Wild Passion

19 Amor e ódio andam juntos.


Notas iniciais
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOI GALEREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!! AOOOOOOOOOOOOOOOOO VIADO! QUE SAUDADE ESCULHAMBADA DO CACILDE DE VCS! Mas olha, n tem como começar essas notas se n dessa forma: agradecendo. OBRIGADA! Obrigada por terem esperado até hoje, obrigada por nao terem desistido de mim, da minha fic, da Karina, do Pedro, do Alan, obrigada por serem pacientes, e tao... tao maravilhosas!!!!!!! As mensagens que recebi enquanto viajava, os comentarios GIGANTES, LINDOS, RAIVOSOS, TRISTES, FELIZES! Nao ha mais sentimento transbordante quanto nos comentarios de vcs, NAO HA! OBRIGADA MILHOOOOOOOOOOOES DE OBRIGADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAS! Agora vamos as desculpas: EU SEI QUE DEMOREI, EU SEI CACILDES! DESCULPA SE O PECADO ME PEGOU DE JEITO, DESCULPA SE FIQUEI FASCINADA PELAS BUNDINHAS DE CURITIBA E ESQUECI DA FIC, DESCULPAAAAAAAAA SE QUANDO EU VOLTEI FUI PARAR NO HOSPITAL PRA TOMAR SORO, MAS TO AQUI, TO POSTANDO, VOU CONTINUAR POSTANDO ATE O FIM! E espero que ainda me amem :* mas é claro q vao, vcs tao lendo isso, cara sou mto burra e transtornada. MAS E AI CHUCRILDES? COMO FORAM AS FERIAS???????? NATAL, PERU, ANO NOVO, SANTOVITTI NA CH, PERINA SARRANDO ONTEM??? EU QUERO SABER DE TUDO POHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!!! ( sou estilo fofoqueira açucarada) Gentiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, eu n sei se vcs lembram da época que eu postava EMAG tres vezes por semana, e WP duas vezes por semana, naquela época eu fazia um cap POR DIA! Isso mesmo, por dia, e é isso que prometo a vcs assim que voltar de férias a morar sozinha no meu apartamento, la eu posso madrugar escrevendo e aqui n, ENTAO, REZEM PRA FEVEREIRO CHEGAR LOGO E A ESCRITORA VIR COM TUDO! PS: leitoras fantasmas, VCS N SABEM COMO QUIQUEI DE 4 NA LADEIRA VENDO Q VCS EXISTEM, E LENDO SUAS EMOçOES NO COMENT, SE VIRAREM FANTASMAS DE NOVO, EU JA SEI PRA QUEM VOU LIGAAAAAAAAAAAAAAAR (caça-fantasmas, n policia, sem violência) Com vcs, WP, Escrita, Com, Muito, Carinho, E, Fogo, No, Rabo. BJS! JESSY, OBRIGADA PELA RECOMENDAçAO!! FAZIA ANOOOOOOOOOOS QUE N TINHA UMA RECOMENDAçAO AQUI NO NYAH! A-M-E-I!

Pov Heideguer

– Péssima hora pra me ligar. Estou no meio de uma reunião. – disse baixo e envergonhado ao telefone, sempre era péssimo ser mal educado na frente de investidores.

– Mas o que tenho pra falar são ótimas noticias! –

– Diga rápido, pelo amor de Deus. – alguns dos homens que ali estavam eram chefes de estado, qualquer derrape e...

– Chefe, já conversamos outro dia sobre isso, se você tivesse Whatsapp facilitaria tanto... –

– What o que? –

– Deixa pra lá. –

– RÁPIDO LOBÃO! –

– Seu filho... acabou de sair da mansão. – o segurança completou dando um risinho sádico.

– Qual deles, e que sentido tem essa informação? –

– Pedro. E vai gostar de saber que ele saiu com uma mala de roupas, xingando a Deus e ao Diabo, e com uma cara de quem não pretende voltar pra lá tão cedo. –

– MARAVILHA! O CIRCO COMEçOU A PEGAR FOGO! E MUITO MAIS CEDO DO QUE EU IMAGINAVA! –

– Ram, ram . –

Um dos homens se ajeitou agoniado na cadeira, tossindo, e foi ai que percebi a merda que tinha feito.

– Me mantenha informado Lobão, observe sem descanso, mais tarde te ligo. –

Desliguei o telefone e com uma expressão séria, retomei aos assuntos.

– Diga por favor aos representantes da Colômbia, África e Coréia do Norte que foi extremamente prazeroso fechar contrato e que também estou muito feliz com os investimentos fornecidos a Wild. – me dirigi ao tradutor, que pronunciou a mesma frase nas três línguas.

Os rapazes sorriram e concertei minha gravata, ficando de pé. Ainda faltava uma ultima cortesia.

– Queridos amigos e patrocinadores, como prova da minha gratidão pela sua confiança e na minha empresa, peço que voltem ao Brasil no máximo daqui dois meses. –

Perguntaram curiosos nas suas línguas e o tradutor disse em seguida, em Português:

– Eles querem saber por que só daqui dois meses, Dr. –

– Porque daqui dois meses, terei minha melhor prostituta trabalhando. Por bem, ou por mal. -

Pov Pedro

– EU TE ODEIOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO, EU TE ODEIOOOOOOOOOOOOOOO! –

Fechei os olhos, escutando os gritos de Karina que teimavam em ecoar até a escadaria da casa e que juro, juro, poderiam ser ouvidos até muito longe dali.

Uma lagrima desceu gélida quando cai na real. Mesmo demonstrando sua raiva e o seu ódio, lá no fundo, sabia que ela ainda me amava, mas a verdade era que esse amor não duraria muito. Fiz a coisa mais horrível pra Karina arrancar qualquer raiz de sentimento por mim, e agora não tinha mais volta.

– EU TE ODEIOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO, EU TE ODEIOOOOOOOOOOOOOOO, EU TE ODEIOOOOOOOOOOOOOOOO! –

Mordi a boca tentando prender o choro, e colocando o mais rápido possível a mala no fundo do carro. Mas Ka foi cruel, persistiu em me atormentar nesses poucos segundos.

– EU TE ODEIOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! – soltou mais um grito, arrastado em meio aos soluços altíssimos.

– POHA! – olhei pra cima, pro vácuo negro da noite, enquanto o coração apertava até querer explodir.

Eu também precisava gritar.

