Who are you?
15 De Repente, Não Mais Que De Repente.
Notas iniciais
– Bom. Eu não tenho referencial nenhum em minha vida. Eu não tenho nada ao que eu possa comparar ao que eu estou sentindo agora. Não sei com quem foi o meu primeiro beijo, quem foi a minha primeira paixão, ou até mesmo a minha primeira transa. Eu não sei se eu já amei alguém antes ao ponto de ter a sorte de ter sido amada também. Eu não tenho nada no que eu possa me basear “é assim que se comportam pessoas apaixonadas”, além daqueles filmes patéticos que eu fiquei assistindo nas tardes desde que eu cheguei a sua casa. Mas quando eles falam sobre “amor a primeira vista”, eu considero uma bobagem, isso não existe para mim. Porém, se o sentido é dizer que você encontra em uma pessoa tudo aquilo que te atraí e sente vontade de abraçá-la para sua vida, ou até mesmo vê coisas que não gosta, mas está disposta a passar por cima a fim de construir uma relação, então eu entendo. Sabe o que significa paixão? Eu pesquisei no Google. Não me ache uma boba por isso.
– Eu não te acho boba, Lopez. O que significa?
– É o “sentimento intenso que possui a capacidade de alterar o comportamento, o pensamento; amor, ódio ou desejo demonstrado de maneira extrema. Atração intensa, também sexual, por algo ou alguém. Excesso de entusiasmo; emoção. Adoração por alguma coisa em específico. Que denota excesso de mágoa, ressentimento ou sofrimento”.
– Você se encaixa nesse conceito, Lopez?
– Totalmente! Eu sei que eu sou uma pessoa totalmente impulsiva a ponto de você querer me matar...
– Nisso você tem razão. — As duas deram uma pequena risada.
– Mas olha, eu sempre escuto você. Quando você precisa de mim, eu me visto de toda razão e seriedade para poder te ajudar. Como eu te disse uma vez, eu gasto mais tempo tentando te entender e saber o que eu sinto por você, do que tentando me esforçar em lembrar coisas novas sobre mim mesma. Eu tenho toda uma afeição por você, pela pessoa que é, pelas suas coisas. E quando você se diz fraca eu fico sem entender como pode dizer uma coisas dessas, porque eu não suportaria nem um dia no seu lugar, mas você aguenta pelo seu filho. Eu sei como tudo que faz é pensando nele, você abriu mão de você mesma para ser mãe. Tem noção do quanto eu te admiro? – Deu uma pequena pausa para morder seu próprio lábio que começava a tremer por conta do choro próximo. — Sei que a única coisa que eu não preciso nem te explicar é o quanto eu te desejo. Tudo bem, nós somos divergentes em muita coisa e eu também tenho vontade de te bater, às vezes, sabia? Mas por incrível que pareça, por sermos desse jeito que eu mais acredito que, se a situação fosse diferente, nós teríamos uma boa relação.
Brittany apertou seus olhos em sinal de que compreendia perfeitamente o que Santana queria dizer, pois também sentia em seu intimo cada coisa, principalmente o fato de que se fosse solteira, não pensaria duas vezes em ter Santana como sua companheira, pois ambas se encaixam e se entendem muito bem, muito embora seus temperamentos sejam completamente diferentes
– E-eu não tenho certeza se eu era uma pessoa boa, porque as minhas duas últimas lembranças não foram nada legais. Às vezes, eu até acho que é por isso que não tem ninguém me procurando, talvez eu tenha infernizado a vida de muitas pessoas, quem sabe até mesmo dos meus pais. Mas então eu penso, se eu não fui uma pessoa boa, como é possível eu ter recebido você em minha vida, Pierce? Algo tão bom que me roubou a coerência desde o primeiro momento. E não tenho nem como sentir ciúmes, pois não posso culpar ninguém de se encantar por você. — Algumas lágrimas escorreram dos olhos de Santana, Brittany soltou a folha da porta e estendeu sua mão até a face da latina para limpar delicadamente as mesmas.
– Não chora, por favor, não chora. — Santana envolveu seus braços ao redor do pescoço de Brittany que correspondeu ao abraço fechando seus braços ao redor da cintura dela e a apertando com certa força contra seu corpo.
– Eu também estou apaixonada por você e não me importa que esteja casada, porque eu sei que não o ama, nem mesmo que tenha um milhão de problemas e que possa demorar para termos algo mais concreto, se tivermos... Mas eu não tenho pretensão nenhuma de sair da sua vida.
