Notas iniciais
Eu pensei que vocês estariam querendo me matar agora por conta de colocar uma noiva na história. Mas estou feliz que estejam só curiosas. haha Boa leitura!

Santana ainda tentava assimilar aquela mais nova informação. Ela tinha uma noiva. UMA NOIVA. A qual ela não tinha tido nenhum lampejo de que existia em sua vida. Seu coração foi a boca ao sentir aquele abraço, ao ouvir aquelas palavras. Tudo rodava tão rápido, não estava se sentindo mal, mas confusa. Um aperto muito forte atacou o seu estômago, o que ela faria agora? Ela amava Brittany, tinha certeza desse sentimento. Mas se essa Dani era sua noiva, é porque a amava também. Não era?

— Não sabe o quanto eu te procurei. Não sabe o quão preocupada eu fiquei quando eu recebi a notícia que tinha desaparecido. Eu movi céus e terras pra te encontrar. Eu pedi dispensa do trabalho pra vir te procurar, mas valeu à pena. Você está aqui! Eu te encontrei! E você está bem! Quando a delegada disse que você tinha se apresentado, que estava nessa cidade, meu coração quase explodiu de alegria. – Ela se afastou um pouco do abraço pra poder finalmente encarar Santana, levou as duas mãos para o rosto dela e a encheu de beijos. – Meu Deus, parece que eu arranquei um peso das minhas costas. Tantas noites sem dormir, tantos dias de angustia... Tudo acabou! Você está nos meus braços novamente, de onde não vai mais sair.

Brittany não pode evitar de revirar os olhos com aquela última frase.

— Dani? – Foi tudo o que Santana conseguiu dizer inicialmente. Ela analisava aquele rosto e tentava processar aqueles traços, como se procurasse qualquer lembrança, mas nada. Estava assustada demais pra isso. – Eu... Eu não... Me desculpa...

— Eu sei! Eu sei, meu bem! Sam me contou sua luta pra recuperar sua memória, eu já havia sido avisada também na delegacia. Mas não tem problema. Eu estou aqui pra você, por você. Eu vou te ajudar com o que precisar. Eu sei tudo sobre você, eu posso te ajudar. Serei sua guia.

— Fala se não é um casal lindo, Brittany.

Brittany apenas concordou com a cabeça. Ela estava tendo que segurar seu ciúmes e seu choro ao mesmo tempo. Ela nunca tinha sido tão feliz com alguém e, de repente, viu tudo cair por terra mais uma vez. Ela sabia que Santana não tinha culpa, mas não podia deixar de estar chateada com ela naquele momento. Uma noiva? E agora? O que ela faria? Iria embora com aquela mulher? Aliás, que mulher! Dani era linda! E apenas pelas suas roupas, cabelo, tatuagens e atitudes mostravam que era uma mulher forte, tal qual Santana era. E elas eram tão perfeitas juntas. E se já tinham tal gral de comprometimento, era porque compartilhavam uma história e como Dani mesmo havia dito, ela conhecia tudo sobre Santana. E o que é que Brittany tinha com a latina? Um recém caso escondido de seu marido. E quando ela recuperasse as suas lembranças e pudesse comparar tudo o que já viveu com sua noiva e com ela, quem venceria?

— Oh! Você deve ser Brittany. A pessoa que cuidou da minha mulher. – Dani foi até Brittany e a abraçou com cuidado, por Luca estar dormindo em seu colo. – Muito obrigada!

“Minha mulher”, Santana era de Dani e não dela? Não, Santana era de Brittany. Era mesmo?

— Não fiz mais do que minha obrigação. Eu a atropelei, afinal.

— Mas cuidou dela. Isso é muito!

— Dani? – Santana voltou a chamá-la, como se cada vez que dissesse aquele nome, ele ganhasse força em sua mente. – A gente precisa conversar.

— Vocês podem ir pro escritório, onde é mais reservado. – Sam disse solicito.

— Você pode levar Dani até lá? Eu preciso falar com a Brittany um minutinho. – Santana tentou ser gentil, era coisa demais pra processar, para se preocupar do porque de Sam estar daquela forma.

— Claro. – Sam indicou o caminho pra Dani.

— Brittany, eu não fazia ideia... Eu...

— Não precisa se explicar, Santana. Eu sei. O que eu quero saber é o que você vai fazer?

— Eu não sei! Eu queria ter uma resposta, mas eu não sei. Eu preciso falar com ela, eu não posso dizer nada antes de conversar.

— E nós? E nós?

— Brittany, você me ouviu? É complicado e eu...

