Who are you?
30 Surpresa!
Notas iniciais
Como ao longo da noite o grupo de amigos ingeriram muita bebida alcoólica e só terminaram a comemoração por volta das quatro horas da madrugada, Quinn os convidou para dormirem em sua casa. Noah se ajeitou pelo sofá da sala mesmo, enquanto Santana, Brittany e Luca ocuparam um quarto de hospedes.
Quando Brittany acordou irritada com os raios de sol que insistiam em entrar no quarto, quase ao meio dia, percebeu que a cama encontrava-se vazia. Lembrou-se que havia bebido demais e que não estava em sua casa. Levantou-se da cama e saiu do quarto a procura de vida, mas tudo estava no mais completo silêncio, na certa, a maioria não acordaria tão cedo. Assim que desceu as escadas, pode ver o corpo estirado de Noah no sofá e riu de ver como ele dormia profundamente. Caminhou então pra cozinha, onde encontrou Santana e Luca, ela servia uma papinha de frutas improvisada.
— Bom dia! – Segurou o rosto da latina e lhe deu um selinho demorado. – Ou boa tarde, ainda não sei. – Sentou-se ao lado do filho e lhe acariciou o rosto.
— Provavelmente é tarde, já estou o alimentando pela segunda vez. Também fiz café da manhã pra todos, mas já não tenho mais tanta certeza se servirá. – Deu uma pequena risada.
— Café sempre é bom! – Disse e logo se serviu de uma xícara. – Me lembrei da primeira vez que cozinhou em casa, Berta ficou louca. Aliás, sabia que ela ficou preocupada com você? Ela disse que eu precisava te trazer pra casa.
— Eu e Berta temos um relacionamento incomum. – Deu de ombros.
— Eu tô vendo... – Fez uma pequena careta. – Mas olha... Agora que as coisas se tranquilizaram, você está melhor daquele incidente médico, nós estamos bem e mais relaxadas... Precisamos conversar sobre algumas coisas...
— Eu já sei o que você vai falar.
— Sabe?
— Sim. Você acha que a minha irmã é culpada pela morte dos meus pais.
— E você não acha? – A olhou bem. – Santana, eu sei que desde que colocou os pés na minha casa e viu a minha família, você começou a refletir se tinha uma também. Apesar da minha família ser desajustada, você desejou ter uma, desejou fazer parte de algum lugar. Mesmo agora, quando tem pessoas que gosta ao seu lado, eu sei que ainda quer que sua avó te perdoe e agora, talvez, queira que sua irmã não seja tão má pra que possa recuperar algum laço. Mas, meu amor, pegou as mãos dela com carinho. – Ela tentou te matar e ela teria todos os motivos do mundo pra fazer o mesmo com os seus pais.
— Eu entendo, Brittany. Eu entendo. E acredite em mim, eu não estou descartando nada e ao contrário do que imagina, não deixarei meus sentimentos por minha irmã me bloquearem. Mas é que... Tudo o que eu pensei que fazia sentido na minha história, hoje não faz mais. E se amanhã eu descubro algo novo e as coisas mudam de direção de novo? É claro que uma irmã com transtornos psicológicos mudam todas as direções, mas me responda o seguinte: Se ela ainda está internada, como ela saiu da clínica, conseguiu uma quantia considerada de dinheiro, descobriu qual era o mecânico de confiança dos meus pais, pagou ele pra sabotar o carro e depois voltou pra clínica?
— Já pensou que seu tio pode estar por trás disso? Quer dizer, ele planejou a morte dos seus pais, manipulou a sua irmã e de sobra botou a culpa em você, mas pra tentar despistar todo mundo, mandou que te sequestrassem e acabassem com a sua vida. Não sabe o que poderia ter acontecido se passasse um dia mais naquele casebre no meio do mato.
— Pode ser... Mas não vou tirar conclusões de nada até conversar com o psiquiatra que cuida da Samara. Credo! É ruim dizer que sinto um arrepio sempre que toco no nome dela?
— Nessas condições... Não. Mas eu li o relatório dela, aqueles arquivos que a enfermeira nos deu. Parece que ela estava apresentando progresso...
— Bom dia! – Quinn falou ao entrar na cozinha. – Sabia que tinha ouvido vozes. Estou acordada há tanto tempo, pois acho que sou a única que não está de ressaca, mas senti medo de acordá-las. Desculpe ser uma péssima anfitriã, eu deveria ter feito algo para comerem.
— Eu fiz as honras, não se preocupe. – Santana sorriu.
— E parece ótimo! – Serviu-se de um prato com bacon e um copo de suco. – Não deixem minha esposa ver que estou comendo isso. – Elas riram e Quinn foi se sentar ao lado delas. – E então, sobre o que falavam?
— Samara.
— Brittany acha que ela pode ter matado os meus pais.
— Eu já vi o suficiente sobre você pra saber que nada é tão simples e nada é impossível. Não podemos descartar nada, muito menos parar de investigar. Acho que Noah poderia ajudar.
