When You Have A Killer In Your Tail

14 Quando o objeto nao é encontrado


Notas iniciais
Minhas desculpas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Demorou loucamente, Yeah eu sei. Foi muito difícil fazer este, tive muita coisa que não me deixou escrever, tive provas e coisas afins.
Pelo menos posso dizer que esse é um dos melhores capítulos até agora e abre para os próximos que são a reta final.
Espero que gostem!

Jo Harvelle estava estressada, literalmente estressada. Seu estresse não tinha nada a ver com hormônios ou qualquer coisa de seu trabalho, ela estava assim devido a um par de olhos azuis completamente intensos que estavam olhado para ela cada vez que seus olhos se fechavam. Estava cada vez mais difícil dormir.

Se revirando na cama de cobertores macios a oficial não conseguia entender o estranho sentimento que a deixava acordada até altas horas, aquela tinha sido a quarta vez nesse mês que ela não conseguia dormir por causa dos olhos dele. Aquilo estava ficando ridículo! Ela tinha dois assassinatos para resolver e tentar colocar seu antigo e recente posto de detetive de volta, tinha um comissario tapado como uma porta para aturar e um trabalho de vigiar duas crianças cheias de energia. Por alguns minutos ela pensava que não seria capaz de realizar nenhuma das atividades direito já que não conseguia nem mais dormir uma única noite. Ela queria que os olhos fossem embora!

Não, ela não queria, ela os queria exatamente onde estavam. Ela se levantou de sua cama e jogou as cobertas verdes para fora sem nem ao menos se preocupar com o fato de elas estarem muito limpas para caírem ao chão, se dirigindo ao banheiro ela se lembrou do dono dos olhos e começou a pensar que era a pessoa mais nojenta e desprezível que já existiu. Como ela poderia sequer se apaixonar por ele? Ele era um acriança no corpo de um adulto pelo amor de Deus!

A oficial de cabelos loiros lavou seu rosto para tentar tirar o resto de sono que ainda era visível em seus olhos castanhos, eram quase sete horas da manha e ela tinha de estar na delegacia antes de ir pegar Danny e Lisa e leva-los para a escola... talvez ela nem tivesse de pegar Danny, o pobre garoto teve uma convulsão logo cedo no domingo e provavelmente ainda estaria no hospital. Foi um choque completo para ela quando recebeu a ligação de Lisa chorando e dizendo que não tinha ninguém em sua casa e nem na casa de Gabriel e que seu pai não estava atendendo o telefone. A pobre menina tinha realmente pensado que Ruby poderia ter levado-os todos, bom, aquilo era definitivamente plausível. O que mais a tinha impressionado foi o fato de Lisa estar chorando.

Bom, até mesmo a mais forte das amazonas acabam por sucumbir ao medo.

Ela já estava ficando farta de tudo aquilo. Desde que seu superior tinha voltado de Aurora com aqueles Winchester suas vidas tinham mudado de ponta cabeça: mais pessoas tinham morrido, ela tinha descoberto que realmente gostava de crianças, pistas loucas compostas por sangue tinham sido deixadas em lugares loucos como se os assassinatos fossem meros jogos e ela tinha acabado por conhecer mais do que imaginaria em seus sonhos mais ousados a família de seu capitão.

Lá estava ela mais uma vez pensando nele.

Jo preferia morrer a ter de ficar como uma adolescente apaixonada, o que ela sentia não poderia ser descrito pelas linhas toscas de Crepúsculo(29). O que ela sentia era uma coisa que tinha de ser drenada imediatamente!

-Como sou idiota. Disse ela a se olhar no espelho.

Seu semblante era cansado. Ela queria desesperadamente fazer com que tudo o que ela sentia não passasse de sonhos. Infelizmente era a mera realidade, o único homem por quem ela finalmente tinha se apaixonado de uma forma verdadeira tinha de ser o irmão de seu capitão e ainda por cima ser um retardado mental? O destino tinha que estar muito puto com ela. Jo não se considerava uma pessoa preconceituosa, ela adorava Jimmy, Danny e qualquer pessoa deficiente que já cruzou sua vida, o problema em questão era quem era ele. James Mathew Novak era um homem de trinta e cinco anos- cronologicamente oito anos mais velho que ela- físicos e cerca de cinco mentais. Um romance verdadeiro que permitisse tudo o que um romance precisa entre eles jamais funcionaria.

E alem do mais Gabriel e Castiel iriam mata-la!

Ela entrou no chuveiro e deixou que suas lagrimas se misturassem com a água que cais em cima de sua cabeça. Ela era mesmo uma idiota.

O dever, na verdade seu celular, a tinha chamado cerca de sete minutos depois.

Ela tinha de bater seu ponto antes de ir pegar as crianças.

Foi somente depois de chegar a delegacia que ela encontrou os olhos azuis que tanto temia. A primeira coisa que pensou foi o que tinha feito para ele estar ali, eles já tinham conseguido o depoimento e ele foi- graças a Deus!- solto da prisão depois de ter sido espancado por um dos policiais novatos. Não era para ele estar ali nesse momento.

Ela se perdeu ao olhar os olhos inchados e o semblante sofrido que o pintor mostrava. Seu capitão estava exatamente sentado ao lado dele e acenou quando a viu. Por mais que não queria ela foi até os dois.

As palavras deixaram sua boca antes mesmo de pensar:

-O que vocês estão fazendo aqui?

Gabriel tinha um rosto cansado, era como se o dia para ele poderia terminar logo ali.

Um pouco de medo passou pelo rosto da jovem e ela deixou-se sentar ao lado de Jimmy. O pintor imediatamente deitou sua cabeça no ombro da mulher, ele parecia tao torturado que ela jamais se imaginou pedindo-lhe para retirar a cabeça de seu ombro, ela não poderia. Uma faísca elétrica cruzou todo o seu corpo quando o contato de pele foi feito e ela sentiu por um instante todo o seu ar ser drenado de si.

Gabriel parecia alheio ao que acontecia a sua jovem aprendiz.

Ele deu um grande suspiro e apertou a mão de Jimmy, era como se todo o peso do mundo estivesse em seus ombros:

-Ele me acordou as seis da madrugada- geralmente não era para ele estar tao ranzinza com a hora, ele acordava mais cedo quando trabalhava, mas agora ele realmente queria aproveitar essa licença que lhe foi dada- e me obrigou a andar toda a cidade atras de Adam.

Os olhos de Jo se arregalaram. Adam Milligan, o único mendigo que parecia ser mais bem educado do que sua cidade inteira e que tinha sido morto com um tiro na cabeça no dia anterior. Ela sabia que aquilo iria trazer problemas no futuro, não que ela não gostasse do garoto, ela simplesmente tinha se esquecido de quem ele era, mas nunca imaginou que seria tao cedo. Por causa de ser um mendigo a morte de Adam foi completamente esquecida pela mídia- mesmo que há pouco tempo atras ele estava em todos os jornais- e a única pessoa que tinha vindo para reconhecer o corpo tinha dito que Adam carregava alem de seu quadro uma bolsa com algo precioso dado por Jimmy Novak, a única coisa que a policia poderia fazer em relação a sua morte foi deixar o cadáver na prateleira do necrotério e esperar que alguém da família venha para reclamar o corpo e enterra-lo. O comissario não queria saber de ir atras de algo que bem poderia ser uma outra pintura e não tinha deixado ninguém avisar a Jimmy que o mendigo tinha morrido, ela mesma tinha recebido ordens restritas para não dizer nem a Gabriel nem a Chuck que ele tinha morrido. Para o comissario ele tinha morrido em um conflito de gangues e pronto. Ele não queria saber da possibilidade aberta de o mendigo poder ser o único a portar a maça da sabedoria. Ele não tinha acreditado em nada do que o pintor tinha dito.

Os lábios de Joanna Harvelle estavam tremendo. Ela não queria ter de dizer a pessoa mais inocente do mundo que seu amigo estava morto. Tinha de haver uma saída, ela não podia ver os olhos azuis verem mais sofrimento.