— Esqueça, Santana! Vá conversar com a sua noiva, vocês precisam. Além do mais, como ela sabe tudo de você, pode te ajudar e muito. Eu vou por Luca no berço, porque não estou aguentando mais.

Brittany saiu com Luca nos braços e Santana soube que estava enrascada. Brittany estava magoada, mas o que ela poderia fazer afinal? Não era como se ela tivesse procurado por isso. Em nenhum momento a informaram que tinha uma noiva ou algo parecido. Enfrentar Dani era o que tinha pro momento.

Santana respirou fundo e caminhou até o escritório e pode ver Dani caminhando pela sala, observando os livros da estante com certa atenção. Para se fazer presente, Santana bateu na porta e depois entrou, tirando-a de seus pensamentos.

— Meu amor! – Caminhou até Santana e laçou seus braços em seu pescoço. – Finalmente sós!

Antes que a morena pudesse responder, sentiu que os lábios de Dani tomavam o seu e deixou ser conduzida por aquele beijo. Tentou de alguma forma sentir algo, ou se lembrar de algo, mas de novo nada. Apenas sabia que a mulher beijava bem e que era calorosa, ao mesmo tempo que carinhosa. Santana podia sentir isso a cada toque em seu rosto. Entretanto, mesmo que seu corpo respondesse com desejo, ela queria sentir a paixão, o amor...

— Eu estou tão confusa agora. Foram dias de grandes descobertas... – Disse ao final do beijo.

— Eu imagino... Desculpe-me não respeitar seu espaço, mas eu não pude me segurar. Como eu disse, foram dias difíceis pra mim também e te ter na minha frente de novo... É como uma vitória há muito esperada.

— Eu sei! Apenas me desculpe por não poder responder da forma que merece, mas é que... É complicado eu não me lembrar de nada...

— Mas isso vai mudar! Porque eu não pretendo sair do seu lado e eu sei que está recuperando suas lembranças lentamente. E eu posso te ajudar, posso ajudar a sanar as suas duvidas, a te contar o que precisar.

— Por favor! Eu preciso saber mais de mim, não sei se eu aguentaria mais uma surpresa dessas, foram muitas ao longo desses dias e eu já estou ficando atordoada. Me diga que eu não tenho mais nenhum parente perdido, filhos quem sabe...

— Não, não, não. — Dani Riu. — Acho que fora seus amigos, encerramos por aqui. Vem, eu vou te contar algumas coisas. — Elas se sentaram no sofá uma ao lado da outra. — Bom, vou começar por nossa vida no Canadá. – Dani retirou seu celular do bolso e abriu algumas fotos e o entregou a Santana. A latina foi analisando cada imagem e em todas elas pareciam bem felizes e apaixonadas. Eram fotos em balada, jantares, lugares públicos, intimas, com amigos... Um sorriso involuntário surgiu em seu rosto. Ela era alguém no mundo e ela era feliz. Esse mesmo sorriso encheu Dani de esperança. – Nós nos conhecemos há dois anos atrás, eu fiquei responsável de te integrar a empresa que trabalhávamos. Por ser americana, o pessoal achou que você se sentiria mais a vontade. Naquela mesma tarde você me passou uma cantada. Disse que era nova no país e que eu poderia te levar pra conhecer mais lugares. Eu sabia que estávamos flertando e eu gostei disso, gostei da sua audácia. — Santana riu, era típico dela mesmo, seria algo que ela faria. – E depois daquela noite, daquele beijo ao me deixar no meu apartamento, eu soube que teríamos uma história. E de fato, eu te apresentei pros meus amigos, que viraram seus amigos também. Constantemente nós saíamos pra nos divertir juntas e nós fomos ficando, ficando... Até começarmos a namorar. Os sentimentos ao longo dos anos foram se intensificando e no nosso aniversário de dois anos, eu te pedi em casamento. Foi inesperado e lindo. Kurt, seu melhor amigo, quase morreu quando soube do pedido. Ele é esse aqui. – O indicou em uma foto. – Ele também veio pros Estados Unidos comigo, mas ele preferiu ficar no hotel. Disse que esse momento era nosso.

— Por que eu não me lembro? – Levou a mão a cabeça, sentindo-se cada vez mais pressionada.

