Who Are You?
7 Capitulo 7
Durante a semana seguinte foi basicamente igual todos os dias. Ia para a escola, era rejeitada e insultada de todas as formas possíveis. Saía do colégio e ia direto para o cemitério, lé era o único lugar que me deixava um pouco bem.
Sentada lá pelo resto da tarde, ''conversava'' com James sobre as coisas que ocorria aqui, e contava algumas histórias nossas a ele. Nunca acreditei muito nessas coisas de espiritismo, mas naquele momento, rezava para que ele pudesse me ouvir onde quer que ele estivesse.
Meus pais tentavam levar a vida normal, mas sei que pra eles não estava sendo fáceis as coisas, assim como pra mim.
Jack me mandava mensagens algumas vezes durante o dia. Eu respondia educadamente mas não queria papo, afinal, ele era irmão dele, e eu acabava me sentindo culpada pelo que tinha acontecido. Mas era boa a sensação de saber que alguém além de seus pais ainda se importava com você.
Pensando em tudo isso enquanto voltava para casa depois de mais um longo dia, dava graças a Deus pelo final de semana que tinha chegado. Tinha cansado daquela rotina, queria poder me divertir um pouco, mesmo que fizesse isso sozinha.
O começo da noite estava bom, o tempo tinha melhorado bastante desde os últimos dias, o que me deixava melhor, odiava chuva e neblina. Pensando nisso virei a rua da minha casa e me deparei com um carro estranho parado na frente de meu portão, senti um pouco de medo, talvez fosse o investigador. Pensei em dar a meia volta e voltar só depois, mas não podia fazer isso, não com meus pais me esperando.
Respirando fundo, andei em direção a minha casa, e adentrei ela sem muita pressa. Na sala estavam meus pais, o investigador Morris, e uma mulher que aparentava ter a idade da minha mãe, ou seja, uns 39 anos por aí.
–Lisa! Que bom que chegou, o investigador Morris tem quer falar conosco. — Falou minha mãe com o olhar preocupado.
–Tudo bem. — Respondi secamente, me sentando ao lado dos meus pais.
–Bem Lisa, creio que não é um prazer me ver, e acredite, pra mim também não, pois não tenho boas noticias. — Disse ele pausadamente. — Antes de tudo, essa aqui e a psicologa e psiquiatra Analice, que vai lhe acompanhar durante duas vezes na semana.
Olhei para os meus pais, sabia que teria uma analista em breve, mas esperava que eles me contassem, ao invés de ficar sabendo por um desconhecido. Voltei minha atenção para Morris e disse:
–E qual é a outra noticia?
–Bom, o caso ainda vai ser investigado, porém não com tanta precisão como antes, só que enquanto isso, foi decretado que a senhora é culpada pelo crime, e tendo um mandato de prisão por tempo indeterminado.
Meus pais suspiraram, eu tentei me controlar, já esperava por isso. Apertei a mão da minha mãe para lhe passar confiança e olhei para o investigador para que continuasse.
–Como seu pai é advogado, conseguiu uma licença para que fique em prisão domiciliar, onde como deve saber, ficará em observação por 24 horas por nossos monitores caso tente fugir. O aparelho fica no tornozelo e é bem resistente, e segue um diâmetro preciso. Por entre sua casa inteira terá liberdade, e em algumas áreas do seu quintal dos fundos também. Já aqui na parte da frente, é restrito, e cada vez que ultrapassar do combinado, receberá um choque e a central será avisada para comparecer a sua casa. — Disse ele por fim com a maior simplicidade do mundo.
Tanto eu quanto meus pais não dissemos nada. Mesmo sabendo que isso aconteceria, me senti mal.
–Lisa, conversamos com a psicologa Analice, e ela pode explicar o que tenha acontecido naquela noite. — Falou meu pai.
–Sim. Pelo ocorrido ser um baque tremendo para sua mente acompanhar, ocorreu esse bloqueio nas lembranças daquele episódio fatal. E que por meio de sessões vamos descobrir o que levou a cometer aquela atrocidade ao seu falecido namorado. — Falou Analice com um ar superior que me tirou do sério
Estava respirando com dificuldades, aquilo tudo me consumia por inteiro, e uma fúria dentro de mim nasceu. Não queria ouvir mais nada, estava sufocando ali. Pedi licença para ir até a cozinha. Quando cheguei lá, sai em disparada correndo pela noite abafada sem olhar para trás.
Não era possível, agora meus pais achavam que eu era a culpada.
Corri até o máximo que pude, e fui parar no cemitério escuro e vazio, me sentei no primeiro banco que vi na frente e peguei meu celular do bolso da calça, e liguei para Jack. Ao segundo toque ele me atendeu.
–Lisa? Que surpresa! Aconteceu algo?!
–Preciso conversar, pode me encontrar no cemitério agora?
Pausa.
–Sim, estou indo pra aí.
Enquanto esperava por ele, cutuquei a terra com um galho que encontrei ali. Desenhando varias espirais que davam a lugar nenhum.
10 minutos depois encontrei Jack vindo todo sem jeito na minha direção, e não sei por que fiz aquilo, mas corri para ele dando um longo abraço. Ficamos assim por uns minutos. E por fim o soltei.
–Desculpe. — Murmurei sem jeito.
–Tudo bem. — Disse ele passando os braços sobre mim me conduzindo ao banco em que estava sentada antes. — Agora me fale, o que houve?
Contei tudo o que tinha acontecido, até da semana ruim que tive, das conversas imaginarias que tive com o James e de como sai correndo hoje ao saber da noticia que fui declarada como culpada.
–Puxa, queria fazer algo para te ajudar. — Falou ele meio desnorteado.
–Pra começo de conversa, nem deveria estar aqui, você deveria me odiar como sua família me odeia.
–Mas eu não te odeio. — Respondeu dando um sorriso.
Franzi a testa e me encolhi um pouco.
–Ei? Não fica assim, sei que sou um péssimo conselheiro, mas tenta ver isso pelo lado positivo.
–E qual seria o lado positivo? — Perguntei.
–Sei lá... ver séries de tv que está atrasada, aprender a cozinhar, arrumar seu quarto, essas coisas.
–Tá brincando né?
–Não, falei sério. Muito sério. — Disse ele me encarando, tentando ficar bem sério.
Soltei uma risada estérica, diante da situação.
–Viu? Vai tudo ficar bem.
–Será mesmo? Nunca vou ter minha vida de volta.
–Não fica assim. — E ao dizer isso deu um soco de leve no meu braço.
Suspirando, balancei a cabeça tentando mentir para mim mesma que tudo ficaria bem.
Meu celular vibrava sem parar, e nem era preciso ser adivinha para ver que eram meus pais. Desliguei, não queria voltar pra casa, não agora.
Jack tentou me distrair com assuntos aleatórios que eu nem prestava a atenção, mas tentava continuar a conversa.
Era de madrugada quando voltei pra casa, meus pais aflitos e com medo, disse que o investigador tinham colocado policias para me procurar. Sem me importar, subi para meu quarto, sabia que amanhã seria um dia e tanto.
Sem sono sentei na sacada do meu quarto e pensei no que fazer. Talvez ir de encontro com o James pudesse ser bom. Fechando os olhos, respirei fundo, e me levantei, dei um passo para frente, senti o vento abafado no meu rosto, e sorri diante disso. Segundos depois, meu corpo sentiu a pressão da queda e tudo era silêncio.
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