When You Have A Killer In Your Tail

16 Quando se bate em retirada


Notas iniciais
Como prometido atualização agendada!
Finalmente vou poder me dedicar mais a essa historia.
Espero que gostem!
Quero agradecer a todos que continuam lendo essa fic Seus comentários me deixam muito feliz e me fazem querer deixar essa historia cada vez melhor!
Muito obrigada!

“ Please come now, I think I'm falling
I'm holding on to all I think is safe
It seems I've found the road to nowhere
And I'm trying to escape “

One last breath- Creed


–Hello Dean.

Em um outro lugar muito longe do metro da cidade um jovem menino de oito anos de idade abriu seus olhos verdes como esmeraldas, sua testa suava eele tinha as bochechas vermelhas de febre mas ele jamais iria deixar de se concentrar no que estava fazendo. Daniel Winchester poderia nunca ser tao bom quanto seu tio Jimmy Novak, mas ele tinha toda uma determinaçao em seu ser, ele tinha de acompanhar aquela conversa custe o que custar e agora que ele tinha tempo para fazer isso ele o faria.

Esse era seu ultimo dia de aula em seu colégio antes do recesso para o natal. Não tinha nenhum momento melhor do que a aula de literatura para fazer isso. O menino já sabia de tudo o que ele poderia saber sobre qualquer escritor que sua professora irritante poderia pensar e ele certamente não estava afim de ouvir a mulher falar sobre “Ovos verdes e fritos”, para ele esse era definitivamente o pior livro que alguém poderia escolher para uma aula de literatura, não, ele não duvidava que o livro tivesse de fato boas reflexões para fazer, mas a mulher de cabelos cacheados diante dele nunca conseguiria fazer boas reflexões. Certo dia ela o tinha pego lendo “O senhor dos ameis” e quase teve um ataque cardíaco, para ela aquilo não era livro para uma “Criança inocente” como ele. Danny não podia se importar menos.

Nesse momento toda a sua energia estava sendo utilizada para acompanhar a conversa que se seguia há cerca de vinte quilômetros de distancia de onde estava. Ele não estava vendo bem, apenas conseguia ver os olhos arripantes e amarelos do homem que tinha trazido sofrimento a seu tio e que tinha matado a mãe de Vanessa e os olhos verdes de seu pai. Até mesmo a sua audição era comprometida, ele ouvia tudo como se estivesse debaixo d'água. Ele era feliz por pelo menos ser capaz de fazer isso.

Ele poderia pressentir que seja lá o que a mulher estava querendo com seu pai não seria uma coisa boa.


–Hello Dean.

O homem de olhos amarelos sentou-se na mesa segurando uma lata de refrigerante em uma das mãos, para quem olhasse ele poderia ser apenas um cidadão comum que estava encontrando um velho amigo mas Dean sabia melhor, muito melhor. Aquele homem não tinha nem um pouco de bondade dentro de si. O Winchester mais velho poderia dizer que dentro da van do FBI Ash e seu chefe estariam muito atentos a tudo o que estaria sendo dito.

Ele até mesmo poderia imaginar os dois homens parando de fazer suas amadas palavras cruzadas e grudarem suas orelhas ao microfone.

–Hello marshall

Dean suspirou, ele sabia que seria um sonho imaginar que ninguém poderia descobrir que ele estava com um comunicador.

Azazel terminou de tomar seu refrigerante fazendo questão em ser lento gole por gole. Ele sabia o que estava por vir e queria passar a imagem de frio para qualquer um que estivesse ao alcance de sua conversa. Ele não precisava de muito para isso. Seu sorriso podre mostrava perfeitamente como ele nunca tinha se importado com ninguém alem dele mesmo. E seus olhos amarelos e demoníacos ainda completavam o visual.

O Winchester estremeceu.

Um minuto de silencio se passou enquanto a eletricidade estática entre os dois homens os impedia de dizer qualquer coisa. De um lado os olhos amarelos estavam acinosos para saber qual seria a resposta de seu adversário a sua pergunta e de outro o homem loiro era completamente mortificado por começar a falar. Ele sabia que qualquer erro seu poderia acarretar na morte de muitas pessoas daquele metro.

Azazel sabia que tinha de ser ele o único a quebrar o silencio. Ele tinha que dar alguma coisa para os caras que estavam ouvindo a conversa deles de qualquer maneira. Sendo assim o homem jogou no lixo sua mada lata de refrigerante e tirou seus óculos escuros deixando seus olhos a mostra completamente alinhados com os olhos de Dean.

Ele disse em uma voz plana:

–A abelha rainha está um pouco oculada para vir ter essa pequena conversa com você, mas não se esquente que eu aqui poderia fazer exatamente qualquer coisa que ela me mandou para fazer até mesmo matar se for preciso. De uma certa forma ninguém duvidava disso, todos tinham visto as mortes que estavam nos jornais e sabiam que a garganta cortada é o único jeito que o homem de olhos amarelos gosta de matar.

Seja por milagre ou por insanidade Dean não estava com medo. Ele queria acabar com tudo isso e deixou que seus olhos fitassem os do seu oponente por mais tempo antes d e falar com uma voz grave:

–Claro que eu não estava esperando aquela mulher. Isso é mais ua coisa para comprovar a minha imagem dela. Sua abelha rainha não tem palavra. Se eles estivessem na idade media era quase certo que Dean poderia cuspir no chão depois de ter pronunciado aquilo. Toda a sua linguagem corporal demostrava raiva.

Azazel o olhou com ar de desdem. Ele tinha uma certeza de que era isso que o outro homem iria dizer e não se impressionou quando se viu correto. Dean tinha se provado um daqueles homens de princípios e o fato de ele ter ido até ali arriscando sua vida para proteger pessoas que nem ao menos conhecia era um fato que fazia-o ter cada vez mais vontade de cortar sua garganta. A única coisa que o impedia de fazer isso naquele mesmo instante era que sua querida patroa nunca iria perdoar seu ato.

Ele analisou suas unhas e constatou que elas estavam sujas.

O que ele disse depois de abaixar suas mãos de seu campo visual foi o seguinte:

–Ela pode não estar aqui nesse exato momento caro Winchester, mas tenha certeza de que se você aceitar nossa proposta ela manterá sua palavra.

Dean poderia ouvir em sua orelha esquerda um dos policiais dizendo algo muito rude sobre o comentário. Mesmo assim ele ficou calado e simplesmente acenou com a cabeça pedindo para que o detestável homem continuasse.

–Bem. Já que você insiste em saber qual é a palavra dela eu bem posso fazer isso para você- ele ficou um pouco em silencio como se estivesse analisando as saídas da lanchonete, não era como se ele estivesse esperando uma recepção bem-vinda depois de tudo- minha patroa promete deixar de matar aquelas pobres criancinhas se você dizer sim para nossa proposta.

O coração de Dean parou por cerca de alguns segundos, ele sabia que ela prometeria isso. Era a única coisa que ele mais queria em sua vida depois de se ver livre da desgraça que se metera, mesmo que ele soubesse que Ruby não mataria seu filhos tao cedo ele não estava mais aguentando ver noticias de pais chorando ao perderem seus filhos para uma faca de cozinha. O horário de recolher instalado pelo governo não combinava em nada com aquela cidade.

Cinquenta e seis crianças foram mortas pela mesma faca. Aquilo tinha que parar.

Infelizmente ele sabia que para que tudo tivesse um fim ele deveria desempenhar algo que certamente não iria gostar. Tudo tinha de ter um preço e ele poderia viver com isso. O que mais o corroía era não saber o que seria pedido.

–E essa proposta é?

Ele quase poderia bater sua cabeça na mesa por se mostrar tao interessado. Era certo que ele não queria mostrar seu lado mais vulnerável mas por tudo o que era sagrado ele estava bastante curioso para saber o que ele poderia fazer para agradar aquela mulher. Uma pequena voz em sua cabeça o dizia que ele iria se arrepender amargamente de ter entrado no meio daquilo tudo. Felizmente ele não era mais capaz de voltar.