— Calma, tudo ao seu tempo. – Dani era compreensiva. – Depois de te pedir em casamento, você disse que era hora de eu conhecer a sua família. Você sempre foi muito reservada quanto a eles, mesmo eu tendo te apresentado a toda minha. Aliás, minha mãe enlouqueceu quando soube que finalmente te encontrei! – Sorriu sincera. – Mas continuando... Você me levou pra Albany, me apresentou aos seus pais. Sua mãe foi um encanto comigo, seu pai era um homem mais sério, mais conservador. Ele não ficou feliz em saber que a filha tinha uma noiva, mas ele respeitou a sua decisão. Diferente de sua avó, ela nem quis nos receber... Você me contou sobre a sua irmã gêmea, Samara. Que desde muito nova ela apresentou problemas e precisou ser internada. Que pela segunda vez sua família estava tentando ressocializá-la, trazendo-a de volta pra casa, para tentar integrá-la ao seio familiar.

— E estava funcionando? Digo, minha irmã e eu estávamos nos dando bem?

— Era estranho. Muito engessado. Acredito que coisa demais já havia acontecido. Mas sua mãe estava empenhada. Seu pai parecia sempre preocupado, zeloso demais. E você queria que tudo corresse bem, queria ser amiga dela. Mas era complicado, como normalmente se supunha. Ela viveu tempo demais interagindo apenas com médicos, enfermeiros e outras pessoas doentes. Mas ela era esperta, acho que é de família isso. E também, ela ficava um dia, no máximo dois na casa e depois voltava pra clínica. A reintegração estava sendo feita bem de vagar.

— E ela ficava livre em casa? – Perguntou curiosa.

— Livre como? Pra sair? Fazer o que quiser? Não, de forma alguma. Aliás, isso a irritava muito. Ela dizia que não era mais um bebê e que precisavam confiar nela para que funcionasse. Mas seu pai não aliviou, sempre tinha alguém com ela.

— Você se lembra de eu ter mencionado algum tio? Algum Manoel frequentava a casa?

— Não, ninguém com esse nome que eu me recorde.

— E como foi que eu descobri sobre a morte dos meus pais? O que te disseram quando eu sumi? Uma coisa, eu estava aqui antes da morte deles?

— Calma, Santana! – Riu da ansiedade dela por respostas. – Sim, nós estávamos aqui quando eles morreram. Seu pai tinha solicitado uma reunião com você. Ele queria que você voltasse a morar no país e queria que se preparasse pra assumir os negócios. Ele queria aproveitar com a sua mãe e eles fariam uma viagem comemorativa de aniversário de casamento. – Santana sentiu um aperto em seu peito, era para eles estarem felizes e então... – Nós íamos voltar para o Canadá no dia do acidente, estávamos prontas pra ir para o aeroporto quando tudo aconteceu. Você ficou em choque, entrou em desespero. Eu nunca tinha te visto chorar, até aquele dia. Você não quis que eu ficasse do seu lado, você me mandou embora. Disse que seria um momento muito doloroso, mas que minha presença seria inconveniente por conta da sua avó. Não queria que além da dor de enterrar um filho, ela sofresse achando que a minha presença era uma afronta a ela. Óbvio que eu não te obedeci. Quero dizer, eu não te acompanhei no enterro, mas eu fiquei hospedada em um hotel, eu sabia que você precisaria de mim. Eu fiquei te esperando voltar do enterro, nós voltaríamos embora juntas. Você tinha que resolver umas coisas no Canadá antes de se mudar pra cá de novo. Mas você não apareceu. Soube que tinha passado na casa da família pra pegar suas malas, mas depois desapareceu... Eu não soube mais nada de você desde então. Eu tive que voltar pra casa, mas sempre me esforçando pra te procurar. Kurt me deu todo o apoio, então decidimos vir juntos pra cá.

— Kurt... Eu também não me lembro dele. Preciso encontrá-lo.

— Quando você quiser.

— Eu preciso estar pronta, entende que foi chocante demais, não entende? Eu vivi tantas coisas e apesar de já ter imaginado ter uma família e amigos, uma noiva...

— Mas está feliz, não está?

— Estou! Claro que estou! Ainda mais depois do que me mostrou e de tudo o que me contou. Mas quero que tenha paciência comigo. Que vá com calma!

— Santana, eu estou aqui pra te ajudar, não pra te confundir mais. Eu vou respeitar o seu tempo, vai se lembrar de mim e de nossa vida juntas. – Voltou a se aproximar da morena e lhe fez um carinho no rosto. – Apenas me permita estar ao seu lado pra te ajudar. Eu já passei tanto tempo sem você, eu vou saber te esperar mais um pouco.

