Wild Passion

17 Eu amo você.


Notas iniciais
EU AMOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO VOCES MINHAS LEITORAS! Amo tanto que escrevi este cap, com o gato me mordendo, com meu pai do lado peidando, minha mae com os pés em cima do meu colo perguntando coisas sem sentido enquanto eu fingia que respondia, e a tv ligada no máximo pra estourar os timpanos de qualquer pessoa normal. AGORA ME PERGUNTE, COMOOOOOOOOOOOOO EU CONSEGUI ESCREVER O HOT DE HOJE ESTANDO DE CHICO? A RESPOSTA é: SOU UMA GUERREIRA VAO LOGO LER E QUEM N GOSTAR VAI PRA DESGRAçA.

1 MÊS ATRAS, dia do incidente.

Pov Heideger

– Lobão! – gritei quando o vi chegar.

O segurança entrou arfante, mancando pela corrida, e sentou-se jogado no sofá. Pelo visto o trabalho tinha sido realizado perfeitamente bem, pois o homem sorria e trazia sangue nas mãos e no terno. Sabia que Lobão não me decepcionaria.

– Boas noticias? –

– Melhores impossíveis. –

Finalmente, tudo começando a ficar sob controle.

– Conte-me tudo! –

– Primeiro o chamei, pra ter certeza que era aquele Pedro mesmo e o otário caiu feito um patinho... até respondeu e ficou me esperando parado. –

Gargalhei feliz, imaginando a cena.

– Não o matou, certo? –

– Não Dr. , tive que me controlar bastante pra te obedecer. Faltava tão pouco... – disse, com os olhos fervilhando de paixão. Era isso que Lobão fazia, ele matava.

– Estou satisfeitíssimo Lobão, e logo terá sua recompensa. Mas e Karina? Chegou a vê-la? – perguntei, deixando transparecer minha paixão.

Lobão percebeu e ficou me olhando repreensivo. Logo tratei de pigarrear e falar grosso:

– Aquela puta ficou desesperada? –

– Como combinado, voltei pra ver qual seria a reação dos dois, Karina e Alan, e fiquei olhando escondido. HEIDEGUER, AQUELA MULHER é A COPIA DA SUA FALECIDA ESPOSA! Só que mais gostosa, com todo o respeito. – falou, completamente chocado.

– Também fiquei abismado a primeira vez que a vi, continue. –

Lobão se levantou animado, narrando enquanto gesticulava.

– A Karina ficou muito mais desesperada de que Alan, o que era de se imaginar, Alan parecia mais... hm... como poderia dizer? Transtornado? –

– Não deve estar tomando os remédios, isto é bom, o que precisamos agora é desestrutura-los. – comentei.

– Continuando, a loira ficou gritando igual uma louca, chorava, abraçava ele, você tinha que ver! A coisa mais tristinha do mundo. –

Mais uma vez gargalhamos, até a crise de risos passar e Lobão recomeçar:

– Eles já sabem que foi a mando de você, escutei Alan supor e gritar desesperado pra Karina voltar pra dentro da mansão, ele parecia verdadeiramente preocupado com a garota, como se fosse engolir se alguém se aproximasse dela... –

– Isto que me intriga! –

– O que? –

– Alan ficar desesperado por causa desta mulher, me trair pra proteger ela. – antes que pudesse terminar o raciocínio Lobão me interrompeu.

– Não acha que... Alan esteja apaixonado... acha? -

Minha mente começou a fervilhar. Nunca tinha pensado nisso. Tudo passava pela minha cabeça, que Alan havia feito isso por Pedro era a única hipótese, mas agora, depois da descrição do que Lobão viu... Meu Deus, eu os tinha nas mãos.

– Dr. você está chorando? –

– DE FELICIDADE! NÃO VE? ALAN NÃO FARIA ISTO NEM POR PEDRO, ELE NÃO ME TRAIRIA DESTA FORMA, COM CERTEZA NA HORA QUE SOUBESSE QUE EU JÁ DESCOBRI TUDO, VIRIA AQUI, SE AJOELHARIA AOS MEUS PéS E PEDIRIA PERDAO, MAS ELE NÃO VEIO LOBAO! ELE NÃO VEIO! ELE A AMA. –

– Minha nossa senhora, a namorada do próprio irmão. Quer dizer, eles não sabem que são irmãos. – Lobão entendia a tudo, bestificado.

– Então Deus existe, e ele está a nosso favor. – constatei.

– O que pretende fazer sabendo disso? –

– Eu? Fazer alguma coisa? – abri o maior sorriso que conseguia dar.

Lobão compreendeu e sorriu também.

– Você vai deixar eles se matarem e se magoarem, não é? –

– Sim. Vamos ver até aonde essa historia nos leva. Mas até lá, fecharemos o cerco. –

– O que quer que eu faça agora? –

– No momento, corte todo o dinheiro da mesada de Alan, ponha a pipoca no micro-ondas, alguns homens vigiando a mansão e venha se divertir assistindo a esta linda historia de amor e traição comigo. –

Pov Cobra

– Quando vai pedir ela em namoro? –

– An? –

Olhava bobo para os sorrisos que Jade dava, assistindo ao seu desenho favorito, quando Esther me interrompeu dizendo aquilo.

