Who Are You?
3 Capitulo 3
Lendo uma revista bem antiga que peguei encima da mesa de apoio, tentava me concentrar na leitura para amenizar a ansiedade que estava sobre a conversa que teria em instantes com o investigador do caso.
Naquela manhã depois da noite mal dormida que tive, meus pais e meu médico vieram me dizer que teria alta no fim da tarde, porém antes, iria enfrentar aquela terrível tarde que teria.
Sentando na cama mais confortavelmente, ouvi batidas na porta e logo em seguida minha mãe entrou.
–Preparada? — Perguntou.
Fitando-a um pouco respondi:
–Não sei. Isso tudo parece tão bizarro, e eu me odeio tanto! Como podem me amar e me querer perto de vocês ainda?
–Somos seus pais querida. Vamos descobrir o que aconteceu naquela noite e você ficará bem. — Disse ela vindo para perto de mim e dando- me um abraço.
Olhei ela nos olhos e senti uma pontada no peito, lutava para não chorar de novo, não ali na frente dela, pois percebia o quanto estava mal, me ver chorando só iria piorar mais.
–Acredita em mim? Acredita que não fiz aquilo? Mesmo quando tudo cai sobre mim? Mesmo quando eu mesma me acho culpada? — Perguntei.
Pensativa, ela deu um logo suspiro e começou a dizer:
–Nunca pensei que iriamos passar por uma situação dessas. Mas você é minha filha, eu acredito plenamente que não matou o James. Você o amava, o ama ainda mesmo que ele tenha partido. E eu sei que vamos passar por essa e vamos descobrir a verdade sobre aquele dia. — Terminou me abraçando novamente.
Não aguentei, chorei novamente e entre soluços perguntei:
–E meus amigos mãe? Eles perguntaram de mim?
–Não filha, eles apenas nos desejaram boa sorte, mas que estavam abalados de mais para continuar com a amizade.
Mais lágrimas rolaram pelo meu rosto me fazendo sentir pequena e indefesa, queria tanto sumir! Mas precisava fazer uma pergunta que estava engasgada em minha garganta.
–Mãe? — Comecei — Como está a família do James? Ele... Ele já foi enterrado?
Passando os dedos pelos meus cabelos como fazia quando era pequena, demorou uns instantes para responder. Pelo o olhar vazio, supus que ela estava pensando numa resposta menos dolorosa. Por fim, disse:
–Eles estão com advogados querendo sua prisão. Acham que merece isso, e disseram que não vou medir esforços para fazer justiça. — Respondeu ela, com um grande esforço para continuar calma e passiva. — Sim, ele foi sepultado hoje pela manhã.
Ouvir aquilo foi como um baque tremendo. Estava esgotada fisicamente e mentalmente. Precisava fica sozinha. Precisava pensar, entender tudo aquilo.
Saindo dos braços de minha mãe, disse olhando para ela:
–Posso ficar sozinha por um momento? Antes de o investigador chegar?
–Sim, claro. — Respondeu ela dando um beijo em minha testa e se levantando para sair.
Sozinha novamente, comecei a pensar em como eu era um monstro. Cada vez mais me convencia que eu tinha feito aquilo, e que meus pais não me mereciam. Não merecia isso que estava acontecendo. Talvez fosse melhor eu ir presa mesmo, assim isso tudo acabaria, e ninguém mais sofreria por minha causa.
Fechei os olhos repassando os detalhes daquela noite. Eu e James estávamos tão felizes, e apaixonados um pelo outro. O desejo estava ardente entre nós. Me lembro dos seus beijos, dos sussurros em meu ouvido. Parecia tudo tão perfeito! As risadas, as brincadeiras e o calor do corpo dele... e ai tudo era escuro, como um blecaute em minha mente.
Suspirando, tentei mais uma vez lembrar do ocorrido, mas antes de conseguir focar realmente, ouvi outra batida na porta. Me sentando numa postura melhor, disse para entrar. Ao julgar pela aparência e pelo comportamento, vi que era o investigador, e meus pais logo atrás.
–Boa tarde! Lisa certo? — Perguntou estendendo as mãos para um aperto formal.
Com a boca seca e o nervosismo estalando por sobre mim inteira, respondi:
–Sim, sou eu mesma.
