Whisper
7 Hunters
Notas iniciais
"Quando derrubarmos o sistema decadente que tenta nos governar, poderemos derrubar o sistema que governa os mortais também. Seremos os salvadores da terra. Os rebeldes, sempre tentam impor seus ideais seja lá quais eles forem. Todos os seres pensantes merecem ser livres; esse é o nosso direito de nascença"
Entre essas e outras frases do líder, a reunião daquela noite decorria como o esperado. Todos os integrantes demonstravam um interesse dogmático estampado em seus olhos desprovidos de vida, apesar de nem todos direcionarem a devida atenção abaixo de suas máscaras compenetradas nas palavras de Pain. No entanto, ao ouvir aquela citação que era típica do seu clã, um dos integrantes se concentra mais no discurso eloqüente do seu líder, levantando um pouco seus olhos dourados que estavam fixos no nada. Nesse momento, eles se encontram com o olhar avermelhado e quase morno que lhe era dirigido do outro lado da mesa, embora o dono de tal gesto fosse o rosto mais impassível de todos naquela sala. Sabendo disso, Kisame devolve aquele olhar com um leve e rápido sorriso de canto para Itachi, que à visão de qualquer um ali, permanecia estático e desprovido de qualquer emoção. Afinal, suas ínfimas alterações emocionais eram perceptíveis apenas ao seu companheiro de dupla, devido à convivência de ambos juntos.
Após mais meia dúzia de palavras contra o sistema e algumas revoltas pessoais expostas como ideais políticos, Pain se volta para a única figura feminina do recinto, a qual lhe escutava e observava com uma devoção profunda em seus olhos cor de mel carregados de maquiagem gótica. A bela Konan então estende para ele uma pasta cheia de papéis, os quais ele folheia enquanto se volta para os membros da organização.
—Tenho aqui algumas missões para vocês. Akasuna Sasori, preciso que obtenha informações para mim sobre alguns governantes que possivelmente estão envolvidos com o Sabá. Se essa suspeita se confirmar, você tem ordens minhas e do Príncipe para eliminá-los imediatamente.
—Sim senhor. —responde o ruivo, que estava ao lado de sua cria, a qual olhava alternadamente para o líder e seu senhor, com uma expressão curiosa sobre aquela missão.
—Existe outro problema preocupante para nós. Há rumores de que o nosso ex-integrante esteja convocando caçadores secretamente para capturar e expor os Membros da Camarilla antes de eliminá-los. Algumas investigações já foram feitas, e descobrimos que eles possuem uma base onde se reúnem para traçar seus planos; a mesma fica no subsolo da Serpentine’s, a casa noturna do próprio Orochimaru. —Pain faz uma pausa breve enquanto alguns olhares se cruzavam com certa tensão que se estabelece na sala, como se a maioria já esperasse ouvir aquilo que estava sendo dito : —O grupo formado por eles é composto por alguns caçadores famosos e perigosos, e ao que tudo indica, um deles é também um vampiro, e o irmão mais novo de um de nossos membros, —o líder se volta para Itachi nesse momento e continua: —Uchiha Sasuke.
Itachi simplesmente ignora os olhares um pouco surpresos direcionados a si, mantendo-se indiferente ao fato de ser o irmão de um caçador de vampiros. Abaixando um pouco seus olhos avermelhados, como se a conformação fosse sua única alternativa diante da situação, ele diz:
—Tudo bem, eu posso cuidar disso Pain-Sama.
—Certo. —responde Pain, novamente se voltando para a mesa e continuando: —Como a Serpentine está situada dentro da área que é de sua responsabilidade como xerife, preciso que também cuide disso para mim, Kisame. —diz o líder, se voltando para o azulado, que responde:
—Sim senhor, pode deixar.
—Ótimo! Como sempre, não podemos chamar a atenção para nós, por tanto, tudo deve ser feito de forma que pareça apenas um atentado terrorista por parte dos próprios humanos. Para tanto, —O líder então se volta para o loiro da mesa, e continua: —Deidara, preciso que você use suas habilidades com bombas e implante explosivos em lugares estratégicos da boate.
—Sim, senhor. Mas e quanto à missão com o Danna, un? —pergunta o loiro, um pouco intrigado com o que lhe era passado.
—Sasori irá à outra missão como foi ordenado anteriormente. —responde Pain.
—Achei que só pudéssemos fazer as missões em duplas, un.
—E farão. Por isso é que Tobi vai com você. —diz o líder fazendo o loiro arregalar seus belos olhos azuis, mas ele nem tem tempo de protestar, pois a voz alta do garoto mascarado que se manteve quieto até então do outro lado da mesa, logo invade a sala e os seus ouvidos:
—Deidara-senpaaaai!!!! Essa vai ser nossa primeira missão juntos!!!! —diz Tobi, acenando exageradamente com os braços tentando chamar a atenção de Deidara como se ele estivesse muito mais distante do que apenas o um metro e meio da mesa que lhes separavam.
