Notas iniciais
Continuação do presente de Natal da minha kouhai Death The Kid... :3

A lua já estava alta no céu, quando Deidara abre os olhos dentro do compartimento aveludado que o envolvia em seu sono diurno. Na verdade, havia chegado ali há poucas horas, após ter badernado durante o dia com Hidan pelos estoques de sangue dos anciões no prédio da Akatsuki. Aquele fora mais um de muitos dias, e já havia algumas noites em que ele pegava pensando que mal podia esperar o momento de amanhecer, para encontrar o par de orbes violetas lhe aguardando escorado na porta, com aquele sorriso malicioso para suas traquinagens.

Tomado por essa breve empolgação Deidara se levanta, porém, um misto de surpresa, alegria e tensão se estampam em seu rosto ao se deparar com quem lhe aguardava naquela noite:

—Danna? Você veio me buscar,un?

—Vamos logo. Temos uma missão para essa noite. —diz Sasori, um pouco mais irritado do que o normal, se retirando dali antes de sua progênie chegar até si.

—Ei, Danna, me espera, un! —diz o loiro, correndo atrás do seu senhor, até que algo lhe acode dentro da mente, e só então ele percebe que se sente preso à alguma coisa naquele lugar. Ao olhar para o lado, ele vê a figura alta de cabelos prateados elegantemente penteados para trás escorado em uma parede, com os braços cruzados e um olhar enigmático lhe fitando.

Deidara trava onde estava. Algo o impedia de seguir em frente, de mover seu corpo, de pensar em qualquer coisa... Sasori, que estava já um pouco afastado, percebe que tinha alguma coisa errada com sua progênie, mas antes dele se voltar, Hidan vai até o loiro rapidamente e sussurra algo no seu ouvido, que quase o faz desabar no chão.

—Tá tudo bem... A gente se vê por aí depois, loirinho... —foram as palavras do albino, que deixa os lábios roçarem de leve na têmpora de Deidara, que quase cai, como se fosse solto de repente de algo que lhe prendia num momento que tentava andar. Tentando evitar que seu senhor entendesse o que estava acontecendo ali, o loiro se dirige rapidamente para perto de Sasori, quase usando a pouca rapidez que possuía, e ambos se retiram dali.

Alguns dias depois...

Sasori e Deidara voltavam de uma missão. Um silêncio estarrecedor estava estabelecido no carro que o ruivo dirigia, e isso o assustava, tendo em vista que sua cria sempre o tirava do sério, por conta de sua mania de tagarelar coisas inúteis sem parar. Além disso, era visível que havia algo errado com ele. Nos últimos dias, Deidara mal escutava o que Sasori dizia, tinha alguns dos seus poderes sensivelmente mais desenvolvidos, como sua rapidez, por exemplo, além de não esperar seu senhor para sair em busca de suas presas, passando a se alimentar sozinho, na maioria das vezes. Isso tudo definitivamente estava muito errado para Sasori.

—...Deidara! —diz o ruivo, com certa impaciência na voz, após chamá-lo por cinco vezes seguidas, só conseguindo alcançar sua atenção agora, o que o faz ‘acordar’ de seu transe momentâneo um pouco assustado.

—Sim Danna...Desculpe, un... —murmura o loiro, entendendo o que havia acontecido ali. De repente, o impacto do carro sendo freado bruscamente seguido de um barulho de cantar de pneu estridente invade o veículo, e o vampiro ruivo sai do carro, afastando-se com raiva do mesmo, ao que Deidara, tenta segui-lo, sem conseguir manter a mesma velocidade.

—Me deixe sozinho criança! —rosna Sasori, deixando transparecer o ódio que lhe inundava por dentro. —Agora! Como seu criador, eu ordeno...