Gabriel poderia perceber que sua subordinada estava se contendo para não chorar. Sim, a mulher sabia de alguma coisa. Quando eles chegaram na delegacia- mais uma vez a ideia foi toda de Jimmy, ele não queria colocar os pês naquele lugar tao cedo. Seu irmão queria que alguém procurasse por Adam como tinham feito para ele- Turner os tinha feito esperar ali na cadeira velha como se eles fossem apenas pais que não sabiam que só poderiam registrar um filho desaparecido depois de vinte e quatro horas. Por tudo o que ele sabia aquilo não era um bom sinal, ele entendia que seus amigos estavam tentando proteger seu irmãozinho de um sofrimento posterior, mas eles deveriam pelo menos lhe contar o que diabos estava havendo. Ele também queria respostas!

Ele não pressionou a mulher no entanto, não seria bom para nenhum deles.

Foi nesse momento que Ellen Harvelle passou com sua bata de medica legista para um dos corredores, a mulher não tinha visto nenhum dos três conforme era sua pressa, o policial pode sentir que em menos de um minuto tudo tinha mudado, Jimmy começou a ficar rígido e em menos de um segundo o pintor começou a se levantar e foi andando na mesma direção que a mãe de Jo. Gabriel poderia ver com o canto do olho a jovem mulher de cabelos loiros ficar branca com o que estava vendo e não esperou nem mais um segundo, ele começou a seguir seu irmão. O tempo todo o homem de olhos castanhos tinha um mal pressentimento. Nunca era bom quando Jim começa a andar sem nem ao menos dizer para onde está indo e a partir das pequenas informações que tinha colhido da linguagem corporal de sua subordinada ele poderia apostar que o dia terminaria em lagrimas.

Ele não ficou feliz quando descobriu que eles estavam todos indo para o necrotério.

Quando ele passou pelas portas de metal, que ironicamente não estavam sendo guardadas pelos oficiais de costume, ele não pode deixar de prender sua respiração. Ele não era para estar ali, Jimmy não era para estar ali, seu pintor não poderia ver os corpos mortos da maneira que estavam ele já tinha sofrido demais e ninguém queria acrescentar pesadelos a lista que já existia. Sendo um capitão da policia e conhecendo seu irmão como conhecia Gabriel achou melhor deixa-lo fazer o que tinha de fazer, não era como se ele poderia toca-lo e tira-lo de la de qualquer forma. O estado que Jimmy se encontrava não permitia que fosse tocado, ele sabia ler os sinais.

Nada o tinha preparado para a imagem de Ellen retirando o lençol sob o corpo de Adam Milligan que tinha em sua testa um ferimento de bala. Definitivamente ele não esperava por isso.

Ele pode ouvir a mulher loira atras de si dizer um sinto muito estrangulado. Claro que ela já sabia.

Quando Ellen os viu ela quase tentou recolocar o pano em cima do cadáver do mendigo mas foi frustrada por Jimmy. O pintor tinha lagrimas nos olhos e consegui dar um aperto de morte no pulso da mulher mais velha, ele tinha um semblante que lembrava muito Castiel quando estava realmente com raiva e seus olhos cuspiam fogo, infelizmente esse não era o ultimo sentimento. Logo depois da raiva o pintor soltou o pulso da legista e deixou-se entrar em desespero, aquele era o amigo que teve por muitos anos, a pessoa que tinha o salvo mais do que poderia imaginar e que tinha mostrado para ele que ele poderia conhecer e ser amado por outras pessoas alem de seus irmãos. Adam Milligan era definitivamente uma pessoa meiga que tinha fugido da casa dos pais e decidido morar na rua depois que descobriu que seus pais eram ricos por causa das drogas que vendiam. Ele era definitivamente muito mais apto para ser o guardião do segredo de Miguel do que ele e era por isso que ele tinha dado a bolsa de couro, a única que pertencia a Abrão e que guardava a ultima fruta do jardim do éden com ele. Jimmy poderia dizer que quem o tinha matado tinha pego a fruta. Aquilo o fazia se sentir como o pior amigo e guarda segredos do mundo e em um instante era como se o mar tivesse invadido a delegacia de policia e o tivesse afogado, seus pulmões era fogo puro e lagrimas salgadas desciam por suas bochechas fazendo com que seus olhos ardessem e com que seu corpo amolecesse.

Ele pode sentir as mãos de Gabriel em seu ombro, mas nada que ele tentasse o trazia para a realidade. Apenas o medo era conhecido por ele naquele momento. Ele nem ao menos pode sentir suas pernas tremerem.

Jimmy começou a acreditar que tudo o que Ruby tinha dito sobre ele era verdade. Ele só trazia desgraças. Era culpa dele que Miguel estava morto e agora Adam tinha morrido por causa dele também. Ele era o único que fazia as pessoas sofrerem.

Naquela manha todos os policiais puderam ouvir o grito estrangulado que tinha saído do necrotério.

Cinco de dezembro não era o seu dia. Era uma segunda-feira ensolarada uma daquelas segundas-feiras que qualquer pessoa sana iria querer se levantar para voltar seu ciclo diário de afazeres e trabalho. Bom, qualquer pessoa menos ela.

Jessica Moore poderia dizer que já tinha visto de tudo em sua vida, tinha perdido familiares, tinha sido forçada a acreditar em videntes, tinha ido trabalhar na casa de estranhos e tinha se afeiçoado a esses estranhos em tempo recorde. O que jamais pensou foi que alguém em sã consciência pudesse ser capaz de bater em Jimmy seu querido protegido... logo depois de seu desmaio repentino- quando ela não conseguiu aguentar a ideia de ver seu pintor favorito ser preso como um homem marginal que ele nunca poderia ser- ela permaneceu na delegacia de policia fazendo companhia a Gabriel e esperando que algo de bom saísse do encontro entre o chefe da policia e o advogado mal encarado que Cas tinha pago para eles. Não era muito difícil de dizer que a primeira conversa que eles tiveram não tinha dado em nada, aquilo apenas tinha deixado a jovem mulher e seu amigo anda mais preocupados. Foi exatamente as duas e quarenta e cinco da madrugada que um policial novato (ainda usava seu uniforme) tinha chegado até eles dizendo que alguém tinha espancado o prisioneiro da cela vinte e dois. Tanto Gabriel quanto ela tinham corrido loucamente para ver com seus próprios olhos... foi a pior coisa que ela já tinha visto em toda a sua vida.

Mesmo sabendo que seu querido Jimmy tinha sido solto- ela não era besta para chutar que aquele advogado mal encarado subornou o comissario, era exatamente o tipo de coisa que ela faria- ela não conseguiu dormir. Todas as novas informações que tinham descoberto e o novo patamar em que a vida deles estavam (Pelo amor de Deus! O tempo todo a mulher estava atras de uma fruta que por acaso era a ultima fruta da arvore do conhecimento) fez com que ela passasse toda a noite de domingo rolando de um lado para o outro da cama hora pensando em o que diabos ia acontecer com o mundo se aquilo tudo realmente fosse verdade ora se lembrando de quão quebrado seu protegido parecia com dois olhos roxos e um nariz sangrando somados a todas as feridas que ele tinha adquirido na estadia de dois meses dentro da fabrica de macarrão em Van Nuys. Ela sentia falta de ar e quando sua cabeça rolou pela milésima vez para o outro lado da cama e seus olhos registraram a hora- oito horas. Seu curso de teatro apenas começava as nove e meia- ela jogou todos os lençóis para o lado e saiu do quarto.

Foi exatamente quando ela chegou a sala que o telefone tocou.

Ela bufou de raiva, era logico que ninguém estava deixando-os em paz depois que o espancamento de um prisioneiro caiu nas graças da mídia.

Jessica nunca imaginou que quem estaria no outro lado da linha era Gabriel:

-Jessica, eu preciso de um grande favor.

Ela não sabia o que responder. O homem tinha dito seu nome completo pela primeira vez em muito tempo e o tom que ele estava usando era muito quebrado para ser o verdadeiro policial que ela conheceu. Geralmente o capitão de policia detestava mostrar seus sentimentos em sua voz só fazendo isso na frente das pessoa a quem ele mais confiava.

