Why Cliché?

15 Capitulo XIV


Notas iniciais
Bom dia margaridas! Sábado, sol, e estou a um mês de entrar de férias. Nada melhor, não? hahaha aqui está mais uma att, espero que gostem e preparem o heart. Boa leitura.

Se o clima no primeiro andar era super alegre e descontraído, no segundo era sério e pesado. Assim que o elevador abriu, nos vimos de frente com um corredor escuro e longo. Olhei pra Peter, que encarava decisivamente o abismo em que iríamos entrar. Bastante tenso, sua mão que segurava minha cintura deu um leve aperto em minha pele, me incentivando a andar. Respirando fundo, o fiz, sendo guiada por Stevens. Andamos, andamos, o corredor parecia não ter fim, e a cada passo que eu dava, o meu coração se apertava mais. De repente, Peter parou. Uma porta se abriu, e a luz foi tão forte que por um momento fiquei cega. Dois armários se aproximaram, nos empurrando nada delicadamente pra dentro da sala. O ambiente por dentro parecia normal, idêntico ao escritório de um advogado ou algo assim. Não tinha esqueletos ou cabeças humanas dentro de potes como eu imaginava.

– Ora, ora, o bom filho a casa torna não é? – Aquela voz estremeceu meu corpo. Um arrepio subiu pela minha espinha, e eu encarava o chão, me recusando a olhar nos olhos daquele que podia me matar em menos de uma semana. – Como vai, Peter? Faz tempo que não nos falamos.

– Esperava que fosse pra sempre. – Meu namorado respondeu, a voz tão firme e grave que eu quase não reconheci. Basso porém, não se importou muito com o tom de Peter, dando uma risada baixa, porém assustadora o suficiente pros pelos da minha nuca arrepiarem.

– Sem mais delongas, casal vinte. O que vieram fazer aqui? – Pela primeira vez, tirei os olhos do chão, encarando Basso.

– Nós viemos negociar. – Falei, minha voz saindo mais fraca e trêmula do que eu esperava.

– Negociar? – Repetiu, seus olhos vagando de mim para Peter. Parecia estar se divertindo as nossas custas. – Pensei que seu namorado me conhecesse o suficiente para saber que eu não negocio.

– É do seu interesse, Basso. – Retrucou Stevens, e o mafioso suspirou.

– Tudo bem, sou todo ouvidos.

– É o seguinte, está vendo essa maleta? – Meu namorado começou, levantando a mala pequena em sua mão. – Aqui dentro, estão dez mil dólares.

– Dez mil dólares não são nada perto do que você me deve. – O mafioso argumentou. Abaixei minha cabeça, percebendo um clima nada bom naquela conversa.

– Mas já é alguma coisa. Então eu queria te propor um acordo. Você pega esses dez mil, e eu te pago o restante na quarta feira que vem. – O silêncio que se fez após Peter terminar de falar foi, no mínimo, desconfortável. Quando a voz de Basso voltou a se fazer presente, estava baixa, firme e assustadora.

– Isso não é um acordo, Stevens, é uma forma desesperada de tentar me enrolar. – Sorriu falsamente. – Então, é o seguinte: pegue esses dez mil dólares, enfie aonde o Sol não bate, e nesse sábado à meia noite, traga os meus cinquenta mil dólares.

– Não! – Gritei, movida pelo meu desespero. Soltei-me dos braços de Peter e corri até Basso, o segurando nos ombros. – Pelo amor de Deus, Basso! Aceite a maleta, nós precisamos de mais tempo! Por favor, eu imploro! – Logo estava sendo segurada por um dos armários de Basso, mas não parava de berrar coisas sem sentido.

– Vai ser um desperdício matar você, docinho. – O mafioso sussurrou, segurando meu queixo. Totalmente fora de mim, cuspi em seu rosto. O que aconteceu em seguida, eu nunca entendi direito. Em um segundo, senti um forte tapa no lado esquerdo do meu rosto, no outro, um grito de Peter, algo como “Não toque nela!”, e então um barulho de soco. As mãos fortes que me seguravam se afastaram, indo em direção ao meu namorado. Eu estava tonta, um pouco cega pelo tapa. Minha bochecha esquerda fervia, e eu sentia vontade de chorar, enquanto um barulho ensurdecedor de gritos, xingamentos, socos e chutes machucava meus ouvidos. De repente, Peter apareceu do meu lado, me empurrando em direção a porta. Antes de a porta do escritório ser fechada, consegui ouvir Basso gritar “Você deveria agradecer a Deus por eu não ter triplicado sua dívida, Stevens!”.

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Agora, dentro do carro de Peter, que estava parado em frente a minha casa, consegui ver melhor os machucados em seu rosto. Um olho roxo, um corte no lábio inferior e outro um pouco acima da sobrancelha. Meu rosto, porém, estava quase intacto, com apenas uma vermelhidão aonde Basso havia me dado um tapa.

Stevens estava tenso, tinha ficado calado o caminho todo. Me perguntava se ele estaria decidindo desistir, se entregar a morte certa. Eu esperava, no fundo do meu coração, que não.

– Você está bem? – Perguntei, finalmente criando coragem pra falar. Peter não respondeu, apenas desviou os olhos do volante para meu rosto. Ele parecia analisar cada detalhe, como se estivesse gravando cada parte minha.

