Who Are You?
14 Capitulo 14
Acordei no outro dia com dor de cabeça e vontade de morrer. Hoje teria aula com aquele idiota do Kai. E ainda tinha que resolver minha situação com Jack, não poderia deixar que ele pensasse que estou afim dele. Só tinha feito aquilo no calor do momento.
Me levantei e me arrumei. Apesar da chuva que tinha caído ontem, o dia estava lindo novamente.
Desci, e como já estava tarde, meus pais já haviam saído para trabalhar. Tomei um rápido café, e me sentei perto da janela para ver o movimento na rua, tudo estava parado e quieto, exceto por um carro preto, o mesmo daquele dia estacionado novamente no mesmo lugar. Que estranho, pensei comigo mesma.
Sem muito o que fazer, mandei mensagem para Jack, dizendo que a gente precisava conversar. Como costume, e mesmo ele estando em aula, me respondeu rapidamente. Ótimo, veria ele hoje mais tarde, e esclareceria tudo. Mesmo que magoasse ele.
Ouvindo a campainha tocar, me levantei no susto, pensando em quem poderia ser. Não recebíamos muitas visitas desde que tudo aquilo tinha acontecido. E para minha surpresa, era Tessa.
–Oi. — Disse ela secamente.
–Oi. — Falei. — O que tá fazendo aqui?
–Vim devolver isso á você. — E me estendeu uma caixa, que estava um pouco pesada. Provavelmente deveria conter coisas minhas.
–Era só isso? — Perguntei.
–Na verdade... não. Posso entrar?
Surpresa, saí da frente dando passagem para que ela entrasse.
Parada na sala, encarei ela um pouco, e coloquei a caixa no chão.
–Tudo bem, o que quer? — Fui direto ao ponto.
–Desde que aconteceu tudo aquilo, não pudemos conversar. — Começou ela. E antes que eu fosse dizer algo, ela continuou. — E na verdade, não vim aqui mesmo para conversar. Nossa amizade acabou a dias, quer dizer, ela acabou no momento em que você e James começaram a namorar.
–Como assim?! — Perguntei rápido de mais. Do que ela estava falando?
Ela começou a rir, e depois prosseguiu:
–Não se faça de sonsa! Eu sei muito bem que você sabia que eu e James tínhamos um caso! Foi por isso que matou ele não foi? Foi por que descobriu que eu tinha conseguido o que você sempre quis, eu fui pra cama com ele antes de você! E você o matou por isso? Não foi sua vadia deplorável?
Estava totalmente sem foco, como assim? Minha melhor amiga tinha um caso com James? E eu fui burra esse tempo todo e nunca tinha notado isso? Sem me importar com o que ela dizia, olhei bem nos seus olhos e gritei:
–Sai da minha casa agora! Sai daqui antes... antes que sei lá. Apenas saia — Apontei em direção a porta.
–Antes que você me mate? — Bufou ela de raiva. Vai em frente, acaba comigo como você fez com ele.
Sem pensar, me aproximei dela, e lhe dei um tapa no rosto. Ela virou a cara, e estava toda vermelha, com lágrimas escorrendo por sua face.
Em instantes, ela se agarrou aos meus cabelos me jogando no chão fazendo minha cabeça bater com tudo, senti uma vertigem, mas ela não parava, e me arranhava, e dava socos em minha boca.
Juntando a força que tinha empurrei ela, que cambaleou para trás. Me levantei, mas senti que ela puxou meu pé. Chutei sua boca, que logo saiu um filete escarlate de sangue.
Ela estava louca, percebia em seus olhos, mesmo vendo que ambas estávamos machucadas, ela queria mais, e eu não sabia como parar aquilo.
De repente, ela começou a rir, e não entendi. Batendo palmas, ela balançava a cabeça, rindo cada vez mais alto. Tessa estava louca.
Pegando um envelope do seu bolso ela perguntou:
–Está vendo isso? Sabe o que tem aqui?
Não respondi, apenas a ignorei.
–Isso aqui, é a melhor coisa que aconteceu na minha vida! — Abrindo o envelope, ela me mostrou uma foto, onde estava ela e James se beijando, e pude perceber que ele estava sem camisa, e ela apenas de sutiã.