– PRIMEIRO MEUS PAIS, A JADE COM TODO AQUELE PROBLEMA, A POHA DA COCAÍNA, ANOS SENDO ABUSADO PRA TER COMIDA NA MESA, E QUANDO FINALMENTE, FINALMENTE ENCONTRO O AMOR DA MINHA VIDA E ESTOU BEM, VOCÊ FAZ ISSO? – gritei a todo pulmões para a Constelação.

– NÃO VAI ME RESPONDER? NÃO ACHA QUE MEREçO UMA RESPOSTA? QUAL. O. SEU. PROBLEMA. COMIGO? -

Mais uma convulsão de lagrimas e gritos da minha parte, e nada de resposta.

– Meu Deus, eu só posso ter ficado louco, falando com as estrelas...- enxuguei o rosto sorrindo, e entrei determinado na Mercedes, batendo forte a porta.

Era a hora de deixar tudo o que amava pra traz, precisava ser homem e encarar que só me foderia em qualquer circunstancia da vida, precisava pelo menos salvar a Karina do meu jeito torto, e parar de arrasta-la pra merda de futuro que teríamos juntos. E não seria tão mal assim... afinal, ela também sentia algo por Alan.

– Ótimo, pelo menos tenho um carro e 2.000 reais. –

Rodei a chave e comecei a dirigir. Os malditos pensamentos persistindo em me atormentar, as palavras duras...

Flashback ON

– VAI! VAI EMBORA DAQUI. SOME DA MINHA VIDA! – Karina berrava enquanto Alan a segurava, impedindo que voasse em cima de mim.

– ME SOLTA ALAN, ME DEIXA QUEBRAR A CARA DESSE GAROTO DE PROGRAMA, POR QUE é ISTO QUE VOCÊ é! VOCÊ SE VENDEU PRA ELA NÃO FOI? VIU QUE IRIA MORRER SE CONTINUASSE COMIGO, QUE QUASE MORREU! NÃO FOI PEDRO? –

A mulher que amei todas as noites durante meses, tinha acabado de me chamar da coisa que mais odiava ter sido... quase, quase naquele mesmo instante vacilei e contei a verdade, quase estraguei tudo implorando pra que ela me perdoasse, implorando pra acreditar que foi tudo uma armação, que eu nunca deixaria de ama-la incondicionalmente, mas justamente por amar tanto, as únicas palavras que saíram da minha boca foram:

– Sim. Eu não posso arriscar minha vida com você, não vale a pena. –

Logo em seguida levei uma cuspida no meio da cara, mas não foi isso que me fez sair do quarto, foi a expressão mais magoada, traída, e raivosa que já havia visto estampada no seu rostinho delicado.

Era oficial, Karina estava começando a acreditar nas minhas falsas palavras.

Flashback OFF

– Ok Pedro, esqueça isso, vamos ouvir uma musica. –

Liguei o radio tentando ficar mais calmo, e Satanás provou mais uma vez ter tirado o dia pra me infernizar.

“Eu que falei sem pensar, agora me arrependo, roendo as unhas, frágeis testemunhas de um crime sem perdão.”

Troquei daquela merda rapidamente, mudando de frequência, e REZANDO pros meus pensamentos não voltarem pra hoje a tarde, a gente se amando, nossos gemidos...

“ Take me down to the paradise city, where the grass is green and the girls are pretty”

Não podia ser, a musica que Karina dançou vestida de coelhinha… NAO PODIA SER!

Nervoso, passei meus dedos pelo botão e mudei novamente. Não tinha como acontecer aquilo de novo.

“And I'd give up forever to touch you, cause I know that you feel me somehow… You're the closest to heaven that I'll ever be and I don't want to go home right now” era Iris.

– NÃO! IRIS NÃO, PELO AMOR DE DEUS, IRIS NÃO! –

Completamente transtornado e sem entender nada do que acontecia, mudei pra próxima frequência, prometendo a mim mesmo que se o destino continuasse brincando, quebraria aquele maldito som.

“ Enquanto você se esforça pra ser... um sujeito normaaaaaaaal”

– AGORA SIM POHA!!! –

Avido de perigo, de vontade de deixar tudo o que me fez bem e mal, pisei fundo no acelerador chegando a incríveis 200 km/h, sentindo o vento forte batendo no meu rosto e a liberdade enquanto acompanhava a musica:

– E FAZER TUDO IGUAAAAAAAAAAAL! EU DO MEU LADO, APRENDENDO A SER LOUCO! UM MALUCO TOTAAAAAAAL, NA LOUCURAAAAAA REAL! –

Apertei mais e mais o pé no acelerador, gargalhando. Se eu tinha ficado maluco? Com certeza.

– CONTROLANDO A MINHA MALUUUUUUUUUUUUUQUEZ! MISTURADA COM MINHA LUCIDEZ! –

– EU VOOOOOOOOU FICAAAAAAAAAAAR, FICAR COM CERTEZA MALUCOOOOOOOOOOOOO BELEZAAAAAAA! –

Balançando a cabeça pra lá e pra cá, de repente, olhei para o retrovisor e vi que estava fodido até o talo: sirenes.

– Merda, merda, merda. – roguei, estacionando devagar o carro novinho no canto da rua.

Já sai do automóvel me desculpando, só que era tarde demais, a multa estava sendo assinada pelo guarda de transito.

– De quanto saiu? – perguntei passando a mão pelo cabelo, torcendo pra ser no máximo 100, não podia ficar esbanjando o pouco dinheiro que tinha pro aluguel de um apartamento.

– 1.000 reais. – o homem disse, saindo.

– ESPERA, MIL REAIS? FICOU DOIDO? –

O policial voltou-se, com ódio nos olhos, e me tremi todo.

– Andando em alta velocidade por vias publicas, atrapalhando a paz com som alto, tem pelo menos carteira de motorista? –

– An...-

– Não tem? Estou certo? Mais 1.000 reais de multa. –

– MAS é TODO O MEU DINHEIRO! – consegui gritar, chocado.

– E a apreensão do carro. – ele disse, dando uma piscadinha, e ligando para o guincho.

– E eu achando que você ia me deixar pelo menos com isso... fui otário de novo. – falei azedo, olhando pra maldita Constelação Carina.

Pov Cobra

– Que tal se a gente tentar outro tipo de beijo agora? – incentivei e Jade corou, passando a mão pelas minhas pernas, mal sabendo a sensação que aquilo me causava.

Já estávamos há meses namorando. Eu sabia que aquilo nunca passaria dos beijos e nem podia passar, afinal, seria sujo da minha parte, seria aproveitador. Eu me contentava em morrer só a beijando, e foi exatamente desta forma que passamos a maioria das horas juntos.

