Whisper

6 Love You Like I Do


Notas iniciais
Último capítulo desse arco da história (HiDei)para resolver as polêmicas geradas por esses dois nos capítulos anteriores...xD
Esse capítulo acabou tendo uma pitada de songfic e uma pitada de lemon... Espero que gostem!
Música: Love You Like I Do - HIM
Esse capítulo também é dedicado a você minha Kouhai Death The Kid! ♥

Após serem deixados sozinhos na sala do líder, Sasori e Deidara ainda estavam diante daquele impasse que acabaram de descobrir. O jovem vampiro loiro havia sido preso em um laço de sangue por Hidan, por quem agora nutria uma atração intensa e fatal. Diante disso, seu senhor, que desde que o fez sua progênie o amava em segredo, estava possesso de ódio. Sua vontade naquele instante era de caçar o albino pelo prédio e lhe oferecer a morte final de alguma forma lenta e dolorosa, mas sabia que deveria se conter, pois Hidan era protegido de um dos anciões da organização, Kakuzu.

Ele sabia das regras. Não poderia interferir nos negócios da organização, matando um dos membros, sem que atraísse a atenção do líder e da primigênie para si. O único que era seu problema real e estava dentro das suas responsabilidades ali era Deidara, sua própria cria. Pensando nisso e em outras coisas, ele tem sua distração quebrada pela voz do loiro que lhe diz:

—Danna, por que não me ensinou antes sobre laços de sangue, un?

Um pouco surpreso pela pergunta, Sasori apenas franze um pouco seus olhos castanhos avermelhados, imaginando que aquilo fora uma falha sua também. Mas sem querer transparecer ainda mais suas emoções, do que já havia feito naquela noite, ele responde:

—Imaginei que não era o momento certo ainda para lhe contar sobre isso.

—Se eu soubesse... —murmura o loiro, calando-se no momento em que sente o toque da mão do seu senhor no seu rosto, levantando devagar seu queixo e fitando seus olhos azuis.

—Na verdade... —Sasori faz uma pausa, hesitante, mas continua em seguida, — Achei que não seria preciso. —diz o ruivo, se referindo à esperança que tinha, de que Deidara lhe amasse também, por tanto não correria o risco de ser envolvido em um laço de sangue com facilidade. Irritando-se por isso, ele deixa sua raiva transparecer, apertando um pouco suas unhas na pele alva do rosto do loiro: —Mas eu estava enganado.

—Danna... —murmura Deidara, observando o olhar do seu senhor, e começando a entender o que ele realmente sentia por trás da sua máscara de frieza e indiferença, o loiro leva uma mão até a sua que estava em seu rosto, e diz: — O que vai fazer então?

—Eu vou pensar em qual decisão eu devo tomar quanto a você. Como eu disse antes, não preciso de uma cria que esteja ligada a outro vampiro.

—Você não pode desfazê-lo, un?

—Existem poucas formas de desfazer esse voto, mas todas dependem exclusivamente de você. Há ainda a possibilidade de matar o seu regente, mas sei que isso seria impossível, diante da importância dele perante a Akatsuki. Ou seja, se tivermos que repor alguém na organização, será você, que é o último neófito que foi recrutado.

—Isso significa que vai desistir de mim, un. —diz Deidara, abaixando os olhos azuis, ciente da resposta de Sasori, que se aproxima um pouco mais, e encostando sua testa na dele, o ruivo acaricia um pouco os cabelos loiros, com uma afeição que surpreende ambos ali, e soltando um sorriso irônico, quase doloroso, o mais velho responde:

—Não se preocupe. Eu ainda preciso comunicar ao líder e obter a permissão do Príncipe para cria outra progênie. Você terá um tempo para se despedir do seu amante antes de eu lhe dar a morte final.

Deidara cerra os olhos, sem conseguir encarar seu senhor, que continua acariciando seus cabelos e seu rosto, gesto esse que contrastava com suas palavras frias. Uma dor inexplicável acode o coração inerte do loiro, que de repente, se sente magoado. Não pelo fato de saber que iria morrer, mas sim, por ter ferido os sentimentos do seu senhor, sem querer. De repente, suas madeixas douradas balançam um pouco com o deslocamento de ar que Sasori provoca no local, após se retirar da sala com sua rapidez. Ao abrir os olhos, Deidara se vê sozinho no recinto.


