When You Have A Killer In Your Tail

15 Quando novos caminhos são mostrados


Notas iniciais
Demorou, mas chegou!
Aproveitem!!!!!!!!!!!!

Era uma aula de biologia particularmente chata e ela sabia que o tema do dia, ou a dissecação de sapos, não estava ajudando em nada. Era muito logico para a pequena menina de cabelos loiros que se seu irmão estivesse nessa aula ele não conseguiria fazer nem metade do que ela estava fazendo e aquilo tudo a estava estressando. Como ela queria sair dali, como ela queria ver seu irmão!

Para ela as segundas-feiras eram chatas, mas aquela em particular estava sendo realmente a pior segunda-feira de toda a sua vida. Danny estava no hospital e ninguém tinha nem ao menos se lembrado dela para dar um aviso. Sim, ela sabia que quando tudo aconteceu seu pai e os outros deveriam ter ficado completamente loucos, mas nada que um pouco de consideração não pudesse fazer. Ela tinha acordado em uma casa vazia sem nenhuma noticia das pessoas que moravam com ela e aquilo a assustou. O seu primeiro pensamento era que Ruby tinha encontrado todos eles e a deixado para sofrer o pior, ou seja, encontrar os corpos.

Ela sabia que uma menina de oito anos de idade como ela não deveria estar pensando em coisas como essas, ela provavelmente deveria ser como as garotas de sua classe e ficar apavorada com o fato de ter de abrir um sapo de verdade ou se perguntar qual é o melhor tipo de esmalte para usar na unha naquela semana. Infelizmente para ela a vida não era tao fútil, ela tinha um irmão com uma doença congênita que fazia com que metade dos idiotas dessa nova escola terminassem com um olho roxo de sua autoria, ela tinha um tio que era um pintor brilhante mais na verdade era como uma criança de cinco anos, ela tinha um pai gay e para coroar ela tinha uma assassina que queria as cabeças de todos eles em uma bandeia de prata. Lisa bufou com esse ultimo; ela jamais tinha gostado de Ruby e agora que ela sabia que ela queria continuar machucando seu tio Jimmy ela tinha entrado em um clima anti-Ruby não gostando nem ao menos de se lembrar que um dia já a tratara como sua tia.

Ainda eram onze horas e ela ainda tinha muito tempo de aula para gastar. Se pudesse Lisa arrancaria seus cabelos em total frustração, ela estava aqui enquanto seu irmãozinho estava em algum hospital sendo avaliado por médicos idiotas que provavelmente iriam chamar seu pai de irresponsável por ele não ter feito o chekup de Danny nesse anos. Sem, seu pai as vezes poderia ser um desleixado, mas certamente não era um irresponsável. Outra coisa que ela sabia era que ninguém poderia sair gritando para os médicos que nesse ultimo ano tinham sido perseguidos por uma assassina em serie.

Ela olhava para o sapo estupido em cima de sua mesa e cada vez mais queria estar lá para ver Danny. Ela ainda tinha muitas coisas para perguntar a ele e não tinha se esquecido de nenhum dos olhares estranhos que ele estava dando ultimamente. Certa como sempre foi Melissa Jane sabia que tanto seu tio Jimmy quando seu irmão estavam sabendo de coisas que mais ninguém estava.

O professor estava olhando para ela como se ela fosse alguma coisa fora desse mundo, era claro que o homem nunca tinha visto uma criança dissecar o sapo tao bem como ela estava fazendo e principalmente ele nunca tinha visto uma de suas alunas fazer isso enquanto estava com o olhar fixado no relógio da parede. O professor parecia uma mistura entre o maravilhado e o medo, mas ela não prestou atenção e continuou a fazer o que estava fazendo com uma única mão enquanto a outra retirava a cortina dourada de frente de seus olhos que ainda não estava apontados para o sapo. Os minutos estavam se rastejando.

Foi mais ou menos ai que ela escultou uma voz conhecida:

-Hey Lisa, sera que você pode fazer isso de uma forma menos obvia? Mr. Morrisson precisa pensar que ele nos ensina alguma coisa.

Lisa franziu a testa, ela sabia que voz era aquela mais nunca conseguia se lembrar como era que tinha ficado amiga de Vanessa Cook assim de repente.

Bem ao seu lado a garota de cabelos curtos estava olhado para ela um pouco menos impressionada do que o resto da sala. Sim, ela tinha ficado amiga da outra menina logo depois de todos os entes queridos terem feito uma viagem ao hospital geral- ela nunca saberia poque sempre era aquele mesmo hospital e nunca um outro, talvez o destino realmente era uma idiota- e aparentemente tinha contado como gostava de aprender sobre anatomia animal com seu vizinho medico quando morava na velha cidade do Kansas. Era por isso que Vanessa não estava impressionada, se os outros soubessem que ela já tinha aprendido a dissecar todos os tipos de animais pequenos e a fazer taxidermia em alguns animais grandes eles não iriam parar de ficar com medo dela. Melissa não queria que as pessoas pensassem que ela era estranha, ter metade da escola com medo dela por causa de seus murros era uma coisa, mas ter a outra metade da escola pensando que ela era um tipo de cientista louco era algo muito diferente. Por mais que ela gostasse de biologia nunca tinha se visto como uma cientista louca, ela era mais o tipo de pessoa que escreve do que as que salvam vidas.

Ela parou de mexer no sapo. Vanessa ainda estava olhando para ela e ela pode perceber como a menina não se parecia em nada com sua mãe. Aquilo era um alivio. Era certo que ela nunca poderia conviver em paz com uma pessoa que se parecesse com a mulher que tinha ajudado os maus a levar seu querido tio Jimmy.

O professor idiota de biologia tinha dado um suspiro. Ele poderia pensar que o que tinha visto foi apenas uma ilusão e que ele definitivamente deveria voltar a tomar seus remédios, era muito melhor do que pensar que uma garotinha de oito anos estava dissecando um sapo muito melhor do que ele sem olhar.

A sala voltou a sua normalidade, os outros alunos começaram a pergunta para Lisa o que deveriam fazer e ela estava respondendo suavemente a cada um deles. Com o canto do olho ela poderia ver o garoto de olhos castanhos que se recusava a falar com ela. Vanessa sorriu quando a viu olhando para Dylan, ela parecia saber algo que Lisa não sabia.

-Pare de se preocupar com Danny, ele está bem.

Era fácil falar, a cadela não sabia o que poderia dar errado em uma visita ao hospital.

Lisa suspirou. Era claro que ela nunca se lembraria o porque de ter feito amizade com a outra menina, mas ela poderia agradecer por pelo menos conseguir se abrir com ela. Vanessa era o tipo inteligente de pessoa que assim como ela sabia exatamente lidar com as palavras. O melhor de tudo era que ela também tinha ficado amiga de Danny.

Lisa estava cansada e precisava sair dali o mais rapidamente possível, ela queria colocar seus pensamentos em ordem. Sendo assim ela se desculpou com todos os colegas de turma que tinham enfrentado o medo para perguntar como se disseca um sapo e foi ao banheiro. Ela quase poderia jurar que ouviu alguém dizer “Até que ela não é o que eu pensava...” mesmo sem saber se era ou não uma criação de sua mente Lisa sorriu genuinamente com isso.

Não demorou muito para seu sorriso ser transformado em lagrimas.

Quando a menina loira de olhos verdes entrou no banheiro a primeira coisa que a atingiu foi um cheiro muito, mais muito estranho vindo de dentro de uma das cabines privadas. Lisa quase poderia vomitar ali mesmo, mas seu instinto de justiça a fez engolir tudo e bater com o punho na porta cor-de-rosa. Ela perguntou com uma voz pequena:

-Ei, você está bem ai?