Ignorando quão patético o outro homem parecia Azazel simplesmente estendeu um celular da mais alta geração para ele. Os olhos verdes de seu inimigo eram filtrados com questionamentos, era muito claro que ele era novo em tudo aquilo, sim, ele tinha de ser pois cerca de um ano atras esse mesmo homem era um simples engenheiro mecânico que desconhecia por completo a maldade do homem. Era isso o que ele pensava.

Os olhos amarelos fez sinal para que Dean colocasse os fones de ouvido. Se ele estivesse pensando que um assassino experiente como ele que ainda por cima recebia ordens de uma mulher muito mais muito inteligente iria ficar ali dizendo aos quatro ventos tudo o que o FBI precisava saber o homem de olhos verdes era ainda mais ingenuo do que ele pensava. Os dentes de Azazel se abriram em um sorriso ao ver a compreensão nos olhos de Dean, com os fones de ouvido seus amigos jamais poderiam saber o plano que ele tinha para ele e isso era visivelmente visto nos olhos de musgo. Azazel poderia sentir o cheiro de medo quando ele estava muito próximo e teve que praticamente se segurar para não matar aquele homem ingenuo ali mesmo. Ele sabia que por mais que ele parecesse uma criatura sem importância os estudos de sua patroa revelavam que ele era mais do que os olhos podem ver. O que ele daria para saber o que exatamente aquilo significava.

Aquele não era o momento para que ele se perdesse em pensamentos. Mais uma vez ele pode ver o homem diante de si franzir a testa, ele certamente não sabia como nada funcionava e ao ver o numero que ele segurava diante de si uma pausa foi feita. Azazel poderia ter dito varias coisas naquele momento, mas ele sabia que nada poderia ser mais expressivo do que seus gestos. Em uma fração de segundos ele estendeu a mão para o celular vermelho e digitou a ordem de números que ele tinha dado para sua presa. Ele quase poderia sentir o coração do outro parar quando a pessoa na outra linha atendeu prontamente.

Sua rainha vermelha tinha palavra apesar de tudo. Ela só estaria há alguns quilômetros dali pronta para sua própria jogada.

Os olhos do homem bêbado brilhavam com um gosto de vingança. Ele estava ali para ver em primeira mão o circo pegar fogo e poderia admitir para si mesmo que era exatamente isso que ele queria.

–Wincheser.

A voz melodiosa daquela mulher de uma certa forma o fez vomitar. Ela estava usando a mesma voz que usava quando era casada com seu irmão e ele não gostou nem um pouco das lembranças que vieram com ela. Uma coisa que ele poderia dizer era que ele realmente poderia pelo menos admitir que ela tinha um certo estilo.

Dean soltou o ar que não sabia estar segurando.

Do outro lado da linha a mulher continuava a falar com sua voz mais aveludada possível. Ela estava muito a fim de irritar o homem mas não queria que isso durasse muito tempo, pois independentemente de o que ela queria para ele o loiro de olhos verdes ainda era uma peça muito importante para seu jogo e ela não podia se dar ao luxo de perde-lo tao facilmente.

–Eu preciso de sua ajuda.

Foi isso. Essa pequena frase que conseguiu turar tudo o que Dean poderia chamar de medo de seu sistema. Ele não era capaz de conceber a ideia de que tal pessoa poderia realmente estar acreditando que ele iria fazer algo para ela assim de boa vontade. Sim, ele sabia que ela certamente teria uma chantagem para fazer e ele sabia que seria quase impossível ignorar o fato de poder ver crianças andando pela cidade em qualquer hora do dia de novo, mesmo assim era repugnante a ideia de ter de fazer algo para ela.

Ele olhou para o chão. Alguma coisa o dizia para não ficar ali encarando os olhos amarelos de um assassino em serie.

–Você vai parar de matar crianças inocentes?

–Você vai fazer o que te peço? Ele quase podia ver o sorriso na voz dela e isso o deixava com nojo. Para ela era como se vidas de pessoas que não tinham nada a ver com a historia toda não importavam mais do que as formigas que ela esmagava quando andava. Dean não tinha nenhuma duvida de que ela realmente não se importava e isso apenas o deixou alarmado. Seja o que for que ela pediria a ele não seria algo bom de se fazer. A pequena voz em sua cabeça dizia a ele para fugir dali o mais depressa possível, mas ele continuou firme e forte preso a cadeira de aço.

–Será que eu tenho alguma escolha?

Ele disse para ninguém em particular.

Tanto a mulher de cabelos loiros quanto o assassino diante de seus olhos responderam a mesma coisa. Não, ele não tinha nenhuma escolha. Ele sabia disso.

Mais uma vez suspirou.

–O que você quer que eu faça?

–É bem simples...

Dean ouvia, ouvia e ouvia e ele simplesmente não conseguia acreditar que aquilo era possível. Ela simplesmente pensava isso dele? Ela simplesmente acreditava que ele poderia ser comparado a um traidor? Não, ele não era um traidor, ele não poderia fazer isso nem que sua vida dependesse disso e não poderia colocar vidas inocentes entre seu orgulho. Ele estava no que se poderia chamar de A rock and a hard place e em nenhuma fresta em que olhava a luz parecia passar. A mulher queria a maça- como ele poderia pensar que era outra coisa? Ela tinha matado por esse poder- a mesma fruta que poderia dar a ela o poder divino ou a sabedoria de mil anos, ambos sabiam que o fruto proibido não estava em nenhuma mão conhecida. Jimmy tinha lhe dito abertamente que a fruta não estava mais onde ele pudesse ver e o destino dela não estava mais em suas mãos. Quando o pintor lhe disse isso em tom de confidencia Dean achou um alivio de uma certa forma, como ele poderia saber que agora seria ele quem deveria revirar o mundo pelo avesso para encontra-la?

Quando ele falou foi com raiva:

–O que te faz pensar que eu posso encontrar tal fruto? Por um momento ele pensou que sua fala bem poderia ter saído de um filme medieval, mas a realidade era muito mais dura do que isso- Jimmy não está mais com ela e ele não está em um estado de ser forçada a encontra-la.

Era de doer em seu coração como essas palavras eram verdadeiras. O pintor agora morava em sua casa, longe (bom, a um corredor de distancia) de sua família e se recusava completamente a falar com qualquer um deles. Tinha sido muito difícil fazer com que ele simplesmente olhasse nos olhos de Gabriel ou falasse com Cas e aquilo o deixava muito triste e era um lembrete constante de todos os momentos que ele e Sam brigaram na vida. Mais do que ninguém ele sabia como o pintor milionário estava se sentindo e ele era a ultima pessoa que queria perturba-lo ainda mais.

No entanto ele sabia que a mulher do outro lado da linha não seria exatamente compassiva a isso. Ela queria algo dele e ele teria de fazer aquilo.

As próximas palavras dela fizeram o sangue do jovem engenheiro gelar completamente.

–Dean Winchester, sinto muito pela sua misericórdia, mas você vai ter de fazer isso quer queira ou não- a voz dela dançava com o tom melodioso e o que o homem de olhos verdes poderia pensar era que logo mais adiante ela estaria mudando de tom, ele não errou nesse julgamento. A voz da mulher quebrou coo uma medusa e passou a ser áspera como espinhos- Me diga Dean... você sabe onde seus queridos amigos estão?

O homem engoliu em seco. Sua mente foi mais rápida do que qualquer coisa, ele tentou s elembrar onde ele tinha deixado todos aqueles a quem se importava, sua memoria viajou para Sam e Jessica que estavam levando Jimmy para o hospital geral para que ele finalmente pudesse se ver livre da cinta para as costelas. Ele mal poderia esperar para ver o pintor andar sem dor. Depois disso ele viajou a escola primaria onde seus filhos estudavam, esse era o ultimo dia de aula deles antes do feriado para o natal e eles estariam seguros com Jo que tinha de muitas maneiras mostrado que era a pessoa perfeita para protege-los. Ela se importava muito com as duas crianças. Ainda haviam duas sombras em sua mente mas ele preferiu mentir em sua resposta:

–Sei. Em sua frente o sorriso do homem bêbado se alargou.