A mulher loira resolveu ter certeza se era ele mesmo e navegou pela casa parando na frente do quarto de Gabriel. Como era de se esperar o quarto estava vazio.

Ele suspirou:

-O que é isso? Seus neurônios realmente não poderia formular outra frase.

Do outro lado da linha Gabriel olhava para seu irmão. Jimmy estava em um estado pior do que quebrado, na verdade o policial poderia dizer que para ele estar quebrado ele tinha que estar cem vezes melhor. Ele passou as mãos pelos cabelos castanhos e em seguida falou em um tom conspiratório. Era claro que a mulher ia achar o serviço quase impossível, mas eles estavam em tempos desesperados aqui e não tinham muito o que fazer.

Ele apertou a mão de Jimmy enquanto falava:

-Eu preciso que você impeça Cas de nos encontrar. Eu- a voz dele tinha quebrado de novo e ela não sabia o que fazer- eu quero que você o acompanhe o dia inteiro e diga a ele que nos estamos em uma das minhas viagens divertidas pelo resto do dia ok?

Não, não estava OK. Era logico que ele ia mentir para Cas e ela teria que fazer o mesmo o dia inteiro, mentira não era a sua melhor opção para absolutamente nada, mas aquele era um amigo muito bom em sua vida e se ele sabia que não deveria contar algo para Castiel ele não contaria e ela teria de confiar em seu julgamento. Seu peito tinha se apertado desde o momento que ela atendeu o telefone e nesse momento ela estava dentro do quarto de Jimmy- que estava mais uma vez vazio- vendo uma das pinturas mais bonitas que ele fez. Seus olhos se encheram de lagrimas ao ver o cavalo Dookins, o cavalo que tinha sido o único que convenceu Gabriel a se mudar para essa cidade e deixar que todos eles entrassem na mesma vida, pintado a tinta acrílica. Ela sabia que as coisas nunca poderiam ser exatamente como ela queria, mas estava tudo muito fodido para seu gosto e ela queria saber o que tinha acontecido dessa vez. Ela queria saber agora!

Seus olhos se fecharam enquanto ela implorava:

-Por favor Gabriel, me diga o que aconteceu dessa vez.

Ela ouviu um grande suspiro. Era como se ela pudesse ver o homem de olhos âmbar coçando sua cabeça e olhando perdido para algum canto no horizonte.

Como sempre ele era um homem de palavra. Se ele tinha pedido um favor que colocava Jessica contra seus conceitos morais ele estava no direito de explicar-lhe exatamente por que ele tinha pedido isso. Foi exatamente ai que ele começou a falar bem devagar e pausadamente deixando o minimo de sentimentos vazar por sua voz. Jim estava o examinando em tudo o que ele estava fazendo e se ele fosse o único a fazer seu irmãozinho pensar que ele era um estorvo ele era o mais idiota da face da terra.

Gabriel contou tudo o que tinha acontecido naquele dia, como ele tinha acordado para ver dois olhos azuis olhando-o desesperadamente, como Jimmy tinha o convencido a ir até Chinataw para devolver o quadro das tulipas amarelas e tudo o que tinha acontecido depois incluindo o fato de que eles não tinham encontrado nenhum sinal do mendigo e como Jimmy tinha sido insistente em faze-los levar a coisa toda como um desaparecimento. Quando chegou na parte da historia em que eles estavam dentro da delegacia conversando com Jo Harvelle a voz do homem tinha virado um sussurro e ela fez muito esforço para escultar. Ele contou que os três tinham seguido Ellen até o necrotério exatamente na hora em que ela iria examinar o corpo de Adam Milligan.

A cuidadora tinha levado as mãos aos lábios para abafar um grito. Seu bebe tinha visto o corpo de seu melhor amigo duro e frio e com uma bala na cabeça. Ela jamais conseguiria imaginar como seria ver alguém morrer dessa forma e seus olhos começaram a vazar lagrimas salgadas que desciam pelas bochechas.

Tudo o que saiu de sua boca foi um pedido. Ela tinha que saber como ele estava.

Do outro lado da linha Gabriel poderia ver seu irmão se agitar. Mais rápido do que nunca os sinais vitais que estavam sendo mostrados nas maquinas começaram a ficar loucos e o barulho irritante dos alertas enchiam a sala em que estava. Ele sabia que não era a melhor das ideias conversar com Jessica enquanto Jim ainda estava acordado e o observando, mas ele realmente pensou que seria pior se ele o deixasse sozinho, Jimmy não queria e não deixava que ele fosse a canto algum. As enfermeiras tinham entrado como uma onda branca e tinham praticamente o obrigado a sair do quarto. O choro de seu irmão mais novo era assustador, ele estava implorando por sua presença e não havia nada que ele pudesse fazer, as enfermeira logo iam administrar mais uma dose de sedativos em seu sistema e ele iria cair em um sono induzido mais uma vez.

-Gabriel! O que é isso?

A voz melodiosa da mulher loira mais uma vez o trouxe para a realidade. Se ela pudesse ver seu rosto não acreditaria que o capitão de policia da cidade tinha os olhos mais vermelhos que uma criança de seis anos.

Ele esperou até que os sinais vitais de Jimmy voltassem a se normalizar para responder.

-Ele esta assim- mais uma vez ele suspirou como se todo o peso do mundo estivesse sob seus ombros- ele teve uma reação de estresse ou sei lá ao ver o estado do corpo de Adam e praticamente tentou matar Ellen- a imagem ainda era fresca em sua mente e ele pode ouvir Jessica engasgar do outro lado da linha- ele... ele não queria fazer isso claro- apenas a ideia de Jimmy ferir alguém deliberadamente era assustadora. Ele era incapaz de fazer isso- ele apenas teve um troço e quando os outros oficiais vieram depois de ouvir os gritos dele e de Ellen eles tentaram conte-lo, mas aparentemente Jimmy se lembrou de todas as técnicas de luta que eu o ensinei...

Uma pausa e tantas perguntas. Jessica queria perguntar como diabos ele ensinava alguém como Jimmy a lutar, mas não se sentia no direito. Depois de tudo o que eles tinham passado a ideia de Jimmy saber defesa pessoal não era a coisa mais assustadora possível. A cena que Gabriel pintava cada vez mais parecia plausível em sua mente.

Gabriel voltou a falar depois que uma enfermeira tinha dito que ele poderia entrar no quarto. Provavelmente seu amigo estava dormindo agora.

-Ele está na ala psiquiatria do hospital geral...os flashbecks que ele está tendo são assustadores e eu acredito que nem todos são de Adam- claro que não seriam, ele tinha estado em cativeiro por dois meses- ele está tendo surtos violentos e está aterrorizado. eu... eu realmente não sei o que fazer. Eu não quero Cas para vê-lo assim e se as coisas ficarem piores, Cas pode até morrer de medo e...

Ele estava chorando abertamente agora. A garganta de Jessica parecia tocar fogo e ela sentia-se em comunhão com seu amigo. Ambos sabiam que Jimmy poderia quebrar em algum momento mais nunca esperavam que fosse tao cedo. Uma outra coisa que ela sabia era que por mais inteligente que Castiel fosse ele não era forte o suficiente para ver algo assim.

Ela sentou-se na cadeira revestida com pathwork.

-Eu irei fazer o que você me pediu.

Gabriel estava aliviado.

-Obrigado.

Ele tinha percebido que os olhos de Jimmy ainda estavam abertos. O pintor estava com tanto medo que os sedativos usados apenas serviam para deixa-lo calmo e não para faze-lo dormir. Mesmo que Jimmy perdesse a consciência ele nunca estaria dormindo por muito tempo e era por isso que o mais velho não tinha deixado o quarto de hospital desde o momento em que eles foram admitidos ali. Ele se aproximou da cama e fitou os olhos azuis que estavam vidrados mas que não deixariam de olhar em sua direção geral nem por um segundo. Ele estava seguro com seu Gabby e Gabriel não trairia essa segurança por nada nesse mundo.