– Isto mesmo. Quando vai pedir ela em namoro? – engoli em seco, enquanto a garotinha cruzava os braços brava e arqueava as sobrancelhas decidida.

– Já ouviu falar que namoro não é coisa pra uma garota de 12 anos discutir? –

– Me poupe Cobra. Minha vizinha de 12 anos aqui na favela, já tá gravida. E é pela segunda vez. – que menina esperta! Não tinha como me livrar de Esther sem no mínimo uma conversa.

– Não posso pedir ela em namoro Esther! – falei baixinho, puxando a menina pra um canto onde Jade não conseguisse ouvir nada.

– MAS POR QUE NÃO? –

– Shhhhh! É complicado... –

– Não é nada complicado, vocês adultos que complicam. – ui, essa eu merecia.

– Eu nem sei se gosto dela ainda. –

Esther começou o showzinho, rindo até chorar, fiquei olhando pra aquilo assombrado. O que eu tinha dito de tão engraçado assim?

– O que foi agora sua mini-bruxa? –

– Ai Cobra! Essa foi a piada do ano, você não saber se gosta da Jade... – disse rapidinho, voltando a respirar, buscando mais ar pra sorrir.

Será? Será que Esther estava certa? Tudo bem que eu não conseguia dormir sem pensar se ela já tinha dormido também, que eu não conseguia me concentrar direito nas lutas sem antes a ter visto ou que...

– Cobra? Serio que você ainda ta pensando se gosta dela? – mini-bruxa falou indignada, sem mais risinhos, e me constrangi.

Eu amava Jade.

– Droga Esther, como eu vou pedir isso? Como vou saber se ela também gosta de mim? –

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! – Esther saiu rodopiando e batendo palminhas, fiquei com medo na hora, da morena alta ter escutado algo da nossa conversa, só que Jade tinha toda sua concentração na tv.

– MAS ISTO é FACILIMO COBRA! –

– Como? – perguntei desesperado. E quem diria, Cobreola procurando conselhos amorosos com uma babá surtada.

– Perguntando. -

Aquela tarde não pude fazer outra coisa, se não andar pela casa caindo aos pedaços e pensar se o que estava prestes a perguntar era a coisa certa. A Jade tinha autismo, isso seria me aproveitar dela, mas.. e eu??? Como ficaria meu coração? Sem poder nem dizer pra qualquer pessoa que namorava a garota que me fazia realizado e feliz todos os dias. Pobre de mim, não poderia dizer nem mesmo que um dia a beijei.

– Cobra? O que tá fazendo? – com seu jeito doce, ela apareceu na cozinha aonde passei a maior parte do tempo quebrando a cabeça, usando um vestido florido que apertava a cintura. Corpo de mulher... mente de criança.

– Pensando em umas coisas. –

Jade percebeu minha tristeza e fez uma carinha triste também. Ela era assim, dependia dos outros pra ficar feliz, e aquela fragilidade foi o que me conquistou. Eu precisava cuidar de Jade.

Suspirei profundamente, tomando coragem, e soltei a bomba:

– Já... Já pensou em namorar Jade? –

– Namorar? – ela corou, surpresa com a pergunta.

– Sim, namorar. –

– E como seria isso? –

DROGA, E AGORA PRA CONSEGUIR EXPLICAR??? NUNCA FUI BOM COM AS PALAVRAS!

– Hmmm... Nos desenhos que você gosta de assistir, quando o ratinho, beija a... – tudo errado Cobra, tudo errado, ainda por cima suava frio.

– SIM! Entendi o que é namorar. Mas, com quem eu namoraria? – os grandes olhos de Jade se abriram por completo, esperando uma resposta minha, era agora a hora.

– Comigo. –

Devagar e cheio de admiração, passei meu dedo indicador pelas maçãs coradas do seu rosto, sem parar de observar a pele macia tão próxima de mim. Jade fechou os cílios, sentido o toque como um bichinho precisando de algo.

Não me contive com a eletricidade que percorria pelo dedo, precisava sentir aquela eletricidade em outro canto, eu precisava.

Muito docemente e com carinho, rocei meus lábios na sua boca vermelha. Jade levou um choque, e ficou parada. Com medo de um surto, parei o movimento afastando um pouco a cabeça para olha-la, ela não tinha surtado.... então, com vontade, voltei a esfregar minha boca até o beijo vir.

Pegando -a pela nuca, aprofundei o beijo aos poucos, Jade nada ajudava e nem se movia enquanto minha língua teimava em tentar abrir seus lábios que não permitiam passagem.

Um pouco frustrado mas completamente feliz pelo o que tinha acontecido, parei o beijo, era evidente que ela não queria aquilo tanto quanto eu.

– Não gostou? – perguntei, ainda arfando pela excitação daquilo tudo.

– Cobra... –

– Sim? –

– Estou adorando namorar. –

Não... não podia ser verdade... ELA GOSTAVA DE MIM?!

– Tem certeza? – indaguei. Mas quem precisava ter certeza era eu.

– Tenho, eu quero mais. -

E neste momento, quem ganhava um beijo cheio de vontade, era Ricardo Cobreola.

