Who Are You?

12 Capitulo 12


Me levantando sentindo um pouco de desconforto por ter ficado sentada por tanto tempo em uma posição só, fui para meu pequeno banheiro, e lavei o rosto várias vezes. Estava cansada, mas não tinha sono nenhum.

Vesti uma roupa confortável e desci, meus pais estavam se aprontando para saírem pro trabalho.

–Bom dia. — Disse a eles.

Eles me responderam me fitando um pouco, acho que olhavam minha aparência, que por sinal, estava péssima.

–Acordou tão cedo hoje, ta tudo bem? — Perguntou meu pai.

–Sim, despertei mais cedo hoje. — Disse sorrindo para tentar esconder que na verdade nem tinha dormido.

–Bom, tudo bem então. — Começou minha mãe. — Como sabe Lisa, vou ter que ir trabalhar hoje, mas deixei tudo pronto. E não esqueça, hoje você tem aula.

–Tudo bem mãe, já sou grandinha, sei me virar, não se preocupe. — Disse indo até a cafeteira e pegando um pouco de café numa xícara enorme.

–Não vai comer nada? — Perguntou ela.

–Estou sem fome, mais tarde preparo alguma coisa.

Eles se entreolharam, tava na cara que estavam preocupados comigo. Ignorei isso e fui pra sala. Depois de algum tempo, eles saíram, me deixando sozinha.

Liguei o som afim de distrair minha mente, pelo visto o dia seria longo... Estava entediada, e os pesadelos com o James piorava tudo. Eu precisava me livrar das memórias dele, afinal, ele já não estava mais aqui. Tinha que matar ele em minha mente.

Me levantando, fui até meu quarto, e peguei uma caixa enorme com objetos antigos. Abri meu guarda roupas, e tirei tudo que tinha ganhado dele, e de meus amigos. Estava exausta daquilo tudo. Tinha cartas, ursinhos de pelúcia, roupas, e fotos, muitas fotos. Na gaveta de minha escrivaninha tinha mais coisas ainda.

Depois de juntar tudo, desci com dificuldades e parei na sala colocando a caixa no chão me sentando perto dela, ia separar o que iria para o lixo, e o que iria guardar de fato.

Comecei, realmente era muita coisa. E quanto mais vasculhava, sentia as lembranças voltarem com tudo. Sem me importar muito, deixei as lagrimas caírem.

Fiz duas pilhas envolvendo as fotos e os objetos. E nem vi que a hora passava rápido, cansada, tomava várias xícaras de café para permanecer acordada, ao meu lado já tinha 4 canecas totalmente vazias.

Afim de pegar mais café, me levantei e escutei a campainha tocar. Olhei o relógio, já estava na hora de minha aula com Kai, tinha esquecido.

Caminhei até a porta e abri. Ele me deu um sorriso e logo em seguida dei passagem pra ele entrar.

–Desculpa pela bagunça. — Falei apontando para a onde a gente estudava. — Pensei que iria terminar a tempo.

Ele encarou, e percebi que estava curioso, afinal, tinham várias coisas pelo chão e canecas espalhadas. Me senti envergonhada e antes que ele pudesse falar algo comecei:

–Podemos estudar na cozinha hoje?

–Claro. — Respondeu ele voltando seus olhos para mim.

Fomos até a cozinha e indiquei a ele para se sentar, perguntei se ele queria algo mas ele afirmou negativamente com sua cabeça e começou a tirar os materiais.

–Pode esperar só um minutinho? — Perguntei.

Dando de ombros ele respondeu:

–Ok.

Fui para meu quarto correndo e peguei o livro que ele tinha me emprestado, antes de sair, me olhei no espelho. Estava realmente péssima. Deveria ter me arrumado mais... Não sei por que me incomodei com isso, ele era apenas meu professor, apenas isso, e com certeza deveria ter namorada.

Afastando esse pensamento da minha mente, voltei até a cozinha.

–Aqui, seu livro. — Disse entregando a ele. -Tem razão, é muito bom.

–Puxa, terminou rápido hein? — Comentou ele sorrindo... e que sorriso...

–Não tenho muita coisa para fazer... — Falei meio sem graça.

O assunto morreu, e começamos a estudar matemática. Já era péssima com foco, sem foco então, era terrível... Tentava mesmo, mas minha cabeça já dava um nó, tantos números e regras, aquilo tudo era mesmo necessário?

Me fazia essa pergunta enquanto lutava para não fechar os olhos.

–Por hoje acho que acabamos. — Falou ele despertando minha atenção.

Olhei pra ele, e depois para o relógio, ainda tínhamos um bom tempo de aula. Ele deve ter notado minha falta de interesse. Fiquei quieta e observei ele escrever numa folha em branco.

