Who Are You?
13 Capitulo 13
Os dias seguintes foram basicamente assim, tinha aulas com Kai e sessões com minha analista. Conversava muito com meus pais, e minha amizade com Jack se intensificou de uma maneira que achava que não seria possível.
O ritmo em casa estava aos poucos voltando ao normal, ainda sentia muita falta de sair, de ter amigos, e voltar o que era antes, mas sabia que aquilo era impossível. Desativei meu perfil no Facebook, pois ver as coisas que me deixavam tristes seria prejudicial no tratamento.
Eu e Kai criamos uma espécie de amizade que me fazia muito bem, ele me ajudava com os pesadelos, e as vezes quando estava desesperada com as alucinações e visões que tinha sobre aquela noite, ligava para ele e conversávamos por um bom tempo.
Ele nunca sitava a família dele, ou a possível namorada. Toda vez que tentava entrar nesse assunto ele me distanciava. Com o convívio com ele, acabei desistindo de tentar decifrar o que se passava na mente dele.
Ouvindo o som do bip no meu celular, me despertei dos pensamentos e vi a nova mensagem de texto que tinha do Jack.
''Posso invadir seu quarto hoje a noite?''
Li o que estava escrito. E sorri diante daquilo, sabia que era arriscado, mas essa era a única forma da gente se ver. Meus pais tinham proibido qualquer aproximação com a família de James, e o mesmo fizeram eles, de modo que nossa amizade era um segredo para todos.
Digitando rapidamente, apenas coloquei ''sim'' com uma carinha feliz. Logo em seguida ele respondeu com o mesmo emoji que eu tinha usado.
Indo pra sala, me sentei no sofá enquanto comia uma fatia de torta de maçã, e esperei Kai chegar. Não muito tempo depois escutei a campainha tocar.
Abri a porta e ele estava parado de um jeito muito sexy que me fez suspirar. Eu definitivamente tinha que parar com meu amor platônico por ele.
–Poxa, já está pronto pro verão? — Perguntei, pois ele estava bem ''largado'' parecendo aqueles adolescentes de filmes de Miami Beach.
–Você também está. — Respondeu ele sorrindo e me fitando de cima para baixo.
Fiquei tímida, pois era a primeira vez que estava meio informal nas nossas aulas. Mas aquele dia estava muito quente, então optei por um short e uma blusa qualquer de rendas.
Quando ele entrou, decidimos fazer a aula no quintal, em casa estava muito abafado.
Colocamos nossas coisas na mesa e ele começou com as explicações dele. A hora foi passando, e percebi que o tempo mudava, provavelmente iria cair a maior chuva por conta daquele calor todo.
Como de costume, ele deixou os minutos finais daquela aula para podermos conversar.
Conversando, os pingos começaram a cair lentamente, minha previsão estava certa afinal. Logo em seguida começou a chover pra valer, mas ainda estava muito abafado, de modo que continuamos ali. Porém, percebi que Kai ficou sério de repente.
–Tudo bem? — Perguntei como quem não quer nada.
–Tudo... apenas lembranças.
Pensei em perguntar quais tipos de lembranças, mas sabia que ele ia me cortar, então fiquei quieta e comecei a olhar pras gotas que caíam do céu, como ele fazia agora.
–Sabe por que dou aulas para pessoas que estão presas em domicilio? — Começou ele, e surpresa balancei a cabeça negativamente, e suspirando ele continuou. — Sempre quis ser professor, desde pequeno meu sonho era estudar letras. Quando fui pra faculdade, conheci uma moça, e nisso começamos a nos falar, e depois a namorar. Um dia eu fui na casa dela, e estava tudo arrombado, porém as coisas de valor tinham sido roubadas, desesperado fui para o quarto, e ela estava morta junto com os pais. Tinha levado seis tiros na boca.
Seguiu uma pausa, eu não sabia o que dizer. E então, ele prosseguiu:
–Os policiais foram investigar, mas nunca encontraram nada. Nenhuma pista, o crime tinha sido perfeito. Desde esse dia, fiquei meio louco, queria fazer parte das investigações e ajudar a prender os criminosos, mas isso nunca aconteceu. Me sentindo tão impotente, resolvi dar aulas para presos domiciliar só para poder ver, e sentir a dor deles por estar naquelas condições. Como uma maneira de me vingar daqueles que mataram minha namorada e sua família.
