Wills House

4 Capítulo 4 - William Wilson - Parte II


Notas iniciais
Oi Oi pra quem está lendo e obrigada a quem deixou reviews *-* to passando pra postar mais um capítulo eee
Eu sei que casa mal assombrada é mt clichê e talz, mas se a historia estiver mt chata, me avisem que eu sei lá, mato alguém -qq HUASEHAUIHASU
até mais >.

Gustav ainda tentava entender tudo o que descobriu naquele dia enquanto caminhava até o hotel. De alguma forma ele precisaria reunir toda aquela informação para enfim descobrir um jeito de tirar Tom da casa antes que algo como o que havia acontecido com Bill ocorresse.

E Bill... Como ele iria resolver aquilo?

Eles dariam um jeito. Sempre deram.

– Então, garoto, já decidiu sair da cidade? – Novamente o velho surgia do nada caminhando ao lado de Gustav.

– Por que todo mundo fica me mandando sair da cidade?

– Porque talvez seja melhor assim, não é mesmo? – Havia um certo tom prepotente no jeito com que ele falava que irritou Gustav.

– Quem é você, afinal de contas, que não nos deixa em paz?

– Hm. Pode me chamar de Ian. Estou aqui há muito tempo, rapaz. Sabe, eu adoro conversar com turistas que aparecem por aqui. Carne nova. – Ele riu, uma risada seca e incomoda.

– O que você sabe? Se você mora aqui há tanto tempo, com certeza sabe de algo que pode me ajudar a...

– Salvar seu amigo? Ora, Gustav, não percebeu o que acontece com quem tenta se aprofundar nesse assunto? Desaparecem. Eu realmente gosto de continuar vivo. – Um arrepio percorreu a espinha de Gustav ao ouvir seu nome pronunciado por aquele homem. Quando foi que ele descobriu como eu me chamo?

– Então pare de nos incomodar. – O loiro continuou caminhando, tentando deixar o velho para trás, cada vez mais incomodado com a sua presença, mas o som seco da bengala batendo no chão duro deixava claro que Ian conseguiria seguir seu ritmo.

– Mas talvez eu possa contar algumas coisas...

– Fale logo de uma vez! – Gustav estava cansado de joguinhos.

O velho sorriu ao vê-lo impaciente.

– Sabe o que aconteceu com o garoto, Will? – Gustav deu de ombros. – Bem, você deve ter descoberto que a avó dele colocou fogo na casa, sim? Bem aquilo deixou 90% do corpo de Will deformado. Apenas metade do rosto permaneceu “normal”. Isso gerou diversos apelidos para ele. A mãe tinha um casamento perfeito com um homem rico que até mesmo construiu aquela casa, mas largou tudo isso por uma noite com um andarilho, o que acabou gerando o nascimento de William, um filho bastardo.

Gustav ouvia em silêncio enquanto continuava caminhando.

– Assim que Will nasceu o marido a largou. – O velho continuou. – Isso fez avó de Will espancar a própria filha e atear fogo na casa. Não tinham dinheiro para nada e estavam mal faladas na cidade inteira. Oh, isso pode causar terríveis danos psicológicos em alguém, não acha? Não bastava ser uma aberração, tinha que ter uma cidade inteira de fanáticos conservadores para te julgar.

– Como sabe tudo isso? – Gustav inquiriu

– Já disse, estou aqui há muito tempo. Eu presenciei isso. Presenciei quando ele não agüentou mais e começou a se defender quando a mãe o largou pelo primeiro homem interessante que encontrou e foi embora. Ninguém pode culpá-lo por precisar de medidas mais drásticas você não acha?

– O que ele fez?

– Ah, isso ninguém irá dizer com certeza. Alguns dizem que ele decidiu fazer um pacto com um demônio, procurando proteção. Outros dizem que ele se envolveu com magia negra. Eu prefiro acreditar que a justiça foi feita a quem o incomodou.

– E você não foi um desses? – Gustav o observava se arrastar com a bengala pelo canto dos olhos.

– Estou aqui, não estou? Bem, pessoas começaram a sumir. Uma ou outra a cada cinco anos, ninguém se importava. Mas quanto mais velho o garoto ficava, mais pessoas sumiam, até que os moradores começaram a desconfiar e mandaram um grupo ir até a casa investigar. Will não deixou ninguém entrar e você pode imaginar como ficaram assustados ao serem arremessados no gramado por algo invisível. Ninguém o deixava em paz. Se ele saísse da casa, seria apedrejado, foi o que decidiram fazer. Quando William descobriu isso, ficou muito irritado. Qualquer um que cruzasse seu caminho se tornava um alvo. E é o que dizem acontecer até hoje. Vocês cruzaram o caminho dele indo até aquela colina. É por isso que devem ir embora.