– Que beijo? E aonde aprendeu esse tanto de beijo? – perguntou, doce.

Não podia dizer que no Kama Sutra, ela nem entenderia mas... pesaria minha consciência depois, eu a enganava demais dizendo que estava tristinho, ou doente, qualquer coisa pra tirar sua atenção dos desenhos e faze-la cuidar de mim, me beijar. Tocar no assunto “Kama Sutra” com uma autista seria o cumulo da minha estupidez.

– Você não precisa saber, só precisa beijar. Não ta gostando de me beijar? – mordi a boca, olhando para sua própria, carnuda, esperando a resposta.

– Estou adorando.- ela deu uma risadinha, focando o chão. Sentia vergonha e nem sabia por quê.

– Então prepare-se para o próximo beijo da lista! –

Jade deu um gritinho quando peguei-a e a ajeitei no meu colo, tirando seu cabelo de lado.

– Este é o beijo do Conde Drácula, MUAHAHAHAHA! –

Mais um gritinho da minha namorada, e comecei a beijar seu pescoço, dando lambidas e chupões provocantes, por toda a extensão da sua pele. Ela pressionava as unhas no meu peito, e as coisas começaram a esquentar quando minha boca se chocou contra a sua, procurando a língua.

– PEDROOOOOOOOOO RAMOS, O IRMAO DA JADE, TA AQUI NA PORTAAAAAAAAAAAA, PEDROOOOOOOO, AQUELE PEDROOOOOO MESMO! – Esther gritou altíssimo e arremessei Jade pro outro lado do sofá, limpando a babinha da boca.

– Ué Esther, ficou doidona? – Pedro já chegou entrando e sentando no sofá entre nós dois.

Esther começou a fazer gestos de forca atrás de Pedro, realmente tinha sido por pouco.

– Eu? Imagina! Vou deixar vocês sozinhos. –

A garota saiu com a mão no coração, do jeito que ela era, apostaria que quase teve um ataque cardíaco.

– Do que ta rindo? – Pedro perguntou juntando as sobrancelhas e parei de rir, ficando sério.

– De nada. –

– Hm... JADE! VENHA AQUI, QUE SAUDADE! – ele agarrou a irmã num abraço apertado e desviei os olhos, envergonhado.

– Nunca te vi tão coradinha assim, o que andou acontecendo por aqui nos últimos tempos? Vocês estão com umas caras tão estranhas. -

Engoli em seco, respondendo por Jade que se tremia inteira:

– Na-nada. –

Pedro balançou a cabeça em afirmativo, fixando o olhar na parede. Ele também parecia estranho.

– E com você, o que aconteceu? –

– Umas surras ali, uns corações partidos aqui. –

– AN? SURRA? – Jade começou a ofegar, tocando no irmão a procura de machucados, ela parecia prestes a ter um surto.

– Calma Jade... calma... eu só to brincando. Vai lá ficar com a Esther vai, preciso conversar com o Cobra. –

– Comigo? –

Merda, será que ele tinha suspeitado? Será que me proibiria de ver Jade? Eu não aceitaria aquilo.

– Sim. E é sério. –

Jade saiu meio avoada, como toda vez ficava depois de um quase ataque.

– Cobra... eu sei que já te agradeci por isso mas... preciso te agradecer de novo. –

Agora, olhando bem pra Pedro, pude perceber que algo muito ruim estava acontecendo, nunca o tinha visto tão abatido e triste.

– Não precisa, cuido delas porque gosto. –

– Mas queria agradecer, e não só isso, queria te pedir um outro favor. –

– Pode pedir. Afinal fui eu que estraguei tudo indo atrás de você aquele dia no shopping. –

Pedro ficou de pé, andando de um lado pro outro, antes de começar a falar coisas que me deixaram arrepiado:

– Heideguer descobriu tudo, descobriu que sou namorado, quer dizer, que eu era namorado da Karina, descobriu que... –

– PERA! Como assim era? – aquilo sim era MUITO estranho.

– Longa historia. Posso continuar? –

– Vai em frente.-

– Resumindo, ele descobriu tudo, não é mais seguro Jade ficar morando aqui com Esther... Heideguer é poderoso, é fácil descobrir esse casebre e querer machucar elas de alguma forma pra me ferir. Eu não suportaria isso, Cobra. –

Pedro parecia prestes a cair de cansaço, pobre homem... eu morreria por Jade, nunca permitiria que a machucassem.

– Então estou aqui te pedindo, melhor, te implorando... leve elas pra sua casa. Eu sei que é pedir demais, que duas garotas morando com você vai destruir sua privacidade, mas... –

– Pedro! Pedro, tudo bem. Vai ser ótimo de verdade! –

O garoto conseguiu me dar um sorriso pela primeira vez, ficando mais relaxado. Eu devia ter tirado um peso imenso das suas costas, porém outro maior ainda permanecia ali, e era evidente que ele envolvia Karina.

– Se me perguntassem alguns meses atrás, naquele dia que tu me humilhou, que algum dia entregaria a vida do meu bem mais precioso a você, eu teria gargalhado tanto... – disse, transbordando sinceridade, e nós dois rimos das incertezas da vida.

– Mas hoje entrego Cobra, porque confio que vá cuidar dela como um irmão cuidaria, você provou isso todo esse tempo! Jade nunca esteve tão feliz e saudável assim! –

– Tenha certeza de que vou cuidar. – falei, firme.

– Me prometa que como um irmão. –

Pedro não implorou com a voz, mas seus olhos transpareciam loucura e medo, eu sabia que se não mentisse pra ele naquele momento... que se não prometesse, o irmão de Jade poderia realmente ficar louco.

– Eu prometo.- disse, recebendo logo em seguida um tapa no braço.

– E você? Também vai querer morar lá? –

– Eu? – Pedro indagou, dando uma risadinha cansada, e pude ver agua brotando no canto dos olhos.

– Eu vou parar de fugir do meu destino, e morar aonde sempre deveria ter morado. –

Mais um profundo suspiro, e ele respondeu enfim:

– Aqui. -

Pov Karina

– MINHA VIDA SÓ PODE ESTAR COMEçANDO A ACABAR, ALAN! –

Meu peito doía de uma forma absurda, havia gritado tanto que não sabia de onde reuni forças pra ainda continuar gritando.

– Para com isso Karina... para de drama, se ele mesmo disse que não te ama mais, pra que ficar sofrendo? -

– IDIOTA! –

Juntei toda a raiva que eu tinha, e dei um chute no saco de Alan. O quarto agora era preenchido por seus próprios gemidos de dor, e não poderia dizer que não fiquei satisfeita com o meu golpe.

