Whisper
4 Encounter
Notas iniciais
Boa leitura! ;)
As ruas da cidade já diminuíam seu movimento, enquanto a ventania fria dançava por entre os prédios, ora ou outra iluminados pela intensa tempestade de relâmpagos que insistia em se estender sobre o manto escuro da noite. A cidade emanava uma energia hostil, perigosa e enigmática. Poucos eram os que se aventuravam fora de suas casas naquele horário, e os que faziam pareciam não temer o abstrato e o desconhecido que se dissolvia nas horas mortas. Isso apenas podia ser sentido, quase tocado, pelas criaturas da noite, que eram o motivo do oculto causar tanto pânico nos seres vivos comuns.
Já havia algum tempo que Deidara havia se acostumado com sua pós-vida como vampiro. Seu senhor e criador Sasori o guiava e lhe cuidava enquanto ambos trabalhavam para a organização secreta Akatsuki, sob ordens da Camarilla.
Intimamente ligada com a máfia e a política local, a Akatsuki vendia qualquer tipo de serviço mercenário que necessitasse desde a mais delicada manipulação de poderosos, até as mais perigosas infiltrações e ataques terroristas aos inimigos de seus contratantes. Afinal, não era difícil para criaturas da noite realizarem essas missões de alto risco, visto que todos os integrantes eram altamente capacitados e implacáveis, cada qual com sua habilidade particular.
Durante uma dessas perigosas missões, Deidara acaba se ferindo gravemente. Não que ferimentos comuns fossem problema para um vampiro, ou até mesmo a perda de um braço, como era o seu caso. Nada que algum sangue fresco e uns bons dias de sono não pudessem lhe regenerar, mas como logo teriam mais trabalho para fazer, Pain achou por bem enviá-lo para um tratamento intensivo, afim de que Deidara estivesse à disposição da organização logo que possível. Além disso, ele possuía aquela estranha modificação congênita nas mãos, e como aquilo havia sido implantado através de disciplina vampírica, ninguém melhor do que um próprio Tzimice para tratar do problema.
Após a reunião da organização na luxuosa sala onde eles sempre se encontravam, todos os membros se retiram, cada qual para os seus afazeres particulares ou não, e nesse momento, Sasori conduz Deidara até outro local do prédio.
Durante o percurso de alguns andares dentro de um elevador, ambos permanecem calados. O loiro estava cabisbaixo, um pouco absorto, não apenas com a dor do seu ferimento, que apesar de ser um braço arrancado, não parecia lhe incomodar tanto, por incrível que pareça. Mas não, ele parecia ter seus olhos azuis fixos no nada, talvez sua mente divagasse em algum dos seus conturbados conceitos sobre sua arte. Sem perceber que ao seu redor, o olhar facínora de seu senhor ruivo fuzilava de forma ameaçadora o par de orbes violetas que depositavam sobre suas madeixas loiras um olhar lascivo e malicioso, do outro canto do enorme elevador.
Finalmente, um leve, porém, sensível baque indica o final daquela viagem entre os andares, e as portas se abrem, dando passagem à figura alta e charmosa, que deixa o elevador com passos despreocupados, sem deixar de dar uma última olhada por cima dos ombros para Deidara, que até então não percebera que era o motivo de uma guerra muda de olhares hostis entre seu senhor e o vampiro de cabelos prateados que também era um membro da Akatsuki.
—Ei Danna, por que você está tão nervoso, un? —pergunta o loiro, percebendo o estado alterado do ruivo, o que o surpreende um pouco.
—Não foi nada. —responde Sasori, mantendo-se impassível diante da pergunta de Deidara, mesmo que por dentro tenha se desestabilizado por ter sido percebido pela sua cria, em um momento tenso como aquele. —Nada que seja da sua conta, criança.
—Ah Danna, você é muito mal humorado, un...
