When You Have A Killer In Your Tail
19 Quando a esperança trás um novo olhar
Notas iniciais
Demorou muito, mais chegou. Finalmente.
Espero que, com todo o meu coraçao, ainda tenha alguem lendo e que voces gostem do que estao lendo.
Eu escrevo com vontade para todos voces!
Muito obrigada!
Meu passeio de doze dias New York me fez ter vontade de escrever muitas outras cenas de Lisa na cidade grande, mas eu tenho um roteiro a seguir.
XD
Estamos na reta final.
Muito obrigada a todos que fazem parte dessa saga.
“Se você foi reduzido a acreditar que Deus é sua única esperança, você está em um bom lugar.” Jim Laffoom
Dean olhava de um lado para o outro pensando que a qualquer momento ele poderia acordar. Era impossível acreditar que ele estaria diante de uma porta de madeira velha com tamanha emoção. Essa era a porta que o levaria a seus filhos, que o levaria a dar um passo a mais nessa jornada insana que ele tinha sido incluído.
Quando Gabriel ligou para ele dizendo que seus filhos estavam bem ele não parou para pensar em como diabos o policial tinha conseguido localiza-los, se foi através de um sonho maluco induzido pelo álcool ou por dias de pesquisa e infiltração policial de agentes especializados, como não era mais importante. Para ele, um pai solteiro, nada poderia ser mais valiosos do que saber que seus filhos estavam vivos e bem.
Depois de desligar o telefone ele saiu correndo do hospital e só parou em frente ao apartamento da Pine Street. Ele quase não percebeu que um sedan prata estava estacionado esperando por ele, foi somente quando Gabriel apertou a buzina que ele percebeu onde estava e o que era esperado dele. Ao entrar no carro ele não teve nem ao menos tempo de colocar o cinto de segurança, pois foi imediatamente bombardeado por noticias que a essa altura parecia uma melodia sagrada em seus ouvidos.
Seus filhos estavam bem!
Nada mais importava por pelo menos dez minutos.
Ele olhou para os olhos roxos de Gabriel, o policial certamente estava com muito sono- não era para menos, ele era a cabeça de muitas operações e ele tinha uma rixa pessoal com a mulher que tinha transformado suas vidas- e pensou que o homem ainda lhe escondia alguma coisa. Ele apenas não poderia dizer o que é.
Ele escultou com bastante atenção quando o homem de cabelos castanhos explicou-lhe sobre o sonho de seu tenente- que por sinal estava sentado ao lado de Jimmy no banco de trás- e arregalou os olhos quando as coisas começaram a fazer sentido na sua cabeça. Então era isso? Havia realmente uma família que devia favores a família dos guardiões? Eram todos eles a reencarnação dos homens que vieram depois de Adão e Eva? Ele não poderia dizer, mais pelo semblante incomum de Jimmy, uma expressão totalmente seria, aquilo não era para ser desprezado, haviam verdades por trás de suas interrogações. Verdades que ele ainda não podia revelar. Dean tinha um palpite que até mesmo ele, o pintor que era o homem mais envolvido em todos esses mistérios celestiais que eles dispunham, não sabia de tudo ao certo. Querendo ou não James Novak não era o guardião titular, ele era apenas uma pessoa de confiança que acabou sendo enrolada no meio de uma guerra apocalíptica.
Fazia mal ao engenheiro olhar para alguém que era tao parecido a seu amado. No banco de trás a figura descontraída de Jimmy que sempre insistia em usar camisas xadrez estava solene. Ele tremia debaixo do terno negro- provavelmente de Gabriel- que estava vestindo e tilha os olhos azuis escondidos de todos ao olhar para o carpete negro do carro. Aquela visão parecia injusta, nada disso era para estar acontecendo a nenhum deles...
-Não pense nisso.
A voz de Gabriel cortou o ar.
O engenheiro arregalou os olhos. Como ele poderia ter certeza do que ele estava pensando? Antes mesmo que Dean tivesse tempo de falar qualquer coisa o policial mais uma vez levantou a sua voz para todos escultarem com atenção;
-Se você se perder nesse trilho de pensamentos você nunca mais vai volta. Sei que somos pessoas que poderíamos ter uma vida completamente afastada desse tipo de ação, se é que você me entende, mais pensar que as coisas acontecem completamente por acaso não vai nos ajudar de maneira nenhuma. Precisamos ter a certeza dentro de nos que somos pessoas escolhidas, que fomos escolhidos para enfrentar esse mal a nossa frente por um motivo e que temos as ferramentas necessárias para fazer isso. Precisamos acreditar que somos a esperança de todas as pessoas que não sabem e nunca vao saber que essa caos na verdade é bem mais escuro.
O discurso do policial foi todo feito no improviso, na vontade desesperada de se apegar a alguma coisa, a alguma esperança. Dean sabia que mesmo que Gabriel estivesse pior do que ele em relação a incertezas e ao medo ele era o único que deveria continuar em frente continuar sendo o líder que ensina seus soldados o que eles devem ou não fazer. Mesmo que todos eles quisessem e sonhassem com vidas completamente diferentes da que eles estavam tendo agora, era necessário pensar que eles sao capazes de sair de tudo o que se meteram. Uma outra coisa que ele percebeu é que durante todo o tempo em que falou o capitão não tirou os olhos do retrovisor. Essa mensagem não era tanto para ele quanto ele imaginou. Se era para fortalecer os nervos de Chuck que estavam passando dos limites de um surto psicótico, ou se era para reafirmar a esperança dentro dos olhos ingênuos de seu cunhado Dean não sabia, no entanto, ele nunca esqueceria dessas palavres enquanto ele vivesse. A mensagem não tinha sido diretamente para ele, mais era exatamente o que ele tinha que ouvir. Com seus filhos de oito anos de idade na linha da frente de uma guerra sagrada ele não seria o primeiro a desistir de tudo o que já tinham conquistado.
Disso ele tinha certeza.
O resto do caminho tinha sido todo em silencio. Para quem estava acostumado a presença de Gabriel e a de Jimmy a viagem tinha durado muito mais do que realmente durou. Aqueles dois homens em um silencio quase que constrangedor era algo que fazia os nervos de Dean fritarem, literalmente. Ele não queria nem pensar o que estava se passando pela cabeça do tenente, pois, ele era uma das pessoas que conhecia Gabriel há mais tempo. Todos eles sabiam que não era no momento e nem a ocasião para fazer piadas ou tentar iluminar a situaçao, eles precisavam de foco para aguentar tudo o que estava por vir.
Essa era a primeira vez que o policial estava realmente com medo de abrir a boca. Ainda tinha uma informação que ele não estava divulgando a nenhum deles. Não seria justo com Dean, não seria certo dizer a ele que seus filhos estavam bem e logo em seguida dizer que sua filha mais velha tinham partido para Nova York com pessoas que ele nem sabia que existiam e com o objetivo de roubar uma obra de arte, que por sinal foi pintada por Jimmy. Era desnecessário dizer também que nesse exato momento Ruby estaria na mesma cidade tentando roubar o mesmo quadro. O capitão da policia poderia até mesmo imaginar a reação de seu cunhado depois que escultasse tudo aquilo. Dean o atacaria com palavrões e exigiria ir a grande maça para encontrar sua filha antes que a outra mulher a encontre. Não, Gabriel não tinha como lutar contra isso, era mil vezes melhor ele ir descobrindo as coisas paulatinamente...
Seja lá se entrar na casa de um desconhecido e descobrir que sua filha não está lá era algo que poderia ser considerado uma descoberta suave.
Gabriel simplesmente rezava para que as coisas não terminassem tao ruim como ele via em sua mente. Ele desejava que um adulto de sua confiança estivesse com a pequena menina, mas ele sabia, bem no fundo que ela era a pessoa mais recomendada para essa missão. Lisa era realmente uma das escolhidas e não tinha nada que ele pudesse fazer sobre isso.
“Bem aventuradas sejam vossas crianças” ele pensou enquanto seu carro fazia a volta para entrar no bairro chines.