– Você acaba comigo assim. — Afastou seu rosto do dela e a encarou. — Sério. Eu não tenho nem o que dizer.
– Que bom! Porque eu não quero que você diga nada agora.
As duas sorriram em concordância, Santana segurou o rosto de Brittany e o puxou mais para si de forma que conseguiu tomar conta de seus lábios, envolvendo-a em um beijo que começou lento, permitindo que ambas saboreassem o gosto de cada canto das bocas, brincando uma na outra. Aos poucos o ritmo do envolvente beijo foi se intensificando, as línguas se encontravam e eram chupadas, assim como os lábios recebiam mordidas e sugadas.
Santana deu passos para frente forçando para que Brittany a permitisse entrar de vez no banheiro, no meio dele, ela se afastou do beijo, segurou na camisa da loira e a tirou, que fez o mesmo com a sua, sendo que todas as outras peças foram também se perdendo ao longo do banheiro. Assim que estavam totalmente nus, voltaram a se encontrar em um beijo ainda mais desejado que o anterior, em passos lentos as duas foram andando para dentro do box, sem se afastar dos beijos e caricias que ficavam cada vez mais quentes. Ambas ficaram de baixo do chuveiro, Santana soltou as costas de Brittany e levou a mão até o registro atrás da loira para abrir a cascata d'água.
– Frio, frio. — Se encolheu a loira toda arrepiada pela água gelada.
– Não sei regular isso. — As duas riam da atrapalhação de Santana.
– Deixa eu ver. — Virou-se de costas e começou a regular o registro até a água começar a cair morna aliviando os corpos gelados.
Porém, Santana não deu brecha para que Brittany voltasse a se virar, com uma das mãos a segurou pelo quadril e grudou seu corpo nas costas dela, seus seios com os mamilos endurecidos roçavam na pele branca. Com a mão livre a latina afastou os cabelos loiros da nuca e os deixou de um lado do ombro, sendo que, desta forma, o pescoço de Brittany ficou livre para seus beijos e suas chupadas.
– Oh meu Deus! — Brittany suspirou forte já que sua mente foi invadida pela lembrança de seu estimulo no banheiro imaginando a latina tomando seu corpo exatamente nesta posição.
– Apóia as suas mãos na parede pro seu corpo ficar mais curvado e levanta mais a sua bunda pra mim. — Sussurrou a latina de forma provocativa ao ouvido da loira, aproveitando-se para dar uma mordida no nódulo da orelha da mesma. Brittany prontamente atendeu ao pedido, ou melhor, a ordem de Santana e se posicionou, arrancando um sorriso da parte da morena que contemplava a visão a sua frente. — Muito bom! — Suas mãos foram em cheio para as nádegas da loira e as apertou.
– O que quer fazer comigo? — Tentou virar a sua cabeça para o lado para poder observar os movimentos da mulher atrás de si.
– Shhh. Vira pra frente e aproveite, apenas isso. — Voltou a ordenar, enquanto suas mãos escorregavam pelas coxas de Britt, as afastando um pouco uma da outra. Após, levou a mão direita para o começo das costas da loira e foi subindo lentamente fazendo com que as suas unhas roçassem pela pele dela. A medida que subia com os arranhões, Brittany envergava as suas costas completamente arrepiada. Ao final, Santana encaixou seus lábios na nuca de Brittany, onde mordeu e chupou, aos poucos foi abaixando seu corpo e foi dando beijos, assim, formando uma trilha por onde tinha arranhado, já um pouco a cima da bunda ela voltou a morder. Para Brittany apenas aquelas provocações serviam para a enlouquecer, cada parte de seu corpo deseja Santana com toda intensidade.
– Você quer me matar. — Até mesmo a voz dela saia falha.
– Uhum. — Voltou a subir seu corpo e a se encaixar atrás da loira. — De preferência de prazer. — Sussurrou enquanto alinhava seu quadril a bunda dela, iniciando os choques do seu centro contra o quadril dela, sua boca levou direto para orelha da loira que mordeu e chupou com vontade, enquanto seus dedos desceram para o clitóris, onde começou a massagear lentamente para que Brittany fosse estimulada junto.