— Obrigada por entender. – Pegou a mão dela de seu rosto e a acariciou. – Eu vou ficar esse final de semana aqui, mas domingo estou indo pra Albany, vou assumir a minha empresa. Eu quero me encontrar com você e Kurt no domingo, antes de eu ir, pra eu decidir o que fazer. Eu preciso de amanhã pra processar tudo isso que acabou de acontecer. Espero não te magoar e nem parecer ingrata, tanto que fez por mim...

— Você é minha noiva, não há o que eu não faria por você. E entendo que precise de tempo. Só espero que Kurt não morra tendo que esperar mais um dia.

— Peço a compreensão dele também, é realmente necessário.

— Não se preocupa. Ele vai entender! Mas agora me conta sobre você e a sua saga até aqui. Eu preciso tranquilizar meu coração, eu preciso saber o que você passou.

— Eu conto, é claro que eu conto.

“Obviamente escondendo os detalhes, como o fato de ter assediado a pessoa que te atropelou desde o primeiro dia. Que dormiu com ela e se apaixonou. Que estava até mesmo fazendo planos de uma vida juntas e agora não tem ideia do que fazer. É Santana, parabéns pra você! Meus parabéns por mal sair de uma enrascada e já entrar noutra.” — Pensou consigo mesma, enquanto procurava formas de contar meias verdades a Dani.

Já Brittany não conseguia relaxar, ela dava voltas em seu quarto, estava impaciente. A conversa já durava mais de uma hora e elas ainda estavam trancadas no escritório. Tinham muito o que conversar e isso a assustava. Assustava o fato que ela poderia perder Santana, assustava o fato de que se as lembranças dela viessem com força novamente, ela poderia passar mal. O que seria feito do amor das duas agora?

— Eu vou surtar! Eu preciso sair daqui!

Brittany deu um beijo no filho e o deixou dormindo, avisou a Sam que sairia para atender uma emergência de Quinn. Pensou em bater no escritório para contar a mesma mentira a Santana, mas isso a assustaria e tinha medo que ao bater na porta, visse coisas que a deixaria pior. Então, mesmo sendo tarde da noite, apenas saiu. Pensou em ir primeiro para casa de Rachel e Quinn, mas ambas não atendiam ao telefone. Depois ligou para Noah que a informou que já tinha ido viajar para Albany, pois ajudaria Santana como prometido.

— Só me diz uma coisa, Noah. Que raio de investigação você fez que não encontrou uma noiva?

"- Desculpa, minha loira. Mas na ficha dela não dava noiva. Nenhum empregado falou sobre a noiva. Mas de qualquer forma, fique atenta. Porque se ela procurou Santana tanto quanto está dizendo, assim que você fez o boletim de ocorrência da Santana, teria cruzado informações com um de desaparecimento que ela tenha feito também. Na hora ela saberia que Santana apareceu, não levaria tantos dias assim pra chegar em sua casa..."

— O que você quer dizer?

"- Eu não a conheço, não faço ideia de como seja. Mas eu juro que eu teria a encontrado se ela estivesse mesmo empenhada em encontrar Santana."

— Ok, Noah. Obrigada. Faça uma boa viagem aí e cuidado.

"- Você também, gostosa. Se cuide."

Brittany sentiu-se mais confusa pela conversa que teve com Puck. Seria mentira essa história de Dani? Ou será que ela apenas não procurou direito por Santana? Quanto mais pensava, mais sua cabeça doía. Ela precisava de alguém pra conversar, sua última opção foi sua irmã, mas não avisaria a Kitty, não daria oportunidades para que ela fugisse. Precisava desabafar com alguém, precisava do abraço de alguém.

Assim que Brittany tocou a campainha do quarto de Kitty, pode ouvir passos apressados irem em direção a porta. A irmã a atendeu com uma expressão cansada e roupas relaxadas, com um grande ar de surpresa no rosto.

— Eu preciso de você, Kitty! Eu preciso da minha irmã. – Não aguentou mais segurar as lágrimas e desabou, sendo amparada pela loira mais nova.

— O que aconteceu? Luca está bem? Sam te fez algo? – Perguntou preocupada enquanto alisava carinhosamente as costas da irmã.

— Eu preciso conversar, posso entrar?

— Não, não vamos entrar. Vamos conversar, claro. Mas acho que precisa de uma bebida. Vamos até o bar do hotel e você me conta tudo, está bem?

— Eu preciso mesmo! Ou não vou suportar.

As duas desceram e se acomodaram em uma mesa mais reservada. Kitty viu Brittany tomar duas taças de vinho antes de começar a desabafar, mas quando finalmente o fez, colocou a irmã a par de sua verdadeira situação com Santana.