—Cale a boca e me siga criança. Você me dá trabalho demais. —resmunga o vampiro ruivo, caminhando por um corredor, enquanto o loiro o seguia. Ao chegarem diante de uma enorme porta de madeira entalhada, eles entram após baterem algumas vezes e receberem a permissão para abri-la, que veio de dentro da sala.
Ao adentrarem o recinto, Deidara fica um pouco curioso com o que vê. Era uma espécie de laboratório de experiências esquisitas, com um pequeno corredor que dava acesso a um escritório, até onde eles se dirigem. Atrás de uma mesa, a figura de um homem alto e moreno, com cabelos castanhos escuros não muito longos e desfiados, estava sentado diante de um computador, com uma pilha de papéis bem alta ao seu lado, a qual ia abaixando gradativamente enquanto ele tirava algumas folhas e as digitava com uma rapidez sobrenatural, fazendo o movimento dos seus dedos parecerem apenas vultos sobre o teclado. Mesmo sendo um vampiro também, Deidara não conseguia acompanhar aquela velocidade com os olhos, o que o deixa um pouco atordoado imaginando que aquele a sua frente com certeza se tratava de um ancião, bastante poderoso e antigo.
—Vejo que sua progênie se meteu em confusão, Akasuna. —comenta a voz calma do homem, enquanto continuava o seu serviço com excesso de agilidade e concentração no que fazia.
—Pain nos enviou aqui para você cuidar dele. Acho que é o único que consegue reconstituir os braços dele, já que foram os do seu clã que fizeram a experiência inicialmente. —diz Sasori, e com o fim da sua voz, ouve-se também o moreno parar de digitar.
—O líder deve estar de brincadeira com a minha cara... —resmunga o homem, enquanto ainda analisava algo na tela do computador. —Como se não bastasse Konan trazer essa eternidade de relatórios e papéis para serem conferidos, Pain ainda quer que eu cuide dos neófitos recentemente recrutados. Francamente... Eu ganho muito pouco para tanto trabalho assim.
Num piscar de olhos de Deidara, o moreno já havia se levantado e se dirigido até ele, em um vulto tão rápido que talvez apenas Sasori conseguira acompanhá-lo. Ao dar por si, o loiro sente a dor dos seus ferimentos tomar sua consciência no momento em que o vampiro ancião toca seus braços por cima das mangas longas do manto que vestia.
—Ele está muito pálido, Akasuna. —diz o moreno, tocando no rosto do loiro que só então percebe, ao olhar de perto, que aquele ancião era coberto por cicatrizes em forma de costuras pelo corpo todo, e até mesmo, no rosto, nas extremidades da boca. Seus olhos extremamente verdes e penetrantes pareciam lhe amedrontar e perturbar, enquanto ele ainda lhe tocava a face, dizendo: —Você ainda não ensinou sua progênie a se alimentar?
—O que a minha progênie come ou deixa de comer é problema meu, Kakuzu. Apenas cuide dos braços dele, que é o que lhe diz respeito sobre Deidara. —responde Sasori, virando-se para se retirar dali.
—Malditos Toreadores que acham que podem sobreviver de vitae engarrafada sem sugar diretamente de uma fonte viva... —murmura Kakuzu, enquanto conduzia Deidara para algum lugar do laboratório, enquanto esse se virava para trás, um pouco preocupado por ver seu senhor lhe deixando ali sozinho.
—Você sabe muito bem como as crianças da noite podem chamar a atenção indevidamente se não tomarmos os cuidados necessários. —resmunga o ruivo, fazendo uma pausa breve, e como se lembrasse de algo incômodo, ele continua, com certo desdém no tom de voz: — Isso não deveria ser uma surpresa para você, tendo em vista que a sua é uma das mais barulhentas.
—Tsc...—Kakuzu faz um muxoxo, parando de andar por um momento, e quase num rosnado inóspito, ele responde: —Hidan não é minha progênie, quantas vezes vou ter que repetir isso, Akasuna? Se o fosse, eu já teria usado o direito de criador para matá-lo e me livrar dos problemas que ele me causa.
