Who's In Control?
3 × Capíтυlo 3 ×
Notas iniciais
Vermelhos sussurravam, curvando e correndo para longe de seu caminho com olhos brilhando com medo. A visão de um prateado era o suficiente para fazer alguém ter calafrios. Um batalhão completo é um monarca coroado? Aquilo era combustível para pesadelos.
O homem que guiava seu caminho tremia e parecia à beira de desmaiar. Maven não se importou. Ele só ansiava por encontrar essa Sangue Nova e ver o seu potencial. Se ele acabasse insatisfeito, bem... Todos sabiam como essa história acabava. Sua vontade era lei a ser fixada em pedra, seus inimigos eram cadáveres em potencial. Esse não era o seu caminho, mas os dos prateados.
Seu caminho seria mais moderado no uso de tal abundância de força bruta e menos carente de estratégias inteligentes para persuadir as massas vermelhas a permanecer em seus lugares, a viver e morrer em seus lugares e ser gratos por isso. Seu caminho ofereceria ofertas, presentes, para que o povo vermelho os visse como bênçãos dos deuses que eles eram considerados. Remédio de verdade, alguns curandeiros de pele de casas menores, permitir que parte dos restos de banquetes sejam dados a eles quando os prateados não tivessem mais vontade de comer, talvez até tornasse eletricidade, água e outras coisas grátis nos feriados. Um aniversário real, casamento, coroação... Todos seriam tão mais bem recebidos se esse fosse o caso. Maven deixou um pequeno sorriso escapar através de sua expressão estoica. Talvez quando a guerra acabasse... Talvez.
O homem parou e ergueu seus olhos na direção da floresta e da mulher magra que saia para a clareira, com três pedaços de madeira em mãos. Não parecia perigosa em qualquer maneira, mas uma víbora na grama parecia igualmente inofensiva. Cal deve ter aprendido essa lição agora.
Ela ergue seus olhos para os soldados e aldeões, analisando sua situação por um momento antes de deixar os pedaços de madeira caírem ao chão e sumir por entre as árvores num borrão de laranja, preto e azul.
— Uma silfa. — Ele murmura sob sua respiração, intrigado e desapontado de uma vez só, levantando sua voz. — Capturem-na!
Dois borrões com as cores da Casa Iral passaram em cada um de seus lados, o vento fazendo sua capa oscilar dramaticamente e seus cabelos oscilarem na mesma direção. Antes que ele pudesse piscar outra vez, a garota ruiva foi jogada à sua frente e ele ergue sua mão, pronto para acabar com o assunto em um único ataque... Mas os olhos dela não se incomodaram com ele, analisando os soldados ao redor deles em vez disso antes de se fixar em um com foco tamanho que parecia estar exigindo esforço físico de si própria. Maven não pode controlar sua curiosidade, desviando o seu olhar para o oficial de baixa batente da Casa Rhambos que parecia tão interessante para ela com mais do que um pouco de confusão. Confusão essa que virou surpresa quando um dos guardas Iral que estavam segurando-na foi lançado para o outro lado da praça e contra uma casa, fazendo com que vermelhos gritassem de todos os lados e que os prateados dessem passos para trás (ele incluso, para sua vergonha).
A vermelha lança seu outro guarda ao chão e se levanta, chutando seu estômago antes de estender suas mãos não com a agilidade de um silfo ou a força de um forçador, mas com as habilidades de um magnetron quando ela desarma a todos com um movimento de seus braços, lançando as lâminas e armas de fogo para a floresta sem ligar para as gotas prateadas ou os gritos de dor que acompanham o gesto.
Ireane.
Aquele era um nome que ele não esqueceria.
Ela com certeza tinha o espirito de uma lutadora, defendendo e atacando com tudo que seu sangue mutante a fornecia, mas ela nenhuma tática. El poderia rir de suas poses ou do quão aleatórios alguns de sues golpes eram, um desperdício de energia que nem mesmo um prateado poderia se permitir, mas um atirador sem treinamento ainda poderia matar alguém se continuasse atirando.
Ele observou-a, como um predador faria com uma presa, deixando alguns de seus soldados mais impulsivos tentarem sua sorte enquanto ele analisava seus padrões. Ela tinha apenas dois que valiam a pena agir sobre. Quando bloqueava, ela dava dois passos para trás, e quando atacava, um à frente. Sua concentração era consumida toda vez que ela mudava a natureza de seus ataques, então essa seria sua melhor chance. Maven deu um passo para a frente, conjurando uma muralha de chamas e lançando-as na direção da garota, que, como previsto, refocou sua atenção para conter o ataque. Ele agarra as algemas de diamantes de um dos guardas enquanto se aproxima, atravessando as chamas quase dissipadas a sua frente e algemando-a o mais rápido que conseguiu, ouvindo seu grito de dor como um sinal de sucesso. Escarlate mancha o material cristalino.
