. — insinuou Dean.
Mia o olhou sem entender e indagou:
– Então você acha que foi o quê? Um vampiro? Dean, se fosse um vampiro por que eu mentiria? Por que eu não lembraria? Foi um animal. Eu tenho certeza.
Enquanto isso Sam seguia Meredith pelo corredor.
– Doutora! — chamou ele.
Ela parou e esperou ele se aproximar.
– Eu queria conversar sobre... Mary. Ela está realmente bem? — começou Sam.
– Me siga, por favor. — pediu ela se dirigindo para uma sala.
Ao entrar, Meredith sentou à mesa e pediu que Sam fizesse o mesmo. Só então ela prosseguiu:
– Você me perguntou sobre o estado de Mary, então eu preciso perguntar uma coisa antes. Ela sofreu algum trauma recentemente? Antes do ataque desta madrugada, é claro.
Sam lembrou do ritual de exorcismo que Mia tinha feito há quase um mês e mentiu:
– Não que eu saiba. Por quê?
– Eu achei uma coisa estranha na tomografia dela. — contou a médica enquanto abria o prontuário de Mia e mostrava para Sam — Um aneurisma. É raro na idade dela, mas o que me impressionou mais foi o tamanho e a região. Ela tem sorte de estar viva.
– Ela vai ficar bem? — perguntou Sam preocupado.
– Não se preocupe. Ela já está bem. Nós cuidamos disso. Eu só achei estranho... Ela era como uma bomba relógio pronta para explodir. Estranho ela estar trabalhando esse tempo todo e o FBI não ter notado o risco eminente. Eu pensei que vocês faziam exames periódicos... — disse Meredith com um ar de desconfiança.
– Mas você disse que ela vai ficar bem, certo? — quis confirmar Sam.
– Sim! Amanhã mesmo ela receberá alta. — assegurou Meredith.
– Ótimo! — respondeu Sam aliviado, mas em seguida questionou — Desculpe perguntar, mas pelo o que eu entendi o estado dela era grave. Como ela se recuperou tão rápido?
Meredith pensou um pouco e em seguida respondeu de forma muito direta deixando Sam surpreso:
– Transfusão de sangue. De vampiro.
– Como é?! — Sam se perguntava se tinha mesmo ouvido aquilo.
– Podemos ser honestos? — propôs ela e quando Sam assentiu ela continuou — Vocês não são agentes do FBI de verdade. Muito menos aquela garota. Ela é jovem demais. Além disso, pela reação dela eu duvido que o seu nome seja mesmo Mary.
Sam estava em choque com a franqueza com que Meredith falava. Então ele resolveu ser honesto também e arriscou perguntar:
– Assim como também não foi um animal que a atacou, certo?
– Eu acho que você não precisa de mim para responder esta pergunta... Agente. — respondeu ela o olhando nos olhos — Eu sei o que vocês são...
– Sabe? — indagou Sam.
– É por isso que eu me sinto na obrigação de dar dois conselhos. O primeiro: vão embora o mais rápido possível. — aconselhou a médica.
– E o segundo? — quis saber o caçador.
Meredith abriu a gaveta da mesa e entregou três pulseiras para Sam enquanto explicava:
– Se vocês forem estúpidos o suficiente para não seguirem o primeiro conselho, pelo menos usem isto. Elas contém verbena.
– Verbena? — repetiu Sam enquanto examinava as pulseiras — E pra que isso serve exatamente?
– Os vampiros não gostam muito. Além disso, ela impede que vocês sejam compelidos. — explicou ela.
Sam tentava assimilar as coisas que Meredith tinha lhe contado, enquanto Dean terminava de contar para Mia o que ela havia perdido nas últimas semanas.
– Então, Kevin descobriu qual era o segundo teste, Sam resgatou uma alma do Inferno, Kevin desapareceu, vocês não têm ideia de onde ele escondeu a tábua, Cas se livrou da manipulação de uma anja chamada... Naomi e então ele fugiu com outra tábua, a tábua dos anjos, depois de te dar uma surra? — resumiu Mia.