—Mesmo assim, você sempre está encobertando as confusões em que ele se mete. É exatamente como se fossem criador e progênie.
—Não tem como um Tzimice criar um Assamita, meu caro. Além disso, Hidan é apenas meu parceiro de missões, e nas horas vagas, à mando do líder, ele é meu assistente aqui no laboratório. Nada mais do que isso.
—Hunf! —resmunga Sasori, discretamente, e antes de chegar à porta, se volta para Deidara e diz: —Kakuzu irá cuidar dos seus ferimentos. Tente ficar calado e não explodir nada nesse laboratório. Ele pode ter menos paciência com você do que eu tenho, e você sabe criança, que a minha já é pouca...
—Danna, eu pensei que você iria ficar aqui comigo, un...—diz Deidara, um pouco aflito por ver o ruivo saindo pela porta com seu jeito frio e inexpressivo de sempre.
—Eu volto em alguns dias para lhe buscar.
A porta se fecha, fazendo Deidara engolir em seco. Já havia algum tempo que não era mais vivo, mas algumas manias e expressões corporais ele ainda mantinha, quase que por reflexo condicionado de sua mente. Alguma coisa em Kakuzu era monstruoso demais para ele, apesar do mesmo lhe tratar com total imparcialidade durante o seu tratamento de reconstituição do seu braço, não sendo nem bom, nem mau. Mesmo assim, talvez isso fosse um trauma que carregava consigo, por conta das experiências pelas quais passou com os Tzimices, antes de se tornar vampiro.
Algum tempo depois...
—Já está tudo pronto. Logo vai amanhecer então você pode dormir aqui e descansar para acelerar sua recuperação. —diz Kakuzu, enquanto Deidara olhava para seus braços, já implantados, com algumas cicatrizes em forma de costuras um pouco acima dos cotovelos. O ancião continua: —Pela sua cor, deve estar sem vitae fresca há dias. Mandarei alguém do meu rebanho para lhe alimentar, mas claro, isso irá para a conta do Akasuna...
—Tá. Valeu, un... —murmura Deidara, ainda meio que oprimido pela presença de Kakuzu. De repente, ele percebe o vampiro mais velho mover seus olhos verdes de soslaio para um lado, como se notasse algo que o loiro não notou, e num piscar de olhos, usando sua rapidez, ele se retira da sala, desaparecendo num vulto que faz algumas mechas dos cabelos dourados balançarem com o deslocamento de ar que aconteceu no ambiente. Com uma expressão intrigada estampada nos seus olhos azuis, ele continua: —O que esse maluco está fazendo afinal?
Alguns segundos depois, e alguns andares abaixo dali...
Dois vultos passavam por cômodos, portas, corredores e escadas por dentro do prédio, como se um perseguisse o outro, e durante seus percursos, alguns móveis eram derrubados, assim como algumas cortinas e portas ficavam balançando com os impactos nos ambientes. Até que eles se dirigem a uma saída de incêndio, onde o perseguidor parece conseguir ser mais rápido do que o fugitivo, e o cerca, bloqueando-lhe a passagem, e agarrando-o em cheio pelo pescoço, numa captura furiosa e impaciente.
—Você estava me espionando de novo sua praga? —rosna Kakuzu, cravando suas garras na pele alva que era esmagada em sua mão, empurrando-o contra a parede.
—Porra Kakuzu, ta tentando arrancar a minha cabeça desse jeito é? —grasna Hidan, um pouco sufocado e incapacitado de falar pelo fato de ter sua garganta tão apertada pela mão do ancião, porém com um olhar quase divertido.
—Eu a coloquei no lugar esses dias atrás, não vejo problema em tirá-la daí, já que o que recebi pela cirurgia foi muito pouco diante dos problemas que você me causa estando vivo!—ameaça o moreno, sacudindo-o com força e impaciência. —E não tente mudar de assunto cacete! Por que estava me espionando, se sabe que odeio isso?