***
O Central Park era realmente tudo aquilo que ela imaginou e mais um pouco. Havia arvores por todos os lugares e até mesmo o ar era diferente ali, mais úmido e muito gostoso. Era realmente um lugar apropriado para algo divino acontecer.
A única preocupação de todos eles naquele momento era que a ave de pano tinha sumido se suas vistas assim que ela tinha cruzado a quinta avenida. Lisa tinha interpretado aqui como um sinal de que eles deveriam fazer a parte deles agora. Eles deveriam procurar por todo aquele território sozinhos, sem a ajuda de uma pomba roxa feita de tecido de seda. Se eles estivessem em uma situação completamente diferente a menina não se importaria em passar a tarde inteira no Central Park, mas eles não tinham muito tempo, eles deveriam estar as sete horas da noite no aeroporto de Nova York.
-Fora isso- Eva começou a falar de todas as coisas que estavam contra eles naquele dia- Nos não temos a minima ideia do que estamos procurando, pode ser qualquer coisa!
Os seis amigos estava parados diante do monumento Imagine no Strawberry Fields, muitas pessoas estavam vindo tirar foto com o marco do maior cantor que esse mundo já viu e algumas estava até chorando pela morte de seu ídolo. Os judeus não poderiam estar em um lugar mais estranho para pessoas como eles e de vez em quando eles olhavam para o ceu a procura da pombinha de seda.
Lisa se sentou no banco enquanto olhava uma menina de vermelho sentar-se no circulo memorial e tirar uma foto de si mesma. Nada parecia mais ordinário, turistas indo e vindo aproveitando suas férias enquanto eles estavam ali caçando um objeto sagrado para livrar esse mundo de uma possível destruição.
A menina suspirou e disse em uma voz baixa sem nunca tirar os olhos da família de turistas que estava ali empolgada com seu passeio a cidade mais famosa do mundo:
-Essa é a nossa missão. Não poderíamos pensar que seria fácil, temos que achar seja lá o que for e voltar para a Califórnia nessa mesma noite.
-Mais como vamos saber se estamos indo na direçao certa? Essa era a vez de Benjamim abrir sua boca. O estrategista do grupo estava com um humor muito diferente do que ele costumava ter. Lisa não sabia se era a proximidade do inimigo que o fazia assim, mas ela não quiz perturba-lo sendo indiscreta. A menina não sabia como tinha se tornado a líder não oficial desse grupo, mais faria de tudo para merecer essa responsabilidade.
Lisa continuava olhando para a menina de roupa vermelha que estava conversando com o resto de seu grupo- ela poderia jurar que eram todos da mesma família- e parou um pouco para observar a cena, todos eles estavam ali cansados de tanto andar, ela poderia ver isso em seus rostos, mais mesmo assim não desistiam de chegar perto do memorial para sentir estar perto do cantor que tanto gostavam. Mesmo que a garota Winchester não poderia fazer sentido de suas palavras ela sabia que eles eram pessoas incríveis apenas pelo jeito como estavam conversando.
Aquela imagem deu a ela uma ideia.
-Sentindo! Nos vamos descobrir o que temos de achar se sentirmos com nosso corações, da mesma forma que uma pessoa sente a musica que ouve e descobre a melodia. Nos vamos nos dividir e sentir esse parque com nosso sexto olho na esperança de que achemos o que viemos buscar. O pássaro de seda não nos deixaria aqui sozinhos se ele não tivesse certeza de que somos capazes de encontrar o artefato.
Benjamim sorriu enquanto coçava seus cachinhos. O homem ruivo estava certo, ela era a líder que eles precisavam. Ele se levantou e olhou para cada um de seus amigos com olhar solene:
-Então sugiro que nos levantemos e corramos para vasculhas esse parque de ponta cabeça, pois temos uma pessoa a menos e cerca de três horas para que nosso voo saia.
Todos os outros olharam para seus relógios. Eram quatro horas em ponto e eles tinham uma área de 341 hectares para cobrir até as sete horas da noite.
A primeira coisa que eles fizeram ainda em equipe foi subir para comprar mapas do parque e marcar um ponto de encontro e um horário, eles deveriam estar naquele mesmo lugar as sete horas da noite, não importa que cheguem atrasados no aeroporto ou que tenham que comprar outra passagem. Eles só sairiam dali com o artefato em mãos. Benjamim sabia muito bem que Maria tinha um amigo piloto que lhe devia um ou dois favores e eles poderiam muito bem usar-los agora, sair dali não erao maior de seus problemas, eles deveriam sair de lá com tudo o que vieram encontrar e com suas vidas intactas. Não era a hora e nem o lugar para um confronto com Ruby e muito menos com a policia. Ele sabiam muito bem que eles deveria sair daquele estado o quanto antes para que nenhuma suspeita caísse sobre suas cabeças, ainda haviam pessoas que poderiam se lembrar de que eles estiveram ali e que uma de suas amigas tinha insistido para que o quadro fosse posto embaixo da janela. Não era seguro deixar ninguém juntar dois e dois, não era seguro andar nas ruas e muito menos voltar par ao hotel. Com Maria ainda ausente eles tinham que dar um jeito de fazer tudo o que vieram fazer e voltar em uma única peça com todos juntos ou nada valeria a pena.
Lisa olhava para o mapa do parque com desanimo em suas feições. Aquilo eram realmente a maior bolha verde que ela já viu. Como eles fariam para revistar cada centímetro dele?
-Muito bem- a voz de Benjamim cortou o ar mostrando sua capacidade para a liderança- vamos nos dividir da seguinte forma: Eva, você está cobrindo a area de Marlen Meer. Aviel, você fica com Great Law. Rebeka, você gosta do lago, fica responsável por The lake. Yeda, The Reservoir e por ultimo eu e Lisa ficaremos com The Pond.
Sem questionar cada um deles rezou uma pequena oração em aramaico e logo depois se distribuíram para sua missão. Melissa não poderia dizer o que motivou Benjamim a fazer aquela escolha mais ela tinha uma forte impressão de que ele tinha escolhido corretamente. Ela sabia que não gostaria de ficar sozinha nessa jornada e sabia que seria melhor se alguém fosse com ela. Eles iriam precisar de uma distração caso achassem o tal artefato e ela não conseguiria pensar em mais nada tal era o estado de seu cérebro. Ela agradeceria isso ao judeu mais tarde, agora eles tinham pouco tempo para completar sua tarefa e tudo o que a menina mais queria era voltar para casa e ver seu pai e seu irmão. Mesmo que essa visita a cidade não passe de três dias ela não queria estar ali mais nenhum minuto. Ela sabia que Cas e Jessica ainda estavam em apuros e sabia que tudo dependia deles. Mesmo sendo uma garota de oito anos ela não poderia se dar ao luxo de falhar. A segurança desse mundo estava em suas mãos e ela tinha prometido cumprir tudo o que seus ancestrais deixaram de fazer. Nenhum Winchester deixa o mundo na mão. Salvar pessoas é parte do negocio de família.
Ela olhou mais uma vez para a garota de roupa vermelha. Certamente ela tinha uma vida para a qual deveria voltar depois dessas férias. Certamente ela tinha pessoas que a amavam e que ela amava. Lisa não se perdoaria se um dia todos esses sonhos daquela jovem desconhecida, mais que por alguma razão incomum ela se sentia tao próxima, fossem tirados dela por causa de algo que ela deveria fazer e ainda não fez. A Ingenuidade de todas aquela pessoas que passavam suas feriam apenas com a preocupação de conhecer tudo o que deveriam daquela cidade era sua responsabilidade agora. Ela não deixaria que aquelas pessoas vindas de um pais distante do qual ela não fazia a minima ideia onde poderia ficar acordassem sob um céu negro de uma terra que se emergiu em trevas. Não se ela pudesse evitar.
Aquela era a hora de ela se converter nas heroínas que tanto sonhou em ser.
Ela correu então para a parte mais baixa do parque central acompanhando o homem de vestes negras que tinha os olhos tao afiados eu sorriso tao bonito. Ela confiava nele e em Deus para que tudo desse certo. Sendo ainda uma criança Lisa não tinha nenhum problema em deixar-se guiar por um adulto.
