Wherever You Will Go - Lia e Dinho.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
— Lia, por favor me ouve! — disse Dinho com um tom de súplica na voz.
— Te ouvir, Adriano? — disse Lia parando a sua frente. — E o que você vai me dizer? Que não queria? Ela te obrigou? Ou vai me dizer que as fotos no TV Orelha eram montagens? — indagou Lia com ironia.
— Não. Aconteceu sim, Lia. Mas eu estava frágil, eu tentei falar com você no celular porém você só discutia comigo, entendendo sempre tudo errado o que eu queria dizer... — suspirou — Você nem me dava oportunidade de falar, caramba! Já vinha com ignorância e julgamentos para comigo.
— Mas é claro! — exclamou ela, com voz arfante — Obvio que você daria um jeito de jogar a culpa da sua traição em mim. Eu estava com um milhão de problemas na minha família, Raquel, na qual devia ter o papel de mãe na minha vida, decidiu pedir a guarda e tirar eu e minha irmã do meu pai, aquele que nos criou desde sempre sem a ajuda dela. Como se não bastasse, ela estava armando para o meu pai, e iria prejudica-lo na frente do juiz, assim podendo talvez ganhar a causa, e você queria que eu tivesse cabeça para viajar? Me poupe. Você é um egoísta, viu como eu estava e como eu precisava de você comigo, do meu lado, sendo meu apoio. Porque se você não percebeu, Adriano, eu só tinha você com quem eu conseguia me abrir, contar meus problemas, e você o que fez? Me deixou sozinha. Só de pensar que quase perdi minha melhor amiga para sempre por sua causa, me dá raiva! E como se esse argumento ridículo, essa desculpa esfarrapada, fosse motivos para você me trair e sair impune. Me poupe mesmo, Adriano.
— Eu sei, Lia, eu fui um idiota, estúpido, burro, imbecil, egoísta, eu estou assumindo meu erro. Me perdoa, Lia? Eu devia ter cuidado de você, ter sido seu porto seguro... Me desculpa, por favor? — ele disse angustiado.
— Você não entende a gravidade mesmo... Como pode, algumas horas atrás eu estava cantando uma música que eu compus para você, em uma festa surpresa dedicada a você? E agora isso? Meu Deus, como pude ter sido tão burra? Tão cega? Como fui acreditar em você, Adriano — "Ó pegador"? Você sempre foi galinha, e vai morrer sendo. Fui idiota em ter pensado que você tinha mudado por mim, e o melhor, eu disse de boca cheia para a Valentina que você era só meu, como sou boba né? Dizendo isso para a amante do meu, até então, perfeito namorado... Ela devia rir mentalmente da minha cara. Você deixou sua amante conviver comigo, entrar na minha casa... Como? Me diz, como vou acreditar que algum dia você me amou?
— Não, Lia, por favor não diz isso! Eu te amo, marrentinha, você nunca pode duvidar disso, por favor. — tocou-lhe a face.
— Não encosta em mim! — gritou Lia — Para de mentir, Adriano. Chega! Acabou, agora você pode abrir o jogo, anda, me diz, o que que era? Uma aposta? O que você apostou? Que iria me fazer assumir um amor por você? Que iria me fazer ficar apaixonada? Me levar pra cama? Porque se foi tudo isso, parabéns, pode ir buscar seu premio.
— Cala a boca! — gritou Dinho irritado, a pegando pelo braço — Nunca mais fale o que não sabe. Nunca mais repita essas besteiras, Lia. Eu te amo, de verdade, você tem todo direito de não acreditar nisso, mas não invente coisas, isso eu não admito!
— Já disse pra não encostar em mim! — gritou Lia se soltando — Você não tem moral pra admitir ou não qualquer coisa, se enxerga. Você acha mesmo que vou acreditar que seu amor é verdadeiro? — gargalhou com ironia — Você realmente é um tremendo idiota. Belo e imenso amor o seu, não? Voltou de viagem e fingiu que nada tinha acontecido. Me levou pra cama sem nenhuma culpa, sem nenhum arrependimento do que tinha feito. Me fez de idiota todo esse tempo, esperou eu ser humilhada publicamente com aquelas fotos no TV Orelha, que aliás foi edição especial da sua Sereia, realmente, deve ser muito amor. E quanto ao meu amor por você, esqueça-o. Você o matou, não é lindo isso?! Agora me esquece! — o olhou com rancor.
— Não, meu amor. Por favor, não. Eu me arrependi, Lia, eu não te contei por medo de te perder, acredita. Não faz isso comigo, marrentinha, diz que me ama ainda, eu te imploro, Lia. — disse olhando-a desesperado, ajoelhando a sua frente — Não me peça para te esquecer, eu não existo sem você. — deixou cair algumas lágrimas.
— Para com esse teatro. Levanta, para de cinismo. — disse ríspida — Não quero saber se existe ou deixa de existir, só me deixa em paz! Finge que não me conhece, que nunca me viu na vida, entendeu?! Adeus.
Disse Lia, já se virando para ir embora quando sentiu Dinho segurar sua mão a impedindo de ir, que apenas lhe lançou um olhar frio, fazendo com que ele a soltasse. E assim seguiu, com seu coração partido, sem olhar para trás, deixando-o ali, ajoelhado no chão com o rosto coberto de lágrimas, coração partido, e a alma pesada consumida pela culpa.
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