—Acha que é uma boa idéia juntar um filho de Malkav com um neófito, Pain-Sama? —balbucia Zetsu, sem ser muito discreto, ao que no mesmo instante, parece se auto repreender pelo comentário, dizendo num murmúrio: —Isso não é problema nosso afinal...
—Não tem problema, Zetsu-senpai! Tobi não vai atrapalhar! Tobi é um bom garoto! —diz o mascarado, voltando-se para o vampiro que possuía todo o corpo dividido em duas cores, preto e branco.
Konan também parecia intrigada com aquela questão, indagando discretamente com o olhar para Pain, tentando disfarçar sua expressão assustada, assim como todos ali.
—Não vejo problemas quanto a isso, até porque Tobi deve começar a sair logo em missões externas para se adaptar melhor à organização. —responde Pain voltando um olhar quase gentil para a moça.
—Porra! O cara ainda é mais novato do que o Deidara na Akatsuki! Isso vai dar merda ein! —diz Hidan, em alto e bom tom, trazendo alguns olhares para si.
—Cala a boca Hidan! —rosna Kakuzu ao seu lado, percebendo que Sasori lança um olhar facínora para o albino, e tentando desfazer o clima que se estabelecera por causa do seu assistente, ele continua: —Pain, você disse que alguns dos caçadores são famosos? Eu irei até lá também para recolher os corpos, pois você sabe que eles possuem um valor elevado no mercado negro.
—De forma alguma Kakuzu. Preciso que faça o balanço das finanças e alguns relatórios urgentes que preciso entregar para o Príncipe o mais rápido possível. Mas você pode mandar Hidan no seu lugar...Contanto que ele não atrapalhe as missões dos outros.
As palavras de Pain deixam Kakuzu um pouco irritado, porém, ele acaba acatando as ordens que lhes são dadas.
—Que seja. Não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar essas recompensas. —diz o moreno, consentindo que Hidan vá em seu lugar, o que deixa o albino mais do que feliz, e sem disfarçar nem nada, ele abre um largo sorriso malicioso e dá uma piscadinha para Deidara, dizendo:
—Acho que nós também teremos uma missão juntos, coisa loira...
—Tsc! —o loiro apenas fecha a cara, fazendo um muxoxo irritadiço, ao pensar que teria que sair sozinho com aqueles dois, Tobi e Hidan, no seu encalço.
—Estão todos dispensados! —diz Pain, ao que todos se levantam, se retirando da sala cada qual para os seus deveres impostos durante a reunião.
Algum tempo depois...
Itachi, Kisame, Deidara, Hidan e Tobi estavam em uma sala na qual parecia ser um depósito de armas, onde todos escolhiam diante de uma grande mesa, o arsenal que estava disposto sobre a mesma.
—Não entendo, un. —comenta Deidara, enquanto observava com certo desdém a grande quantidade de armas que todos mexiam e testavam, —Para quê essas armas, se temos nossos próprios poderes?
—Não deveremos usar disciplinas para não sermos descobertos... —diz a voz feminina que se adentra a sala, e todos se voltam para ver Konan chegando ali e indo até a mesa, ela continua: —Quanto mais discretos formos naquele lugar, melhor...Já escolheram suas armas?
—Até parece que eu trocaria minha belezinha aqui por esse monte de porcaria... — resmunga Hidan, com um sorriso divertido referindo-se à enorme foice de três lâminas que segurava com o cabo escorado no ombro.
—Digo o mesmo que o Assamita... —comenta Kisame, com um braço apoiado na espada estilo montante, só que de lâmina extremamente larga, à qual ficava na maioria das vezes envolta em faixas tipo bandagens. —Seus brinquedos com gatilhos não possuem metade do poder de destruição que a Samehada possui...
—Nada discretos vocês dois não é, diga-se de passagem... —comenta Konan, ironicamente, enquanto Itachi optava por uma espada estilo ninjatô, curta e de fácil manuseio para quem possuísse as habilidades apuradas com armas daquele estilo, como ele.
Tobi parecia se divertir enquanto empunhava e engatilhava diversas armas diferentes, e após escolher as suas também, ele diz:
—Tobi está preparado agora, esperando o plano de ação dos senpais para agir!
—Bom, quanto a isso... —diz Konan, desdobrando um enorme papel que trazia consigo, no qual havia desenhado o que se parecia com a planta de um local. Todos se aproximam dela, que começa a falar, apontando alguns detalhes sobre o papel: —Ouçam com atenção! Zetsu já mapeou todo o local, e preciso que vocês tracem o plano de ação conforme esse esquema...
Enquanto isso, em outro ponto da cidade...