Os dois chegaram na área marcada para eles em menos de três minutos.
Não havia nenhum sinal do pássaro feito de ceda e tinta.
***
O homem loiro continuava a olhar para a porta de madeira velha e pintada de vermelho em sua frente. Esse pedaço de madeira era a única coisa que lhe separava de seus filhos e agora que eles finalmente tinham chegado até aquele bairro chines ele não ia descansar até ter as duas cabecinhas loiras sorrindo para ele. Era tudo o que ele queria, no meio da lama que ele tinha se enfiado a possibilidade de ter seus filhos saos e salvos de tudo o que tinha acontecido- e explodido- era um sonho, claro que ele não deixaria de encher-los com perguntas do tipo “O que diabos voces estavam pensando?” Sim, Dean sabia que se não fosse pela ideia deles saírem da escola antes de tudo acontecer eles provavelmente estariam mortos, ou pior, mas, mesmo assim, aquilo tudo não fazia sentido. Eles eram crianças por Cristo! Em sua mente crianças não deveriam fazer parte de grupos organizados e secretos com gente fanática que almeja salvar o mundo. Já não basta ele e Sam terem que passar por uma infância estressante? Já não basta eles terem perdido a mao, terem sido criados por um pai louco que morreu de burrice? Será que os seus filhos iam ter de passar por tudo o que eles passaram? Dean não poderia juntar todas as semelhanças entre o que tinha acontecido em seu passado e o que estava acontecendo para seus filhos, ele não queria acabar como o seu pai tinha acabado- ele ainda se culpava miseravelmente pelas explosões- e a única coisa que ele queria era poder abraçar Danny e Lisa e dizer a eles que tudo ficaria bem, mesmo que ele soubesse que ele nunca estaria sendo sincero.
O engenheiro olhou para seus amigos. Gabriel estava segurando Jimmy pela mão em uma cena realmente muito Gay, mas ambos sabiam que as coisas poderiam ser piores se o policial não estivesse fazendo isso. O pintor tremia de medo, ele até aquele momento não tinha visto o que tinha acontecido com a cidade (provavelmente aquilo tinha algo a ver com a morte de Adam Milligan, mas Dean não poderia trazer esse assunto para a superfície. Ele tinha visto quao devastado o pintor tinha ficado.) e quando Dean olhava para o outro dado ele via Chuck mexendo em seus óculos. Ele poderia juar que os três sabiam de algo que ele ainda não tinha conhecimento e não gostava nada daquilo, mas o que ele poderia fazer? Ele estava com tanto medo de abrir aquela porta e encontrar seus filhos transformados em He-man e She-ha* que ele não poderia mais pensar corretamente. A melhor coisa a fazer era realmente abrir aquela maldita porta. Ele lidaria com o que vier quando cruzar a ponte.
Infelizmente antes que o engenheiro pudesse usar toda a sua coragem para executar a ação de abrir a porta uma outra pessoa a fez. De dentro da casa de aparência confortável que era aquela saiu um homem de cabelos ruivos como o fogo e olhos castanhos quase esverdeados. Ele era magro e muito branco e tinha uma pequena cicatriz embaixo do olho direito, tao pequena que Dean duvidou que poderia ser vista de longe ou a noite. Imediatamente Dean recuou, tinha algo naquela pessoa que inspirava respeito, algo que ele nunca poderia dizer o que era, mas que o fez confiar nele imediatamente.
Com o canto do olho ele viu James Novak sorrir para o novo personagem e em questão de instantes Dean recuperou sua força. Se Jimmy conhecia aquele cara tudo poderia fazer sentido. Ele confiava mais nos instintos de um homem que pintava artes abstratas do que em si mesmo. E pelo que ele viu Chuck também, os dois eram realmente pessoas desconfiadas.
Em um gesto fluido o homem ergueu sua mão:
-Prazer em conhece-lo Dean Winchester. Seus filhos não paravam de falar de você.
Aquilo tinha sido mais do que o suficiente. Dean saiu pela porta sem nem ao menos reconhecer anova figura que se apresentava. Ele cruzou o corredor e entrou como se guiado por uma força desconhecida na cozinha.
O que ele viu fez seu coração sair pela boca.
Diante de seus olhos Daniel Winchester sorria para ele. O garoto gordinho estava sentado na mesa da cozinha em frente a um notebook com olheiras sob os olhos e um copo de café a seu lado. Mesmo sabendo que seu filho tinha passado a noite inteira em claro ele não resistiu ao momento e tirou-o de seu quartel general colocando-o sob seus braços. Ele poderia ver a felicidade nos olhos de seu filho e iso era tudo o que ele queria ver, eles não tinham se transformado em coisas do outro mundo, ou tinham ganhado duas cabeças afinal.
-Eu sabia que o senhor viria.
Foi tudo o que o menino conseguiu dizer.
Eles ficaram ali por um bom tempo.
Os seis homens estavam confortavelmente sentados e distribuídos pelos sofás da sala daquela casa. Uma hora tinha se passado sem que nenhum deles falasse qualquer coisa e o único barulho que eles poderiam escutar eram os dedos ageis de Danny teclando em seu computador e o ocasional risca-risca do lápis de carvão de Jimmy em seu caderno de desenhos. Nenhum deles queria quebrar aquele silencio, nenhum deles estava pronto para perguntar e responder as mais variadas perguntas que tinham em mente, eles apenas queriam ficar assim em um silencio mortal enquanto ainda pudessem.
Mais vinte e cinco minutos se passou sem que nenhum deles dissesse qualquer coisa. Charles Shurley mexia em seus óculos de grau com um olhar afiado, ele sabia que já tinha visto aquele homem em algum lugar, mais nada que fizesse poderia trazer de volta a memoria de onde foi aquilo. Onde foi que ele viu essa figura incomum com ar de Europa? Ele não sabia, mais poderia dizer que era importante. Sim, ele tinha certeza que aquela pessoa que estava nesse exato momento posando para mais uma das pinturas de Jimmy era uma pessoa importante.
O tenente coçou a cabeça. Ele tinha de quebrar aquele silencio.
-Então, quer dizer que a minha filha foi para Nova York com alguns amigos seus roubar um quadro que ao que parece é um mapa mais que ninguém exceto Jimmy sabe o que ele aponta?
O engenheiro sabia que ele deveria quebrar aquele silencio antes de ficar louco. Tinha sido um choque para ele ouvir os planos desse grupo, se é que ele poderia chamar assim, pela boca de seus filho. Ele tinha que procurar respostas e ele tinha de fazer isso imediatamente!
-Sim.
Foi tudo o que ele falou por cerca de vinte segundos.
Em nenhum desses marcadores de tempo Danny ou James pararam de fazer o que estavam fazendo, era como se os dois soubessem de tudo o que estava se passando e de tudo o que seria dito a seguir. Eles não estavam preocupados com a reação de Dean, pois eles tinham certeza de que o homem iria ajuda-los uma vez que soubesse o que eles estavam fazendo de verdade e quem eles eram. Pelo menos era isso o que o pintor pensava.
-Seus filhos são a reencarnação de mensageiros divinos que veem a terra para ajudar nos tempos difíceis. Você, Gabriel, Sam, Jimmy, Castiel e Charles são herdeiros de uma família que viveu nos tempos de Jesus na antiga Galileia. Vocês devem ajudar os guardiões dos tesouros celestiais e deram suas vidas para honrar seu destino.
O tenente engoliu em seco. Era exatamente isso que ele temia. Era melhor ajudar seus amigos quando ele poderia pensar que não tinha nada a ver com tudo o que estava acontecendo- tirando, claro, o fato de que eles estavam lutando contra alguém que queria ver o planeta inteiro ruir- do que saber que ele também tem muita coisa nisso tudo, na verdade até onde ele poderia dizer ele estava até as orelhas em toda essa historia de guerra santa. Definitivamente, sua vida tinha virado uma montanha russa imprevisível.
