Who are you?
16 A culpa é de quem?
Notas iniciais
Todo suspense que Puckerman fazia deixava Brittany ainda mais angustiada, ela conhecia muito bem aquele jeito inseguro dele, sabia que precisava se preparar para mais uma bomba.
“- Os pais da Santana morreram em um acidente de carro um mês antes dela sofrer o acidente com você. O problema é que esse acidente fatal foi provocado, alguém cortou os freios do automóvel.”
– Você está me dizendo que eles foram assassinados? — Brittany sentiu suas pernas tremerem, deu a volta na sua mesa e se sentou em sua cadeira.
“- Exatamente isso. Mas tem mais, adivinha quem figurou como a principal suspeita inicialmente?”
– San-Santana? — A voz dela até chegou a falhar.
“- Sim. A única que teria motivos para querê-los mortos. A única herdeira de uma industria consagrada de cristaleiros.”
– Você não acredita nisso, não é mesmo? — Brittany sentiu seu coração apertar, não era possível que ela tivesse se apaixonado por uma pessoa que matou os próprios pais por dinheiro. — Santana não seria capaz...
“- De verdade? Eu acho que não, não faria sentido. Você mesma me disse que a encontrou em uma via com as roupas rasgadas e cheia de marcas de agressão, possivelmente alguém a queria morta também. Mas também precisamos pensar do outro lado. Ela pode ter planejado tudo, inclusive uma perda de memória.”
A mulher sentiu seu estômago embrulhar, era como se ela tivesse levado vários socos em seu peito, pois tinha dificuldade até mesmo de respirar. A latina era uma pessoa de temperamento forte, mas não era uma pessoa ruim, ao contrário, muitas vezes se demonstrava frágil e seus olhos negros sempre transpareciam verdade.
– Eu não acredito nisso, não acredito.
“- Britt, se acalma. Eu estou te contando tudo isso porque é meu trabalho. Nós já sabemos de onde ela vem, se quiser podemos despachá-la de volta para casa, tecnicamente a sua obrigação com ela já acabou. Mas eu acredito na inocência de Santana e mandá-la de volta agora é pedir para que eles a incriminem, ainda mais com a perda de memória. Mas também, como o seguro morreu de velho, posso continuar a averiguar tudo, tenho novas direções e vou me basear na primeira lembrança de Santana, acredito que Padre Vita pode ser bem revelador.”
– Então faça isso. Mas não se esqueça da avó, Santana seria a legitima herdeira, mas na falta dela, se não há mais ninguém, seria a avó. Você encontrou essa senhora?
“- Chegaram a mencioná-la, mas disseram que ela se mudou de Lima tem dois anos. Que foi vista no enterro e sumiu novamente. Não sei se ela está envolvida, mas vou atrás disso também. Principalmente em quem está tomando conta dos negócios da família, acho que isso nos dará uma bela pista.”
– Ótimo! Eu tenho que pensar em como vou dar essa notícia para Santana.
“- Demanda cuidado, ou ela pode pensar que está contra ela e não queremos isso.”
– É isso que me dá mais certeza que ela é inocente. Ela confiou na gente, acha que se ela tivesse bolado um plano mirabolante de fugir da justiça permitiria que fosse até Lima onde ficaria sabendo de tudo? Além do mais, apenas sendo louca para se jogar na frente de um carro para fingir um acidente, eu poderia tê-la matado.
“- Pode ser, mas já disse que o seguro morreu de velho.”
– Eu sei. Puck, necessito ir para reunião. Me mantenha informada de tudo, eu te ligo mais tarde.
“- Tudo bem, eu vou querer saber como foi tudo aí. Até mais tarde.”
– Até. — Brittany desligou o telefone e respirou fundo. Mais isso agora, Santana uma possível assassina.
– Precisa de ajuda? — A latina disse parada a porta com seu sorriso sedutor.
“Se ela for uma assassina, por favor, me mate na cama. Pierce e seus pensamentos fora de hora. Ela está te encarando, diga alguma coisa para tirar essa expressão de boba da cara.”
– Não, vamos a reunião.