1 MÊS, depois do incidente.

Pov Pedro

– Abre a boquinha. –

– NAOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! – fiz um bico enorme na esperança que Ka sumisse com aquela sopa horrível.

Mas não ia conseguir, eu não conseguia nada do que queria naquela cama!

Um mês havia se passado desde a surra que levei, e minha vida, a de Karina e a de Alan tinham mudado totalmente. Eu não podia pisar fora da cama mesmo estando bem, me sentindo ótimo, porque Ka de forma alguma aceitaria me ver em pé até estar 100 por cento. Sobre minha namorada: ela não saia de dentro daquele quarto pra nada a não ser buscar a maldita sopa, já tinha trago todas as roupas pra cá e feito uma mudança geral das suas coisas, aquele cômodo agora era nossa casinha, sim, nossa casinha.

O tempo estava frio, era época de inverno no Rio de Janeiro e Ka só se preocupava mais ainda por isso, tivemos algumas briguinhas porque eu achava injusto todo aquele cuidado enquanto Alan trabalhava sozinho no protótipo e precisava da ajuda essencial dela, mas Ka recusava a desgrudar os olhos de mim. Se estava feliz com toda aquela atenção? Com todo aquele cuidado e carinho? Com todo aquele denguinho de ter a namorada 24 horas na cama? Sim, mas também muito chateado por atrapalhar sua vida, pois o que Karina deveria estar fazendo neste exato momento era fugindo de Heideguer, que já sabia nossa localização, e não aqui, preocupada com o idiota que destruiu seu futuro e sonhos.

FlashBack ON

Não acho que ele esteja recuperado o suficiente para discutirmos isso agora Alan. Pedro só voltou do hospital fazem 2 dias. – Karina se irritou.

– SERA QUE TEM COMO VOCES DOIS PARAREM DE FALAR DE MIM COMO SE EU NÃO ESTIVESSE AQUI? – já tinha chegado ao meu ponto máximo de estouração de saco. Levantava o tronco quando Ka me empurrou de volta pro colchão com apenas um dedinho.

– Pedro, se você gritar de novo, eu pego este travesseiro e te sufoco até a morte. –

– O problema não era eu estar recuperado, amorzinho? –

– ARRRRRRRRRG! Ok Alan, fale logo essa merda. –

– O que diabos a gente vai fazer? –

Ficamos os três, nos encarando sem nenhuma resposta até o silencio ser quebrado.

– Faz uma semana e Heideguer não veio tentar matar mais ninguém, então o que devemos fazer agora é cuidar do Pedro até ele ficar bom e depois adiantarmos o protótipo. –

– Eu discordo. –

– Qual o seu plano Pedro? – finalmente, Alan me escutou. Pensei que tinha perdido a voz e poder de decisão desde a tentativa de homicídio.

– Heideguer sabe onde estamos, sabe AONDE KARINA está, então, a única forma é ela fugir daqui antes que aquele cretino apareça com homens pra pega-la. –

– FICOU DOIDO? – Karina inchou a cara de raiva, baixando a pomba, e fechei os olhos com medo de levar um tapa. Ela era doida desse jeito, se preocupava quando eu me movia, mas não pensaria duas vezes em me bater até eu desistir de alguma ideia.

– Ele ta totalmente certo Katrina, você tem que ir embora daqui. –

– Tentem. – Ka cruzou os braços, com um sorriso sapeca no rosto. Eu e Alan trocamos olhares desesperados ,e desde ali, sabíamos que ela fugir estava fora de cogitação. Karina não iria nem amarrada. “Ainda bem” meu coração egoísta disse.

– Só eu que acho super estranho Heideguer não ter feito NADA? – perguntei.

– Pedro... a gente não queria te contar agora... –

A compreensão de que algo muito ruim acontecia ali ,fora da minha vista, surgiu.

– O que vocês dois estão escondendo de mim? –

Ka suspirou. Ela parecia tão cansada... se pudesse jogava-a na cama e cuidaria eu mesmo da minha mulher.

– Heideguer cortou a mesada de Alan, e com toda a razão, isso foi o mínimo. -

– NÃO TEMOS MAIS DINHEIRO?? – sentei de vez e Karina novamente me empurrou até deitar.

– Amor, a gente tem dinheiro, relaxe por favor. –

– Guardei algum, com medo de que uma coisa dessas pudesse acontecer. –

– Quanto? –

– 70 mil e alguns carros. Mas é sempre bom remediar, nossas despesas são muitas, então despedi todos e só deixei a Beth pra ajudar com a cozinha e a limpeza. – Alan explicou, um pouco avoado.

– Desnecessário, podia ser qualquer outro empregado. –

– Karina nos poupe das suas crises idiotas de ciúme? Obrigada. –

Por que Alan tinha sido rude com minha namorada? Só eu que podia dar bronca nela, mas deixei pra lá, estávamos todos estressados com as circunstancias.

– Verdade Ka, pare com isso, a Beth é da casa desde muito antes de eu chegar aqui.-

– O nosso plano vai ser o seguinte: -

– Iiiiiiiiiiiii lá vem! – interrompi Karina sorrindo, e levei uma língua de fora e um dedo do meio em troca.