– SAI DAQUI, SOME DAQUI VOCÊ TAMBÉM! EU ODEIO VOCÊS DOIS. –

Alan se levantou meio grogue, sorrindo sádico enquanto segurava o local que doía.

– Isso não vai durar muito Karina, você vai ver que eu sou sua melhor opção, e isso não vai demorar. Escutou bem? Não vai. –

Ele saiu do quarto de Pedro profetizando e resmungando, e eu sai logo atrás, quebrando tudo o que havia de vidro até o caminho do meu próprio quarto.

– MENTIROSO! CRETINO, FILHO DE UMA PUTA! – peguei o ultimo vaso decorado e joguei o mais forte possível na parede, arregaçando com a porta assim que entrei no cômodo.

– “ VOCÊ é VIRGEM DE TANTAAAAAS COISAS KARINA, VAMOS APROVEITAR ESSA NOITE PRA TIRAR SUAS VIRGINDADES” E VOCÊ TIROU SEU FILHO, FILHO DO CAPETA! –

Sabia que estava vermelha e prestes a explodir, sabia que precisa descontar minha raiva em qualquer coisa, então meu próximo passo foi ir até o guarda roupa e pegar as velhas luvas de boxe, uma das poucas coisas que trouxe de casa.

Nenhuma lagrima descia mais pelo meu rosto, e eu não me permitiria chorar, só bater.

Enquanto ajeitava a luva e pressionava raivosa pra baixo, vi o lampejo de um coração brilhando no meu braço. A pulseira de Mogno.

E toda a raiva passou, só por um instante.

FlashBack ON

– Vejaaaa só quem acabou de comprar uma linda pulseiraaa de Morganaaa ou sei lá o que! — Pedro disse fazendo uma voz engraçada e balançando a pulseira pela qual eu tinha me apaixonado.

– EU NÃO ACREDITO QUE AGORA SOMOS DELIQUENTES! — sem pensar duas vezes o abracei apertado, sentindo o seu sorriso sacudir nossos corpos.

– Sabe por que eu gostei dela? — Pedro olhou para minha boca e perguntou o motivo.

– A pedra é castanha, castanho me lembra você... seus olhos, seus cabelos... — disse tímida. Não estava acreditando que consegui me declarar tão abertamente, eu tinha acabado de roubar uma loja com ele e ainda estava me entregando de bandeja!

Pedro não aguentou ouvir aquilo, parecia ter escutado as cornetas do céu tocarem, e tomou a atitude que eu tanto esperava que fosse acontecer aquele dia.

Ele me beijou.

FlashBack OFF

Mais um motivo pra te odiar. – falei pra pulseira.

Em um minuto a arranquei do meu braço e joguei no chão, sem me importar se havia quebrado o coração ou não. Não era aquele coração quem importava, era o meu.

– AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA PEDRO, SEU TRAIDOR! VOCÊ TA EM TUDO CARALHO, AINDA TEM SEU CHEIRO EM MIM! –

Comecei a me socar com as luvas, causando-me o máximo de dor que podia sentir, tentando desfocar da dor que sentia por dentro.

– VOCÊ ME FEZ ACREDITAR QUE ALGUÉM ME AMAVA DE VERDADE, ME FEZ DESTRUIR MINHA VIDA, ME FEZ LARGAR MINHA FAMÍLIA, ME FEZ LUTAR POR ALGO QUE NÃO FAZ SENTIDO SEM VOCÊ! – eu gritava, me batendo, enquanto os cabelos grudavam no suor que escorria pelo pescoço.

Completamente atormentada e transtornada, me dei conta de aquele maldito piano ainda estava ali. E se Pedro gostava daquilo, eu também iria destruir. Iria destruir tudo o que ele gostava.

Lembrando-me de todas as promessas, juras, olhares, beijos, e de sua expressão quando disse que não me amava mais, subi de quatro no piano e passei a soca-lo até minhas mãos doerem.

– Quero te ver sangrar Pedro, quero te ver sangrar. – falei, ainda batendo forte no piano, que começava a soltar lasquinhas de madeira.

Quanto mais eu batia, mais sentia vontade de bater, mais desejava que aquele piano fosse a cara do homem que amava, porém, meus braços começaram a perder vida, e as mãos a cansarem. Precisava me ver longe daquele piano antes que além de destruir o que ele amava, me destruísse também.

– BEEEEEEEEEEEEEEETH! BETH VENHA AQUI AGORAAAAAAAAAAAAAAAA! BEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEETH! –

Gritei por cerca de 3 minutos, soltando fogo pelas ventas, até a empregada entrar afobada e correndo.

– O QUE HOUVE DONA KARINA? –

– DA UM JEITO DE TIRAR ESSE PIANO DAQUI AGORA! –

– Mas... eu não consigo carregar isso tudo... –

– TIRA. ISSO. DAQUI. AGORA. –

Não sei com que cara estava naquele momento, mas vi Beth tremer de medo me olhando.

– Mas o seu Pedro... ele adora esse piano, porque a senhora fez isso? –

Fechei os olhos, respirando profundamente antes de dar a resposta pra aquela vadia.

– Não existe mais “SEU PEDRO”, ele foi embora, ele deixou a gente, ele não vai voltar. AGORA TIRA ISSO DAQUI! –

Sai doida do quarto deixando Beth sem ação. Destruir o que ele amava não bastava, DESTRUIR O PEDRO NÃO BASTAVA! Eu precisava me vingar. Precisava dar o troco na mesma moeda.

Eu, Karina Duarte, ainda não tinha terminado.

E iria trai-lo da mesma forma que ele me traiu, ou pior, eu transaria com o primeiro homem que visse na minha frente, eu transaria com um mendigo se aquilo fosse o deixar no mínimo com um pouquinho do ódio que eu estava sentindo. Eu abriria minhas pernas até pra um macaco se isso me fizesse ver Pedro sofrendo nem que fosse, só um pouquinho.

Arrumei meu cabelo tentando parecer menos louca, e com passos decididos comecei a atravessar a sala quando esbarrei em alguém.

– Tudo bem ficar gritando até nossos ouvidos explodirem, mas esbarrar é um pouco demais não acha? –

Alan.

– Vai pra poha. –

Voltei a andar em direção a rua, quando parei na porta, uma ideia começando a brotar.

