When Your Sun Goes Down
5 Hollywood is waiting for us
Notas iniciais
Estavamos suados e cansados, mas continuávamos no meio do nada. Grover fez um sinal com a mão para que parássemos de andar. Ele parecia farejar algo.
- Cheiro... Cheiro de comida e poluição?! – ele disse – Devemos estar perto de alguma cidade!
Nos animamos e disparamos atrás de Grover, que agora carregava a garota.
Chegamos a um rio e me concentrei para saber que rio era aquele. O nome veio em minha mente.
- Susquehanna – disse.
- Hãn?! – disse Grover.
- Esse é o rio Susquehanna.
- Esclarecedor...
- Isso quer dizer que estamos em Harrisburg?! – disse Annabeth.
- Só faltam centenas de horas e chegaremos a Hollywood, sejam otimistas! – murmurou Grover.
Pense em alguém de mal humor. Este era Grover desde que ele voltara ao acampamento, no verão passado, em uma viagem de busca por semideuses. Devo ter perguntado um trilhão de vezes o que aconteceu e tudo que ele fazia era inventar uma desculpa e sair com lágrimas nos olhos.
- Um tio meu mora aqui, podemos ir pra casa dele e dar um jeito nela – disse Annabeth (muito) brava encarando a garota.
Fomos em direção à casa do tio de Annabeth. As pessoas olhavam para a garota nos braços de Grover e perguntavam se nós precisávamos de ajuda. Explicávamos que ela só estava passando mal por praticar esportes sem comer (somos muito criativos) agradecíamos e íamos embora.
Finalmente chegamos a um arranha-céu luxuoso, fomos à portaria. O porteiro, que usava um terno preto com gravata e sapatos da mesma cor e uma camisa branca, sorriu e disse:
- Chase! – como ele sabia o sobrenome dela?
- Oi Carlos! – ela sorriu.
- Vou interfonar pro Paul, vocês já podem ir subindo.
Entramos no elevador. Eu me virei para Annabeth e perguntei:
- Paul?
- É meu tio – respondeu ela.
Sorri. O elevador parou no 16º andar e não havia um corredor, o elevador dava direto para o apartamento. Aquilo deveria dar a Casa Grande do acampamento incluindo a varanda, de tão gigante que ele era. E ainda por cima era duplo, com uma escada feita de mármore, assim como o piso, que dava para o andar superior. Dei de cara com um sofá de veludo vermelho, um tapete da mesma cor embaixo de uma mesa de tampo de vidro e pés apenas no meio, feitos de madeira. Quadros de artistas como Van Gogh estavam espalhados pelas paredes. Uma TV de plasma do tamanho dos maiores quadros estava exibida em frente ao sofá.
- Cara... – Grover murmurou.
- Eu sei... – murmurei em resposta.
Eu poderia descrever aquela casa, mas e demoraria, cerca de 400 páginas e ainda teria o que ser descrito. Annabeth deu de ombros. Sim, eu também me perguntei como ela deu de ombros?!
Um homem de cabelos pretos, olhos castanhos, terno risca de giz cinza e sapatos pretos entrou na sala com um grande sorriso no rosto.
- Anna!
- Tio! – ela o abraçou – Há quanto tempo!
- Como vai a minha semideusa favorita?
Eu me assustei. Mortais não sabem sobre a existência de deuses, muito menos semideuses. Minha expressão deve ter sido muito estranha, porque ele me olhou e disse:
- Hey, pequeno Poseidon, sou filho de Hebe.
Eu fiquei paralisado. Como ele sabia quem era meu pai?
- Annabeth fala o tempo todo de você. – ela corou – Então, como vieram parar aqui?
Contamos a ele a história toda. Ele ouviu atentamente e disse:
- Fiquem aqui o tempo que precisarem, e quanto a ela, – ele olhou a garota – chamarei um médico semideus que mora aqui no prédio.
Mal consegui dormir naquela noite, mesmo estando sobre um colchão d’água e um travesseiro daqueles da NASA, ou melhor, cinco travesseiros da NASA espalhados pela enorme cama.
No outro dia, fomos tomar café da manhã na cozinha estilo americana de Paul. Enquanto estávamos comendo, a garota entrou na cozinha e deu um leve sorriso.
- Você está bem? – perguntou Grover.
- Sim, obrigada. – disse ela com a voz doce.
Ela nos avaliou com os olhos verdes e suspirou.
- Não tivemos tempo de nos apresentar.
- Isso é verdade. – eu sorri enquanto Annabeth me encarava.
- Sou Beatriz, e se me lembro vocês são Percy, Grover e Annabeth.
Paul pigarreou.
- E claro, — ela prosseguiu – obrigada Paul, por chamar o Dr. Harold, foi de grande ajuda.
Ele assentiu sorridente.
- Ahn, Paul... – disse eu.
- Dr. Hamsorf. – ele não tinha cara de ser médico...
- Claro, Dr. Hamsorf, você teria um GPS para nos emprestar?
- Sim, mas por quê?
- Temos que ir para Hollywood e rápido.
- E pretendem ir como? Andando?!
- São apenas centenas de horas, não se preocupe. – intrometeu-se Grover.
- Não, vocês vão de trem.
- Não temos dinheiro. – disse Annabeth.
- Vocês vão no meu trem.
Sim, Paul tinha um trem, também fiquei chocado.
- Hey, Bia... Posso te chamar assim? – perguntei e ela assentiu – Você acha que consegue aguentar uma viagem?
- Eu posso até parecer frágil, mas não sou Percy. – Annabeth virou os olhos.
- Vamos, então? – disse Annabeth rudemente.
Bia pegou sua mochila e nós pegamos outras com Paul, já que as nossas estavam na van, e, bom, o vulto preto levou a van.
Nos abastecemos com roupas, comida e ambrósia, néctar e primeiros socorros do Dr. Harold. Joshua, o mordomo indiano de Paul nos levou até a limusine, que nos levou até a estação para pegarmos nosso trem particular. Essa foi sem dúvida a frase mais legal que eu já disse na vida.
Partimos novamente em rumo à Hollywood.
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