—Danna, por favor, não me afaste! —acode o loiro, tentando impedi-lo de lhe dar aquela ordem:

—...ordeno que volte para o carro e me deixe em paz! —diz Sasori, como uma ponta de esperança surgindo nos seus olhos castanhos avermelhados, porém a mesma se dissolve em mais ódio ao perceber que Deidara não se sente impelido a acatar sua ordem, como o esperado de qualquer progênie para com seu criador.

—Danna... —diz Deidara, sentindo algo lhe remoer por dentro. No fundo sentia-se motivado a acatar a ordem dele, porém, algo mais forte o impedia de fazê-lo. Algo que o fazia sofrer por estar ali, que o fazia desejar profundamente estar ao lado de... Perturbado ao se pegar pensando nisso, o loiro cai de joelhos no chão, agarrando os cabelos com força, entrelaçando suas madeixas em seus dedos, tentando se livrar daquele elo tão profundo que havia gerado em um momento de inocência e diversão.

—O que está acontecendo com você criança? —diz Sasori, aparecendo diante de Deidara, segurando-o pelo queixo e erguendo seus olhos azuis que haviam perdido o brilho e a admiração que tinham por si até antes dele o deixar com Kakuzu para que este reconstituísse seus braços.

—Me perdoe Danna... Eu não entendo o que está acontecendo comigo... un... —diz o loiro, com algumas gotas vermelhas se formando nos cantos dos seus olhos.

Mais tarde, na sede da Akatsuki...

Itachi havia sido convocado no meio da noite para uma reunião surpresa imposta pelo líder, e após chegar ao salão, ele se depara com o mesmo, além de Sasori e Deidara.

—Precisa de mim, Pain-sama?

—Preciso que entre na mente de Deidara e descubra o que aconteceu com ele. Você tem a permissão do senhor dele para tal feito.

Sabendo que o serviço em questão exigia um alto nível da disciplina conhecida entre os vampiros por Dominação, a qual possuía com um controle acima do esperado, Itachi entende que de certo o assunto era mais sério do que esperava. Ele apenas se aproxima do loiro, e após tocar seu rosto, se concentra por um momento, fitando-o com seus intensos e enigmáticos olhos avermelhados. Após um curto espaço de tempo, como se analisasse o que encontra dentro da mente do companheiro, o Uchiha se impressiona um pouco com o que encontra, mas sem deixar transparecer, é claro:

—Em suma, acredito que temos aqui um laço de sangue... —aquelas palavras foram o suficiente para fazer Sasori perder o chão. Os olhos azuis de Deidara são tomados por uma curiosidade que faz alguém na sala se por a explicar o que aquilo significava, mas o vampiro ruivo que já sabia perfeitamente, não parecia querer ouvir o que estava sendo dito.

—Uma das propriedades mais maravilhosas, e ao mesmo tempo mais terríveis dos Membros é a habilidade de escravizar praticamente qualquer criatura que beba do seu sangue por três vezes. Cada gole do sangue de um determinado vampiro dá ao Membro em questão uma forte ascendência emocional sobre aquele que o tomou. —diz Itachi, percebendo que Sasori estava visivelmente nervoso, se afastando dos demais para outro canto da sala, e mantendo seu estado fleumático de sempre, o vampiro de longos cabelos negros e olhos vermelhos continua a explicar para o loiro que ainda o escutava com atenção: — Se uma criatura beber do sangue do mesmo vampiro por três vezes, em três noites distintas, ela cai vítima de um estado conhecido como laço de sangue. O vampiro que controla outra criatura por meio de um laço de sangue é o regente daquela vítima, enquanto o ser que está subordinado a ele é chamado de vassalo.

—Em suma, o laço de sangue é uma das ligações emocionais mais fortes que se conhece. A vítima de um laço de sangue é totalmente devota a seu regente e fará praticamente qualquer coisa por ele. Mesmo os usos mais potentes da Dominação não são capazes de
superar os sentimentos do vassalo por seu regente; somente o amor verdadeiro tem uma probabilidade de vencer o laço, mas nem ele representa uma garantia. —dessa vez, foi Pain que tomou a palavra, também se mantendo impassível diante do estado alterado de Sasori.