O destemido capitão nunca tinha sido tao aterrorizado em toda a sua vida.

Ele estava prestes a desligar o telefone quando ouviu a voz da atriz do outro lado da linha. Por algum milagre ela tinha recuperado sua compostura.

Jessica estava se lembrando do dia em que conheceu Jimmy e de como o olhar dele a tinha convencido de que tudo o que ele dizia era verdade. Ele era mais forte do que todos eles.

Ela sorriu antes de falar:

-Não se preocupe Gabe, ele não vai ser como a mulher das flores.

Para Gabriel, que tinha ido segurar a mão de seu pequeno irmão, aquilo era tudo o que ele precisava ouvir. Era mais do que uma esperança, era uma promessa e ele teria fé, ele precisava ter fé. Jimmy era mais forte do que todos eles.

Os olhos azuis brilhantes se fecharam pela primeira vez sem precisar de sedativos e ele caiu em um verdadeiro sono. Um sono muito merecido.

Antes de desligar Jessica cantou uma oração para pedir a paz. Eles precisavam urgentemente dela.

Quando a conversa foi finalmente encerrada nenhum dos dois se lembrou de que era exatamente nesse hospital que Danny Winchester estava internado depois de ter uma convulsão.

Alguns minutos mais cedo.

Ele sentia-se como uma pessoa atropelada por um caminhão. Sentia-se o pior pai de todos os tempos, ainda pior que seu próprio pai de merda que tinha feito ele e seu irmão virarem soldados quase sem alma. Seus olhos verdes repousavam sobre a pequena criança de oito anos de idade que estava sonhando tranquilamente com qualquer outra coisa melhor do que a realidade e suspirou profundamente de uma forma que poderia deixar suas frustrações saírem de seu espirito se ele quisesse faze-lo.

Ao lado do homem de olhos verdes o seu irmão mais novo e aparentemente mais maduro estava lendo o jornal daquela segunda-feira com os olhos castanhos completamente desfocados da matéria. Ele não precisava ser tao inteligente para perceber que o outro homem estava completamente desinteressado em tudo o que o jornal poderia lhe oferecer. O medico que tinha ficado responsável pelo caso de seu sobrinho ainda não tinha aparecido para avalia-lo essa manha e ele não sabia se era capaz de aguentar mais uma hora sem nenhuma noticia.

Se eles entendessem o que as maquinas que estavam ligadas ao menino gordinho faziam eles poderia estar um pouco mais relaxados. De acordo com todas as leituras o menino definitivamente estava fora do perigo com sua pressão estável e batimentos cardíacos bons. Infelizmente nenhum deles sabia o que todos aqueles números significavam.

Eram quase oito horas e eles já tinham recebido dois telefonemas importantes. Um deles era a oficial Harvelle perguntando se deveria ou não levar a menina para a escola, Dean mais uma vez tinha se sentido um péssimo pai. Como ele poderia ter se esquecido de sua filha? Melissa estava dormindo quando tudo aconteceu e eles não tinham nem ao menos parado para se lembrar dela, ele pegou o carro que tinha como seu e simplesmente dirigiu até o hospital mais próximo com seu filho convulsionando nos braços de Sam, foi exatamente duas horas depois de eles darem entrada no hospital que a menina tinha acordado e chamado a única pessoa que confiava suficientemente para lhe dizer o que estava acontecendo. A oficial que tinha como trabalho cuidar de seus filhos tinha sido mil vezes mais responsável do que ele, ela tinha ido até seu aparamente e acalmado a menina e depois tinha ligado para ele louca como uma mulher ttraida perguntando-lhe aos gritos o que porra tinha dado nele para deixar uma menina sozinha sem aviso prévio. Graças a Deus Lisa tinha se decidido por todos eles e resolveu ir a escola mesmo sabendo que não ia se concentrar em nada, a menina era definitivamente sobrinha de Sam.

O segundo telefonema tinha sido o de Jessica. Doce como sempre fora a mulher tinha dito que estava rezando para que Danny ficasse logo melhor. Aquilo não só tinha feito o sorriso do mais novo Winchester, Dean também tinha esboçado seu primeiro sorriso do dia pois ele era muitíssimo orgulhoso de seu irmão para arranjar dentre tantas garotas uma que era mais do que um rostinho bonito. Definitivamente ele contribuiria para fazer deles o casal perfeito e quando tudo acabasse ele iria ser o primeiro a juntar dinheiro para uma grande festa de casamento. Ele tinha certeza de que Jimmy iria concordar com tudo o que ele tinha pintado em seu cérebro.

Infelizmente esses telefonemas e os votos de fé e amizade não foram suficientes para que ele se sentisse melhor. Ele ainda se achava um péssimo pai.

Dean Winchester tinha, com todas as loucuras que tinham acontecido nos últimos meses, relaxado e esquecido de levar seu filho mais novo ao medico. Sim, ele sabia que a convulsão era uma das características de pessoas com hidrocefalia- mesmo que a maioria não tenha- mas mesmo assim seu filho deveria ir a um neurologista para verificar seus sintomas e a evolução do caso. Eles não tinham visto um medico desde que deixaram Lawrence.

O homem loiro abaixou sua cabeça e estava prestes a chorar de frustração e auto punição quando o movimento do lado de fora do quarto chamou sua atenção.

As enfermeiras pareciam estar conversando sobre uma paciente da pior forma possível.

Ainda olhando para a cama onde seu filho desfrutava de um sono profundo ele se dirigiu para perto da porta e a abriu um pouco deixando que qualquer coisa que as mulheres falavam penetrasse em seu ouvido. Sam deu a ele uma sobrancelha levantada questionando o que ele iria fazer, mas mesmo assim permaneceu calado. Ao que parece ele também não estava confortável em ouvir enfermeiras, aquelas que eram cuidadoras natas e que deveriam ser amorosas, falarem mal de um paciente qualquer.

Não demorou muito tempo para que os dois descobrissem que não era um paciente qualquer.

A voz das mulheres- parecia que eram apenas duas delas- era bem clara para eles:

-Eu estou te dizendo- falou uma com a voz grossa de quem tinha passado a noite inteira a gritar- É por causa dele que a policia está destruída.

A outra enfermeira, uma mulher loira oxigenada que parecia uma personagem de um filme trash (32) cujos óculos eram verdes, ria com uma voz estridente que parecia um cachorrinho sem dono, um cachorrinho muito mal. As duas pareciam concordar completamente uma com a outra.

A primeira continuou a falar sem ser interrompida pelos risinhos da outra:

-Ele está louco. Definitivamente louco, eu realmente não sei o que é pior, ter um irmão retardado- ela estava falando com um nojo como se fosse apenas uma barata e não uma pessoa- ou aquilo. Graças a ele a policia está cada dia pior.

-Pois é- dentro do quarto de hospital Sam e Dean se entreolhavam, a conversa ainda não estava fazendo sentido para nenhum dos dois, mas eles tinham uma ligeira impressão que logo logo o sentido chegaria como um tapa na cara- antes o capitão era o melhor policial que tínhamos, eramos orgulhosos de seus trabalhos e agora... agora ele só tem tempo para correr atras desse pintor idiota que nem ao menos sabe deixar o irmão em paz. Ora, se eu fosse Gabriel Novak eu teria internado ele em um asilo e continuado a fazer o trabalho de proteger essa cidade.

Ambos os Winchester não eram mais capazes de escutar a conversa até o final. Aquelas mulheres realmente estavam sendo duas vadias, elas não tinham a minima ideia de quem era Jimmy Novak, de quanto ele tinha sofrido e de quanto ele ajudou para os casos de policia da cidade. Elas se achavam no direito de falar mal de uma pessoa que não estava ali para se defender e nenhum dos dois gostava disso.

Dean foi o primeiro a sair do quarto por um momento se esquecendo de seu filho. Ele sabia que Danny seria um dos primeiros a se levantar para deperder o pintor.