– EI ALAN! ESPERA! –

– Quer me chutar mais? Desculpa, só que não estou afim hoje. –

Alan era perfeito... o melhor amigo. Se Pedro não se sentisse traído por mim, ia no mínimo se sentir traído por ele.

Fui andando devagarzinho até Alan, enquanto ele fixava seus olhos em mim, sem entender absolutamente nada da minha aproximação.

Coloquei minhas duas mãos nos seus ombros, e implorei falsamente no seu ouvido:

– Me come. –

– O QUE? – Alan soltou um gritinho, e eu colei mais ainda nossos corpos.

– Disse pra me comer. –

– O QUE? –

Ele só sabia falar aquilo?

– Deixa ver se você entende direito. –

Me afastei dele, despindo a calça rapidamente, e logo em seguida a blusa, sem deixar de dar uma risadinha do seu rosto chocado.

– Vem. –

O chamei assim que fiquei apenas de lingerie, e fui andando na frente, direto pra sala do protótipo. Tinha certeza que Alan estava focando na minha bunda enquanto eu requebrava até lá, e no fundo, só torcia pra ali ter câmeras e Pedro ver tudinho aonde quer que estivesse.

La chegando, atirei tudo o que se encontrava em cima da mesa no chão. Papéis, pecinhas de avião, tudo. E me sentei sobre a mesa com as pernas abertas, arrumando o cabelo pra trás.

– Es-es-espera, acho que... acho que eu estou tendo alucinações. – Alan tremia, sem desviar os olhos de mim.

– Para de ser burro, estou aqui mandando você transar comigo e vai ficar ai parado? Não era isso que você queria? –

– Então é verdade? AI. MEU. DEUS. Ta tudo acontecendo mais rápido do que eu imaginei! – ele começava a entender, e observei seu rosto mudar de incredulidade total para alegria radiante.

Alan foi rápido em arrancar suas roupas e pular em cima de mim, descendo a cueca box enquanto depositava com adoração e carinho beijos pelo meu pescoço.

– Eu te amo tanto. – ele disse apaixonado, pausando e depois voltando a beijar meus lábios, eu revirei os olhos, morrendo de tédio. Só queria fazer logo aquilo e sair dali.

– Va rápido antes que eu desista. –

Ele não disse mais nenhuma palavra, arrancou minha calcinha e eu arfei quando suas mãos desceram por minha barriga, até tocar a intimidade.

Alan foi ágil com os dedos, movimentando-os por cima do meu clitóris enquanto com a outra mão, abria ainda mais minhas pernas.

– Fica molhada pra mim, fica. –

Não respondi nada, mas gritei quando com brutalidade ele enfiou seu membro completamente, sem chances nem de me deixar respirar. Ele gemia altíssimo, as vezes embolado, as vezes o meu nome, as vezes um “ eu te amo”, mas eu não conseguia fazer outra coisa se não sentir suas estocadas e imaginar Pedro ali, metendo com força em mim.

Estava fazendo tudo errado, era pra me sentir vingada, não ficar comparando os dois homens e sentir saudades dele.

Do nada Alan me puxou pra mais perto, fazendo-me envolver as pernas na sua cintura. Ele era forte e seus braços me esmagavam, fazendo com que eu sentisse cada parte do seu corpo malhado.

Alan me fodia em ritmos de vai em vem, rebolando vez ou outra entre minhas paredes, mas sem nunca tirar seu pênis de dentro, eu já estava agoniada com aquilo, queria que ele fizesse igual Pedro, queria que ele tirasse e enfiasse tudo de vez, aquele sofrimento sim seria bem melhor... e mais uma vez, eu estava comparando.

– Geme pra mim Ka... – pediu, esfregando com vontade o meu bumbum em incentivo. Alan não parecia ter muita tara pelos meus seios, afinal nem tinha tirado o sutiã na pressa, mas meu bumbum... ele não deixava de esmagar nenhum segundo.

– Aowwwn... – fingi gemer e ele ficou louco.

Tive que me segurar forte na mesa quando Alan decidiu me foder de verdade. Meu corpo inteiro era balançado e passei a gritar quando seu membro grosso chegava até quase o útero.

De olhos abertos pude ver a expressão dele, a boca em um quase sorrisso, os olhos fechados, o jeito leve, de um Alan que eu nunca tinha visto na vida, ele estava... em paz. Alan me amava de verdade.

Eu não podia continuar com aquilo, era desonesto com ele, e comigo.

– Me solta Alan. – falei calmamente, para que ele pudesse compreender, mas seus olhos permaneceram fechados, e o sorriso estampado e avulso, assim como seus movimentos dentro do meu sexo.

Alan continuou, mas realmente era hora de parar.

– ME SOLTA OU EU VOU TE EMPURRAR! –

Tarde demais. Contorci a boca quando senti um jatinho quente, escorrendo por dentro de mim, e as investidas dele saírem muito mais meladas.

– SAI! –

Consegui ter força apenas para joga-lo do outro lado da sala, e fechar minhas pernas, ainda tremendo de cansaço.

Alan não se moveu, ficou lá jogado no chão, sorrindo pro telhado.

– Esqueça que isso aconteceu. – falei sacudindo um pouco a cabeça, completamente confusa com os últimos acontecimentos, peguei minha calcinha do chão e a vesti, torcendo pra ter restado um pouquinho de dignidade em mim.

– Esquecer? Nunca. Uau. – Alan respirava pesado, e seu peito subia e descia em um ritmo rápido. EU TINHA FEITO UMA GRANDE, UMA GRANDE MERDA!

– Olha, eu vou sair daqui agora... e, e... não é pra você ir me procurar. Eu não gosto de você, isso não representou nada pra mim, eu só estava querendo ferir o Pedro.... aquele cre.. –

– Não precisa mentir mais Katrina, eu senti como se entregou pra mim, nada do que sair da sua boca agora vai me fazer acreditar no contrario. –

Fechei os olhos, invocando a paciência divina, e ficando de pé pra sair dali correndo.

– Eu vou repetir pela ultima vez: ISSO, NÃO ACONTECEU! –

Não olhei pra trás pra ver se Alan realmente tinha entendido minhas palavras, porque eu sabia que ele nunca entenderia depois do que houve, e sabia também que agora não tinha mais volta. Acabei fodendo mais ainda minha vida já fodida.

Pov Pedro

Soube exatamente como fazer todo trajeto até a antiga casa de Karina, mas não sabia nadinha com que cara bateria naquela porta e contaria toda a verdade pra sua família.