Ela não conseguiu ouvir uma resposta apropriada e interpretou isso como um pedido para se afastar. Ela sabia que se a situação estivesse invertida ela não iria gostar de ver ninguém oferecendo ajuda enquanto ela vomitava as tripas para fora.

Girando em seus calcanhares ela voltou-se para a porta de saída do banheiro e estava prestes a voltar para dentro da sala de aula quando a pessoa de dentro da cabine desmaiou com um baque surdo. Imediatamente Lisa forçou a porta aberta de uma forma que tinha aprendido há muito tempo com seu pai.

Ela poderia se lembrar que seus olhos tinham se arregalado quando finalmente viu o que estava por trás da porta, se lembraria por toda a eternidade que seu coração tinha disparado como um cavalo vencedor, mas jamais poderia se lembrar do grito assustador que deu. Era como se seus sentidos tivessem sido desligados completamente e ela estivesse agindo puramente pelo medo.

O que seus olhos registraram assim que arrombou a porta aberta foi uma imagem que uma menina de oito anos jamais deveria ver nem mesmo em seus sonhos mais assustadores. Diante dos olhos verdes de Melissa Winchester uma menina dois anos mais velha que ela estava deitada dura no chão de ladrilhos verdes com a garganta completamente cortada e o sangue vermelho-carmim saindo e manchando tudo a sua volta.

Eram onze horas e vinte e nove minutos quando metade da escola primaria ouviu o grito de Lisa. Jo Harvelle tinha sido a primeira a chegar, mais a menina já estava morta e sua protegida estava em choque.

O que a policial se perguntava era como em nome de Deus aquilo tinha acontecido em seu relógio? Ela não poderia se esquecer de todas as patrulhas que tinha feito na escola naquele dia e não tinha visto ninguém suspeito entrando ali... Jo estava desesperada, hoje tinha sido aquela criança, mas amanha poderia ser um dos seus.

Medidas drásticas tinham de ser tomadas.

Ele estava com dor de cabeça. Os sinais de uma birra eram claramente reconhecíveis, desde que Gabriel tinha voltado da sua segunda ida a lanchonete Jimmy tinha estado completamente irritado, estava chorando compulsivamente de uma forma que um adulto de trinta e cinco anos de idade jamais deveria chorar, eram nesses momentos que Gabriel realmente considerava que os médicos todos poderiam estar errados e seu irmão realmente poderia ter dois anos de idade mental ao invés de cinco.

O pintor não estava chorando pela morte de seu amigo, Gabriel poderia saber disse pelo tom do choro, esse era um barulho mais estridente, mais irritável e principalmente mais manhoso que o deixava com vontade de mata-lo por causa da alta frequência que Jimmy era capaz de emitir. Como se o estresse não fosse o suficiente Sam e Dean tinham deixado eles sozinhos para que o irmão mais velho e intelectualmente adulto pudesse lidar com tudo sozinho. A única coisa que Gabriel conseguiu pensar era que os dois eram traidores.

Sua cabeça girava. Jimmy estava inquieto e parecia ter entrado em uma competição para ver se era capaz de imitar os sons de uma ambulância. O capitão- que agora rezava para voltar a seu trabalho- precisou respirar fundo, ele sabia como era terrível para o pintor ficar entediado em um canto sem poder sair ou desenhar, infelizmente todas as folhas do caderno de desenho tinham sido esgotadas, e sentou-se na cama de hospital deixando que seu irmão se aninhasse nele de uma forma que não colocasse pressão em suas escaras. Todo o tempo Gabriel rezava para que o conforto físico fosse o suficiente para manter Jimmy quieto, mas não demorou muito para ele perceber que as coisas não estariam a seu favor tao rápido. Jimmy se abraçou a ele apertado mais ainda continuava a chorar compulsivamente.

O policial chegou a pensar que não ia demorar muito tempo para que ele ficasse surdo.

Ele não conseguia achar uma posição adequada para instalar seu irmão, Jimmy estava muito inquieto para parar de uma vez e tentar dormir, seus olhos estavam completamente vermelhos assim como seu rosto, sua voz era quase rouca e ele chorava com a competência de um recém-nascido. Tinham se passado dois minutos e o pintor acabou por se instalar em seu colo.

-Hey, qual é o problema? Ele perguntou em sua voz mais leve tentando manter o contato visual com os olhos azuis chorosos.

Mesmo com a maior dor de cabeça da historia Gabriel não poderia ignorar seus instintos. Ele era, por exercia, uma alma preocupada e quando as coisa começavam a bater perto de sua família ele era como uma mãe ursa que defende cada um dos filhotes com garras e dentes.

O pintor tinha ranho por todos o rosto e se recusou a responder enterrando a cabeça em seu ombro e se reinstalando em uma posição mais confortável de bruços. O chefe da policia suspirou exasperado. Era logico que as coisas não poderiam ser fáceis para ele.

Jimmy ainda estava berrando e ele resolveu ir por outro caminho. O mais delicadamente possível Gabriel pós a mão esquerda nas calças de malha que seu irmão do meio estava usando e com um movimento que era parte de seu cotidiano levantou-a e deixou a mostra o tecido por debaixo dela, logo em seguida ele deu um pequeno puxão delicado na fralda para ver se era esse o problema. Não havia nada ali alem da bunda de Jimmy Novak. Ele estava completamente seco. Durante todo o processo Jimmy não parecia nem um pouco constrangido e Gabriel deu seu segundo suspiro dessa vez um pouco mais longo do que o primeiro. Era logico que não era isso o problema, o dono dos olhos azuis não se incomodava com fraldas cheias, na verdade ele nunca poderia dizer quando elas estavam cheias exceto nos dias particularmente quentes onde o conteúdo iria esquentar na bunda e deixa-lo completamente desconfortável.

O homem de cabelos castanhos estava prestes a teorizar uma outra solução quando uma enfermeira de nariz grande veio até ele com uma postura arrogante e lhe disse:

-Desculpe pela demora senhor Novak. Estou aplicando o sedativo nesse exato minuto.

Gabriel continuava segurando Jimmy perto dele e não pode deixar de sentir o estremecimento do outro homem. Jimmy era uma pessoa muito simples que definitivamente detestava remédios ou coisas desse tipo, para ele os remédios o deixavam estranho- na verdade ele tinha uma sensibilidade absurda a maioria dos remédios assim como o outro gêmeo- ou muito fora de si, para Gabriel não fazia muita diferença ter um Jimmy drogado ou um Jimmy birrento, mas ele sabia que o organismo do pintor não aguentaria mais um sedativo, todos os medicamentos que foram usados nele naquele dia não eram os mais leves que o mercado tinha disponível e o policial começou a ter medo de que todo aquele berreiro era nada mais nada menos do que uma reação aos medicamentos. Alem disso; a forma como a enfermeira entrou no quarto o tinha deixado louco, a mulher não teve nenhum pingo de humanidade ao falar com ele e parecia ser uma daquelas que tinha xingado-os na frente de Sam e Dean.

O responsável pela divisão de homicídios simplesmente deu a mulher um olhar assassino e ela saiu da sala voando mais antes resmungou algo mal-educadamente que saiu aos ouvidos do policial como uma afronta.

