Why Cliché?

18 Capitulo XVII


Notas iniciais
YEEEEEEEEEEEEEEEY, the season finale!! Cara, não acredito que essa é a última vez que eu posto em Why Cliché?, vocês tem noção que eu demorei 1 ANO pra escrever essa budega, e em três meses, acabou -.- enfim, sei que vocês devem estar LOUCAS pra ler, e eu não vou ficar aqui gastando o tempo de vocês. Leiam, chorem, gritem, sorriam e nós nos vemos na nota final do epílogo. Beijinhos.

Uma cabeleira loira estava espalhada pela minha barriga, e o rosto de Carrie, antes tão alegre e sorridente, agora estava branco como uma folha. Seus olhos verdes estavam abertos, porém vazios, e da sua boca saiam sons estranhos, como se ela agonizasse. Desci os olhos pro seu busto e logo uma mancha enorme em seu vestido branco me chamou atenção. Era vermelha, e em seu meio havia um pequeno furo, mas da onde saia muito sangue.

– Não! – Gritei, quando enfim percebi o que havia acontecido. – Não, Carrie, por favor, não, não, não! – Eu berrava, tentando, em vão, reanimá-la. Seus olhos ficavam cada vez mais fora de foco, e sua boca mais azul. Parecendo juntar forças de todo o seu corpo, Car fez impulso pra falar.

– Corre. – Ela sussurrou, a voz quase nula. Eu balancei a cabeça.

– Não! – Rebati. – Por que você fez isso, Carrie? Por quê? Eu não merecia isso, não merecia! – Eu lamentava, e aos poucos a loira ia perdendo a vida. Ainda me negava a acreditar em tudo aquilo. Car não podia ter se sacrificado por mim.

– Sara, vamos! – Lisa me chamou, e eu levantei a cabeça pela primeira vez. Percebi que Peter e Basso se agrediam, e todos os capangas se concentravam naquele canto da sala, tentando apartar a briga. Portanto, a porta estava vazia.

Involuntariamente, me levantei, endireitando Carrie da melhor maneira possível antes de correr em direção a Lis. Numa fração de segundos, ela me empurrou pra fora da sala, saindo logo em seguida. Quando me virei, vi que ela trancava a porta.

– Lisa, o que você está fazendo? – Perguntei, indignada, enquanto secava os olhos com as mãos. – Peter está aí dentro!

– Sim, e Basso e os seus capangas também. – Ela respondeu. – Isso vai impedir que eles venham atrás de nós, pelo menos por um tempo.

– Lis, a Carrie... – Eu comecei, enquanto a ruiva segurava meu braço e me obrigava a andar.

– Está morta. – Completou, me encarando com seus olhos avelãs. – Sim, eu sei. E eu sinto muito. Mas era você ou ela.

– Eu, mil vezes eu! – Exclamei, irritada. – Ela não merecia isso, ela nem ao menos conhecia Basso duas horas atrás, é tudo culpa minha, eu a arrastei pra isso...

– Chega, Sara! – Lisa interrompeu, com um berro. Assustada, me calei.- Para com toda essa culpa desnecessária. Foque agora em arranjar um jeito de nós escaparmos daqui. Se conseguirmos terminar essa noite vivas, teremos o resto da vida pra nos culparmos.- Concordei com a cabeça, ainda quieta. Andamos mais um pouco em silêncio, as respirações ofegantes, quando me lembrei de uma coisa.

– Espera, como você sabe de Basso? E como veio parar aqui? – Questionei, me recordando que em momento algum eu falara sobre a dívida pra Lisa.