Os primeiros momentos da reunião se demonstraram massacrantes, basicamente todos tentavam demonstrar competência diante de Brittany, bem como a sua falta de culpa diante dos fatos que, no momento, era a preocupação maior da diretora.
– Chega! — Bateu na mesa cansada das conversas paralelas. — Vamos por partes. Diga-me senhor Olivo, qual é o valor da nossa divida atual, quanto foi desviado.
– Bom, senhora Evans. — Um homem magricela com óculos arredondado e de calvice parcial começou a frase com um nítido receio no olhar. — Eu fiz um levantamento e foi contraídos empréstimos com três bancos. Sendo o primeiro cinco milhões, o segundo trinta e cinco milhões. — O homem empurrou seu óculos da ponta do nariz para cima ao mesmo tempo que engolia em seco. — E o terceiro cinquenta e cinco milhões.
– Como é que é? — A loira se levantou de sua cadeira e ficou de pé à ponta da mesa, apoiando suas duas mãos na bancada enquanto lançava seu olhar repreendedor a todos os presentes. — Foram desviados quase cem milhões de nossas contas bancárias e vocês não tomaram ciência? Sendo bem objetiva: que porcaria de gerencia eu tenho aqui? O senhor quer me responder, senhor Medina?
– Senhora Evans, tudo foi feito dentro da legalidade, em nenhum momento houve qualquer tipo de alteração ou ilícito dentro da empresa. Desculpe-me dizer, senhora Evans, mas tudo o que aconteceu teve anuência aos empréstimos até mesmo da senhora. A fraude apenas aconteceu aqui quando a senhora e seu marido não repassaram a verba para investimentos da própria filial e sim uso pessoal.
– O que está me dizendo? — A mulher pode sentir as suas expressões endurecerem.
– Que foi o seu próprio marido quem apresentou os projetos para investimento e expansão da nossa filial. Projeto completamente de acordo com as nossas bases administrativas e aprovados por nossas mesas. Entretanto as nossas metas de necessidade de orçamento não passavam de 23 milhões, permissão que obteve de negociar com os bancos e ele se aproveitou disso para arrecadar quantias de demais bancos e como diretor ele pode alterar os valores ao seu gosto. — Brittany colocou as mãos em frente ao seu próprio rosto e foi se sentando lentamente antes que perdesse seu equílibrio. — Mas a senhora tem totais poderes como ele, um não pode dar um passo sem o outro, para esses empréstimos terem sido concedidos em algum momento a senhora autorizou que ele o fizesse.
– Filho da... — Santana conteve as suas palavras diante os presentes mordendo os próprios lábios.
– Filho da puta? Sim, ele é. — Brittany despejou as palavras completamente raivosa. — E vocês na minha frente são um bando de incompetentes. Se vocês notaram que o valor excedeu em quase 76% como não convocaram nenhuma reunião? Se notaram que nenhuma melhoria foi feita desde um ano atrás quando os empréstimos foram feitos como não chegou nenhuma cobrança em minhas mãos. Vocês estão aqui exatamente para policiar qualquer tipo de irregularidades, exatamente por não podermos ficar de olho em todas as filiais que temos pelo Estado, é para isso que delegamos poderes. Todos vocês foram omissivos. E se a desculpa de vocês é que a culpa é dos “chefes”, eu sinto muito, não vai colar. Alguém aqui ajudou muito o Sam, principalmente para chegarmos a este estado e eu só ser avisada agora. Pois eu tenho uma novidade para vocês, meu nome pode dançar previamente nesses papéis e investigações, mas todo esse desvio ocorreu no meu período de afastamento pela maternidade em que o Sam respondia completamente sozinho por tudo. Por isso, eu não tenho problema em ir a fundo com isso. Não tenham duvidas de que cabeças vão rolar, principalmente judicialmente e eu só vou ter que me preocupar em repor os meus diretores.
– Senhora Evans...
