Who Are You?

5 Capitulo 5


Depois do almoço mamãe sugeriu que a gente assistisse a um filme. Concordei e escolhemos o preferido dela ''A casa do lago''. Nunca entendi muito bem de o por quê esse filme ser o predileto dela.

Coloquei o DVD, e apertei o play. Me sentei no sofá fofinho que dava para frente da nossa tv, e minha mãe sentou do meu lado, e em menos de 5 minutos de filme rodado, ela já estava imersa na história que assistiu por tantas vezes. O que era bom, pois minha cabeça estava a mil, fazendo com que não conseguisse se quer pregar o olho por muito tempo na tela a minha frente.

Lá fora a chuva chiava bruscamente, e olhei pela janela, e para as gotas que caiam sempre em padrão. Mesmo estando uma tempestade imensa queria poder ir lá fora e tomar um banho de chuva, quem sabe assim, a água vinda do céu lavava a minha culpa.

Fiquei tão perdida em pensamentos que nem vi quando os agradecimentos finais começaram. Minha mãe que me despertou com sua voz emocionada pelo filme.

–Adoro essa história! Se pudesse, assistiria novamente agora mesmo. — Disse ela olhando para mim e sorrindo.

–Fala sério! — Falei dando uma risada.

O telefone na sala tocou, e fazendo careta, minha mãe foi atender. Meu coração gelou por um minuto, quem seria do outro lado da linha? Era muito difícil a gente receber ligações. Na minha mente, era o investigador dizendo que iria vir me prender, ou a família de James anunciando uma visita para me condenar.... Mas na verdade, era apenas meu pai dizendo que ia se atrasar para o jantar por causa da chuva.

Aliviada, aproveitei a deixa e fui para o meu quarto. Não tinha nem um dia inteiro que estava em casa, e já estava sufocando. Minha mãe tinha razão, seria bom eu voltar a escola, afinal, quanto tempo teria de liberdade?

Esperançosa, peguei o celular, sem mensagem, e sem ligações perdidas... tristemente, resolvi eu mesma mandar mensagem para meus amigos no grupo, de modo que todos visualizassem meu torpedo. Sem saber muito o que escrever, comecei a digitar:

''E ai gente? Todos vão a escola amanhã?!''

Esperei um pouco, normalmente Logan sempre estava online e respondia rápido, mas não foi assim dessa vez. Bem, eles deviam estar ocupados... todos eles deviam estar ocupados.

Jogando o celular na cama, fui para janela, a chuva estava diminuindo um pouco, o que era bom, eu ia mesmo a escola amanhã, não queria acordar na chuva, já bastava o tempo nublado.

Depois de longos minutos observando o mundo lá fora, ouvi um ''Biiiip'' do celular, anunciando uma nova mensagem. Rapidamente, abri a tela, e vi algo que me deixou mal.

Logo abaixo da mensagem que tinha enviado, estava escrito ''Logan saiu''. Ou seja, Logan tinha saído do grupo. Não muito tempo depois, apareceram os outros nomes: Spencer, Triss e Tessa. Apenas sobrando eu, e um James morto.

Sem ação, deletei o grupo, e apaguei o número deles na agenda. Eu sempre me virei sozinha, não seria agora que iria me abater por isso.

Peguei minhas coisas e comecei a arrumar para amanhã, mesmo sendo sexta-feira, não iria esperar até segunda para dar as caras naquele lugar, sabia que seria difícil, mas nada era mais difícil do que suportar a dor perda, e a falta de liberdade.

A noite avançou lá fora. E por conta do atraso do meu pai, o jantar atrasou também, uma hora depois do horário que ele sempre chega, ele adentrou pela porta. Feito isso ajudei minha mãe a por a mesa. o Silêncio que se estendeu foi um incomodo, mas não me importei. Não queria falar, na verdade, nem queria estar naquela mesa.

Pigarreando, meu pai me tirou a atenção do purê de batatas a minha frente. Olhei com cara de interrogação e ele começou:

–Como está Lisa? — Perguntou.

–Estou bem pai. E o senhor? — Respondi um com um pouco de má vontade.

–Estou bem também. — Falou ele indicando ponto final no assunto.

Mamãe que se adiantou e começou novamente a falar.

–Otávio? Disse a Lisa para ir a escola, não acha uma boa ideia? — Disse minha mãe olhando para meu pai.

–Acho sim Merry, seria ótimo para ela retomar sua vida social novamente. — Respondeu ele dando um sorriso encorajador.

Revirei os olhos, eles não sabiam como era difícil pra mim. Com certeza todos me julgariam amanhã.

Ao invés de começar uma discussão, apenas respondi.

–Sim, será ótimo voltar a vida social amanhã.

Eles entenderam que eu não queria papo, então apenas conversaram entre sí sobre o dia do meu pai.

Ao final do jantar, tirei a mesa e lavei a louça preguiçosamente, e em seguida fui para o meu quarto. Coloquei o meu despertador para tocar as 05:00 horas da manhã, um pouco mais cedo do meu horário que costumava a usar.

Me preparando psicologicamente e e mentalmente, tomei um banho e vesti meu pijama, deitei na cama e logo em seguida cai no sono.

Tive pesadelos horríveis com o dia seguinte, e acordei no meio da madrugada passando o resto da noite encarando a escuridão, esperado meu celular despertar para indicar o começo de um novo dia para mim.