Who Are You?

6 Capitulo 6


Meu celular despertou exatamente no horário programado. Mas como já estava acordada, apenas o desliguei, e me levantei calmamente.

Dei uma rápida olhada pela janela, e o tempo estava um pouco escuro ainda, afinal era apenas 05:00 horas da manhã. Abri a janela e senti o vento gelado no meu rosto. Com certeza o tempo seria fechado durante o dia todo.

Caminhei em direção ao banheiro e resolvi tomar um banho, lavando os cabelos demoradamente, sentindo um frio na barriga. Parecia que hoje seria meu primeiro dia de aula no jardim de infância novamente.

Me enrolando numa toalha enorme abri meu guarda roupa e vesti uma calça jeans preta básica, com uma blusa bege de rendas e uma jaqueta também preta por cima. Nos pés, optei por um all star surrado que gostava por ser muito confortável e bom para caminhadas. Olhei no espelho, e apesar de tudo, estava com uma cara boa... Penteei os cabelos, e os deixei solto para secar naturalmente.

Checando meu rosto, vi que estava pálida, e com feições tristes. Nem com toda a maquiagem do mundo, poderia mudar minhas expressões agora, ou apenas amenizar. Então apenas passei um batom cor de boca para tirar um pouco da aparência seca que ela estava apresentando.

Pegando minhas coisas encima da poltrona que tinha perto da janela, desci as escadas, meus pais tinham acabado de acordar. Meu pai se arrumava no quarto e minha mãe preparava o café da manhã, que por sinal estava com um cheiro muito bom.

–Bom dia mãe. — Fui logo dizendo e pegando uma xícara enorme de café preto, me sentando perto da bancada.

–Bom dia querida. Preparada? — Perguntou ela olhando para mim, e me dando uma grande tigela com cereais e leite.

Antes de responder, dei um gole no café, e por fim disse:

–Não, mas tenho que fazer isso. Preciso encarar o mundo lá fora.

–Tem toda razão, mas sabe que pode me ligar assim que quiser. Passarei o dia todo em casa.

Assenti com a cabeça, e comecei a comer. Nesse momento meu pai adentrou na cozinha dando um ''Bom dia''. Respondi educadamente, tentando parecer bem, quando na verdade não estava.

–Quer uma carona para a escola Lisa? — Perguntou me olhando rapidamente.

–Não pai. Obrigada, vou a pé hoje — Respondi.

–Com esse tempo? — Interveio minha mãe.

Olhei pra ela e falei:

–Sim, afinal de contas, quanto tempo acha que vou ter minha liberdade? Tenho que aproveitar cada segundo.

Eles me olharam com o olhar triste, e me arrependi de ter sido um pouco grossa, afinal, eles só queriam me ajudar.

–Desculpe, não quis ser grossa. É só que preciso disso, entendem? — Falei isso encarando os dois.

–Sim, entendemos. — Respondeu meu pai.

Me levantei murmurando um ''Ótimo'' e peguei minhas coisas me despedindo deles.

Lá fora o tempo clareava, mas não para ficar bonito, apenas para indicar que já era dia.

Minha escola não era longe, mas também não era perto. Tinha uma caminhada longa pela frente, mas tinha tempo, então caminhei lentamente por entre as calçadas ainda molhadas pela chuva de ontem, me desviando das pessoas que já estavam atrasadas para os seus afazeres.

Andando assim, ninguém imaginava o que eu escondia por trás de toda essa casca que me forcei a criar para poder sobreviver nos próximos dias.

Não encontrei ninguém que conhecia pelo caminho, de modo que aproveitei bem a caminhada para pensar e pensar, mesmo não tendo chegado a conclusão nenhuma.

Ao chegar no prédio que já estava apinhado de adolescentes se preparando para mais um dia de aula, percebi que alguns me encaravam. Eu já esperava por isso, mas não sabia que seria tão difícil...

Continuei andando tentando não me abalar pelos olhares de culpa sobre mim, e sem perceber, apressei os passos chegando no meu armário quase arfando. Perto dali, vi que o resto dos meus antigos amigos (acho que já posso falar assim deles) já tinham chegando, e conversavam baixo sobre um assunto qualquer. Quando perceberam que eu os encarava, desviaram o olhar e saíram andando.