Ele pediu para que ela fechasse a porta, isso certamente resolveria o dilema que a mulher tinha tao terrivelmente pontuado. Se ela estava louca por silencio na ala psiquiatria- uma coisa que realmente é complicada de se ver na mesma frase- ela deveria fechar a porta de todos os pacientes colocar rolhas nas orelhas.

A enfermeira de nariz pontudo parecia chocada com o tratamento.

Jimmy continuava chorando.

Gabriel acariciou seus cabelos e cada vez mais se lembrou de uma situação muito parecida que tinha acontecido cerca de oito meses atras...

FLASHBACK

O dia tinha tudo para ser um dia simples, o começo de ótimas férias em família, o caminho para Santa Barbara era um longa estrada mas eles chegariam em pelo menos duas horas e meia e finalmente poderia desfrutar o inicio do verão.

Gabriel estava dirigindo seu fiesta sedan prata com Cas sentado a seu lado e Jimmy dormindo tranquilamente no banco de trás. Jessica tinha ficado de fora alegando que passaria as férias na casa de uma amiga e viajou para Nova York no dia anterior. Gabriel apenas tinha uma semana para si mesmo e não tinha se oposto a deixar a mulher livre, ela tinha trabalhado muito nos últimos anos.

Não tinha demorado muito para que o passeio perfeito se transformasse em uma dor de cabeça. Um carro que estava muito na frente deles tinha capotado, batido em outro e criado um verdadeiro acidente digno de um filme.

-Hey, por que paramos? O primeiro a acordar tinha sido o professor de historia que tinha o sono muito leve.

-Acho que foi uma batida.

Os dois tinham ficado em silencio. Ambos sabiam que era melhor esperar por informações do que ficar especulando o que tinha ocorrido. Jimmy tinha despertado de seu sono cerca de doze minutos depois e não tinha gostado nem um pouco de ficar preso dentro de um carro naquele calor. Ele tinha começado a se agitar e os dois poderiam ver os sinais claros de uma birra.

Castiel tentou passar para o banco de trás para acalmar seu irmão mais Jimmy não estava comprando nada daquilo, ele não queria conforto ele queria sair de dentro do carro. Seus gritos começaram a ficar cada vez mais altos e nenhum deles estava a fim de entrar em uma discussão pedagógica. Beliscar, bater ou gritar com Jimmy não era o estilo de nenhum deles. Eles o acalmariam com gestos doces e abraços, se ele não quisesse eles teriam paciência para ele mais nunca usariam a força para cala-lo.

Gabriel tentou abrir as janelas para entrar ar e ver se isso acalmaria a todos eles. Definitivamente seu ar condicionado não poderia ter quebrado na melhor hora.

-É o calor. Disse Castiel em uma voz contemplativa. Gabriel pode perguntar o que ele estava falando por telepatia, Cas tinha certeza de que o que estava dizendo tinha chegado aos ouvidos do mais velho- Posso sentir o cheiro daqui.

O capitão entendeu imediatamente. Eles tinham de dar um jeito de sair dali, Jimmy não poderia ficar com aquela fralda por muito mais tempo.

Foi nesse momento que uma xerife passou perto da janela dele. Gabriel não queria ser reconhecido como policial, não ali e não em suas férias, de qualquer maneira ele estava fora de sua jurisdição.

-O que houve xerife?

A mulher olhou em seus olhos e disse com tom solene:

-Um carro capotou e explodiu batendo em mais outros dois carros. Estamos tentando retirar os sobreviventes e assim que puder o transito voltará ao normal.

Demorou cerca de duas horas até que a mesma Xerife passasse pela segunda vez no carro deles. Ela tinha alertado todas as pessoas na estrada. Por essa altura os ouvidos de Castiel estavam zumbindo e Gabriel pensou que Jimmy morreria de exaustação. O pintor chorava copiosamente.

-Xerife- começou o anonimo capitão de policia, ele não queria tirar seu distintivo e forçar uma ordem, não agora onde provavelmente muitas outras pessoas queriam o mesmo que ele- Será que poderíamos passar por algum outro lugar? Ele não pode ficar mais aqui.

-A passagem de emergência é para casos extremos e crianças. Disse ela em um tom formal.

-Isso é uma emergência. Disse Cas cansado.

A mulher olhou para Jimmy pelo que parecia ser a primeira vez e pode perceber que ele não era a pessoa mais normal que ela já tinha visto na vida.

Foi assim que Gabriel explicou através do barulho estridente que seu irmão tinha deficiência intelectual, que ele era como um bebe e que não poderia ficar mais ali. Tudo o que a mulher consegui dizer foi que precisava de autorização de seus superiores nesse caso.

Gabriel estava cansado de toda a burocracia. Ele sempre tinha ensinado seus subordinados a serem pacientes com esses tipos extra de casos e fazerem exceções, mas a mulher não era de sua equipe... ele colocou as mãos em seu cabelo e usou o tom mais leve que pode reunir;

-Com todo o respeito senhora, ele está em um fralda suja e se não for trocado poderá ter uma assadura ou uma erupção cutânea que são bastante perigosas para a saúde e um potencial destrutivo para nossas férias.

A mulher suspirou e foi buscar seu superior.

Jimmy tinha abaixado seu tom mais os outros pensavam que era mais pelo cansaço do que por qualquer outra coisa. Ele ainda era extremamente inquieto no banco de trás e agora tinha se abraçado a uma das almofadas que estava no bando.

O superior chegou a eles uma hora e quarenta minutos depois. Certamente estava muito ocupado. Tudo o que ele fez foi olhar para Jimmy e perceber que pessoas assim realmente existem. Ele os deixou passar sem ao menos reconhecer Gabriel.

Eles chegaram em Santa Barbara por uma via improvisada e desfrutaram do resto de suas férias. Gabriel prometeu naquela noite que não deixaria Jimmy chegar ao estado em que estava por causa da incompetência de alguns e começou a fazer um programa de conscientização no departamento.

Foi quando ele voltou ao trabalho que o chefe de policia de Santa Barbara mandou-lhe um postal pedindo desculpas pelo inconveniente. Alguém o tinha reconhecido.

FIM DO FLASHBACK

Ele voltou para a realidade quando sentiu Jimmy mudar de posição mais uma vez. O timbre de seus gritos agora eram mais alarmantes e tinham um som mais estranho, como se não fossem mais por causa do tédio e sim por causa de algo mais...

-Gabby, ligua telly. Jimmy estremecia em cada silaba.

O celular do capitão ausente começou a tocar e ele reconheceu a voz de Chuck pedindo-lhe desesperadamente para ligar a TV em qualquer canal que desejasse.

Gabriel ligou a televisão. Aquilo estava muito estranho para seu gosto.

A noticia encheu seus ouvidos com horror.

Sam estava tremendo da cabeça aos pés. O noticiário de emergência que estava passando diante de seus olhos em todos os canais da TV aberta era uma coisa impressionante. Como a mídia tinha descoberto sobre o que aconteceu na escola de sua sobrinha tao rápido ele jamais saberia, em compensação, ele poderia dizer que aquilo tinha chamado muita atenção das outras cidades americanas. Uma escola primaria pegando fogo era uma coisa, mas uma aluna de quarta serie ser assassinada dentro da escola- principalmente nas condições que ela foi morta- tinha entrado de vez no tópico de segurança nacional, principalmente porque Ruby, tinha de ser ela, deixou uma carta na mão do cadáver da menina que dizia que aquela não seria a única escola a ter um aluno com a garganta cortada.