– Peter me contou. – Ela disse, sem olhar pra mim. – Depois que conseguiu fugir do mafioso lá, e passar na sua casa, ele foi pra nossa. Eu estava na sala, pintando as unhas quando ele chegou. Estava desesperado, chorava e gritava coisas sem sentido. Quando enfim consegui acalmá-lo, lhe obriguei a contar o que estava acontecendo. Ele me contou, e estava decidido a vir até o baile, sozinho. Eu queria vir junto, mas Peter não permitia. Só desistiu quando eu falei que se não viesse junto, ligaria pra polícia. – A ruiva olhava as salas por onde passávamos, tentando ligar aqueles corredores escuros à escola por onde andávamos todos os dias. Eu estava pronta pra retrucar dizendo que Peter estava certo e que ela deveria ter ficado em casa, quando algo me chamou a atenção.

– Lisa. – Chamei, sussurrando. Ela me olhou. – O que é aquilo? – Discretamente, apontei com a cabeça pra silhueta que estava parada no fim do corredor que havíamos acabado de entrar.

– Merda! – Resmungou, a voz tão baixa quanto a minha. – Isso aqui tá parecendo um filme de terror. – E assim ela me puxou pelo cotovelo, dando meia volta. Estávamos prestes a sair do corredor quando passos atrás de nós nos fizeram parar.

– Ei, esperem! – Alguém gritou, e eu e Lisa imediatamente reconhecemos a voz.

– Nicholas! – Lis exclamou, soltando meu braço e correndo de encontro ao garoto. Eu fui atrás, mas não tão desesperada. – Ai meu Deus, eu não acredito que você está aqui! – Sorriu, o abraçando apertado. Eu fiquei mais pra trás, sem graça e me perguntando em qual momento os dois ficaram tão próximos.

– Eu recebi sua mensagem e vim o mais rápido possível – Nick começou, até me perceber ali. Ele me olhou com aqueles olhos verdes e um arrepio percorreu o meu corpo. Algo estava errado. – O que aconteceu?

– Resumidamente, tem um agiota nesse prédio que matou a Carrie e quer fazer o mesmo com a gente. – Expliquei, tentando ignorar a sensação estranha que tive há pouco. – E agora nós precisamos sair daqui e pedir ajuda. Pode nos ajudar?

– Claro. Vamos. – Ele concordou, puxando Lisa pra que ela o seguisse. Novamente, eu fui atrás.

Conforme andávamos, percebi que aquele não era o caminho que eu havia feito enquanto seguia Carrie e o homem que a levava. Confusa, andei mais rápido até estar ao lado de Nicholas.

– Nick. – Chamei-o, prestes a perguntar pra onde ele estava nos levando. Porém, quando seus olhos esmeraldas se viraram pra mim novamente, eu congelei. Já havia visto aqueles mesmos olhos antes, sempre me encarando de forma ameaçadora. De repente, um clique se fez na minha mente. O menino de olhos verdes que esbarrei bêbada na festa da Laila, Lisa ter descoberto sobre mim e Peter justamente quando estava de “rolinho” com Nick. Em menos de um segundo, eu entendi tudo.

– Sim? – Ele perguntou um tempo depois, provavelmente cansado de esperar que eu falasse por vontade própria.

– Você... – Eu comecei, mas não sabia o que dizer. Por fim, passei as mãos em meus cabelos, me afastando dele. – Foi você o tempo todo, não é? O espião particular de Basso.

– Sara, de que diabos você está falando? – Lisa questionou, me olhando como se eu fosse um alien. Nicholas apenas me observava, quieto.

– Meu Deus, como eu fui burra! Como eu não percebi a semelhança entre vocês dois? Como não juntei as coisas? – Fiz uma pausa, tomando fôlego pra poder dar voz aos pensamentos que estavam a mil na minha cabeça. – Você já nos conhecia muito antes de Lisa nos apresentar. Foi você que eu esbarrei na casa de Laila, não foi? – Olhei em seus olhos, esperando que ele respondesse. Mas não o fez. A cada minuto, sua expressão facial ia mudando de simpática pra assustadora. – Todo esse tempo, você nos vigiava de longe. Usava Lis como sua informante, provavelmente. Aliás, foi você que contou pra Lisa sobre eu e Peter, não foi? Queria que eu ficasse sozinha, porque assim, seria uma presa mais fácil. – Ri sem humor, me socando mentalmente por ter sido tão idiota ao ponto de não perceber o que estava estampado na minha cara. Enquanto eu mesma me repreendia, Nicholas deu uma gargalhada de repente, batendo palmas.

