Who Are You?

8 Capitulo 8


Acordei deitada em minha cama com o sol cercando meu rosto. Estava com muita dor de cabeça e não lembrava do que tinha acontecido depois que pulei da sacada.

Tentei me levantar, mas meu corpo todo doía profundamente. Provavelmente eu teria uma concussão. Levando a mão até o minha testa, esfreguei ela pensando na burrice que tinha feito. Como fui tão burra a esse ponto? Minha vida estava uma merda, mas fazer isso não adiantaria nada.

Com muito esforço, me levantei, e andei lentamente pela casa, não sabia que horas era e nem por quanto tempo fiquei dormindo. Devagar, desci as escadas, e escutava mamãe ao telefone, para não atrapalhar, fui na cozinha, e peguei um copo d'água. Estava com a garganta seca. Olhando pela porta a onde tinha escapado naquele dia, fiquei perdida nos meus pensamentos.

–Vejo que acordou. — Falou minha mãe com a feição de séria. — Lisa? O que tinha na cabeça para fazer uma coisas dessas? Primeiro foge, depois quando chega sem dar satisfações, e logo em seguida tenta se matar?

Desviei meu olhar dela, e fitei o chão sem saber o que dizer. Não queria conversar, queria apenas voltar a dormir.

–Quanto tempo fiquei inconsciente? — Perguntei.

–Dois dias. Dois longos dias. Tem noção de como fiquei preocupada?! Você não acordava, e mesmo o médico tendo vindo aqui não foi o suficiente para me fazer ficar calma, pensei que ia lhe perder, já basta tudo isso que está acontecendo. — Terminou enterrando suas mãos no rosto.

Não aguentava ver ela assim, e tudo por minha culpa. Mas não tinha palavras para dizer naquele momento, achei melhor ela ficar sozinha, mas antes de ir, disse:

–Desculpe mamãe, não queria que isso estivesse acontecendo.

Me virando, com muita dificuldade voltei ao meu quarto fechando a porta ruidosamente. Olhei ao redor do meu quarto, nunca odiei tanto um lugar como estava odiando agora. Eu me odiava, estava farta de tudo isso.

Fui até o espelho, e olhei para mim mesma, o que tinha me tornando? Uma menina sem futuro, com pensamentos estranhos, será que ficaria louca?

Analisando melhor minha imagem, vi que tinha partes do meu corpo que estavam roxas, e arranhadas, com certeza isso foi pela queda. Me apalpando para ver onde eram os pontos mais doloridos para fazer uma massagem, percebi que em meu tornozelo já estava a tornozeleira eletrônica que vigiaria daqui pra frente por tempo indeterminado. Com tudo que aconteceu, nem tinha percebido que estava ali. No momento não incomodava muito, mas ao ter olhado a ela, fiquei mais triste do que estava.

Sentei na minha cama e fiquei ali por tempo indeterminado. Olhando o nada, sem pensamentos nenhum. Escutei de leve uma batida na porta, e logo em seguida minha mãe entrou.

–Posso falar com você? — Perguntou.

–Tudo bem.

–Acho que já viu sua tornozeleira não é? — Começou ela. — Bem, depois que te encontramos no chão desmaiada, te levamos ao hospital, e os médicos foram bem precisos, fizeram tudo que podiam para ver se tinha lhe acontecido algo de mais grave. — Ela deu uma pausa olhando para mim. — Mas felizmente, nada de grave houve, mas ficou muito machucada, vai ter que tomar uns remédios para dor... O pessoal notificou a policia a onde estava, então depois de saber que não tinha nada, eles a trouxeram e colocaram a tornozeleira, mesmo inconsciente.

Sorte? Pensei comigo mesma, que sorte?

–Mais alguma coisa? — Perguntei.

–Sua analista acha que deve tomar alguns remédios. Disse que fará bem, e talvez até melhorar seu desempenho no tratamento que você iniciara ainda essa semana. — Respondeu ela com o ar triste, e com linhas de expressão formando em seu rosto.