—Eu não estava te espionado e... ei, isso dói porra! Me solte se quiser que eu lhe responda, inferno! —responde o albino, ainda meio engasgado e Kakuzu diminui a pressão que exercia contra ele, soltando-o contra a parede, o que o faz tossir e se desequilibrar um pouco nas escadas onde estavam. Após se recompor, ele continua: —Eu não estava te espionando... Só tava passando para ver se precisava de alguma coisa, afinal eu não sou seu assistente também?
—Sei... Por que fugiu então, quando vim atrás de você?
—Ah, você sempre vem com dez pedras na mão, porra! O que queria que eu fizesse? —queixa-se Hidan, dando de ombros com a sua expressão divertida em seus olhos violetas, enquanto Kakuzu bufa impaciente e inconformado pelo fato de ter que conviver com aquele vampiro imprudente e que vive lhe tirando do sério.
—Cala a maldita boca, e tenta ser útil pelo menos uma vez na vida. Preciso que me ajude com uns negócios lá no laboratório, e seja rápido, porque já vai amanhecer.
Nisso, o ancião some outra vez, se dirigindo com sua rapidez de volta ao seu andar, e após reclamar mais meia dúzia de impropérios, Hidan faz o mesmo, se movendo quase na mesma velocidade que Kakuzu se movia.
—Ei, Kuzu...E aquela biba loira que está lá na sua mesa de cirurgias, ein? O que aconteceu afinal?—pergunta o albino, ao alcançar o ancião até o seu escritório.
—Ele é a cria do Akasuna Sasori. Nem invente de criar problemas com ele, entendeu bem? —resmunga o moreno.
—Que tipo de problemas eu poderia causar com aquela coisa loira adorável? —pergunta Hidan, fingindo uma ingenuidade que não se encaixava em seu olhar violeta e malicioso.
—Você já é um problema ambulante Hidan. E Deidara é outro. Mesmo assim, preciso que você leve alguém do rebanho para ele se alimentar. E nada de confusões entre vocês dois... —ordena Kakuzu, e abaixando um pouco o tom de voz, como se murmurasse mais para si mesmo, do que para ser ouvido, ele continua: —Parece que já prevejo raiva e ranger de dentes para o meu lado, por deixar esses malditos neófitos juntos...
—Ah, qual é Kakuzu?! Você não vai ficar me comparando com alguém como ele que nasceu ontem né porra? —diz Hidan, que só então percebe que Kakuzu já havia se retirado da sala, antes mesmo que ele percebesse. —Caralho! Eu odeio quando você me deixa falando sozinho desse jeito!
Pouco tempo depois...
Deidara se sentia sonolento e abatido devido ao dia estar amanhecendo lá fora. Mesmo que o local onde se encontrava fosse totalmente selado e a prova de luminosidade solar, vampiros podiam sentir se mal por saber que o sol brilhava radiante lá fora. Estava quase adormecendo, quando sente e ouve alguém chegar ao quarto onde estava.
—Ei, loirinha! —diz a voz carregada de malícia de alguém escorado na porta. Era o mesmo vampiro que participava das reuniões da Akatsuki quando o líder os convocava, porém, um dos poucos com quem Deidara ainda não havia conversado. O albino continua: —Eu trouxe um lanchinho aqui para você... o Kakuzu me disse que você está faminta...
—Hunf! Ok, mas eu sou um homem, un. —informa Deidara, irritando-se um pouco com as palavras e o olhar de Hidan sobre si.
—Ah é? Se bem que, pela sua voz, dá até para desconfiar mesmo... Mas eu nunca teria percebido se você não tivesse aberto a boca...KKKKKKK...—o albino gargalha alto, continuando a irritar Deidara, que murmura por entre os dentes:
—Seu imbecil!Você quer morrer?!
—Não se preocupe loira, mesmo que eu quisesse você não iria conseguir me matar... Sou um imortal, sabia? —diz Hidan, com certo tom de exibição, enquanto adentra o quarto, arrastando alguém, uma pessoa desacordada, pelos cabelos.