– Olha, tenho que confessar que estou surpreso. – Ele começou, a voz completamente diferente da agradável que ele costumava usar. – Eu realmente subestimei você, Sara George. Achei que era tão burra que nunca perceberia. Também, uma menina tão fútil quanto você, não enxergava nada além do seu próprio mundinho. Patética.

– Nick, o que...

– Cale a boca, Lisa! – O garoto a interrompeu, com um grito. – Já estou farto de você. Realmente achou que eu pudesse me interessar por uma garotinha mimada como você? Eu realmente não sei quem é pior, você ou a sua amiguinha. – Olhou de Lis pra mim, com desdém.

– Mas eu descobri, Nicholas. Eu desvendei o mistério. E agora? – Arqueei as sobrancelhas, com as mãos na cintura. – O que você vai fazer?

– Ora, o que eu vou fazer? – Repetiu minha pergunta, irônico, enquanto mexia no bolso do casaco. Em seguida, um revólver estava apontando em minha direção. – Eu vou matar você, e depois vou matar a ruivinha insuportável.

– Mas antes, me responda – Comecei, dando um passo discreto pra trás. Ele deu um passo pra frente. – O que você é de Basso?

– Sou filho dele, com muito orgulho! – Exclamou, os olhos transbordando em loucura. Lisa tinha sumido, então resolvi continuar a enrolá-lo.

– Filho? Nossa, Nick, antes eu te odiava sabe, mas agora eu sinto pena. Deve ser horrível ter um pai como Basso.

– Não fale do meu pai! – Gritou furioso, se aproximando mais de mim. – Você não o conhece, você não o entende.

– E nem pretendo. – Levantei as mãos, como se agradecesse. – Nunca em minha vida, gostaria de conviver com um homem como seu pai.

– Quer saber? – Ele mexeu na arma, a carregando. – Não vou ficar aqui batendo papo furado com você. Vou fazer o que meu pai me encarregou de fazer, e então vou embora desse lugar, pra sempre.

– Eu acho que não. – Ouvi a voz de Lisa atrás de Nicholas, e instantes depois, ele estava caído no chão, inconsciente. Olhei pra minha melhor amiga, que arfava e tinha um extintor de incêndio nas mãos.

– Aonde você arrumou isso? – Perguntei, apontando pro extintor. Ela deu de ombros.

– Achei preso na parede, perto dos armários. – Respondeu simplesmente. Porém, quando olhou pro corpo de Nicholas caído no chão, ela pareceu se dar conta do que tinha feito. – Meu Deus! Meu Deus! Eu o matei, não matei?

– Não. – Eu disse, enquanto colocava dois dedos no pescoço de Nick e media sua pressão. Estava fraca, mas estava ali. – Ele está apenas desacordado. Venha, me ajude a carregá-lo pra uma sala.

– O que? Por quê? – Perguntou confusa, mas já segurando as duas pernas do garoto enquanto eu puxava os braços.

– Porque quando ele acordar, com certeza vai tentar vir atrás da gente. Precisamos impedir isso. – Expliquei enquanto entrávamos em uma das salas do longo corredor. Havíamos acabado de jogar o corpo em um dos cantos da classe, quando o barulho de passos se fez ouvir no corredor. Assustadas, eu e Lisa corremos pra debaixo da mesa do professor, a mão em frente a boca pra abafarmos o som de nossa respiração. Aos poucos, o barulho foi se distanciando, até sumir completamente.

– Sara – Minha melhor amiga sussurrou, olhando pra mim. – O que nós vamos fazer agora?