Quando o homem de cabelos negros olhou para o lado ele pode ver muito bem tanto seu chefe quanto seu amigo olharem para o pintor. Os olhos de todos eles se alinharam por um breve instante e logo depois Jimmy piscou para todos eles. Chuck finalmente percebeu que até esse presente momento nenhum dos dois homens iria acreditar em nada. Ele realmente não poderia culpa-los, com toda a merda indo para o ventilador eles tinham todo o direito de serem um pouco desconfiados. De todos eles era ele o único ingenuo, o único que tinha acreditado em tudo sem um segundo olhar. Ele suspirou, tudo o que ele queria era que isso tudo acabasse para ele voltar a fazer fichamento de crimes normais.
Mais nada voltaria a ser o mesmo. Desde que tudo começou Chuck sentia uma vontade imensa de escrever, ele pensava em como poderia fazer isso com o tempo em frangalhos que ele tinha, sua vida era dividida entre fazer seu trabalho e ficar fazendo absolutamente nada em casa, ou seja, ele fazia seu trabalho. Agora que tudo tinha começado, que ele tinha conhecido a família de seu amigo e parceiro, as famílias de outras pessoas e tinha descoberto que ele ama uma mulher que sempre esteve a seu lado em seus dias de trabalho ele não poderia mais voltar a ser aquele bêbado de merda que ele era. Não, ele tinha que assumir um papel diferente. E por que não o de escritor? Alguém precisava escrever isso e mesmo que se um dia tudo aquilo terminasse e o mundo acabasse bem e alheio a tudo o que eles fizeram pelo menos poderia ser um daqueles best-seller de ficção. Sim, ele faria isso.
Pelo menos alguém tinha de mostrar ao mundo o sacrifício enorme que ele s fizeram. E se eles acabassem mortos no meio de tudo, bem, pelo menos ele iria manter-se são enquanto a vida durar. Essa era a grande revelação que aguardava para ele no outro lado daquela porta estranha no corredor de seu sonho. Ele era alguém especial, tao especial quanto Jimmy que transmitia em quadros e gravuras a historia das coisas. Ele iria passar suas percepções em palavras mesmo que elas não sejam as mais poéticas desse mundo.
Quando ele estava na casa de seu chefe e eles estavam discutindo qual seria a melhor forma de lidar com as novas informações Gabriel o levou para o atelie de Jimmy. Aquele, dentre todos os lugares da casa, era onde a mente de detetive do capitão de policia gostava de funcionar. Aquele era seu canto sagrado. Tinha sido uma surpresa para ambos quando James não os acompanhou, a figura do pintor tremia na soleira da porta de seu ambiente de trabalho. Gabriel e ele tinham ficado completamente atônitos, aquele era o lugar onde Jimmy mais gostava de estar e agora ele não queria nem sequer cruzar o umbral da porta. Os dois sabiam que havia algo de estranho.
Quando Gabriel abriu a porta ele quase engasgou.
Ver quadros hiper-realistas de Jimmy não era incomum, mais ver quadros que desenhavam cenas de tortura, de tudo o que Jimmy passou na fabrica de macarrão sob a guarda daquela mulher fez com que os dois tivessem uma ansiá de vomito. Chuck poderia ter certeza disso, Gabriel nunca levava a mão a boca mesmo que o que ele estivesse vendo fosse uma abominação. Diante de seus olhos estava a prova real de que a inocência do pintor tinha sido tirada para sempre, depois de tanto tempo para curar suas feridas causadas por uma mãe insensível ele tinha voltado as garras do pavor e do medo nas mãos de uma mulher que um dia tinha sido a namorada de um amigo.
Quando o tenente olhou nos olhos de seu capitão ele pode ter certeza de que pela primeira vez ele venderia os quadros de seu irmão mais novo. Chuck não poderia ficar mais feliz com essa decisão. Ele era membro da família agora e assim como todos, ele não desejava nada de escuro para o pintor. Ele não merecia ver aquelas telas. O mais curioso de tudo era que nenhum deles tinha a minima ideia de que James estava trabalhando nessa exposição macabra.
Exposição... essa palavra dava ao tenente algumas ideias...
Os olhos azuis do policial se arregalaram e ele não conteve seu espanto. Estralando os dedos para conseguir a atenção de todos ele disse:
-Você foi o anjo da guarda de Jessica!
Dean olhou para o policial como se ele tivesse em um delírio puro. Ele não entendia de onde Chuck tinha tirado aquilo. Ele era realmente muito burro, pois assim que olhou para Gabriel ele pode ter certeza de que viu as engrenagens trabalhando na cabeça dele, ou seja, o cara sabia mais do que ele sobre o que seu parceiro estava falando.
Mesmo assim o tenente não deu espaço para nenhum deles abrir a boca:
-Na noite em que Jimmy foi levado, na exposição. Você estava no taxi com eles não foi? Você salvou Jessica?
Agora tudo fazia sentido. Dean se lembrava muito bem de que eles tinham compartilhado o taxi com um cara ruivo eque tinha os ajudado. Ele tinha até mesmo ficado no hospital esperando Jessica acordar do coma! Sim. Agora as coisas realmente faziam sentido.
Os pares de olhos de todos os adultos se centraram no anfitrião.
-Sim, era eu.
-O que você estava fazendo ali? Pelo o que eu sei você é medico não é? Gabriel surpreendeu a todos com a sua pergunta. Ele realmente sabia mais do que estava querendo dizer. Ele sabia que o medico que aparecia com asas nos quadros de seu irmão tinha semelhanças com o homem diante de seus olhos. Tudo batia, cabelos ruivos e estava na mesma noite em que Jimmy foi levado. Tinha que ser o mesmo cara.
O dono da casa olhou para seu pintor e pediu-lhe silenciosamente permissão para se levantar. Jimmy deixou seu caderno de desenho do lado mais continuou a brincar com o lápis de carvão, com a permissão concedida o anfitrião se levantou e estendeu a mão para o policial que estava a seu lado. Ele tinha um sorriso no rosto quando disse:
-Prazer em conhece-lo. Meu nome é Emanuel e ouvi falar muito de você enquanto Jimmy estava naquela cela.
Tanto Dean quanto Chuck não tinham entendido mais nada, os dois olhavam de um para o outro até que viram Gabriel abraçar o outro homem. Se eles não conhecessem Gabriel como conheciam eles poderiam dizer que tinha entrado um cisco no olho do policial, mas era claro para eles que o capitão de olhos cor de âmbar estava chorando.
-Muito obrigado por cuidar dele por mim.
Os dois permaneceram assim até que Dean perdesse a pacienciosa.
Em um único instante o engenheiro obrigou a todos para explicar o que diabos estava rolando. O que ele tinha perdido? E ele acabou por descobrir que o homem diante de seus olhos não apenas tinha salvo sua cunhada como tinha entrado na seleção clandestina de trabalhadores da fabrica de macarrão. Enquanto eles tinham passado meses sem saber do paradeiro do pintor Emanuel estava lá ajudando-o a passar por toda a tortura e a miséria até que eles chegassem. Aquele cara tinha salvo a vida de sua família duas vezes.
Esse pensamento fez o homem loiro recuar em suas trilhas. Havia uma grande pergunta que ele precisava fazer antes de poder ficar brabo mais uma vez com a pessoa que tinha permitido uma menina de oito anos sair sozinha para outro estado e roubar um quadro. Dean coçou a cabeça e limpou a garganta antes de perguntar:
-Você é mesmo um anjo?
Quando Emanuel olhou para ele não havia mais nenhuma duvida.
-Me enviaram até aqui porque as coisas saíram do controle.
Era tudo o que ele precisava saber. De uma vez por todas ele, Dean Winchester, se considerou como o culpado por tudo o que estava acontecendo e foi isso que lhe deu mais força para ouvir tudo e acreditar que eles eram capazes de vencer isso. Afinal, eles tinham um anjo a seu lado.
O engenheiro fez de tudo para suprir o pensamento que vinha-lhe a cabeça. Uma voz pequena gritava em seu ouvido “Se vocês tem um anjo, o que será que a desgraçada tem a seu favor?”