Os movimentos de Santana faziam com que seu sexo friccionasse na bunda de Brittany, proporcionando um barulho extremamente excitante, a latina gemia alto de prazer, o que enchia ainda mais de tesão Brittan. A loira par ajudar nos movimentos, passou a rebolar e assim fazer com que sua bunda roçasse mais no sexo da morena. Santana tinha a visão perfeita, cada vez que seu sexo se esfregava na bunda dela sentia um tremor mais forte em seu corpo, seu prazer era inegável. Seus dedos apertavam e marcavam a cintura de Brittany que gemia baixinho.
– Santana... — Praticamente clamava pela latina, que também já se encontrava a ponta de explodir de tanto tesão.
Santana soltou do quadril de Brittany e escorregou a mão que estava na cinura para frente do corpo dela, deslizando pelo abdômen contraído, fechou o braço abaixo da linha dos seios dela e a puxou para trás fazendo com que seu corpo ficasse reto novamente e seus seios voltassem a tocar as costas marcadas. Assim que a pôs na posição que queria, fechou sua mão esquerda em um dos seios, massageando o mesmo e se aproveitando para brincar com o mamilo enrijecido. A mão direita voltou a descer pelo abdômen, mas só parou ao chegar no centro, arrancando mais gemidos de Brittany. Seus dedos começaram a se mover circularmente para sentir cada centímetro do sexo molhado, podia sentir seus dedos melados com o líquido que vinha dela.
– Mas já? — Virou um pouco seu rosto e deu uma mordida mais próxima a bochecha dela, podendo ver como elas estavam coradas pelo comentário. — Eu gosto assim. Vira aqui. — Brittany virou seu rosto como conseguiu. Ver os lábios de Santana ali tão próximos era uma tentação, por isso mesmo antes de permitir que a latina voltasse a falar, tomou o lábio carnudo da morena para si e o mordeu e o chupou com vontade, chegando até mesmo a cortá-lo um pouco.
– Queria me desculpar por isso, mas não quero... — Elas riram em conjunto.
– Então, me diz o que você quer.
– Você. Em mim. Com força. — Aquela voz rouca e ofegante, os lábios carnudos roçando contra os finos, praticamente deixava impossível qualquer resposta diferente da parte de Brittany.
Santana apenas sorriu em resposta, beijou rapidamente Brittany e voltou a afastar seu rosto para encaixar sua boca mais uma vez no pescoço. Enfiou as pontas de seus dedos no sexo molhado e começou a movimentá-los lentamente de forma circular, enquanto esfregava o clitóris com o polegar. Brittany soltou uma das mãos da parede e segurou no braço da latina cravando suas unhas nela, ao mesmo tempo que começou a mover seu quadril para frente e para trás a fim de ter mais contato com os dedos de Santana. A morena abriu um sorriso safado com as reboladas que Brittany dava, soltou a sua mão do seio dela e levou para a bunda dando algumas espalmadas. Afundou seus dedos no sexo em movimentos mais ligeiros, conforme a loira foi rebolando, arrancando gemidos gostosos que formavam ecos no banheiro.
– Senti saudade de te foder, sabia? — Santana provocou ainda mais. Ouvir os gemidos roucos e a forma como o corpo de Brittany se comportava, literalmente em suas mãos, a enchia de prazer.
– Então vai mais. — Brittany apertava seus olhos enquanto o tesão consumia todo seu corpo, sua boca estava seca, aquele roçar do corpo de Santana atrás do seu era ainda mais erótico, além das penetrações firmes e duras fazendo as contrações de seu sexo aumentarem a cada investida.
Tudo se intensificou ainda mais quando Santana segurou em seus cabelos com força e começou a puxá-los fazendo com que até a sua cabeça fosse para trás. Enquanto os delas entravam e saíam ainda mais rápidos e com certa agilidade por estar bem molhada. O barulho do sexo molhado, os gemidos altos de Brittany e roucos de Santana, o ar quente da respiração da latina no pescoço da loira, a massagem insistente no clitóris inchado... não demorou nada para que Brittany anunciasse seu orgasmo com seu gemido e o tremor do seu corpo que arqueou um pouco e foi amparado pelo braço de Santana, ao sentir que seu liquido escorria mais uma vez.
Brittany apoiou seu braço na parede e curvou seu corpo até que sua cabeça encostasse, puxava o ar com calma até conseguir relaxar. Santana desencaixou seus dedos do sexo dela, e usou as mãos para acariciar a lateral do corpo, enquanto distribuía beijos pelo ombro a espera dela se recompor. Assim que o fez, Brittany se virou de frente para a latina e a abraçou, iniciaram um beijo calmo e carinhoso. Lentamente se colocaram de baixo da cascata de água e aí sim começaram a tomar um banho.