– Primeiro, nós temos que sair daqui. – Sussurrei de volta, vasculhando algum plano em minha mente. – Vamos fazer o seguinte: Eu vou buscar o Peter – Ela arregalou os olhos, pronta pra me interromper, mas fiz sinal pra que parasse. – E você vai procurar ajuda. Lisa, me escute bem. Um errinho, e vai tudo por algo abaixo.

– Tudo bem, pode falar. – Assentiu séria.

– Antes da discussão, Nicholas estava nos levando pra algum lugar, certo? Provavelmente, perto daqui, tem uma dúzia de homens esperando por nós. – Comecei, encarando seu rosto enquanto tentava pensar. – Por isso temos de tomar cuidado. Sua missão é chegar ao ginásio e tirar todo mundo desse prédio.

– Mas como eu vou fazer isso? – Ela perguntou, ainda sussurrando.

– Não pode ir pelo caminho mais óbvio, é lógico que quando perceberem a nossa demora, eles vão direto pra lá. Você tem que ir até o corredor da enfermaria. Na parede esquerda, tem um alarme de incêndio. Você vai acioná-lo e vai ter alguns minutos até os capangas perceberem aonde você está. No final do corredor, tem uma portinha que dá pra sala aonde são guardadas as coisas de Educação Física. Essa sala tem uma ligação direta com o ginásio, então é por ali que você vai passar. Quando chegar ao ginásio, provavelmente já haverá uma correria pra sair do local por causa do falso incêndio. Siga essas pessoas e quando estiver lá fora, me escute bem, apenas quando já estiver lá fora, você liga pra polícia. – Encarei-a, pra ter certeza que ela tinha entendido. Depois de um tempo, ela suspirou e assentiu. Preparei-me pra levantar. – Agora vamos, temos que ser rápidas.

Saímos de baixo da mesa e caminhamos pra porta. Porém quando passei ao lado do corpo desacordado de Nicholas, me lembrei de algo e parei.

– Lisa, espere. – Chamei, abaixando e começando a vasculhar a roupa de Nick. A ruiva me encarou confusa, e antes que fizesse uma pergunta, mostrei o revólver que tinha acabado de achar. – Leve isso. – Mandei, colocando a arma em sua mão. Ela prendeu a respiração.

– Mas e você? – Questionou. – Vai encarar Basso sem nada?

– Pense direito, Lis. Eu estou voltando pra onde Basso está. Você está indo na direção do ginásio pedir ajuda. Quem você acha que eles vão tentar impedir? – Retruquei e ela enfim pareceu entender. – Aliás, eu sei me cuidar sozinha.

– Sara? – Foi a vez dela me chamar, baixinho. Levantei os olhos pra encará-la. – Sinto muito por ter ficado brigada com você todo esse tempo, quando você mais precisava de mim.

– Sinto muito não ter contado sobre eu e Peter pra você. – Respondi, sorrindo fraco. Já ameaçando chorar, Lisa me puxou pra um abraço apertado.

– Caso a gente não se veja de novo, saiba que nunca, em nenhum minuto dessa semana, eu odiei você. – Disse com a voz embargada. Eu respirei fundo, me obrigando a não chorar. Aquela podia ser a última vez que eu veria a minha melhor amiga.

– Eu te amo, Lisa Stevens. Você é a melhor amiga que já existiu na face da Terra. – Respondi, sorrindo. Ela desfez o abraço e sorriu pra mim também.

– Saia viva deste prédio – Ordenou, olhando no fundo dos meus olhos – Pra podermos rir de tudo isso depois. – Eu assenti, rindo. Abraçamos-nos uma última vez e saímos da sala, indo cada uma pra uma direção. Sem olhar pra trás, comecei a caminhar em direção a sala da onde tinha fugido.

Passei por salas, atravessei corredores, não percebi pra onde estava indo. Minha cabeça estava longe, pensando em Peter. Rezava mentalmente pra que ele estivesse vivo, enquanto tentava arquitetar um plano pra sair desse prédio viva, como Lisa pedira.