—Você fala como se fosse o único por aqui, un... —diz Deidara, se referindo à imortalidade de ambos ali, como vampiros.
—Ah, deixa pra lá...É complicado explicar coisas profundas assim sobre Jashin para loiras burras... —diz Hidan, fazendo Deidara saltar sobre si num ímpeto cheio de fúria, o que o derruba com o impulso, mas rapidamente o albino toma o controle da luta e inverte as posições, ficando sobre o loiro, que se sente imobilizado sob ele no chão.
—Seu desgraçado! Pare de falar essas coisas, eu já disse que sou um homem, un!!!!
—Tá, eu já entendi porra! Mas isso não muda a aparência de garota que você tem! — ri Hidan, segurando os braços do loiro acima dos cabelos dourados espalhados pelo chão.
—Que seja... Eu tenho meu estilo, un... —murmura o loiro, com o rosto levemente corado pela raiva da situação.
Deidara bufa de raiva, percebendo que não conseguiria se soltar tão facilmente das mãos dele, que parecia ser quase tão forte quanto Sasori, mas seus pensamentos são interrompidos novamente pela voz do albino, que continua, dessa vez, macia, perto do seu ouvido:
—Com um rostinho desse de boneca, você está pedindo para ser comido por aí, sabia?
—Hunf! Mas não vai ser por você, un! —responde Deidara, com um olhar firme e obstinado, encarando com firmeza os olhos violetas que se desconcertam um pouco diante dessa resposta. Aproveitando essa brecha, o loiro então o empurra, se desvencilhando dele e se afastando o máximo que consegue, até sentir suas costas baterem na parede atrás de si.
—Tá bom, ta bom... De toda forma eu não vim aqui arranjar encrenca com você coisa loira. —diz Hidan, se levantando e se recompondo, para em seguida se voltar para a pessoa que carregara até ali. —Que tal um drinque como oferenda de paz?
A pessoa caída ali era uma garota, jovem e bonita. O albino segura-a pelo braço, esticando-o para o lado do loiro, que apenas o observa expor suas presas e a morder no pulso, deixando um fio de sangue escorrer pela pele clara da menina. Instintivamente Deidara fixa seus olhos no sangue, ao que suas presas se destacam sob seus lábios entreabertos.
—Ela está viva? —indaga o loiro, tirando a concentração do outro que se desvencilha do pulso da garota, com seus lábios manchados de carmesim.
—Sim. Porém desacordada. Você sabe que esses velhotes têm mania de manterem seus rebanhos apagados né. Mas isso não importa. Vitae fresco é o que precisamos... —comenta Hidan, limpando com um polegar os lábios e arrastando-a garota até mais perto de Deidara, ele diz: —Tome. É sua...
O loiro continua um pouco intrigado, apenas observando, sentindo-se perturbado e instigado pelo cheiro de sangue fresco que invadia seu olfato apurado. Percebendo isso, o albino diz:
—Ei, eu já disse, pode beber dela, e...Ah, o que foi? Não gosta de beber pelo pulso? —ele abaixa o pulso ferido dela, e a segura pelos cabelos, tombando a cabeça dela para o lado, dando livre acesso ao pescoço da garota, e continua: —Você gosta de morder a jugular? Ou quem sabe, prefere a virilha?
—Não, não é isso... —diz Deidara, no momento em que Hidan já segurava a barra do vestido da garota, erguendo-o, mas ele para e se volta curioso para o loiro, que explica: —o Danna ainda não deixa eu me alimentar de humanos vivos sem a presença dele.
—Ah, você ta de brincadeira com a minha cara né! —diz Hidan, espantado, e após um breve silêncio por parte do outro como resposta, ele continua: —Porra, você ta falando sério mesmo? Que criador mais filho da puta você tem!