As duas dividiam caricias e compartilhavam risadas, após o banho vestiram roupas confortáveis e se deitaram para dormir em posição de “conchinha”. Santana abraçada ao quadril de Brittany que segurava a mão dela na parte da frente de seu corpo.
– No que está pensando? – Santana indagou notando o silêncio da mulher a sua frente. – Ainda preocupada com o que possa acontecer?
– Sim. Quero dizer, não. Não com a gente. – Suspirou. – A Pierce mulher está muito satisfeita. – Santana deu um beijo no ombro dela em sinal de alegria com aquela frase. – Mas a Pierce mãe está preocupada com seu pequeno filhinho. Não consigo falar com ninguém. E se ele precisar de mim?
– Linda! Não se preocupe, Lisa deve estar cuidando muito bem dele, apenas deve estar com saudade como você. Mas deve estar tudo bem. Amanhã a primeira coisa que a gente faz quando sair daqui é ligar pra sua casa para saber.
– Nossa casa, Santana. É onde você mora também, precisa se familiarizar.
– Estou familiarizada, mas não considero nossa casa onde reside seu marido. Nossa casa é minha e sua, Luca, Lisa e se a Berta não me matar até a Ação de Graças, ela também. – As duas riram.
– É o que quer para você?
– Sim. De preferência com a minha memória, meus pais e minha avó ao meu lado. E um outro bebê, vendo você e o Luca me dá até vontade de gerar uma vida, ser mãe.
– Seria perfeito. – Brittany virou um pouco seu rosto e Santana aproximou o seu para que selassem os lábios.
– Agora fica tranquila e descansa, vai ser um longo dia amanhã.
Brittany apenas concordou com a cabeça e voltou a se acomodar, estava de fato cansada, mas antes de dormir, não pode deixar de repassar em sua mente os últimos acontecimentos.
De repente, aquela estranha que deveria ser um peso e motivo de preocupações em sua vida havia se tornado, na verdade, sua mais nova paixão. E era engraçado, porque há anos vinha sofrendo com seu campo emocional e agora em uma noite, de repente, tudo tinha finalmente se estabelecido por estar com a pessoa certa.
Santana que também se sentia cansada, mas ao contrário de Brittany demorou a dormir, sua cabeça ainda doía e rodava. Muitas coisas boas tinham acontecido naquela noite e isto impedia que um sorriso enorme sumisse de seus lábios, mas ao mesmo tempo estava sendo atormentada por sua recente lembrança, ela queria puxar algo mais. Quando finalmente adormeceu, não sabia dizer se era um sonho ou uma lembrança, mas a imagem da senhora voltou em sua cabeça, mas de uma forma totalmente aterrorizante, diferente da mulher amável que tentava lhe acalmar.
“- Vá embora, Santana. Eu não quero as suas desculpas. Eu não quero que pise mais na minha casa, porque eu nunca mais vou até a sua.
– Mas abuela, você precisa me escutar... – A garota implorava com lágrimas nos olhos.
– ¡Fuera! ¡Ya! ¡Fuera!”
Santana acordou assustada, se antes se encontrava intrigada, agora muito mais por ter causado a raiva de alguém que aparentemente gostava muito e também gostava dela. Cada vez mais se perguntava se de fato ela tinha algum lugar para voltar que pudesse chamar de “sua casa”.
Pela manhã, Brittany estranhou o fato de ser a primeira a acordar. O relógio biológico de Santana havia finalmente falhado?
– San. – Brittany chamou baixinho, ao mesmo tempo que afastava os fios negros do rosto da mulher. – Santana, está na hora de irmos. – Deu alguns beijos no canto da boca. – Vamos preguiçosa.
A morena abriu os olhos e pode ver o sorriso iluminado de Brittany a sua frente, o que instantaneamente fez com que ela sorriso também, afastando de seus olhos todo o ‘medo’ de seu sonho.
– Bom dia! – Elas selaram seus lábios. — Já é muito tarde? Eu não dormi bem.
– Uau!
– O que foi? Tem um ninho no meu cabelo? – A latina perguntou com um pequeno riso.