– Mais ou menos isso. — respondeu Dean não gostando da parte da surra.
– E por que vocês não o chamaram de volta? — questionou ela.
– Se você quer saber se eu rezei para ele... Sim, eu rezei para ele, Mia. Mas ele não apareceu. Ele não quer aparecer. — contou Dean.
– Talvez ele não tenha ouvido... Por que vocês não o procuraram mais? — indagou ela inconformada com o fato de que o seu namorado anjo da guarda de sobretudo tinha sumido da face da Terra.
– Porque ele não quer se encontrado, Mia. — respondeu ele prestando atenção na reação dela.
Mia simplesmente ficou em silêncio. Não podia acreditar que Cas tinha fugido. E pra sempre...
– Você está bem? — quis saber Dean.
– Eu preciso de café... — disse a garota.
– Eu acho que neste momento não vai ser possível, Mia. Você está sendo medicada e ainda está fraca... — discordou o Winchester.
– Dean, por favor me traga qualquer coisa para beber. Por favor. — implorou ela querendo ficar sozinha por alguns minutos.
Enquanto isso, Meredith abria a porta para Sam sair.
– Posso fazer uma pergunta? — arriscou ele.
– Se eu puder responder. — assentiu ela.
– Como você sabe de todas essas coisas? Sobre vampiros? — quis saber Sam.
Meredith pensou se deveria ou não contar aquilo, mas de alguma forma sentia que podia confiar nele e então respondeu:
– Eu faço parte do Conselho de Mystic Falls. Nós sabemos sobre os vampiros e mantemos as coisas sob controle.
– Sob controle? Eu acho que vocês precisam rever o "sob controle". — disse ele.
– Siga o meu conselho, Agente. Vá embora de Mystic Falls enquanto vocês podem. O mais rápido possível. — ressaltou ela.
Sam pensou um pouco e sentiu que também podia confiar nela. Contar que ele não era do FBI, já que ela já tinha percebido isso.
– Meu nome é Sam Winchester. — revelou ele — E eu não vou embora daqui até entender o que realmente está acontecendo nessa cidade... Meredith.
– Neste caso, tem mais uma coisa que você precisa saber... Sam. — anunciou ela.
– E o que é? — quis saber ele.
– Eu fiz uma transfusão de sangue em Mary... Ou em quem quer que ela seja. Com aquele tipo de sangue que eu te falei há pouco. Ela tinha perdido muito sangue, o estado dela era crítico e tinha aquele outro problema... O aneurisma. Então eu tenho que avisar... Eu não tive escolha e vocês precisam cuidar dela... Evitar que... — tentou explicar a médica.
– O quê? — preocupou-se Sam.
– Certo, não tem outro jeito de dizer isso... — relutou a médica tentando encontrar as palavras certas — Bem, o sangue irá curá-la e em uns três dias não terá mais vestígios dele no organismo dela, mas até lá... Se antes disso... Se por acaso acontecer alguma coisa e ela... morrer com ele no corpo...
– Ela entra em transição. — deduziu Sam percebendo a gravidade que aquilo significava.
– Exato. — assentiu Meredith.
Sam ficou visivelmente preocupado com aquilo. Tinha que manter Mia longe de qualquer tipo de confusão nos próximos dias. Não era uma tarefa fácil. Ainda mais sem Cas por perto. Ela parecia mais instável sem o anjo do seu lado. E tinham que descobrir mais sobre aquela cidade e sobre os vampiros. Havia um caso ali. E eles não podiam ignorar isso.
Enquanto Sam se despedia de Meredith, Dean lutava com a máquina de refrigerantes. Ele tinha colocado o dinheiro, mas a lata não caía de jeito algum.
– Filha da mãe! — xingou ele dando um leve chute na máquina.
– Hey, amigo! Deixa eu te ajudar com isso. — ofereceu-se um homem se aproximando e sorrindo.
O estranho deu um leve soco na máquina e a lata caiu imediatamente. Dean a pegou e só então olhou para o rosto dele. Era jovem, branco, tinha os cabelos escuros e curtos e seus olhos eram bem azuis.
