Wills House

3 Capítulo 3 - William Wilson - Parte I


Notas iniciais
ahn, eu decidi dividir esse capitulo em dois pq caso contrário ia ficar muuuuuuito grande >.< acho q ngm gosta de ler capítulo mt grande então...
A parte II eu vou postar assim que terminar de escrever, n vai demorar .-. eu acho... HUAAHUAHU *leva pedrada*
Ah, se alguem quiser saber uma curiosidade, Will não tem nada haver com Bill kkkk eu escolhi esse nome por um bom motivo que eu vou explicar na Parte II e por causa de um conto do Edgar Allan Poe que tem esse título e esse personagem (william wilson) o conto pode ou nao ter haver com a estória, se alguém já leu
até a nota do capítulo foi grande O.O mas enfim, divirtam-se ^^

– TOM! TOM! – Gustav gritava batendo na porta, mas não ouvia nada do lado de dentro. – Está me ouvindo? Diga alguma coisa!

Ele tentou caminhar na direção da janela frontal para tentar olhar o lado de dentro, mas foi arremessado novamente na grama pelo o que quer que estivesse fazendo aquilo.

Bill estava inconsciente no chão. Georg observava calado na grama.

– O que fazemos agora? – Perguntou.

– Eu não sei. Talvez devêssemos tentar entender o que há de errado com essa casa antes de tentar entrar novamente para resgatar o Tom. Peguei este caderno enquanto estávamos lá dentro. É o diário do tal Will. – Gustav respondeu, pegando seus óculos que haviam caído no chão.

– E Bill?

– Amarramos ele na cama do hotel. Não quero deixar o Tom para trás, mas não parece que vamos conseguir entrar nessa casa de novo, por hora. Aqui , Gê, me ajude a carregá-lo.

Os dois desceram a colina e voltaram para o hotel. O velho de branco estava sentado na mesma cadeira na porta do hotel e acenou ao ver os três se aproximando.

– Hum. Pelo visto conseguiram o amigo de volta. Mas parece estar faltando alguém nesse grupo...

– Não temos tempo pra isso agora. – Gustav respondeu carrancudo. Estava suando devido ao peso do corpo inerte que carregava.

– Sério. Outros sairiam correndo depois do primeiro desaparecimento. Ou tentariam chamar a policia. Mas vocês ainda estão aqui. Vocês são um grupo estranho, sabiam?

Os dois bufaram e passaram pelo velho que os observava com um ar divertido.

– Achei essas cordas jogadas atrás do prédio. Vamos amarrar Bill com elas. – Gustav disse, minutos depois de terem entrado no quarto.

– Gus, isso é estranho. Ele está suando e não para de se debater. Talvez devêssemos chamar um médico...

– Você viu os olhos dele? Não dá pra chamar um médico aqui. Isso é loucura. Não sei como fazer Bill voltar a si, mas talvez a resposta esteja nesse diário ou na história daquela casa. Estou exausto. Ele parece leve, mas não é fácil descer uma colina carregando um corpo inerte. Vamos até a polícia amanhã e ver o que conseguimos fazer. E até a biblioteca também, procurar algumas respostas. Enquanto isso, peça alguma coisa pra gente comer. Vou amarrar o Bill na cama, antes que ele acorde e tente nos usar de jantar.

Gustav estava nervoso e com fome. As duas coisas juntas sempre o faziam falar demais. Sem Bill ou Tom para interrompê-lo as palavras escapavam facilmente da sua boca.

Bill teve os pés e as mãos amarrados á cama. Gustav teve o cuidado de cobri-lo com um cobertor, já que estava sem camisa. Ele não ousaria mexer nas roupas do amigo, sabia como ele odiava que fizessem isso. Tudo deveria estar no lugar que ele havia colocado antes.

Antes de se deitar, Gustav pegou o pequeno caderninho que havia encontrado na casa e começou a ler. As páginas estavam empoeiradas e soltas, sendo preciso manuseá-las com cuidado.

21/12/1949

Já é quase natal. A mulher que se julga minha mãe ainda não voltou de viagem. Acho que não vai voltar mais. Desde que se encontrou com aquele homem, nem sequer lembra que eu existo. Ninguém deve gostar de ter um filho deformado como eu. Estou bem enquanto não tiver que sair dessa casa. Odeio essa cidade.

14/03/1950

É meu aniversário de 17 anos. Minha mãe não voltou. Fui perseguido por alguns idiotas da escola quando voltava para casa. Gritavam aberração enquanto corriam atrás de mim com tochas nas mãos. Mas ninguém gosta da casa que eu moro por pensarem que é assombrada. Mal sabem eles que sou eu quem a assombra quando algum infeliz me persegue até aqui. Encontrei um livro interessante. Estou protegido enquanto estiver com ele.