Olhos de um animal encurralado encararam de volta, com irises de uma mistura estranha de cinza, marrom e verde que ele podia jurar acentuavam uma ou outra cor quando a luz batia neles. O cabelo dela era laranja vivo, mas sujo e mal cuidado, que o lembrava vagamente da primeira chama que ele conseguira conjurar. Ele franziu seu nariz em desgosto quando seus dedos roçaram a camada de suor e sujeira na pele dela. Vermelhos eram nojentos. Ela era pálida o que apenas piorava sua aparência quando combinada com a magreza que fazia parecer com que seus ossos saltariam por sobre sua pele na menor chance que lhe fosse dada. Ele estendeu uma mão para o seu rosto, mas ela não pareceu muito fã da ideia, se afastando o máximo que as correntes permitiam e ele foi rápido em encurta-las por isso. Ireane parou. Ele sorriu, limpando o sangue que escorria de seu nariz gentilmente. Para alguém que lutara contra o número e variedade de prateados que ela tinha, um nariz quebrado e alguns hematomas era mais do que impressionante.
Ela era poderosa, mais do que ele havia esperado. Uma habilidade como a dela quando bem treinada podia facilmente superar a de Mare. Que pensamento agradável, aquele, ter a peça mais poderosa no tabuleiro mais uma vez. Sua mãe e irmão tinha seus sangue novos, não seria justo se ele não tivesse ao menos um.
— Que criatura intrigante você é. — Ele murmura, quase encantado com o desafio que ela impunha.
— Eu não sou uma criatura assim como você não é um homem. — Ela rosna. Como ela podia fugir? Era simples, ela não podia. Como ela podia machucá-lo? Para isso haviam maneiras e ela era uma pessoa criativa. Aquela coroa dele parecia afiada. Se ela conseguisse por as mãos nela, ela poderia rasgar sua garganta e ver o sangue prateado escorrer em suas mãos antes de morrer. Matá-lo era mais do que o mundo merecia que ela fizesse.
— Você não ouviu, vermelha? — Sua mão moveu-se para o pescoço dela, não gentil como antes mas sem apertar seu aperto. O que qualquer um podia fazer? Ele era rei. Se ele quisesse ele poderia queimar a garganta dela até suas cordas vocais. Os aldeões não pareciam querer salvá-la de qualquer jeito. — Parece que eu sou um monstro. O que isso faz de você?
Ela estava prestes a gritar, xingar, lutar até que um dos dois morressem. Ele se achava intocável. Ela ia provar que ele estava errado. Prateados não eram deuses se eles podiam sangrar.
— Harmond! — Ela ouviu o grito preocupado detrás dela, sentindo um frio no estômago, quando ela olhou sobre o seu ombro para ver o homem conhecido prestes a entrar numa luta que ele não ia vencer. — Deixem-me passar! Harmond! Menina, você está bem?! — Ele grita novamente, desesperado por uma resposta. É claro que ele não estava bem. Ele podia vê-la.
Mac.
Os olhos dela analisaram os prateados a frente dele, panico tomando conta de si frente a imprudência dele. Oblívios. Não, não. Eles podiam explodi-lo a qualquer momento e pareciam mais do que dispostos a fazê-lo. Eles matariam a única pessoa que ela ainda tinha só para dar um exemplo. Ela não podia deixar isso acontecer. Mesmo que isso significasse parar de lutar. Ireane se vira na direção do rei a sua frente.
— Por favor, misericórdia.
— Misericórdia? — Maven repetiu, uma sobrancelha erguendo-se questionadoramente quando ela ergueu sua mão no ar, parando os oblívios antes que eles pudessem matar o homem. Em vez disso, eles chutam a parte de trás de seus joelhos e o forçam ao chão. — Por que você está implorando pela vida de outra pessoa?
— Por favor, eu faço o que você quiser. — Ela continuou, ignorando a pergunta dele e o pânico que fazia seu coração acelerar. Ela se ajoelha e ele parece gostar da cena. — Só deixe ele viver, por favor.
— Qualquer coisa? — Maven respondeu, se divertindo demais com a situação, como o balanço de poderes se desequilibrava totalmente ao seu favor. — Você podia começar respondendo minhas perguntas, não acha, querida? — Ele puxa as correntes mais uma vez e ela geme de dor. O homem vermelho protesta atrás deles, xingando-o de milhares de nomes que já teriam garantido sua morte se a mulher a sua frente não tivesse algo que ele quer. — Por que você está implorando pela vida dele mesmo sabendo que o mais provável é que eu mate vocês dois?