–Você tem certeza? A mulher parecia cheia de soberba com o que estava declarando nas entrelinhas. A única coisa que Dean poderia pensar era em ficar calmo. Ele não sabia onde Gabriel ou Cas estavam, ele não tinha nenhuma pista do paradeiro deles, mas se tinha uma coisa que ele predeu com seu filho e com seu cunhado era seguir seus instintos. Naquele momento seu coração dizia a ele que nem Cass nem Gabriel estavam em perigo e isso dava a ele forças suficientes para continuar a mentir para ela.

Ele tinha muita certeza de que se ele deixasse ela montaria nele como um cavalo.

Dean Winchester não era nenhum cavalo.

–Tem certeza dessa afirmação? Ele poderia jurar que a mulher estava limpando suas unhas ao mesmo tempo que falava. Ela era assim muito interessado em seu dilema mental de qualquer maneira. Eu acredito que alguém está em um hospital.

Se Dean sentiu medo ee não deixou transparecer. Ele tinha aberto uma revista de carros que o assassino em sua mesa tinha jogado para ele. O homem de olhos amarelos podeeria ser um demônio, mas ele certamente sabia que a conversa demoraria muito mais do que ambos planejavam. Um outro fato interessante sobre ele é que por mais assustador que ele poderia ser Dean jamais poderia dizer que ele não entendia de carros.

–Isso é uma previsão que pode ser usada em qualquer um. Seu tom era categórico. Ruby poderia ver seu companheiro rindo para ele, ambos tinham apostado que a conversa seria um pouco mais longa do que ambos tinham em mante. A mulher não parecia estar impressionada, por tudo o que ela tinha visto de Dean ela sabia que ele não seria comprado assim tao fácil.

Ele era um homem de princípios apesar de tudo.

Ela sorriu para seu parceiro que estava sentando em uma mesa ao lado dela. O homem de olhos azuis era realmente muito mais paciente do que qualquer um deles e mesmo que até agora ele não tenha aparecido em momento nenhum diante de seus inimigos ela sabia que ele estava muito contente em permanecer assim. Ele tinham ideias para alguns dos personagens de seu mais recente jogo, mas não estaria fazendo nada antes do plano dela chegar ao pico. Era isso o que a fazia admira-lo. Ruby já tinha visto Azazel mexer com uma facas e chicotes, ma só que ela queria mesmo ver era seu amante se embeber com o sangue de suas vitas.

Em suas mãos com unhas bem cuidadas ela segurava o celular negro em uma das orelhas, mas em outra mão ela tinha uma especie de controle negro e brincava com ele passando as unhas pelos botoes vermelhos.

Ela parecia querer apertar um deles.

–Eu admito. Estou blefando- sua voz tinha voltado para a qualidade de veludo- mas posso dizer que você vai aceitar a minha proposta. Eu apenas quero a maça Dean, não é nada de mais a se pedir.

Dean não tinha comprado nada daquilo. Ele era mais do que disposto em fazer alguma coisa para parar com as mortes de crianças, mas ele não queria ter de entregar a chave para a destruição do mundo de bandeja.

–Não é nada de mais a se pedir? Você simplesmente quer encontrar a fruta que Deus proibiu para os homens. No meu livro isso é muito a se pedir.

Mais uma vez ele teve ímpetos de fugir dali, mesmo assim ficou em silencio. Ele aguardava pelas próximas palavras da mulher.

Por cerca de o que parecia ser uma eternidade ele olhou para a tela da TV que estava em sua frente. Estava passando uma das series favoritas de seu filho e ele não poderia parar de pensar neles. Ele sabia que as suas crianças eram as próximas da lista e não queria arriscar mais. Ele não sabia o que fazer, ele nunca deveria ter vindo para essa cidade e cada vez mais pensou que ele poderia ter feito alguma coisa para impedir Sam de se casar com aquela mulher.

Infelizmente o passado deveria ficar no passado. Ele estava ali. Diante de um assassino de olhos demoníacos e da possibilidade de colocar o mundo em uma guerra que levaria a mais mortes e destruição. Ele estava em meio ao apocalipse e não poderia sair de lá.

Era bastante irônico como seu pai louco não parecia mais ser louco agora. O homem realmente tinha feito um bom trabalho treinando eles em todos os tipos de luta e fazendo-os segurar armas aos quatro anos de idade.

Ele teve de voltar sua atenção para o telefone. A mulher tinha voltado a falar:

–Hum... eu acredito que você ainda não entendeu o que eu quis dizer quando perguntei sobre seus amigos Dean- ele nunca poderia descobrir como ela fazia para ficar mudando de voz o tempo todo. Agora ninguém poderia imaginar, se ouvisse essa voz, que ela era a pessoa mais procurada em trinta e cinco estados- você pensa que eu poderia estar assustando-o com blefes e mentindo em dizer que estou com um deles aqui comigo, não, eu não estou com um deles- de alguma forma o engenheiro não se sentiu prestes a comemorar, ele sabia que o pior ainda estava por vir- mais eu estou com uma coisa muito melhor. Olhe para a TV mais próxima querido.

Ela desligou o telefone sem falar mais nada.

Dean poderia se odiar, mas ele fez como foi instruído.

Mais uma vez seus olhos se arregalaram de terror.


Danny tinha ouvido suficiente. Ele sabia o que poderia estar acontecendo, mesmo que sua mente não estivesse tao certa quanto um dia já fora. O menino gordinho de olhos de esmeralda tinha o mais delicadamente possível pedido a sua professora para ir ao banheiro. Por cerca de um minuto a mulher olhou para ele com um ar de duvida, não era novidade para ninguém que o pequeno Daneiel Smith nunca tinha realmente ido ao banheiro, claro que ea sabia que ele poderia fazer outras coisas lá e desde que o pobre estava espirrando tao fortemente ela não tinha para que duvidar dele. Ela nunca saberia que o menino era melhor ator do que sua irma.

Ele saiu da sala com um sorriso petulante em seus lábios. Era hora de colocar o jogo para frente.

Mesmo assim ele se escondeu no banheiro antes de sacar seu celular e discar um numero muito conhecido.

–Danny? Por que você está me ligando? A voz de Lisa tinha ficado urgente em um único segundo. Ela sabia muito bem que seu gêmeo nunca usaria seu telefone com futilidades, ele era um menino muito diferente da media para simplesmente mandar mensagens em uma aula chata. Os dois tinham sido mudados de turma e separados em seus horários escolares, enquanto o menino estava tendo uma aula muito irritante sobre um livro infantil Melissa estava jogando vólei na quadra mais longe das salas. Essa era a única aula em que os alunos poderiam usar seus telefones, o professor era muito cansado para fazer qualquer coisa com os alunos de qualquer maneira.

–Lisa- disse Danny em um tom solene. Aquilo tudo deixou a menina ainda mais alarmada- eu preciso que você me encontre na saída de incêndio da escola em cinco minutos.

Por um momento a menina chegou a pensar e seus amigos. Ela sabia que alguma coisa iria acontecer na escola, tinha de ser isso! Danny nunca tinha usado um tom tao solene antes e aquilo a deixou assustada, mas como ela conhecia muito bem se irmão ela poderia dizer que se ele pediu apenas a ela para fugir seus amigos ficariam bem. Era nisso que ela tinha de acreditar. Danny não iria sacrificar a vida e a saúde de Vanessa se ele tivesse uma sombra de duvida de que ela estaria bem. Por incrível que pareça um outro rosto apareceu na mente da jovem menina e ela ficou vermelha por um curto período de tempo. Ela não queria acreditar que Dylan fazia isso com ela...

antes que ela pudesse pensar em mais alguma coisa ela disse com toda a determinação que poderia juntar:

–Cinco minutos Danny? Eu chego lá em dois.

Sem mais nada a dizer os dois desligaram seus telefones.