Na verdade, não me importava em morrer. Não se conseguisse salvar Peter primeiro. Morrer não era nada demais, era rápido e indolor, pelo menos pra mim. As pessoas que me amam, sofreriam, mas uma hora passaria. Seguiriam em frente com suas vidas e eu permaneceria apenas em suas memórias. Quando elas morressem, eu simplesmente pararia de existir, pra sempre. Não era algo tão ruim assim, afinal, todos nós nascemos tendo a certeza de que um dia iremos morrer. Mas Lisa havia me feito prometer que tentaria. E eu não podia quebrar essa promessa, até porque ela poderia ser a minha última.

Interrompi minha reflexão quando, ao chegar perto do fim de um corredor, enfim ouvi passos atrás de mim. Não precisava me virar pra ver quem era. Não precisava tentar correr pra saber que não sobreviveria dessa vez. Então, continuei de costas, me obrigando a permanecer calma. Morrer não é nada demais, morrer não é nada demais. Eu repetia essa frase mentalmente, tentando me convencer disso.

– Sabe, eu estou tentando decifrar se você é corajosa, ou tola, por arriscar sua vida pra salvar seu namoradinho. – Ouvi a voz de Basso atrás de mim. Ela ecoava por todo o corredor, alta e majestosa. Lentamente, me virei, encarando-o.

– É uma forma digna de morrer, não é? Tentando salvar alguém que eu amo. – Respondi, procurando manter meu tom firme. Basso deu uma risada fraca.

– Não existe forma digna de morrer, docinho. Digo por experiência própria, afinal, já presenciei a morte de muitas pessoas. Tentando fugir ou tentando salvar alguém, a morte chega pra todos do mesmo jeito. No final, são todos miseráveis implorando por misericórdia, enquanto a vida escapa de seus corpos. – Ele disse calmamente, enquanto se aproximava mais de mim. Me obrigando a não parecer fraca, ergui a cabeça, olhando em seus olhos.

– Você é nojento, Basso. Desumano, cruel. Você é motivo de pena. – Ataquei, numa forma infantil de tentar atingi-lo. Obviamente, não surtiu efeito, e o mafioso continuou me encarando com uma expressão divertida.

– Isso, meu bem, coloque a raiva pra fora. Imagino o que você irá fazer quando descobrir seu namorado, o grande amor da sua vida, está morto...- O chão sumiu debaixo dos meus pés. Um arrepio subiu por minha espinha, fazendo os pelos da minha nuca se arrepiarem. Acabou. Peter estava morto.

Sem ter mais o controle sobre meu corpo, dei um grito longo e sofrido. Meu berro parecia balançar o corredor, ou até a escola inteira. Fora de mim, fui pra cima de Basso. Um véu vermelho caiu sobre meus olhos, e eu queria matá-lo. Queria apertar seu pescoço até que sua cabeça se deslocasse de seu corpo. Queria vê-lo implorar por misericórdia, como ele mesmo havia dito. Eu o socava, estapeava. Estava morrendo de ódio. Primeiramente, Basso ficou parado, parecendo achar graça de meu surto, mas depois, perdeu a paciência. Segurando meus dois pulsos, me jogou encima dos armários, me prendendo pelo pescoço.

– Sim, Sara. Ele está morto. Coitado, sofreu tanto antes de enfim abandonar esse mundo – O mafioso sussurrava perto de meu ouvido, enquanto eu tentava, em vão, me soltar. – E não importa o quanto você fuja, você irá pelo mesmo caminho.

– Então me mate, Basso! – Gritei, exausta com tudo aquilo. – Acabe com isso de uma vez. Agora sou eu quem está pedindo. Me mate, pelo amor de Deus. – Ele não respondeu. Concordando, puxou a arma de seu paletó.