On my heart I'll bear the shame

(em meu coração, eu vou suportar a dor)

No prayer can ease the pain

(Nenhuma prece vai amenizar a dor)


No one will love you

(Ninguém vai tea mar)

No one will love you the way i do

(Ninguém vai te amar do jeito que eu amo)

No one will love you, love you like I do

(Ninguém vai te amar, te amar como eu amo)


Confuso, tenso e perdido em seus pensamentos, ele nem percebe que passa um bom tempo ali parado, sentando na mesma cadeira, exatamente da maneira em que Sasori o deixou. Ele só sai dos seus devaneios quando ouve uma voz conhecida lhe chamar a atenção.

—Até que pra quem morria de medo de invadir o local dos anciões, você ta bem de boa aqui na sala do Pain. — diz Hidan, sentando em cima da mesa de reuniões, com os braços escorados nos joelhos.

—O que você está fazendo aqui, un?

—Eu estava te procurando pelo prédio e não te encontrei em lugar nenhum...Aí descobri que você estava envolvido em uma treta com seu criador, e ...

—Vai se ferrar Hidan! —grita Deidara, saltando num ímpeto contra o albino e agarrando-o pelo colarinho e fitando-o com raiva, ele continua: —Foi você quem me enfiou nesse problema todo, un!

—Eu?

—Claro que foi! Vai dizer agora que você não sabia de nada quando me ofereceu seu sangue, seu maldito! —diz o loiro, ainda alterado.

—Ah, mas eu te perguntei antes se você estava de rolo com seu criador, e você negou, porra! Como eu ia adivinhar que ele era apaixonado por você? —diz Hidan, com um sorriso irônico de canto de boca.

—Fique longe de mim, un! —diz Deidara, soltando-o e tentando se afastar tão rápido quanto sua rapidez permitia, saindo da sala.

Após se recompor e arrumar a gola de sua camisa, que o loiro havia amassado, Hidan resolve seguí-lo, encontrando há alguns andares abaixo no prédio.

—Não com tanta pressa assim loirinho! —diz o albino, alcançando-o e segurando-o contra uma parede em um corredor. —Fugir agora não vai resolver porra nenhuma, sabia?

—Me solta seu... —Deidara protesta, mas antes que conseguisse continuar, seus lábios são calados por um beijo de Hidan, que não precisa se esforçar muito para continuar segurando-o e impedindo-o de correr. Logo o loiro se entrega ao beijo, que começa lento, mas aos poucos vai se tornando mais intenso e urgente.

—Percebe agora que não pode fugir? —comenta Hidan, quase num sussurro, enquanto findavam o beijo com algumas mordidas de leve nos lábios um do outro. —É mais forte do que nós dois...

—...—confuso, excitado e com ódio do que estava ouvindo, pois sabia que era verdade, Deidara se pega segurando o albino pelas roupas com força, como se inconscientemente estivesse desesperado para não deixá-lo se afastar de si. Acabou percebendo que por um bom momento, fora ele próprio que conduzira o aquele beijo.

—A gente já vai se fuder mesmo por ter aprontado com o seu senhor... Já que é assim, deveríamos aproveitar, não acha? —diz o albino, segurando o rosto do loiro em suas mãos, com uma necessidade de estar junto dele quase tão forte quanto a de Deidara, pois sabia que os efeitos da segunda vez que bebera do seu sangue estavam fazendo efeito em seu ser.

—Eles não vão fazer nada contra você, un. Por que é um dos membros importantes para a organização. Mas o Danna disse que vai abraçar outra cria, e vai me destruir por isso... —explica Deidara, sem se abalar muito com as próprias palavras, estava mais perturbado pela proximidade do seu maior objeto de desejo no momento.

—Então acredito que você vai querer curtir um pouco mais antes de morrer. —diz Hidan, tomando-o novamente em um beijo sexy e avassalador, ao qual Deidara se entrega sem se preocupar com as conseqüências que aquele envolvimento o levaria. Ambos se dirigem a um daqueles quartos do corredor, no qual se entregam à alguns longos e intensos momentos de prazer.

Enquanto isso, em outro local do prédio...