Quando ela abriu os olhos ela não poderia imaginar que estaria vendo um teto branco e nem que estaria sentindo tanta dor. Por mais que tentasse ela não era capaz de se lembrar onde diabos estava e o que poderia ter acontecido para ela estar ali. A ultima coisa que cruzou sua mente foi uma forte pancada em sua cabeça e o sentimento de falha que a corroía.

Jo Harvelle não conseguia entender esse sentimento.

“Aonde eu estou?” pensou ela, por mais que ela tentasse não era capaz de abrir seus olhos mais do que uma simples brecha e aos poucos suas pálpebras iam se sentindo cada vez mais pesadas, cada vez ais pesadas... até que a escuridão a consumiu mais uma vez.

Na segunda vez que a consciência tinha voltado para ela tudo parecia mais claro, a luz não mais irritava da forma como já tinha irritado e ela poderia mexer sua cabeça para a direita sem machucar-se muito ou sentir muita dor. Aquilo era uma melhora gritante. Ela não pode deixar de repara que haviam uma enfermeira ao lado dela mexendo em o que parecia ser uma linha intravenosa.

O que mais impressionou a mulher eram os olhos violetas de enfermeira, ela sabia que já a tinha visto em algum lugar mas não conseguia se lembrar onde.

Ela se esforçou para dizer suas primeiras palavras:

–Onde estou? Nada a tinha preparado para ouvir sua voz quebrada como era. Parecia que ela tinha passado mais tempo ali do que poderia dizer. Aquilo a assustou.

A enfermeira de olhos ametistas a olhou com o que Jo poderia chamar de pena. Ela não queria nunca mais ser olhada daquela forma.

A outra mulher terminou de ajustar o que parecia ser o saco de soro e olhou fixamente para a mulher mais jovem. Ela tinha uma expressao que a lembrava de um quebra-cabeça e parecia completamente desorientada, mas tinha uma coisa que a enfermeira não poderia colocar nos olhos negros da mulher. Era uma especie de determinação em brasa que ela jamais poderia recusar. Se ela mentisse para a outra sua alma passaria a odiar a si mesma pelo resto da vida.

A enfermeira parecia ter se identificada com a policial. Era estranho para dizer o minimo.

Sendo assim ela resolveu dizer o que tinha para dizer sem que mexesse com a desorientação da mulher. Parecia ser o caminho mais correto a seguir e ela não queria assustar sua paciente logo no dia em que ela tinha despertado.

–O que você se lembra?

Para Jo aquilo era tao frustrante quanto seu treinamento policial. Quem responde uma pergunta com outra pergunta certamente não é uma pessoa ignorante. Ela poderia ver nos olhos roxos da outra mulher que ela sabia muito mais do que queria deixar passar.

Jo não poderia negar responder a pergunta feita. Ela queria saber o que poderia se lembrar eu que aconteceu com ela. Ela então forçou sua mente até as bordas de sua amineia.

A primeira coisa que ela se lembrou foi o barulho, um barulho enrobustecedor. A segunda foi o desespero que sentiu. Era como se ela tivesse correndo uma maratona.

Naquele momento todos os seus monitores biparam em uma orquestra desesperada. Jo não sabia o que estava acontecendo com ela, mas ela já tinha isto algo assim, ela poderá dizer que aquilo era bastante parecido com o que Cas sentia. Ela estava tendo seu primeiro ataque de ansiedade.

Sem dizer mais nenhuma palavra a enfermeira a sedou e ela caiu na escuridão mais uma vez.

Mais uma vez seus olhos tinham aberto para encontrar o teto branco do que agora ela sabia ser um hospital. Olhando para sua direita ela pode ver a mesma mulher que tinha lhe feito ter um piripaque e ela simplesmente sorriu. Seus pensamentos diziam-lhe que os olhos roxos eram confiáveis e ela tinha aprendido a seguir seus instintos. “Ela parece muito cansada” Jo pensava consigo mesma. A mulher diante dela não tinha percebido que ela já estava de volta a terra dos vivos e parecia presa em um sono merecido. Isso deixou tempo suficiente para que Jo voltasse aos momentos de introspecção onde suas lambranas tentariam voltar para onde ela estava e o que a tinha feito correr em um desespero.

Ela pode se lembrar do calor que sentiu, do cheiro forte de pólvora e de todo o reboco que caia sobre seus cabelos dourados. Ela ouviu alarmes e mais alarmes soando ao longe e pode ver o rosto de muitas crianças correndo desesperadamente e sendo soterradas. Seus olhos se arregalaram quando ela finalmente se lembrou. Ela estava no colégio dos meninos Winchester, Danny e Lisa não estavam em nenhum lugar que ela poderia ver e seu inimigo tinha jogado uma bomba na cabeça de todos eles. Ela não precisava ser muito inteligente para saber que aquilo tudo era mais um plano de Ruby, provavelmente seria o suficiente para fazer a policia e Dean se curvarem diante de suas chantagens. Ela continuava correndo pelos corredores destruídos e parecia não temer a possibilidade da estrutura fraca das paredes, que já tinham sofrido um incêndio, caírem sobre si. Ela continuou correndo desesperadamente e não queria descansar, ela ajudava as crianças e professores que conseguia e mesmo assim não viu nenhum sinal dos dois meninos a quem deveria proteger. Ela estava ficando cada vez mais aterrorizada.

Ela pode se lembrar com um frescor de memoria que a ultima imagem que viu foi uma parede pintada de verde cair em cima dela acertando sua cabeça. Ela não tinha encontrada as cainças.

Lagrimas de diamantes cegavam a sua visao e ela percebeu que a enfermeira que há pouco estava dormindo estava agora olhando para ela. Dessa vez os olhos não refletiam pena e sim admiração.

–Você se lembrou. Uma voz muito parecida com a cantora Leann Rimes a cumprimentou, Jo ficou impressionada em não ter percebido como a mulher poderia ter uma voz bonita.

Tudo o que a policial conseguiu fazer foi inclinar a cabeça.

Ela se lembrava, ela se lembrava muito bem de ter falhado em sua missao.

A enfermeira misteriosa a deixou chorar o que ela pudesse. Ainda era cedo para dizer o que realmente tinha acontecido naquele dia, ela deixaria a jovem policial descansar sua cabeça e se preparar para descobrir que não só a escola tinha sido vitima de um atentado ou quantos dias ela estava desacordada.

Por enquanto ela deixaria a jovem policial descansar e chorar pela perda das crianças que ela tinha de proteger.

Todo o resto poderia ser feito depois.

Dois corredores de distancia daquele mesmo hospital três homens descansavam miseravelmente nas cadeiras mais desconfortáveis que eles poderiam estar. De seu ponto de vista que correspondia a cama de hospital de colchão duro Sam Winchester quase poderia sorrir com a imagem, se as coisas não estivessem tao fodidas para todos eles naquele momento ele até mesmo poderia considerar o fato de que Jimmy finalmente tinha voltado a falar com Gabriel como uma vitoria. Infelizmente eles tinham sido pegos no meio de explosões que tinham destruído três grandes lugares da cidade incluindo o hospital geral, a escola de seus sobrinhos e um restaurante de comida japonesa. Ironicamente a mulher mesmo sem ter a minima certeza de acerto tinha conseguido atingir exatamente os lugares onde cada um deles estavam, os outros edifícios, a torre transamérica, o museu do desenho e a praça Golden Gate não estavam em condições piores do que os três outros lugares. Sam parou de pensar racionalmente por cerca de alguns segundos, suas costelas doíam e seu corça ardia com dor, dor de não ter feito nada para salvar Jessica... não, sua mulher não estava morta e ele não estaria ali se ela estivesse. Tinha sido ela e mais ninguém a única a conseguir tirar os dois deles de dentro da enfermaria do hospital a tempo. Sua namorada era a maior heroína de todas! A única coisa que o fazia pesar em seu coração era que a mulher mais fantástica do mundo tinha sido levada por o que ele tinha certeza serem caçadores de recompensa trabalhando para sua ex. Jessica mal os tinha tirado de dentro dos escombro do que um dia foi o melhor hospital da cidade quando no meio ao caos uma van branca apareceu e apontando uma arma para Sam fez com que a mulher loira entrasse no carro sem mais nenhuma palavra. Por tudo o que lhe era mais sagrado ele poderia admitir para si mesmo que sua antiga mulher tinha um certo grau de estilo em suas jogadas, ela tinha criado o caos e a destruição para conseguir levar as pessoas mais importantes de sua vida. Mesmo sem saber o paradeiro verdadeiro de Danny e Lisa Sam sabia- não de uma forma intuitiva, ele era mais dominado pelo medo- que seus sobrinhos não estavam mortos mesmo não tendo sido encontrados nos escombros da escola. Ele poderia dizer que assim como Castiel os dois meninos tinham desaparecido da mesma forma que Jesssica.