Era claro que os jornalistas não iriam mostrar todo o conteúdo da carta ou mais detalhes sobre o caso, mesmo assim tudo ainda era bastante macabro. Saber que foi justamente a sua sobrinha que achou a menina assassinada não estava em seus planos. Enquanto o jovem advogado via a diretora da escola assegurar aos pais que estaria ela mesma contratando segurança a mais para suas crianças Sam poderia ver Jessica transportando um muito chocado Castiel para o sofá. Ele não precisava de um olhar mais atento para saber que o professor estava com um copo de água com assucar na mão.

Castiel dizia para ninguém em particular que as coisas estavam cada vez piores e ficava impressionado com o fato de que Dessa vez Ruby matou uma criança. Nem Sam nem Jessica se atreviam a lembrar que aquela não tinha sido a primeira criança a ser morta pela assassina.

Os dois namorados se entreolharam. As coisas estavam indo para uma mudança drástica. Era logico que Cas ia querer acompanha-los até o hospital geral- eles tinham recebido uma ligação dizendo que a enfermeira da escola tinha levado Lisa para lá- para ver como Lisa estava com tudo isso e aproveitar para consolar, ou ajudar no que puder, Dean e Danny. Eles sabiam que Cas jamais ficaria em casa enquanto seu namorado e seus enteados estavam em uma situação como aquela e nenhum deles poderia força-lo a ficar de braços cruzados, o pior de tudo era que se ele entrasse no hospital ele certamente descobriria sobre Jimmy. Sam pensava que a essa altura as coisas não poderia piorar mais, ele tinha de mentir para um grande amigo e dizer que tudo estava bem, mas agora as coisas tinham ido para uma piora impressionante nos fatos.

Castiel bebia a sua água como se fosse uma tabula de salvação. O tempo todo ele tinha as mãos presas no braço de Jess e não estava largando-o assim tao fácil. A noticia tinha chegado como uma bomba aos seus ouvidos e ele não conseguiu de pensar em como a adversaria era extremista, aquilo estava muito próximo de um dos combates históricos que ele tanto tinha estudado. Tudo o que ele queria era que isso terminasse logo.

Um único pensamento passou para sua boca:

-Ainda bem que Jimmy não está vendo isso.

Mais uma vez Jessica e Sam se entreolharam. Eles não tinham muita certeza. Jessica por sua vez era quase certa de que a essa altura Jimmy já deveria ter previsto a sequencia de acontecimentos ou até mesmo ter sintonizado com a angustia de Lisa. Ela sabia que ele poderia fazer isso.

O jovem advogado de olhos castanhos sentou-se ao lado de seu cunhado e segurou seu ombro de uma maneira reconfortante. Ele precisou tomar algumas respirações calmantes para se concentrar no que estaria dizendo. Todo o tempo ele rezava para que alguma divindade deixasse ele fora dessa tarefa.

Aparentemente alguém de lá de cima gostava muito dele, pois antes que Sam pudesse começara a dizer alguma coisa o celular de Cas começou a tocar. Todos poderiam reconhecer a musica era uma musica cantada por uma professora de historia que decidiu virar cantora (n?) e era o toque para Gabriel.

Sam suspirou aliviado, pelo menos ele não poderia dizer que tinha mentido por muito tempo quando Cas tivesse mais calmo e resolvesse brigar com eles dois por terem omitido o simples fato de que seu gêmeo estava na ala psiquiatria de um hospital por ter quase matado uma velha amiga da família.

-Gabe?

O silencio reinou por cerca de vinte e cinco minutos na sala do apartamento 1A da Pine Street. O casal de namorados pode ver claramente a cor de Castiel indo embora conforme os minutos iam se passando e eles chegaram a pensar que Cas ia desmaiar.

A surpresa nos olhos dos dois era enorme quando viram Cas ficar completamente puto da vida com tudo o que ouvia. Por serem usados para ver um Cas frágil e assustado os dois se esqueceram o potencial explosivo que ele tinha, em um minuto- provavelmente depois que Gabriel explicou tudo a ele- o professor estava completamente vermelho de raiva e ele gritava aos quatro ventos mil palavrões para xingar seu irmão. Muitos dos palavro que o professor estava jogando para fora de sua boca certamente tinham sido aprendidos da convivência dom Dean.

-Como porra você não me diz nada Gabriel? Ele também é meu irmão filho da puta!

O mais delicadamente possível Jessica puxou seu namorado para longe da sala e os dois foram para o quarto de Jimmy, pelo menos agora eles poderiam levar tudo o que ele precisava sem chamar muita atenção de Cas. Sam deixou que Jessica tomasse conta das coisas que lhe eram constrangedoras para ver e decidiu voltar para seu apartamento a fim de colocar roupas para todos eles. Era certo que com tudo o que estava acontecendo Dean estaria tao louco quanto Cas.

Ele pegou o celular para ver as horas exatamente no momento em que o aparelho começou a tocar. Era Dean.

O mais novo não tinha a minima ideia de como inicia aquela conversa:

-Dean? Sua voz era rouca quando ele falou e se ele não soubesse quem era certamente não se reconheceria.

Do outro lado da linha seu irmão mais velho estava com ar de cansado. Era obvio que ele estava. Dean suspirou longamente e em seguida começou a falar.

-Ela está sendo interrogada por aquele otário Sammy- foi a primeira coisa que ele disse, os dois deles poderiam sentir nada mais que nojo pela figura do comissario Alder e ver Lisa sendo interrogada por ele, da mesma forma que Jimmy tinha sido era repugnante- depois ela via ficar aqui no hospital para falar com uma terapeuta.

A voz de Dean tinha quebrado completamente no final de sua frase. Ele não queria ter uma filha traumatizada, não depois de tudo o que eles já tinham enfrentado. Os dois achavam completamente errado alguém como Jimmy ser exposto a tudo o que está acontecendo, quanto mais Lisa que tinha apenas oito anos.

Por um momento qualquer palavras que pudessem ser ditas pareciam vazias para Sam.

-Nos estamos vindo- sua voz era um tom suplicante, como se estivesse pedindo para que Dean não tomasse nenhuma medida drástica- Cas também.

De alguma forma Sam sabia que isso poderia animar seu irmão mais velho.

Um momento curto de silencio se passou enquanto Dean engolia tudo o que tinha acontecido.

Do outro lado da linha o engenheiro mexia com seus cabelos:

-Como ele está?

Sam não poderia deixar de sorrir. Esse era seu Dean, sempre mais preocupado com os outros do que consigo mesmo.

Infelizmente a resposta para a pergunta era muito mais complexa;

-Ele quer fatiar Gabriel ao meio, está tremendo pelas ações de Ruby e quer te ver para te consolar.

Sim, aquele era Castiel. Ele amava Jimmy, amava Gabe e o amava com uma força natural. O único medo de Dean era que Cas não pudesse nem dar conta de si mesmo quando chegasse ao hospital, ver Jimmy certamente seria sua primeira parada e ele estaria completamente drenado apenas com ela. Dean sabia que por maior que fosse o coração do seu namorado ele era completamente fraco para ver aqueles que ama sofrendo. Ele mesmo tinha achado difícil ver Jimmy no estado em que estava, com as olheiras debaixo dos olhos e sob efeito de drogas usadas para loucos agressivos.

Mesmo assim seria melhor para todos eles enfrentar a situação.

Dean olhou para seu filho, que agora estava sentado em uma das cadeiras de hospital na sala de espera da ala psiquiatria onde os policiais estavam discutindo com Gabriel. Na opinião dele os policiais já poderiam fazer um motim contra o comissario, mas ele realmente entendia a ordem hierárquica. Era claro que metade do departamento preferia levar as atualizações para o capitão do que para o idiota que tinha deixado a vida deles ainda mais complicada. Dentre os homens que estavam conversando ele poderia apenas reconhecer o tenente e o sargento e dentre as mulheres estava Ellen Harvelle.