– Alan vai adiantar os cálculos até onde puder pra gente conseguir por este avião pra voar logo. Eu vou cuidar de você até melhorar e depois volto pra ajudar no protótipo caso ele ainda não tenha terminado. – fiz uma careta de desgosto, aonde me encaixava no plano?

– E eu? –

– Você vai ficar deitado. –

– ALAAAAN! PELO AMOR DE DEUS, DIZ PRA ELA QUE EU POSSO TRABALHAR! QUE EU POSSO AJUDAR PELO MENOS COM UM POUQUINHO DE GRANA! –

– Desculpa Pedro, mas não foi você que viu o melhor amigo estirado no chão prestes a morrer. Concordo com Karina. –

Ka fez uma expressão vitoriosa de “TAAAA VENDO” e fui a merda. Só queria poder levantar logo dali, e matar Heideguer esganado, antes que a próxima machucada fosse o meu amor.

FlashBack OFF

– Abre essa boca Pedro, ou enfio guela a baixo. –

– Eu não aguento mais essa sopa Karina! Poha, é isso todo dia. – já estava puto com aquilo, só comia aquela gororoba porque Karina sempre terminava sorridente quando eu raspava o prato.

– Pê, essa é minha melhor receita! Papai sempre fazia quando ficava doente lá em casa e eu melhorava rapidao. – ia implicar dizendo que tudo bem comer um dia, mas 30 eram demais, só que Karina se esforçava tanto pra me ver bem e saudável... nunca a tinha visto tão focada em algo.

– Ok, eu como tudo, mas... –

– Mas...? – Ka se aproximou, do jeito que eu gostava, muita pena estar frio e ela ter que usar aquelas roupas pesadas e difíceis de tirar.

– A enfermeira gostosa vai ter que sentar no meu colo. –

Karina corou o narizinho empinado e sem discutir subiu na cama, tentando se ajeitar da melhor forma.

– Não vai me machucar, você é leve. – incentivei e ela terminou por sentar ainda um pouco receosa.

Tentei não jogar piadinhas de como o fato dela estar em cima de mim me deixou duro rapidinho, até porque, Ka com certeza sentiu a ereção, por isso não parava de se mexer agoniada. Outra coisa que estava me matando: a maldita greve de sexo. Não uma greve de sexo do jeito que Karina queria, pra me castigar, uma greve de sexo pelo pior motivo do mundo, o de estar doente e com a cara toda quebrada ,e ela sentindo pena de fazer qualquer coisa que não fosse beijinho.

– Muuuuuuuito bem. – Ka disse, enfiando a ultima colher de sopa quente na minha boca.

– Agora remedinho. –

– Não. – a mantive presa junta a mim quando tentou se levantar, sem tirar meus olhos da sua boca.

– Eu quero outra coisa agora Karina, outro remédio, pra ficar bom logo. – a tensão sexual só aumentava entre a gente, aquilo tava na cara, mas mesmo assim Ka pulou pra longe.

– Já conversamos sobre isso. –

– Karina! Olha pra mim! Sem nenhuma fratura, super inteiro, só tenho esses roxinhos na cara e uma pequena dificuldade pra andar... – falei manhoso, na expectativa que ela me entendesse dessa vez.

– Não Pedro. Sua cara tá TODA inchada, e você NÃO CONSEGUE ANDAR SEM APOIO. -

Eu precisava mudar a estratégia, usava aquela todo dia e nunca dava certo. Karina veio rebolando trazendo o remédio ( ela não facilitava), e me entregou, junto com o copo de água enquanto eu tentava por o plano que surgiu em ação, e engolia o comprimido:

– Sabia que você daria uma ótima mãe? –

Ka tossiu forte, engasgando e puxando a echarpe do pescoço, assustada com o que eu disse, os olhos azuis dilatados como nunca. Exatamente do jeito que queria que ela ficasse.

– Por que ta dizendo isso? –

– Sei lá, vendo cuidar de mim todos esse dias, acabei constatando que confio em você pra ser a mãe dos meus filhos.– Karina abriu o sorriso mais iluminado que já tinha me direcionado, tão boba... sempre confiei.

– Sério? – perguntou, se ajoelhando do meu lado. Aproveitei pra roçar nossos narizes sorrindo.

– Sério. -

Pra ser sincero, até que estar acamado tinha um lado bom. Ka e eu passávamos horas conversando sobre todas as coisas do universo ( mesmo que sempre discordássemos EM TUDO), o que mais via eram seus sorrisos gostosos, e sempre, sempre no final do dia, dormíamos juntos e espremidos na cama, com direito a beijos de tirar o folego de madrugada até o sono vir.

Enquanto eu pensava em como era um cara sortudo, Karina mudou a expressão de “totalmente contente” para “ entendi qual é a sua Pedro Ramos”.

– SAFADO! – levei um tapa forte na testa e fingi dores horríveis.

– Aaaaai... aaaaaaaaaaaaaaaaai! –

– Eu te machuquei? – Karina fez uma carinha como se sentisse a própria dor, e tive que parar com a mentira na hora.