Ele estava cansado de perder para a mulher, estava cansado de ver o desespero nos olhos de seu irmão e de ver Gabriel se sentir impotente. Ele tinha de fazer alguma coisa, mesmo com essas costelas quebradas e com um aviso do chefe dos médicos daquele hospital que ele não poderia levantar-se dali. Ele era um Winchester acima de tudo e não queria ver os cidadãos desesperados da cidade correrem atras de Jimmy para levarem-no a Ruby, ele não queria que alguém descobrisse a fruta do conhecimento e acima de tudo ele não queria que a mulher encostasse um dedo nas pessoas a quem amava.

Por mais raiva e vontade de lutar que Sam tenha ele poderia dizer a si mesmo que dar um passo agora não era sua prioridade. Ele estava em muitos remédios para dor e o simples fato de mexer sua cabeça era insuportável. Como Jimmy poderia ter passado por tudo isso? Para ele era como se seu corpo estivesse ardendo em brasa.

Ele se forçou a se acalmar. Nada disso faria sentido se ele não ficasse melhor. A cidade estava um caos e a maioria das pessoas se importavam muito mais com suas casas e famílias do que em seguir as ordens de uma mente insana. Mesmo que muitas dessas pessoas pareciam ter despertado o que há de pior depois das explosões. Em tempos como esses Sam nunca imaginou que a taxa de roubo e criminalidade da cidade triplicasse.

Ele respirou fundo. Suas costas e costelas doíam muito.

Não havia nada que ele pudesse fazer agora.

Sam decidiu por olhar as três pessoas dormindo diante de sua cama de hospital. A cena diante de seus olhos quase o fez sorrir, mas seus lábios eram muito pesados para esse movimento. Ele pode olhar detalhadamente a figura livre de Jimmy- que agora que não precisava mais ter medo de se mexer por causa de suas costelas parecia ainda mais inocente- embrulhado nos braços de Gabriel, os dois tinham voltado a se falar logo depois que o policial tinha corrido para onde eles estavam, Gabriel estava em um bando quando tudo aconteceu e tinha sofrido lesões minimas. Ele tinha visto ele e seu cunhado completamente desmaiados na calçada de concreto com todo o tipo de sujeira cobrindo eles e a única coisa que ele conseguiu fazer foi abraçar seu irmão e pedir-lhe desculpas. O pintor estava mais do que feliz em vê-lo e Sam sabia que era questão de tempo para eles voltarem a se falar, o homem de olhos azuis marcantes nunca seria capaz de segurar um rancor. Nas cadeiras de hospital Jimmy deitou sua cabeça no colo de seu mais velho e se enrolou como um passarinho na cadeira onde ele deveria estar comportadamente sentado, definitivamente ele não tinha jeito, era uma eterna criança. Sam poderia sentir sua alma mais feliz ao ver que pelo menos ele não iria sofrer mais em sua pele e não deixou de ter uma vontade de tirar uma foto daquele momento, ele sabia o quanto Gabriel detestava ver seu irmãozinho chupando seu dedo como se ele tivesse três anos de idade. Ele tinha aprendido com Jessica que Jimmy apenas faz isso quando esta terrivelmente preocupado e ele não poderia nem imaginar o que ele sabia que eles não poderiam descobrir.

Ele resolveu mudar seu foco antes de se perder em pensamentos desastrosos mais uma vez.

Olhando para Gabriel ele quase pode ver Dean. O homem mais velho de cabelos cor de lama estava em uma posição de sentinela. Qualquer um que tentasse tocar em Jimmy sentiria sua ira. Muito parecido com seu único irmão. O capitão tinha apenas ficado com alguns arranhões e não parecia dar muita importância a nenhum deles seu semblante demostrava que ele tinha dormido em preocupações por Cas, por Jimmy e por sua amada. Sam não poderia tirar isso do homem, ele tinha sido o único a jurar protege-los custe o que custar, ele tinha sido o único que realmente tinha uma historia pessoal com aquela mulher mais antiga do que seu casamente e por algo que Sam poderia chamar de destino tinha sido o único a não se machucar ou não encontrar a mulher cara a cara. Ele parecia muito desapontado com si mesmo. Outra coisa que ele jamais poderia tirar de Gabriel era a eterna ligaçao que o capitão tinha com sua Jessica, por mais incrível que possa parecer ele sempre agia como se ela fosse muito mais do que uma empregada para ele e Sam sabia, sabia com toda a certeza que ela era. Para ele sua Jessica era a quarta Novak e ele jamais poderia se afastar disso. Ao aprender a conviver com Jimmy ela tinha salvo a vida de Gabriel também, aquilo era claro como a água.

Sam não poderia nem imaginar o que ele poderia estar sentindo tendo sua irmãzinha levada para a barriga do monstro.

Por ultimo e não menos importante ele olhou para Dean. As feições rígidas de seu irmão indicavam que ele estava em dor, claro que ele estava. Dean foi o único a ver tudo em primeira mao, ele foi aquele que poderia evitar tudo com uma simples palavra e foi o que decidiu fazer as coisas da forma mais difícil. Ruby queria que ele entregasse a maça, que ele torturasse Jimmy com perguntas que o pobre não conseguiria responder e que em caso de a resposta nunca aparecer ele deveria roubar um quadro, um quadro de Jimmy que agora estava no museu de NY e que segundo as fontes da mulher era o mapa para a fruta da sabedoria. Um mapa que poderia fazer qualquer pessoa encontrar o fruto não importa onde ele estivesse. Sam não conseguia acreditar que algo assim fosse possível no mundo em que vive, mas a partir do ponto em que coisas estranhas vieram ao alcance de sua família desde que esse ano começou ele não poderia mais duvidar de nada. O advogado sabia que seu irmão jamais torturaria alguém muito menos alguém como Jim. Ele sabia que ele jamais poderia roubar, principalmente um quadro que pudesse trazer a gloria ao inimigo e ele sabia que nos momentos finais Dean poderia ter a certeza de que qualquer um em sua posição diria o mesmo que ele. Ele estava certo, todos eles fariam o mesmo, o que ninguém poderia saber era como extremista a mulher poderia se tornar.

Sam sabia que muitos pensamentos estavam passando pelos sonhos torturantes de Dean naquele momento, se ele pudesse ele os levaria todos embora. Dean tinha feito o que deveria ter sido feito. Não havia como saber as consequências de sua resposta, mas havia como saber o que ele teria de conviver com se aceitasse tudo o que ela tinha proposto. Não seriam eles os únicos a arrancar as respostas da terra e eles morreriam se tivessem de dar algo que pudesse transformar aquela mulher em deusa. Infelizmente era quase impossível se livrar do pensamento de que outra saída existisse, o pensamento era terrível e vinha da culpa a culpa que Sam sabia que todos eles estavam sentindo. Era como se dentro de cada um deles o peso do sangue de todos aquelas pessoas estivesse mais pesado, como se eles fossem as únicas boias em um auto mar e que tinham falhado em sua missão de salvar vidas.

Aquilo era ridículo, nenhum deles tinha como saber que a cidade iria se transformar em caos.