Foi quando ele viu a legista entrar no quarto onde Jimmy estava que ele se lembrou de que ainda estava com o celular na mão. Ele voltou para a conversa apenas para termina-la:

-Cuide dele Sammy.

-Você também Dean.

Sam reconhecia a hora de desligar quando ela chegava. Não havia mais nada para ser falado e os dois tinham que esperar para ver o que tinha acontecido para tomar suas próprias decisões.

O que ambos queriam era que seus entes queridos ficassem bem. Nenhum deles realmente conhecia a historia da vendedora de flores, mas por tudo o que eles já sabiam sobre ela ambos desejavam que nem Lisa nem Jimmy terminassem como ela.

Ele pegou seu filho no colo e começou a balança-lo em uma maneira reconfortante. Danny estava apreensivo com tudo o que tinha acontecido e Dean não mais poderia mentir para ele, o menino já tinha visto toda a cobertura do noticiário e queria saber como sua irmã iria reagir daqui por diante. Danny sabia que Lisa era uma menina forte de espirito de fogo que não era tao facilmente assustada, mas o que ela tinha visto era algo que assombrava até os mais corajosos dos heróis. Agora ele sabia que Ruby estava muito, mais muito zangada por não ter conseguido a verdadeira fruta da sabedoria.

Enquanto seu pai cantava Hey jude para ele seus pensamentos voavam nas múltiplas possibilidades que os acontecimentos poderiam tomar dali por diante. Nesse momento Danny não se importava se a mulher ia ou não conseguir a maça, ele apenas rezava para que sua família não precisasse sofrer mais por causa dela.

Quando Ellen Harvelle entrou no quarto de Jimmy a primeira coisa que ela viu foi seu prontuario. Era incrível como as enfermeiras daquele hospital tinham gosto por drogar seus pacientes, as doses que ela leu na pequena caderneta eram cavalares e ela não acreditava que Jimmy pudesse ter resistência a isso.

A segunda coisa que ela notou foram os olhos azuis sinceros pedindo-lhe perdão. Ela quase derreteu-se ali mesmo. Ninguém nunca tinha sido tao sincero diante dela em sua vida e o gesto tocava, e muito.

Quando ela tentou aproximar-se dele o jovem pintor estremeceu completamente. Era claro o sinal do medo. Ellen poderia dizer pelas poucas coisas que sabia sobre o passado do seu jovem capitão que os meninos tinham sofrido muito na infância com uma mãe detestável que era punitiva e exigente com todos eles e pensou que a reação mostrada por Jimmy era exatamente um reflexo de toda a vida que teve antes de ir para aquela cidade.

Os olhos da medica marejaram. Ela não conseguia imaginar ser mãe e bater em sua filha, era logico que o pintor pensava que ela estava ali atras de vingança pelo que ele tinha feito a ela mais cedo.

Ok, ela estava em uma situação difícil.

É por essas e outras que ela geralmente anda com um plano B na manga.

A mulher retirou de dentro de sua bolsa um caderno grande de desenho com as folhas sem linhas e uma caixa de lápis de cor profissionais, os mesmos que Jimmy usava. Ela entregou a ele esperando que a oferta fosse aceita. Não tinha demorado muito para que o homem de olhos azuis pegasse com mãos tremulas o caderno e os lápis. Ellen sorriu para ele o tempo todo e se sentou na cadeira ao lado, ela sabia que seria um pouco demorado, mas ela só sairia daquele quarto quando ele entendesse que ela não estava zangada. Afinal, mais do que um medico ela sabia muito sobre o corpo humano e as reações que ele pode ter ao medo, o medo que Jimmy sentiu ao ver o corpo de seu amigo diante de si era algo compreensível tanto por ser a primeira vez que ele viu um corpo quanto pela mentalidade do próprio. De todas as três reações perfeitas ao medo o pintor tinha escolhido a de luta o que poderia, de uma certa forma, dizer sobre quem ele era, não de uma maneira teórica, mas de um ponto de vista intuitivo. A legista sabia que se fosse em qualquer outra situação assustadora o homem diante de si não deixaria quem precisa dele para trás e isso era incrível, essa era a exercia de quem ele tinha se tornado. Ele era a pessoa perfeita para guardar o segredo sobre o fruto proibido.

-Está tudo bem- disse Ellen para o garoto em sua frente- você não me fez mal.

No inicio a mulher pensou que seria mais difícil do que isso. Ela pensou que teria de dizer mais coisas ao pintor, mas foi apenas um olhar. Um olhar que parecia ser capaz de enxergar através de sua alma que fez com que os olhos inocentes aceitassem o que ela tinha acabado de dizer. Jimmy Novak sabia que o pedido de desculpas tinha sido aceito, e ele iria fazer de tudo para jamais quebrar a sua promessa. Ele nunca mais iria machucar ninguém, não como ele tinha feito.

Ele deixou-se abraçar por Ellen Harvelle e chorou em seu ombro, a mulher era definitivamente uma pessoa que ele queria ter como mãe.

Quando os dois saíram do abraço caloroso o pintor começou a fazer uso de seu novo caderno e não demorou a desenhar a figura encantadora de Jo Harvelle ao lado de sua mãe. Ela parecia muito mais relaxado agora do que antes e Ellen começou a pensar que era por causa do desenho. Ela não estava errada.

Quando eles chegaram ao hospital a primeira coisa que ouviu foi muitas pessoas, jornalistas, querendo saber o que a policia iria fazer em relação a promessa de assassinato em massa. Ele poderia ouvir a voz detestável do comissario responder as perguntas com mais perguntas e deixar todos os jornalista e ouvintes ainda mais frustrados e poderia pensar que certamente o homem não tinha a minima ideia do que deveria ser feito a seguir.

O que tinha pego a atenção do professor de historia foi o comentário que dizia que não era mais o caso dele. Castiel prendeu a respiração, a principio ele pensou que tinha ficado louco. Infelizmente ele não tinha.

Quando eles saíram do carro eles foram imediatamente para onde tinha se transformado o quartel general da policia de São Francisco. A ala psiquiatria. Cas poderia reconhecer a voz de cinco policiais fieis a seu irmão, incluindo Chuck, Rufus, Jo, Ellen e Charlie bem como as vozes de Lisa, Danny e Dean. Jimmy não estava em nenhum lugar que ele pudesse perceber. Gabriel também não.

Se Cas pudesse ver ele poderia saber que a ala psiquiatria estava uma completa zona, Lisa estava praticamente enfurecida com as perguntas que tinham sido feitas a ela pelo comissario, os oficiais estavam tentando pensar em alguma especie de plano louco para trazer Gabriel de volta a força, Dean estava comentando algo sobre algum acordo estranho e Charlie estava... bem, ela estava paquerando uma das enfermeiras.

Seus ouvidos não poderia fazer sentido nem a metade de tudo o que estava sendo dito e ele não se importava, assim que beijou Dean e cumprimentou seus afilhados Cas se dirigiu para onde Jessica o guiava na esperança de encontrar sua família ali. A sala onde tinham colocado Jimmy não era muito distante de onde o QG tinha sido montado. Na verdade eram vinte e seis passos e ele poderia encontra-los sem nenhum obstaculo, apenas um caminho reto para a direita.