19/03/1950

Houve um incêndio na mata da colina. Deus, como eu odeio fogo. Se não fosse pelo meu livro sabe-se lá até onde o fogo teria chegado...

04/08/1950

Não sei o que fazer. Não tenho energia suficiente para manter essa coisa. Odeio essa cidade. Todos me encaram aonde quer que eu vá. Alguém sumiu enquanto caminhava na floresta e eles acham que fui eu.

Nas páginas seguintes havia vários rabiscos e desenhos de símbolos que Gustav não conhecia, até voltar ao relato escrito de Willian. Gustav achou melhor dormir e continuar a leitura no dia seguinte, aproveitando para tentar encontrar o significado daqueles símbolos quando fosse á biblioteca.

– Gustav! Gustav! – Georg o segurava pelos ombros – Bill está acordando. O que a gente faz?

Gustav piscou, tentando clarear a visão. Como assim o que a gente faz?

– Georg, Gustav, me soltem!

Bill gritava, intercalando com uma espécie de rugido gutural. Gustav se aproximou, observando os olhos do amigo. Ia de transparente ao castanho escuro, alternando enquanto Bill gritava. As presas pontiagudas ainda estavam evidentes.

– Feche as cortinas. – Gustav ordenou, vendo que o sol que entrava pela janela estava causando queimaduras nos lugares em que atingia a pele de Bill.

– Gustav, o que está acontecendo comigo? – Bill tentava dizer enquanto se debatia.

– É o que eu vou descobrir, Bill. – Gustav falou mais para si mesmo do que para o amigo, enquanto se levantava e pegava o diário de William Wilson. – Georg, cuide dele enquanto eu vou descobrir o que diabo está acontecendo.

Gustav saiu do hotel e andou até encontrar a delegacia de polícia. Lá, havia um único guarda fardado sentado com as pernas em cima da mesa.

– Com licença, – Gustav pigarreou, tentando fazer o policial desviar a atenção da revista que lia. – eu preciso de ajuda.

– Deixe eu adivinhar. – Ele levantou o olhar e examinou o loiro por um instante. – Você não é daqui. Provavelmente veio com amigos e ficou preso na cidade por causa da ponte quebrada. Alguém teve a idéia de caminhar pela colina e encontraram uma casa até que alguém se perdeu naquele lugar. Me corrija se errei alguma coisa.

– Mas é que...

– Escuta, garoto, ninguém aqui vai te ajudar. Ninguém aqui quer saber de nada que aconteça naquela casa ou naquelas redondezas. A única ajuda que eu posso te dar é dizer para ir embora antes que algo ruim aconteça.

O guarda voltou sua atenção para a revista e Gustav ficou calado, sem saber o que dizer. Antes de sair, reparou que não havia ninguém na delegacia além daquele guarda. Até mesmo as celas estavam vazias.

Bom, procurar ajuda da polícia aparentemente havia sido perda de tempo, pensou consigo. Teria que procurar outro meio de tirar Tom de dentro daquela casa sem que mais ninguém ficasse preso por lá. Talvez desse mais sorte na biblioteca.

A biblioteca municipal não ficava muito distante da delegacia, afinal, esta era uma cidade pequena. Gustav pretendia procurar por qualquer notícia sobre a casa e seus moradores, e também tentar encontrar o significado dos símbolos que ele vira desenhado no diário. Não era uma construção enorme e rebuscada, era apenas um prédio em estilo vitoriano, com apenas um andar. Na verdade, Gustav notou ao entrar, era apenas um enorme salão lotado de prateleiras de livros que preenchiam as paredes até o teto.

Havia uma garota, com pouco mais de 20 anos, sentada em uma enorme mesa de madeira logo depois da entrada. Tinha brilhantes cabelos cacheados e loiros e o rosto parcialmente coberto por uns óculos enormes que quase ofuscavam o brilho dos seus olhos azuis. Ao ver Gustav entrando, ela sorriu.

– Posso ajudar?

– O que sabe sobre a Will’s House? – Gustav foi direto, não queria perder mais tempo. Se nada ali pudesse ajudar, ainda tinha o restante do diário para ler.

– Ah, nem me pergunte isso. – Ela respondeu, sorrindo desconfortável.

Gustav abaixou a cabeça, cansado.

– Por que você iria querer saber sobre aquele lugar? Não me diga que... Ah, você deve ter ido...

– Eu... – Gustav interrompeu. –Nós fomos. E eu preciso de ajuda.

