Who Are You?

11 Capitulo 11


Com o coração acelerado, senti que a pessoa me encaminhava lentamente para cama. Podia sentir sua respiração, estava assustada.

–Shh... não grite. — Disse a voz sussurrando em meu ouvido e me virando lentamente para que pudesse encarar seu rosto.

Quando olhei, não acreditei no que via, era o Jack! Me sentando na cama e fechando os olhos com um suspiro aliviado disse com a voz baixa:

–Você é louco?! Quase me matou de susto! O que tá fazendo aqui?

–Queria te ver, não respondeu nenhuma das minhas mensagens.

Olhei para ele, e entre o escuro peguei meu celular e aproveitei para ligar o abajur. Encarando a tela, vi que tinham várias ligações dele e mensagens.

–Poderia esperar até amanhã e me visitar, seria bem mais fácil. — Disse mal humorada por conta do que ele tinha feito.

–Fiquei com medo de não me atender, sei la. — Respondeu ele.

–E aí você resolve invadir meu quarto na madrugada para tirar essa sua dúvida sobre te atender ou não? — Falei tomando cuidado para não alterar a voz, não queria que meus pais soubessem disso. — Continuei. — Minha vida tá um inferno, me desculpe se não tenho tempo para ficar checando o meu celular de 2 em 2 minutos.

–Nossa, me desculpe tá? Quis ser legal com você. Não acha que é ruim pra mim também? — Falou enquanto se diria pra janela por onde tinha entrado. — Vir aqui foi um erro, vou embora.

Me sentindo um pouco culpada, me levantei da cama e andei em direção a ele.

–Me desculpa. Só não estou numa boa fase.

–Tudo bem... Eu também não deveria ter feito isso, foi errado, vi como se assustou.

Antes que pudesse responder, ele se aproximou e me abraçou. Fiquei surpresa com isso. Desde que conheço ele, nunca foi muito de demonstrar carinho ou afeto. Sem muita escolhi, retribuí o abraço.

–Já que veio aqui, podemos conversar um pouco, mas temos que ser silenciosos, se meus pais te pegam aqui, nem sei o que fariam! — Disse dando um sorriso para quebrar aquele clima.

Ele se sentou na minha cama, bem perto de mim, o que me deixou sem ação novamente. Conversamos bastante, tentando evitar ao máximo tudo que estava acontecendo em nossas vidas. A hora passou rapidamente. E só quando ia dar 05:00 horas da manhã é que ele se foi.

Deitando cansada da madrugada que tive, não demorei muito a pegar no sono. Prometi a mim mesma que mandaria um sms para ele quando acordasse, afinal, que mal teria se eu virasse amiga dele? Sem pensar no fato do que a família dele iria achar, ou algumas lembranças que teria ao longo dessa amizade, dormi tranquilamente, e não tive pesadelos.

****

Acordei já era de tarde, e o dia estava lindo. Fazia tempo que não ia lá fora. Colocando um vestido solto azul, prendi os cabelos em um coque, e desci. Me sentia bem, mas ainda tomava remédio para as dores. Meu pé tinha melhorando bastante, e mesmo dando uma mancada de leve, já podia andar facilmente.

Indo para cozinha, encontrei um bilhete dos meus pais dizendo que iam ao mercado, e que tinham me deixado comida pronta. Peguei meu prato, e o coloquei no microondas. Enquanto esquentava minha refeição, voltei para cima, e peguei meu celular e o livro que Kai tinha me emprestado.

Enquanto comia, mandei mensagens para Jack que me respondia rapidamente, logo iniciamos uma conversa agradável.

Caminhando para fora, me deitei na rede que tinha no quintal detrás. E novamente iniciei a leitura. Estava boa, e era fácil de ler. Dando algumas pausas para responder ao Jack, não vi que o tempo tinha passado rápido. E logo estava na hora do jantar.

Depois de passar algum tempo com meus pais, eles se recolheram, e eu fui pra sala, afim de assistir ao mesmo filme que meu mais novo amigo via. Por estranho que pareça, me sentia bem, e fazia tempos que não tinha essa sensação.

Agarrei no sono antes mesmo de ver o filme por completo. Tinha um sonho maravilhoso com James. Pela primeira vez em dias, tinha um sono tranquilo.

Fui despertada sentindo um par de mãos deslizando por entre partes do meu corpo. Estaria ainda eu sonhando? Com medo de abrir os olhos, disse a mim mesma que tudo aquilo era minha imaginação. Mas não podia negar o que sentia. E me arrepiava, um arrepio de medo incontrolável.

Bruscamente, abri meus olhos, e para minha surpresa, estava sozinha. Olhei ao redor, e não tinha ninguém além de mim. Levando a mão até a testa, respirei fundo e me levantei. Fui até a cozinha e peguei os remédios que a doutora tinha me recomendado, mesmo não sendo o horário para tomar um, peguei uma capsula e a engoli, sem nem mesmo ter pego água.

Subi para cima correndo e me enfiei debaixo das cobertas. Estava ficando louca.

O dia seguinte pra mim começou cedo, na verdade, começou desde a hora que tinha acordado na madrugada.

Me olhei no espelho, estava com olheiras enormes.

Me sentindo mal, queria ficar sozinha. E meus pais entenderam isso bem. Passei o dia lendo, e antes mesmo de chegar a noite, já tinha terminado o livro.

Sem ter muito o que fazer, esperei o anoitecer, e fui até minha sacada, para tomar um ar. Me sentei e depois de alguns minutos senti meu celular tocar.

–Ei? Você ta bem?

Escutei a voz de Jack ao outro lado da linha.

Balancei a cabeça respondendo que sim, mas tinha esquecido que ele não iria ver, então apenas disse:

–Sim, e você?

Mesmo sabendo que não estava sendo sincera, respondi isso, queria evitar conversas paralelas sobre minha loucura.

–Beleza então... — Falou ele não muito convicto do que tinha escutado. — Podemos conversar um pouco?

–Claro, o que manda? — Tentei mudar minha voz para que soasse mais alegre.

Assim se iniciou mais uma conversa que durou horas... Com medo de dormir, aluguei ele ao máximo que podia, mas sabia que no dia seguinte ele teria aula cedo, e eu também tinha meus afazeres com Kai. Desligamos o telefone, mas eu continuei ali.

Sentindo a brisa suave da madrugada, fiquei na sacada até amanhecer, não queria pregar o olho de novo. Estava apavorada e com medo, não sabia mais quem eu era, e tinha dúvidas até sobre minha sanidade.