– Nós precisamos conversar. – Disse, depois de um longo tempo. Embora eu me negasse a acreditar, uma parte de mim já sabia o que era. – Eu... Eu quero terminar.

– Você quer? – Sussurrei, encarando a rua deserta a minha frente pelo vidro.

– Eu não quero. Eu preciso, Sara. – Explicou, e eu me virei pra ele, meus olhos já se enchendo de lágrimas, a voz embargada.

– Você disse que íamos ficar juntos, você prometeu, Peter. – Acusei, as lágrimas enfim rolando pelo meu rosto.

– Eu também prometi que não ia deixar nada acontecer com você, e olha só, Basso te machucou duas vezes. – Retrucou, e eu balancei a cabeça.

– Você disse que me amava. Você mentiu sobre isso também? – Insisti, e ele me encarou magoado, como se estivesse ofendido pela minha pergunta. Se tinha alguém que deveria estar ofendida aqui era eu, não ele.

– É óbvio que não! Eu te amo, Sara, eu te amo mais do que a mim mesmo, e é por isso que eu tenho que te proteger desses caras. Eu nunca me perdoaria, se eles fizessem algo com você. – Fechou os olhos, com uma expressão de dor.

– Mas por que terminar comigo me protegeria de Basso, Peter? – Eu perguntei, realmente não entendendo qual o sentido de tudo isso.

– É a mim que eles querem machucar, não a você. – Ele respondeu e eu franzi o cenho. – Se eu falar que terminei com você, se eu fingir que você não significa nada pra mim, eles vão te deixar em paz.

– Isso não faz sentido. Isso não faz porcaria de sentido nenhum! – Gritei, dando voz aos meus pensamentos. – Por favor, Peter, não faça isso comigo. Não me abandone agora. Eu já perdi Suze, perdi Lisa, eu não vou aguentar perder você!

– Não dificulte as coisas pra mim, por favor. – Sussurrou, seus olhos avelãs me encarando suplicantes.

– Você sabe que eu vou te odiar pelo resto da minha vida, não sabe? – Era óbvio que isso não era verdade. Eu nunca conseguiria odiar Peter. Eu odiava a situação que estávamos, eu odiava Basso, eu odiava sua decisão de acabar com nosso namoro, mas eu não o odiava. Não podia. Não quando ele fazia isso por mim.

– O fato de você estar viva, Sara, é suficiente pra eu aprender a conviver com seu ódio. – Insistiu, e eu fiquei sem resposta. Abri a boca várias vezes, mas não conseguia formular uma frase a altura daquela. Então, olhando pra ele uma última vez, sai do carro, batendo a porta com mais força do que o necessário. Marchei até a minha casa, e Stevens deu partida no carro no momento que abri a porta.

Minha mãe estava cochilando no sofá, em frente à TV onde passava uma comédia romântica qualquer. O plano era chegar até meu quarto silenciosamente para não acordá-la, mas ele falhou quando sem querer eu tropecei na mesinha perto do sofá, soltando um xingamento. Já dando sinais de vida, ela se espreguiçou, abrindo os olhos lentamente, me encontrando. Dei um sorriso amarelo pra ela.

– Oi filha, onde você estava? – Perguntou, como qualquer mãe preocupada faria. Tentando salvar a nossa vida. Respondi mentalmente. E, há dez minutos, eu estava terminando com meu namorado. E então, comecei a chorar. Chorar mesmo, de soluçar e tudo. Caminhei até o sofá, enquanto tapava o rosto. Minha mãe estava completamente surpresa, mas mesmo assim passou os braços pelo meu corpo, me abraçando. – Oh querida, o que aconteceu?

– Ele terminou comigo. Peter terminou comigo. – Falei, a voz abafada pelas minhas mãos que ainda tapavam o meu rosto.

– Oh meu bem, eu sinto tanto... – Me consolou, passando a mão pelo meu cabelo. – Vocês formavam um casal muito bonito.

– Eu o amo, mãe, eu não vou conseguir ficar sem ele! – Exclamei, no mais puro desespero. Sabia que não era verdade, sabia que estava fazendo drama, mas no momento, me sentia vazia, e quase acreditei que realmente não conseguiria viver sem Stevens.

– Querida, não diga uma coisa dessas. Eu sei o quanto um coração partido dói, mas você tem apenas 16 anos, tem uma vida inteira pela frente.

– Você não entende, você não entende. – Murmurei repetidamente, e ela me aninhou.

– Bom, então me explique. – Falou docemente, ainda fazendo carinho em meu cabelo. Eu não expliquei. Não podia explicar. Então continuei chorando, até me acalmar o suficiente pra ela me levar pro meu quarto e trocar minha roupa. Quando ela saiu, eu tentei dormir, mas as cenas de hoje repetiam em minha mente. Eu voltei a chorar, e permaneci assim até enfim cair no sono.

Notas finais
Não me matem, ok?? Esse pra mim é um dos capítulos mais tristes da história, e foi muito difícil escrever esse término. Estão curiosos pra saberem o que acontece? Então vão se preparando pra sábado que vem, porque ai sim começa a reta final de Why Cliché?. Só mais três capitulos, galera *-------* COMENTEM, beijinhos e até semana que vem.