Why Cliché?
14 Capitulo XIII
Notas iniciais
– Então, o que vocês têm a me dizer sobre a cena que eu acabei de presenciar? – Perguntou Lisa, dando um sorriso amarelo.
– Lis, eu ia te contar tudo. – Adiantei-me.
– Ah é, Sara? Quando? – Se virou pra mim. – Quando marcassem a data do casamento? Porque pelo o que eu vi, vocês não estavam nem um pouco preocupados em me contar nada.
– Não contamos nada até agora porque não queríamos te magoar. – Peter falou, se arrependendo logo depois por causa do olhar furioso que ela o lançou.
– E o que eu pareço estar agora, Peter? Como pareço estar após ter visto a minha melhor amiga e o meu irmão se pegando de baixo de uma árvore? Pode apostar, eu não estou nada feliz.
– O fato de eu ser sua melhor amiga não quer dizer que eu não possa me apaixonar pelo seu irmão, Lisa. – Respondi em seu tom, mas as palavras saíram muito mais duras do que eu esperava. Porém, ela já tinha escutado. E fazendo uma careta como se tivesse levado um soco, recuou.
– Eu não tenho nenhum problema com vocês se apaixonarem! Se apaixonem, se beijem, se comam, eu não ligo, Sara. – Deu de ombros. – A única coisa que eu queria, é que vocês tivessem um pouquinho de consideração comigo. Há quanto tempo estão juntos? Semanas? E quando eu fui saber? Agora! Até Carrie, a Carrie, que você conheceu há alguns dias sabia e eu não. Sabe como eu me senti, após descobrir sobre esse segredinho de vocês? Um lixo, uma péssima irmã e melhor amiga, alguém que não é digna de confiança.
– Para, para com isso!- Gritei — Eu nunca achei isso de você, você sabe que é a pessoa que eu mais confio no mundo.
– Então por quê? – Ela gritou de volta. – Por que você escondeu isso de mim? Ok, é estranho, mas eu ia me acostumar. Eu ia entender, Sara, e acima de tudo, eu ia te apoiar. Porque nesses onze anos de amizade, eu nunca deixei de te apoiar, de tentar compreender, mesmo nas horas que você extrapolava.
– Eu errei! Eu assumo, eu errei. Eu tive medo de te contar, tive medo da sua reação. Eu errei, Lisa, e me arrependi, mas eu não posso voltar no tempo. Mas você sabe, você sabe, que eu nunca faria nada com a intenção de te magoar, de te deixar mal.
– Que seja. – A ruiva deu de ombros. – Eu não sou digna da sua confiança, e agora, você também não é digna da minha. – E dizendo isso, ela correu pra longe, ignorando os meus gritos a chamando. Conforme ela foi sumindo de minha vista, um vazio enorme foi tomando conta do meu peito, a ponto de me deixar sem ar. Ajoelhada no chão, eu me permiti chorar. Chorei pela minha irmã, chorei por Basso, chorei por Lisa. Coloquei pra fora tudo o que estava preso no meu coração.
Peter me convenceu a não voltar pra aula. Então ficamos ali, na nossa árvore, até eu me acalmar. Ouvi o sinal que indicava que nossa turma estava liberada, e disse que iria ao banheiro lavar meu rosto.
Passando pelo corredor, vi Carrie parada em frente ao seu armário, organizando seus livros. Pisando duro, andei até ela, fechando a porta de seu armário com força. Ela deu um pulo.
– O que... –A loira começou, se virando.
– Por que você contou pra ela? – Falei, fazendo seus olhos verdes se arregalarem.
– Contar o que, pra quem? – Perguntou, confusa.
– Contar pra Lisa sobre eu e Peter. Eu pedi pra que você guardasse segredo. – Eu apontei.
– Mas Sara, eu não contei nada. Eu juro. – Ela respondeu. Olhei nos seus olhos, procurando algum vestígio de que ela estivesse mentindo. Mas não achei nada.
– Bom, se você não contou, alguém contou. – Me apoiei no armário, suspirando. – E agora a Lisa tá puta da vida comigo.
– Ai meu Deus! – Carrie exclamou, balançando seus cabelos louros. – Mas como aconteceu? – Então contei tudo a ela, vendo-a prender a respiração ao repetir tudo o que Lisa havia me dito.