—O laço de sangue é mais usado para arregimentar mortais e carniçais, mas os Membros podem também criar ligações entre eles próprios. Tão grande é o poder do laço de sangue, que mesmo um vampiro ancião pode ser ligado a um neófito inferior; sob esse aspecto, o sangue de um neófito é, presumivelmente, tão forte quanto o de um antediluviano.

A voz de Itachi ecoava pelo ambiente sem que Sasori conseguisse discernir se era ele ou Pain que estava falando. Ele não queria saber, enquanto o mesmo acontecia com Deidara, porém esse tinha outros motivos de não estar completamente presente na sala. Sua mente divagava em lembranças que agora eram explicadas ‘tecnicamente’ por eles, o que finalmente o fazia compreender o que estava acontecendo consigo.

Alguns dias atrás...

—Ei, eu já disse, nós devemos voltar, un! É proibido andar durante o dia, e se formos pegos, o líder vai querer a cabeça dos nossos senhores por causa disso! —diz Deidara olhando ao redor e acompanhando Hidan, enquanto esse perambulava por um quarto grande, como se estivesse à espera de algo. —Você está me ouvindo seu imbecil?

—Você se preocupa demais coisa loira! Relaxa, e espera o nosso ‘serviço de quarto’ chegar... —diz o albino, se jogando para trás em uma poltrona confortável que havia naquela luxuosa suíte.

—Sasori no Danna vai me matar se descobrir que eu estou aqui perdendo meu tempo com você, nessas acomodações que provavelmente pertence aos líderes e anciões, un. —reclamava Deidara, sem parar, enquanto o outro apenas ria do seu visível estado de nervosismo.

—Você é realmente muito obediente a esse seu ‘Danna’, ein? —pergunta ele, com certo desdém.

—Claro. Você não faz o mesmo com o seu senhor, un?

—Eu não tenho um mais um senhor... Há muito tempo. Ou seja, ninguém manda em mim! —responde o albino, com uma gargalhada alta e intensa. Nesse momento, a campainha toca, e ele vai atender a porta, ao que algumas garotas simpáticas e belas entram cumprimentando-os com belos sorrisos.

—Ei, quem são essas humanas?

—Nosso lanchinho da tarde... —diz Hidan, envolvendo duas delas pela cintura, e conduzindo-as até o loiro, que observava atônito.

—Não podemos mordê-las aqui. E elas estão hipnotizadas? Ao rebanho de quem elas pertencem, un?

Sem se importar com os protestos de Deidara, Hidan apenas continua com seu jeito despreocupado de sempre, além de levar adiante suas intenções de se alimentar e ‘ensinar’ o mesmo para o loiro. O que não demora muito para acontecer, e em questão de pouco tempo, logo o grupo de meninas que entrara ali não passava de um amontoado de cadáveres em um canto do quarto.

—Isso é loucura, un! —exclama o loiro, deitado no tapete, sentindo-se extasiado pela fome, a qual tinha desde que fora abraçado, ter finalmente lhe abandonado. Ao seu lado, o par de olhos violetas lhe observavam, examinando-lhe com atenção em cada detalhe, numa curiosidade quase apaixonada.

—Você é interessante loiro. —a voz de Hidan finalmente lhe chamando pelo gênero correto lhe chama a atenção, e Deidara se impressiona um pouco ao senti-lo tocar em seus cabelos, retirando alguns fios dourados que se colavam ao seu rosto levemente sujo de sangue.

—O que foi,un? —diz ele, sentindo-se ser tomado pela sensação boa do toque da pele do albino na sua.

—Deixa eu limpar isso aqui... —diz Hidan, se aproximando um pouco mais, a ponto de se debruçar sobre ele, e lhe lamber lenta e sensualmente, o canto da sua boca.