– Obrigado. — agradeceu Dean sorrindo.
Então o estranho olhou nos olhos de Dean fixamente e perguntou:
– Por que o FBI está investigando um ataque de animal?
– Eu não sei. Eu não sou do FBI. — respondeu Dean automaticamente sem desviar o olhar.
– Quem é você? — quis saber um tanto surpreso.
– Dean Winchester. Eu sou caçador. Sou de aquário... — respondeu ele.
– Obrigado. E esqueça esta conversa. — ordenou o estranho antes de se afastar.
Então Sam se aproximou de Dean e perguntou:
– Quem era?
– Quem era quem? — não entendeu o mais velho.
– O cara que estava conversando com você, Dean? — explicou o mais novo.
– Que cara, Sammy? Eu só estava pegando um refrigerante pra Mia... O que foi? — disse Dean confuso.
– Mia! — lembrou Sam pressentindo o perigo que aquele estranho, que parecia ter apagado a memória de seu irmão, representava.
Mia estava sozinha no quarto. Não acreditava que Castiel tinha sumido. Precisava tentar uma coisa. E já que tinha conseguido tirar Dean do quarto por alguns minutos, tinha a chance para isso. Sentada na cama fechou os olhos e murmurou:
– Castiel, eu preciso de você. Apareça.
Mia sentiu uma leve brisa no seu rosto e abriu os olhos sorrindo, mas ao ver aquele estranho na sua frente franziu a testa e afirmou:
– Você não é o Cas.
– Provavelmente não. — concordou ele.
Mia sentiu que estava em perigo e procurou a campainha para chamar a enfermeira, mas ele se aproximou rapidamente e a olhou fixamente nos olhos enquanto perguntava:
– O que aconteceu com você?
– Eu fui atacada por um animal. — respondeu ela automaticamente.
– Não. Não foi isso que aconteceu... Agora eu quero que você lembre do que realmente aconteceu e me conte a verdade. — compeliu o estranho.
Então Mia lembrou e contou a verdade para ele quase ao mesmo tempo em que Sam e Dean chegaram no quarto apontando as armas para o intruso.
– Se afasta dela, Crepúsculo! – gritou Dean.
Mas antes que pudesse atirar sentiu uma coisa passar entre ele e Sam com uma velocidade absurda. E quando deu por si só havia ele, Sam e Mia no quarto.
– Pra onde ele foi? — indagou Sam surpreso e procurando em volta.
Dean se aproximou de Mia que estava atônita e paralisada e perguntou preocupado:
– Ele fez alguma coisa com você?
– Dean... Eu me lembro do que aconteceu. — contou Mia — Vocês tinham razão. Não foi um animal que me atacou...
– Nós sabemos disso, Mia. — disse Sam se aproximando também — Foi um vampiro. Minha aposta é que foi aquele vampiro, não foi? Ele veio terminar... o que começou?
– Não... — negou ela — Não um vampiro. Não foi um vampiro que me atacou... Era ela.
– Ela? — repetiu Dean.
– Sim. Uma vampira. — revelou Mia — Uma vampira me atacou.
Sam e Dean se olharam apreensivos e sem entender como Mia tinha lembrado daquilo. O que aquele vampiro tinha feito com ela? Então, Sam lembrou da conversa com Meredith e começou a juntar as peças. Aquele vampiro tinha compelido Mia a lembrar do que tinha acontecido, mas não teve tempo de fazê-la esquecer novamente. Ele não veio terminar "o serviço", ele estava ali protegendo alguém. A tal vampira.
– Mia, eu preciso que você nos conte tudo que você se lembra. — pediu Dean depois de uns instantes digerindo o que ela tinha revelado — Tudo. Absolutamente tudo.
Mia assentiu ainda trêmula e enquanto isso, Damon saía do hospital. Pegou o celular no bolso e ligou para alguém. Quando a pessoa do outro lado atendeu ele disse:
– Little Brother... Temos um problema. Dos grandes. Onde está Elena?
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