– Isso é absurdo. Não fizemos nada! Você nos fez ir até lá! –Gustav cerrou os punhos.

– Sabe o por que de a casa ser conhecida como Will’s House, garoto?

– Ah, tenha dó. É o nome do cara. – Gustav estava cansado dessa conversa. Começou até mesmo a imaginar que o velho exauria um cheiro de podridão e ansiava por chegar o mais rápido possível ao hotel.

– Will significa vontade em inglês. – O velho Ian continuou, ignorando a interrupção. – A casa ganhou essa fama entre os moradores, sabe? Dizem que ela realiza as vontades ou os desejos e medos de quem vai até ela. O tipo de coisa que fica escondida nos lugares mais profundos da mente de alguém, seus medos mais profundos se tornando realidade enquanto a casa suga sua energia para manter os feitiços do velho Will, para que assim ele possa se vingar daqueles que o torturaram quando ele era jovem. Um monstro para alimentar outro monstro.

Um arrepio percorreu a espinha de Gustav ao se lembrar de Bill atacando o irmão.

– É o que acontece com quem fica preso na casa? Ela usa a energia da pessoa para que Will se mantenha vivo? E se... E se esse alguém conseguir sair?

– Fala do garoto que vocês retiraram da casa? Ah, ele vai voltar ao normal quando o outro começar a se transformar no monstro que guarda dentro de si. É por isso que vocês tem de ir embora. Não podem salvar o outro. A casa vai encontrar outra pessoa para substituí-lo. Se não um de vocês, será um morador da cidade e já estamos fartos de dar energia para aquele lugar somente para que continue nos fazendo pagar por algo que aconteceu seis décadas atrás – Gustav sentiu a hostilidade na voz do velho.

– É por isso, vocês mesmos estragam a ponte para que alguém de fora seja pego pela casa, não é? – Ian assentiu, mostrando seus dentes amarelos em uma expressão enigmática – Por que simplesmente não saem da cidade?

O velho parou no meio do caminho e Gustav se virou, ficando de frente para ele.

– Estamos todos presos aqui. Ele sempre dá um jeito de matar quem sai da cidade. E quem entra, fica preso. É a vontade dele. A vontade da Will’s House! – O velho gritava em antipatia, empurrando Gustav no peito com a bengala. – Saia da cidade, antes que fique preso. Vá embora!

Ela mora nesse endereço atrás da carta, não é uma cidade muito longe daqui. Eu... Eu não posso ir. A voz de Amanda ressoava na mente de Gustav. Não. Ele iria dar um jeito de sair dali e continuar vivo, com a banda completa. Ele a ajudaria a sair dali.

Gustav encarou os dentes amarelos do velho, sentindo que não poderia mais agüentar o cheiro de podridão que o corpo dele exalava então deu as costas e correu até o hotel, molhando seu tênis enquanto pisava nas diversas possas de água que havia na calçada.

– Georg! Georg! – Gritou antes mesmo de chegar à porta do apartamento.

–Temos que salvar o Tom! –Disse eufórico assim que Georg abriu a porta exibindo um rosto preocupado. –Como Bill está?

– Ele não tem mais nenhum ataque, Gustav. Os olhos dele já voltaram ao normal e-

– Isso é péssimo. Vai ser mais difícil para tirar Tom daquela casa agora que ele deve ter se transformado em alguma coisa...

– Gus, fica calmo. O que é que há?

– Georg, a casa! Ela suga a energia das pessoas para manter a vontade de Will! É um feitiço, ou sei lá, olhe os símbolos nesse diário. – Gustav tirou o diário de dentro da jaqueta, tocando também na carta de Amanda. – Temos que ir embora daqui antes que seja impossível ir embora.

E dar um jeito de tirá-la daqui, pensou.

– Mas, Gustav, se há um feitiço, como iremos conseguir entrar na casa? Ela nos arremessou pra fora da outra vez. – Georg rebateu, assim que o amigo terminou de explicar o que havia descoberto.

Gustav olhou para Bill que dormia na cama, respirando calmamente. Ele se concentrou, tentando se apegar a cada detalhe do que havia descoberto naquela noite. Por fim, respirou fundo e falou:

– Eu tenho uma idéia.

Notas finais
E ai, o que acharam da casa? 8D