Sasori estava novamente diante do líder. De alguma forma, ele era mestre em esconder suas emoções, com uma feição sempre inexpressiva e séria em seu rosto. Mesmo que o assunto em questão estivesse lhe remoendo por dentro, o qual estava ali tratando com o vampiro de cabelos alaranjados:

—Como você deve saber, não posso deixar que problemas emocionais e pessoais entre você e sua prole venham interferir nos assuntos da organização. Por tanto, você tem a permissão de criar outra progênie, se assim o desejar. Porém, Deidara deverá ser destruído primeiro. —diz Pain, enquanto o ruivo acatava com a frieza que lhe era peculiar.

—Está certo. Farei isso o quanto antes, Pain-sama.


Após aquela conversa, Sasori sai em busca de Deidara pelo prédio. Para todos, demonstrava que estava decidido a matar sua cria atual, e abraçar outra. Porém, dentro de si, isso era inaceitável. Odiava admitir para si mesmo, mas amava Deidara com todas as suas forças, e sua esperança era conseguir superar seu orgulho para mantê-lo ao seu lado, mesmo que estivesse ligado a Hidan por aquele sentimento mecânico gerado pelo laço de sangue. Esperança essa que se esvai no momento em que ele passa por um dos corredores do prédio, e ouve, através dos seus sentidos apurados, os barulhos que vinha de um dos quartos.

Sem se conter, ele tenta abrir a porta, à qual percebe não estar trancada. Era uma suíte grande e luxuosa, como a maioria das acomodações do prédio. Afinal, os líderes eram Ventrues, que gostavam do luxo e do conforto daquele estilo. Ele próprio, como um Toreador, admirava as decorações bem feitas de cada ambiente.

No entanto, naquele momento, ele não tinha olhos para admirar o recinto. O que seus olhos encontram apenas o faz recuar. E sem se deixar ser percebido, ele se retira do quarto rapidamente, voltando a fechar a porta atrás de si.


And there's no escape

(E não há escapatória)

Just countless mistakes

(Só incontáveis erros)


No one will love you

(Ninguém vai tea mar)

No one will love you the way i do

(Ninguém vai te amar do jeito que eu amo)

No one will love you, love you like I do

(Ninguém vai te amar, te amar como eu amo)



It will never be the same

(Nunca será o mesmo)

Witness trust fade away

(Testemunhe a confiança desaparecer)



Alguns minutos atrás...


Deidara e Hidan estavam completamente entregues aos seus anseios e desejos carnais que eles tentavam amenizar nos braços um do outro. Parte de suas roupas já estava jogada pelo chão do quarto, e apesar de não terem se mordido ainda, isso parecia apenas uma questão de tempo para acontecer, pois eles pareciam incontroláveis em seus beijos e carícias ousadas que trocavam naquela cama:

—O que você ta fazendo, un? —murmura Deidara, sentindo Hidan abrir o zíper da sua calça, e invadir a mesma, começando a acariciá-lo, arrancando-lhes gemidos entrecortados pela sensação de prazer.

—Ah, vai dizer que você não sabe? —responde o albino, com a voz abafada na nuca do loiro, beijando-o enquanto o masturbava devagar por dentro de sua roupa.

—Mas... eu pensei que estávamos mortos, un... —diz o loiro, com um gemido abafado, enquanto arranhava um pouco as costas pálidas sob suas mãos.

—E estamos... Mas todo tipo de sensação física é aumentada quando nos tornamos vampiros. Até mesmo esse tipo... —diz o albino, retirando as ultimas peças de roupas que impediam suas peles de se tocarem plenamente.

—Mas... —Deidara não tem tempo de protestar, pois Hidan o vira de costas para si, deitando-se sobre ele e penetrando-o de repente, o que o deixa sem reação diante da situação. Uma dor forte misturada com um prazer intenso lhe acode, e ele crava suas unhas nos lençóis, que se rasgavam com sua força no momento em que o albino começa a lhe estocar.

Ambos gemem e estremecem de prazer, sentindo-se inebriados. Seus corpos se moviam em um ritmo bem combinado e intenso, e Deidara mal conseguia manter seus pensamentos em ordem, certificando-se de que Hidan tinham razão quando disse que tudo era mais intenso como vampiro. Ao dar por si, o loiro sente as presas do albino se cravarem na curvatura do seu pescoço, fazendo-o se desmanchar em uma sensação mais forte do que um orgasmo, e só então percebe que ele estava bebendo do seu sangue mais uma vez; pela terceira vez.