Suspirando, abaixei os olhos e resolvi ir para minha primeira aula, mas antes, algo chamou minha atenção. No armário de James, continha fotos dele tiradas na escola, e no time de futebol, com os amigos, e professores. Mas nenhuma comigo.

Encarei isso por longos minutos sem me dar conta da roda que se formou atrás de mim com cochichos maldosos.

Ás lágrimas brotaram em meus olhos e as deixei cair sem protestar. Sai dali correndo em direção ao banheiro, e por trás pude ouvir alguém gritar: ''Assassina!''.

Entrei no banheiro e estava cheio de garotas. Não encarei nenhuma delas e fui para cabine mais próxima que estava vazia.

Fiquei lá o primeiro tempo todinho, chorando sem protestar. Era insuportável isso, mas precisava sair e encarar todos. Lavei meu rosto e fui em direção a minha segunda aula... E foi assim, me esquivava entre as aulas, era ignorada pelos meus amigos, e recebia piadas de desconhecidos. Os olhares de piedade dos meus professores era sobre mim quase o tempo todo.

Ao som do último sinal, fui a primeira a sair e caminhar na garoa fina que caia lentamente pela tarde. Estava péssima, mas não queria ir pra casa, então tomei um ônibus e fui em direção ao cemitério.

Chegando lá, não sabia onde era a lápide do James, então demorei um pouco para achar. Na verdade, demorei muito.

Quando encontrei, me sentei na grama ao lado da lapide, e dei um suspiro longo, não sabia o que fazer. Fiquei lá por muito tempo, e de fato, não queria ir para casa.

Me ajeitado melhor, comecei a encarar o céu, pois tinha parado de garoar. Foi ai que senti uma presença, e olhei para o lado, o irmão do James me encarava. Sei saber o que falar ou dizer, apenas o olhei.

–Já estava de saída. Pode ficar tranquilo. — Falei por fim me levantando rapidamente.

–Não... fique por favor. Não se vá por minha causa. — Disse Jack segurando meu braço impedindo que eu passasse.

Olhei para as mãos dele, e ele rapidamente me soltou e se sentou a onde eu estava segundos atrás.

–Sente muita falta dele né? — Perguntou olhando para o túmulo do irmão.

–Sim, sinto. O dia hoje foi um inferno. Todos me culpam! — Falei por fim, aquilo pesava muito no meu peito. — Me desculpe, estou falando isso com você e... e... você é irmão dele! Deve me culpar também. — Disse isso me virando e começando a andar.

–Ei! Espera! Posso ser irmão dele, mas enquanto nada for provado não posso te culpar que nem minha família, ou o resto da humanidade! — Gritou ele, me fazendo parar.

Virei e ele já estava perto de mim.

–Obrigada por me lembrar novamente que todos me odeiam! — Gritei cerrando os dentes. Não sabia por que tinha me exaltado tanto, mas fazia bem isso.

–Me desculpe de novo, não quis falar isso! — Disse ele sem jeito.

Desviei o olhar incrédula.

–Tá sendo ''gentil'' comigo por quê?

Ele deu de ombros e respondeu:

–Você era namorada do meu irmão. Te conheço, não posso deixar de gostar de você por causa dessa fatalidade toda.

Pensei na resposta dele, mas estava com tanta dor de cabeça que nem quis mais papo.

–Preciso ir, está tarde.

–Tudo bem. Posso te levar em casa?

–Faça como quiser.

Andamos em silêncio. Não estava afim de conversar, e nem sabia por que logo o irmão dele estava sendo legal comigo. Acho que ele entendeu isso, pois em nenhum momento puxou papo novamente.

Chegando em casa, me despedi, e antes de entrar ele disse:

–Posso te ligar? Ou mandar uma mensagem talvez?

–É... pode, se quiser, pode sim.

–Okay. Espere por mim! — Disse isso indo embora.

Entrei em casa estupefata, sempre soube que o Jack era boa pessoa, mas a chegar esse ponto, quando eu era acusada de matar o irmão dele? Isso me preocupava.

Dando um rápido ''Olá'' para meus pais afim de tentar evitar conversas sobre meu dia, subi correndo para o meu quarto, e me joguei na cama. Definitivamente aquele havia sido um longo dia.