Who Are You?

4 Capitulo 4


Acordei no dia seguinte me sentindo mais disposta e um pouco melhor do que dois dias antes. Peguei meu celular no criado mudo meio roxo que possuía ao lado da minha cama e olhei as horas. Eram 10:33 da manhã. Olhei na tela do aparelho a minha frente afim de ver se tinha alguma mensagem não lida, ou alguma ligação perdida. E não tinha nada... Meio chateada, fiz login no Facebook, talvez lá tivesse algo. Mas novamente nada.

Rolando pela publicações de amigos e conhecidos, vi muitas homenagens ao James, como frases daquelas de descanse em paz, ou fotos antigas com enormes textos sobre a difícil perda. Depoimentos da família que estava de luto entre outras homenagens que me deixavam mal...

Resolvi ficar off novamente esquecendo isso, não queria arruinar meu primeiro dia em casa novamente , quando ainda tinha muito o que pensar.

Levantei da cama e fui em direção ao meu pequeno banheiro e me olhei no espelho. Estava com os olhos inchados e pele muito branca. Olheiras enormes e um desgaste aparente. Olhei envolta do comodo, parecia que eu estivera lá a muito tempo atrás, mas fazia apenas 2 dias... e tudo parecia igual. Mesmas prateleiras com inúmeros cremes e objetos de decoração, minha pia onde estavam sabonetes artesanais e logo acima dela o espelho que me encarava, mostrando meu reflexo triste e amargurado... Entrei na cabine do chuveiro e coloquei no quente. Queria tomar um banho de verdade e deixar que água fluísse sobre meu corpo.

Me demorei um pouco no banho e quando saí, me sentia bem comigo mesma, o que era ruim... pois eu deveria estar sofrendo a morte do James. Não deveria?

Suspirando escolhi moletons confortáveis, pois estava sentindo frio. Dei uma olhada pela janela e vi que o tempo tinha mudado drasticamente desde ontem. Ameaçava cair um temporal daqueles. E mesmo estando cedo, já estava escuro o tempo... Como minha alma, pensei comigo mesma.

Terminei de me vestir e fui olhar no espelho que dava para ver meu corpo todo. Nunca me achei bonita, mas não posso dizer que era feia também... Não era alta nem baixa, tinha cabelos na altura dos ombros lisos na cor castanha, e tinha olhos da cor de mel. Tinha pele clara por causa dos meus pais, e mesmo na Flórida tendo dias bonitos e praias magnificas para ''pegar um bronze'', nunca ficava queimada.

Caminhando em direção a porta, desci devagar, senti um medo por ter que encarar meus pais. Ouvi barulho na cozinha, e por julgar a hora, deduzi que mamãe fazia o almoço e papai estava trabalhando.

Minha mãe era corretora de imóveis, mas não trabalhava sempre, apenas 3 vezes na semana, de modo que quando estava em casa, tentava ao máximo cuidar dos afazeres domésticos. Meu pai tinha um pequeno escritório de advocacia, e ficava por lá quase o período todo.

–Oi mãe. — Disse ao entrar na cozinha e ir para perto dela e lhe dar um beijo no rosto.

–Oi querida, como se sente? — Perguntou ela me examinado um pouco.

Pensei por um instante, não sabia exatamente como estava... Senti um ronco na barriga, e isso me despertou uma fome tremenda. Com toda essa história, comida era a única coisa que me passava na mente.

–Estou com fome. — Respondi por fim dando um sorriso para ela e me sentando em uma cadeira perto da bancada.

–Imaginei que estivesse! Estou preparando para o almoço seu prato predileto: Macarrão ao molho branco com batatas ao forno! — Disse ela um pouco alegre de mais.

–Hummm Delícia mãe! Falta muito para ficar pronto? — Perguntei já com água na boca.

–Um pouco, mas pode comer umas torradas, só para enganar a fome.

Ela me entregou um pequeno cesto com torradas e um copo de suco de acerola. Bebericava meu suco e dava pequenas mordidas nas torradas tentando criar coragem para perguntar para ela como seria daqui para frente. Por fim, comecei:

–Mãe?

Ela virou me olhando, mas ainda estava bem concentrada mexendo na panela que parecia conter o molho branco.

–Sim meu bem?

–Eu sei que já tivemos essa conversa no hospital e tudo mais. E sei que está do meu lado. E que papai também está, mas quero saber, como vai ser daqui pra frente? — Perguntei forçando a minha voz a ficar estável.

Uma pequena linha de expressão surgiu em sua testa, e suspirando ela desligou o fogão e pegando uma cadeira, sentou ao meu lado.

–O investigador Morris ligou mais cedo hoje, e ele e seu pai conversaram por um bom tempo. Quando saíram do telefone, conversei com seu pai, e ele me explicou que sua situação é muito complicada. — Ela deu uma pausa e me olhou. Fiz sinal para que ela continuasse.

–Os pais do James querem lhe prender, e estão investindo muito nisso. Felizmente por seu pai ser advogado e você ainda ter apenas 17 anos, é possível que seu pai consiga uma prisão domiciliar, até conseguir reunir provas para te libertar dessa confusão de vez.

Olhando para ela, pensei que ia chorar novamente, mas já tinha chorado tanto, que acho que me faltava lágrimas.

–E quando vamos de fato saber se ficarei ou não em prisão a domicilio? — Perguntei.

–Não sabemos ainda, mas enquanto isso, pode ter sua vida normal, voltar a escola, e sair um pouco, só não pode viajar. Mas pode aproveitar um pouco. — Falou ela.

–Voltar ao normal mãe?! Acho que minha vida nunca vai voltar ao normal, não depois de tudo que aconteceu. Ontem a senhora viu como a Tessa me tratou, minha melhor amiga foi fria comigo, como acha que os outros que nem me conheciam direito vão agir? Só tenho vocês agora mãe... — Finalizei olhando para o chão tristemente.

Gentilmente minha mãe me abraçou e ficamos ali por alguns instantes, e desviando dos braços dela, disse:

–Mãe? Me promete uma coisa?

–Sim Lisa, qualquer coisa que eu possa cumprir.

–Se eu realmente ficar presa em casa, me promete que vai continuar com seu trabalho, e com jantares nos fins de semana, e viagens com papai? Promete que não viverá em minha função?

–Lisa, não me peça uma coisa dessas, estamos juntas filha, tudo vai acabar bem! — Disse ela.

–Me prometa mãe! — Supliquei entre as palavras.

Suspirando ela respondeu:

–Se isso lhe deixa mais calma... Sim prometo.

Abraçando-a novamente disse:

–Melhor a gente continuar com essa almoço, minha barriga está roncando!

Sorrindo feliz com a proposta, ela voltou ao fogão e me ofereci para ajudar ela, e enquanto preparávamos as coisas, a gente tentava conversar sobre assuntos aleatórios como programas de tv e o que estava acontecendo na internet.

Com um estrondo lá fora, o tempo anunciava uma tempestade muito forte vindo ai, olhei entre as janelas, e vi o vento soprando as folhas do jardim. Com muito medo do futuro, me pus no lugar das folhas que dançavam pelo dia, e tive inveja delas, pois elas eram livre o que sempre gostei de ser, e era apenas questão de dias, até que eu virasse um passarinho solitário e triste numa gaiola trancada por tempo indeterminado.