Ele chegou perto da enfermeira gordinha, a primeira a falar, e a olhou com os olhos mais sedutores que ele poderia forjar em segundos. A mulher parecia interessada nele.

Sam estava logo atras dele:

-Com licença- disse o mais novo ainda olhando para a enfermeira gordinha que parecia ter perdido completamente o fio da meada presa nos encantos da sedução de Dean- sem querer eu ouvi o que vocês estavam falando... aquilo era sobre Jimmy Novak?

A enfermeira loira parecia um pouco desconfiada:

-Por que você quer saber, por acaso é um fá dele?

A voz dela era mais dura do que eles poderiam imaginar e foi mais fácil vê-la como a vila de um filme cheio de sangue assim.

Dean continuava olhando para a outra enfermeira que parecia completamente idiota olhando para ele como uma toupeira. Ele resolveu mudar de planos:

-Não, não- ele passou a mão pelo cabelo deixando a mulher babar com seus movimentos- eu nem conheço nenhuma das pinturas dele... eu apenas descobri ontem que ele tinha relação com o capitão de policia e queria saber por que vocês acham que ele está atrapalhando a autoridade. Ele tinha cruzado os dedos atras de si. Ele jamais se perdoaria por ter falado mal de Jimmy sem mostrar para si mesmo que não era verdade nada do que estava dizendo.

As enfermeiras pareciam relaxar visivelmente.

A enfermeira gordinha que ainda parecia não saber o que fazer nas proximidades de uma pessoa bonita como o homem diante de si tinha dado uma risadinha que Dean poderia dizer que lembrava uma ratazana bem feia. Ela parecia estar muito mias interessada em fingir ser uma mulher má para impressiona-lo do que qualquer outra coisa. Não demorou muito para que ela contasse aos dois tudo o que tinha acontecido, todas as teorias loucas que de alguma forma distorcida colocavam Jimmy como o cérebro louco e maligno que tinha feito dessa cidade um lugar pior. Para as duas agentes de saúde que deveriam cuidar das pessoas indiscriminadamente as pessoas retardadas faziam com que os que viviam perto a elas se tornassem loucos. Elas continuavam insistindo que Jimmy era uma pessoa agressiva que tomava muito do tempo de Gabriel e que não estava deixando ele trabalhar como deveria e tomar conta da cidade e proteger as pessoas. Os dois homens tentaram o mais difícil que poderiam para não argumentarem contra tudo o que elas estavam dizendo. Era obvio que elas não passavam de mentes perturbadas que trabalhavam muito e viviam pouco, se Jessica estivesse com eles certamente ela apresentaria seu punho as duas enfermeiras, mas como eles tinham um parente querido para cuidar eles não poderiam fazer as duas mulheres que poderiam ajuda-los caso algo aconteça com Danny odiá-los. Sendo assim os dois continuaram em silencio e descobriram que pelo menos elas tinham um motivo para acreditar em toda a besteira que estavam falando.

Não demorou muito para que a enfermeira loira assustadora como o inferno contasse a eles que elas o tinham visto na ala psiquiátrica do mesmo hospital.

-Ele parecia um cão enraivecido. Disse a enfermeira gordinha, ela ainda tinham alguma esperança em fazer Dean nota-la mais do que ele estava notando-a.

A outra enfermeira não tardou em concordar. Ela tinha retirado seus óculos de lentes grossas e parecia estar revivendo os momentos que tinham se passado cerca de minutos atras.

Sam não consegui deixar de pensar que ela parecia uma bruxa com o nariz grande e pontudo. Mesmo assim ele ouviu tudo o que ela tinha para dizer:

-Ele chegou aqui alguns minutos atras e tinha agredido uma medica que trabalhava no SFPD, o capitão parecia estressado e assustado. Eu não o culpo- ela parecia um pouco mais polida ao falar com um tom solene, mesmo assim seu preconceito para com Jimmy era evidente- ele precisou de todas as enfermeiras da ala para ser colocado na cama e ainda está assustando o inferno fora de algumas das minhas colegas... Sabe? A ultima enfermeira que o viu- sim, eles dois se lembravam muito bem da historia- morreu com a garganta cortada e foi colocada dentro da mala de um carro velho, claro que nem todas as enfermeiras pensam como a gente... algumas dizem que somos ridículas por tratar o pobre assim e que ele só está assustado- Sam levantou uma sobrancelha, ele ficaria feliz em conhecer essas outras mulheres- mas mesmo assim ninguém pode chegar muito perto dele pois ele está agressivo. O pobre do capitão é o único que tem que ficar sempre perto dele. Coitado nem ao menos comeu nada desde que chegou aqui.

Dean estava oficialmente ardendo de raiva. Tudo o que ele ouvia era mais ou menos o que ele ouviu de sua mulher alguns dias antes de ela se suicidar. O discurso preconceituoso de pessoas idiotas o deixava louco, realmente louco e ele não sabia se seria forte o suficiente para continuar pescando informações das enfermeiras sem falar algo que deixaria as duas em estado de choque, não que ele se importasse com seus sentimentos.

Ele era muito perto de fazer alguma besteira quando um medico pediatra passou por ele acompanhado de uma neurologista. Aquele não era o medico que os tinha atendido logo que entraram no hospital, mas Dean sabia que um clinico geral não tinha muito a fazer com o caso de seu filho. Ele estava grato pela ajuda especializada.

-Olá, sou o doutor Victor Knox e esta é Alex Kroger nossa melhor neurologista pediatra. Você deve ser o pai de Danny. Iremos assumir o caso no lugar de Lucas Hummel.

Ele não precisou nem ao menos perguntar o nome do pai de seu paciente, quase todos os médicos tinham visto como o cara tinha praticamente entrado com um impala dentro das dependências do hospital gritando para que ajudassem seu filho. Alem disso, os cabelos loiros e olhos verdes não deixavam mentir.

Dean olhou para os dois médicos e deixou que todo o seu ódio fosse substituído por amor paterno e preocupação para com Danny, ele poderia se vingar daquelas enfermeiras vadias em um outro momento ou até mesmo fazer isso em conjunto com Gabriel, brincalhão como sempre foi o policial não iria resistir a fazer algo desagradável para elas. Sim, estava decidido. Logo que seu filho pudesse ser transferido, ou recebesse alta, ele iria fazer uma visita a Jimmy e Gabriel e contar o que ele tinha ouvido para o irmão de sangue azul. Os dois teriam um bom tampo trolando com as enfermeiras hipócritas.

Ele não poderia imaginar que Sam estava pensando exatamente a mesma coisa.

Os dois seguiram esperançosos para dentro do quarto de hospital. Eles eram mais do que prontos para ouvir as reclamações dos médicos e ouvir coisas de pessoas que não sabiam nada de suas vidas e queriam que eles fossem mais responsáveis elevassem o menino para o medico de mês em mês. Não era como se eles iriam dizer que não tinham visitado nenhum medico ou dado atenção especial para o menino porque tinham uma serial killer que já tinha matado mais de seis pessoas nos últimos dois meses querendo beber seu sangue. Eles tinham que aturar as coisas da forma mais difícil.

Nenhum dos dois tinha ficado muito impressionado quando os médicos disseram em unissonismo que a única explicação para a convulsão de Danny era o estresse.

Infelizmente os dois médicos de aparência bonita queriam que o menino de oito anos permanecesse no hospital para mais testes.

Eles não estariam vendo Jimmy nem tao cedo.

***

Ele estava cozinhando. Definitivamente cozinhando as comidas complicadas que ele apenas fazia nas ocasiões especiais como nos aniversários ou em casamentos, seu sorriso batia nas orelhas e ele estava cantarolando alguma especie de musica religiosa que ela tinha certeza ser uma velha lembrança de sua infância. Definitivamente as coisas não seriam como ela imaginou, seriam mil vezes piores. Como ela poderia mentir para o professor de historia quando ele estava em seus raros acessos de felicidade plena?