—Você é louco,un! —murmura Deidara, sentindo suas últimas forças se desvanecerem naqueles lapsos intensos de prazer que percorriam seu corpo, e nesse momento, ele só sente Hidan lhe oferecer o braço, colocando o pulso na sua boca.

—Cala a boca e me morde logo também! —diz ele, a ponto de explodir de prazer com a mesma intensidade que aconteceu com o loiro, há segundos atrás.

—Mas... —Deidara hesita por um momento, sabendo que já estava mais do que ligado a Hidan naquele laço proíbido e delicioso. Será que beber outra vez iria fortalecer ainda mais a ligação entre eles? Ou apenas iria mantê-la? Sem conseguir vencer seus instintos, ele desiste de tentar encontrar a resposta e crava as presas na pele pálida, ao mesmo tempo em que sente seu pescoço ser tomado outra vez pela mordida que, junto com o sangue que agora bebia, faz ambos transbordarem um prazer incontrolável e inimaginável. Sem sequer imaginarem que nesse exato momento, Sasori havia entrado no quarto.


Algumas horas depois...


Deidara abre os olhos e olha ao redor, percebendo que estava no mesmo quarto que antes. Um quarto com uma decoração predominantemente vinho e negra, com alguns abajures com luzes douradas discretamente espalhadas pelos cantos.

Olhando para o lado, ele encontra Hidan deitado de bruços em meio aos lençóis negros de cetim, e alguns travesseiros e almofadas macias. Parecia sereno, e seus cabelos prateados, que sempre estavam cuidadosamente bem alinhados e penteados para trás, agora estavam despreocupadamente bagunçados e caídos pelo seu rosto, com alguns fios tampando parcialmente seus olhos violetas.

—Pensei que havia dito que vampiros não precisavam dormir, un. —diz Deidara, retirando alguns fios prateados da frente dos olhos de Hidan, que os abre devagar, e murmura, ainda com o rosto enfiado em meio aos travesseiros:

—Não estou dormindo. Estou cansado, porra. Você acabou comigo.

Deidara solta um riso breve, deixando sua mão percorrer a pele alva do rosto a sua frente.

—Eu tenho que ir agora, un.

Ele se levanta, mas Hidan o segura pelo braço, numa preocupação quase apalpável.

—Ir para onde?

—Não sei... Talvez o Danna esteja apenas me esperando para me dar a minha sentença, nessa manhã, un.

—E você vai se entregar assim? Sem ao menos lutar? —irrita-se o albino, levantando-se e colocando-se sentado na cama. Deidara se levanta e pega suas roupas, começando-a se vestir, sem responder nada, o que o deixa cada vez mais irritado: —Você está me ouvindo porra?!

—Você sabia... —diz Deidara, movendo-se rápido para a cama novamente, e segurando o rosto de Hidan com as duas mãos, ele continua: —Que eu já estava sentenciado por sua causa, e mesmo assim bebeu do meu sangue pela terceira vez. Por que quis se ligar completamente, se sabia que eu iria morrer, un?

—Que se dane! Quando o regente morre, o laço se desfaz, então não tinha porque eu não beber outra vez... —responde o albino, meio hesitante com suas palavras.

—Então não tem porque me segurar aqui, muito menos, porque se preocupar, un! —diz Deidara, fitando os olhos violetas por um momento, e após um breve momento, ele lhe dá um selinho, dizendo: —Adeus!

Após pegar o resto de suas roupas, o loiro sai do quarto, fechando a porta atrás de si e deixando Hidan ali sozinho, um tanto quanto pensativo e calado:

—Porra... Não era pra ser assim... —murmura ele, fechando as mãos sobre os lençóis.

No one will love you

(Ninguém vai tea mar)

No one will love you the way i do

(Ninguém vai te amar do jeito que eu amo)

No one will love you, love you like I do

(Ninguém vai te amar, te amar como eu amo)


Em outro andar do prédio...


Deidara retorna aos aposentos os quais dividia com Sasori desde que fora abraçado, e percebe que o local estava vazio e silencioso. Após andar um pouco mais, ele acaba encontrando o seu senhor em uma sala, sentado em uma poltrona, parecendo lhe aguardar.