Esse foi um dos juramentos que fiz a mim mesmo, se não poderia estar perto pra protege-la, iria cuidar de concertar as coisas que eu de certa forma baguncei.

“Toc, toc, toc”

Bati, rezando pra ninguém atender.

Mas a porta foi aberta, e graças a Deus, pela irmã. ( Que por sinal era muito diferente de Karina)

– VOCÊ! – a garota soltou um gritinho, levando as mãos a boca e os olhos enchendo de lagrimas. ( Ok, ela era um pouco parecida sim.)

– Meu nome é Pedro, e eu vim... dar noticias da sua irmã. –

– AI JESUS! AI JESUS! PAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI, CORRE AQUI! –

Tremi da cabeça aos pés quando ela pronunciou o “pai”, mas já sabia que teria que contar tudo aquilo na frente do mestre.

Só não esperava que fosse surgir um batalhão de TRES pessoas correndo loucas pra sala. O Gael eu já conhecia e me lembrava MUITO muito bem — inclusive do seu soco potente- mas a mulher alta de vestido longo, e o rapaz estranho junto com ela, ainda não.

Será que Karina tinha um irmão e nunca mencionou?

– O CAPIROTO! AQUI NA MINHA CASA! – me encolhi assim que ouvi o berro, logo ficando a vontade quando a moça me protegeu.

– Gael! Isso é jeito de tratar visitas? –

– Entre menino, eu sou a Dandara. E você? Por que causou esse alvoroço todo? –

Dandara me conduziu até o sofá, onde calmo, pude observar todas as fotos em família, Karina radiante em todas elas... Karina.

– Esse dai é o homem com quem a Karina fugiu. – Bianca dedurou e eu suspirei.

– Sou eu mesmo. –

– EU VOU TE MATAAAAAAAAAAAAAAAAAR! – Gael já voava no meu pescoço quando a fuga de Karina foi mencionada, imagina quando eu contasse que ela tinha assinado aquele contrato...

– CALMA GAEL! CALMA AI! NÃO FOI ISSO QUE FIZEMOS TODOS ESSES MESES? TENTAR ENCONTRAR A KARINA? A OPORTUNIDADE BATEU NA SUA PORTA E VOCÊ VAI MATAR ELA? – a mulher se estressou, e todos pareceram chocados com a sua atitude. Menos o garoto, que já tinha se sentado do meu lado e não parava com os dedos no celular.

– Ok, você ta certa. O que te trouxe aqui? – Gael pareceu se render.

– Ótimo, agora que vocês vão me deixar falar, vou começar avisando que não sou mais o namorado da Karina e que vim esclarecer tudo pra vocês, porque ela fugiu, porque comigo, e porque não pode manter contato. –

– Isso, seja direto. –

– Acho que... é melhor o senhor se sentar Gael, eu vou ser direto e isso talvez seja um pouco chocante. –

O homem assentiu, sentando de cara amarrada, e a filha o acompanhando sentando na cabeceira do sofá.

– Eu trabalhava em uma casa de programa. –

– GENTE! – Bianca deu uma risadinha e corei. Gael não mudou a expressão em nenhum momento, me incentivando a prosseguir.

– E foi lá que conheci a Karina, ela foi.. hm... reivindicar dos meus serviços. –

– Mas isso não é possível Gael! Acho que esse homem está mentindo! – Dandara reclamou e Gael cortou-a.

– Ele não tá mentindo, esse é o tipo de coisa que Karina e Fabi fariam sorrindo de felicidade. Continue. –

O menino que mexia no celular deu uma risadinha, levando uma fuzilada de olhares do mestre.

– Acontece que no meio disso tudo, a gente, a gente se apaixonou... –

– AOOOOOOOOOOOOWN, QUE ROMÂNTICO!!!! – Bianca abraçou Dandara e elas sorriram. Coitadas, mal sabiam do fim daquilo tudo.

– Mais ai o Cobra descobriu, porque na época eles ainda namoravam. Acontece que... ele me falou umas coisas que me fizeram acreditar não ser o homem certo pra Karina, eu a deixei, e voltei a trabalhar como garoto de programa. –

– Não acredito. – Gael colocou a mão na testa, balançando a cabeça em negação.

– Se eu bem conheço minha filha, deve ter ficado louca. Ela só pode ter feito besteira, o que foi que a Karina fez? – perguntou, sem tirar as mãos da testa.

Agora eu tinha atenção de todos da sala, todos curiosos pra saber o que Karina tinha feito.

– Ela foi atrás do chefe da casa de prostituição, e assinou um contrato... pra... –

– PRA??????- Dandara perguntou nervosa.

– Pra ser prostituta. –

– AI MEU DEUS! – Bianca gritou.

– Não. Minha filhinha... — Gael só sabia balançar a cabeça.

– Safadinha ein. –

– JOÃO! – Dandara deu um tapa no garoto, e agora percebi que ele devia ser o filho dela.

– Mas ela não fez nada do que vocês estão pensando, eu não deixei. Fugimos com Karina porque ninguém tinha dinheiro suficiente pra quebra de contrato, o cara que anda atrás dela pra cumprir com o que ta assinado, é simplesmente o maior traficante e chefe das melhores casas de programa do Brasil. –

– Você disse, “fugimos” ? –

– Ai meu Deus, um ménage. –

Olhei bem pra cara daquele João, ele estava precisando de uns bons tapas meus.

– Já disse pra CALAR A BOCA JOÃO! –

– Me referi a um.. um... –

Do que poderia chamar Alan agora? Porque com certeza, amigo ele não era mais.

– Um conhecido, que cedeu a mansão pra esconder a Karina. –

– Quanto custa esse contrato? EU POSSO VENDER TUDO! PODEMOS MORAR EM BAIXO DA PONTE SE FOR PRECISO! –

– Ainda sim não seria suficiente Gael, são 500.000 –

Bianca já começava a soluçar quando falei a simples e pura verdade.

– Mas Karina ta fazendo alguma coisa pra concertar isso?? –

– Ela e Alan , o dono da casa onde ela ta, estão construindo um avião de guerra que pode pagar isso, Gael já deve ter ouvido falar nesse protótipo dela... –

– Já, já sim. Pedro, precisamos ajudar de alguma forma... pelo amor de Deus, diz pra gente como. Eu nunca sofri tanto na vida. –

Escutando os pedidos desesperados de um pai, escondi o pior, que era Heideguer ter descoberto a localização de Karina. E nem teria mesmo jeito se ela viesse pra cá, ele saberia.

