Who Are You?

9 Capitulo 9


Fui acordada pela minha mãe as 08:00 horas da manhã para tomar meus remédios para dor, e logo depois de 20 minutos os que a analista alegou que faria bem ao meu tratamento. Que teria a primeira sessão amanhã logo depois de minha aula com Kai Wright. Meu pai me disse que teria aulas com ele todos os dias a partir de hoje. E tinha separado uma parte da sala para fazer nossos estudos. Como mamãe só trabalhava 3 vezes na semana, ao contrario do meu pai que trabalhava todos os dias, exceto os finas de semana, decidiram começar a primeira aula num dia em que minha mãe estaria de folga, afinal, era apenas medidas de segurança. Mesmo que o rapaz tivesse um currículo exemplar (segundo a analista) era sempre bom ficar de olho.

Pra ser sincera, não queria ter essas aulas, mas era um pedido de meus pais, não podia negar isso a eles.

Depois de ser acordada, não consegui dormir mais. Então me levantei, mesmo ainda tendo umas horas antes de conhecer meu professor, resolvi ficar apresentável. Não tinha vontade de me arrumar, por isso optei por uma roupa bem confortável, e prendi os cabelos em um rabo de cavalo. Com muito esforço pois ainda sentia dores pra caramba, desci até a sala. Papai já havia saído, e minha mãe estava na cozinha com uma xícara de café na mão e um bloco de notas na outra.

Falando brevemente com ela, peguei uma xícara de café também. Não sentia mais fome, o que preocupava muito minha mãe. Mas antes que ela falasse algo, fui para sala e me sentei no sofá. Liguei a tv, mas como sempre, não estava conseguindo focar no que passava a minha frente. Entediada, peguei o notebook que estava na mesinha a minha frente, e entrei na minha conta no Facebook. Sabia que talvez fazer login para ver as postagens de alguns conhecidos me deixaria mal, mas mesmo assim, não contive a vontade.

Assim que entrei na minha página não tinha nenhuma notificação, mas tinha uma mensagem, estranhando isso, cliquei encima para ver de quem era. Meu queixo caiu, era Tessa. Com receio comecei a ler o que estava escrito:

''Fiquei sabendo que finalmente foi presa. Mesmo que seja a domicilio! Finalmente a justiça está sendo feita. Me arrependo a cada dia de ter sido amiga de uma assassina louca feito você. Espero que me esqueça, pois eu já esqueci''

Reli a mensagem duas vezes, e mesmo assim meus olhos não acreditavam no que liam. Pensei em responder, mas antes de pensar numa resposta coerente, uma janelinha se abriu. Era Jack

''-Não respondeu minhas mensagens e nem minhas ligações, ta tudo bem?''

Digitei em resposta:

''-Sim, estou bem. Mas as coisas estão complicadas... Não posso falar muito. Te mando mensagem depois. Pode ser?''

Enquanto ele escrevia a mensagem, exclui Tessa do meu grupo de ''amigos'' sem ao menos responder. Estava chocada. Um bip e a janelinha subiu em minha frente com a resposta de Jack.

''-Tá! Tudo bem.''

Sem me demorar muito, sai da minha conta e olhei pela janela, um dia tão bonito como esse, e eu aqui trancada, e o pior de tudo, ainda sentia o remorso e a fúria de todos que estavam ao lado de fora.

As horas foram passando e cada vez mais chegava a minha aula com o professor. Minha vontade já era minima, agora então... estava mais baixa. A campainha tocou, e sabia que era ele. Minha mãe foi atender enquanto eu permanecia na sala com cara de tédio.

Ouvi passos, e logo minha mãe disse:

–Lisa, esse é seu mais novo professor, o Kai Wright.

Olhei para ele surpresa. Imaginava que fosse alguém bem mais velho com cara de poucas idéias. Mas me enganei. Ele era um pouco mais alto que eu e tinha os cabelos pretos bagunçadinhos. Seus olhos eram castanhos escuros e sua pele era da mesma tonalidade que minha, ou seja, clara. Me recompus e respondi educadamente.