–Que legal, vou tomar remédio para louco! Minha vida não poderia estar melhor. — Falei ironicamente.

Ela me olhou pensativa, acho que queria dizer algo, mas não disse, apenas caminhou até a porta e falou:

–Acho melhor descansar um pouco, na hora dos remédios eu lhe trago. — Pausa. — O investigador trouxe umas anotações de como será daqui pra frente. Deixei encima do criado mudo.

–Vou ler então, não tenho muita coisa para fazer.

–Certo. — Suspirando pesadamente ela disse — Descanse filha.

E logo em seguida saiu, me deixando sozinha novamente. Peguei a folha na mesinha e comecei a ler.

''Vou ser breve na explicação, como disse na noite em que estive em sua casa antes de fugir, não vou repetir as mesmas indicações, afinal, sei que entendeu... Não pode tirar a tornozeleira elétrica por absolutamente nada, qualquer indicio de que está tentando fazer isso, já sabe, a policia entrará em contato, se fugir a mesma coisa, e sem contar os choques de alta potência. Como o objeto é eletrônico, terá 10 minutos para retirar a tornozeleira e tomar um banho, que será todos os dias as 18:00 horas. Caso extrapole no tempo, já sabe, polícia acionada''.

Não sei por que, mas li aquelas palavras ironicamente, e me perguntei como ele se sentia toda vez que investigava um caso novo.

Deitando na cama, pensava que minha vida não podia estar pior. Peguei meu celular, tinha 3 ligações perdidas, e 6 novas mensagens, todas de Jack.

Não liguei de volta, mas abri as mensagens:

''Lisa? Tudo bem?''

''Caramba, apesar de tudo foi bom conversar com você, me responde quando der''

''Hahah vai me achar louco, mas estou preocupado...''

''Fico me perguntando se você está sem celular (me imagine de cara feia)''

As duas próximas eram bonequinhos com cara de preocupados. Pensei em responder, mas estava sem paciência para papos. Liguei os altos falantes do meu celular e coloquei uma música para tocar, ''When A Heart Breaks'' gostava do ritmo dela, e me fazia pensar nas coisas. Meu pensamento desviu para uma lembrança. E sorri diante disso, pois foi quando eu e James demos o nosso primeiro beijo. Tanto ele quando eu estávamos nervosos e ansiosos. Ele tinha me convidado aquele dia para uma volta no parque de diversões que tinha aberto ao extremo da cidade.

Lá possuía muitas atrações, e era impossível não me divertir, ainda mais estando ao lado dele. No fim da noite, ele segurou minhas mãos e disse como tinha sido legal aquele dia comigo, e ao me virar para encarar seus olhos ele se aproximou lentamente, e me deu um beijo suave e apaixonado.

Nunca iria me esquecer daquele dia... Na verdade, nunca iria me esquecer dele.

Me levantei e desci as escadas, não queria mais ter minha mente invadida por coisas do passado.

Meus pais estavam na cozinha, conversando baixinho, e quando entrei disfarçaram.

–Que bom que desceu, já ia levar seu remédio para dor. — Falou minha mãe me entregando uma capsula com um copo contendo água.

Tomei o remédio rapidamente, enquanto meu pai perguntava como eu estava. Respondi que me sentia melhor. Mas não adentrei muito no assunto.

Pigarreando ele disse:

–Conversei com sua mãe, e com o investigador, e achamos que seria adequado continuar seus estudos. Mesmo que seja em casa. Sua analista disse que faria bem, e recomendou um professor especializado nesses casos. O rapaz se chama Kai Wright.

Ótimo, pensei comigo mesma, teria que aturar mais um olhar desconfiado sobre mim. Isso não poderia ficar melhor.

Assenti com a cabeça, e em seguida fui para sala. Estava cansada disso tudo.