Ele não estava pronto para procurar respostas a essa pergunta. Não agora.
Tudo o que ele queria era ajudar da melhor forma possível e rezar para que sua filha e os dois amigos que estavam nas garras do inimigo se saíssem ilesos daquilo tudo.
A quem ele queria enganar? Nenhum deles sairia ileso disso. Eles já estavam dentro de um poço fundo e escuro.
Emanuel não poderia ler a mente de seus convidados, mais não precisava de poderes psíquicos para saber qual era a preocupação deles agora. Ele estava quase determinado a explicar-lhes a situação por completo, na verdade era o minimo que ele poderia fazer por ter deixado-os tanto tempo no escuro. Estava mais do que na hora de contar a todos eles o que eles encontrariam ao lado direito de Ruby.
Ele olhou para Jimmy, aquilo ia ser mais um golpe duro no pintor, mas ele tinha de dizer para todos eles. Os seres humanos que estavam ali eram todos pessoas de confiança, pessoas que tinham feito muito em muitas vidas e que ele poderia colocar suas asas sob sua responsabilidade. Ele deixou seus olhos fecharem por alguns instantes e perguntou a Deus se esse era o momento oportuno. Tantas coisas poderiam dar errado, Charles ainda era uma pessoa emocionalmente instável, o que era o trunfo dele... não era a hora de fazer piadas, nenhum deles, nem mesmo o pintor de olhos azuis se lembrava de ter o conhecido em outras passagens temporais. O que ele tinha para resolver e para contar era sobre os capangas da mulher loira enao outras coisas que aconteceram quando a Terra era completamente diferente do que ela é agora.
O anjo estava prestes a abrir sua boca quando:
-Encontrei! Todos os olhares na sala encontraram Danny e seu entusiasmo. O homem ruivo suspirou, aquilo era o sinal claro como água de que ainda não era hora de falar sobre os demônios no ombro da mulher.
Essa tinha sido a primeira vez desde que entraram na casa modesta naquele bairro chines que James tirou seus olhos do caderno de desenho. Ele não entendia nada sobre internet, mais tinha um palpite muito grande de que era isso o que Danny estava fazendo, usando a internet. Sua curiosidade o fez deixar de lado o desenho sem acabamento e olhar fixamente para o menino. Seu coração lhe dizia que era uma coisa importante e ele queria estar todo ouvidos para isso.
O menino de cabelos loiros e olhos verde grama estava triunfante. Ele tinha passado quase uma noite inteira fazendo aquilo e finalmente tinha conseguido. Ele não poderia nem acreditar, finalmente eles tinham algo concreto para correr atras. Ele olhou para todos os adultos que o encaravam uns com ar confuso, outros com rostos solenes e disse em uma voz alta e clara:
-Eu tenho uma pista de onde Jess e o tio Cass podem estar. O sorriso dele não cabia em seu rosto, mas quando o menino viu que tudo o que ele tinha feito foi deixar os adultos, menos o ruivo- afinal, foi ele quem tinha pedido para ele fazer aquilo- confusos ele voltou a falar- Eu... hum sei hackerar programas e entrar em lugares protegidos, bem... em meio que sou um Cracker...
Ao dizer suas ultimas palavras ele abaixou a cabeça. Tendo dois policiais ali, ele bem poderia saber o que estava por vir depois dessa confiança.
Por incrível que pareça o único que conseguiu reorganizar seus pensamentos para falar alguma coisa foi o tenente da policia:
-Você sabe como quebrar sofwares de segurança. É isso que você quer dizer com Cracker não é? Um aceno de cabeça foi tudo o que ele precisou ver. O tenente olhou para o engenheiro que estava coçando a cabeça, era muito claro que embora ele tenha um conhecimento de matemática e física o homem não sabia nada sobre computadores. Bem, ele tinha um impala... ele resolveu falar alguma coisa para explicar tudo ao homem já que ele poderia ver nos olhos de seu chefe que ele não estaria tomando a dianteira dessa vez- Dean... o que seu filho acabou de dizer é algo que... na verdade ele tem habilidades que se forem pegas ele poderia ganhar anos de cadeia, ou pior...
Chuck viu seus chefe e Jimmy olharem para ele com os mesmos olhos em chamas. É aquele não tinha sido o melhor começo...
Dean ainda estava muito atordoado com tudo aquilo. Ele sabia o que era um Hacker, oras, ele já tinha visto duro de matar 4.0, mais saber que seu filho poderia fazer as mesmas coisas do que aqueles caras? E afinal o que raios era um Cracker?
A cabeça do homem começou a girar. Ele definitivamente precisava de uma bebida.
Mais uma vez a casa modesta de um anjo tornou-se silenciosa como a noite. Daniel tinha os olhos baixos, ele não se atrevia alevanta-los de vergonha por ter escondido isso de seu pai por tanto tempo assim. Ele olhava para o pequeno sinal rastreador que mostrava a localização do que ele esperava ser Ruby, tinha sido tanto tempo indo atras e mapeando os usos de telefono descartáveis pela cidade que quando ele finalmente encontrou um telefone celular descartável que tinha sido usado no mesmo dia que a sua escola foi explodida... seria muita coincidência e tudo o fazia crer que era esse o celular e essa a localização que mesmo que ele estivesse enganando e nada disso fosse uma pista para a mulher desgraçada que tinha levado seus amigos pelo menos eles tinham uma pista para correr. Quando ele finalmente conseguiu coragem para levantar os olhos e encarar seu pai ele encontrou um sorriso onde antes tinha sido uma cara de confusao. Dean não parecia brabo com ele, muito pelo contrario:
O pai abraçou o filho e mexeu em seus cabelos loiros:
-Então quer dizer que eu tenho uma pessoa que pode bater Charlie nessas coisas cibernéticas, hu?
A menção a mulher lésbica o fez rir. Ele sabia que seu pai tinha uma especie de rixa com a mulher, pois, nas próprias palavras dela ele tinha vindo para fazer seus trabalho voar de cabeça para baixo. Bem, não que ela realmente se importasse, ela nunca teve a oportunidade de fazer algo desafiador até antes de eles virem mexer com o sistema daquela cidade.
Danny tinha de dizer alguma coisa, todos os olhos tinham caído sobre ele:
-Bem, ela me ensinou algumas coisas, mais eu já sabia fazer muito antes de eu vir para cá. Lisa sempre me pegava mexendo nessas coisas e ela me desafiava a ser como os grandes Hackers do mundo.
Aquilo fazia sentido. Dean poderia comprar um celular para sua filha depois disso tudo. Era incrível saber o quanto das coisas tinha um ou dois dedos dela. Bem, se não fosse por essa insistência- ela sabia que Danny nunca faria esse tipo de coisas sem que a menina começasse a insistir- tinha um sentido muito claro onde eles estavam. Qualquer ferramenta que os levasse até o fim dessa historia era bem vinda, e afinal, não era como se eles iriam ter algum problema com a policia, pois, apropria policia estava nisso tudo. Se era a internet ou delírios alucinatórios de um bêbado, ou sonhos de um homem com retardo mental ele não ia julgar. O que realmente importava ali era eles estarem com a vantagem.
De uma coisa ele sabia. Sam ficaria muito, mais muito contente de saber que ele tinha um sobrinho que poderia entrar em alguns lugares protegidos da internet. Ah, isso ele tinha certeza.
Ele olhou mais uma vez para a cabecinha loira de seu filho e logo depois trocou olhares com Jimmy. O pintor tinha algo para lhe dizer, não era comum ele dirigir olhares tao penetrantes como o que ele estava mandando-lhe. Como o pintor não iria abrir sua boca nem tao cedo o homem loiro parou um pouco para pensar. O que poderia ser tao importante assim? Ele estava quase desistindo quando se lembrou de toda a historia que Cas tinha contado para ele, de como a mãe deles nunca os elogiava não importa o que eles fizesse.
Em questão de instantes Dean compreendeu.
Ele colocou a mão na cabeça dourada de disse no ouvido de seu filho:
-Eu estou orgulhosos de você Daniel.