– Sua voz. Ela consegue ser ainda mais gostosa quando você acorda. E eca! Aqui estou eu feito uma adolescente apaixonada, dizendo coisas bobas. – Colocou a mão no rosto e se virou de barriga para cima na cama completamente envergonhada.
– Se eu visse isso em qualquer outro lugar, eu realmente acharia bobo. – Santana disse curvando seu corpo para cima do de Britt, apoiou um braço na cama e com a mão livre afastou as mãos do rosto da loira. – Mas de você não. – Começou a enchê-la de beijos.
– Sant...
– Eu sei. Eu sei. O carro. Queens. Não vou te atrasar mais. – Revirou os olhos enquanto dizia.
– Acho bom. Ou eu juro que arranjo um esparadrapo para colocar na sua boca e só tiro quando eu precisar. – Começou a rir e Santana arqueou sua sobrancelha a observando bem.
– Safada. – Escorregou a mão pela coxa de Brittany e deu um tapa. – Só quer abusar de mim.
– Aí corta essa, que isso não fica bem pra você. – Ela empurrou o corpo de Santana de cima do céu e foi para cima dela. – E agora, vamos nos arrumar, porque de hoje essa bendita empresa não me escapa. – Levantou-se rapidamente.
– E lá vamos nós.
Em pouco tempo elas conseguiram se organizar e pegar a estrada rumo a Queens, que não demorou nada a chegar. Assim que obteve sinal para seu celular Brittany ligou para sua casa para saber sobre Luca e não sossegou até sua mão colocá-lo na linha para poder escutar os “resmungos dele”. Ligou também para sua secretária da filial para informar o problema que tiveram, bem como para pedir que a reunião com os administradores, juristas e economistas fosse organizada para o momento que ela chegasse. Tudo corria bem, mas diferentemente do dia anterior, Santana ia calada.
– Quando eu falei sobre o esparadrapo eu estava brincando.
– Estava olhando as praias. São lindas. As pessoas não costumam frenquentar tanto, não é?
– As praias do norte não são tão boas para banho, as águas tem uma temperatura muito baixa. Mas compensação é uma cidade formada por imigrantes, ou seja, tem ótimas opções de restaurantes, bares e museus para se visitar.
– Pierce também é cultura.
– Pode ser, mas você não me engana Lopez, tem algo te perturbando.
– Podemos falar sobre isso mais tarde? Estou realmente cansada.
– Quer que eu te deixe no hotel? Você pode descansar.
– Nada disso, eu não vou te atrasar mais, já disse. E você tem muito que ver.
Em pouco tempo elas chegaram a empresa, Brittany tinha vontade até de começar a se benzer, pois não fazia ideia do que ainda poderia acontecer, ainda mais depois de sua viagem conturbada. Pode ser que de certa forma tenha sido positivo o tempo que passou com Santana isolada do mundo num quarto de motel, mas também ela não poderia agradecer a sua sorte, pois todo o resto ao seu redor parecia estar dando errado.
– Senhora Evans, é uma honra enorme recebê-la aqui. A senhorita também, senhorita Lopez.
– Não sei se honra é bem a palavra, Medina. Mas vamos ao que interessa, você preparou a reunião pra mim?
– Sim, senhora. Estão todos ao seu aguardo.
– Ótimo! Espero que estejam todos bem preparados também, porque essa reunião vai ser longa. Peça para pedirem comida para gente. Também quero que comecemos pelos administradores, que me expliquem como foi possível tal empréstimo, a quantia exata que devemos e para quais bancos. – Dizia tudo enquanto caminhava pelo corredor da empresa, analisando algumas planilhas, indo em direção a sua sala. — Espero que tenham feito o devido levantamento e tenham entrado em contato para informar a nossa situação. Quero pareceres jurídicos, bem como as formas que temos de pagamento sem prejudicar a nossa produção ou as nossas mercadorias.
– Sim, está tudo organizado nesse sentido. Mas tenho que notificá-la de que nossos levantamentos não são nada positivos. – Parou com elas na porta do escritório.
– Bom, então eu também espero que já tenham pensado numa solução já que tudo isso aconteceu bem de baixo do nariz de vocês. O que quer dizer que temos alguém que se beneficiou as minhas custas.
– Só posso dizer que a senhora irá se surpreender.
O coordenador caminhou até a sala de reuniões, Brittany e Santana entraram no escritório da loira.
– O que você veio pegar?