– Se forem desculpas guarde pro senhor mesmo, senhor Medina. E não tem senhora Evans, sim senhora Pierce. Eu quero uma auditoria e eu quero pra ontem. Se alguém quiser colaborar com o trabalho e me dar informações mais concretas, as minhas portas estarão abertas. Mas agora eu quero que me digam qual foi a negociação com os bancos e quais os prazos eles nos deram. Nenhuma filial vai falir na minha gerencia, ainda mais uma tão grande quanto esta. Então vamos ver se ao menos para esse trabalho vocês se prestaram a fazer e trabalharam em soluções práticas.
O restante da manhã e pelo menos a metade da tarde a reunião se tornou mais burocrática no sentido de traçar metas para a devolução dos empréstimos sem que a produção fosse totalmente abalada, muito menos que qualquer tipo de informação vazasse e se tornasse um escândalo. Apesar de Brittany saber que esse era o tipo de informação que não poderia esconder de seu pai e seu sogro, mas ao menos lhe daria tempo de estar com soluções efetivas que demonstrasse sua lisura de todo ilícito. Santana também colaborou nas questões técnicas-jurídicas, além de todo seu apoio, que era fundamental a Brittany, diante de um ambiente tão hostil, ainda mais depois das ameaças sérias da loira.
Quando foi por volta das 15h30 da tarde, Brittany deu por encerrada a reunião para que as ações começassem a serem postas em prática. Dirigiu-se direto para a sua sala, seguida por Santana. Assim que as duas ficaram a sós, Brittany explodiu de ódio contra Sam. Pegou os primeiros objetos de decoração que havia sobre a mesa e os tacou contra a parede numa tentativa de extravasar sua raiva.
– Desgraçado! Eu não acredito que ele foi capaz de fazer isso comigo. — Andava de um lado para o outro, passando a mão em seus cabelos, agora bagunçados, seus botões de sua blusa social foram abertos em sinal de sua vontade de diminuir a sua pressão. — Não, quer saber? — Ela parou e ficou de frente a Santana que se demonstrava imóvel com os braços cruzados, deixando que ela liberasse toda a carga ruim e assim se sentisse mais aliviada. — Eu acredito sim, porque ele é um lixo de homem que nesse exato momento deve estar sentado rindo da minha cara, enquanto eu estou aqui dando a cara tapa para limpar a sujeira que ele fez. Mas se pensa que vai se safar dessa está muito enganado. Vai ter que devolver centavo por centavo e pedir misericórdia diante a justiça. Qual é? Ele pensou que poderia desviar uma fortuna e ninguém se daria conta? — Voltou a dar as costas para a latina e jogou mais objetos pro ar, sendo que ao final, sentou-se na beirada da mesa, colocou as mãos no rosto e começou a chorar de nervoso.
Santana notou que ela havia chegado ao fim de sua explosão, tendo como este o momento certo para se aproximar. A latina foi até ela e a envolveu em um abraço terno, passava as suas mãos pelas costas dela com carinho para se acalmar, enquanto dava pequenos beijos em sua face.
– Shhh. — Sentiu a loira se agarrar a ela com certa força, enquanto tentava engolir os soluços de choro. — Tudo vai ficar bem.
– Ele vai acabar comigo.
– Não, você vai acabar com ele, você tem as cartas na manga. — Afastou seu rosto e a encarou. — Você se saiu muito bem hoje, serviu para que todos vissem que não está de brincadeira e muito menos compactuando com esses desvios.
– Quando eu entrei, há três anos atrás, eu era vista como uma piada, era frustrante ver como ninguém se importava comigo pelo único fato de eu ser mulher, mas eles tinham que me ouvir porque era filha do dono, posteriormente presidente. Mas eu consegui. Fiz tudo perfeitamente e ainda ampliei, renovei muitos de nossos exemplares que já estavam se tornando desinteressantes ao nosso público. Eu trabalhei bastante, pra ver agora esse descrédito em mim. Não posso dizer que Sam não fez nada, ao contrário, abriu bem mais nosso mercado, se dedicou muito nos projetos. Mas agora isso...