O local se parecia com uma mansão situada em meio a uma vasta área verde, porém, dentro dos limites urbanos ainda. Um vasto gramado se estendia desde os portões de ferro até a escadaria que levava as portas de entrada do local; uma porta grande de madeira nobre entalhada abria para os dois lados, dando passagem ao luxuoso espaço todo decorado com refinadas esculturas e alabastros. Cortinas, estofados, quadros e plantas exóticas também compunham a sofisticada decoração, a qual era embalada pelo som darkwave que vinha lá de dentro, onde a iluminação já se desfazia em jogos de luzes purpúreos e gelo seco, os quais envolviam a pista de dança que já estava cheia àquela hora da noite. Também era perceptível um tema totalmente voltado a serpentes em toda a decoração, que assim como nas pinturas das telas e na maioria das esculturas, também podiam ser encontradas enroscadas em dançarinas que faziam números e apresentações com os animais envoltos em seus corpos. Ao fundo de todo esse cenário, mas não com menos destaque, apesar de se encontrar em uma parte mais reservada do salão principal, estava aquele que observava com um olhar dogmático todo o evento ao seu redor, além de ser o próprio dono do local; Orochimaru.
—Orochimaru-sama...—diz um rapaz jovem, de cabelos prateados preso em um rabo de cavalo baixo, aproximando-se do trono, se assim podia ser considerada a luxuosa poltrona de encosto alto onde o homem de ar polido, porém, extremamente imponente estava sentado. —O grupo Taka chegou e aguarda para vê-lo.
—Não creio que eles aguardem... —diz o homem de longos cabelos negros lisos e caídos ao lado do seu rosto pálido e esguio, enquanto mantinha seus olhos dourados fixos em alguém que se aproximava em meio às pessoas que dançavam pelo salão.
—Não tenho tempo para ficar esperando saber se você pode me receber ou não, Orochimaru. —diz o rapaz jovem que se aproxima deles, de cabelos curtos, levemente repicados e olhos negros e marcantes. Parecia-se com Itachi, aparentando ser alguns anos mais novo, e nos acessórios de suas roupas, era visível vários coldres, munições de prata e madeira, dois pares de pistolas Glock 24 e uma escopeta, além de algumas armas brancas também, como uma espada ninjatô curta e uma faca kabar que trazia no coldre do seu coturno. Eram equipamentos típicos de um caçador, fato esse que ele não fazia questão nenhuma de esconder, apesar de gerar olhares curiosos e muito falatório a seu respeito por onde passasse.
—Ora ora, meu caro Sasuke-kun. Receio que seus trajes não sejam apropriados à minha recepção, e você está assustando meus convidados.
—Que se fodam seus convidados. —rosna o rapaz, dono de um mau humor peculiar. —A opinião deles vale menos para mim do que as estacas que vou gastar para empalar cada um desse salão quando eu tiver alcançado meu objetivo de destruir Itachi.
—Oh, que bom saber! Isso significa que ainda teremos muito tempo para celebrar mais algumas centenas de festas como essa... —comenta Orochimaru com uma grande carga de ironia na voz, deixando Sasuke furioso.
—E você será o próximo depois de Itachi!—ameaça o jovem, entre os dentes, fazendo o outro rir alto enquanto acariciava a cabeça de uma enorme cobra branca Píton que estava envolta de seus ombros.
—Sim, sim... Eu também o amo muito, minha adorável progênie! —diz Orochimaru, e após recostar-se para um lado sobre o braço da poltrona, ele continua: —Será que podemos tratar dos assuntos sérios agora?
—É bom mesmo. O que queria comigo afinal?
—Preciso que reúna seus homens e estejam preparados a qualquer movimentação estranha que pode ocorrer essa noite... Algo me diz que o Príncipe e suas crianças pretendem aprontar alguma coisa daqui para o amanhecer.
—Dependendo de quem vier, não estou nem um pouco interessado. —diz o moreno, dando de ombros e já se voltando para se retirar da presença do homem.
—E o que faria se Itachi entrasse por aquela porta daqui a algumas horas? —diz o homem, hipoteticamente, fazendo os olhos negros e compenetrados do rapaz tomarem um tom avermelhado e se estreitarem, no mesmo instante em que ele se move tão rápido dali que passa por entre as pessoas da festa com um vulto. Diante disso, Orochimaru solta um riso leve, observando-o ardilosamente enquanto continuava acariciando a serpente em seus ombros. —É tão fácil alterar os ânimos dessas crianças da atualidade...
Lá fora, Sasuke permanece parado diante da entrada por um bom tempo, como se observasse ao redor, esperando encontrar algo. Estava intrigado com a possibilidade da Akatsuki aparecer por ali naquela noite, por isso precisava estar atento. De repente, as copas das árvores ao redor se balançam um pouco e uma revoada de corvos aparece, alçando vôo dali de forma agitada e barulhenta, o que lhe chama bastante a atenção.
—Aquele maldito! Então realmente está chegando, não é? —murmura Sasuke por entre os dentes, se retirando dali rapidamente em direção ao bosque que havia ali perto.
Continua...
Notas finais
Mereço reviews? Bjus e até o próximo capítulo! ;)
Fale com o autor