— Estava pensando na mesma coisa, Quinn. Eu deveria chamá-lo novamente pra ele ver se não encontra esse mecânico.
— Não é má ideia. Na segunda eu vou conversar com o médico da minha irmã e dessa vez eu vou pra minha casa. Vou conversar com os empregados, ver se descubro mais alguma coisa, ou se me lembro de algo novo. Essas lacunas estão me enlouquecendo!
— Calma! Eu não quero que você passe mal de novo. Aos poucos tudo vai se resolver.
— O problema é que eu não tenho tempo. Eu sinto que tem uma corda no meu pescoço e que eles estão apertando.
— Mas a Brittany tem razão. Mesmo que eles queiram te acusar, você ainda está em vantagem.
— Eu me pergunto por quanto tempo... Não é de mim ser pessimista e muito menos desistir. Eu vou enfrentar o que for. Mas a cada minuto fico mais ansiosa pra isso se encerrar e eu poder ter uma vida normal.
— E você vai conseguir! Qual é? Tem a mulher que ama e super amigos do lado. Não podia estar mais satisfeita por participar de comemorações familiares que acabam com um jantar todo jogado no chão. — Quinn debochou.
— Para! Eu não sei o que deu em mim. – Brittany corou ao lembrar da cena.
— Foi hilário! Mas sabem, duas coisas me chamaram a atenção. Primeiro, por que Kitty saiu no meio do jantar?
— Kitty não veio pra uma visita familiar. Se ela voltou pra cá, com certeza é porque tem um trabalho muito bom pra realizar. Ela é fotógrafa. Ela trabalhou muito tempo pra uma revista histórica. Ela viajou bastante o mundo e foi assim que acabou conseguindo bastante fama, ao ponto de ganhar prêmios importantes. Depois de suas primeiras exposições, criou coragem de criar sua própria galeria, o que deu muito certo. Ela dá cursos e tem planos de montar uma escola. Alguém deve tê-la chamado pra um evento importante. E ela sempre foi assim... Quando dava na telha ela saia e largava as coisas pra trás... – Suspirou saudosa.
— Tudo bem. Segunda pergunta: por que o Sam defendeu a Quinn?
— Sam e eu éramos melhores amigos no colegial. Nossos pais eram muito amigos, creio que a mãe dele sempre desejou que eu me casasse com ele e é por isso que ela reprime esse ódio por mim, assim como pela Brittany, porque eu era a noiva ideal, não ela. E Sam não era essa pessoa que ele é hoje. Quer dizer, meu estado também era bem diferente naquela época.
— Como assim?
— O pai de Quinn é Senador Federal, muito influente e rico. Caroline sempre se encantou por status. Quinn oferecia isso a ela. Mesmo o filho dela tendo feito um ótimo negócio comigo, eu estou a nível estadual ainda. – Elas riram.
— Mas quando eu me casei com a Rachel, meu pai rompeu comigo. Assim como a sua avó fez com você, Santana. Mas ele me tirou tudo, disse que não iria promover a “pouca vergonha” que era meu casamento. Eu não me importei, claro, foi um baque. Tínhamos um padrão de vida. Rachel pra me apoiar, mesmo tendo dois pais e eles amarem a ideia da filha se casar comigo, também renunciou ao dinheiro deles e tivemos que começar do zero. Fui muito complicado, mas tínhamos ótimos amigos que nos ajudaram e eu consegui um emprego em um hospital local e o talento de Rachel fez com que as portas se abrissem pra ela... Agora estamos aqui. Felizes e melhor do que nunca.
— Uau! Vocês devem se orgulhar muito.
— Nos orgulhamos mesmo, por isso que eu não permito jamais que ninguém fale mal da minha família. – Rachel disse ao entrar na cozinha. Deu um beijo no rosto de Santana, Brittany e Luca e um nos lábios de Quinn.
— Ela não é linda, gente? – Quinn disse babona.
— Ver vocês assim, me faz ter vontade de ligar pro meu antigo emprego no Canadá e perguntar por meus amigos lá.
— Pensei até que já tivesse feito isso. – Confessou Rachel.
— Não sou uma pessoa muito fácil, vamos concordar... Acho que esse é meu grande medo, ser sozinha.
— Você podia ser sozinha, o que eu duvido muito. Não digo isso como psicóloga, mas como sua amiga atual. Mas veja agora, não precisa ter medo de nada, estamos aqui pra te apoiar.
— Quinn está certa, San. Tem todo o meu amor pra preencher qualquer vazio. – Santana ia beijar Brittany, mas parou ao ouvir a voz de Noah.
— Meu Deus! Mulheres da minha vida, posso nem dormir um pouco que vocês querem transformar a cozinha em um filminho de comédia romântica com tanta melação. – Todas riram. – Vou ter que sair com Luca daqui pra ficarem mais a vontade.