—Danna...

—E pensar que eu ainda tinha esperanças de que você pudesse resistí-lo, e quem sabe se livrar do voto naturalmente, para eu continuar com você ao meu lado. — a voz de Sasori era impassível, porém Deidara podia sentir que havia algo no fundo. Percebendo a dúvida nos olhos azuis, ele continua: — Mas isso parece impossível, se toda vez que o encontrá-lo, vocês reforçarem seus laços libidinosamente como acabaram de fazer.

O loiro se assusta, ficando parado onde estava. Como ele poderia saber daquilo? Novamente aquela sensação de culpa e mágoa lhe atinge, e tudo que sabia era que seria capaz de fazer qualquer coisa para poder mudar aquilo.

—Enfim, eu já decidi. Criarei outra progênie o quanto antes. Por tanto, faça o favor de não fugir quando os carniçais chegarem para conduzi-lo à câmara solar.

—Eu não vou fugir, un. Mas não preciso que ninguém me leve a lugar nenhum, Danna. — diz o loiro, arriscando uma aproximação do ruivo, que se volta para ele com um olhar facínora: — Basta você me ordenar, e eu irei sozinho, un.

—Seria inútil. Você não é capaz de ser preso pela minha dominação agora. E preciso me certificar de que teve a morte final para eu gerar outra cria. São ordens do líder.

—Não! Eu vou lhe obedecer! — acode Deidara, com um olhar quase suplicante, o que faz Sasori repensar por um momento sobre a decisão que estava tomando: —Eu prometo, un.

Após alguns breves segundo ponderando sobre o que ouve, o ruivo se volta para sua cria, e então, aproxima-se dele, esforçando-se para acreditar que aquela possibilidade realmente existia:

—Como queira então. Como seu criador, eu ordeno que... —Sasori faz uma breve pausa, deixando sua hesitação aparecer, mas logo se recompõe e continua, com firmeza: —...que vá até o terraço do prédio, e fique lá, até o sol nascer e ser exterminado por seus raios.

—D...Danna... —murmura Deidara, permitindo-se ser impelido a acatar a ordem do seu criador como sempre fizera, mas antes de sair dali, ele abraça Sasori, que fica surpreso diante de sua reação e diz: —Eu sinto muito por ter lhe magoado,un.

Nesse instante, rapidamente o loiro se desvencilha de seu senhor e sai correndo da sala, indo em direção às escadarias do edifício. Após percorrer todos os andares, ele chega à cobertura, onde anda até o lado leste do prédio, onde era possível ver os primeiros raios de sol quando esse nascesse pela manhã.

Ainda era de madrugada, e faltavam uma ou duas horas para amanhecer. O céu no horizonte já tomava alguns tons purpúreos mais claros, manchando o negro sagrado da noite que estava se esvaindo com o passar dos minutos. Uma aragem fria no alto daquele prédio balouçava as madeixas loiras de Deidara, que estava sentado, com as pernas cruzadas observando o horizonte que à medida que o tempo passava, ia ficando mais claro diante de seus olhos azuis.

—Ei, é sério que você ta tentando um suicídio aí? —diz Hidan, que chegara ali sem que Deidara percebesse, e indo até ele,se senta ao seu lado:

—Não é suicídio, un. São as ordens do meu Danna.

—Que merda é essa?! Você sabe que não está dominado mais por ele e... —Hidan se assusta um pouco, desconfiado do que poderia estar acontecendo ali. Seria possível que Deidara tivesse amor verdadeiro por Sasori a ponto de quebrar o laço de sangue estabelecido entre eles? — Você deve obediência a mim também agora, sabia?

—O sol vai nascer daqui a pouco... Melhor ir para dentro do prédio se não quiser a morte verdadeira também, un. — diz Deidara, ignorando completamente o que ouvira.

—Não interessa... Eu vou ficar mais um pouco aqui se eu quiser! —rosna Hidan, sem querer deixar transparecer sua preocupação com o loiro, pois ele também estava fortemente ligado a ele agora.


Não muito longe dali, Sasori seguira sua cria para se certificar do que ele realmente estava lhe obedecendo, e de dentro de um lugar coberto, ele observava Deidara e Hidan de longe. Também podia ouvi-los, e por isso, ele não revela sua presença ali, ficando apenas parado onde estava, observando os dois enquanto conversavam.