– Deu um tiro no próprio pé. — A latina fechava delicadamente os botões da blusa de Brittany. — Você vai se recompor e sair com a cabeça erguida dessa sala. Eles tem que te respeitar, mas você não pode perder o controle. — Deu um singelo beijo na testa da mulher a sua frente.
– Obrigada. — Respirou fundo e levou as mãos até seus cabelos tentando arrumá-los. — Eu não sei o que eu faria sem você aqui.
– Na verdade, eu não sei o que faria sem mim nunca. Como sobrevivia antes de eu entrar em seu caminho? — Fez uma cara convencida, o que fez com que Brittany risse.
– Você se acha demais, credo.
– Mas você sorriu. — Elas se entreolharam e trocaram sorrisos.
– Eu preciso falar com o Sam. — Deu a volta na mesa, sentou-se em sua cadeira e pegou o telefone.
– Se ele te atender, o que é obvio que não. — A latina se sentou na cadeira em frente a mesa.
– Marley? É Brittany, tudo bem? Me diz uma coisa, Sam se encontra na empresa?
“- Senhora Pierce, como vai a viagem? O senhor Evans acabou de chegar de um evento e se encontra na sala dele.”
– Bom, quando eu chegar você não tem nem ideia do que eu tenho para te contar, Rose. Mas olha, me transfere para o ramal do Sam, é urgente.
“- Sim, senhora Pierce.”
“- Escritório do senhor Evans; Tina Cohen-Chang falando, boa tarde.”
– Tina, diga pro Sam me atender agora.
“- Desculpe, senhora Pierce, mas o senhor Evans se encontra em uma reunião.”
– Não se encontra não, Marley acabou de me informar que ele já retornou. Então faz o seguinte, diz para ele que eu dou 5 minutos para ele me retornar, caso contrário eu vou pedir para falar direto com meu sogro querido, tudo bem? Trabalhe um pouco e faça isso, sim? — Desligou o telefone antes mesmo de ouvir qualquer resposta.
– Adoro esse seu jeito mandão. — As duas riram. — Agora, me diz uma coisa. Com quem estava conversando antes da reunião? Parecia nervosa.
Brittany respirou fundo e lembrou-se de seu outro problema grave, Santana Lopez. Aquilo não seria nada fácil.
– Com o Noah, ele me deu várias informações sobre você.
– Isso é ótimo! Por que não me disse antes? — Um sorriso iluminado surgiu nos lábios da latina e isso cortava ainda mais o coração de Brittany.
– Porque foram muitas informações juntas e nós tínhamos a reunião, você ficaria toda afobada.
– Tudo bem, então me conta agora.
Nesse mesmo instante o celular de Brittany começou a tocar, livrando-a por mais um tempo do sufoco de contar a verdade a morena.
– É o Sam, preciso atender. — Ela atendeu a ligação sobre o olhar curioso e apreensivo da latina. — Evans? Não podia ter sido mais modesto. Desviou 95 milhões.
“- Brittany, eu...”
– Não, não gaste seu latim comigo. Você me deu um presente. Nosso divórcio e o controle total das empresas. Só devo agradecer a você por tamanha burrice. Eu só queria mesmo esfregar isso na sua cara, mas não se preocupe tá? Assim que eu chegar nós vamos conversar cara-a-cara para você fazer as suas lamentações. Belíssima tarde! — Encerrou a ligação. — A sua frente, a latina ria de uma forma contagiante diante das palavras de Britt.
– Você foi perfeita! Bom para ele aprender a levar umas, ainda mais depois de tudo o que fez pra você.
– Sim, quis só ter esse gostinho de vingança. Mas eu sei que as coisas não serão fáceis assim. Eu sei que eu vou ter muita dor de cabeça. Mas eu não quero mais pensar nisso por hoje, eu estou esgotada. Eu quero ir pro hotel, tomar um banho, me alimentar e descansar, porque se eu ouvir mais uma vez alguém me chamando de “senhora Pierce” ou “Evans”, eu mato.
– Então vamos, madame. — Santana se levantou e estendeu a sua mão para Brittany. — Eu também preciso muito.
