Notas iniciais
Mais um capítulo, onde o Sasori vai explicar um pouquinho sobre as tradições da Camarilla...

O ar frio da madrugada entrava pela janela balançando as finas cortinas em movimentos languidos e desordenados. Assim como o tecido delicado, os fios de cabelos loiros também se contorciam com o vento, enquanto Deidara se observava num enorme espelho, um pouco absorto, perdido em seu próprio olhar enquanto uma voz no ambiente ecoava ditando-lhe algumas regras às quais ele não conseguia compreender realmente.

— A primeira Tradição: A Máscara – Não revelarás tua verdadeira natureza àqueles que não sejam do Sangue. Fazer isso é renunciar aos teus direitos de Sangue. —a voz de Sasori penetrava a mente de Deidara enquanto esse continuava distraído se observando no reflexo no espelho. Ao seu lado, sobre um aparador, estava um manto dobrado, com a estampa de uma nuvem vermelha, e também, um estojo de veludo preto, no qual havia um anel verde com um ideograma entalhado na pedra.

Ele vira-se um pouco, pegando o manto e colocando-o sobre os ombros, devagar, enquanto o ruivo continuava a falar mais sobre as tradições da Camarilla:

—A segunda Tradição: O Domínio – Teu domínio é de tua inteira responsabilidade. Todos os outros devem-te respeito enquanto nele estiverem. Ninguém poderá desafiar tua palavra enquanto estiver em teu domínio.

Deidara continua ouvindo, dessa vez pegando o anel e olhando um pouco a pedra verde, para em seguida colocá-lo devagar no seu dedo indicador direito. Sasori continua:

—A terceira Tradição: A progênie – Apenas com a permissão de teu ancião gerarás outro de tua raça. Se criares outro sem a permissão de teu ancião, tu e tua progênie serão sacrificados. A quarta Tradição: A responsabilidade – Aqueles que criares serão tuas próprias crianças. Até que tua progênie seja liberada, tu os comandará em todas as coisas. Os pecados de teus filhos recairão sobre ti.

Após colocar seu anel, Deidara volta as palmas das mãos para si, e fica parado por um momento, observando, dessa vez, sem grande repulsa, as bocas em suas mãos. Não estavam mais enfaixadas, e ele parecia mais conformado com aquela condição. Afinal, agora, o que sempre entendeu por normalidade estava tão longe de si quanto a sua real atenção à voz de Sasori, que continuava ditando:

—A quinta Tradição: A hospitalidade – Honrarás o domínio do teu próximo. Quando chegares a uma cidade estrangeira, tu te apresentarás perante aquele que a governa. Sem a palavra de aceitação, tu não és nada.

—Isso é bem bizarro, não acha? —comenta Deidara, ainda observando as suas mãos, parecendo não se ater às palavras de Sasori, o que o faz fitá-lo de forma agressiva e ameaçadora. Voltando-se então para o ruivo, ele estica-lhe uma das mãos de forma espalmada, e colocando a língua daquela boca para fora, ele sorri com um olhar surpreso e divertido e diz: —Elas são bem legais afinal, un...!

Com um longo suspiro e com a voz um pouco mais firme, o ruivo continua, quase ralhando:

—A sexta e última Tradição: A Destruição – Tu estás proibido de destruir outro de tua espécie. O direito de destruição pertence apenas ao teu ancião. Apenas os mais antigos dentre vós convocarão a Caçada de Sangue.

—Você não tem senso de humor, un..?—diz Deidara, deixando seu sorriso morrer numa expressão entediada, ao mesmo tempo em que abaixa sua mão, fechando a mesma. Ele se distrai por uma fração de segundo, a qual é o suficiente para de repente sentir o baque violento de suas costas contra uma parede, assim como a forte pressão da mão de Sasori contra o seu pescoço.

—E você não tem noção do perigo, não é criança? —rosna o ruivo com suas pupilas um pouco dilatadas em seu olhar facínora e avermelhado. Suas presas também se revelam por um momento, e ele aproxima seu rosto de Deidara, que só não se sentia sufocado pela pressão intensa na sua garganta por realmente não ter mais necessidade de respirar. —Sinceramente, espero que tenha compreendido direitinho todas as tradições que lhe citei, pois do contrário... Eu serei o primeiro a fazer com que se desfaça em cinzas no primeiro raiar do dia.

Ambos estavam tão próximos que seus lábios chegam a roçar de leve um no outro, e Deidara não sabia se sentia medo ou desejo pelo seu impaciente senhor naquele momento. Ele continua a fitá-lo, com aquela incógnita nos seus olhos azuis, e Sasori o balança com força, batendo-o novamente na parede, enquanto diz, cada vez mais irritado:

—Você me entendeu bem?

—Aham...—murmura o loiro, enquanto ambos se fitavam intensamente por mais alguns instantes, antes de Sasori o soltar lentamente, se afastando enquanto diz:

—Agora vamos logo. Temos assuntos importantes para resolver ainda nessa madrugada.

—Ei, mestre Sasori...—diz Deidara, enquanto o segue pela casa rumo à porta de saída.

—O que foi?

—Eu ainda estou com muita sede, un..!

—Tsc...Eu sei disso. —murmura o ruivo, enquanto eles se dirigem ao elevador. —Você não vai se sentir saciado enquanto não beber de uma fonte viva... Cuidaremos disso também.

O elevador se fecha, e ambos descem rumo a sua primeira missão juntos.

Continua...

Notas finais
Espero que tenham gostado! A partir daqui, aguardo ansiosa a opinião de vocês para continuar! To falando sério! xD
Bjinhus e obrigada por ler! :)