— Para de graça, Noah! – Rachel que estava mais perto deu um pequeno e leve soco no ombro do rapaz.
— Eu estou brincando, Rachelzinha. – Abraçou a amiga. – E então, qual é a boa pra hoje?
— Por que não vamos almoçar fora? – Sugeriu Brittany.
— E depois damos uma passadinha no shopping ver as promoções de Black Friday? – Completou Rachel.
— Acho bom. Podemos chamar a irmã da Brittany, quem sabe esteja mais disponível hoje.
— Quer conquistar a cunhada. Esperta. – Quinn brincou.
— Alguém da família, porque os pais eu sei que não vai ser.
— Ótimo! Venham! Eu vou emprestar roupas pra vocês duas, deve ter algo que sirva. Noah, sinto muito mais homem aqui é minoria...
— Tudo bem, eu estou acostumado a sair por aí nesse estado depois de uma longa balada.
Eles voltaram a rir e foi nesse clima descontraído que eles passaram o dia. Kitty não pode ir almoçar com eles, mas garantiu a Brittany que elas almoçariam juntas, pois tinham muito que conversar em particular. Noah ficou sabendo de sua mais nova missão para ajudar Santana e concordou de pronto. De resto... Eles passaram um dia tranquilo de compras e depois voltaram para casa de Rachel e Quinn para estreiar o mais novo vídeo game de Puck.
Talvez Brittany e Santana nem se quer se lembravam de quando tinham rido tanto assim em um dia, mas foi o desfecho perfeito para uma semana longa e pesada. Durante a volta pra casa elas conversavam sobre o dia animado.
— Eu ainda acho que Puck roubou.
— Você tem que aprender a perder, Santana. – Brittany riu das caretas irritadas que Santana fazia.
— Vou sentir saudades. – Disse depois de alguns minutos de silêncio.
— Do quê? – Perguntou sem se desconcentrar no trânsito a sua frente. – Chega de comprar galera, liberem as ruas.
— Disso. – Brittany finalmente a olhou sem compreender. – Sabe, eu e você dentro do carro conversando sobre nossas coisas. No domingo eu vou pra Albany, só volto pra cá na sexta-feira de noite, como vou sobreviver a uma semana sem você? Quero dizer, você é quem cuida de mim e agora só nos veremos aos finais de semana.
— Eu também vou morrer de saudade, não se surpreenda se no meio da semana eu bater na porta da sua casa procurando por você.
— Eu vou adorar! – Se inclinou para roubar um selinho dela.
— Se eu não tivesse tantos problemas, juro que te acompanharia nessa sua primeira semana.
— Não se preocupe. E eu entendo que a maré está ruim. Além do mais, tem que aproveitar a estadia da sua irmã na cidade. Nós duas ainda nos veremos muito.
— Kitty, Kitty... Tenho um almoço com ela no domingo, me pareceu séria.
— Vai ver ela quer se desculpar pelo jantar...
— Não sei. Sinto que há algo a mais. Eu nunca a repreendi por ter saído de casa, ainda mais depois que ela perdeu o bebê. Ela se mudou pra Europa e fez a própria vida. Mas eu nunca a abandonaria como ela fez comigo, por um tempo, eu pensei que fosse inveja pela vida que ela levava, tanta liberdade, liberdade que eu nunca tive. Mas depois eu percebi que era mágoa.
— Então aproveita pra dizer isso pra ela e pra pedir pra não sumir mais da sua vida.
— Será feito. – Sorriu de canto e estacionou o carro em frente a sua casa. – Pode pegar as sacolas? Eu vou pegar o Luca. – Santana concordou com a cabeça e fez o que Brittany pediu, pouco tempo depois estavam dentro da casa. – Tá na hora do meu amor tomar um super banho e dormir.
— Sabe o que estava na hora? De vocês aparecerem em casa. O que deu em vocês? Por que não atenderam o telefone? – Sam surgiu na sala.
— Qual é, Evans? Deu pra me controlar agora? – Brittany não deu muita confiança e ele continuou imóvel. – Estávamos na casa de Quinn e Rachel, depois saímos pra almoçar e enfim... Não carreguei meu celular, deve estar descarregado.
— Sei... Mas o importante é que chegaram! Eu tenho uma surpresa pra você, Santana.
— Você? Surpresa pra mim? Deve estar de sacanagem.
— De forma alguma, espere um segundo. – Ele saiu e foi até a sala reservada, logo voltou com uma mulher loira, linda e sorridente pra onde elas se encontravam. – Sua noiva veio te procurar, Santana. Lembra-se dela? Essa é a Dani.
— Santana, meu amor, que saudade! Eu não acredito que finalmente te encontrei. – Ela correu pros braços de Santana que foi pega de surpresa ao sentir ser envolvida pela mulher.
Brittany olhava tudo perplexa. Era só o que faltava agora, Santana tinha uma noiva. O que viria depois? Filhos?
Fale com o autor