As duas foram para o hotel e puderam desfrutar do conforto do mesmo, bem diferente da situação deprimente que se encontravam no motel. Santana continuava aflita por noticias suas, mas ela também sabia que Brittany estava em seu limite, então resolveu aliviar e segurar a sua ansiedade por mais um tempo. Ambas seguiram o ritual descrito por Brittany e depois dormiram o resto da tarde. A latina foi a primeira a despertar, por volta das 19h30, não muito depois Brittany também acordou, pode ver Santana sentada no sofá apenas de roupão, enquanto folheava uma revista e tinha a tv ligada. A loira levantou-se esfregando os olhos e caminhou até ela, sentou em seu colo, que deixou a revista de lado para abraçá-la e trocaram alguns selinhos longos.
– Bom dia. — A latina disse com um pequeno riso.
– Dormimos muito.
– Estávamos esgotadas.
– Isso é verdade! Só de pensar que tenho que dirigir tudo aquilo de volta amanhã já volto a ficar cansada.
– Pode me deixar dirigir um pouco. — Deu de ombros como se fosse algo absolutamente natural.
– Não, de forma alguma. Chega de acidentes. — As duas riram. — Daqui a pouco sou eu sem memória e aí ferra tudo de vez.
– Boa, por falar nisso. Você tem coisas para me contar.
– É... Eu tenho.
– O que foi? Ele não conseguiu nada, é isso? — A latina já esbanjava expressões de tristeza.
– Não, ao contrário, eu só não sei como dizer o que é preciso.
– Fala, Brittany, sem enrolar. Seja lá o que for, me diz de uma vez.
Brittany pegou as mãos da latina e as deixou entre as suas para conseguir, mas também passar forças quando terminasse de falar.
– Santana... — Sentiu sua boca secar, mas o olhar preocupado a impedia de parar de falar. — Noah foi até Lima e descobriu sobre a sua família. Ele soube que seus pais foram mortos em um acidente de carro proposital, acerca de um mês antes de eu ter te atropelado. Alguém quis que eles morressem e você circula como uma das principais suspeitas de ter encomendado esse crime. — Brittany viu os olhos negros se fecharem e cascatas de lágrimas escorrerem dos mesmos.
– O que foi que eu fiz, Brittany? O que foi que eu fiz? — Sua voz saia falha e tinha um tom mais dolorido.
– Não, San... — Soltou das mãos dela e segurou no rosto lhe enchendo de beijos por todos os lados, parou por fim com sua testa grudada na dela. — Você não fez nada, nada. Olha só, tudo indica que você foi vitima também, eu posso dizer as condições que eu te encontrei. San, você não faria mal a ninguém, ainda mais pros seus pais.
– Será? Será mesmo? Porque que eu me lembre eles me abandonaram em algum lugar quando eu era criança. Mais jovem eu queria ir embora chorando de casa e depois a minha avó me expulsou da casa dela.
– Santana, você não é uma pessoa ruim. Seus pais eram donos de uma cristaleira, ou seja, riquíssimos. A suspeita de que quem os matou estava atrás de dinheiro. Você estava perdida no meio de uma estrada, com vestes rasgadas e toda machucada. Sem desfrutar de nada, a não ser que você seja uma tremenda de uma sem vergonha que está enganando até a mim, mas aí sou eu que juro que vou te matar de tanto te bater.
– Só aceito tapas seu na cama, porque você é muito molinha. — As duas deram um riso sem graça. — Eu não sei Britt, eu estou com medo. Medo de lembrar que eu fui capaz de algo do tipo. Medo de lembrar que eu sou um monstro que matou os próprios pais por herança. Meus pais... Coitados dos meus pais... — Voltou a chorar.
Brittany saiu do colo dela e sentou no sofá ao lado e a puxou para seus braços fazendo carinho.
– Você não é um monstro e agora mais do que nunca deve fazer um esforço para se lembrar de tudo o que aconteceu. Assim teremos mais chances de provar que é inocente. Até lá, nós vamos continuar correndo atrás. Tudo bem? — A morena apenas assentiu com a cabeça e ficou quieta recebendo os carinhos da loira.
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