–Aqui. — Disse ele me entregando a mesma folha.

Olhei, era um monte de exercícios. Fiz cara feia, aquilo só poderia ser brincadeira. Percebi que ele deu uma risada, o que me motivou a fechar mais a a cara ainda.

–Posso te perguntar uma coisa? — Começou ele.

Balancei a cabeça em sinal positivo.

–A quanto tempo não dorme bem?

Aquela pergunta me deixou desprevenida, não imaginava que estava tão na cara assim. Pensei um pouco, e podia parecer loucura, mas estava louca para desabafar com ele.

–Algumas noites... vivo tendo pesadelos e alucinações. Tenho medo de fechar os olhos agora. — Falei suspirando.

–Sua analista recomendou remédios?

–Sim, mas acho que não adiantam muito. Vivo com dores na cabeça.

Ele me olhou... e ficamos em silêncio. Depois dessa longa pausa ele disse:

–Se importa se eu for ali? Rapidinho?

Confusa, respondi que não, e logo em seguida ele saiu, deixando suas coisas para trás.

Esperei por ele por uns 10 minutos. Quando chegou, trazia consigo duas sacolas, que pelo cheiro deveria ser comida.

–Que isso? — Perguntei.

–Algo para gente comer, comida japonesa. Gosta?

–Sim, gosto muito. Mas não precisava se preocupar com isso. — Falei sem jeito com o gesto dele. Sabia que ele desconfiava que não comia bem a dias, mas mesmo assim, ele foi discreto. Me senti bem diante daquilo.

–Se você quiser, posso ajudar a arrumar aquelas coisas ali, e levar embora pra você. Pois aposto que não quer seus pais envolvidos nisso. — Falou ele dando um meio sorriso.

–Tem toda razão! — Concordei retribuindo o sorriso dele com outro sorriso, a diferença é que o meu era de pateta.

Fomos para a sala, e enquanto comíamos, ele me ajudava com aquela bagunça. A gente começou a conversar, uma conversa boa que fluía naturalmente. Percebi que ele não era o rapaz sério que eu achava que era, era divertido, inteligente e com um senso de humor ótimo. Descobri que gostava dele. E que iria ser eternamente grata por poder ter aulas com ele.

Terminamos de arrumar tudo. E as poucas coisas que iria guardar ficaram comigo, que deixei num canto para levar para cima de novo. E as que ia me desfazer, entreguei para Kai.

–Acho que tenho que ir... — Disse ele meio desanimado.

–Eu sei. — Falei também desanimada. — Obrigada por hoje.

–Foi boa a tarde. — Respondeu ele.

Levei até a porta, e ele saiu, mas antes de ir para o seu carro disse:

–Não esquece dos exercícios.

–Pode deixar — Respondi rindo.

Com uma piscada de olho ele entrou em seu carro. Fiquei ali parada observando isso. Deveria estar com cara de idiota.

Ao lado do carro dele, só um pouco mais afastado tinha um carro preto que nunca tinha visto antes aqui na vizinhança, e quando Kai deu partida, o carro desconhecido fez o mesmo.

Fechei a porta atrás de mim, e fiquei pensando naquilo que tinha visto, mas logo mais esqueci disso e fui para o meu quarto. Estava feliz com o dia de hoje. Deitei na cama maravilhada.

Peguei meu celular e vi que tinha mensagens de Jack, abri elas e ele parecia todo eufórico dizendo que finalmente passara no exame de direção. Respondi que estava feliz por ele, e logo em seguida ele me respondeu. E como ainda faltava um pouco para poder ir tomar banho (Por conta do meu horário permitido que eram as 18:00 horas) iniciamos uma conversa.

Ele estava ansioso para saber do meu dia, então contei como foi. Ele não sabia ainda que tinha começado minhas aulas, mas ficou bem interessado nisso.

Dando o horário, fui tomar um banho e esfreguei o tornozelo, era tão bom poder tirar aquilo, mesmo que por apenas 10 minutos.

Me vesti rapidamente e desci para o jantar, realmente estava exausta de mais. Conversamos sobre nossos dias, e depois tomei meus remédios, e fui para meu quarto. Lembrei da lição que Kai tinha me passado, não tinha visto direito o que era, então dei uma olhada melhor.

Na folha estava escrito vários números e equações que não entendiam, mas no final, tinha um sinal de igual e logo depois disso estava escrito ''Isso é o total que tem que dormir para estar disposta para a aula amanhã'', do lado, tinha uma carinha desenhada com a expressão feliz.

Sorrindo, guardei a folha na gaveta da escrivaninha, e adormeci logo em seguida.