– Eu pedi para que deixassem separadas na minha sala algumas pastas com o capital da empresa atualizado para fazer algumas comparações, mas parece que não fizeram. – Respirou fundo ao notar uma bagunça de papéis em cima da mesa. – Devia ter trazido a Marley, ela organizaria isso em segundos.
– Hum, Marley. Ia colocar ela pra dormir entre a gente também? – Cruzou os braços fingindo uma cara brava.
– Ainda com ciúmes, Lopez? Lembre-se que aqui não é o lugar, você é apenas a minha assistente.
– Quer brincar de “chefe”? Fica muito mais excitante também. – Piscou e começou a rir em seguida. – Resolveremos isso mais tarde. Agora, vou perguntar pra secretária ali fora sobre essas tais pastas.
– Muito obrigada, você é realmente muito eficiente. Vou até pedir um aumento para você.
– A gente decide a forma de pagamento depois. – Saiu da sala deixando a loira rindo sozinha.
– Aí, Lopez, Lopez... – Encostou-se na mesa e pegou seu celular da bolsa observando que havia uma chamada perdida de Noah, rapidamente retornou. – Ei, como é que você está?
“- Loira, eu estou bem e você? Deve ter visto as minhas ligações, estava feito louco atrás de você.”
– Eu estou em Queens, vim para empresa e aconteceu diversas coisas entre o caminho. Aliás, uma delas é que Santana parece ter se lembrando de sua avó, ou algo do tipo.
“- Santana, é exatamente sobre ela que eu tenho que falar.”
– O que foi? Conseguiu descobrir alguma coisa aí em Lima?
“- Mais do que você pode imaginar. Mas antes, você está sentada?”
– Bom, há uma mesa atrás de mim, mas por quê? Que mistério é esse?
“- Bem, é que eu tenho uma notícia boa e outra ruim, o que vem da ruim provavelmente você vai preferir estar sentada.”
– Você está me assustando? O que foi que descobriu? A família da Santana não é daí?
“- Não, nada disso. Mas fala, qual novidade quer primeiro: a boa ou a má?”
– Por obviedade que a boa. – Começava a ficar receosa com a resposta do amigo.
“- A noticia boa é que eu descobri quem são os pais da latina, senhora Glória e senhor Estevan Lopez. Santana realmente é de Lima, apesar de não passar quase nada da sua vida aqui. A ponto de nenhum vizinho saber precisar se ela é a moça da foto, tirando pelo fato de que todos dizem que ela se parece muito com a mãe, mas todos concordam em dizer que os Lopez são pais.”
– Isso é incrível! Santana vai ficar muito feliz, eu vou agora mesmo falar com ela, vai querer sair correndo praí.
“- É, mas ela não deve.”
– Por que não? São os pais dela.
“- Lembra da parte ruim? Pois bem, é aqui que ela se encaixa.”
– Tá, então me diz o que aconteceu de tão ruim?
“- Eles estão mortos, Brittany.”
– Como? – Disse surpresa sentindo um tremendo nó se formar em sua garganta.
Como é que ela contaria a Santana? “Olha, encontramos seus pais, mas eles estão mortos. Ou seja, você continua sem ninguém, continua sem rumo.” Era pedir para dar uma facada no peito da morena, ainda mais ela que já estava meio abalada com uma lembrança, imagine com essa informação. Além do mais, isso significaria que Santana ficaria mais tempo sobre seus cuidados. Não que isso fosse ruim agora, mas tudo o que ela queria era ajudar a latina para que recuperasse a sua memória e pudesse retomar a sua vida. "De repente", tudo voltou parecer pesado novamente.
“- Eles estão mortos, mas essa não é a pior parte.”
– Tem uma parte pior?
– Brittany, eu consegui as pastas, podemos ir para sala de reuniões. – Santana entrou na sala sem nem ao menos bater e ficou olhando para imagem da loira encostada na mesa, com expressões assustadas e branca feito um papel. – Você viu um fantasma?
– Hã... É.... Santana, você pode ir levando essas pastas para sala de reuniões e avisar que em cinco minutos eu estou lá? É uma ligação urgente, preciso terminar aqui. – Indicou o aparelho em sua mão.
– Ok. – Deu uma boa olhada na loira que parecia bem estranha, antes de sair levar os papéis.
– Me ouviu, né? Não tenho muito tempo, então para de me enrolar e me conta o que aconteceu de uma vez.
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