– Eu não devia ter pena de você. – Começou, encostando a arma em minha cabeça. – Você foi uma menina má. Mas sabe, docinho, eu sempre gostei de você. Em outra ocasião, teria adorado conhecê-la — Falava, enquanto passava a mão pelo meu rosto. Quando seus dedos acariciaram meus lábios, eu fechei os olhos, com repulsa. A última coisa que eu precisava agora era ser estuprada. – Então, prometo que vai ser rápido. – Ele apertou mais ainda a arma contra a minha cabeça, e segundos antes dele apertar o gatilho, um alarme soou. Então Lisa conseguiu, pensei, sorrindo fraco. – Mas que porra... – Basso resmungou, se distraindo com o barulho. Percebendo que aquela era minha única chance, apertei o pulso que segurava a arma e o virei. O revólver voou longe, e assim que o mafioso se virou pra mim, furioso, dei um chute no meio de suas pernas. Ele se ajoelhou, gritando de dor.

Aproveitando que não estava mais presa entre ele e o armário, corri até a arma. Porém Basso foi mais rápido e segurou minha canela, me impedindo de andar. Irritada, dei uma impulso pra trás com minha bota, e meu salto acertou em cheio seu nariz. Soltando-me, ele gritou de dor, mais uma vez.

Enfim me aproximando da arma, a apanhei num segundo. Quando me virei, feliz por minha conquista, percebi que o babaca tentava fugir. Num impulso, mirei a arma e atirei, acertando seu pé direito. Ele caiu, dando um gemido alto.

– Isso foi por ter tentado me matar. – Falei, caminhando devagar até o local onde o homem estava. Basso levantou a perna esquerda, ainda tentando se levantar. Atirei novamente, agora no outro pé. – Isso foi por ter matado Carrie e Peter. – Ele estava de joelhos, a cabeça caída. Porém, quando me aproximei, a ergueu, encarando-me com seus olhos esmeraldas. Encostei o revólver no meio da sua testa. – E isso, foi por ter feito dessa semana um pesadelo pra todos nós.

– Você é uma garota esperta, Sara. Percebo que a subestimei. – Basso sussurrou, a voz rouca. – Peter era um cara de sorte.

– É, ele era. Mas você o matou. – Respondi, amarga. – E agora, você vai pelo mesmo caminho.

– Você vai pro inferno, garota. – Riu fraco, balançando a cabeça.

– Então nós nos vemos lá, Basso. – E lançando-lhe um último olhar, eu apertei o gatilho.

O som do tiro ecoou pelo corredor, e o mafioso caiu morto aos meus pés. Sem nem um pingo de remorso, soltei a arma e caminhei, de cabeça erguida, em direção à sala aonde havia visto Peter pela última vez. Precisava me despedir dele, mesmo que ele não estivesse mais aqui.

A sala cheirava a morte. Prendendo a respiração, andei por entre as carteiras. Passei por Carrie, que jazia no chão, encima de uma poça de sangue seco. Fechando os olhos, imaginei o rosto vívido de Car enquanto me convencia a vir ao baile, e sussurrei um adeus.

A alguns metros de mim, um gemido fraco se fez ouvir. Abri os olhos, procurando a origem daquele barulho. No fundo da sala, um corpo masculino estava esticado no chão, e eu reconheci Stevens imediatamente.

– Peter? Ai meu Deus, Peter! – Exclamei, correndo de encontro ao menino.

– Sara? – Ele chamou, sua voz quase nula. Ajoelhei perto dele e coloquei sua cabeça em meu colo. Seu rosto estava todo deformado, e eu segurei a vontade de chorar. – Sara, o Basso, ele...

– Shiu! – Pedi, colocando um dedo delicadamente na frente de seus lábios machucados. – Acabou, Peter. Basso está morto.

– Você...

– Sim. – Interrompi, percebendo todo o esforço que ele estava fazendo pra falar comigo. – Agora fique em silêncio. Lisa foi chamar ajuda. – Stevens me obedeceu, e com alguns gemidos, fechou os olhos roxos e inchados. Observei um pouco seu rosto todo ensanguentado, enquanto fazia um carinho em seus cabelos. Exausta, encostei a cabeça na parede e me permiti fechar meus próprios olhos. Ao longe, escutei o barulho das ambulâncias...