O rosto dele estava tão próxima do dela que ele podia ver cada emoção contrastante escondida em suas expressões, como ela parecia querer cuspir em seu rosto e tentar matá-lo, a incompreensível contenção que ela se impunha com a intenção na vida dela. Mas não a dela.
Ele havia visto Mare tentar salvar pessoas, sempre tentando fazer tudo melhor, sempre fingindo ser a heroína. Os vermelhos a admiravam. Ela era a heroína deles, de certa forma, mas ele não seria tão facilmente enganado; Mare Molly Barrow era humana. No final do dia, por mais que ela não quisesse, ela sacrificaria qualquer um para se manter a salvo. Ela roubara pessoas para sobreviver. Ela arriscou a vida de Lucas e ele morrera por isso. soldados da Guarda a seguiam para suas covas todos os dias. Serventes vermelhos sofriam todos os dias em que ela não se rendia. Sim, Mare queria salvar as pessoas, mas ela também queria salvar a si mesma.
— Porque a minha vida não importa. — Ela o encara, sabendo que nenhuma chama que ele possa convocar vai queimar mais que a sua raiva. — As pessoas daqui me odeiam, as pessoas que eu amava morreram. Ele é a única pessoa que eu tenho. — Os olhos de Maven se desviaram para o homem de meia-idade inconscientemente, tentando ver o valor que ela via nele, mas falhando. Tudo que ele via era um velho vermelho que provavelmente morreria em três anos sem ajuda, seja pela exaustão do trabalho ou pelos prazeres falso de uma garrafa. — Eu não posso perder mais alguém.
O jogo era fácil demais. As jogadas estavam sendo rápidas e ágeis. Todos os peões estavam em seus lugares e seu novo cavalo já estava em seus cabrestos de diamante e havia lhe dado o que usar de esporão.
— Você vai me obedecer e me seguir. Não importa onde, você não tem o direito de fazer perguntas. Levante, você está começando a parecer patética. — Ele diz, erguendo-a com outro puxar de correntes, ignorando o fluxo de sangue saindo de suas feridas, os sons de dor que ela emitiu e os vestígios de simpatia na forma como os aldeões seguravam sua respiração frente a tanta crueldade. — Boa menina. — Ele disse, acenando para guardas atrás dela um comando que ela não soube compreender. Uma de suas mãos correu pelo seu cabelo, tirando-o de seu pescoço, íntimo e invasivo o suficiente para fazê-la querer vomitar toda a pouca comida em seu estômago. — Você não pode falar se eu não lhe dirigir a palavra primeiro, ou com qualquer outra pessoa que eu não autorizar. — Seus dedos se enrolaram ao redor dos fios que ele jogará por sobre seu ombro, fechando sua mão em um punho e puxando sua cabeça para um lado. — Sua vida vai ser minha para fazer o que eu bem quiser. Meus desejos vão ser a sua lei. — Ele sorriu, acariciando sua bochecha com seu polegar com um cuidado que ele não usava desde Mare. Se bem que sua honestidade sobre suas morais e caráter estava bem mais explícita para com essa estranha do que com a mulher que ele amava. — Ele ainda vale tudo isso?
Claro. Ela já odiava a vida suficiente. O que ele podia fazer de pior? Era melhor não perguntar, talvez ela não quisesse saber. Ela engoliu o nó em sua garganta, voltando os olhos para o rosto do homem pelo qual ela estava prestes a apertar a mão de Satã.
— Posso me despedir? — Ela pergunta. É o máximo de confirmação que ela lhe dará.
Maven riu cinicamente.
— Não.
Foi a última coisa que ela ouviu antes de Mac levar um soco no rosto ao seu lado. Ireane arregala os olhos, seu rosto voltando-se para a cena com horror. Uma mão cobriu sua boca, mantendo sua cabeça na posição em que estava e calando o grito de dor e pânico quando uma agulha foi fincada em seu pescoço, injetando um líquido que lhe fez se sentir quinze vezes mais pesada de uma vez, caindo contra o peito de seu agressor.
— De volta ao castelo.— A voz chegava a ela como se ela estivesse no fundo de uma caverna e alguém estivesse sussurrando a alguns metros de distância. — Acabamos aqui.
— Garota! Não, devolve ela! Harmond! Harmond, você consegue me ouvir?
— Majestade, nós deveríamos cuidar das feridas dela. A perda de sangue pode matá-la.
— Mac, pare, você não pode lutar com o rei.
— Cuide disso. Não a queremos morta tão cedo.
— Pobre garota. Acabou de vender a alma.
Letargia a dominou aos poucos, tornando sua visão turva à medida que ela era arrastada e a realidade se dissolvia em tons de preto. A inconsciência não demorou muito.
O tempo todo olhos azuis permaneceram frios e impassíveis e quando tudo se tornou escuro, eles continuaram a observando lá também.
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