Suas mãos tremeram quando ele colocou-as na maçaneta da porta e Jessica apertou seu ombro de uma maneira que poderia lembrar a ele de seu pai se ele tivesse conhecido o homem. Ele pode ouvir a garota sussurrar algo como “tenha força” mais não estava muito interessado em seu conforto. O que ele realmente queria era resolver essa historia de uma vez por todas, se ele terminasse dando um murro bem dado no nariz de Gabriel ele se sentiria revigorado. Infelizmente a cena que apareceu na sua cabeça acabou por fazer o seu Jimmy imaginário chorar e essa era a ultima coisa que Cas tinha em mente. Ele teve de respirar fundo, muito fundo. Por mais que desejasse quebrar a cara do mais velho por ter mentido ele não poderia colocar seu irmão gêmeo em risco apenas para ter sua sede de sangue drenada.

Uma vez que sua mão parou de tremer ele abriu a porta.

Era a segunda vez no ano que ele tinha sido cumprimentado por um Jimmy completamente entusiasmado. Seu duble o tinha abraçado antes mesmo que ele pudesse processar o ar da sala e praticamente o estrangulou. Pelo menos essa era a reação que ele poderia lidar, se Cas abrisse a porta para encontrar um Jimmy muito choroso ele tinha certeza que passaria o resto da noite sem dormir.

-Isso são as drogas. Acabamos de descobrir que Valium em Jimmy não deixa ele sedado.

Cas consegui prender a sua respiração antes de responder alguma coisa, ele pode sentir Jimmy tensional com sua raiva e não queria que o mais novo percebesse o que ele tinha debaixo de seu sorriso falso. Não durou muito tempo, ele tinha percebido muito antes de Cas afasta-los.

O anjo da quinta feira poderia sentir a cabeça de seu irmão mais velho ir de um lado para o outro. Do lugar onde ele estava para o lugar onde era suposto ser Gabriel. Outra coisa que Cas poderia dizer era que ele parecia muito desconfortável com os dois.

-Cassy? Gabby?

Castiel abaixou a cabeça, ele não poderia negar o pedido sem palavras de Jimmy não depois que ele usou os seus antigos apelidos. Ele poderia ouvir a respiração de Gabriel tensa e percebeu que o mais velho estava medindo suas palavras. O professor não queria palavras medidas para cima de si, ele apenas queria a verdade dessa vez.

Quando ele falou suas voz estava manchada com ironia e era muito lenta e suave:

-Gabby mentiu para mim Jim. Ele disse que vocês estavam tudo bem.

Ele poderia imaginar Jimmy colocando o polegar na boca e chupando-o em um sinal de concentração. Gabriel odiava quando ele fazia isso o que deixou o professor ainda mais animado, ele não conseguiria chegar nos nervos do mais velho, mas certamente Jimmy poderia fazer isso de uma forma muito mais rápida.

Por um momento Gabriel pareceu ignorar Jimmy.

-Isso porque você não precisava dessa merda.

Mais uma vez o pintor olhou de um lado para o outro. O ar dentro da sala estava começando a ficar denso. Castiel poderia jurar que o policial queria tanto essa briga quanto ele, era claro que eles acabariam em uma tremenda loucura e alguém sairia muito ferido, mas no momento em que tudo aconteceu a única coisa que Cas conseguia pensar era que Gabe não o estava incluindo, como se ele o achasse fraco. Tudo o que Gabriel queria por sua vez era dar vazão a raiva que estava sentindo. Sua raiva tinham muitos motivos para ser exposta; ele tinha um superior idiota, tinha uma assassina solta, tinha uma historia pessoal com essa assassina que se transformou em mais pessoal ainda uma vez que envolveu seus entes queridos e tinha mais ou menos a humanidade em jogo. Por um momento Gabriel tinha se esquecido, mas a fruta da sabedoria poderia dar poderes muito alem do que ele poderia imaginar a quem a comece e ele não queria que seu mundo fosse transformado em alguma outra coisa dentro da cabeça de uma pessoas desequilibrada como Ruby.

Os dois tinham entrado em um argumento:

-Eu não preciso dessa merda? Castiel parecia resignado- Fui eu o único que viu isso acontecendo!

Os dois pareciam ter ignorado completamente Jimmy. O pintor estava olhando de um lado para o outro sem entender o motivo para a briga, as vozes raivosas e a energia pesada da sala estava deixando-o assutado e ele tentou se esconder em um cantinho da sala. Ele era completamente impotente contra o que estava acontecendo e poderia ver os dois indo cada vez mais assustadoramente um para a direção do outro. Os olhos de Gabriel era âmbar liquido e Cas tinha um tom amargo em sua voz. Jimmy colocou o polegar esquerdo na boca para acalmar-se mas parecia que não ia adiantar.

Gabriel parecia completamente louco com tudo o que Cas estava dizendo. Como diabos ele poderia dizer na sua cara que ele tinha sido o único que tinha percebido tudo acontecer? Sim, ele sabia que Cas tinha sido professor de Ruby há seis anos atras e tinha avisado a Miguel que a mulher era mais ou menos uma vadia, mas depois que eles começaram o namoro ele tinha se fechado completamente.

-Castiel você ficou o tempo todo fora, você não conseguia ter ajudado em nada nem se quisesse!

-É você que não trabalhou o suficiente, se você não tivesse sido afastado nada disso teria acontecido.

Jimmy tentava desesperadamente acompanhar a conversa mais não era capaz. As palavras eram todas embaralhadas na sua cabeça e ele não conseguia entender metade do que elas significavam. Mesmo assim ele estava com medo. Fazia muito tempo desde que os dois brigaram e ele não estava muito disposto a repetir os acontecimentos da ultima vez- que tinha levado Cas a empurrar Gabriel e o mais velho tinha caído em um barranco- e para coroar ele tinha um sentimento de afundamento no estomago como se eles tivessem brigando por sua causa. Isso sempre o deixava louco, sempre o levava para os velhos tempos onde sua mãe culpava qualquer coisa ruim nele.

-Se eu tivesse ido para São Francisco sozinho nada disso teria acontecido!

A pressão arterial de Castiel tinha subido nessa declaração. Ele nunca tinha ouvido Gabriel se arrepender se sua decisão. Infelizmente ele não estava no humor de analisar os discursos e o calor do momento o fez responder a altura:

-Pois é seria ótimo! Eu estaria morto em uma vala qualquer e ninguém teria apresentado Ruby!

Gabriel não tinha percebido a mudança na sala, não tinha ouvido os sussurros desesperados de Jimmy para que eles parassem de brigar, ele simplesmente estava possesso de raiva. Era como se toda a adrenalina dos últimos meses estivesse sendo descarregada em suas palavras, ele nem ao menos teve tempo de processar o que estava dizendo.

-Sera perfeito! Eu não teria meu cú na reta por causa de um irmão idiota!

De todas as coisas que tinham sido ditas essa tinha sido a que mais bateu nos ouvidos de Jimmy, ele reconhecia todas as palavras que foram ditas e conseguiu entender o que Gabriel tinha acabado de dizer levando tudo para si mesmo, como se ele fosse o único que começou tudo isso e como se seus irmãos estivessem cansados dele. Ele não chegou a pensar que não era dele que Gabriel estava falando. Todos os seus ossos de seu corpo tremiam e ele sentiu a boca secar completamente, seus dentes mordiam tanto seu dedo polegar que o sangue vermelho-vivo escorria por eles e seus olhos eram uma nuvem de chuva torrencial.