–Bem, creio que seus pais falaram que eu viria, sou o investigador Murris. — Disse ele.
–Eu diria que em outras circunstâncias, seria um prazer lhe conhecer, mas me desculpe. Não é. — Respondi sem pensar. E logo me arrependi ao receber o olhar de reprovação de meu pai.
–Me desculpe, não quis ser grossa, é que estou muito abalada. — Me desculpei rapidamente.
Ele me fitou ou ouvir isso e logo em seguida disse:
–Tudo bem, estou acostumado. E por isso sei que quer se livrar disso logo tanto quanto eu, então, por que não começa dizendo o que aconteceu naquela noite?
Pensativa, demorei um pouco a responder, estava gelada e com a garganta seca, precisava pensar no que dizer realmente. Então, pedi que antes de tudo, se era possível eu beber um copo d'água. Ele acenou que sim com a cabeça, e meu pai saiu para buscar a água no corredor. O silêncio se estendeu naquele momento, o bom é que eu tinha tempo para saber exatamente o que responder. Me desviando de meus pensamentos, papai chegou com o copo e me entregou, dei grandes goles sem esconder meu panico e aflição naquele momento, suspirando, resolvi dizer a verdade.
Contei tudo o que tinha acontecido, desde a escolha do local, até o porque estávamos lá, corei nesse momento, pois meus pais não sabia a finalidade de termos alugado uma cabana tão longe. Contei das nossa conversas, e como nosso relacionamento era bom, de como a gente era grudado e fazíamos tudo juntos. Como eu o amava e que jamais faria isso a ele. Disse da minha dificuldade ao se lembrar o que ocorreu depois, e que por mais que tentasse não lembrava.
Ao final do relato estava chorando novamente e meu coração estava acelerado, estava tendo uma crise nervosa. Meus pais vieram para perto me acalmando um pouco, e perguntaram ao investigador se aquilo bastava. Ele anotava tudo em um caderno preto e observava também, por fim disse:
–Por enquanto sim. Mas antes tenho uma pergunta a lhe fazer Lisa.
Pigarreei um pouco e respondi:
–Pode fazer.
–Por que a tesoura te suas digitais?
Encarando ele, não soube o que dizer. Não sabia mesmo, então resolvi falar o que veio na mente:
–Não sei.
Anotando no caderno, ele balançou a cabeça pensativamente e disse:
–Tudo bem, por hoje chega. Bom, vou dizer sinceramente, seu caso está complicado, tudo aponta como você a culpa, e a família do rapaz está movendo montanhas para lhe prender. Mas como manda a lei, precisamos averiguar mais esse caso. Só que lhe informo, por enquanto está livre, mas se prepare, as coisas podem complicar. Sei que terá alta hoje do hospital, então um conselho, não saia da cidade, isso só complicaria mais sua situação.
Olhei ele e não respondi nada. Vendo que tinha entendido o que ele tinha dito ele prosseguiu.
–Sem mais delongas, tenham uma boa tarde. Nos vemos em breve!
Disse isso se levantando e acenando para nós indo em direção a porta.
Me levantei da cama afim de lavar o rosto no banheiro, precisava sair dali, não aguentava mais aquele local, queria meu quarto, minha casa, queria me enterrar no escuro e sei lá, sumir. Vendo meu desespero, meu pais disseram que iriam falar com o médico sobre sair horas antes do previsto. Como não tinha nada pendente, foi acatado o pedido dos meus pais.
Me vesti com umas roupas que meus pais trouxeram e caminhei para o estacionamento, sentia um frio a barriga, e não era por motivo bom.
Pela janela do quarto via a cidade que tanto amava, e como sol brilhava lá fora, ansiava por isso, abaixei o vidro, mas me senti exposta e então apenas observei o que acontecia lá fora pelos vidros escuros.
Chegando em casa, sai do carro e caminhei para a porta. Tessa que era minha vizinha estava na varanda, sorri ao ver ela e acenei, pensei em ir até lá, mas ela me ignorou, e rapidamente entrou em casa, triste, fui para o meu quarto. Mesmo sendo apenas 16 horas da tarde, tomei calmantes, e me deitei, em instantes mergulhei em sono profundo.
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