— Eu nunca poderia imaginar!

— Eu sei, a filha perfeita do senhor Rafael Pierce apaixonada por uma mulher e traindo o marido com ela bem em baixo do nariz dele...

— Mais do que isso, você com coragem pra viver esse amor. A Brittany de antes teria mantido distância, iria pagar uma casa com enfermeira pra ela só pra não cair em tentação.

— Eu não sei o que me deu... – Moveu os ombros. – Mas é sério, eu estou tão arrasada.

— Eu sei que é difícil pra você, mas tenta se colocar no lugar da Santana. Essa notícia caiu feito uma bomba no colo dela, sei que se ela tivesse se lembrado da noiva, não teria se envolvido com você, ou talvez sim, mas pelo jeito dela, teria sido honesta com as duas. Sei que é complicado, mas você tem que dar um tempo pra ela avaliar os sentimentos dela, sem contar que Santana está em fase de mutação em sua vida. Você disse que ela vai assumir a empresa, tem uma irmã louca, uma avó que a odeia e é acusada de matar os próprios pais. Desculpa, mas a balança dela está bem mais pesada, ainda mais se formos adicionar o fato de que ela está tendo que reorganizar a vida com poucas lembranças.

— Eu sei, aqui dentro da minha cabeça eu entendo tudo isso, mas meu coração burro não. Eu não sei como eu vou viver sem a Santana, eu não sei.

— E quem disse que vai?

— Kitty, elas são noivas! – Disse como se fosse óbvio. – No momento em que a Santana se lembrar do quão apaixonadas eram, ela vai me deixar. Sem contar que essa Dani pode oferecer uma ajuda que eu não posso. Ela conhece totalmente a Santana e eu não. É uma briga desleal demais.

— E quem disse que no amor as coisas fazem sentido assim? E se o que ela sentir por você for mais forte? E se ela nunca se lembrar da noiva? Já pensou que se esse amor delas fosse isso tudo, pelo menos alguma lembrança ela teria da dita cuja?

— Eu não sei! Eu estou insegura e quando eu me sinto insegura eu faço merda.

— Então não faça nada. Vá pra casa, mas de táxi, porque já bebeu demais. Tome um banho, durma e amanhã você vai dizer a seguinte frase pra Santana: Eu vou respeitar o seu espaço, mas saiba que eu estou aqui e que eu te amo. Fim! A decisão é dela.

— E isso me assusta. Eu gosto de ter o controle da situação, mas desde que a Santana entrou na minha vida, é ela que tem controle sobre mim.

— Mas o amor é isso mesmo, minha irmã. É entregar seu coração a outra pessoa e esperar que ela não te decepcione.

— Você está certa. – Suspirou frustrada. – Eu senti tanto a sua falta, eu senti tanto a falta das nossas conversas.

— Eu também, vem cá. – Abriu os braços e Brittany se aninhou no meio deles, recebendo abrigo.

— Por favor, não vá mais embora.

— Eu queria poder dizer que não vou. Mas saiba que vou ficar o suficiente.

Algumas horas depois, quando chegou em casa, foi recepcionada por Santana que estava nitidamente preocupada.

— Onde você estava? Sam me disse que tinha saído atender Quinn, quando eu consegui falar com ela, me disse que estava bem, que tinha ido jantar fora com Rachel e não te viu. Me preocupei.

— Eu menti pra Sam pra ele não me fazer muitas perguntas, ainda mais porque deixei Luca aos cuidados dele. Eu estava com Kitty no hotel dela. Eu precisava conversar com alguém.

— Você bebeu?

— Um pouco.

— Você dirigiu bêbada? – Olhou preocupada.

— Eu pedi um Uber. Agora, eu preciso mesmo tomar banho, ou quem sabe só dormir.

— Me desculpa, está assim por minha causa, não é?

— Onde está Dani? – Fugiu da pergunta anterior.

— Foi embora. – Uma expressão de dúvida surgiu no rosto da loira. – Pro hotel, apenas... Eu pedi um tempo pra ela, eu preciso pensar em tudo isso.

— Entendo. E eu preciso dormir.

— Brittany...

— Amanhã, Santana... Tá bom? Amanhã. Nós duas precisamos mesmo de um tempo pra nós. – Deu um beijo desajeitado na testa dela e depois seguiu para o seu quarto.

Definitivamente Santana teria muito o que pensar naquela noite.

Notas finais
Comentem o que acham que pode significar essa noiva na vida delas. Tô curiosa pra saber o que acham. haha Até o próximo. ;*