—...—um pouco atônito, Deidara se mantém imóvel, apenas desfrutando da sensação quase morna que tinha com aquele contato tão íntimo. Percebendo a ínfima, porém, visível alteração emocional no loiro, o albino ousadamente repete aquele ato, deixando dessa vez sua língua percorrer os lábios entreabertos que se entregam com facilidade ao beijo que acaba acontecendo, inevitavelmente. Um beijo calmo, ousado, duradouro, que poderia se estender pelo tempo que quisessem, pois realmente não tinham necessidade de cessá-lo em busca de ar, afinal não respiravam mais. Porém, algum lapso de consciência que ainda lhe restava é o suficiente para tirar Deidara daquele transe magnífico e fazê-lo afastar Hidan devagar de si. —Não deveríamos, un.

—Por que não?

—Porque é óbvio...nós dois somos homens e...

—Então quer dizer que você ainda é apegado à esses rótulos mortais mesmo? Logo você, com essa carinha de menina, cacete! —Hidan ri, novamente irritando Deidara com aquele assunto.

—Seu imbecil, eu já disse que... —antes que pudesse continuar seu protesto, o loiro sente seus lábios serem calados pelos do albino que o toma em outro beijo provocante e sensual. Como se suas forças se esvaíssem diante da sensação, ele se entrega novamente, sem conseguir reunir vontade para parar outra vez. No entanto, Hidan é o primeiro a findar o beijo, afastando-se da boca de Deidara.

—O nosso lanche fazia parte do rebanho do Kakuzu... E você sabe o quanto aquele velho filho da puta é mão de vaca. Ou seja, teremos que pagar por isso... —comenta o albino, passando um dedo no contorno dos lábios do loiro.

—Eu sei. O Danna vai querer me matar por isso, mas eu vou pedir para ele pagar...

—Nem esquenta... a sua parte é de graça... —diz Hidan, voltando a se aproximar para mais um beijo, mas antes de se entregar, Deidara vira o rosto e o empurra, se levantando de onde estava.

—De graça é muito caro, un.

—Ah, qual é? Deixa de ser rabugento, isso não combina com esse lindo rosto de boneca que você tem... —diz Hidan, arrancando um olhar hostil do loiro, e antes desse protestar, ele continua: —Deixe isso para aquele maldito vampiro ruivo. Se não tomar cuidado, qualquer dia você vai ficar tão mal humorado quanto ele, porra!

Num ímpeto, Deidara se levanta dali e faz menção de se dirigir à porta de saída, mas rapidamente, Hidan aparece na sua frente, bloqueando sua passagem, o que o irrita ainda mais:

—Sai da minha frente, Hidan, eu tenho que voltar agora, un!

—Eu to falando que você vai se tornar um filho da puta marrento igual àqueles anciões... —ri Hidan, sem sair da frente de Deidara.

—Se quer que existam mais otários como você no mundo, por que não abraça alguém e cria a sua própria progênie, un? Dessa forma você poderia me deixar em paz! —altera-se Deidara, assustando um pouco o albino, que lentamente desfaz seu sorriso despreocupado, e responde, um pouco mais sério agora:

—A porra do líder não permitiria que eu criasse uma progênie.

Um curto silêncio se estabelece no ambiente, e mesmo Hidan tendo saído da sua frente, o loiro não deixa o quarto, como era sua intenção. Pelo contrário, ele se volta para o albino, com uma curiosidade mórbida estampada em seus olhos azuis, e diz:

—Pensei que você fosse do tipo que faz o que quer, sem se preocupar com regras ou opinião alheia, un.

—Você não sabe nada sobre mim, coisa loira. —diz Hidan, jogando-se na cama macia que havia ali, e com as mãos atrás da cabeça, ele continua: —Mesmo eu sendo muito mais forte do que você, temos a mesma geração, sabia?

—...un...—murmura Deidara, e sem dar muita importância ao que ouve, o loiro se volta para a porta, tentando abri-la para deixar o quarto, mas após forçar a maçaneta algumas vezes, ele percebe que a mesma estava trancada.