– Ela vai ficar bem la, construindo o avião, e prometo que vai dar tudo certo. –

Gael assentiu, levantando-se pra me cumprimentar.

– Gente, eu nunca pensei que essa família fosse tão complicada. Como assim uma das filhas do Gael é puta e eu nem sabia mãe? Melhor que Assassin’s Creed .–

– O QUE VOCÊ DISSE?? – ele tinha chamado Karina de puta na minha frente?????

– Que foi ow ex gogoboy, se manca, você vem aqui contar historia de fanfic, todo mundo cai na sua conversa mas eu não. –

– Eu. Vou. Te. Matar. –

Dois segundos foi o que bastou para já estar agarrado no pescoço de Joao, o enforcando enquanto mãos me puxavam.

– SOLTAAAAAAAAAAA ELE!!! –

– Isso Bianquinha, me protege. – João conseguiu dizer todo roxo, não devia estar apertando aquele grilo o suficiente.

– Pode matar. – Bianca respondeu.

– QUER LEVAR OUTRO MURRO NA FUçA PEDRO? VOCÊ TA NA MINHA CASA! –

Voltando em mim, sai de cima do magrelo, em direção a porta. Já havia cumprido minha missão ali.

– Quero agradecer por ter vindo aqui, aliviar mais meu coração de pai e contar que Karina ta bem, eu estava prestes a enlouquecer. –

Assenti pro homem que realmente parecia cansado e triste.

– Mas também quero dizer. Some da vida da Karina. Não sei ela, mas eu, nunca vou te perdoar pelo caminho que fez minha filha tomar. –

Aquelas palavras cortaram mais que qualquer navalha, mesmo assim eu merecia ouvir aquilo.

– Já sumi. – falei, abrindo a porta pra sair.

– Mas antes... Gael. Acho que tem uma coisa sim que poderiam fazer pela Karina. –

– O QUE? –

– Pelo menos pra vê-la feliz, alguém que neste momento provavelmente é a única que pode ajuda-la a continuar tendo vontade de construir o avião. -

– Quem? –

– Aonde fica a casa dessa Fabi mesmo? – perguntei.

Pov Karina

– Eu sou uma burra, eu sou uma burra, acabou pra mim, eu vou me matar. – entrei transtornada no quarto, falando sozinha, e destampei com Beth, varrendo o chão que antes era coberto pelo piano.

– Ta falando o que ai menina? –

– Não interessa. –

Me joguei na cama, sem importar com o que ela fosse achar me vendo só de roupas de baixo. Estava planejando que arma usaria na minha tão esperada morte.

Pera.

– Como você conseguiu tirar esse piano dai? – finalmente, algo que me deixou chocada depois de tantos acontecimentos no dia.

– Eu arrumo essa mansão inteira sozinha, podo as arvores do jardim, apronto a comida, e ainda tenho tempo de espiar atrás de portas. Por que duvida que tirei o piano daqui sozinha? –

Sorri pra aquela mulher, que agora havia subido um pouco de nível pra mim.

Beth continuou a varrer calada. E varreu, varreu por minutos a fio. Sem perguntar nada sobre minha roupa, ou porque comecei a chorar loucamente, deixando as lagrimas me afogarem enquanto a olhava varrendo.

– EU QUERO MORREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEER! EU ME ODEIOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO! -

Mais uma hora de gritaria, choro, debatidas em cima da cama e não aguentei.

– Por que não fala nada? –

– Você só me da patada. -

Beth deu de ombros, começando a assobiar.

– NÃO TA VENDO QUE EU PRECISO DE AJUDA? QUE EU PRECISO CONVERSAR COM ALGUÉM ANTES QUE FIQUE LOUCA? –

– E por que eu te ajudaria? Você me odeia. –

Suspirei cansada, parando de chorar, e quando já estava sem esperanças Beth sentou-se do meu lado.

– Ainda sim não gosto de te ver chorando. –

– Por que ele me traiu Beth? Por que fez isso comigo? Depois de tudo o que passamos... –

– Mas você também não traiu ele? –

– Não... é diferente, ele me traiu antes, eu não disse que não o amava, eu o amo. MAS NÃO QUERO AMAR! –

– Pra mim é tudo a mesma coisa. –

– VOCÊ NÃO TA AJUDANDO! –

– Quer uma ajuda sincera? –

Balancei a cabeça, quase adormecendo de cansaço. De mente, e corpo.

– Acho sinceramente que o Pedro é um idiota, mas Karina, você barra toda a idiotice dele. –

– Vai em frente, desconte tudo o que te fiz passar nessa casa. – fui dramática, jogando minha cabeça no travesseiro, e ela riu.

– Achou mesmo que o Pedro te traiu de verdade e que deixou de te amar? –

– Vi com meus próprios olhos, e ele disse com a própria boca. –

– Ok, então me conte exatamente o que ele fez no dia de hoje pra “deixar de te amar tão rápido” –

Aonde Beth queria chegar?

– Bem... a gente tomou café já tarde, depois fomos pro quarto dele e começamos a discutir sobre minha mudança de quarto, dai eu falei que ia tomar um banho e ele falou que iria... conversar com o Alan. –

Beth arqueou as sobrancelhas sugestivamente, e tudo clareou-se na minha cabeça.

– NÃO! –

– Sim. –

– NÃO BETH! NADA DO QUE O ALAN DISSESSE PODERIA... –

– Ele poderia contar do beijo. –

Engoli em seco.

– Você sabe do beijo? ENTÃO SABE QUE EU TAMBÉM NÃO QUIS DAR AQUELE BEIJO! –

– Mas e o Pedro? Sabe? –

Não... o Pedro... não...

– EU VOU MATAR O ALAN, E AGORA! –

Sai furiosa sem ligar pros gritos de Beth atrás de mim, e fui direto para o quarto daquele demônio, abrindo a porta de vez. Mas o que encontrei ali não foi ele... foi algo muito, muito assustador.

O quarto estava encoberto de remédios.

– O que é isso? –

– Remédios de controle. –

Coloquei a mão na boca em completo choque. Pedro nunca tinha me contado...

– ELE é LOUCO? ELE é LOUCO E NINGUÉM ME CONTOU???! –

– Ele não é louco Karina... –

– SIM, ELE é! BETH, BETH VOCÊ TEM AS CHAVES DESSA CASA? –

– Tenho menina, se acalma... pra que você quer saber? –

– Vai até a sala de protótipo, pegue TODAS, TODAS as folhas, os cálculos, as pecinhas que achar, leve até o meu quarto e me tranque lá dentro, entra pra conversar comigo... me dar comida e essas coisas do tipo. Eu não quero esse doido perto de mim, NÃO QUERO! AINDA MAIS AGORA... MEU DEUS, NÃO PODE SER! –

Beth me segurou pelo braço, arrastando-me de volta até o quarto, tinha ficado tao transtornada com aquela informação que não conseguia me mover.