—Ei, Hidan. Você sabe como é que acontece? —pergunta Deidara, que estava deitado no colo do albino, que sentara-se ali, e acariciava os cabelos loiros em seu colo.

—O sol? Eu nunca vi de perto, mas parece que eles começam a te queimar por um tempo, até consumirem toda a sua carne e fazê-lo explodir em cinzas...

—Explodir, un...—murmura Deidara, observando os tons alaranjados surgirem no horizonte, junto com um calor que começa incomodar a ambos. —Por fim, deve ser bonito então...

—Bonito? Você ta louco é?

—Eu gosto de explosões, un. É bonito quando algo existe por apenas um breve espaço de tempo, e de repente, não existe mais. Isso é arte.

—Malditos Toreadores com seus conceitos de artes e outras merdas do tipo... —comenta Hidan, com um sorriso quase triste, percebendo que uma boa luminosidade já se revelava no horizonte, e suas peles já tinha algumas marcas visíveis de queimaduras que soltavam uma fumaça negra.

—Ei, volte para dentro do prédio,un. —diz Deidara, sentindo sua pele arder, e se levantando, ele se volta para o albino, que o fitava com um olhar assustado:

—Não dá... A gente tem um lance, saca... Não consigo deixar você aqui agora e...

—Eu sei que está ligado a mim também porque bebeu meu sangue por três vezes, mas isso vai acabar assim que eu morrer aqui, un. Não foi você mesmo que disse antes?

Hidan fica calado. Sabia que era verdade, mas a ligação que o prendia ali era mais forte do que a dor de estar sendo queimado pelos raios de sol que começavam a despontar no horizonte. Percebendo isso, Deidara diz:

—Agora você tem que ir. Se você morrer aqui, vai criar problemas para o Danna, por eu ter te levado para a morte final junto comigo, e a organização não pode perder um dos membros veteranos.

—Seu filho da puta, mesmo numa hora como essa, você só está preocupado com o seu maldito criador? —irrita-se Hidan, sentindo o loiro lhe tomar o rosto com as duas mãos e continua: —Eu não vou a lugar nenhum!

—Não. A sua vontade é minha agora. E como seu regente, eu ordeno...

—Cala a boca, eu não vou te obedecer!! —esbraveja o albino, mas Deidara continua:

—Que volte para urna e permaneça lá até anoitecer novamente, un.

—Porra! Você não ta fazendo isso Deidara! —Hidan se enfurece, por perceber que se sente completamente impelido a acatar o comando de Deidara, e contrariado, ele se levanta e usa sua rapidez, voltando para dentro do prédio em segundos, fazendo exatamente da forma que o loiro lhe ordenou.

Sasori que observava de longe vê que Hidan passa em um vulto por si, mas não parece perceber sua presença no local. Achou estranho, pois percebera que Deidara não fez o que ele quis, mas usou sua dominação para tirá-lo dali. Seria possível que sua cria estivesse superando as ligações do laço que o prendiam ao albino?



Hidan corre até sua urna, e quando chega a essa, encontra Kakuzu diante da mesma, escorado com os braços cruzados, como se o aguardasse naquele momento:

—Ainda bem que pelo menos resta um pouco de bom senso na cabeça oca de um de vocês dois ein! —diz o moreno, ao que Hidan se irrita:

—Do que você está falando seu velho ordinário?! Sai da frente, eu tenho que entrar na porra da urna!

—Eu sei, mas... —Kakuzu o segura pelo rosto antes dele entrar, e ajeitando os seus cabelos prateados, que ainda estavam caídos sobre seus olhos, ele diz: —Isso me faz perceber que você me dará menos prejuízos e será muito mais útil e obediente com um regente lhe controlando...Lembrarei disso assim que seu voto com Deidara se desfizer.

—Vai se fuder! —grita Hidan,desvencilhando-se das mãos do moreno e encerrando-se na sua urna, deixando o mais velho rindo de sua reação obstinada e irritada.



Observando Deidara por mais um momento, Sasori vê que os raios estavam ficando mais intensos, e uma fumaça mais forte saía de sua pele. Era questão de segundos para ele virar cinzas pela luz do sol, e após certificar-se que ele realmente não iria sair de onde estava, Sasori usa sua rapidez e vai até ele, ignorando os raios solares que começam a lhe queimar também.