Mesmo assim com todos aqueles pensamentos racionais Sam sabia melhor. Por trás da armadura de desinteressado que exibia seu irmao era um grande coração mole que não media esforços para ajudar e vê-lo preso em uma situaçao como essa sendo o único que fez ele e seus soninhos, sem contar em seu namorado e na cunhada, acabarem feridos era demais para ele. Outra coisa que ele sabia era que Gabriel era igualzinho a Dean, por mais que os dois fingissem não se dar bem eles eram o que o advogado poderia chamar de “almas gêmeas”.

Sam decidiu que era hora de parar de pensar nos tipos de pensamento que estava fazendo. Ele estava conçada, dolorido e acabado. Todo o estresse emocional que tinha passado naqueles últimos dois dias o drenou completamente. Não saber onde seus sobrinhos estavam, não saber se Jessica e Cas estavam bem o enlouquecia e ele tinha certeza que não era bom para os outros três saber que ele tinha todas as memorias de tudo. Dean parecia extremamente relutante em contar para ele o que tinha acontecido e segundo suas suspeitas Sam acreditava que doiría muito mais ter de falar em voz alta tudo aquilo. Falar nunca tinha sido o forte de Dean e nessa situação deveria ser como a realidade batendo em sua porta. O Winchester mais novo se esforçava para continuar fingindo-se de grogue e adormecido que ainda não criou consciência do tempo que passou ou do ocorrido e por mais que ele soubesse que a presença de Jimmy ali era uma ameaça para sua farsa ele preferiu continuar jogando e ver quanto tempo seria capaz de comprar.

Seus olhos se fecharam quando uma das enfermeiras entrou no quarto.

Ele adormeceu quase que instantaneamente.


Lisa abriu seus olhos verde-selva e por um curto período de felicidade quase se esqueceu o que tinha ocorrido. Infelizmente para ela um simples olhar em volta dize muito mais do que ela queria ouvir. Aquele não era seu quarto, ela não estava em sua cama com seus parentes e amigos e as coisas não eram dignas de um clima de férias de verão onde ela geralmente dormia na casa de colegas.

Aquele era o segundo dia depois de um caos provocado por uma única pessoa, o segundo dia depois de ela ter corrido empurrando a cadeira de rodas de Danny e sem conseguir olhar para tras, ela não era mais capaz de ver mais mortes ou ouvir falar sobre elas, não mais depois de ter visto em primeiro plano uma colega de colégio morta diante de seus olhos.

Ela sabia que poderia confiar em Danny, ela sabia que ele tinha previsto a coisa toda e estava muito orgulhosa com ele, mesmo assim ela sentia um aperto no peito por não saber como estavam aqueles a quem ela se importava. Não saber como estava seu pai, seus tio e Jessica alem de seus poucos novos amigos a entristecia. Sim, ela sabia que era parte do papel deles fugir de lá, ela sabia que eles tinham negocios para cumprir mas não poderia aguentar tanto tempo sem ver seu pai.

Os olhos da pequena menina começaram a se encher de lagrimas quando ela se lembrou de Jo. A pobre mulher deveria estar pensando que não tinha sido forte o suficiente para protege-los e eles não tiveram nenhuma escolha a não ser deixa-la pensar assim. Eles tinham que ficar escondidos se quisessem fazer as coisas da forma correta.

Mesmo assim ainda lhe doía pensar nela.

Em jimmy ela sabia que era impossivel. Quando viu pela primeira vez a mensagem pirata que tinha aparecido em todos os canais de TV aberta ela quase morreu sem ar. A mulher que um dia chamou de tia estava agora praticamente obrigando as pessoas de sua nova cidade a buscarem Jimmy para ela. O pior de tudo tinha sido a parte que ela disse que não queria que ele chegasse ao endereço que ele tinha colocado na tela morto porque ele era muito útil. Era claro que a mulher tinha certeza de que o povo ignorante pensaria que o motivo de toda a destruição era Jimmy, e era mais claro ainda que esse mesmo povo ignorante iria procurar por vingança.

Ela respirou fundo. Se olhasse pela janela poderia ver muitos e muitos militares passeando pelas ruias como se ela estivesse em uma guerra. Tudo estava uma bagunça e pelo que ela sabia a guarda nacional estaria nesse exato momento investigando o endereço que a mulher colocou na tela. Lisa tinha um forte sentimento de que aquilo seria mais uma armadilha. Não avia nada que ela pudesse fazer para avisa-los no entanto.

Ela balançou a cabeça para afastar os pensamentos ruins que tinha. Agora ela estava segura e sabia que as coisas teriam um melhor destino dali por diante.

Descendo as escadas da casa ela pode sentir o cheiro de panquecas saindo do forno e seu estomago roncou, por mais que ela não queria sentir esse cheiro, um cheiro muito próximo de casa, ela não poderia recusar boa comida que o homem ruivo a tinha oferecido. Mesmo sem saber como ele poderia ter conhecido Danny ela poderia confiar nele. Ela tinha uma certa impressão de que havia mais coisas nesse homem do que os olhos podem ver. Outra coisa importante era que Danny chamava o homem de amigo e qualquer pessoa que fosse amigo de seu irmãozinho seria muito facilmente amigo dela.

Quando ela parava para se lembrar de como tudo tinha acontecido a única coisa que ela poderia pensar era que o homem ruivo diante dela não era um ser desse munda, na verdade ela tinha certeza daquilo. Logo que ela e Danny saíram correndo da escola sem que ninguém percebesse eles foram para uma pequena pracinha onde, milagrosamente, tudo que acontecia de ruim no mundo não conseguia alcáça-los. Ele os cumprimentou e apresentou um amigo que a princpio Lisa poderia pensar que era uma alucinaçao da mente do homem, mas como ela já tinha convivido com todo o tipo de loucura de outros mundos por causa de Danny e seu tio Jim ela preferiu não julgar e fez a coisa certa. Um pouco de tempo depois, ao perceber que a menina loira não conseguia ver a quarta pessoa Danny- Lisa sabia que ela não conseguia ver espirito nenhum, ela apenas sabia que ele estava querendo ver como ela iria se comportar diante de tudo o que estava acontecendo- sussurrou em seu ouvido a coisa mais louca que ela poderia pensar. Ele disse a ela para fechar o olho esquerdo e se concentrar em uma luz laranja. Nmao demorou muito para que seus olhos se arregalassem e ela finalmente pudesse ver o homem de cabelos loiros que o tempo todo estava em sua frente.

Ela sabia quem ele era. Ela já o tinha visto milhões de vezes!

Depois de oito anos convivendo com um irmão doido que vê coisas insanas e um tio que parecia uma mulher gigante Lisa era muito mais inteligente para não fazer comentário depreciativos mesmo que eles fossem de brincadeira. Ela não teria coração para falar coisas com: “Onde você teve esse tempo todo quando Jimmy precisou de você? Será que a passagem de lá para cá é assim tao cara?” pelo sorriso de Miguel ela poderia saber que ele tinha lido seus pensamentos. Não demorou muito para ela rir junto com ele.

E aquele tinha sido o dia mais bizarro de sua vida. Ela tinha vindo a gostar de um fantasma no mesmo dia em que a cidade estava desmoronando.

A menina não era burra. Ela sabia que um dos dois amigos de Danny tinham algo de muito importante para fazer ali e se eles estavam agora no mesmo barco que essas criaturas que não eram humanas, mas ainda assim eram legais, Lisa sabia que eles tinham planos para ela também. Era isso o que ela mais queria!

A mãozinha da menina fechou-se em um punho enquanto ela observava o homem de cabelos laranja preparar o café da manha dela e de seu irmão. Sel ele tinha um trabalho para ela e se isso a desse deixas para mostrar a Ruby um pedaço de sua mente ela o faria com todo o prazer. Não importava se a pessoa que estava fazendo seu café era um anjo de outro mundo ou um personagem de um romance fantástico. Ela tinha aprendido a não julgar há muito tempo.

