Who Are You?
17 Capitulo 17
Lisa
No dia seguinte tentei evitar meus pais pela manhã. Saí do quarto apenas quando finalmente estava sozinha em casa.
Tomando uma grande xícara de café, me sentei no sofá de casa e esperei por Kai. A partir de hoje, ele viria mais cedo para começarmos a investigação, isso só não seria possível nos dias que eu tivesse com a analista, mas felizmente isso só acontecia duas vezes na semana.
Olhei por entre a janela de casa, e vi que um carro de policia estava parado ali como sempre. Até quando isso ia continuar daquele jeito?
Tentando evitar não pensar muito nesse assunto, peguei o controle remoto e liguei a TV, zapeei por entre os canais, mas não havia nada de interessante nesse horário.
Deixei num canal qualquer, mas logo reconheci a programação que passava na tela. Era um filme, o mesmo filme que uma vez eu e Jack "assistimos" juntos.
Jack... desde aquele dia não tinha falado com ele. Não estava mais zangada pelo que ele tinha feito, mas ainda estava chateada. Com toda essa atenção sobre mim, seria difícil poder me encontrar com ele e explicar realmente o que tinha acontecido entre nós.
Minutos depois a campainha tocou, já sabia que era Kai, e com um sorriso no rosto, fui abrir a porta.
–Oi. — Continuei sorrindo enquanto observava ele entrar na minha casa.
–Tudo bem? — Perguntou ele me olhando.
–Sim... estou bem melhor que ontem.
–Melhor assim.
Ficamos nos olhando, e eu estava começando a ficar tímida, precisava quebrar essa tensão.
–Então? Quer café? Alguma coisa? sei la? — Falei tentando parecer descontraída, quando na verdade estava um pouco nervosa com a presença dele.
–Não, obrigado. — Ele disse dando um meio sorriso de tirar o folego. — Acho melhor a gente começar com isso.
Assenti com a cabeça, e fomos para sala, ele tirou da mochila dele um lap top e abriu num print de várias páginas com o caso de James. Fiquei olhando para a tela, e um arrepio passou pelo meu corpo.
–Pra entender o assassinato de Tessa, precisamos entender o de James. Tudo bem para você?
Não disse nada, apenas assenti com a cabeça.
–Eu sei que já deve ter falado isso para muitas pessoas e várias vezes, mas preciso que repita mais uma vez, tudo que se lembrar daquele dia, e daquela noite. — Ele me olhou.
Respirei fundo, e antes que perdesse a coragem, comecei a contar novamente o que tinha acontecido. Mas dessa vez foi diferente, pois as imagens estavam embaraçadas sobre minha mente, e muita coisa parecia ser falha. Mas mesmo assim, tentei dar o meu melhor.
Ele me olhou, prestando a atenção em tudo que eu falava, e quando terminei ele perguntou:
–Ainda toma os remédios que sua analista lhe recomendou?
Olhei pra ele confusa, o que aquilo tinha a ver?
–Sim, tomo. Por que?
–Você confia em mim certo?
Pensei por um momento. Nunca tinha pensado nisso... mas mesmo sendo meio louco, no momento ele era a única pessoa que confiava.
–Sim, eu confio em você.
–Então não tome mais os remédios, eles podem estar confundido sua mente. — Falou ele me encarando.
–Mas eles me ajudam com os pesadelos... — suspirei.
–Sei que vai ser difícil, mas precisa fazer isso. — Ele pegou minha mão. Não esperava aquele gesto dele. Acho que ele percebeu minha surpresa, pois a soltou e disse:
–Vamos fazer um teste, você para com os comprimidos por uma semana, e se sentir que sua mente está melhor, você continua, se não, volta a tomar eles. Tudo bem?
–Certo, tudo bem.
Começamos a pesquisar, e ler tudo detalhadamente de cada matéria. Kai tinha acesso livre no escritório do investigador, de modo que tentaria pegar o prontuario do caso de James e tirar umas cópias. E presa em casa não podia fazer muito, mas tinha uma pessoa em especial que poderia me contar um pouco dos segredos de Jack.
Depois que Kai foi embora, subi para o meu quarto e no horário que me era estipulado tomei um banho e me sentei na cama. Precisava falar com Jack, mas como? Ligar para casa dele do telefone fixo era arriscado, por dois motivos, os pais dele, e supostamente minha linha estaria grampeada.
Conversar por alguma rede social seria pior, já que a minha estava desativada e sobre posse da policia, assim como meu celular.
Pegar o celular de meu pai, ou minha mãe também poderia ser arriscado.
Ai, minha cabeça doía, como iria fazer para falar com ele? Não podia pedir ajuda ao Kai, ele já fazia de mais por mim, e eu não queria que ele de fato conhecesse Jack.
Irritada, desci para o jantar. Eu e meus pais estávamos estranhos uns com os outros, de modo que o jantar todo foi um silêncio total.
Como um pedido de trégua, lavei a louça para minha mãe, ela claramente estava cansada. Sozinha na cozinha, vi o relógio, estava na hora de tomar meu remédio.
Peguei a cartela de comprimidos e a encarei, descartei uma capsula, e lembrei das palavras de Kai. Suspirando, joguei o comprimido fora, e guardei o resto.
Subi para o meu quarto e esperei o sono me atingir por completo.
Kai
Depois que sai da casa de Lisa, fui direto para o escritório do investigador, bati na porta e entrei.
–Kai! O que faz aqui esse horário? — Perguntou Morris
–Queria dar uma palavrinha com você, se possível.
–Estou quase no fim do expediente, por que não espera um pouco e saímos para tomar algo?
–Puxa, hoje não posso, mas serei breve.
Ele me encarou esperando que eu continuasse, com naturalidade, comecei a falar sobre um dos meus antigos alunos, tentando distrair ele. Ele era inteligente, mas eu também era. Depois de minutos, entramos num papo que me ajudaria muito.
Me levantando, fingi estar muito agradecido pela atenção dele, e o puxei para um abraço de amigos, e consegui pegar seu molho de chaves e sair de lá antes que ele percebesse.
Corri em direção ao chaveiro e pedi uma cópia.
Morris poderia ser inteligente, mas quando sentia que sua esperteza iria além de qualquer outro, ficava indefeso rapidamente.
Alegando que tinha esquecido minha carteira lá, voltei ao escritório e devolvi as chaves antes que ele desse por falta.
Entrei no carro e esperei que ele saísse. 5 minutos depois da partida dele, entrei lá novamente e comecei a procurar o que queria.
Depois de um tem tempo, achei o caso de James, e por bondade do destino, achei o de Tessa também. Tirei cópias precisamente e depois coloquei tudo no lugar.
Saí de lá sorrindo e satisfeito. Entrei no carro, e pelo retrovisor, percebi que um carro preto atrás do meu estava estacionado, dando partida assim que dei. Estaria eu sendo perseguido?
Fiz meu caminho rotineiro, e quando olhei novamente pelo retrovisor, o carro "misterioso" já havia sumido.
Suspirando, entrei no meu apartamento e peguei uma cerveja. Eu provavelmente estava entrando numa fria. Será que tudo aquilo valeria a pena no final? Fechando os olhos tentei relaxar, mas era em vão. Minha vida novamente parecia um filme sem fim.
Fale com o autor