—Danna? —diz Deidara, surpreso por ver seu senhor diante de si.

—Apenas me responda, por que está sentado aí, sendo queimado pelo sol, sabendo que não está realmente dominado pela minha palavra? —pergunta o ruivo, se colocando em frente a sua cria, pois os danos pela luminosidade já era bem visíveis na pele alva do loiro.

—Porque... É o que devo fazer,un. Fazer o que você me disser Danna.

—Criança estúpida... —murmura Sasori, sentindo uma ponta de felicidade surgir no seu íntimo, e continua: —Você não precisa fazer isso...

—...—Deidara fica sem palavras diante da reação do seu senhor, que continua, recomeçando a andar para a área coberta que tinha ali:

—Você não vem? Ou vai mesmo ficar aí até virar um amontoado de cinzas no chão?

—Não posso ir enquanto você não retirar o comando, un.

Sasori se impressiona ainda mais. Era difícil entender uma teimosia daquele tamanho, principalmente quando se trata de um vampiro sendo queimado pelos primeiros raios de sol. Aquilo só poderia ser uma prova bastante convincente do amor verdadeiro que sua progênie sentia por si, mas nunca nenhum deles havia descoberto. Com um sorriso ínfimo em seus lábios, o ruivo diz:

—Como seu criador, eu lhe ordeno que saia do sol e se refugie dentro do prédio. Agora.

Deidara se levanta num ímpeto, mas parece não conseguir usar sua rapidez. A luz solar absorvida estava drenando seus poderes, e sabendo disso, Sasori o pega e saí dali em segundos, levando-o diretamente para qualquer lugar longe dos raios de sol.



Um dia depois...

Deidara abre os olhos e percebe que estava dentro de sua urna. Já havia anoitecido, podia sentir isso. Porém, não se lembrava de como havia chegado até ali. De repente, a tampa da mesma se abre, e ele encontra o seu criador lhe observando:

—Danna...

—Se sente melhor agora?

—Sim, mas... eu não entendo...

—Eu ouvi sua conversa com Hidan lá no terraço e... Mesmo na hora da sua morte, você ainda falava aquelas coisas absurdas sobre a arte ser efêmera... Eu não poderia deixá-lo ir sem antes convencê-lo de que a verdadeira arte é eterna, como nós, por exemplo. —explica-se o ruivo, afastando-se um pouco, ao que o loiro se levanta um pouco intrigado, e indo até ele, pergunta:

—Mas... E quanto ao laço de sangue que eu fiz com Hidan? Não está mais com raiva, un?

—Eu seria um tolo se deixasse sentimentos humanos idiotas como ciúmes me controlar a ponto de exterminar minha progênie e me dar o trabalho de criar outra. Você tem o dom de esgotar minha paciência criança, e eu não estou disposto a correr o risco de arrumar alguém pior do que você.

Deidara fica pensativo por um momento. Conhecia seu criador a ponto de entender que ele faria aquele rodeio todo com as palavras só para não admitir que nutria algum tipo de afeição por si. Mesmo assim, ele se aproxima um pouco mais, e diz:

—Danna, você não precisa de outra progênie, un — ele toca de leve no rosto de Sasori, que deixa seus lábios se curvarem num sorriso de canto rápido, e aproximando-se um pouco do seu senhor, Deidara continua, perto do seu ouvido: —Porque... Ninguém vai te amar do jeito que eu te amo.


No one will love you

(Ninguém vai tea mar)

No one will love you the way i do

(Ninguém vai te amar do jeito que eu amo)

No one will love you, love you like I do

(Ninguém vai te amar, te amar como eu amo)


Love you like I do

(Te amar como eu amo)



Continua...

Notas finais
E então que tal? Confesso que eu mesma me surpreendi com o final, porque imaginei que quem iria falar isso fosse o Sasori...
E não é que o Deidara e o Hidan não tenham terminada juntos... Como o Hidan mesmo disse, eles tem um 'lance', e como Deidei não morreu, acho que isso pode render algo mais qualquer dia desses... xD
Espero que tenham gostado!! Deixem seus coments plz! ;)