Mais uma vez o sorriso do menino não coube no rosto. Isso era tudo o que ele precisava ouvir.
Passado o momento sentimental Danny levantou mais uma vez seus olhos para encarar todos da sala. Agora estava mais do que na hora de eles tomarem a frente nessa guerra.
***
Lisa estava cansada, ela olhava para os prédios que preenchiam a borda do parque e não poderia deixar de pensar que eles eram feitos de dominó tempo em que ela estava ali ela tinha certeza de que já tinha decorado todos eles. Seu coração estava pesado em seu peito e ela não conseguia e nem queria dizer que tudo estava mais do que perdido, eram quase sete horas da noite, Maria já estava no aeroporto com as malas deles prontas para a viajem e nenhum dos seis tinha achado o artefato, nenhum sinal de nada escondido entre as arvores, ou debaixo da terra em todos esse tempo de procura.
Lagrimas caiam pelos olhos verdes da menina deixando-os ainda mais escuros e bonitos. A sua esquerda Benjamim estava sentado mexendo em seus cabelos cacheados e em seu chapéu, eles tinham parado para descansar e se refrescar um pouco- o ar estava frio, mas a correria intensa que eles fizeram os deixaram quase suados. O homem que só poderia vestir negro estava parecendo uma figura desolada no meio de toda a neve, ele tinha a cabeça baixa e os olhos fixos no chão de grama congelada, seus pensamentos estavam a mil por hora e ele não queria se dar por vencido.
O judeu ortodoxo poderia se lembrar muito bem que sua amiga Maria tinha um amigo piloto que devia um ou dois favores a ela. A veterinária era realmente uma mulher de sorte que conseguia fazer amigos facilmente, sendo assim, voltar não seria um problema para eles. Mesmo assim ainda tinha toda a questão de encontrar o tal objeto. Eles tinham algumas horas para sair dali, ele tinha uma informação segura de que Ruby tinha comprado passagens para viajar a cidade em que estavam naquele mesmo dia. Seria muito ruim se ela pisasse na grande maça enquanto eles ainda estiverem por lá, Benjamim poderia descrever aquilo como péssimo. Ele sabia que haviam forças trabalhando para os dois lados e sabiam muito bem que as forças que trabalham para o lado da assassina poderiam rastreá-los em um piscar de olhos, afinal, não seriam muito dificl reconhecer Eva ou Maria, as duas já tinham trabalhado no museu de arte moderna, as duas conheciam o curador que estava trabalhando ali... qualquer um poderia ligar os dois pontos. Benjamim estava bastante preocupado com todas essas variáveis, estava fora de questão passar mais uma dia naquela cidade, completamente fora de questão, mesmo que a cidade era conhecida por ser uma colonia de judeus ortodoxos e mesmo que ele conhecesse varias pessoas de lá ele era o responsável pela filha de um homem, ele era responsável pelo sucesso dessa missão. Era crucial que ele voltasse para a Califórnia, mesmo que o voo atrase, e era mais importante ainda que eles encontrassem o objeto, pois, somente assim eles poderiam ficar um passo a frente do inimigo.
Ele podia ver Lisa chorar, ele realmente sentia pela criança. Se estivesse na posição em que ele estava ele também choraria. Tinham sido horas de procura para todos de todos os grupos sem que eles tivessem nenhuma noticia boa. Horas. A pomba pintada na seda não estava aparecendo no céu e ele duvidou que ela apareceria. Eles precisavam concluir essa tarefa com sua própria força e vontade, senão nada disso iria para a frente.
Delicadamente ele parou de mexer em seus cachinhos e puxou a menina para perto de si em um abraço.
-Não desista Lisa. Ainda podemos virar esse jogo.
A menina fungou umas duas vezes, ela nunca admitiria em voz alta que precisava daquele conforto. Seus pensamentos estavam trancados em uma possibilidade de fracasso. O que iria suceder se ela falhasse? Ruby colocaria ainda mais bombas em sua cidade? Jimmy seria sequestrado de novo? Ela mataria Cas e Jess? Uma outra colega da escola ou amiga sua poderia morrer? Ela não queria que mais nada disso acontecesse, ela não tinha forças para lidar com mais mortes e destruição, ela nunca conseguiria olhar para os olhos de seu pai de novo. Seu pai que tinha sempre sido vitorioso em tudo o que fez, o seu herói de armadura bulhante... Lisa não queria decepciona-lo e não queria mostrar-se fraca. Ela tinha uma oportunidade muito boa em suas mãos e não era a hora para desperdiça-lá. Quandoo o homem veio abraça-la as lagrimas cairam em cascata pelo seu rosto, todas as pressões que deveriam ser inerentes a seu mundo de criança caiam sobre seus ombros mostrando para ela que não havia espaço para falhas, não havia tempo para perder, ou era achar e sair na frente ou era ver o mundo ser destruído nas mãos daquela mulher. E de todas as coisas Lisa não poderia ter mais nojo.
Quando Benjamim finalmente soltou-a de seus braços a menina não tinham mutas esperanças, mais ela tinha certeza de que não desistiria.
Limpando os olhos ela se levantou e voltou a procurar pela grama branca de neve. Aquilo tinha de estar em algum lugar, se nenhum deles ainda tinha dado noticias pelo celular era porque a coisa que eles procuravam estava ali.
-Eu só preciso olhar com mais calma. Ela repetia aquelas palavras como um mantra.
Enquanto a menina olhava desesperadamente pelo chão de neve e grama Benjamim a ajudava, o homem judeu tinha os olhos de quem trabalhava vendo pessoas todos os dias e poderia reconhecera cada uma delas. Ele prestava atenção em tudo o que acontecia naquele grande parque e poderia perceber que, embora eles estejam desesperados, o clima total era de plena harmonia. Não era feriado e nem final de semana, mas as pessoas que estavam ali, alguns turistas e outros nativos, estavam praticamente determinados a terem um bom tempo. Ninguém exceto eles estava com pressa.
Por mais estranho que isso pudesse parecer Benjamim tomou as pessoas passeando com seus familiares e cachorrinhos como algo reconfortante. Pelo menos nenhum civil que não seja eles sabia de tudo o que estava acontecendo. E isso era um bom sinal. Ele olhava para a pequena menina que tinha os olhos verdes vidrados em cada canto de sua área correspondente do parque e não pode deixar de admirá-la, ela era uma verdadeira vencedora, o simples fato de se preocupar com as pessoas a seu redor já dizia muito dela e ele estava feliz por te-la conhecido.
Foi exatamente quando ele estava pensando nas muitas qualidades da criança que ele percebeu: a menina de roupa vermelha que eles tinham visto antes, a mesma menina que estava tirando fotos com a sua família no memorial a John Lennon estava ali, bem perto deles com as mesmas pessoas a acompanhando. Lisa imediatamente seguiu a garota, sem saber nem o porque nem se aquilo era realmente algo sensato a se fazer. Era provavelmente uma turista de algum pais muito longe- isso ela poderia dizer, jamais tinha escutado uma língua tao estranha quanto a que eles estavam falando- que não sabia, ou não queria ser interrompida em suas férias. Melissa poderia ver uma maquina fotográfica nas mãos dela e da outra garota que caminhava ao lado da de vermelho, poderia ver os óculos escuros dos homens que estavam em seu grupo e não sabia o que tinha lhe dado quando finalmente chegou perto de todos eles e sem querer tocou no ombro da pessoa a quem estava seguindo tao freneticamente.
A garota, não, mulher, Lisa tinha descoberto isso apenas de olhar nos olhos dela, embora seja de baixa estatura e poucos atributos físicos ela era muito mais velha do que se poderia pensar. Apenas os olhos de quem já viu muita coisa poderiam dizer isso, virou-se para ela com um sorriso e por alguns segundos a encarou completamente. Era a sensação mais estranha que a menina poderia ter sentido. Era como ser questionada sem uma única palavra, ou como conhecer Jimmy a primeira vez, os olhos castanhos da mulher jovem que eram escondidos por um par de óculos de grau forte e de cor roxa pareciam questiona-la em todos os seus movimentos. O mais incrível de tudo isso era que não era nada assustador, Lisa tinha certeza de que se as duas se encontrarem por uma segunda vez seriam grandes amigas, não importando a diferença de idade.