Voltando-se para Hidan, ele percebe que o par de orbes violetas lhe observavam com certa expectativa, enquanto o albino balançava uma chave em um dedo indicador.

—Procurando isso?

O loiro se aproxima dele, não tão rápido quanto os demais vampiros se moviam, mas ainda assim, com certa velocidade, e tenta pegar a chave, a qual Hidan impede, e voltando a estampar seu belo sorriso despreocupado e malicioso em seu rosto, ele diz:

—Por que a pressa de ir se trancafiar naqueles caixões escuros, coisa loira? Será que você ainda não entendeu que não temos necessidade nenhuma de dormir? Vampiros apenas precisam se esconder da luz do dia, então se já temos o edifício inteiro selado, por que se enfurnar nas malditas urnas?

—Mas o Danna disse...— Deidara tenta argumentar, meio que sem firmeza, pois achou bastante válida a teoria do albino, que percebe sua vantagem sobre o loiro com seu argumento e continua:

—Mas nada! Porra, você não consegue esquecer esse seu ‘Danna’ nem por um instante? Você por acaso ta apaixonado por ele ou algo do tipo, cacete?

—Deixa de ser idiota! —grita Deidara, levemente corado,e explica —É claro que não! Acho que quem está ligado à rótulos humanos agora é você, porque nós do Sangue, não temos mais esse tipo de ligação emocional com ninguém, pois deixamos isso para trás no momento em que somos abraçados, un!

—Ah, e deixa eu adivinhar! Foi seu Danna quem te disse isso, sim?

—Claro, un!

—KKKKKKKK... Você é uma graça mesmo, Deidara! —Hidan cai na gargalhada, deixando o loiro cada vez mais irritado, e antes dele responder, o albino continua: —E se eu te provasse que ele está errado?

—Impossível, o Danna sempre está certo,un!

—Tudo bem! Não vou discutir, apenas vou te provar...—diz o albino, se levantando da cama e se espreguiçando com os braços para cima. Se voltando para o loiro com um olhar malicioso e divertido, de quem está tramando alguma coisa, ele pergunta: —Vamos beber mais?

—Acabamos de nos alimentar bastante agora, estamos mais do que saciados, não acha?

—Eu sei, eu sei... Mas que tal provar algo mais forte dessa vez, ein? —diz Hidan, aproximando-se de Deidara a ponto de seus rostos ficarem muito próximos um do outro.

De volta ao momento atual...

—Depois de ter bebido uma vez, começa-se a experimentar sentimentos intermitentes, porém fortes, pelo vampiro. A vítima pode começar a sonhar com ele, ou passar a freqüentar "por acaso" os lugares onde ele costuma aparecer. —a voz de Itachi parece trazer Deidara de volta por um instante, e ele continua ouvindo a explicação do vampiro moreno que continua: —Todas as crianças da noite têm este nível de ligação com seus senhores, pois o próprio Abraço implica no fornecimento de sangue aos novatos; eles podem amar seus "pais", odiá-los ou ambos, mas raramente ficarão indiferentes.

—Já os sentimentos daquele que tomou o segundo gole tornam-se mais intensos, a ponto de influenciar o seu comportamento. Embora ele não esteja escravizado ao vampiro, este torna-se, definitivamente, uma figura importante em sua vida. —dessa vez era a voz do líder que se espalha pelo ambiente, deixando que todas aquelas revelações assustassem cada vez mais o par de orbes azuis.

—E após o terceiro gole, fica estabelecido um laço de sangue completo. —a voz de Sasori chama a atenção de todos para si na sala, enquanto ele continua a falar, impassível à dor que lhe corroia por dentro: —Neste nível, o vassalo está, de certo modo, totalmente ligado ao vampiro, que passa a ser a pessoa mais importante de sua vida; amantes, parentes e até mesmo os filhos perdem toda a importância diante dessa paixão avassaladora.

