Who Are You?

15 Capitulo 15


Lisa

Sentada na amarrotada delegacia, esperava a minha vez de dar meu depoimento. Depois da noticia que Tessa tinha sido assassinada, fui convocada para contar exatamente o que tinha acontecido no dia em que ela foi me visitar.

Mesmo tendo explicado cada detalhe para o investigador, ele acharam que seriam interessantes eu ir até a delegacia.

Desde que tinha sido presa a domicilio, era a primeira vez que saía de casa, e admito, não foi bom. Pude sentir os olhos tristes e culpados dos pais de Tessa sobre mim, afinal, a filha deles tinha chegado toda machucada depois de ir a minha casa, era óbvio que eu seria uma suspeita.

Fui escoltada pela viatura da policia até chegar na onde me encontrava agora. Eu definitivamente estava um lixo. Estava com os hematomas aparentes ainda da briga que tive com ela. E o cansaço mental ainda me infortunava.

Não tinha conversado com Kai nem com Jack havia 3 dias. Com tudo que aconteceu, cancelaram minhas aulas com ele até segunda ordem. E em minha casa ficava sempre 1 ou 2 policiais de guarda, de modo que nem sonhando Jack iria conseguir invadir minha casa, muito menos meu quarto pela madrugada.

Mas isso não impedia que ambos me mandassem mensagens, ou me ligassem as vezes. Porém, não atendia e nem respondia nenhuma.

Ouvi meu nome ser chamado, me levantei e entrei no gabinete do delegado.

Ele fez sinal para que me sentasse, com cuidado, obedeci.

–Muita bem senhorita Lisa, vejo que está mais uma vez encrencada. — Ele fitou meus olhos, e pude sentir o tom de escárnio que a voz dele emitia.

Não respondi, apenas abaixei os olhos e esperei que ele continuasse.

–Os pais de Tessa me disseram que vocês eram amigas desde de sempre, correto? — Perguntou ele.

–Sim senhor. — Respondi olhando para suas feições, não ia deixar ele me intimidar, afinal, eu não era culpada.

–Por que não me conta como era a relação de vocês duas? Antes disso tudo acontecer.

Assenti com a cabeça, e comecei a contar meu relacionamento com ela. Disse que éramos inseparáveis, e que vaziamos parte da mesma roda de amigos, que incluía James também.

–Entendo... agora, me conte como foi no dia em que ela apareceu em sua casa.

Revivendo cada detalhe daquele dia, contei tudo minuciosamente, não escondendo nada. Até falei da minha fúria e raiva que tinha dela por descobrir que ela tinha um caso com James.

Ele escreveu algo em um papel, e logo em seguida olhou pra mim e disse:

–Bem, como sabemos que você é monitorada 24 horas, seria meio impossível que tivesse feito esse crime. Mas isso não justifica o fato de que não possa ter contatado alguém para fazer isso... — Pausa. — Então, de agora em diante, ficará um policial vigiando tudo ao seu redor, acho que já tinha percebido isso não é? — Como não respondi, ele continuou. — Pegaremos o seu celular, e veremos mais algumas coisas, últimas ligações feitas no telefone fixo, suas contas em redes sociais. Tudo isso. Estou lhe avisando, só para que se realmente for a culpada, que não faça mais nenhuma idiotice, ou se não, será presa, só que dessa vez, na cadeia. Estamos entendidos?

–Sim, estamos. — Olhei para ele.

–Tudo bem, por hoje está livre. Entraremos em contato a qualquer momento.

Me levantei sendo conduzida novamente pelo carro da policia, meus pais vieram num carro logo atrás.

Novamente em casa, os policiais fizeram questão de colocar a tornozeleira eletrônica. Depois disso, saíram rapidamente.

Sentada na sala, pude perceber que meus pais estavam aflitos.

–Como foi lá Lisa? — Finalmente perguntou minha mãe.

–Foi basicamente igual ao assunto James. E se não se importam, não quero falar sobre isso.

Eles se entreolharam, e depois murmuraram um ''Tudo bem''.

Subindo para o meu quarto, fui até o banheiro e lavei meu rosto várias vezes com água gelada. Vendo meu reflexo pelo espelho, fiquei encarando minha imagens por longos minutos. Estava diferente de mim, ainda era eu, mesmos olhos, mesma boca... mas mesmo assim, parecia uma desconhecida. Estava com marcas roxas por causa da briga, e bastante arranhada pelo pescoço. Suspirando, saí do meu quarto, e vi a porta dos meus pais entreaberta. Mesmo eles conversando baixo, pude escutar o que falavam.

–O que vamos fazer? — Choramingou minha mãe. — As vezes não a reconheço mais... é difícil lidar com essa situação toda. Até meus amigos e familiares estão contra mim!

–Eu sei querida... acha que pra mim também não é? Essa história toda me tira o sono. — Comentou meu pai.

Não queria escutar mais nada. Eu sabia que era um fardo para meus pais, mas escutar isso deles era difícil e triste ao mesmo tempo.

–Ela é nossa filha, e eu sei que tanto eu quanto você a amamos demais, mas as vezes queria que ela tivesse ido para o colégio interno, assim teria evitado tudo isso. — Suspirou mamãe.

Com lágrimas nos olhos, forcei minhas pernas a se moverem e saírem dali. Fui para a cozinha e tomei 3 calmantes, minha vontade era de dormir por dias.