Whisper
1 The Embrace
Notas iniciais
Primeiro capítulo mais centrado em Sasori e Deidara. *-*
Espero que gostem! ^^
[fundo musical: Whisper – Evanescence]
Mais uma vez o manto negro da noite tinge céu da cidade como uma sombra viva. Suga as cores das ruas até que elas se tornem apenas manchas, tons esmaecidos. Lentamente transforma os contornos dos telhados em muros, dissolvidos num caos de linhas imprecisas… Traz a indagação, o silêncio, a suspeita. Dá vida aos mais secretos desejos humanos e também às criaturas da noite…
Muitos já estão dormindo, outros se divertem, e alguns, apenas alguns estão sentindo o terror, pânico. Fugindo de algo que não sabem se é perigoso, real, ou só ilusão… O ultimo raio de sol foi engolido pelas sombras. A noite esfria... Neblina nas vielas, pessoas estranhas passam diante de seus olhos azuis um pouco irritados pelas luzes dos letreiros luminosos da cidade; os faróis altos… lhe atormentam.
Não sabia o que acontecera consigo. Apenas lapsos de coisas inconcebíveis lhe acudiam a mente, e se não fosse pelas ataduras apertadas em seu tórax sob seu sobretudo, assim como as que também estavam em suas mãos, ele diria que tudo não passara de algum tipo de pesadelo tenebroso.
—Que diabos eles fizeram comigo? —murmura ele, olhando ainda trêmulo e com um pouco de repulsa para as palmas de suas mãos, enfaixadas. Seus longos cabelos dourados estavam parcialmente caídos sobre metade do seu rosto, ocultando sobre as sombras os seus belos olhos azuis.
—Você é mais esperto do que esperávamos... Por ter conseguido escapar vivo daqueles malditos Tzimices... Nada mal para um simples lacaio. —diz uma voz atrás de si, fazendo-o se levantar num ímpeto de onde estava. Ao olhar com atenção, um rapaz ruivo de olhar gélido o observava, e parecia ser o dono daquela voz. Junto com ele haviam outros dois. Um de cabelos longos e olhos avermelhados, e outro alto, de cabelos arrepiados, e pele azulada. Todos os três usavam mantos longos com nuvens vermelhas estampadas.
—Quem são vocês?
—A pergunta é: quem é você?
—Meu nome é... Deidara..un.. —responde o loiro, à medida que o ruivo se aproxima um pouco, deixando os outros dois onde estavam.
—Deidara... Talvez não seja mais o que foi um dia...E tenho certeza que procura algo, seus olhos não mentem.
—Vocês são como eles também? —intriga-se o loiro, dando alguns passos para trás.
—Não, não... Somos muito melhores do que eles. —o ruivo sorri, e continua, com um olhar quase malicioso— Você procura algo, e nós temos algo para lhe oferecer... O que me diz? Quer vir com a gente em busca de suas respostas? Até mesmo porque, não vejo outras opções para você nesse momento...
Deidara fica um pouco tenso, porém, algo lhe dizia que aquele estranho tinha razão. De alguma forma, ele não teria nada a perder, enquanto não conseguisse se livrar daquilo que ele acreditava ser apenas lapsos de algo bizarro e medonho que fizeram consigo.
—Tá certo...eu vou com vocês, un ...
Ao chegarem num edifício bem alto, porém obscuro e sofisticado, eles levam Deidara até um homem que parecia ser o líder por ali. Sentado atrás de uma suntuosa mesa de madeira nobre, um homem de cabelos alaranjados e alguns piercings no rosto os aguardava, acompanhado de uma bela garota de cabelos azuis e olhar marcante. Em seu cabelo, havia uma pequena rosa branca.
—Pain-sama. —dizem eles, fazendo uma breve reverencia ao se depararem com o líder, e após isso, o ruivo continua:
—Trouxemos conosco quem pediu. Este é Deidara. O único sobrevivente do grupo de terroristas criados pela Rock Village.
—Deixe-me vê-lo, Sasori. —diz Pain, levantando-se e indo até o rapaz loiro, que dá alguns passos para trás, um pouco intrigado. Porém, assim como os três que o conduziram até ali, o líder também tinha um magnetismo muito forte, e sua presença era quase sufocante. Ao dar por si, Deidara percebe que ele lhe toma uma das mãos, e desfaz as ataduras que havia nela, revelando algo que faz seus olhos azuis se estreitarem num ligeiro incômodo.
—Que droga é essa, un? — diz o loiro, observando um pouco aturdido uma boca na palma de sua mão.
—Ótimo. Ele poderá entrar para Akatsuki e ser um de nós. —diz Pain, soltando a mão dele, e voltando-se para a sua mesa.
—Como queira, senhor.
...
Deidara estava sentado em um sofá diante de um copo de bebida. Em sua cabeça, milhões de pensamentos, mas não conseguia se concentrar em nenhum. De repente, o charmoso ruivo volta ao recinto, com uma pasta em mãos. Ele senta-se em um sofá a frente do loiro, e o observa por um instante:
—O que foi, un?
—Esse aqui é um dossiê sobre sua vida toda... —diz Sasori, colocando a pasta com alguns papéis sobre a mesa de centro, e continua com um sorriso sarcástico: —Deidara... 19 anos... escultor de várias obras artísticas feitas de argila, e nas horas vagas, um perigoso mercenário terrorista especializado em explosivos. Um curriculum bem interessante para alguém tão jovem...
—Tsc... você não entenderia— murmura o loiro, um pouco obstinado e desviando o olhar. — Isso é... arte também...un...