O ruivo que estava de costas para todos, observando as luzes noturnas da cidade através de uma larga janela envidraçada, se volta para Deidara, lançando-lhe o pior dos seus olhares, o que faz Pain e Itachi entenderem que era a hora de se retirarem dali.

O moreno é o primeiro a olhar para o líder, e apenas fazer um ligeiro aceno positivo com a cabeça, saindo rapidamente pela porta, ao que em seguida, Pain faz o mesmo, após dizer para Sasori:

—Tranque a sala quando vocês saírem.

O líder desaparece da frente de Deidara num piscar de olhos, e um pouco abalado, o loiro se vê sozinho no recinto com o seu senhor que o encarava de uma forma magoada e furiosa:

—O que eu faço com você agora, criança? Eu não preciso de uma progênie que não me obedece e que se prende à outro neófito de uma forma tão irresponsável assim! —diz Sasori, indo até Deidara e lhe segurando pelo rosto, ele diz: —A minha vontade é de usar o meu direito de criador para empalá-lo aqui mesmo, mas sei que você é importante para a organização e seria uma perda lastimável se eu lhe desse a morte verdadeira. Então talvez eu deva libertá-lo do meu domínio...

—Danna, não! —acode Deidara, pois sabia o que aquilo significava. Se Sasori o libertasse, deixariam de ter a ligação que, embora agora estivesse fraca, ainda possuíam como criador e progênie.

—Você não precisa mais de mim. Já sabe se alimentar, se comportar e está mais forte. Sem contar que aprendeu tudo sozinho, na primeira oportunidade que teve, com o maldito Assamita.

Deidara queria protestar, mas estava sem palavras. Tudo o que o seu senhor dizia era verdade, o que só servia para fazer as lembranças daqueles dias voltarem à sua mente, sem que pudesse evitar:

De volta à aquele dia, na suíte dos anciões...

—Ei, que tal provar algo mais forte dessa vez? —diz Hidan, com o rosto tão próximo de Deidara que eles quase estavam tocando seus lábios novamente.

—Do que você está falando, un?

—Eu garanto que você nunca provou a vitae de um vampiro antes! —diz o albino, com um sorriso de canto de boca, deixando o loiro um pouco intrigado:

—Claro que não! Qualquer um sabe que diablerie é proíbido!

—Eu não to falando de diablerie, porra! Você não precisa secar alguém para apenas provar um pouco do seu sangue...

—Ora, mas por que alguém faria isso, un?

—Porque é bom pra caralho! —explica Hidan, alimentando cada vez mais a curiosidade de Deidara, que ouvia com atenção: —Beber a vitae de um vampiro é completamente viciante para um humano. Para outro vampiro, é prazeroso e te dá alguns benefícios se ele for mais poderoso que você, pois o sangue carrega alguns dos seus poderes, saca?

—Não sei não... —diz o loiro, um tanto quanto desconfiado.

—Ah, você não vai entender enquanto não provar. Mas vem cá, eu deixo você tomar um pouco do meu... —diz Hidan, expondo suas presas afiadas por um momento, e após morder o próprio pulso, ele o oferece já sangrando para o loiro que o observa atônito.

—Você é maluco,un! —diz Deidara, com os olhos azuis ávidos diante do sangue, e sem que conseguisse se conter, suas presas se expões também. Até então não sabia que poderia sentir desejo pelo sangue de outro vampiro, e após alguns momentos de hesitação, ele toma o pulso de Hidan, começando a sugá-lo devagar.

—Ouch! Isso dói, porra... —diz Hidan com certa excitação na voz, ao sentir o loiro cravar suas presas em seu braço, continuando a sugá-lo com mais avidez e necessidade. O albino então se posiciona atrás dele, trazendo-o para junto de si, envolvendo-o com o seu braço que era mordido. Com sua mão livre, ele retira algumas mechas douradas de cabelos de Deidara, aproximando-se do seu ouvido e dizendo: —Eu sabia que você ia gostar disso loirinho...