A pequena menina sem mais nenhum pensamento em mente desceu as escadas para se juntar ao homem e ao espirito do amigo de Gabriel, ela não prestou nem um bocadinho de atençao ao fato de que acriatura laranja não estava comendo e sorriu amplamente para os dois adultos. Ela sentia dentro de si que essa aliança iria ser muito proveitosa.

Miguel poderia praticamente dançar com a força de energia que emanava de Lisa. Ela era definitivamente uma guardia. Trocando um olhar com seu amigo carnado ele pode perceber que os dois estavam no mesmo comprimento de onda. Talvez as coisa finalmente estivessem indo em um caminho melhor.

A aura do policial que há menos de dez anos habitava esse mundo se escureceu um pouco com um apelo silencioso que ouviu em sua mente. Ele sabia que as coisas estariam ficando muito mais escuras antes de o fim chegar.

Mesmo assim ele ainda tinha fé.

As ondas de medo e choque começaram a crescer cada vez mais dentro de seu enucleio. Miguel não pode resistir a ir para onde era chamado e dentro de poucos segundos ele estava diante de seu grande amigo e de seu irmão de espirito. Gabriel parecia completamente alheio a sua presença e Jimmy não iria fazer nenhum movimento para quebrar a concentração dele.

Eles estavam em uma capela, uma pequena capela nos fundos de um hospital. O espirito Miguel poderia sentir a dor física dos ferimentos de seu amigo e as lagrimas salgadas que traçavam a sua face. Olhando para seu escolhido ele pode ver os olhos azuis fechados em dor, dor que ele bem sabia de onde estava vindo. Jimmy sabia tao bem quanto ele que seu irmão mais novo e sua querida amiga estavam nas mãos da mulher, ele sabia que o caminho dos dois ainda seria muito escuro e que eles poderiam nem ao menos voltar com vida. Aquilo doía-lhe muito, mas ele sabia que tudo era necessário.

Jimmy abriu seus olhos brilhantes e olhou fixamente para os dele em um pedido silencioso. Ele se importava muito com as duas pessoas que tinham sumido, ele estava nervoso pelo que poderia acontecer com eles e sobre o envolvimento de Danny e Lisa no meio dessa guerra. Ele não queria que nenhuma das crianças se machucasse e preferia estar em seu luar.

Miguel poderia sentir cada pensamento como se fosse seu.

Ele se aproximou do pintor de cabelos cacheados e segurou seu olhar mais uma vez. Em uma voz que imitava o trovão ele disse:

–Você já passou por tudo o que tinha de passar meu amigo. Dessa vez é o seu descano e a hora de Daniel e Melissa para provarem seu valor.

O pintor de olhos azuis apertou delicadamente o braço de seu irmão. Ele sabia como o outro estava certo em tudo, mesmo assim era muito difícil aceitar o que estava acontecendo. Ele não queria que mais ninguém se machucasse por algo que era a sua culpa.

–Não é sua culpa Jimmy.

A energia laranja poderia sentir que o homem duvidava completamente disso. Não havia nada que ele pudesse fazer. O pintor er a pessoa mais teimosa que ele tinha visto em sua vida.

Miguel viu seu antigo parceiro terminar sua precie silenciosa e puxar delicadamente seu irmão para fora da capela. Tudo em Jimmy ainda demonstrava que ele estava completamente apavorado com o que estava acontecendo, mas pelo menos a tragedia tinha trazido os dois as pazes mais uma vez, nenhum deles tinha sido feito para viver longe dos outros.

Ele voltou para a casa de Chinataw quando a porta azul da capela se fechou.

Ainda era muito cedo para o desespero e ele poderia acreditar nisso. A hora para as duas crianças que tinham se provado verdadeiros guardiões estava para chegar e as coisas ainda poderiam ter um resultado melhor do que os últimos meses. Miguel poderia chamar o que eles estavam fazendo de uma retirada estratégica.

Logo logo eles estariam juntando suas forças para voltar ao jogo. Estava na hora de algumas peças do tabuleiro fazerem sua aparição.

***

Dean não poderia acreditar que uma mulher tao forte estava se debulhando diante de seus olhos. Ele já tinha dito mil vezes que nada daquilo tinha sido culpa dela e que ele não estava- ele tinha muitas pessoas para culpar, mas com certeza não era ela- colocando a culpa do que tinha acontecido em cima de Joanna Harvelle.

Mesmo assim a mulher ainda insistia em pedir desculpas. Era quase impossível de imagina-la como uma policial competente a partir da forma como ela estava agindo.

Para começar ele tinha sido acordado muito cedo naquele dia e foi praticamente jogado para o outro lado do hospital por uma enfermeira de olhos roxos que desesperadamente dizia para ele que se ele não estivesse ali ninguém mais poderia acalma-la. E foi assim que ele acabou por enfrentar uma mulher que tinha feito de tudo para ajudar ele e sua família mas que agora não passava de uma poça de auto-piedade e choro.

Jo continuava repetindo que ela deveria ter previsto alguma coisa, que ela deveria ter sido mais rápida, que os dois anos que ela tinha passado na academia deveriam ter servido para alguma coisa...Dean não aguentava ouvir nada daquilo, ele não queria ouvir nada daquilo, tudo era bastante familiar com o que tinha ouvido de uma outra mulher loira, uma mulher loira que tinha ficado no passado e que ele se recusava em chamar pelo nome. A mulher que um dia foi sua esposa também tinha aquele olhar, mas em vez de lagrimas de tristeza por não ter sido boa o suficiente ela tinha em seu rosto diamantes de raiva forjados com puro ódio.

Era a mulher com quem tinha casado que ele estava vendo em vez de Jo. Os fantasmas do passado tinham voltado para ele e pouco a pouco ele recordava a terrível briga que tiveram cerca de duas semanas antes de ela se suicidar. Ele poderia sentir o cheiro de café fresco e pão vindo de sua antiga cozinha, ele poderia praticamente ver os colibris voando na janela em sua frente exatamente como eles estavam há tanto tempo atrás. Ele foi afetado pela mesma tristeza que sentiu há oito anos e teria chorado seus pulmões para fora de uma mão amiga cujo dedo médio descansava um anel de perolas o trouxe de volta ao momento presente.

–Dean...? o questionamento de uma pessoa que há poucos minutos parecia tao fragil mas que agora estava disposta a ajuda-lo a lutar contra sua sombra foi mais tocante do que qualquer outra coisa. Os olhos de Jo agora estavam secos e Dean poderia dizer que tinha voltado de volta para o futuro (n).

Ele sentou0se pesadamente sobre a cadeira que estava de frente para a cama. Estava mais do que na hora de falar algo reconfortante para a mulher, era o minimo que poderia fazer.

–Ninguém é vidente como Jimmy Jo, se tivesse alguém que poderia ter previsto- e eu acredito que ele perveu- esse caos todo com certeza é ele. Os olhos verde musgo nunca estiveram toa sinceros em sua mensagem. A mulher engoliu em seco, não havia como argumentar contra isso.

Ela retirou parte de sua franja dos olhos para encarar o homem que tinha confiado sua família a ela. dava a impressão de que um peso ainda não tinha sido deixado de lado.

Os lábios delicados da mulher pronunciaram as seguintes palavras com um ar calmo, mas toda a tensão do mundo poderia estar logo abaixo da superfície:

–Mesmo assim eu ainda poderia ter feito alguma coisa... eu procurei por eles depois que tudo desmoronou, mas eu não os encontrei, eu não consegui achar nenhum fio de seus cabelos loiros!

Como se em uma dica o engenheiro mexeu em seus próprios cabelos. Ele não sabia como reagir a isso. Tinha uma possibilidade de seus filhos estarem lá no meio dos escombros, mas o que ele acreditava realmente era uma outra historia...

–Você acredita que eles estão mortos Jo?

Não haveria nenhuma forma mais fácil de perguntar algo como isso. O engenheiro viu em primeira mao os olhos da mulher se arregalarem como pires e ela conservava um semblante estoico entre a tristeza plena e o medo. Logo depois todas suas feições foram substituídas por um sorriso melancólico.