Sem ao menos perguntar nada a mulher falou:
-Você está procurando algo aqui. Eu sugiro que veja alem de tudo o que está vendo, há uma grande energia vindo daquele lado do parque- a mulher apontou para um lado onde não haviam ninguém, era apenas um campo aberto com uma única arvore no meio- talvez o que procura esteja por lá. Boa sorte.
E ela se foi do mesmo jeito que veio, sem dizer mais nada ou deixar a menina loira falar qualquer coisa. Os outros acompanhantes da turista estavam longe esperando por ela e não tinham ouvido nada sobre a conversa. Lisa tinha certeza que não era para mais ninguém ouvir o que estava sendo dito.
Agora, a menina poderia realmente dizer que já tinha visto tudo em sua vida.
Mesmo assim tudo o que a mulher de roupa vermelha tinha dito poderia ser muito util. Ela não poderia duvidar de pessoas assim, tinha sido quase da mesma forma que Jimmy se pronunciou no primeiro dia em que eles se conhecerem. Ela tinha que, pelo menos, dar uma chance a instintos de uma outra pessoa.
Sendo assim ela disse a seu companheiro o que eles estavam procurando e foi adiante. O lugar indicado pela turista era um campo aberto que eles ainda não tinham vasculhado, e mesmo se tivessem aquele era o lugar menos suspeito de todos, não havia nada ali alem de neve e uma arvore frondosa. A dica que ela tinha dado também parecia interessante tanto para a criança loira quanto para o judeu ortodoxo, ver alem de tudo o que está vendo pode significar muitas coisas, mas para ambos poderia significar que seja o que for que eles estavam procurando poderia estar debaixo da grama. Eles não sabiam como ainda não tinham pensado nisso. Por um segundo Lisa pensou que eles iriam encontrar a pomba com uma seta grande dizendo-lhes o que era o instrumento e a sua localização, mas as coisas nunca eram dadas, elas tinham de ser conquistadas com o suor de cada um.
Sendo assim, a menina se ajoelhou sobre a neve gelada e começou a cavar a grama com suas próprias mãos enluvadas. A temperatura a fazia perder alguns de seus movimentos, mas ela sabia que aquilo era necessário, seria muito menos chamativo uma menina de oito anos cavando a neve do que um adulto com uma pá. Ela continuava a cavar enquanto Benjamim mantinha contato com o resto de seus amigos.
Uma nova esperança tinha brotado no coração da menina e seus olhos verdes brilharam em chamas. Mesmo que els tivessem de voltar em um jatinho de uma pessoa que devia um favor a Maria eles voltariam com tudo o que eles foram requisitados para encontrar. E essa era sua ultima palavra.
Ela cavou, cavou e cavou.
Os únicos sons que poderiam ser ouvidos eram o dos esquilos indo de um lado para o outro atras de suas pelotas.
Aqueles curiosos animais sempre escondiam seu alimento precioso no verão para quando chegasse o inverno eles não terem nenhum problema com comida. E eram engraçado saber como eles sempre conseguiam encontrar a sua própria noz. Lisa parou cerca de um minuto para observar as pequenas criaturas graciosas que estavam a alguns metros de distancia dela e não pode deixar de perceber que cada um dos esquilos sempre utilizava uma estrategia para encontrar a noz que tinha guardado cerca de dois meses mais cedo.
Era como se as criaturinhas antes de ir embora colocassem sobre sua bolota algo que poderia marca-la como sua, algo que poderia faze-los lembrar de onde tinham enterrado aquela iguaria da natureza.
Quando percebeu isso a menina se levantou completamente e começou a observar o solo mais atentamente. Deveria ter algo que poderia servir como uma pista para todos eles. Era isso o que os esquilos estavam tentando dizer a ela e era isso o que a mulher de vermelho tinha apontado. Ver algo alem de ordinário. Sem duvida aquilo a deixou mais esperançosa ainda. Eles voltariam para a sua cidade como vitoriosos em sua missão ou ela não se chamava Melissa Jane Winchester.
Seus olhos verdes estavam afiados e treinados para qualquer coisa que poderia servir como um pequeno sinal de que algo tinha sido escondido ali. Ela não deixaria passar nada.
-Ver alem de tudo o que estou vendo.
A menina repetia as palavras como se fossem mantras. Era hora de subir o olhar da grama branca para ver o que estava acima dela.
Foi graças a isso que ela pode ver com muita atenção o tronco grosso da arvore solitária.
O que a principio parecia um tronco de arvore comum na verdade escondia muitas ranhuras que não poderiam ser feitas pelo tempo ou por animais. Aquilo só poderia ser obra de seres humanos. Lisa a principio simplesmente ficou encarando as linhas feitas na madeira grossa, mas depois, quando ela se deu conta de que aquilo não poderia ser mais uma pista e sim o local exato em que estava o que ela estava procurando, ela não conseguiu resistir a tentação de tocar na arvore, sentir co sua própria pele os sulcos feitos no tronco da arvore que parecia ser sem graça.
Ela levou um tremendo susto quando as ranhuras mudaram de cor.
-Benjamim!
Naquele momento que durou uma eternidade para ela sua voz não era capaz de pronunciar mais do que o nome de seu colega de missão. O funcionário publico correru a seu auxilio e ficou abismado da mesma forma que a menina quando viu que aquilo realmente estava acontecendo. As linhas cravadas na madeira dura estavam mudando de cor, era como se feixes de luz estivessem saindo de dentro da arvore. Aquilo mais parecia um filme, e não a vida real.
Em poucos segundo a rachadura desenhada em forma de U se abria na frente dos olhos dos dois. O judeu ortodoxo não pode resistir a olhar para trás e conferir se eram apenas eles ali. Sim, não havia mais ninguém partilhando desse momento sagrado. Era uma pena.
Lisa não conseguia tirar os olhos da grande arvore frondosa. Jimmy deveria estar ali para registar em tinta ou em seus lápis de carvão aquele momento sublime.
A valente menina nunca iria confessar a ninguém, mais naquele momento ela chorou de pura alegria. Seus olhos verdes ficaram do mesmo tom escuro dos feixes de luz que estavam a poucos segundos saindo para a luz do dia. Ela não conseguia parar de ficar feliz, e isso eram uma sentimento maravilhoso, algo que a dizia que metade de suas demandas já tinham sido acatadas.
Quando a fenda em forma de U se abriu para os dois verem a luz do dia refletia em uma caixa de madeira velha de tamanho médio. A caixa tinha inscrições feitas com ouro puro e algumas joias preciosas. A menina não poderia nem imaginar em calcular o valor verdadeiro que ela poderia conseguir se um dia pensasse em vender a caixa. Mas não era por isso que ela estava ali, dinheiro e riqueza não a interessavam, pois, ela tinha tudo o que queria em sua família. O que ela veio fazer naquele dia era algo muito maior, algo que seria lembrado por pessoas de futuras gerações e que seria admirado por muitos em um outro tempo. Com aquela caixinha de madeira, ou com o que havia por dentro dela, eles finalmente poderiam dar um fim a toda essa situação de terror apocaliptístico em que tinham se instalado involuntariamente.
Quando Lisa retirou a caixa de madeira de dentro da arvore imediatamente o tronco se fechou e a enorme planta solitária voltou a seu normal, como se nunca tivesse sido a guardiã de um objeto dos céus. Nas suas mãos Melissa tinha percebido que a caixa era muito mais pesada do que ela poderia lhe dar credito. E em seus olhos as pedras preciosas brilhavam muito mais, ela poderia reconhecer o topa sio, a safira, a esmeralda e o rubi, mais não sabia quais eram as outras pedras de tonalidades escuras e mais claras.
Benjamim se apressou e, com os olhos treinados de uma pessoa que tinha passado a vida inteira aprendendo e estudando os costumes dos judeus, traduziu para o inglês as palavras que eram desenhadas em ouro puro e brilhante:
-Para que o conhecimento possas dividir uma maça dourada deverá partir.
