Notas iniciais
Boa Leitura!

Capítulo 4

Regina tentava concentrar-se de qualquer jeito na pilha de papéis sobre sua mesa. Ser prefeita nunca havia sido uma tarefa fácil, porém nos últimos meses a tarefa ficara ainda mais árdua. Não tinha certeza do motivo, ou talvez tivesse, e isso fez com que seus lábios se curvassem, esboçado um pequeno sorriso. Cinco meses na próxima quarta-feira e por mais que a prefeita não admitisse, esses meses haviam sido os melhores da sua vida.

—Madam Mayor? — Regina fora tirada de seus devaneios pela voz daquela que recentemente ocupava a sua cama quase todas as noites.

— Desculpe senhora prefeita, mas a xerife Swan não quis ser anunciada, eu tentei impedi-la, mas ela apenas entrou.

— Um de seus trabalhos aqui é que eu não seja interrompida desse jeito. Não me force a lhe demitir por culpa da sua incompetência. – Respondeu Regina com a voz fria, áspera e seca, como sempre.

— Sim, senhora. — Com isso a secretária retirou-se do escritório, deixando Emma e Regina sozinhas.

— Ainda estamos no meio do expediente, o que eu tenho que fazer para me livrar de você, sheriff Swan?

Perguntou Regina, levantando de sua cadeira e dando a volta na mesa, encostando-se na beirada. A morena apoiava as mãos sobre a superfície plana enquanto suas pernas estavam cruzadas.

— Isso. — Após a resposta de Emma, tudo que Regina foi capaz de lembrar fora os lábios suaves da loira sobre os seus. Os lábios que felizmente lhe pertenciam. – Desculpe, mas eu realmente precisava fazer isso e não aguentaria ter que esperar mais três horas.

A rainha não respondeu, apenas ofereceu a loira um sorriso sedutor antes de aproximar seus lábios novamente.

— Que bom que decidiu vir, querida. Eu não conseguia me concentrar, acho que precisava de uma distração.

— Fico feliz em saber que eu sirvo para a distração de vossa majestade. – Disse Emma rindo. Regina então voltou a sentar-se em sua cadeira, enquanto Emma sentava-se na cadeira em frente a sua.

— Eu gosto quando você usa o meu titulo de nobreza.

— Eu sei. Soa super sexy quando eu digo. — Regina apenas revirou os olhos e retornou sua atenção aos papéis esquecidos em sua mesa. – Eu também acho super sexy quando você finge que está fazendo algo só para me provocar.

— Quem disse que eu quero lhe provocar, miss Swan? – A prefeita voltou seus olhos para os de Emma. Podendo quase observar a alma da loira. Emma então levantou uma das sobrancelhas, soltando uma leve risada. – Pelo menos não aqui.

— Pena que ainda estamos em horário de expediente.

— E você deveria estar fazendo suas rondas pela cidade, você pode ser minha namorada, porém eu ainda sou a prefeita e devo zelar pelo bem dos cidadãos.

— Uma vez rainha, sempre rainha. – Riu Emma, levantando-se da cadeira e caminhando até a morena, beijando-lhe a testa antes de dirigir-se para a porta. – Te vejo mais tarde?

— Sim.

Regina fora tirada de seu devaneio. Ela estava de volta. Todos eles estavam de volta. E tudo que a morena conseguia pensar era na loira que havia abandonado no outro mundo. Durante toda a viagem de volta para a Floresta Encantada, tudo que Regina conseguia pensar era na sua vida ao lado de Henry e Emma.

— Pensando neles? – Era a voz de Mary Margaret.

— Era tudo em que eu conseguia pensar durante a viagem de volta.

— Nós acharemos um jeito de voltar e vamos encontrá-los. – Disse David, juntando-se a conversa.

— Eu espero que sim.

Respondeu Regina, com a voz triste. A morena então olhou para seu dedo e observou seu anel de noivado e aliança de casamento, que agora ganharam a companhia de um novo anel, o anel de Emma.

***

— Ei, mãe. Onde estamos? Acho que você se perdeu. – Perguntou Henry, confuso com a paisagem ao seu redor, ou pelo menos a falta dela.

— Acho que você está certo, kid. — A última recordação que os dois tinham era que estavam se mudando para Nova Iorque, após um incêndio no antigo apartamento que moravam em Boston. Porém nenhum dos dois se lembrava de como haviam chegado ali. – Mas não me lembro de ter entrado em nenhuma curva errada, pegue o mapa. Está dentro do porta-luvas.

Henry então abriu o porta-luvas do carro e assim que o fez um pedaço de papel caiu no chão no automóvel, junto ao seus pés. O menino então pegou o objeto, o analisando por alguns segundos.

— Quem é essa, mãe? — Perguntou Henry, intrigado.

— Quem?

O menino estendeu a mão para entregar o pedaço de papel para a mãe. Era uma foto. Emma abraçada a outra mulher. As duas estampavam sorrisos enormes em seus rostos e suas roupas pareiam terem saído de um casamento de conto de fadas. Ao olhar a foto, Emma não reconhecera a mulher, mas sentiu como se a conhecesse. Só não sabia de onde.

— Não faço idéia de quem seja.

— Estranho. — Henry observou a foto novamente, sentindo a mesma sensação que a mãe havia sentido. – Parece que eu a conheço de algum lugar, de outra vida talvez. Vocês parecem ter saído de um conto de fadas nessa foto.

— Não seja ridículo, Henry. Contos de fadas não existem – Desdenhou Emma. Mas no fundo não podia negar que a foto, as roupas e todo o resto pareciam ter saído de um livro de historias.

Henry então decidiu por guardar a foto no mesmo lugar e esquecer momentaneamente sobre aquele assunto, e por fim pegando o mapa. Afinal, eles estavam perdidos e precisavam encontrar o caminho para Nova Iorque.

***

— Você está muito calada. – Dessa vez quem interrompeu seus pensamentos havia sido Belle.

— Se mais alguém nesse grupo perguntar como estou ou porque estou calada, eu juro que vou queimar a pessoa. – Respondeu Regina, seca.

— Só queremos o seu bem.

— Eu acabei de perder meu filho e a mãe dele. Não acho que eu quero conversar agora, só que ficar sozinha sem ter ninguém perguntando o que eu estou pensando.

— Sofrer em silêncio não é a solução. – Disse Belle. – Caso queria conversar, estarei aqui.

Regina não se deu ao trabalho de responder. Apenas continuou a caminhar, apertando os passos e seguindo mais a frente, sozinha. Ela precisava se acostumar com a solidão. Porque tudo que ela amava, havia lhe sido tomado. E dessa vez não havia culpados, ela mesma havia sido a causadora de sua própria dor.

Notas finais
Então... Como estou me saindo até agora?