–Se eles estivessem mortos Jimmy não estaria o tempo todo no quarto de Sam, ele estaria atras de você tentando fazer com que você se sinta melhor.

Dessa vez os dois sorriram. Aquilo era verdade. Desde que tudo aconteceu Jimmy tinha se dividido entre ficar fazendo companhia, ou o máximo que ele poderia fazer sem ficar entediado e atrapalhar as enfermeiras, a Jo sempre com seu caderno de desenho nas mãos ou ficar no quarto de Sam rezando fevrosamente para que ele fique bem. O pintor nunca disse nada sobre a possibilidade de Danny e Lisa estarem mortos e Dean poderia jurar que tinha muitas coisas que ele não o estava dizendo. O simples fato de uma pequena certeza de esperança poderia deixar Dean muito mais leve, seus filhos não estavam com ele mas não estavam debaixo de nenhum pedaço de parede ou concreto com seus corpos desfigurados. Isso era o maior alivio para um pai.

–Eu tenho de concordar- disse ele com um ar mais leve- Jimmy não tem deixado esse quarto por muito tempo. Você deve ter sido desenhada no caderno dele umas mil vezes.

A mulher corou e o engenheiro não pode acreditar no que estava vendo. “Será possível...?” pensou ele. Se Jo realmente estivesse demonstrando alguma especie de interesse amoroso por Jimmy as coisas ficariam muito interessantes e ele estava mais do que disposto a ver como tudo ia terminar.

–Eu não sei- disse ela com um pouco mais de dignidade em seu rosto, ela não deixaria ninguém a ver como uma pombinha apaixonada- ele nunca me deixou ver seu desenhos.

Definitivamente aquilo soava interessante. O Winchester sabia que havia mais a ser investigado ali, mas preferiu deixa-la descansar dessa vez. A mulher ainda estava muito abalada e tinha ganhado muitos ferimentos an queda da estrutura da escola de uma forma heroica. Ela tinha salvo muitas crianças e isso valia para ele da mesma forma que valeria se ela tivesse voltado com Danny e Lisa em cada braço. Se ele olhasse para os lados e visse a quantidade de cartões de agradecimento de varias crianças ele quase poderia chorar, por causa dela numero de mortes foi muito menor do que poderia ser.

Ele se afastou da cadeira e pegou um dos cartões. Era o único que não tinha nenhum desenho, um simples papel branco dobrado ao meio onde poderia-se ler as palavras “Muito obrigada”, aquele era o cartão de Vanessa Cook, uma menina que há pouco tempo estava disposta a se suicidar por causa da falta de amor e agora era muito feliz em permanecer viva. A menina tinha entrado dentro de sua vida como uma amiga de seus filhos e ele era grato por isso, pois, desde que tinham chegado nessa cidade a vida de seus pequenos tinha se tornado tal batalha que os tinha feito perder o que eles realmente precisavam; bons amigos. Dean poderia dizer que ele era eternamente grato por ela ter sobrevivido, assim ele não ia ver as carinhas murchas de seus dois meninos quando ele contasse sobre o que tinha acontecido enquanto eles estavam fora.

Sim, ele acreditava que seus filhos simplesmente estavam fora, fazendo a sua parte nessa historia seja ela qual for.

–Nada foi culpa sua Jo.

A mulher fitou seu olhar com uma determinação muito maior do que ela tinha demonstrado anteriormente. Ela olhou para o cartão e conseguiu dar mais outro sorriso verdeiro.

Não demorou muito para ela responder:

–Eu sei Dean, mas eu queria que eles estivessem aqui.

O engenheiro não tinha mais nada a responder diante disso. Seu sentimento era reciproco e verdadeiro.

Um simples inclinar de cabeça foi tudo o que a mulher recebeu. Ela não precisava de mais nada. Ambos continuariam acreditando que os dois meninos estavam vivos em algum lugar. Eles tinham de acreditar.

Dean não contou a Jo que encontrou no meio dos cartões um desenho dela que ele sabia muito bem quem o tinha feito.

Antes que ele fosse expulso pela enfermeira ela saiu da sala com um pequeno sorriso de triunfo. Ele sabia que ali tinha coisa.


***

Jessica abriu os olhos para a escuridão total. Por mais que ela desejasse não era capaz de esquecer-se de tudo o que tinha sofrido e da dor que tinha sentido. Faziam apenas dois dias que ela estava entregue aos corvos deixada ao relento em uma pequena sala escura que não tinha espaço nem para que ela se erguesse sobre seus pês.

Seu nariz estava quebrado assim como seu coração. Ela não estava mais ouvindo os sons da cela ao lado.

–Cas! Ela gritou e todo o seu coração saiu pela boca.

Ela sabia que de vez em quando os capangas de Ruby iriam brincar com a mente de um deles, ela não precisaria estar ali muito tempo para saber disso. Depois de ouvir tanto sobre guerras e atos de atrocidade da historia ela mesma poderia se imaginar como uma doutora em técnicas suspeitas de interrogatório.

Tinha sido há pouco mais do que duas horas- ela ainda conseguia contar mesmo que sua cabeça latejava como um sino- que eles tinham entrado na cela ao lado onde Castiel era suposto estar, ela tinha ouvido os gritos, as ameaças e poderia sentir o medo fluir para seu lado como se fosse uma onda de ar. Ela poderia chamar seu amigo de bravo e sabia que ele não iria decepcionar nenhum deles, mas a questão era o tempo... eles não aguentariam por muito tempo, não depois de ter sobrevivido a um desastre como o que eles tinham enfrentado. A mulher tinha chegado ali com varias contusões que não tinham sido feitas por nenhum homem e Cas estava em uma condição um pouco pior do que a dela. Ele era o único que estava no restaurante japonês e o que ele estava fazendo ali ainda era um mistério, mas não bastou mais do que um olhar para ela saber qu eele estava muito pior do que ela.

–Cas! Ela gritou mais uma vez continuando a acreditar que seu amigo era muito mais forte e não iria morrer depois de dois dias. Ela tinha de acreditar naquilo.

Jessica empurrou sua orelha para a parede imunda de sua cela. Ela tinha as pernas na frente de seu peito em uma das únicas posições que conseguia ficar no local minusculo e rezou para conseguir ouvir qualquer som.

“Vamos Castiel, não morra agora. Eu não sou tao forte quanto você pensa.”

Ela cruzou os dedos e chamou por ele mais uma vez.

Nenhum só a cumprimentou do outro lado da cela. Era desesperador.

As lagrimas corriam livremente pelo rosto branco da mulher.

Jessica bateu com o punho na parede solida:

–Vamos seu idiota! Se você não acordar eu vou dizer a Gabriel que foi você quem usou o cartão de credito dele para comprar aquele jogo de cozinha!

Se isso não despertasse o interesse de seu amigo nada mais iria. O conjunto de facas garfos era praticamente o mais caro que ela já tinha visto e Gabriel nunca tinha ido com a cara do desperdício de dinheiro em coisas que ele considerava imuteis. Ele jamais entenderia que a comida que Cas cozinha se dá muito melhor com as melhores panelas...

Ela tinha feito a escolha correta de palavras. Aquilo certamente faria Gabriel ir atras de seu irmão até no outro mundo para mata-lo de novo. A voz abafada pode ser ouvida ecoando pelas paredes grossas e foi o suficiente para que ela se acalmasse.

–Eu ainda não estou morto Jessica. E mesmo se estivesse você não via dizer a ele que eu gastei dois mil dólares em um jogo de panelas.

Agora ela entendia o verdadeiro plano por trás de todas as explosões, Ruby queria que eles apodrecessem ali. Com a cidade e caos seria muito ais fácil deixa-los em ultimo plano, o que daria tempo para ela conseguir o que deseja. Mesmo assim ela poderia suspirar, eles tinham sobrevivido ao segundo dia.


Notas finais
Vamos e convenhamos, Dean como um diplomata é um bom engenheiro.
Comentarios sempre sao bem vindos!
Mandy