– Não amor. –

– DUPLAMENTE SAFADO! –

–AAAAAAI! – gritei quando ganhei outro tapa de presente.

– E pode ir se levantando devagar pra tomar o banho. –

DROGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA A PIOR PARTE DO DIA!

– Por favor... –

– Nada de por favor, hoje você ta merecendo a hora do banho. –

A maldita hora do banho. A hora mais constrangedora de todas. Imagine sua namorada te ver de pau mole, agora imagine ela ter que tocar nele pra lavar PORQUE VOCÊ NÃO CONSEGUE FICAR EM PE SOZINHO, o negocio subir com o toque, mas não poderem fazer nada por birra dela. Essa era a hora do banho.

– Eu me recuso. – tinha que pelo menos tentar manter minha dignidade.

– A é Pedro? Se eu não te der banho, quem vai te dar? – Ka indagou, já sabendo que venceria.

– Beth? – pirracei.

– HORAAAAAAAAAAAAAA DO BANHO AGORAAAAAAAAAA! – ok, não devia ter irritado a monstra.

Ainda brava com o que eu disse, Karina me deu um puxão e logo fiquei em pé, me apoiando nos seus ombros.

– Levanta os braços. – bufei perdedor, a obedecendo, enquanto ela tirava minha camisa.

Karina encheu os olhinhos de agua, como toda vez enchia quando via meu peito avermelhado e cheio de marcas. Tinha que irrita-la pra parar de ficar triste.

– Tira logo essa calça, escrava. – as lagrimas que se formavam logo sumiram, dando espaço a vermelhidão nas bochechas.

– Sua sorte é que ta doente viu. SUA SORTE. – Ka arrancou minhas calças com força, e quase fui parar no chão dando risadinha do poder que minhas palavras tinham sobre o humor dela, tão esquentadinha.

Me segurando meia desengonçada, Karina levou-me até o banheiro e ligou o chuveiro quente.

– Acho injusto você sempre me ver pelado e eu não poder te ver. – soltei e ela fez uma expressão tuti, terminando de puxar minha cueca com apenas uma mão.

– Acho injusto eu ficar excitada com isso e não poder dizer nada pra não te deixar pior. –

Karina ficava excitada fazendo aquilo? Espera. ELA FICAVA EXCITADA TAMBEM?? Putz, mas é claro que ela ficava, vocês transavam todas as noites há um mês atrás seu idiota, ela sentia falta.

Sem fala pelo o que tinha acabado de escutar, observei Ka pegar o sabonete e me direcionar até a agua, esfregando minhas costas deliciosamente em seguida. Meu pênis estava mole de tão relaxado que ela me deixava, passando as maozinhas pelo meu pescoço, limpando com cuidado meu rosto, e movimentando a bucha pelo meu tórax, descendo... descendo...

Os cabelos de Karina caíram pelo rosto, tampando exatamente no momento que eu queria ver, no momento que ela encostou LA. Era esse o momento do meu pênis subir, e ele subiu como sempre.

Ka soltou uma risadinha manhosa quando percebeu o efeito e pegou nele com vontade, ensaboando tudo, bem devagar. Juraria que aquela estava sendo uma provocação porque ela fazia questão de puxar a pelezinha rosa da cabeça até embaixo, me provocando arrepios...

– Hmmmm. – gemi baixinho, mordendo a boca depois, pra não passar mais vergonha e gemer novamente.

– Ta machucando? – perguntou safada. Karina era uma cachorra torturadora!

– Acho que você não ta lavando direito... – joguei.

Me deixando mais louco, Ka encharcou a mão de sabão e voltou a movimenta-la habilidosa, escorregando até as bolinhas e fazendo carinho.

– Poha Karina, me masturba logo. –

– Se você topar me tocar mais tarde... –

SE EU TOPAVA? OBRIGADA DEUS!

– Faz direito que eu penso. – disse rouco e ela sorriu com carinha de quem estava prestes a aprontar alguma.

Karina me encostou na parede, e, sem pudor algum, bateu forte pra mim. Ela lambia a boca, insinuando sentir fome enquanto sua mão me fodia na velocidade da luz, extremamente rápido, voando sabão pra todo lado.

– Goza pra mim Pedro... – Ka gemia, como se só suas mãos rápidas descendo da minha glande até o escroto não bastassem.

– Oooooh... isso, assim gostosa. – segurava seu cabelo enquanto gritava.

Ka começou a rodar a mão, fazendo movimentos deliciosos, com a boca próxima, próxima demais.

– Goza na minha boquinha vai. –

– Você tá com tesão? Ta? Ein delicia? Ta? – dei um tapa estalado no rosto de Karina e levei uma mordidinha sexy na barriga de volta.

– Molhadinha. -

Depois daquilo, o que me restava era obedecer suas ordens de gozar na boquinha. Fechei os olhos, imaginando a vagina apertada de Ka, imaginando a foder até o útero. E após alguns minutos viajando na sensação do tato e da imaginação ajudada pelos gemidos deliciosos dela, não aguentei mais segurar o esperma e soltei tudo na cara da safada.

– Nossa, acho que quem precisa de um banho agora sou eu. – falou, toda sujinha, parando de me esfregar muito depois que o sêmen terminou de sair.