Desde o momento em que tinha acordado Castiel tinha sido alegre. Sempre mantendo o sorriso no rosto e o brilho nos olhos cegos e leitosos o professor parecia estar tentando fazer algo que eles queriam há muito tempo e nunca conseguiram concluir. Ele tinha terminado de corrigir suas provas, tinha resolvido seu plano de aula para a terça-feira (ele não trabalhava naquele dia pois seus alunos queriam um dia de folga depois das provas) e tinha colocado musica na casa para ficar ainda mais animado. Quando Jessica entrou na cozinha a primeira coisa que a cumprimentou foi o cheiro doce de uma torta de maça e muitos cupkakes em cima da mesa.

Ao notar a presença da mulher Cas se virou para cumprimenta-la. Seu sorriso nunca deixou os lábios e ele parecia muito entretido em sua culinária.

Com uma colher de pau na mão ele disse a ela alegremente:

-Hey Jess, eu estava esperando você chegar- ele tinha começado a mexer seja lá o que estava no forno- sabe... eu acordei com a vontade de cozinhar comida árabe e doces para animar meus dois irmãos problema.

Comida árabe era a favorita de Jimmy. Ela tinha mais ou menos uma ideia de onde tudo ia dar e não estava gostando nem um pouco. Ela não queria mentir para seu amigo e a felicidade dele estava fazendo tudo pior.

Ela se apoiou no balção para poder falar. Sua voz não tinha nenhum traço de desespero:

-Hum... é? O que te deu para fazer esse tipo de coisa?

Castiel sorriu. Ele sabia que era um pouco raro ela fazer comidas estranhas só para agradar alguém e sabia que tinha sido um longo tempo desde que tinha feito isso, era claro que a mulher estaria interessada.

Ele parou de mexer e virou para encara-la. Mesmo que não podia ver tinha aprendido a virar-se para que as pessoas possam vê-lo enquanto conversam:

-Meio que foi o raiar do dia- ele disse poético e depois deu uma gargalhada- na verdade na verdade eu meio que passei a noite inteira pensando nisso. Nos estávamos tao densos com tudo o que está acontecendo que se esquecemos de Jimmy...- Jessica sabia que a parte que iria mata-la por dentro estava por vir, as coisas que Cas faz nunca tem uma única camada- esquecemos que ele precisa de nosso carinho e atenção e que ele foi o único que realmente passou por algo louco nesses meses. Ai eu resolvi tirar o dia inteiro para ficar aqui com ele lembrando-lhe que tem um irmão em quem possa confiar. Ele reagiu mal a toda a coisa com Ruby e o segredo de Miguel e provavelmente pensa que as pessoas acham que ele é um dedo duro- Oh, sim. Definitivamente ela deveria ter prestado mais atenção a ele, Jimmy era o único homem que poderia pensar que só porque algo não estava bem seus atos tem algo a ver com isso- por causa dos acontecimentos recentes eu e Gabriel temos andado um pouco distantes e eu acho que ele precisa ter-nos como apoio. Assim que eu terminar aqui vou acorda-lo, eu planejo passar o dia com seus mimos.

O coração dela tinha batido muito forte durante quase todo o discurso de Castiel, mas quando chegou a ultima parte ela simplesmente não poderia mais aguentar. Seu amigo diante de si era uma pessoa boa, incrivelmente boa, que achava que tinha algo para se desculpar com seu irmão gêmeo. Conhecendo-o como conhecia ela certamente poderia acreditar que o professor tinha passado a noite, ou o mês, inteiro pensando em como dizer a Jimmy que se achava um irmão ausente e em como trabalhar para mante-lo feliz agora que as coisas tinham tomado um rumo completamente complexo. Ela não poderia simplesmente chegar para ele e dizer que Jimmy estava atualmente na ala psiquiatria do hospital geral porque tinha atacado Ellen Harvelle depois de ter visto seu melhor amigo morto com um tiro na cabeça.

Ela ia ter mesmo que mentir.

Cas continuava tagarelando sobre o tipo de comida que estava planejando para fazer no jantar e pediu sua ajuda para leva-lo ao supermercado. Ele ainda estava muito longe de terminar o prato que estava fazendo mas eram oito horas da manha e ambos sabiam que Jimmy nunca acordava depois desse horário. Ela teria que usar o plano de Gabriel e desperdiçar toda a comida gostosa que o historiador estava fazendo.

-Cas- ela reuniu sua voz mais brincalhona possível e continuou como se fosse capaz de acreditar fielmente no que estava dizendo- Gabriel me ligou mais cedo e me disse que ele iria sair com Jimmy hoje para um daqueles passeios dele.

Ela esperava ardentemente que ele comprasse o que tinha acabado de dizer. Quando o professor girou em seus calcanhares e quase fitou os olhos nos dela com uma expressão completamente perdida ela pensou que era seu fim e que ele tinha descoberto tudo, mas quando o homem resolveu falar com sua voz mais macia ela relaxou completamente:

-Oh, eu acho que Gabe teve a ideia antes de mim então. Vai ser bom para eles, Jimmy meio que estava sentindo falta de passar uns tempos com o big brother.

Era oficial. Ela tinha mentido para uma das pessoas que mais se importava em toda a sua vida.

Pelo menos ela não corria o risco de ver Castiel tendo um ataque de panico depois de saber que na verdade seu irmão estava tendo um treco devido ao estresse pós traumático.

-Hey Cas- ela tinha de falar alguma coisa para salvar pelo menos a comida- nos podemos comer isso no jantar?

O homem cego riu com carinho e continuou a fazer o mussafá que estava fazendo. Em sua mente nenhum perigo estava por perto.

Era melhor assim.

Nada o impediu de pensar que seria melhor ainda se ele estivesse nesse passeio divertido que Gabriel tinha planejado. Ele definitivamente poderia usar alguma coisa para se divertir alem de Dean Winchester.

***

Eles finalmente tinham feito isso. Tinha sido o pedido mais difícil que ele fez a alguém, mas como era-se de esperar seu filho era definitivamente um guerreiro. O menino não se importou em momento nenhum com o fato de ter de ficar sozinho dentro da sala de hospital até que Jo e sua irma chegassem, ele era uma pessoa corajosa e alem do mais era por uma causa nobre: seu pai e seu tio iriam visitar seu tio Jimmy. Danny era mais do que feliz em deixa-los ir para que assim que voltassem ele pudesse ter noticias de como ele estava fazendo.

Foi assim que Sam e Dean não tiveram nenhum remorso em deixar o menino sozinho por cerca de uma hora ou assim. Daniel sabia que botão apertar caso esteja se sentindo mal e o celular estava bem a seu lado para ligar para seu pai caso algo não esteja certo com ele.

Logo que saíram da ala pediátrica os dois entraram no quarto 201 da ala psiquiatria.

Gabriel parecia bastante feliz em vê-los. O pobre tinha uma cara de quem não tinha comido mais do que um pedaço de pão no cafe-da-manha. Assim que ele os viu os olhos de mabar se iluminaram e ele se levantou para cumprimenta-los deixando suas presenças serem reconhecidas por Jimmy.

Sam franziu a testa quando viu o pintor abatido. Ele tinha descoberto, por causa das enfermeiras, o que tinha acontecido a ele mas ainda era uma visão um pouco brusca. Aquilo tudo lembrava-lhe do dia em que eles foram a fabrica de macarrão abandonada resgata-lo, ele tinha os mesmos olhos escuros e o semblante arrasado. James parecia ter voltado de outro cativeiro.

Dean não teve muito tempo para pensar nisso ou naquilo. Ele simplesmente entrou dentro do quarto e abraçou seu então cunhado- agora não era mais estranhos chamar ele assim- ele deixou com que Jimmy colocasse sua cabeça em seu ombro e chorasse com o seu gesto amigo. Ele sabia que nenhuma palavra poderia valer mais do que aquilo. Eles eram dois homens que se conheciam e que compartilhavam a morte terrível de alguma pessoa importante, ambos sabiam que as palavras não tem nenhum significado nesse momento. Não demorou muito para que Sam o acompanhasse, em um piscar Jimmy enrolou seus braços em volta do pescoço dos dois e ficou assim com a cabeça entre os ombros deles por um longo período. Por ser uma grande menina Sam deixou suas mãos rastrearem os cabelos negros e cacheados do pintor e ele era grato por isso.