A fúria me tomou completamente, e mesmo toda machucada, peguei a foto da mão dela, a joguei no chão, e comecei a descontar toda a minha raiva. Entre lagrimas, a briga acontecia.
Não queria parar, mas senti mãos sobre meus braços me afastando de Tessa que estava quase inconsciente.
Tomada pela adrenalina, gritei para quem me segurava para me deixar em paz, mas a pessoa não me ouvia.
Tessa com muita dificuldades se levantou, e passou por mim andando com dificuldades, mas antes de sair pela porta, ela se virou e disse:
–Espero que vá para o inferno cachorra.
Tentando me acalmar, suspirei várias vezes.
–Mas o que foi aquilo?! — Perguntou Kai.
Ah, então era ele que estava me segurando momentos antes.
–Não é da sua conta. — Murmurei. — Alias, o que está fazendo aqui? Não está no seu horário.
–Vim pra conversar com você. Ainda bem que tive essa ideia. Onde estava com a cabeça ao bater daquele jeito nela?
–Como já disse, não é da sua conta. — Elevei minha voz.
Ele me encarou, e apoiou suas coisas no sofá. Foi até ao banheiro e procurou por algo. E logo em seguida voltou com um kit de primeiros socorros.
Olhei de soslaio para ele, não acreditava que ele fazer isso.
–Sai daqui. — Disse me virando para ele.
–Nada disso, olha o seu estado, está toda machucada.
Revirando os olhos me sentei, provavelmente ele não iria me deixar só. Então deixei que ele fizesse o que tinha para fazer.
O silêncio se estendeu por entre a sala, e o único som a se ouvir era das nossas respirações.
–O que houve? — Perguntou ele por fim.
Antes de evitar, já estava contando tudo. Tudo o que tinha acontecido a ele, e como estava zangada. Ele ouvia pacientemente. Quando terminei, ele disse:
–Talvez hoje você possa ficar sem aula. Posso apenas lhe fazer companhia.
A proposta dele era tentadora, mas ainda estava zangada com ele. Então apenas balancei a cabeça negativamente e disse:
–Prefiro ficar sozinha.
Desapontado, ele arrumou suas coisas e foi embora. Por entre a janela vi seu carro dar partida. E logo em seguida, o carro preto estranho saiu também.
Preguiçosamente fui para meu quarto, e me deitei na cama. Queria gritar. Mas não fiz isso. Apenas esperei... e esperei a noite invadir meu quarto.
Kai me ligou algumas vezes, mas não atendi. Via o celular tocar quando Jack entrou pela janela do meu quarto, e mesmo com pouca luz, ele conseguiu enxergar meu rosto machucado.
–Caramba, o que aconteceu? — Foi notório a preocupação dele.
Sabia que tinha que contar a ele sobre nós dois, que na verdade, não existia nós dois, mas ao invés disso, contei sobre o meu terrível dia. Ao final, ele me pôs no seu colo, e começou a mexer no meu cabelo.
–Preciso te falar uma coisa Lisa. — Começou ele.
–Precisa ser agora? — Perguntei desanimada.
–Sim, precisa.
–Tudo bem. — Murmurei exausta.
–Eu sabia de tudo, sabia sobre eles. E as vezes, o ajudava. — Disse ele suspirando ao final das palavras ditas.
Ouvir aquilo foi como um soco no estômago. Meu dia não poderia ter sido pior. Não queria ouvir mais nada.
–Vai embora por favor.
–Espera...
Interrompi ele antes que ele começasse com algum discurso.
–Vai embora. Não quero ouvir mais nada.
Relutante, ele se foi. Botei as cobertas sobre minha cabeça e tentei dormir.
***
Fui acordada logo cedo pelos meus pais. Eles pareciam preocupados e me olhavam atentamente.
–Aconteceu alguma coisa? — Perguntei ficando inquieta com aquela situação.
–Querida... — Começou minha mãe. — Bem, sabemos o que houve entre você e a Tessa.
–Quem contou?
–Kai nos ligou preocupado com você, e nos disse tudo.
Ótimo, agora ele seria minha babá. Afim de evitar perguntas, fui logo dizendo.
–Eu estou bem. Não foi nada de grave.
Eles se entreolharam, e meu pai com um pesar nos olhos disse:
–Tessa foi assassinada.
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