– Já disse que adoro a hora do banho? –

Perguntei feliz, e Ka sorriu, leve pela primeira vez em um mês.

Pov Alan

Deus me odiava. Era isso, ele me odiava.

Tudo tinha voltado. Os sonhos horríveis, os pesadelos persistentes, e tudo, tudo isto, por culpa dela. Ela me deixou.

Karina tinha me abandonado, me largado, desistido do nosso protótipo pra ficar com Pedro, e eu não deveria me sentir traído por isto de forma alguma, mas a verdade, era que me sentia, e que no ultimo mês precisei tomar duas cartelas de remédios pelo simples fato, de não poder ver mais do que dois minutos os olhos que me acalmavam quando beirava o desespero.

O que fazer?

Com ódio, joguei tudo no chão, os malditos remédios, as malditas roupas, os malditos perfumes, nada que me traria ela, nada.

Foi quando uma voz, uma voz sussurrante que não escutava há algum tempo veio me falar.

“Alan. Não acha que se Karina soubesse de tudo o que sente, ela teria pena? Não acha que ela talvez possa te amar também, nem que seja um pouco, mas tem vergonha de se abrir por considerar que você não?”

– SAI DAQUI, ELA NÃO ME AMA! – o choro veio, junto com os gritos.

“Não acha que ela pode ter medo de trair Pedro? Não acha que talvez, só talvez, Karina queira ter algo com você?”

Respirando pesado e tentando manter o controle, interrompi as lagrimas, começando a entender o que a voz dizia.

– Será? –

“ Nunca vai descobrir Alan, nunca vai descobrir se não tomar uma iniciativa agora.”

Sem pensar muito, lavei meu rosto, e fui descobrir o que precisava saber pra não enlouquecer de vez.

Bati apenas três vezes na porta do meu amigo, recebendo um grito feliz de volta:

– Pode entrar! –

Parece que faziam aquilo pra me magoar, mas a cena que vi quando entrei não poderia ter sido pior. Ka em baixo de um cobertor grosso com Pedro, e ele fazendo cocegas nela sorridente, como se não houvesse lugar melhor pra estar naquele mundo.

– Estão animados hoje. – comentei, triste.

– Você não vai acreditar no que a Karina me deixou fazer... – Pedro disse insinuando algo e levou um murro da namorada corada.

– E nem quero saber. –

– O que veio fazer aqui? – Karina perguntou, me dando atenção.

– Posso te roubar um pouquinho Ka? –

– AAAAAAA NÃO! EU NÃO DEIXO! Aqui ta tão quentinho. – Pedro agarrou ela e passou a encher de beijos no pescoço enquanto Karina gargalhava o empurrando um pouco.

– Me solta Pedro, deve ser sobre o protótipo e é importante. –

– Se demorar demais eu vou te buscar pelos cabelos. –

– Hahaha. -

Meio sem jeito ela se levantou ajeitando a roupa. Karina usava uma camisola amarela curtíssima, e eu me perguntava se tinha como dificultar mais o processo.

– Vamos pra sala. – Katrina assentiu, me acompanhando.

Não aguentava mais a dor da duvida, então fui ligeiro. Bati a porta nervoso assim que ela entrou na sala e acendi as luzes.

– O que houve? – Ka cruzou os braços, suspendendo os seios.

– Não é nada demais... é que.. –

– Alan você ta branco! Aconteceu algum problema com o avião? – ela começou a se alterar e eu me aproximei, tocando seu braço e sentido borboletas no estomago.

– Nenhum problema com o avião. É só que preciso, preciso te falar algo... –

– Então diga logo, tenho que voltar pra cama. -

Suspirando muito, me perguntando se aquilo era o certo, avisando-me que não teria mais volta, comecei a cantar.

– Eu gosto tanto de você, que até prefiro esconder, deixo assim ficar... subentendido. –

– An? Alan? Tu ficou doido, tá cantando? –

Sem me importar com o fato dela estar sorrindo da minha cara, continuei cantando o que sentia.

– Como uma ideia que existe na cabeça e não... tem a menor pretensão de acontecer. – respirava pesado com a aproximação dos nossos corpos, da proximidade da sua boca.

– Alan você tá me assustando. – Karina chegou pra trás tropeçando assustada e tentando se desviar, mas a persegui até a parede.

– Eu acho tão bonito isso, de ser abstrato baby, a beleza é mesmo tão fugaz... –

Prendi-a com os meus braços fortes e Karina só arregalava mais as íris azuis. Tao perfeita...

– O que você ta fazendo Alan? – e assim que sua boca foi selada, tomei toda a coragem do mundo, e a toquei.

Com as mãos segurei os braços de Karina e fiz o que toda noite rolava na cama, pensando em fazer. Eu a beijei. Não um beijo calmo, e sim um beijo de necessidade, um beijo selvagem e com toda a paixão.

A boca dela era tão doce quanto eu imaginava... mas foram poucos segundos aproveitados, até Karina sair do estado de choque e eu levar uma forte mordida que quase arrancou meu lábio inferior e um chute no saco que me fez ir gemer deitado no chão.

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI! – gritei, enquanto Karina continuava no mesmo lugar que a beijei.