–Oi, prazer, sou a Lisa — Disse isso sei jeito.

–Seus pais me falaram brevemente de você. Então, vamos começar? — Respondeu ele com uma voz confiante.

–Tudo bem. — Falei indicando a mesa que seria destinada a nossos estudos.

Ele me acompanhou e nos sentamos, e minha mãe pediu licença, e disse que estaria na cozinha caso a gente precisasse de algo.

Me senti estranha, era a primeira vez que alguém sem ser da minha família me via com a tornozeleira, que cada vez me incomodava mais.

–Então, por que não me diz o que estava aprendendo na escola? Pode falar de todas as matérias por favor? — Perguntou ele.

Assenti com a cabeça, e comecei a dizer a onde tinha parado. Ele anotava algumas coisas no caderno e ouvia atentamente. Percebi que ele não me julgou ao primeiro olhar, como muitos da minha escola fizeram. Fiquei feliz diate disso, talvez ter aulas não fosse tão ruim assim.

Ele me perguntou se eu tinha preferência de como seria as nossas aulas, e eu disse que não. Então ele me mostrou o cronograma, e começaríamos por História. Matéria que eu menos gostava.

As explicações dele foram ótimas, e até o final da matéria dada aquele dia, estava me sentindo mais a vontade. Até tinha esquecido do episódio que ocorreu com Tessa. Ele era confiante, e mostrava determinação ao me explicar as coisas. Definitivamente ele era um bom professor.

Ao terminar nosso horário, ele foi embora sendo bem educado. Poderia ser loucura, mas ansiava pelo dia seguinte.

Faltando poucos minutos para as 18:00 horas, onde poderia finalmente tomar um banho e tirar um pouco a tornozeleira, subi ao meu quarto, e liguei o chuveiro. E rapidamente me senti relaxada. Estava exausta. Antes que que se esgotasse os meus 10 minutos livre daquele aparelho horroroso, coloquei ele novamente no lugar e desci para o jantar.

Fui até o meu pai o cumprimentando.

–Como está querida? — Perguntou ele.

–Estou bem pai, e o senhor?

–Estou melhor agora vendo seu sorriso — Disse isso sorrindo. — Como foi a aula?

–Foi bem, acho que vai ser bom pra mente.

O jantar até que foi legal, o clima em casa mesmo ainda sendo muito tenso, estava amenizando. Talvez as coisas um dia voltasse ao normal de novo.

Antes de subir, tomei mais um remédio recomendado pela a analista. E sonolenta me deitei dormindo em poucos minutos.

Acordei no meio da madrugada arfando e suando frio. Tinha tido um pesadelo horrível, onde eu estava com James o beijando, e de repente minha mão estava cheia de sangue e o corpo do meu namorado a minha frente totalmente em pedaços espalhados por entre a casa.

Respirando rapidamente sem ligar para as dores musculares, fui até a cozinha, e esbarrei em algum objeto da casa. Praguejando baixo, peguei um copo d'água e tomei a grandes goles. Olhei a janela e tudo estava escuro... Exceto pelos pares de olhos que me observavam no meio da noite, assustada, derramei o copo que caiu no chão fazendo um barulho alto no meio da noite, e liberando vários cacos de vidro a minha volta, sem ligar para onde pisava, caminhei para trás me cortando um pouco, mas não sentia dor. Sentia medo.

Será que o que tinha visto era real? Ou era imaginação?

Acordados pelo barulho, meus pais foram até a cozinha e me encontraram no escuro. Acenderam as luzes e me viram parada e muito pálida perto dos cacos de vidro. Não disse nada, mas caminhei em direção a minha mãe a abraçando, sem ligar para o sangue que escorria dos ferimentos.

Voltei ao meu quarto acompanhada de minha mãe, que após cuidar dos ferimentos do meu pé, disse que ficaria comigo até eu adormecer.

Me forcei a dormir. Mas não conseguia, o pesadelo permanecia vivo em minha mente.