-PARA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

O grito tinha congelado os dois antes mesmo que eles pudessem se matar ou fazer algo pior. Castiel pode ouvir a porta se abrir atras dele e sentiu uma pessoa passar por ela indo em direção ao canto da sala retangular. Ele não pode ver Dean abraçando Jimmy mais pode ouvir as respirações de seu irmão do meio ficando mais fortes e a voz de seu namorado tentando acalma-lo.

Dean tinha olhos aterrorizadores quando ele voltou-se para seu namorado e seu cunhado mais velho. Ele tinha passado dez segundos abraçado a Jimmy e poderia perceber que o homem não estava indo se acalmar nem tao cedo. Sendo assim ele tinha umas poucas e boas para dizer aos idiotas que estavam na sua frente.

Ele falou no tom mais controlado que conseguiu reunir, mesmo assim a raiva e a decepção ainda poderiam ser percebida:

-A ultima coisa que ele precisa é pensar que vocês dois idiotas estão brigando por causa dele. Seus olhos se fixaram em Gabriel, por ser o mais velho Dean achava que era seu direito prezar pelo bem estar de seus irmãos, sim, o engenheiro sabia que tudo poderia ser evitado se ele contasse a verdade a Cas e sabia que Gabriel apenas queria protege-lo de tudo. Mesmo assim o policial tinha mais capacidade de dirigir as coisas de forma pacifica sem deixar Jimmy no estado em que tinha deixado e isso fez com que Dean repensasse em todas as brigas que teve na frente de seus filhos.

Ele já tinha visto aquela cena milhões de vezes, ele e Sam acabariam brigando e Danny e Lisa acabariam pensando que era por causa deles. Parecia uma bola de neve e só mudava o endereço. No momento presenta Jimmy parecia muito parecido com Danny quando ele ouvia seu pai e seu tio brigando.

Dean não quis olhar para seu namorado, não agora. Castiel estava com uma postura rígida depois que toda a tensão tinha saído de seu corpo e ele não achava que iria conseguir nem ao menos conversar com ele pelos próximos dias. Ele odiava ver cenas domesticas como essa se transformando em uma desgraça, aquilo apenas era um lembrete de como ele tinha falhado com sua esposa, de como ele poderia ter feito algo para que ela não terminasse com a própria vida... Dean não queria pensar mais em nada disso. Ele percebeu que Jimmy tinha sangue em seus lábios e se concentrou nele. Ele viu que o polegar tinha sido mastigado por causa da ansiedade e percebeu também que a outra mão, a única que tinha as linhas intravenosas, estava muito mais sangrenta do que deveria. Não era um calculo de gênio, e Dean soube que por causa da briga dos imbecis o pintor tinha retirado mesmo sem querer a agulha que enviava-lhe soro.

Em um movimento muito lento e amigável Dean puxou-se para cima e ajudou Jimmy a se erguer sobre seus pés, ele carregou o cunhado para fora da sala e sem nem ao menos olhar para os dois outros homens ele disse em uma voz pequena:

-Eu aceito o acordo.

A porta tinha se fechado com um ranger.

O policial de cabelos castanhos estava petrificado. Ele nunca tinha perdido sua compostura dessa maneira, não em um lugar publico e nunca contra Cas. A ultima briga que os dois tiveram foi há muito tempo atras e tinha sido por causa de uma menina que Cas insistia em dizer que não queria nada com Gabriel a não ser um porco de fita azul. Ele sabia que o final daquela briga entre eles tinha acabado em uma viagem a baixo de um desfiladeiro e a descoberta de que a menina realmente estava interessada em um porco.

Agora, cerca de vinte anos mais tarde os dois tinham brigado de uma forma que nenhum irmão deveria fazer. E tinham feito isso de uma forma que tinha levado Jimmy a pensar que era por causa dele. Analisando mais uma vez suas palavras e conhecendo o raciocínio de seu irmão do meio Gabriel era incapaz de acreditar como ele pode dispor as palavras nessa ordem. Era muito claro para ele que Jimmy se via como o idiota da família, era muito claro que ele estava mais envolvido na historia de Ruby do que todos eles e era terrivelmente doloroso como metade do que ele disse poderia ser um fragmento da verdade. Ele sabia que nunca poderia culpar Jimmy por nada, principalmente quando ele era o único que lutava com unhas e dentes para manter tudo no escuro, mas era inegável ao policial que suas palavras tinham batido muito mais forte do que deveriam. O idiota que ele se referia era Cas mas suas palavras foram alem e pegaram um dizer que ele não estava preparado para admitir sim o capitão nunca tinha se arrependido de ir para aquela cidade, nunca se arrependeu de escolher seus irmãos a viver sozinho mas era verdade que as vezes ele pensava nas possibilidades... uma delas era na ausência de Jimmy.

Tudo o que ele poderia sentir era nojo de si mesmo.

Seus olhos estavam em lagrimas.

A seu lado o outro homem tinha feito a mesma viagem intelectual em um tempo muito mais curto. Castiel tinha percebido o erro que tinha cometido, como ele não tinha auto controle- afinal ele tinha previsto a coisa toda e não fez nada para reverter, ele realmente queria brigar- e tinha percebido que embora os acontecimentos da vida nunca tenham sido muito leves para eles ele jamais tinha pensado em uma possibilidade de existência sem Jimmy. O professor era muito grato por ter alguém que ele pudesse cuidar, alguém que ele pudesse ver que a força não era a única coisa necessária e que ela vive em diferentes formas. Jimmy tinha lhe ensinado tudo isso e ele aprendeu tudo com amor. O professor se culpava pelas palavras proferidas e sentiu vergonha de si mesmo. Dean provavelmente não ia querer mais nada com ele agora.

Ele sentou-se na cama de hospital ecolocou a cabeça entre as mãos. Era ele o idiota.

Os dois ficaram ali por muito tempo. Seus pensamentos estavam voltando para um nível mais pratico, a vontade de reverter a situação era grande, mesmo assim nenhum deles parecia querer falar por pelo menos dois dias. Infelizmente nenhum deles tinha dois dias. Eles precisavam voltar a ser o que eram para Jimmy e para contribuir no que for necessário no caso que agora não era mais deles.

-Desculpa. Os dois disseram em unissonismo e não conseguiram rir com o fato d eque provavelmente tinham pensado as mesmas coisas.

Mais uma vez a sala tinha ficado em silencio. Não seria uma palavra que iria consertar as coisas de forma magica, mas era um começo. Um bom começo.

Gabriel foi o próximo a falar:

-Acho que um caderno de desenho não vai ser o suficiente dessa vez. Por mais que fosse doloroso Castiel tinha de concordar.

Jimmy iria exigir muito mais que isso para aceitar seus pedidos de desculpas.

Os dois suspiraram longamente. Ambos tinham as mãos fechadas em um punho e o sentimento de auto desprezo preso na garganta.

Meia hora tinha se passado até que Cas tivesse a força para perguntar:

-Qual é o acordo que ele aceitou?

No escritório do FBI localizado na cidade de São Francisco o marshal Ash estava fumando um cigarro particularmente fedorento e deixando a fumaça se espelhar conforme seus pensamentos iam e voltavam de um lado a outro. Diante de si estavam o comissario e o capitão de policia e o tal Dean Winchester que ele tinha conhecido há alguns meses atras.

Ele sabia que a policia não iria deixar nada barato não depois de terem recebido uma ordem do governador dizendo que o caso Ruby iria ser transferido para outros poderes, ou seja, agora era sua jurisdição. Ele sabia que Gabriel estaria puto com isso, o policial era um dos melhores da força e poderia ter feito muito mais se as coisas fossem do seu jeito, mas a sorte estava contra todos eles quando colocou a disposição das coisas do jeito em que estavam.