– Karina... Karina... vai ficar tudo bem. – ela dizia, mas eu já sentia o jorro de tristeza se aproximar.

Só lembro de ter chorado, chorado muito, igual criança chora, sem preocupação de ser vista, de ser ouvida, ou de ser interpretada mal. Apenas chorei me libertando da angustia.

– Por que não liga pro Pedro? –

– Por-por-porque ee-u aposto que ele nem quer ouvir minha vo-z-z-z mais. – falei cortado, ainda soluçando.

– Aposto que ele adoraria. –

– Alan deve ter dito coisas horríveis Beth. – o choro alto só parou no tempo de dizer isso, e logo voltei a desabar.

– E isso importa? Pedro ainda te ama, eu tenho certeza. –

– Mas eu não vou ligar. –

– Para de ser orgulhosa, não viu que foi isso que destruiu vocês? –

Fiquei sentada, determinada a parar de chorar, e enxuguei a ultima lagrima que caiu.

– Vou passar mensagem. –

Pov Alan

– Pai? –

Não conseguia parar de sorrir nem ligando pra aquele canalha.

– Olhe só, olhe só, quem resolveu dar o ar das graças! Meu filho traidor! E veja como em uma só palavra já descobri o quanto ele anda feliz. – meu pai disse acido, e pude perceber que aquela negociação não seria fácil.

Mas agora eu faria tudo por Karina... qualquer coisa que ela me pedisse, eu faria. Porque agora meu amor era reciproco, ela havia se entregado finalmente.

– Você sabe muito bem porque estou ligando. Liberte a Karina do contrato. –

– KKKKKKKKKK! Deixe-me rir um pouco, o que você disse mesmo? –

EU SOU O SEU FILHO! TENHO DIREITOS NA SUA HERANçA, E SE NÃO QUISER FAZER ISSO PAI, EU RECLAMO NA JUSTIçA ESSES 500.000, NO MINIMO! –

– Escute bem, filho ingrato, você sabe que nunca ganharia nada na Justiça de mim, e que só está me irritando mais. –

– Então me faça parar de ameaças, e rasgue esse contrato. –

– Já passei por isso Alan... também amei um dia, e só me trouxe prejuízos. Entregue logo a Karina e me prove que ainda é aquele filho que tinha esperanças de deixar coordenando meu império. –

– Nunca. –

– Que comece a guerra, filho. –

E o telefone foi desligado.

Não consegui ludibriar meu pai, mas afinal, ninguém poderia conseguir tudo em um dia só. E eu já estava muito feliz com o que havia conseguido.

Pov Pedro

– Minha caminha, finalmente. –

Deitei esparramado no meu colchão, depois de muito tempo longe dele, depois de um dia cansativo e louco. Tantas coisas juntas, tantos pensamentos, tantas lembranças naquele quarto.

O celular apitou retirando-me dos devaneios, não faria questão de olha-lo, já era a milésima vez que ele apitava com mensagens de Priscila, eu as respondia por educação, e é claro que mentiria sobre o nosso próximo encontro que agora nem tem mais motivos pra acontecer.

Não tinha mais vontade de nada na vida, somente: ficar deitado.

Meio que sem nada pra fazer, olhei a tela do celular e o que recebi foi um grande choque. Era o numero de Karina.

Karina: Boa noite?

Karina não tinha acreditado em mim. ELA NÃO TINHA ACREDITADO EM MIM!

– YES! – comecei a pular pelo quarto, gargalhando sem parar. Não tinha ninguém aqui mesmo, eu poderia glorificar de pé SIM!

Pedro: Boa noite.

Mas aquilo era tão errado... sai dali exatamente pra me afastar dela. Só que eu não estava perto, mas também não estava longe. MALDITA CONSCIÊNCIA! Sera que não poderia me dar a felicidade de conversar com ela um pouquinho que fosse?

Karina: O que tá fazendo?

Pedro: Deitado.

Um segundo, uma nova mensagem:

Karina: Deitado com quem?

Dei um risinho de lado, concertando o cabelo, e esperei um pouquinho pra responder. Não queria parecer tão afobado como se não estivesse fazendo mais nada a não ser surtar pelas suas mensagens.

Pedro: Sozinho.

Karina: Pedro, aqui é a Beth. GOSTARIA DE DIZER PELA KARINA: será que vocês podem teclar sem compromisso?

Beth sabia exatamente o que dizer, e eu apostava que tinha roubado o celular de Karina pra digitar aquilo.

Pedro: Acho que podemos sim.

A pergunta agora era, será que eu conseguiria cumprir minha missão com toda essa tentação?

Mas não valia a pena grilar com isso agora. Pressentia que coisas boas estavam por vir, então aquela noite, deitei, e virei a madrugada conversando besteiras com ela, a garota que mais cedo fiz gritar milhares e milhares de vezes “ eu te odeio”.

Se alguém me falasse que Karina poderia mudar seu jeito, sua concepção possessiva, depois de uma traição na cara da minha parte, eu duvidaria muito. Só que ali estava ela conversando comigo, sem fazer as perguntas que eu não saberia responder por agora: “ Quando você vai voltar?” “Por que não me ama mais?”, “ Por que me traiu?”

“Quando você vai voltar?”

Karina: Eu sei que vai voltar, sei que ainda me ama, e sei que algo muito esquisito aconteceu pra me trair. E acho que ta na hora da gente ir dormir também, amanha começo cedo a construir o avião, e a salvar minha vida, sozinha.

Notas finais
Genteeeeeeeeeeeee, desculpem qualquer erro mas to postando sem ter lido e corrigido NADA, pq tem umas marias boqueteiras la no twitter arrancando meu couro com a demora já. é ISSOOOOOOOOOO, TO SEM TESAO PRA ESCREVER NOTA FINAL PQ FIQUEI COM O CU PREGADO NA CAMA O DIA INTEIRO ESCREVENDO, VOU ALI ESTICAR AS PERNAS. MUITAAAAAAAAAS FERIAS PRA VCS, MUITA COMIDA, SARRADA PERINA, TIRO SANTOVITTI, E HOMENS ESTILO PRINCIPE DA PERSIA! FIQUEM COM JAH! Gilvana vc vai no Projac?