Quando ele terminou de dizer aquilo, fiquei chocada, não acreditava que ele apenas tinha entrado nessa por vingança, ódio. Que tipo de pessoa era ele? Que tipo de monstro faz isso?
Sem dizer mais uma palavra ele apenas me olhou e começou a andar rumo a porta da cozinha. Não fiz questão de levar ele até a sala, ele sabia o caminho. De repente, ouvi ele dizer:
–Me desculpa por isso. Eu te contei por que você é diferente. Acredito que não tenha matado o James.
Não respondi, virei o rosto e esperei que ele fosse embora.
Meus pais demoraram para chegar por conta da chuva que tinha caído, fazendo o maior transito, agradeci por isso em silêncio, não queria falar com ninguém.
Subi para meu quarto, e fiquei lá esperando por Jack.
Eu era uma idiota, não acredito que estava gostando de um cara como aquele, precisava tirar ele da minha mente.
Ouvi alguém bater na minha janela, e fui abri. E lá estava o irmão do meu namorado morto. Com aquele sorriso radiante, e o olhar penetrado nos meus olhos, sem pensar muito fiz algo que não devia ter feito.
Puxei Jack para um abraço, e logo em seguida lhe dei um beijo na boca, era errado aquilo, muito errado. Mas estava com ódio de Kai com ódio de tudo. E Jack era o único que me deixava bem.
Ele correspondeu o beijo de um modo que eu não esperava. Parecia até que ele queria aquilo a muito tempo.
Quando me soltei dele, ele me puxou de novo fazendo nossos lábios se encontrarem mais uma vez. Deixei acontecer novamente, e depois ele se afastou de mim e disse:
–Caramba, não sabe a quanto tempo espero por isso.
Então era verdade, ele queria mesmo aquilo... dando de ombros puxei ele para a cama e começamos a conversar. Ele era carinhoso e por um momento eu gostei, mas depois percebi que ele realmente gostava de mim, que realmente me queria perto. E eu? O que tinha feito? Tinha usado ele.
Vendo que aquilo não poderia ir longe disse:
–Desculpa pelo que fiz, te beijar daquele jeito foi errado, não deveria...
–Tudo bem. Preciso te contar uma coisa. Eu sempre fui afim de você, desde quando namorava meu irmão. — Disse ele calmamente.
Meu queixo caiu, era informação de mais para um dia só.
Minha cabeça doía. Como aquilo poderia ser possível? Ele percebeu meu choque e falou:
–Olha, vou embora agora. Acho que isso te assustou um pouco. Mas quero que saiba que pode ter todo o tempo do mundo, eu te espero. — Em seguida ele me deu um selinho rápido e saiu pelo mesmo lugar por onde tinha entrado.
Deitada na cama, pensei no que tinha acabado de acontecer. Aquilo tudo era uma loucura. Me virando de um lado para o outro, só consegui adormecer horas depois.
Kai:
Deitado na minha cama, não parava de pensar nela. Como uma garota tão jovem como ela tinha despertado minha atenção desse jeito? Não nego, ela era bonita, mas aquilo nunca tinha acontecido. Na verdade desde que Anna tinha sido assassinada, ninguém tinha me despertado o interesse. Mas ela, ela é diferente...
Tomando mais um gole de uma cerveja barata que tinha comprado ao voltar pra casa depois da aula com Lisa, me levantei e fui lavar o rosto. Precisava esclarecer as coisas com ela e tirar ela da minha cabeça.
Não podia me apaixonar, isso era contra todas as regras, um cara de 26 anos com uma garota de 17, que ainda por cima, era acusada de um crime tão perverso.
Desanimado voltei para cama. Podia ser loucura mas eu confiava nela, e sabia que ela não teia sido capaz de matar o próprio namorado. E eu ia provar isso.
Desligando o abajur me forcei a dormir enquanto escutava novamente o barulho da chuva que caía lá fora.
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