Vendo toda a cena a única coisa que Gabriel conseguia pensar era como diabos eles tinham se tornado tao importantes na vida dele e de seus irmãos em tao pouco tempo? Nem em mil anos ele poderia imaginar que uma família desconhecida que passaria a viver sob proteção policial poderia vir a se tornar parte de sua própria família. O capitao olhou mais uma vez para o caderno de desenhos de Jimmy e colocou-o na pagina mais atual onde seu irmãozinho tinha desenhado um grande e bonito cavalo negro, seu cavalo negro. Mais uma vez ele agradeceu a Dookins, se não fosse por aquela conversa no meio da noite ele jamais teria conhecido essas pessoas.

Ele poderia sentir o olhar de uma enfermeira perfurando-lhe o cranio. Ele poderia ver que ela estava muito intrigada em como um paciente que tinha entrado ali completamente inquieto e agressivo tinha sido capaz de abraçar dois desconhecidos de uma morma completamente dócil. Ele virou-se para ela:

-Finalmente você está vendo quem é o verdadeiro Jimmy.

Ela deu um aceno de cabeça, seus cabelos negros e olhos roxos eram um destaque a mais para sua beleza composta por pele clara e traços redondos. Sem emitir nenhum outro som ela deixou que seu paciente tivesse privacidade. Certamente aquilo poeria indicar que mais cedo ou mais tarde ele teria alta.

Era um pouco triste deixar de ver o capitão de policia a cada cinco minutos, mas ela era feliz por ele estar feliz com o progresso apresentado por seu irmão. Ela era humana demais para não querer que ele melhore, tinha acompanhado todas as noticias sobre ele e era uma das pessoas que torciam para que ele fosse encontrado.

Voltando para seu posto ela resolveu ligar para o psiquiatra.

Seu sorriso nunca deixou seu rosto.

Dentro da sala Jimmy tinha largado os Winchesters e tinha voltado a desenhar em seu caderno. Ele parecia muito mais relaxado com a visita deles e Gabriel não tardou em agradece-los.

Cerca de três minutos se passaram em um silencio confortável cujo único barulho era os monitores cardíacos ligados ao pintor. Os dois visitantes tinham se sentado confortavelmente em uma das poltronas que tinha espaço para dois lugares e ficaram ali olhando as noticias do jornal.

O silencio foi quebrado unicamente por um Gabriel muito concentrado. Ele não conseguia olhar para Sam e não ver uma oportunidade de manter a ordem em sua casa:

-Ei Samantha- ele falou em tom jovial, ele esperava que agora que Dean estava lá Jimmy o deixaria sair para tomar um café ou algo assim- você se importa de me acompanhar até a lanchonete?

Sam se levantou e os dois olharam para Jimmy antes de deixar a sala. Vendo que o pintor não tinha nenhuma objeção eles deixaram. Gabriel ainda consegui fazer um gesto que dizia ao engenheiro que se el fizesse algo ao pintor ele estava muito morto. Dean respondeu com o dedo do meio.

Jimmy sorriu o tempo todo. Eles estavam muito aliviados.

Por um momento os dois que tinham sido deixados dentro da sala não sabiam o que fazer.

-Então, você está me pedindo para ajudar Jessica a mentir para Cas?

De alguma certa forma o advogado era um pouco divertido com tudo isso. Ele não conseguia ver sua namorada mentir para alguém.

Os dois estavam sentados a mesa de uma padaria na frente do hospital. O policial comia uma torta alemã de uma forma assustadora- Sam poderia pensar que ele era o filho da fada dos doces- e mesmo assim o tom de toda a conversa tinha sido solene, ninguém nunca poderia dizer como Gabriel conseguia deslizar de assuntos com uma graciosidade como a que ele demonstrava, era como se ele nunca quisesse que as pessoas sentissem que ele estava vulnerável ou com medo. Infelizmente Sam poderia dizer que ele estava com medo, ele já tinha atendido muitos clientes como Gabriel para saber onde procurar. Sob as bordas dos olhos castanhos uma pitada escura de medo era visível aos olhos de quem tinha experiencia era mais que claro que o homem baixinho não queria ver seu próprio irmão passar o resto de sua vida em uma ala psiquiatria.

O que Sam não poderia dizer era que tinha mais para isso do que os olhos podiam ver.

Gabriel deu uma garfada em sua torta e começou a comer cmo se fosse a melhor coisa do mundo. Ele parecia completamente descontraído mas não poderia mentir para si mesmo, as coisas estavam indo cada dia pior.

Ele descansou o garfo depois de mastigar:

-O negocio é o seguinte- ele acenou para a garçonete trazer a conta- Jess não vai resistir aos encantos naturais de Cas por muito tempo, logo logo sua consciência vai trazer o melhor dela e ela vai abrir o jogo todo para ele. Eu não posso arriscar isso.

Sam estava entendendo onde ele queria chegar, mas ainda tinha algumas duvidas:

-Eu sei que Jess não é a melhor para guardar segredos mais por que eu? Dean pode fazer isso também. Ele sabia que Dean tinha um filho internado no mesmo hospital, mas ele queria tirar alguma coisa de policial.

Os olhos âmbar olharam para os de Sam com uma intensidade quase assassina. Eles não tinham raiva, mas eram muito fortes e profundos como se toda a alma de Gabriel estivesse ali. Agora o advogado sabia onde Jimmy tinha aprendido o olhar demolidor.

A garçonete chegou e recolheu o dinheiro. Gabriel voltou a falar logo depois:

-Você realmente acredita que Dean Winchester pode mentir para Cas?

Sam se lembrou de como seu irmão mais velho era antes de ter os gêmeos, de como ele nunca tinha gostado de se abrir com as pessoas e dos “momentos de mulher” que ele sempre evitou. Definitivamente Dean tinha mudado da água para o vinho, agora ele era uma pessoa muito mais aberta que realmente conseguia falar sobre seus sentimentos, mesmo que algumas coisas ainda fosse tabu para ele. Sam poderia dizer que muito tinha sido por causa de Danny e Lisa, mas ele jamais era capaz de negar que a maior parte de toda a mudança era graças a Castiel. O cara tinha conseguido amolecer a cabeça dura de seu irmão ainda mais do que os meninos tinham conseguido.

Sam simplesmente acenou com a cabeça. Era impossivel ver seu irmão mentir para Cas.

Gabriel deu uma risada gostosa. Pelo menos era bom saber que um dos seus gêmeos tinha se dado bem com tudo o que tinha acontecido nos últimos quatro meses. Era bom saber que justamente Castiel, aquele que tinha se colocado no lugar da mae que deveria ajudar todos os outros a serem felizes tinha conseguido um verdadeiro alguém a quem compartilhar o amor.

Ele era grato por isso. Mesmo Dean sendo um homem.

Os dois se levantaram e antes de agradecer ao homem ridiculamente alto Gabriel colocou a mão em seu ombro fazendo com que o outro lhe desse atenção. Ele pigarrou antes de falar:

-Hum...hum... tem mais uma coisinha que eu quero que você faça.

O capitão entregou ao advogado um pequeno pedaço de papel. Quando Sam desembrulhou e leu o que estava escrito ele praticamente gemeu com a quantidade de coisa que ele tinha que trazer para o hospital o mais rápido que pudesse.

Para ele era impossível que Jimmy iria precisar de todas aquelas coisas.

Gabriel tinha uma cara de quem parecia estar se divertindo muito com o olhar de Sam, o garoto definitivamente não tinha criado os filhos de Dean, pois se tivesse poderia saber como uma criança poderia precisar de coisas. Seu Jim não era nenhuma exceção.

Seu sorriso era parecido com o do gato xadrez(33).