– VOCÊ. FICOU. DOOOOOOOOOIDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! – ela pirava, o mais longe possível de mim, como se sentisse nojo.

– KARINA, EU AMO VOCÊ, EU TE AMO! –

– NÃO. NÃO, ISSO NÃO TA ACONTECENDO! – Katrina passava as mãos pelos cabelos loiros, surtando.

– MAS EU TE AMO, E SEI QUE POSSO TE FAZER FELIZ... A GENTE PODE.. –

– A GENTE NÃO PODE NADA ALAN! VOCÊ TEM NOçAO DE QUEM EU SOU? EU SOU A NAMORADA DO SEU MELHOR AMIGO, DO SEU IRMÃO DE PEITO! – aquilo foi pior, muito pior que um chute no saco.

– Eu não consigo viver mais sem você tão longe Katrina... Eu preciso de você. –

– COMO ISSO ACONTECEU?? QUANDO ISTO ACONTECEU? ALAN, VOCÊ TA CONFUNDINDO AS COISAS... EU NUNCA TE DEI BOLA, EU NÃO GOSTO DE VOCÊ! ESCUTOU ISSO? EU. NÃO. GOSTO. DE VOCÊ. – ela falou devagar, me dilacerando.

– Você tem ideia do que fez Alan? Sabe como Pedro sofreria se sonhasse que me beijou... A FORçA! –

Karina agora chorava, chorava loucamente e por minha culpa. Eu queria morrer.

– EU TAMBÉM AMO PEDRO! Mas a gente não escolhe quem vai amar... –

– VOCÊ NÃO ME AMA ALAN! VOCÊ NÃO ME AMA. -

– Eu te amo, é a única certeza que tenho na vida, eu amo você. –

– ENTÃO DA SEU JEITO, E PARA DE SENTIR QUALQUER COISA POR MIM QUE NÃO SEJA AMIZADE, PORQUE EU NÃO VOU DEIXAR VOCÊ FAZER ISSO COM O PEDRO, NÃO VOU DEIXAR. –

Ka saia da nossa sala de protótipo enxugando as lagrimas e totalmente confusa quando dei meu ultimo grito, na esperança, que ela voltasse:

– KARINA! Você não gostou nem do meu beijo? – humilhação era pouco pra aquilo tudo.

Ela virou-se, ficando vermelha de ódio e com uma voz surpreendentemente transformada pela fúria, disse:

– Isto não aconteceu. Se afaste de mim, se afaste dele. Pedro não te merece.–

E saiu. Me deixando as lagrimas e chorando baixinho. Nem o que meu pai tinha feito, nem as coisas horríveis que sofri na infância, nada, tinha me deixado tão acabado do que descobrir a dura verdade. Karina não sentia nada por mim, e se antes não sentia nada, agora sentia algo muito pior do que não sentir isto, desprezo.

– Alan? – Beth entrou na sala alguns minutos depois, quando me ouviu chorar e me viu jogado no chão, correu pra me abraçar.

– Eu contei pra ela Beth, eu contei. –

– Menino... – tentou enxugar minhas lagrimas, mas elas não paravam de descer.

– Karina tem nojo de mim. – consegui falar, soluçando.

– Só reze pra isso não chegar aos ouvidos de Pedro. Por que esta sim pode ser sua maior perda. –

Beth deveria estar me ajudando, porém, aquilo só aumentou o meu desespero e toda a dor da situação humilhante.

Estava decretado, oficialmente, eu era um rapaz perturbado e solitário, com grandes chances de ficar mais solitário ainda.

Pov Karina

– Que merda, que merda, que merda, que merda. –

Tive apenas uma reação depois daquela grande merda: correr até o jardim e sentar no banquinho em baixo do pé de goiabeira. Por que aquilo logo agora? Meu Deus. Era meu karma sofrer.

– QUE MERDA! – gritei, colocando as mãos nos olhos, voltando a chorar.

Não dei nenhum motivo pra aquilo acontecer, EU NÃO PLANTEI NADA PRA COLHER AQUILO!

– Ka? –

Uma voz rouca me fez levantar a cabeça e olhar pra porta. Pedro estava pendurado tentando se manter em pé, deveria ter se arrastado até ali.

– Pedro! –

Corri até ele, rezando para que não percebesse meu rosto inchado no escuro.

– Quero ficar um pouquinho no banco com você. – ele pediu.

– Tudo bem. –

Com certa dificuldade, fomos andando escorados um no outro até sentarmos.

– Por que saiu da cama? –

– Você demorou demais. E eu disse que viria te buscar pelos cabelos.–

Era difícil olhar pra Pedro depois do beijo que Alan me deu, mas fui forte.

– Estou preocupado Karina, não ache que não te ouvi gritando, além de estar ventando demais pra ficar aqui fora uma hora dessas, com uma camisola fina dessas... o que houve? –

– Acredite amor, é muito mais perigoso ficar lá dentro. – sorri sarcástica e Pê ficou confuso, sem entender, mas claro que ele não entenderia. E era melhor assim, não saber de nada.

Ficamos um tempinho em silencio, ele segurou na minha mão tentando passar força e sorri de lado.

