Who's In Control?
2 × Capíтυlo 2 ×
Notas iniciais
O clima frio era opressivo, fazendo com que as respirações exaladas pelos que precisavam estar acordados mais cedo tomassem forma numa nuvem esbranquiçada contra o céu, ainda escuro.
Os resmungos eram baixos, juntando-se ao som do gelo e terra esmagados sob os pés mal-calçados das muitas figuras que se agarravam a seus casacos em busca de calor e tentando se livrar do convidativo estado de sonolência. Aqueles eram bosques de lignum vitae, um nome complicado para apenas um nome complicado para mais um tipo de madeira cara que era, basicamente, o que mantinha a economia daquele vilarejo à beira do caos viva. Ela não podia ligar menos para o nome oficial do lugar, mas tinha certeza de que ninguém o chamava por tal. Para todos, lá era apenas Bosques Montanhosos.
Mesmo assim, olhares curiosos não seriam aplacados ou diminuídos pelo sono e pelo clima frio, e não demorou muito tempo para que os primeiros pares de olhos encontrassem os seus, através do vidro da janela. Isso foi a deixa para que deixasse o pano pesado e grosso das cortinas deslizar pelos seus dedos e cegar o mundo exterior ao que estava dentro das paredes. Uma aberração.
Seu ombro pulsava com pura dor e ela tinha quase certeza de que ela tinha deslocado algum osso. Ainda assim, nada que ela não pudesse lidar. Ireane virou-se em silêncio para encarar a casa de um único cômodo em que viviam. Banheiro, quarto e cozinha, todos misturados em um só. A cama e um pequeno baú, com suas roupas e sapatos, apoiado contra a parede de seu lado direito. Um mesa velha e uma cadeira indigna de confiança, junto ao básico de uma cozinha descansavam ao lado oposto. E, no meio de ambos, havia uma pequena e rachada banheira e uma privada, ambas contando apenas com uma cortina rasgada para dá-la privacidade de ninguém, mas apenas para seu conforto.
O suspiro pesado rasgou seu caminho pelos seus lábios de uma forma que ela nunca teria imaginado, caminhando em direção ao baú com uma quieto solenidade, curvando-se à frente da oreciosa arca. Uma blusa azul escuro, calças pretas e confortáveis, extremamente gastas, e botas com uma fina proteção de algodão por dentro, útil para aquecer seus pés.
Isso é tudo que ela precisa fazer, na verdade. Se vestir e andar até o bosque. isso não faz as coisas menos difíceis, é claro, ser uma lenhadora é tudo sobre força bruta, que é ainda mais conectada à raiva, e, raiva, era algo que os vermelhos tinham muito à dar. Ela mais que muitos.
Em silêncio, ela se levantou, olhando para a pequena chama no centro do quarto, circulada por pedras que evitavam que ela queimasse o chão, à morrer. Ireane achava engraçado como fogo perto de se extinguir sempre parecia mais belos, mudando em tons de amarelo, azul, vermelho e laranja, lutando por sua vida, muito como um vermelho faria. Ela queria poder fazer mais por ele. Mas não havia mais toras para avivá-lo e ela nunca havia visto um Calore em carne e osso para saber como sua habilidade flamejante funcionava.
Como um inútil sinal de respeito, ela esperou por mais cinco minutos, seus últimos minutos. Aquilo era uma guerreira reconhecendo outra. Ambos solitárias, desesperados e, ainda assim, uma pequena barreira era a única coisa impedindo que queimassem o mundo até restarem apenas cinzas.
***
Com um gemido dolorido ela segurou mais firmemente ao machado enquanto o brandia sobre seu ombro, para imprimir mais força e impacto ao movimento. A madeira foi cortada no meio embaixo de sua lâmina enquanto aceitava o resultado como uma pequena vitória enquanto respirava em aguda dor, sua mão viajando para seu ombro machucada.
Merda.
Ireane piscou para longe as lágrimas se formando em seus olhos como se não fossem nada de mais. Nada à ser reconhecido. Ela empurrou a madeira perfeitamente cortada dentro de seu carrinho, cansadamente, junto ao seu machado, esperando que pudesse chamar o dia de terminado depois. Empurrrando-o pelos "colegas" de trabalho, ela suportou cada olhar raivoso ou anlista sobre sua pele com quieta temperança. Aquilo não era nenhuma novidade para ela.
Ela parou, finalmente, deixando o carrinho do lado de um homem gordo com olhos exigentes, um marrom e outro verde, e fios prateados aparecendo pelo seu cabelo negro mal penteado para trás com decência. Ele tinha por volta de 60 anos e, quando olhou para ela sobre sua prancheta, parcialmente assustado pelo barulho auto do carrinho contra o chão, ele riu levemente e abriu um sorriso que deixava o vão entre seus dois dentes da frente aberto à contemplação.