De fato, a sensação de beber o sangue de outro vampiro era única para Deidara. Mesmo após Hidan retirar o pulso de sua boca, ele ainda sentia-se extasiado, completamente entregue à um prazer que o consumia a ponto de não perceber que estava caído nos braços do albino, que brincava com seus lábios com alguns beijos e carícias, em um momento que fora o primeiro de muitos que começaram a viver juntos, envolvidos em um perigoso e prazeroso segredo.

No dia seguinte, Hidan não precisou se esforçar muito para ter a companhia de Deidara em seu passeio diário pelo prédio da Akatsuki. Apesar de se embrenharem em discussões o tempo todo, devido suas personalidades geniosas, o loiro estava sensivelmente mais inclinado a seguir o albino e acatar tudo o que ele fazia. Após se alimentarem de mais meia dúzia de humanos dos estoques dos anciões, os dois desfrutavam de alguma acomodação de luxo que haviam invadido sem permissão.

—Você quer mais, não é mesmo? —diz Hidan, sem precisar fitar os olhos azuis que lhe observavam com um desejo indescritível.

Sem responder nada, Deidara se debruça sobre o albino, que estava deitado em um tapete de peles, e deliberadamente expões suas presas, investindo no pescoço alvo a sua frente. Hidan estremece um pouco, ao sentir-se mordido tão repentinamente, porém, ele apreciava a dor daquela mordida, que trazia um imenso prazer por ser um beijo de vampiro. Provocado pela sensação de saber que o loiro estava naquele momento passando para um estágio mais avançado de vício em seu sangue, Hidan o afasta de si, jogando-o para o lado e se colocando em cima dele, invertendo suas posições.

—Ei, isso ta começando a me deixar com vontade de você também... —diz ele, tomando um dos pulsos de Deidara e levando-o aos lábios, um pouco hesitante, pois diferente do vampiro mais jovem ali abaixo de si, ele sabia dos riscos que aqueles momentos de prazer possuíam. No entanto, prometendo para si que iria prová-lo apenas daquela vez, Hidan o morde, bebendo um pouco do seu sangue e deixando-o num êxtase ainda mais profundo do que já se encontrava, devido sua mordida. E assim, aquele laço de sangue estabelecido entre eles estava se tornando recíproco e mais forte.

Outra noite se passa, com ambos aguardando a chegada do amanhecer para mais um encontro. Um turbilhão de emoções os envolvia, e mesmo em suas costumeiras desavenças e discussões, eles agora possuíam uma atração intensa e avassaladora um pelo outro. Os rebanhos dos anciões não eram mais objetos de desejo, mas sim, estarem juntos por algum tempo.

Hidan sorria satisfeito sabendo que havia vencido com facilidade aquele jogo perigoso de envolver Deidara em um laço de sangue por puro divertimento. Era no que ele pensava, enquanto entrelaçava os dedos nos cabelos dourados do jovem vampiro, que estava em seu colo, em cima de si, com as presas profundamente enfiadas em seu pescoço, causando-lhe intensos choques de dor e puro prazer enquanto saboreava seu sangue. Gostava de tê-lo daquela forma, totalmente dependente de si. Já havia alguns dias que ele nem sequer citava o nome de Sasori, e isso fazia o albino gargalhar de alegria.

—Você está ficando bom nisso ein! —murmura o albino, acariciando a cabeleira loira entrelaçada em suas mãos, ao que Deidara não se incomoda em parar o que estava fazendo para lhe responder. Ele apenas volta seus olhos azuis enevoados de prazer para Hidan por um momento e retira as presas da carne dele por breve instante, voltando a mordê-lo com mais força, pois sabia que ele gostava da sensação da mordida.