Mais um enigma. Lisa estava bastante curiosa com aquilo tudo. E era claro que aquele objeto poderia servir como a única coisa que poderia identificar a maça da arvore proibida das demais maças terrenas. Ela tinha de saber o que estava dentro daquela caixa.
Com as mãos tremulas a jovem criança abriu o compartimento cravado com pedras de valor incalculável. E não demorou muito para que seus olhinhos acostumados a ver filmes de índios percebessem que o que estava em suas mãos era uma adaga. A mais bonita de todas as adagas ela poderia acrescentar.
A lamina de metal cortante brilhava como um metal bem polido e era tao limpa que Lisa poderia ver-se refletida nela. Ao passar um dedo pela parte cortante sua carne foi cortada rapidamente e ela deixou gotas de sangue vermelho caírem na neve, o mais incrível de tudo era que em menos de dois segundos seu corte tinha sumido, era fácil de deduzir que a lamina não tinha sido feita para matar ou ferir pessoas. Mesmo assim, os olhos da menina e do judeu se arregalaram com aquilo.
O cabo da arma branca era feito de ouro frio e solido e da mesma maneira que a caixa foi completamente cravado com pedras preciosas. As mesmas inscrições poderiam ser lidas em um dos lados do cabo, mais não eram feitas com letras douradas e sim com pequenas ranhuras no ouro.
Agora tudo fazia sentido. Essa lamina era feita para dividir conhecimentos e era a única que poderia cortar a fruta proibida em pedaços. Só assim era que alguém poderia consumir a fruta. O conhecimento era para ser dividido desde o principio, nunca para ser tomado em mãos de uma única pessoa.
Lisa não conseguiu controlar suas lagrimas. Tudo a estava lembrando de sua família, de seu querido tio Sam que sempre insistia em ensinar a ela e a Danny que as pessoas, as verdadeiras pessoas que sabem mesmo das coisas, eram aquelas que sabiam como ensinar tudo o que conheciam aos outros. Não adiantaria de nada saber tanto e não ter ninguém para compartilhar.
Ela entregou a caixa preciosa para o homem e deixou-se ser abraçada por ele.
O judeu afagou os cabelos dourados da menina e depositou um beijo em seu templo. O sorriso de seus lábios era enorme.
-Vamos Lisa. Vamos voltar para a Califórnia.
***
Dean estava mais uma vez com o coração na boca. Seu único filho tinha lhe revelado que tinha habilidades para entrar em sistemas de computador e que com isso tinha conseguido mapear um numero telefônico que tinha uma grande probabilidade de ser o numero de Ruby. Ele não sabia se ria ou se chorava.
Eles ainda estavam na humilde casa de Emanuel e graças a revelação de seu filho todos tinham mudado sua postura para algo mais feroz, algo que estava pronto para salvar e matar quem estivesse no caminho deles. Bom, ele duvidava que um anjo era capaz de matar ou até mesmo de aprovar os sentimentos que eles estavam sentindo, mas o homem ruivo tinha ficado calado tao logo que Gabriel tinha colocado seus oculos escuros e tinha começado a fazer algumas ligações.
Dean sabia que aquilo só poderia significar uma única coisa:
Eles estavam a caminho de mais uma operação policial clandestina.
A adrenalina pulsava nas veias do engenheiro e ele não conseguia esconder a vontade de mostrar para aquela vaca um pedaço de sua mente. Ele queria ve-la pagar nem que seja um pouco por ter feito seus amigos e sua família sofrerem.
E mesmo que ele estivesse um pouco receoso em começar tudo de novo, tudo o que poderia terminar da mesma forma que a fabrica de macarrão, antes de ver se sua filha estava viva e bem (Gabriel tinha insistido que eles deveriam agir agora, segundo boatos Ruby estava de passagem comprada para ir a grande maça para tentar achar o quadro que sua filha ea trupe de judeus desconhecidos tinha acabado de roubar) ele sabia que essa era a hora mais oportuna de agir. Nenhum lacaio iria matar seus reféns, apenas Ruby e o cara de olhos amarelos eram loucos o suficiente para isso. Dean sabia que Lisa estava segura, afinal, tinha sido um anjo- um ser emplumado que vive nos céus- que tinha enviado sua filha para Nova York. Melissa não poderia estar mais bem protegida.
Ao olhar para seu relógio de confiança Dean percebe que uma hora já tinha se passado. Eram oito horas da noite e eles sabiam que se tudo tinha dado certo na cidade brilhante sua filha já deveria estar a caminho de casa. Ele não tinha mais o que temer, mesmo assim seus insi=tintos de pai só seriam aquietados quando sua garotinha estivessem em seus braços.
Estava mais do que na hora de agir.
Eles iriam para mais um resgate.
Dean Winchester, mesmo que com seu irmao no hospital, com uma amiga internada, com uma filha em uma missao quase suicida e com um filho que tinha se revelado uma ameaça virtual estava mais do que pronto para avançar e resgatar seu namorado e sua cunhada. Afinal, eles tinham o divino em seus corações e era nele que suas esperanças deveriam estar.
A possibilidade de poder reencontrar Castiel fazia seus olhos brilharem verdes em suas orbitas e ele não poderia deixar de imaginar como seria a cara da mulher ao voltar para a Califórnia sem o quadro, sem o artigo sagrado e ver que em cima disso seus prisioneiros e sua única chance de barganha estavam soltos.
Estava mais do que na hora de eles virarem esse jogo a seu favor.
O engenheiro sentou-se no sofá ao lado de Jimmy enquanto esperava os homens de confiança do capitão de policia chegarem nesse novo quartel general. Eles iriam trazer consigo armas e coletes a prova de balas alem de uma grande disposição para ajudar.
Era tudo o que eles precisavam para fazer um belo de um estrago no esconderijo secreto daquela mulher.
Dean só ficou um pouco triste em não poder compartilhar esse momento com Jo. A detetive merecia tanto quanto qualquer um deles estar ali. Ela tinha feito o impossível para ajudar nessa missão e era uma das poucas que estava a par de tudo o que realmente estava acontecendo. Ele faria isso por ela, ele encontraria quem detonou aquelas bombas e encheria a cara do infeliz com seus murros. Já estava mais do que decidido.
Ele pode ouvir com a orelha esquerda o tenente de olhos azuis falar em um tom solene:
-Pela primeira vez na vida eu estou feliz por não se ruma operação especial. Tem umas contas que eu quero acertar.
Os olhos do homem loiro só não se arregalaram porque ele tinha visto com o canto dos olhos o pequeno sorriso de aprovação tanto em Jimmy quanto em Gabriel. Foi ai que ele percebeu que o acerto de contas se tratava de algo que tinha sido deixado para tras quando eles estavam na fabrica de macarrão. Dean se lembrou de que Chuck tinha sido obrigado a trabalhar por lá para dar a eles a localização exata de onde o pintor estava... certamente o chefe de seu setor não era nada bom com o policial disfarçado ou isso ou ele era um dos que torturavam os prisioneiros. Dean apostava todas as suas fichas na segunda opção.
Tinha sido divertido ver o tímido e pacifico Charles Shurley querer fazer alguém chorar.
Definitivamente eles tinham de estar nessa missão. Salvar seu amado e sua cunhada eram a prioridade, mais todos tinham algo para mostrar a mulher que tinha começado tudo aquilo.
Estava mais do que na hora de ela provar um piuco de seu próprio remédio.
Dean respirou fundo, logo logo, suas ansiedades estariam indo embora. Sua filha estava a caminho e ele estava indo salvar as pessoas que ama.
O jogo de xadrez estava dando um cheque para as forças do mal.
Era a hora de eles fazerem seu movimento e pegarem de volta duas peças que foram capturadas.
Pelo menos dessa vez eles estavam com a vantagem.
Notas finais
Eles me ajudam a saber se estou mantendo minha qualidade e minhas demandas para essa historia.
Mais uma vez obrigada a todos que leem e fazem dessa fic algo que entrou em seus coraçoes.
Mandy
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