—O seu conceito de arte é bem extravagante criança...— diz o ruivo, agora ao lado de Deidara, que se assusta por não ter visto ele se levantar e ir até ali. Afinal, não havia passado mais tempo do que o suficiente para um piscar de olhos, e o ruivo continua: —Mas não me diga que eu não entenderia... Afinal, também sou um artista...
—Como você fez isso, un... ? —diz o loiro, afastando-se um pouco para trás, mas Sasori se aproxima um pouco mais, deixando seu rosto muito próximo do dele.
—Eu posso fazer coisas que você nem imagina...criança.
Sem perceber, e atordoado com a proximidade dele em seu rosto, o loiro cai deitado no sofá, sentindo-o se debruçar sobre si com um olhar vazio, porém enigmático. Só então, ele percebe que Sasori não respirava, nem piscava em momento nenhum. Sua pele era fria, pois ele sente o toque de suas mãos em seus braços, que agora estavam imobilizados no sofá.
—Ei, o que pensa que está fazendo, un..? —diz Deidara, um pouco vidrado e assustado com a situação.
—Você acha que brincar de modelar coisas e fazê-las explodir é arte? —sussurra o ruivo, próximo ao ouvido dele, que sente um leve arrepio lhe percorrer a nuca.
—É... É bonito... quando algo muito belo existe apenas por alguns momentos...e depois...se desfaz totalmente, un..! —gagueja o loiro, bastante perturbado com a proximidade daquele corpo frio e provocante sobre o seu.
—É uma definição bem peculiar a sua... —sussurra o ruivo, deixando seus lábios acariciarem de leve a nuca de Deidara, que estremece ao toque, e ele continua: —Mas deixa eu lhe contar sobre a minha agora...
Por um momento, Sasori parece se divertir com a respiração pesada do loiro, que tinha um misto de excitação, confusão e medo estampado em seus olhos. Ele acaricia de leve seu rosto, e continua:
—Para mim,o que é belo, deve ser eternizado. —ele se levanta um pouco, fitando por um momento os belos e aflitos olhos azuis, que se impressionam com o que só agora podia ser visto; dentes afiados, mais pareciam presas no sorriso do ruivo que volta a se debruçar e tocar os lábios sobre sua nuca: — E é exatamente isso que eu estou fazendo agora...
Deidara sente aquelas presas se afundarem em seu pescoço, com o baque de uma dor insuportável e aguda. Porém, inexplicavelmente, um intenso prazer vinha aos poucos com aquela dor, tomando o espaço da mesma, até fazê-lo mergulhar num profundo êxtase, o qual faz suas vistas escurecerem a ponto de desmaiar enquanto seu sangue era drenado pelos lábios do charmoso vampiro ruivo.
...
Lentamente os olhos azuis se abrem, mais intensos, mais vazios, mais profundos...
Ele se levanta num ímpeto, e percebe que tudo o que estava a sua volta parecia mais... intenso. Sua visão, seu olfato, sua audição... e sua percepção, que o faz se voltar bruscamente para Sasori que ainda estava ali, ao seu lado, seus lábios um pouco sujos de sangue, assim como suas próprias roupas, que exalavam um forte cheiro de ferrugem.
—Parece que finalmente acordou... —diz Sasori, lambendo o pulso, o qual tinha um pequeno corte que se fecha com a lambida.
—E..eu... quero mais...un...! —diz o loiro, com o olhar um pouco atordoado, passando a mão pelo pescoço, no entanto percebe que não havia mais ferimento nenhum ali.
—Bem vindo à sua nova vida... Espero que esqueça todo seu passado daqui em diante, e que possamos construir novos ideais para toda essa sua beleza oca que eu acabei de eternizar. Como uma de minhas marionetes...
Sasori se levanta e vai até algum lugar, e após alguns minutos, volta com uma garrafa e uma taça em mãos. Ele serve a mesma com um líquido vermelho e espesso, o qual chama a atenção quase que instintivamente dos olhos azuis de Deidara, a quem é oferecida a taça cheia.
—A primeira coisa que deixará de existir, é a sua vida mortal. Ela se acabou há alguns minutos atrás, e junto com ela, toda a sua história, suas lembranças...Se quiser mais disso... —ele mostra a garrafa, e continua—terá que me obedecer. Sou seu mestre a partir de agora.
—Tudo bem, como quiser, un..! —responde o loiro com os lábios um pouco trêmulos e manchados de vermelho. —Apenas me dê mais...
—Foi mais fácil do que eu pensava, criança. —diz Sasori, acariciando seus longos cabelos dourados, e puxando um pouco seu rosto para si, sem parecer se preocupar com aquilo, apenas tinha seus olhos vidrados na garrafa que o ruivo ainda tinha em mãos.
—Deixarei você beber mais um pouco dessa forma até que esteja pronto para caçar sozinho. Nos dias de hoje, não é seguro para a Camarilla deixar alguém como você solto sem saber se comportar. —ele oferece mais uma taça para o loiro, enquanto continua.—Também preciso lhe ensinar as Tradições e sinceramente, espero que as aprenda bem rápido. Afinal o Príncipe já o aguarda com algumas missões para as próximas noites...
Continua...
Notas finais
Quem curte Vampiro: A Mascara deve ter percebido que o Sasori e o Deidara são do clã Toreador. Isso e os demais clãs para os outros personagens serão explicados nos próximos capítulos. Mas só se tiver coments! xD
Obrigada por ler até aqui! Bjus! =*
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