Sam não tinha a minima ideia de como diabos ia voltar com tudo aquilo a tira colo. Castiel poderia ouvir qualquer barulho de qualquer lugar de sua casa e saber o que a pessoa estava fazendo, que gavetas estava abrindo e em que quarto estava. Ele teria de ser bastante discreto para não por todo o plano a perder.

Nenhum deles queria ver o pobre tendo um ataque de panico. Certamente se ele descobrisse Dean em uma ala psiquiatria de um hospital ele poderia ser capaz de qualquer coisa. Ele poderia entender os sentimentos de homem cego.

Os dois voltaram para o hospital.

Dean via Jimmy desenhar e ficava impressionado. O homem que tinha sido diagnosticado com retardo mental e tinha uma inteligencia inferior a seis anos de idade era definitivamente um gênio com um lápis e papel. Seus desenhos pareciam pessoas reais e parecia querer se mexer. O homem de olhos azuis tao intensos que lhe lembrava muito seu namorado era bastante concentrado em tudo o que estava fazendo e não tinha levantado os olhos do caderno de desenhos nem por um minuto.

O engenheiro poderia ver que ele estava desenhando Adam. Por um minuto sua garganta tinha entalado e ele não sabia o que dizer.

P desenho era simplesmente perfeito. Ali estava representado o mendigo exatamente igual a como ele era, o jovem tinha em sua mão esquerda o quadro que ele tanto se orgulhava em ter embrulhado no velho lençol de sempre e com a outra mão ele segurava uma velha bolsa de couro que parecia ser mais antiga do que cuspe. Aquilo era novo para Dean.

Jimmy começou a pegar os lápis de cor e apenas coloriu a velha bolsa com um marrom desgastado. Ele definitivamente sabia o que fazer para que os lápis de cor normais se assemelhassem a verdadeira cor das coisas. Ele não fez nenhum movimento para pintar o resto do desenho e aquilo deixou Dean curioso.

Ele ainda era um pouco tímido para falar. Tinha um pouco de medo de que sua voz iria perturbar o controle que Jimmy tinha criado para si.

Ele passou a mão pela garganta quando fez sua mente;

-Ei Jimmy, por que você só está pintando essa bolsa velha? Tem outras cores dentro da caixa vê?

Ele odiava ser tao obvio, mas aparentemente Jimmy não tinha interpretado sua fala como algo pejorativo. O homem simplesmente encarou-o com seus olhos azuis e deixou que algumas lagrimas passassem para seu rosto. Ele não estava chorando, estava apenas emocionado.

Jimmy estendeu o desenho para Dean, era como se ele não pudesse mais olhar para a figura de Adam. Certamente era doloroso.

-Dei a bolsa pá ele.

A conversa não estava indo a lugar nenhum. Tecnicamente Jimmy não deveria estar assim por causa de uma bolsa velha como amorte que ele tinha dado para Adam. Dean sabia que eles não tinham encontrado bolsas nenhum junto ao corpo do garoto e pensou que Jimmy poderia estar triste por saber que o mendigo tinha sido roubado no dia de sua morte, depois ele pensou que tudo era muito complexo para a cabecinha do pintor entender e que deveria ser outra coisa o motivo dos olhos cheios de água. ´pelo tempo que o engenheiro tinha conhecido Jimmy ele poderia saber que os gêmeos eram muito parecidos em suas acoes, nenhum deles fazia as coisas em uma só camada.

A suba criatividade fez os olhos verdes crescerem em largura. Ele tinha uma ideia e se estivesse certo muitas coisas seriam explicadas:

-Jimmy- sua voz era macia como veludo e baixa como a garoa, ele não queria assustar seu cunhado- o que tem dentro dessa bolsa?

O pintor que ainda tinha os olhos negros e inchados mas as iris azuis como o céu olhou para ele por um período quase interminável, ele parecia feliz por alguém finalmente ter lhe feito essa pergunta e melancólico ao mesmo tempo. Era como se ele tivesse medo de responder, medo de que Ruby aparecesse por detrás da porta e o levasse de novo para a tortura. O pintor era muito forte e não desviou os olhos de Dean nem sequer por um minuto quando começou a falar:

-A maça, mas ela- ele não conseguia dize ro nome da mulher que tinha matado tantas pessoas a quem amava- não tá com ela.

Dean engasgou com a realização. A fruta da eterna sabedoria realmente existia! Era impossível negar o que Jimmy estava dizendo, ele não conseguia entender o conceito da mentira e não poderia sequer imaginar uma historia bem bolada como aquela apenas para se divertir com os trouxas. As coisas estava indo em um caminho muito maluco para ele.

Uma outra pergunta não parava de martelar na cabeça do engenheiro; Se a fruta da sabedoria realmente existia e estava primeiramente com Miguel que tinha passado para Jimmy e que tinha por sua vez passado para Adam Milligan que tinha sido morto por Ruby justamente porque a mulher não conseguia comer maças normais... mas que ela não tinha sido encontrada ainda onde diabos estava essa fruta?

O homem de olhos azuis estava muito perto de dizer alguma coisa quando percebeu que o único que poderia responder a todas as suas perguntas estava dormindo agora. Dean sorriu para a imagem se Jimmy dormindo, parecia para ele um dos quadros de anjos que estavam nos museus de roma. Ele retirou o lápis de cor das mãos do seu cunhado e o cobriu até o queixo.

Ele sussurrou mais para si mesmo quando voltou a se sentar na cadeira ao lado da cama:

-Eh Jimmy, a sua vida deve ser uma loucura.

Ele ficou ali por uns dez minutos apenas observando o subir e descer do peito de seu cunhado, era uma coisa agradável saber que ele estava bem. Dean tinha toda a fé do mundo e sabia que se tinha uma pessoa que não deveria sofre mais dentre todos eles era o homem deitado em sua frente. Ele voltou a ver os desenho do caderno que estava em seu colo e se surpreendeu quando em uma das paginas estavam dois desenhos bem pintados que ele jamais se esqueceria. As figuras dele próprio e Sam tinham em cada uma das mãos uma espada e estavam vestidos como se eles fossem príncipes ou guerreiros de algum conto de fadas. Era engraçado ver como o cara tinha se apegado a eles.

Em cima dos dois era em letras gosseias, feias mas infantis e ainda legíveis a palavra “Caça” escrita de uma forma solene. Dean sorriu com isso. Ele poderia interpretar aquilo como toda a situação em que eles tinham se metido, tudo o que tinha acontecido a eles nos últimos quatro meses e tudo o que ainda estava apara acontecer. Pela primeira vez Dean se viu como o protagonista de uma historia, uma historia que ele faria o possível para dar um final feliz e fazer juz a forma que Jimmy o desenhou.

O jogo tinha começado, mas a temporada de caça as bruxas estava aberta. Ele iria trazer a cabeça da filha da puta em uma bandeja e a faria pensar muito sobre todas as mortes que tinha cometido. Ela não tinha encontrado a maça- na verdade ele nunca poderia saber como- e eles ainda tinham muito para jogar. Estava mais do que na hora de o jogo virar um pouco para o lado deles.

-Sim, nos temos uma vida muito louca não é?

Ele tinha um sorriso no rosto e uma vontade de ganhar esse jogo e de trazer um final feliz a essa historia.

Se eles tivessem em uma outra cidade da Califórnia poderia pelo menos ter escultado os gritos de frustração de Ruby Evans ao descobrir que a maça que tinha pego dentro da bolsa do mendigo que tinha matado não era a verdadeira. A fruta da eterna sabedoria nunca poderia ser cortada com uma faca de cozinha.

Ela estava frustrada e queria se vinga.

O objeto não tinha sido encontrado. Ainda.

Ela queria vingança e ainda tinha muito tempo para conseguir tudo o que queria.

A mulher de cabelos loiros comeu a maça com um gosto amargo na boca. Sinceramente ela deveria ter verificado se a fruta era verdadeira muito mais cedo.

Pelo menos ela não teve que pagar para comer.

Quem pagaria seriam os idiotas que a tinham feito de besta.

Ah, sim. Eles pagariam.

Notas finais
Deixem comentários!!!!!!!
Mandy