– Eu só não entendo – Comecei novamente, logo após terminar de contar. – Como Lisa saberia disso. Apenas eu, você e minha mãe sabíamos disso. Eu com certeza não fui, minha mãe mal vê a Lis, e se você jura que não foi você.... – Então minha cabeça deu um clique. Basso. Era óbvio que havia sido ele. Ele queria nos desestabilizar, e nada melhor do que nos afastar da minha melhor amiga (e irmã de Peter). – Car, a Lisa tem conversado com alguém diferente ultimamente? Um homem?
– Hm, não. – Ela respondeu depois de pensar um pouco. – O único homem com quem eu a vejo conversando nos últimos dias é o Nicholas, aquele que foi pro pub com a gente. Acho que eles tão de rolinho.
– Ela e o Nick? – Ri um pouco, mas voltei ao antigo assunto em seguida. – Bom, é impossível o Nick saber de alguma coisa. Eu e o Peter nunca agimos de forma suspeita perto dele.
– Bom, acho que o importante agora não é descobrir quem contou a ela, e sim como você vai recuperar a amizade da Lisa. – E manter todos nós vivos. Acrescentei mentalmente, mas concordando com ela em um aceno de cabeça.
Dez mil. Foi essa a quantia de dinheiro que eu e Peter conseguimos no clube de sinuca. Não era muito, porém já era alguma coisa, e se tivéssemos um pouco de sorte, seria suficiente pro Basso aumentar o nosso prazo.
O clube de Basso era um tanto... Normal. Pra quem não tivesse essa intenção, era difícil imaginar que aquilo tudo era apenas o disfarce de um agiota. Em volta das mesas de sinucas, víamos homens adultos, jovens, namorados, apenas pessoas querendo se divertir. A música soando baixa no fundo e as risadas davam certo ar de descontração à sala.
Enquanto Peter pegava seu dinheiro – que era calmamente colocado dentro de uma maleta prata – eu esperava. Estava bastante frio nessa noite, e a jaqueta de couro preta que eu usava não me esquentava muito.
Enfim, terminando de fechar sua maleta, Stevens andou até mim, me abraçando de lado e me dando um beijo na bochecha.
– Você tá bem? – Perguntou, e eu assenti.
– Estou, eu... Agora é a parte difícil, né? – Franzi as sobrancelhas, sentindo de repente um frio na espinha.
– É. – Ele me olhou nos fundos dos meus olhos, parecendo preocupado. – Sara, tem certeza que quer fazer isso?
– Tenho. – Afirmei, decidida. – É a nossa vida que corre perigo, Peter. É a vida das pessoas que amamos que está em risco.
– Eu sei, eu sei. – Concordou. – Eu só... Eu tenho medo de que não dê certo.
– Eu também. Mas nós precisamos tentar. – Dei um meio sorriso, e nós nos beijamos. Um beijo doce, calmo, apenas pra nos darmos força.
– Ok. Vamos lá. – Disse colocando a mão na minha cintura e me guiando até o balcão que ficava no lado extremo da sala. Lá, uma garota de cabelos loiros pintados fingia estar fazendo algo importante no computador enquanto mascava um chiclete. – Hm, Melissa? – Ela ergueu seus olhos verdes também falsificados e ao ver Peter, deu um sorriso do tamanho do mundo.
– Peter pan? – Exclamou, sua voz de taquara rachada incomodando meus ouvidos. Bom, no momento não era apenas a minha audição que a Melissa incomodava. – Eu pensei que você nunca mais fosse voltar aqui!
– Sabia que você estava morrendo de saudades de mim. – Peter brincou e ela deu mais um sorriso. Vendo aquela cena, eu encarei Stevens com as sobrancelhas arqueadas. – Hm, Mel, essa é a minha namorada, Sara.
– Ah, olá, Sara. – A loira oxigenada disse com desdém e eu sorri falsamente pra ela. Peter apenas nos encarou sorrindo, sem perceber o que estava acontecendo ali. Homens. – Então, eu posso ajudar em alguma coisa?
– Nós estamos procurando Basso. – Falei pela primeira vez desde que nos aproximamos do balcão. Melissa arregalou os olhos verdes para mim.
– Você – Parou um instante, e quando voltou a falar sua voz tinha abaixado dois tons. – Você conhece Basso?
– Sim, Mel, ela conhece. – Stevens suspirou, e a garota lhe deu um sorriso triste. – Pode avisar a ele que nós estamos subindo, por favor?
– Hm, claro. – Respondeu já pegando o telefone. Antes de irmos embora, ela olhou pra nós dois com um pouco de pena. – Boa sorte. – Falou, logo após nos virarmos em direção ao elevador.
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