O comissario era pior do que um estagiário, o capitão tinha uma historia pessoal que se afundou ainda mais e a mulher tinha matado mais crianças do que eles imaginavam. Agora quase duas semanas depois do assassinato da primeira criança sua mesa já estava com mais trinta fichas com cadáveres de idades inferiores a treze anos.

O pior de tudo era que a mulher atacava não somente em escolas, não bastaria um melhor policiamento. Toda e qualquer criança sozinha pela cidade poderia ser uma vita em potencial. Graças a isso o governo do estado inseriu um toque de recolher.

O cenário em que eles estavam inseridos tinha se transformado em um filme de horror.

Como se não bastasse tudo o que já estava acontecendo eles tinham como única esperança um civil que tinha aceitado o pedido de se encontrar com ela que a própria assassina tinha deixado em uma carta cor-de-rosa escrita com o sangue da primeira vitima.

Era dia quinze de dezembro e eles não estavam vendo mais nenhuma brecha na situação. Dean precisaria ir sozinho para o encontro e seria em um lugar publico o suficiente que faria com que se por algum acaso a mulher percebesse que estava sendo seguida ela poderia atirar em qualquer alma que visse em sua frente.

Nada poderia ficar pior.

Dean estava quieto, ele era muito ciente dos olhares que os outros agentes estavam dando a ele. A sensação era parecia como se ruma presa no meio do covil de caçadores e ele não tinha gostado nada disso. Mesmo assim sabia que era melhor ter fé nele do que pensar como os outros estavam pensando. Custe o que custar ele voltaria vivo para contar o resto de sua historia.

Ele tinha lido a carta escrita a sangue e sabia que a mulher poderia ter um plano bastante bonito para ele, mas essa era a única alternativa que eles tinham. Alguém deveria fazer os assassinatos de crianças parar. Ele não se importava apenas com seus filhos quando pensava nisso, Dean sabia que por ser um pai ver outros pais perderem seus filhos é um choque muito grande e ele não aguentava mais olhar para o noticiário e ver quem tinha perdido seu filho naquele dia.

Outra coisa que ele queria era poderia fazer as pazes com seu namorado. Desde a briga que ele teve com Gabriel o Winchester mais velho não tinha conseguido se reaproximar de Cas. O professor estava muito ocupado trabalhando até tarde na faculdade e nos momentos em que ele não estava era como se ele se transformava em uma poça de autopiedade. O fato d eque Jimmy tinha se recusado a confiar nos dois mais velhos e estava agora morando em sua casa não ajudava muito.

Ele queria desesperadamente que as coisas voltassem ao ponto inicial. Era muito chato acordar e ver tinta espalhada por todo o canto da sala.

Ele percebeu que estavam falando para ele:

-Você tem certeza que é isso que você quer?

O homem de olhos verdes já estava cansado dessa pergunta. Ele tinha ouvido isso de Cas, de Jimmy, de Sam, de Jessica de seus filhos, dos policiais amigos e de todo o escritório de proteção a testemunhas sem contar na promotoria. Sim, ele tinha certeza de que queria fazer isso.

Ele assentiu com a cabeça.

De alguma forma Ash sabia que não poderia ser diferente.

-Venha comigo.

Ele seguiu o Marsall Ash para saber de todas as fases do plano, mesmo assim Dean tinha um sentimento de afundamento dentro de seu estomago, como se nada do que eles tiverem planejando iria dar certo.

Mesmo assim ele mantéu seus sentimentos para si.

***

Sexta-feira dia dezesseis de dezembro, um dia comercial em um lugar comercial. Dean pensou que não poderia ter sido pior, mesmo sabendo do acordo que tinha fechado seu sangue pulsava em cada uma de suas veias. Ele estava no meio do metro, que não era o metro formigueiro de Nove York, mas mesmo assim ainda estava em horário de pico cheio de pessoas inocentes que apenas queriam voltar para suas casas ou ir ao trabalho.

O FBI não tinha permissão para usar armas, eles não iam arriscar diante de tantas pessoas inocentes, mas era bem claro que Ruby teria sua arma no bolso, isso é se ela realmente viesse.

Os detalhes do acordo diziam para ele ir ao local indicado- o que era um pequeno quiosque de café- e esperar pela suba aparição de Ruby. Os dois teriam uma conversa, que Dean tinha certeza não ser algo amigável, e em seguida cada um iria para seu lado sem que a policia ou qualquer agente infiltrado que estivesse olhando para ele a seguisse.

A mente de engenheiro do homem de olhos verdes não poderia parar de pensar que aquilo tinham muitas falhas. Ruby poderia fazer qualquer um ali de refem, ela poderia colocar algo em seu café- tinha sido por isso que ele foi instruído a não beber nada em nenhum momento da conversa- ou simplesmente a mulher não iria deixando-o a mostra para um bando de capangas que ela poderia arranjar e fazer com que o local se transforme em uma zona de guerra.

Ele não poderia pensar em nada disso no entanto. Coisas deveria ser feitas e essa historia de assassinatos deveria ter um fim antes que seus filhos ou seus amigos fossem os próximos da lista.

Dean chegou no café que tinha sido indicado. Era uma lojinha com algumas mesas e cadeiras e acesso a internet como qualquer outro lugar construído para entreter as pessoas que esperavam pelo seu trem. Tudo o que ele tinha d efazer agora era espera. Esperar até que alguma coisa aconteça.

De alguma forma bizarra o Winchester poderia confiar na mulher, não em sua palavra, mas em sua necessidade de encontra-lo. Ele não sabia e nem poderia imaginar o que ela queria com ele mas ele poderia saber que não seria nada bom, pois se ela tinha feito esse movimento de risco para sua pessoa (ela não seria burra de pensar que ele realmente ia estar sozinho ali) significava que tinha algo de muito importante que os dois deveriam tratar, mesmo que ele não pudesse colocar o dedo sobre ele.

Seu único medo era que alguém ali, algumas daquelas pessoas que não pensavam em mais nada a não ser voltar para casa, se ferissem por causa de um ato mal-feito de sua parte.

Dean esperou sentado por volta dos trinta minutos. Ele teve de fazer dois relatórios para os agentes que estavam na Van estacionada em uma rua acima de onde ele estava e os agentes não pareciam gostar muito da demora. O tempo para eles era precioso e era clara a possibilidade da construção de algum esquema para derrotá-los no tempo em que a inimiga estava ausente.

O engenheiro sentiu saudades de Gabriel e de Sam. Na ultima missão que ele tinha feito, a única que salvou a vida de Jimmy, eles estavam todos juntos e tinham um certo ar de confiança. Por estarem lado a lado e por estarem dispostos a morrer um pelo outro o sentimento que tinha durado antes de eles chegarem a velha fabrica de macarrão era de determinação. Agora tudo o que ele poderia sentir era medo.

Antes que ele pudesse se distrair com qualquer outras ideias um homem vestido em uma camisa de flanela sentou-se na mesa de Dean. O engenheiro se eriçou momentaneamente, mas como tudo parecia ser um mal entendido ele voltou a relaxar assim que o homem viu que estava na mesa errada.

Passaram-se dez minutos até que outro homem se sentou em sua mesa. Dessa vez Dean sabia que não havia nenhum mal-entendido.

O homem diante de si tinha os olhos amarelos.

-Hello Dean!

Notas finais
Temos a reta final amigos
Deixem recado se gostarem.
Mandy