—Harmond, sempre minha melhor funcionária. — ele brincou, sua voz pingava uma aura familiar e amigável, falando suavemente com seus forte sotaque sules, estalando sua língua com aprovação e cruzando seus braços enquanto acenava com a cabeça para o carrinho -Já terminou por hoje, então? Isso já é o dobro do que você precisava me trazer.
— Bem, eu tenho que pagar pelas faltas, Mac. — ela respondeu, sorrindo em escárnio brincalhão. Ireane era uma bela hipócrita, julgando o sotaque do velho Macquenzie, quando o dela também era bem forte quando falava — Está ficando escuro, ainda mais, não quero parecer uma exibida.
— Temo que seja muito tarde para isso. — ele riu novamente, olhando por sobre seu ombro para os muitos atrás dela, ainda trabalhando, ainda encarando-a pelo canto de seus olhos, reprovando sua existência. Como sempre, ela não disse nada, ela não se moveu, sem nem mesmo reconhecer seus olhares odiosos, suspirando e abaixando seus olhos por alguns segundos.
— Sim. — murmurou, cruzando seus braços com um leve curvar, a dor se espalhando pelo seus nervos. Merda.
Ela não esperava que alguém notasse ou se importasse, mas, como sempre, os olhos não combinando de Mac perceberam o gesto como se fosse olhos de falcão, brilhando com uma preocupação que eles não haviam visto em anos, desde Aaron. Pobre Aaron que havia sido muito jovem para morrer. Pobre Aaron que não tivera chances contra sua doença como não teria tido chance ainda mais tempo atrás contra uma faca, se ela ão estivesse lá por ele. Jovem Aaron que sempre parecia ter a maior parte do senso de ambos tanto quanto a inocência (se não toda. Ela não conseguia lembrar de um dia em que houvesse sido inocente. Talvez ela só tivesse nascido com a solene realização de que um dia iria morrer pairando sobre sua cabeça).
Aaron que não merecera morrer.
— Como está esse seu ombro? — Mac perguntou, cortando seus pensamentos sem nem perceber. Seu sotaque enfraquecia tremendamente quando sua voz estava séria, e, agora mesmo, este sotaque é praticamente inexistente. — Você quase não teve tempo suficiente para se curar e já está de volta, balnçando essa maldita coisa sobre o seu ombro.
Ireane não pode evitar o sorriso tão abertamente quando ela podia se permitir. Era tocante como, de vez em quando, Macquenzie podia soar paternal e protetor com ela. Ela achava que ele seria o único a se importar caso ela desparecesse ou fosse achada morta ou muitas outras possíveis coisas que vermelhos e prateados podiam fazer a ela por um mínimo desejo. Provavelmente ele iria buscar justiça também, até que a situação ficasse muito perigoso e ele desistisse sozinho ou ela o convencesse a fazer isso.
— Estou ótima. — ela piscou para ele — Dois dias em casa podem fazer maravilhas para um para um ombro machucado, confie em mim. — ela balançou seus dedos, brincalhona, como se tivesse lançado um feitiço, que arrancou risadinhas de ambos — Isso e eu tenho que compensar pelo tempo que eu passei em casa, encarando as paredes envelhecerem.
— Desculpe, criança. Eu acho isso meio difícil de acreditar. — ele sorriu calmamente, balançando sua cabeça antes de escolher três pedaços de madeira de sua pilha e jogasse até ela, que Ireane pegou com certa estranheza, olhando das toras para ele com um brilho inquisidor — Você já me trouxe três vezes mais do que me traria em qualquer outro dia. — ele explicou, com um leve dar de ombros, balançando a prancheta desmissivamente, antes de voltar a escrever nela — Agora, vá embora, garota. Te dei três pedaços da madeira mais cara do país para você queimar na sua lareira. Se alguém descobrir, estou demitido ou morto, então esconda isso bem.
— Eu não entendo. — ela murmurou confusamente, segurando a madeira mais perto de seu peito e admirando os padrões naturais que ela continha antes de erguer seus olhos de cores confusas para ele — Se você sabe as consequências, por que você faria isso por mim?
— Porque você não é uma má pessoa e as pessoas tratam você como os prateados nos tratam. — sua honestidade é como um tapa em sua cara — Nós somos egoístas e temos falhas, sim, mas... Nós nos importamos. Ou, pelo menos, nós devíamos. — ele aponta para ela com o lápis velho quando ele diz isso — Isso é o que nos separa dos prateados. — suas palavras pesam e, por um momento, enquanto elas afundam em sua mente, Ireane estava partida entre chorar ou abraçá-lo — Agora, vá. Eu realmente preciso voltar a trabalhar, Harmond, é sério.
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