—Ei! Não fale assim do Danna,un! —repreende Deidara, mas antes de investir novamente contra o albino, ele se sente impelido a voltar sua atenção ao sangue à sua frente. Realmente estava faminto, e sua fome estava gritando dentro de si, de uma forma quase irracional naquele momento.
—Foda-se ele! Vem cá, eu te ensino como parar... —diz Hidan, voltando-se para o pescoço da garota e expondo suas presas novamente, mordendo-a com cuidado, para em seguida conduzí-la até perto dos lábios trêmulos do loiro, que ainda fica hesitante diante da oferta: —Pode confiar, cacete! Eu te ensino como parar antes do coração parar de bater...
—Cale a boca, eu sei quando parar! —diz Deidara, com uma obstinação quase infantil, porém, sem conseguir conter mais sua fome, ele agarra a garota, tomando-a para si, e começando a sugar seu sangue, de forma quase desesperada. Hidan sorri, sentindo-se vitorioso, enquanto assistia a cena tão provocante para qualquer vampiro:
—Isso mesmo... Mas você desperdiça demais, porra! —diz o albino, se aproximando e lambendo um fio de sangue que escorre pelas costas da garota, enquanto Deidara parecia estar fora de si, completamente absorto no sangue que absorvia. —Você realmente não sabe se alimentar sozinho ainda.
Após um curto espaço de tempo, Hidan segura o corpo desfalecido da garota, e tenta desvencilhá-la das presas de Deidara, porém, sem sucesso, pois o jovem vampiro parecia não querer soltá-la. Percebendo isso, ele o segura pela nuca, entrelaçando os dedos nos cabelos loiros e segurando-o com força, o puxa para trás, forçando-o a soltar a sua presa.
—Já chega, o coração dela já parou... A partir de agora é apenas sangue morto, ou seja, você já a secou. —diz Hidan, jogando o corpo dela para longe dele, e centrando sua atenção no rosto de Deidara, que ainda estava com os lábios trêmulos e sujos de sangue. —Hei, você ta me ouvindo caralho?!
—Mas... —murmura o loiro, em protestos quase mudos, mas Hidan o segura com as duas mãos em seu rosto, fitando os seus olhos azuis que nesse momento eram vorazes, em busca de mais sangue.
—Shhh.... Foco! Foco aqui! —o albino estrala os dedos diante do rosto do loiro, tentando chamar a sua atenção, e após conseguir alguma, ele continua: —Sei que estava faminto, mas precisa se controlar. Se não, nunca vai aprender a caçar sozinho.
Aos poucos Deidara vai voltando a si, e conseguindo controlar sua besta interior, ele se acalma, só então percebendo que tinha seu rosto tomado pelas mãos do albino, que ainda tentava conseguir sua atenção falando um monte de coisas que não estavam realmente chegando aos seus ouvidos.
—Ei, me solta,un! —diz Deidara, empurrando-o para longe de si.
—Finalmente você voltou a si. Porra, você estava faminto mesmo ein! —Hidan ri, deixando o loiro um pouco sem graça, ao que ele se levanta, e continua: —Bora ali comigo! Acho que precisa de mais para se saciar...
—O que? —Deidara se sente ser puxado pelo braço e protesta: —Mas já está de dia. Não podemos ficar andando por aí, seu maluco!
—Não esquenta... Ninguém vai nos pegar andando de dia, porque todo mundo já foi dormir. Principalmente os anciões... Eles já estão no décimo sono.
—Mesmo assim, acho que não deveríamos, un... —diz Deidara, hesitante, porém, já sendo conduzido pela mão do albino, que o arrastava pelo prédio deliberadamente.
—Não precisa desse medo todo, loirinha. Você vai estar de volta antes de anoitecer!
Continua...
Notas finais
Também gostaria que vocês me avisassem se eu tiver utilizando algum termo de Storyteller que esteja meio confuso na história (como vitae, que é como alguns vampiros se referem a sangue, e neófito, que significa um vampiro novo, recém-criado) No mais é isso, espero que tenham gostado! Brigadinha por acompanhar! ;*
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