– Olhe, – Ela falou sussurando, fazendo sinal para que ele chegasse mais perto. – talvez encontre algumas notícias em um dos jornais mais antigos daqui. Talvez isso te ajude. Por que não dá uma olhada naquela prateleira, lá no fundo? – Ela apontou para o outro canto do salão.

– Obrigado. – Gustav disse, sentindo uma pontada de esperança crescer no peito.

– Pelo o quê? Eu não disse nada. – Ela balançou os ombros, fazendo Gustav imaginar que haviam acabado de compartilhar um segredo.

Ele então caminhou desajeitado até o lugar que ela havia apontado, onde encontrou pilhas de jornais organizadas de acordo com o ano de impressão e começou a vasculhar, procurando por qualquer coisa que remetesse a Will’s House.

E por mais que procurasse, não encontrava nada. Quando já estava perdendo as esperanças, encontrou uma única matéria em um jornal embolorado, datando de 1933.

Moradora põe fogo em sua própria casa

Anita Wilson, 42, foi encontrada carbonizada em sua casa na colina Benson. A filha e o neto recém-nascido escaparam de um incêndio provocado por Anita nesta madrugada. A filha alega que a mãe não estava sã e teria incendiado a casa em um de seus ataques de loucura.

Gustav decidiu procurar notícias sobre alguém desaparecendo na colina, já que isso havia sido mencionado no diário de Will. Não se surpreendeu ao descobrir que após o primeiro desaparecimento na colina em 1950, outros mais vieram a aparecer. Eram dois ou três sumiços por ano, apenas uma pequena nota de desaparecimento em um canto da folha, mas Gustav conseguiu encontrar-las até que as notícias pararam de vir á tona.

Não encontraram quem estava fazendo as pessoas sumirem, pensou, então desistiram até mesmo de procurar. Só podia ser isso.

Como os jornais não estavam publicando mais sobre os desaparecimentos, Gustav pensou em procurar na internet então foi até a recepção.

– Hum, com licença, er, senhorita...

– Amanda. – Ela levantou os olhos do enorme livro que estava aberto sobre a mesa. – Me chamo Amanda.

– Certo, Amanda. Tem algum computador por aqui?

– Tem, aquele ali. É meio antigo, mas tem internet.

– Ótimo, vai servir.

Gustav correu impaciente até a mesa do computador e começou a pesquisa.

Como ele suspeitava, os desaparecimentos continuaram ano após ano, mas com um detalhe a mais. Coincidentemente ou não, a ponte que impediu que ele e o restante da banda partissem para o seu destino sempre se encontrava danificada na véspera de um desaparecimento. Lentamente Gustav começava a enxergar uma teia envolvendo todos os acontecimentos. Mas ainda faltava algo. Por que as pessoas sumiam?

Os símbolos desenhados no diário. Ainda precisava pesquisar sobre aquilo.

Gustav não encontrou muita coisa que ajudasse a esclarecer os fatos. Havia o que ele descobriu ser uma cruz de Ansata desenhada em uma das páginas, que poderia simbolizar a vida física eterna e também seria um talismã contra forças ruins. O outro símbolo ele reconheceu facilmente, um pentáculo. O restante ele não conseguiu reunir muita informação, mas todos levavam a crer que se tratava de proteção e vida eterna.

– Não pode ser coincidência. – Pensou em voz alta.

– Disse alguma coisa? – Amanda perguntou, oferecendo uma xícara de café.

– Não, nada. Apenas pensei em voz alta. Obrigado pelo café.

– De nada. Mas, olhe, eu preciso fechar a biblioteca.

– Ah, okay, eu já terminei o que eu precisava fazer. – Gustav se levantou, fechando o diário e guardando no bolso interno da jaqueta.

– Você... descobriu alguma coisa? – Ela murmurou.

– Acho que sim.

– S-se você conseguir sair dessa cidade pode me fazer um-m favor?

Ela estava nervosa com alguma coisa, mas Gustav não sabia se devia perguntar.

– Claro.

Amanda estendeu as mãos que tremiam, e entregou um envelope para Gustav.

– Pode entregar isso para minha mãe? Ela mora nesse endereço atrás da carta, não é uma cidade muito longe daqui. Eu... Eu não posso ir. Por favor, só gostaria que ela soubesse... – Gustav acenou com a cabeça e pegou a carta, guardando junto do diário.

– Você tem que ir embora. – Ela disse, puxando-o pelo braço. – Não só da biblioteca, como dessa cidade. Qual o seu nome?

– G-Gustav. – Ele gaguejou, sem saber se era pela situação ou se o fato de Amanda gaguejar fosse contagioso.

– Você tem que ir, Gustav, antes que seja tarde. Não se esqueça da minha carta.

Ela praticamente o empurrou para fora enquanto trancava a porta da biblioteca.