O albino morde os próprios lábios, extasiado pela atitude do mais novo. Sua mente estava enevoada de prazer. Ele também estava de certa forma, entregue a um deleite tão intenso, que chegava a sentir suas forças sumirem por um momento. Com os pensamentos perdidos em um turbilhão de sensações avassaladoras e deliciosas, ele sente, de repente, o mundo à sua volta escurecer. Ele abre seus olhos violetas, um pouco assustado, mas percebe que já estavam abertos. As imagens do quarto ao redor voltam a se tornar turvas e escuras, ao mesmo tempo em que uma sensação de estar sendo gradativamente sufocado lhe afeta, mesmo que já não respirasse mais há muito tempo.

—Ei, Deidara... Você tem que parar agora...—diz ele, mas sua voz sai entrecortada e baixa. Mesmo assim, o loiro percebe e pára de lhe morder, afastando-se para olhá-lo nos olhos.

—O que foi, un? —diz Deidara, percebendo que tinha alguma coisa errada pela expressão dos olhos violetas assustados à sua frente.

—Você está sugando demais, caralho! —irrita-se Hidan, levantando-se com dificuldade, mas com o mesmo impulso que ele se ergue, vai ao chão, sem força nem equilíbrio nenhum para se manter em pé. —Porra! Você quase me secou dessa vez...

—Eu nem sabia! Você deveria ter me avisado, un.—diz Deidara, e se debruçando sobre ele no chão, ele continua em tom divertido: —Achei que você fosse mais imortal do que todos os vampiros do mundo... —De repente a expressão de Deidara se fecha em um olhar sério e preocupado. Hidan realmente não parecia bem, e algo dentro de si o fazia sentir uma preocupação maior do que deveria com ele: —Ei, mas você vai ficar bem, né?

—Eu to quase entrando em torpor, porra! —reclama Hidan, tentando se levantar, porém, sem conseguir novamente. Estava visivelmente debilitado e ainda mais pálido do que já era. —Preciso que me leve para a minha urna. E preciso de sangue também.

—Mas não temos nenhum humano por perto hoje, un.

—Você vai ter que encontrar os estoques e trazer alguém para mim.

—Tá maluco? Você acha que eu tenho a mesma cara de pau que você tem para ficar invadindo os rebanhos dos anciões dessa maneira, un?

—Deixa de ser cretino! Eu mal to conseguindo me manter acordado, você acha que eu consigo ir até lá sozinho?

—Então você vai ter que beber do meu sangue, un. —diz Deidara, fazendo o albino se assustar por um momento.

—Não! Eu não vou beber seu sangue! —protesta Hidan, e sem querer deixar transparecer o real motivo, ele desconversa: —Sua vitae não vai me alimentar como eu preciso agora.

—A gente não vai descobrir se não tentar, un. —diz o loiro, mordendo o próprio pulso e levando-o até a boca do albino, que tenta recusar, apesar de sentir uma intensa compulsão em aceitar. Mesmo assim, ele sabia que já havia provado o sangue de Deidara uma vez, e fazê-lo pela segunda só o deixaria a um passo de cair na própria armadilha. No entanto, seus instintos de sobrevivência falam mais alto e ele abocanha o pulso que lhe era oferecido, começando a sugá-lo com avidez e necessidade.

—Quer saber? Foda-se! —diz Hidan, soltando o braço de Deidara, e se voltando para o loiro, ele tira algumas mechas loiras que estavam caídas sobre o seu ombro e o morde em seu pescoço, fazendo ambos caírem deitados no chão com o impacto da mordida.

Sem entender direito o que estava acontecendo, Deidara apenas fecha os olhos inebriado pelo prazer da mordida. De alguma forma, a sensação de estar com Hidan era uma das melhores que existia em sua vida... E em sua morte também.

Continua...

Notas finais
Como eu sempre procuro expor uma questão importante do mundo de Vampiro A Máscara, achei que essa do laço de sangue é a que se encaixava com perfeição com Hidan e Deidara... Enfim, espero ter acertado, mas o que me dizem?
Aliás, mais alguém aqui ficou com dó do Sasori além de mim?
Bjinhus!! Até o próximo capítulo!;*