– Acho que sei porque ta assim. –

– SABE? – olhei desesperada no fundo dos seus olhos castanhos, da cor da minha pulseira de Mogno, e Pedro não parecia ter cara de quem viu algo.

– Sei. É por minha culpa né? –

Suspirei aliviada, abraçando-o e me agarrando ao seu pescoço.

– Pedro, nada é por sua culpa. Você é a pessoa mais doce que eu conheço e a que mais merece ser feliz. –

Pedro soltou uma gargalhada me assustando.

– Tu não conhece da missa a metade Karina. Já esqueceu aonde me conheceu? –

O soltei quando vi algumas lagrimas escorrendo até o queixo enquanto olhava pra nossa constelação. Pê chorava?

– Amor... – sofrendo junto com ele, limpei as lagrimas e coloquei sua cabeça no meu colo, até se deitar.

– Ka, eu to preparado pra contar tudo. Sei que é por isso que você anda tristinha, e confio que vá entender. –

Pedro estava falando do passado dele? Era isso mesmo????????

– Pode confiar, sou forte, consegui te ver quase morto e não me entreguei, lembra? –

Sorrimos juntos, e ele começou, falando sério:

– Quando eu tinha 12 pra 13 anos e a Jade tinha uns 9, recebemos uma noticia. – Pedro suspirou fundo antes de terminar a frase, e eu respeitei sua demora.

– Meus pais morreram, e os policiais não quiseram investigar o caso. –

– ELES MORRERAM? MAS VOCÊ ERA UMA CRIANçA! E A JADE... – Pedro ficou tão imóvel, que parei os gritos.

– Desculpa, continua. – aquilo devia ser difícil pra ele.

– Vou fazer um resumão do que veio a seguir Ka, espero que me entenda de verdade. –

– Sim amor, o passado não importa agora. – tinha que me apegar a aquilo, o que Alan fez não importou de nada, e nem importava mais.

– Nossa família mora inteira em outro estado, então tive que me virar do jeito que pude pra sustentar a gente, sendo de menor... – Pê não conseguiu prosseguir novamente.

– Pode contar Pedro, já disse que vou conseguir. –

– A gente morava na favela Karina... e pra um adolescente o melhor jeito, e o mais fácil de arranjar dinheiro, era entrar pro trafico. –

Por incrível que pareça, aquilo não me surpreendeu.

– Continue. –

– Mas eu me perdi, como muitos outros colegas que fiz lá, quem trafica tem que ser esperto, esperto pra não usar, só que... eu não fui esperto Karina. –

Engoli e seco e perguntei:

– Você cheirou, não foi? –

– Sim. Comecei com drogas leves, mas o vicio é assim, a gente pensa que ta bem, pensa que ta por cima... até ele nos levar pra rua e morarmos lá. –

Chorei silenciosa, aproveitando que ele não me via. Pedro, o meu Pedro, foi morador de rua. Achei que fosse suportar... mas era muito dor.

– Aquele negocio da primeira vez então, foi verdade? – queria outra resposta, só que ela não veio.

– Sim. -

– Dai conheci o que me tirou de lá, a Wild Passion... Alan foi um anjo na minha vida. –

Mordi a boca pra não gritar ali mesmo que ele era um capeta.

– Depois que o conheci, Alan me levou pra um centro de reabilitação, me ensinou o que mais amo fazer que é tocar, e me arranjou um emprego pra que pudesse voltar a sustentar a Jade, que sobreviveu aquela época com ajuda dos vizinhos, a mãe da Esther. –

– Nunca parou pra pensar, que talvez Alan só fez isto tudo por interesse? Que ele não é seu amigo de verdade? –

– Como assim? –

– O pai dele... não gosta de pessoas, eles querem corpos pra se prostituir, e eu tenho certeza que ele só fez esses favores esperando isso em troca, nada além do que isso, então não foi uma ajuda. – tentei envenenar Pedro contra Alan, o queria mais afastado possível daquele homem horrível.

– Ficou doida Karina? – Pedro saiu do meu colo, voltando a se sentar.

– Achei que já estivesse tudo bem entre você e Alan depois de tantos meses. –

– E estava. Até... -

– Até..? –

– Até eu suspeitar que foi ele quem contou pra Heideguer, sobre a gente. – claro que não suspeitava aquilo, Alan estava tão fodido quanto qualquer um naquela casa.

Pê sorriu gostoso, pegando no meu rosto, e fechei os olhos cansada, depois de tanta emoção pra um dia.

– Você ficou doidinha mesmo, deve ser o frio. Vamos entrar? –

– Só se for pra ficar deitadinho, em baixo do cobertor. –

– Sim, e eu vou terminar de fazer o que estava fazendo quando Alan nos atrapalhou... – Pedro falou no meu ouvido,devagar, provocando-me arrepios e me excitando.

– Quem chegar por ultimo é a mulher do padre! –

Gritei e sai correndo, deixando um Pedro furioso no banquinho.

–EI KARINA SUA PESTE! VOLTA AQUI! NÃO ESQUECE QUE PRECISA DO MEU DEDO EIN! –

Notas finais
QUE COMENTAAAAAAAAAARIOS ATE O TALOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO