When You Have A Killer In Your Tail
20 Quando a batalha chama parte um
Notas iniciais
“Mamela (…) Wait! There's no mountain too great, hear these words and have faith “
They live in you– The Lion King Broadway
O som enrobustecedor de um abajur de porcelana sendo jogado contra a parede poderia ser ouvido por todos de seu andar, mesmo assim ela não estava se importando com o que os outros pudessem estar pensando dela. Ruby estava enfurecida, assim como uma leoa que vê suas crias serem devoradas em frente de si, e não faria nada racional antes de baixar sua ira.
Enquanto atirava mais das coisas decorativas presentes no quarto de hotel ela se perguntava como raios aqueles idiotas conseguiram passar em sua frente. Como eles poderiam saber sobre o quadro?
Dessa vez ela arremessou os copos de vidro um por um na porta do hotel. A essa altura nenhuma empregada estava sentindo-se forte o suficiente para ir reclamar com uma mulher que, aparentemente, estava no meio de um surto psicótico. Como elas já eram mais ou menos acostumadas a verem cantores de rock ou outras pessoas desequilibradas da mídia pagarem por quartos de hotel apenas para destruí-los nenhuma das camareiras achou necessário ligar para o 911.
A mulher loira e demoníaca não poderia acreditar que o retardado tinha entregado aquela pista de bandeia para eles, ela simplesmente não poderia acreditar nisso. Depois de ter crescido a partir do ódio contra os que nunca acreditaram na pesquisa de sua mãe ela tornou-se uma verdadeira estudiosa sobre assuntos sagrados. E era de conhecimento comum que aquelas pessoas predestinadas a serem guardiões dos segredos divinos tinham que fazer silencio sobre tudo.
Toda vez que ela fechava os olhos ela via o Novak do meio debochando dela. Aquilo era mais do que um inconveniente. Ele poderia abrir a boca para outras coisas que poderiam deixa-la mais do que em desvantagem tática, se ele contasse para ou outros dos anjos... ela não queria nem saber. De repente Ruby Evans foi tomada por uma sede de sangue, do sangue de Jimmy. Ela queria cortar a garganta dele e vê-lo perder a luz de seus olhos. Bem, por enquanto ela teria de se contentar com o que tinha, em seu esconderijo Jessica e Castiel estavam cada dia mais miseráveis e se ela quisesse deixa-los ainda pior ela teria de voltar rápido para la antes que sua ausência desse brechas para uma operação de resgate.
Ela olhou para o quarto de hotel vendo tudo o que já tinha quebrado e tudo o que ainda poderia quebrar. Na mesa de cabeceira onde estava o abajur de porcelana- o primeiro infeliz a sentir sua raiva- havia também um gato egipiíneo feito de barro. A mulher não poderia encontrar algo mais apropriado e foi logo em direção do objeto. Enquanto ela examinava os melhores lugares para poder jogar a peça aparentemente cara de decoração ela se lembrava de quando foi a delegacia disfarçada de policial especializada em roubos de arte. O susto que ela levou ao reconhecer a pequena Lisa em meio a um grupo de judeus que estava visitando o museu no meio do dia tinha sido o suficiente para que um guarda suspeitasse que as duas se conheciam. No calor do momento a mulher de olhos negros tinha usado a pior desculpa que poderia imaginar, que a menina parecia com sua filha. O guarda não olhou para ela duas vezes, o que foi uma coisa terrível para ele, pois, ele perdeu de ver os olhos assassinos da mulher.
No momento em que viu a garota de Dean junto a um bando de judeus ortodoxos de aparência duvidosa ela sabia que eles não só estariam um passo a sua frente como também tinham conseguido aliados. Ela precisaria fazer o mesmo. A sorte dela era que encontrar aliados era seu passatempo favorito.
Como todo demônio ela tinha um grande numero de contatos e as melhores intenções para oferecer.
Depois de ver o gato de barro se quebrar em mil e dois pedaços ela pegou seu telefone e discou um numero da discagem rápida.
Quem estava na outra linha atendeu imediatamente:
–Rainha vermelha. O que posso fazer para você?
A voz de bêbado dos olhos amarelos nunca tinha sido tao necessária naquele momento. Ruby sorriu interiormente quando seu plano se formou diante de seus olhos.
–Eu preciso de aliados.
O homem da outra linha não precisou dizer mais nada. Ele sabia exatamente o que sua chefe estava pensando. Ele estava ansioso para ver como tudo aquilo ia acabar.
***
Dean estava em estase. Ele mal tinha visto a cabeleira loira de sua filha e já estava chorando de alegria. Quando os judeus- que ele nem queria saber como tinham conhecido o homem ruivo ou Jimmy- começaram a passar pelo portão do aeroporto ele sabia que seu coração poderia ficar tranquilo. Tudo tinha dado certo.
Lisa estava radiante. Cada minimo detalhe de sua linguagem gestual dizia que ela tinha feito a coisa certa, que ela tinha ajudado no que podia e que tinha se saído vitoriosa. Por mais que Dean não estivesse com vontade de desfazer esse momento ele não era capaz de pensar que aquilo não era de todo verdade. Eles ainda tinham que encontrar Cas e Jessika, Sam e Jo ainda estavam sem previsão de alta no hospital, a cidade ainda estava um caos e eles ainda tinham uma assassina em suas caudas. No entanto, ele não verbalizou nada disso. O momento demandava que ele ficasse calado e agradecesse o pequeno presente que tinha lhe sido dado.
O resto ele resolveria depois. Dean estava esperançoso com isso, se eles conseguiram resgatar Jimmy depois de um mês como refém em uma maldita fabrica de macarrão abandonado eles poderiam resgatar seu namorado e sua amiga mole mole. Era isso o que ele tinha de pensar.
Uma coisa de cada vez. Ele se forçou a pensar.
Os olhos brilhantes de sua filha querida foram o suficiente para faze-lo voltar a realidade. Lisa tinha os olhos alegres olhando fixamente para os deles. Era logico que a menina queria um abraço, era logico que ela tinha de saber que tinha feito a coisa certa. Ele não seria um homem idiota como seu pai um dia fora e diria para a menina que ela não fazia mais do que sua obrigação. Ele seria o pai que esqueceria de todos os problemas, mesmo que por alguns minutos, e abraçaria sua criança com toda a força e diria a ela que ela fez a melhor coisa do mundo. E foi exatamente o que ele fez.
Afinal, Lisa tinha realmente feito uma das melhores coisas do mundo. Ela tinha trazido aliados para eles.
O homem de olhos verdes se apressou em pegar sua filha no colo e sentir sua presença. Aquilo era real, ela tinha ido para uma cidade do outro lado do pais com a intenção de ajuda-lo a salvar o mundo de uma mulher que deseja destruí-lo. Ela tinha invadido um museu e roubado um quadro avaliado em milhões de dólares e tinha encontrado um artefato que poderia ajuda-los a resolver a situação que eles tinham entrado de uma vez por todas. Não é todo o dia que uma garotinha de oito anos faz algo desse tipo.
–Minha garota. Foi tudo o que ele conseguiu dizer.
No pequeno instante em que os dois se abraçaram nem parecia que o mundo estava em perigo. Eram simplesmente um pai e uma filha em um abraço apertado.
Gabriel, Danny e Jimmy sorriam o tempo todo. Eles também tinham sentido a falta da menina de espirito forte. Não demorou muito para que eles se juntassem ao abraço.
***
Eram vinte e três horas e quarenta minutos. A noite estava escura e fria como todas as noites que precederam sua captura. Castiel podia sentir que se ele não fosse resgatado naquela noite ele jamais seria, os capangas da mulher detestável estavam o tempo todo comemorando o fato de ela ter ido embora- aquilo se devia ao simples bom gosto da mulher de não permitir que eles assistissem televisão enquanto estivessem no cargo dos prisioneiros- e ele poderia ouvir suas conversas bêbadas e luxuriosas o tempo todo, mais não conseguia teme-los no estado em que estavam. Não quando ele sabia que tudo o que eles queriam era ver o placar do jogo de futebol americano que estava passando naquele momento. Por que um jogo bruto e chato como aquele estava sendo transmitido as onze horas da noite Cas jamais saberia, mais ele jurou para si mesmo que se um dia pudesse encontrar o cara que decidiu marcar uma partida naquele dia determinado ele mandaria uma garrafa do melhor e mais caro wisky para o homem.
Seus ouvidos sensíveis poderiam pegar muitas coisas. Ele sabia que os guardas não estavam fazendo sua ronda de costume e que eles deixaram tudo nas mãos do tal assassino que tinha sido contratado para que Jessica tivesse mais medo de transar com o cara do que quebrar a confiança de Sam transando com ele... sim, o homem era muito perigoso, mais não era dois. Ele sabia que Gabriel ou Dean poderiam dar conta do recado, isso é; se eles estivessem indo na direção certa.
O mais frustrante de tudo aquilo era exatamente não saber onde diabos eles estavam. Tanto ele quanto Jessica tinham sido dopados até que se descobriram presos em uma sala de pedras frias e que cheirava a mofo. Nenhum deles poderia ter a minima ideia de onde aquele esconderijo ficava. E, por tudo o que eles sabiam, poderia ser até mesmo fora do pais. Cas queria desesperadamente ser encontrado, queria tanto que ele tinha rezado varias e varias vezes para que o divino permitisse que seu irmãozinho os visse, que ele pudesse encontrar em seus sonhos algo que poderia ligar a sua localização. Ele tinha fé que um dia sairia desse esconderijo miserável, mais não havia muitas garantias de que quando ele finalmente saísse ele iria encontrar sua cidade e seus entes queridos exatamente da maneira em que eles estavam. Ruby tinha declarado uma guerra pelo poder e seus familiares eram os únicos que poderiam detê-la, os únicos que sabiam que o mundo estava em turbulência e na iminência de morrer... ele nem conseguia imaginar o que poderia ser dele em um mundo onde Dean estivesse morto.
Lagrimas salgadas escorregavam pelo seu rosto como uma grande cachoeira. Ele estava a ponto de hiperventilar. Seu corpo todo tremia e não era por causa do frio da pedra dura em que ele estava apoiado, o medo fazia todo o trabalho, o medo desejava congelar seu coração e paralisar seus sentidos. Como o professor queria que seu amado estivesse vindo para lhe resgatar, como ele queria que tudo aquilo não passasse de um pesadelo, como ele queria ter uma vida normal pela primeira vez...
–Cas, Cas? Se você estiver me ouvindo preste atenção. Eu preciso que você para de chorar, por favor...
A voz da sua amiga o tinha pego de surpresa. Ele quase tinha esquecido que eles estavam a uma parede de distancia.
Como sempre a serenidade de Jessica era assustadora. A mulher parecia ser a única a desenvolver uma calma nos piores momentos e sua voz doce carregada de sentimentalismo fazia com que todos a seu redor a obedecessem. Não era a toa que ela era a mulher ideal para cuidar de seu irmão maluco. Cas tinha quase certeza que do outro lado da pedra fria Jessica estava com os olhos lacrimejantes mais sérios e que toda a determinação de sua voz estava sendo igualmente imprimida em seu rosto, ele até mesmo poderia jurar que se não fosse por essa maldita pedra que os separava ela o abraçaria da mesma forma que fazia com todos aqueles que ela amava e desejava proteger. O estranho era que o sentimento era reciproco, Castiel queria protege-la da mesma maneira que ela desejava para com ele.
Em um único instante seu coração se acalmou. A mulher tinha toda a razão. Chorar não iria leva-los a lugar nenhum, ele bem sabia que quando Jimmy tinha sido levado, quando não haviam muitas esperanças e quando meses tinham se passado seu irmão, Sam e Dean tinham conseguido traze-lo de volta. Era claro que o mesmo iria acontecer com eles. Tudo o que eles precisavam fazer era aguentar um pouco mais e seu sofrimento seria recompensado.
O coração do professor de historia voltou a se acalmar.
Ele respirou profundamente e passou as mãos pelos seus cabelos que provavelmente precisavam ser lavados e em seguida ajeitou-se em uma posição mais confortável- se e que era possível em um lugar com paredes de pedra e dimensões minusculas- e resolveu dormir. Não adiantaria de nada ficar escultando o que os guardas tinham para dizer, tudo o que ele poderia encontrar de novo já tinha encontrado. Ruby estava fora atras de um quadro que poderia ser o mapa para o tao sonhado fruto da sabedoria e ao que parece voltaria somente no final do próximo dia. Tudo o que ele poderia fazer agora era seguir o conselho de Jessica e se manter são, segurar seu medo e desespero para que quando seus familiares e amigos chegarem ele pudesse dar a eles uma falsa esperança de que nada tinha lhe sido feito. Quem sabe se ele acreditasse naquilo ele poderia até mesmo se esquecer do que tinha enfrentado naquele lugar terrível.
Ele apenas esperava que um dia Dean pudesse perdoa-lo.
Do outro lado da pedra fira Jessica Moore suspirou profundamente. Seus olhos estavam marejados e ela tinha uma dor de cabeça daquelas, mesmo assim ela não conseguia tirar o fantasma de um sorriso de seus lábios. Ela tinha conseguido acalmar Cas, ela ainda poderia servir para mante-lo são mesmo que ela duvidasse de sua própria sanidade.
Toda vez que ela fechava os olhos ela via os olhos de Sam em sua frente, os olhos do homem que ela mais amava em todo o mundo agora olhavam para ela com raiva em vez de paixão, com uma intensidade capaz de matar e que faziam com que ela quisesse se esconder dentro das pedras mofadas e sujas de sua cela. Sam não a olhava mais como aquela Jessika, aquela estudante de teatro e cuidadora de um deficiente mental que ele conheceu em Agosto, ele a olhava como uma mulher adultera, uma traidora que não prestava mais para ele.
Ela tinha aberto suas pernas para Castiel, para o irmao cego de seu chefe, para o namorado de seu amigo e para o cunhado de seu irmao. Ela tinha feito sexo com uma outra pessoa que não fosse Sam. Ela tinha quebrado seu voto, aquele pequeno e silencioso voto que tinha feito diante do tumulo de sua vó, o voto onde ela tinha prometido ser uma para o único homem de sua vida, para aquele que ia salva-la de seus medos e que estaria disposto a conviver com uma mulher que exerce uma função de cuidadora... ela jamais poderia olhar para a lapide de seu falecida vó com os olhos brilhantes, pois tinha quebrado essa promessa. Ele nunca mais poderia olhar para Sam Winchester com os olhos brilhantes pois uma sombra pairava sobre seus ohar nesse momento. Essa sombra não a permitia respirar, não a deixava feichar os olhos pois toda vez que ousava fechar suas delicadas palpebrais ela via os dois olhando-a e acusando-a de tudo o que ela sabia que era a partir daquele terrível momento. Ela sabia que eles diriam a ela que tudo o que ela tinha que fazer era lutar mais, era dizer que tinha uma informação importante ou que estava do lado de Ruby agora... tinham tantas formas de não ter de passar pelo o que ela passou que agora ela parecia uma criança, uma mulher ingenua que preferiu dar seu corpo para alguém que poderia se sentir pior com tudo o que ela faria do que perder sua própria vida. A verdade era essa. Terrível e crua, mais era a verdade, ele tinha feito sexo com o namorado do irmão de seu amante porque queria acima de tudo sobreviver.
Ela não poderia mais ser digna de seu Sam dessa forma, seu corpo estava sujo, ela tinha corrompido seu amigo, tinha traído seu amante e tinha feito tudo isso apenas com a inteiriça de se preservar. Ela não merecia mais nada da vida.
Lagrimas silenciosas caiam pelo seus rosto e ela nem ao menos conseguia atribuir a culpa para uma outro alguém senão a si mesma. Ela sabia que Ruby não teria feito nada se não tivesse uma vaga ideia de como ela poderia se comportar diante de tudo aquilo. Ela sabia que a mulher, por ser uma criatura das trevas poderia identificar as trevas nos outros, poderia ver bem dentro da pessoa de que se apresentava por debaixo da figura da cuidadora meiga que ela tinha criado para si e poderia ter a certeza de que ela faria isso sem nem piscar, ela sabia que ela não hesitaria em trair ou traumatizar para continuar viva. Talvez ela não fosse tao diferente da mulher loira afinal.
Ela encostou a cabeça na pedra fia e suja e pensou em seu companheiro de cela. Será que ele estaria pensando exatamente as mesas coisas que ela? Ou será que na cabeça dele era tudo o contrario? Ela nunca saberia. Tudo o que poderia fazer era se certificar de que Castiel não recebesse a mesma punição que ela, pois, ela sabia que ele era uma alma pura eque não teve escolha em absolutamente nada. Ela queria que ele fosse feliz que que fosse perdoado por Dean mesmo que Sam jamais viesse a perdoa-la.
Mais uma vez os olhos acusadores apareceram em sua frente.
As lagrimas voltaram a deslizar pelo seu rosto e tudo o que ela queria era que esse inferno terminasse de uma vez.
Aquele era o quarto dia de seu cativeiro e ela estava assim. Como Jimmy tinha enfrentado um mês? Como ela poderia ser tao fraca? A cuidadora começou a pensar que se ela soubesse de mais coisas sobre as acoes de Gabriel ela poderiam muito bem entrega-las de bandeja para a mulher detestável e mais uma vez começou a pensar em como era um fardo para todos, em como não prestava para esse tipo de situação... ainda bem que ela não sabia de nada.
Com a autoestima do jeito que estava Jessika duvidava seriamente que merecia ser resgatada. Tudo o que ela queria era que pelo menos Castiel estivesse ileso no final.
Jessika tentou fechar os olhos mais uma vez e finalmente teve o resultado que ela queria tanto. O negrume da inconsciência a consumiu. Ela não mais via os olhos acusadores de Sam, nem seu rosto vermelho de tanto chorar. Ela abraçou o negrume e se deixou flutuar por onde jamais saberia, tudo o que poderia sentir nesse momento era que pela primeira vez em quatro dias de sofrimento ela poderia recarregar suas energias... ela não sabia quais seriam os usos de sua força em sua condição atual, mais ela sabia que se ela pudesse ajudar em alguma coisa ela o faria.
Quando o sono a levou para a doce terra do desconhecido ela não mais se lembrava de ter ouvido uma voz amiga sussurrar palavras de conforto em sua mente. Tudo o que ela tinha agora era a escuridão e o tremendo desgosto por si mesma.
***
Eram vinte e três horas e quarenta e seis minutos, a mudança de cenário tinha feito maravilhas para ele. Não havia nada melhor do que sentar em sua poltrona coberta com desenhos de pathwork e tomar um café preto, em sua casa ele poderia pensar melhor em tudo o que estava acontecendo e analisar a melhor maneira de por em ordem tudo o que deveria ser feito antes do nascer do sol.
Mais uma vez os nomes da Oficial Charlie, do Sargento Walker tinham sido adicionados ao grupo de pessoas que estavam dispostas a dar seu sangue pelo cumprimento daquela missão. O irônico é que ele jamais poderia adivinhar que um dia tivesse de trabalhar lado a lado com crianças pequenas, Jimmy, um bando de judeus que tinham acabado de roubar um quadro avaliado em milhões e um anjo. Gabriel nem sequer poderia dizer que seu seleto grupo dos que eram-lhe caros era menos estranho. Ele tinha um tenente bêbado, um irmão que via coisas do alem, duas crianças que aparentemente tem mais QI do que o departamento de policia inteiro e uma hacker lésbica... quando ele olhava para os seis judeus que estavam conversando discretamente com o homem- ele não poderia chama-lo de anjo, não agora- de cabelos ruivos ele sentia um formigamento estranho na espinha, um daqueles que você tem quando está ao redor de gente que tem potencial para sugar sua sanidade e deixa-lo louco. Ele nem ao menos precisava olhar para o judeu com cara de engraçadinho para saber que todos eles eram pessoas insanas e que também eram extremamente corretas. Bem, ele tinha de admitir, para entrar em uma força tarefa cujo objetivo é salvar o mundo do apocalipse eles tinham de ser exatamente assim.
Antes que o capitão de olhos de âmbar pudesse fazer mais alguma observação acerca de seus companheiros o silencio foi quebrado por Dean, que, com sua voz impaciente tinha se dirigido diretamente a Jimmy em sua pergunta. O tom dele mostrava o quão cansado ele estava, mesmo assim sua voz era gentil e ele deixava bem claro em seus gestos que estava com raiva, mais que essa raiva não tinha nada a ver com Jimmy saber o tempo todo onde tudo aquilo ia dar e o que seus filhos estavam fazendo ali na casa de um total desconhecido... os olhos verdes do engenheiro estavam fixos na caixa que sua filha tinha em mãos. Eles tinham aberto-a há poucos minutos atras e agora todos estavam procurando as palavras certas para poder expressar o que tinham em mente ao ver uma adaga adornada de joias em vez de outra coisa, qualquer coisa, que fazia mais sentido como uma arma de fogo em suas mentes. O homem ruivo tinha sido firme ao dizer que nenhum artefato divino iria ser considerado ou construído para ser uma arma, não era e nunca tinha sido essa a intenção dos céus e não seria isso o que iria acontecer. Ele lembrou a todos eles que mesmo os inimigos dos homens deveriam ser amados, pois todos eram filhos do mesmo Deus. Todo o grupo conseguiu entender aquilo, eles estavam por conta própria em uma guerra que jamais se imaginaram entrar.
Dean limpou sua garganta chamando a atenção de todos na sala. Cada par de olhos parou o que estava fazendo e se fixou nele, em seus olhos verdes e estes estavam muito bem treinados em cima dos olhos azuis. Sem prestar atenção no fato de que tinha modificado todo o clima da casa Dean disse em uma voz delicada:
–Então... nos temos uma adaga. O que vamos fazer com ela Jimmy?
Por alguma razão Gabriel achou aquilo surreal. Era como ver seu irmãozinho ser interrogado por seus companheiros da policia. Ele não gostou nada daquilo e mesmo sabendo que Dean jamais iria ser bruto como os caras que fizeram-no chorar e se esconder dentro de um armário de vassouras ele viu seu sangue ferver. A ideia de ter Jimmy como o único que poderia dar-lhes respostas era estranha e na sua cabeça Gabriel sabia que se ele viesse a tomar a dianteira nas coisas ele poderia muito bem ser o alvo de uma bala com o seu nome escrito. Ele sabia que o fantasma da lista que Ruby tinha escrito-lhe com os nomes de quem ela estava disposta a matar pessoalmente para obter o que quer o assustava e muito. Gabriel jamais queria ver seu irmão com a garganta cortada... ele teve que sacudir a cabeça discretamente para afastar a onda de panico que subia por sua garganta. Não era a hora de entrar em um ataque de panico... tudo o que Jim estava fazendo por eles era o melhor e ele sabia que ele deveria ouvir o que o pintor tinha a dizer se ele desejava sair dessa operação vitorioso.
Mais uma vez ele olhou discretamente todos os que estavam dividindo seu apartamento. Ele não queria que ninguém tivesse percebido a corrente de emoções que passavam por ele naquele momento.
Percebendo que ninguém tinha dado o minimo de atenção a ele e o que ele estava pensando Gabriel voltou-se rapidamente para onde a conversa tinha parado. Jimmy.
Os olhos azuis de seu irmão nunca tinham sido tao focados em alguém como naquele instante. Ele parecia uma outra pessoa, uma pessoa que era muito diferente de seu eu brincalhão e que tinha a personalidade de uma criança mimada. Pela primeira vez Gabriel viu seu irmão como uma pessoa mais velha do que metade dos outros na sala.
O que ele jamais saberia era que Dean estava tendo as mesmas impressões.
Se James Novak sentiu o que seu irmão e seu cunhado estavam sentindo ele não demostrou. Tudo o que ele fez foi mirar seus olhos de gelo para a adaga que estava nas mãos de Lisa e sussurrar:
–Ela pode cortar a maça. Só essa faca pode fazer isso.
A temperatura da sala tinha abaixado mais ou menos dois graus. O ar ainda continuava tenso, mais por alguma razão a voz infantil de Jimmy junto a seus erros gramaticais habituais e sua não coesão tinham feito o suficiente para tirar Gabriel e Dean Winchester de seu transe. Ele ainda era o pintor que eles conheciam e amavam, e não algum anjo que tinha se disfarçado de Jimmy por trinta e quatro anos.
Mesmo assim, ninguém tinha entendido muito do que foi dito.
–Como assim? Ela pode cortar a fruta da sabedoria, é isso o que essa adaga faz Jimmy?
Charlie foi a primeira impaciente a começar com o questionamento que Gabriel tinha certeza que lhes renderia pelo menos uns bons trinta minutos. Ele olhou para o anjo ruivo que estava em pé perto da porta da cozinha e viu o homem abanar a cabeça. Nesse instante ele soube que o que quer que seu irmãozinho tinha para dizer era de conhecimento geral dos anjos e não deveria ser aprofundado para eles que eram reles mortais. Aquilo fez seu sangue ferver. Eles precisavam de alguém que pudesse ajuda-los não de um enigma ambulante!
A mulher mordia seus lábios enquanto esperava pela resposta. Ela tinha algo em mente, mais só poderia compartilhar com o grupo se tudo o que ela tinha teorizado fosse confirmado.
Mesmo ansiosa para verificar suas hipóteses com a única pessoa que poderia confirma-las Charlie tinha o coração apertado. Ela não era Jessika e nem Jo, ela não era a pessoa mais próxima de Jimmy e certamente não era a mais indicada para saber como faze-lo falar. Ela esteve nessa missão desde que tudo tinha começado e tinha visto o quão assutado o pobre pintor estava com tudo isso, ela esteve na policia durante o interrogatório e ajudou seu chefe a procurar seu irmão até que eles o encontraram em um armário de vassouras... definitivamente ela era melhor com computadores do que com pessoas, mesmo assim ela não era ingenua a ponto de confundir o olhar serio de Jimmy com algo que não fosse o peso de tudo o que estava acontecendo a seu redor. Era claro para ela- e ela poderia dizer que Gabriel também tinha percebido aquilo- que o pintor dos quadros mais cobiçados dos EUA estava cansado, cansado de ter esse fardo sobre seus ombros e cansado de esconder e de não poder revelar tantas coisas para eles. Era mais do que logico que Jimmy queria mais que tudo contar todos os segredos que tinha em sua mente, que ele queria e desejava que seu big brother cuidasse de tudo como nos velhos tempos. Infelizmente aqueles não eram os velhos tempo e eles apenas poderiam contar com o que ele tinha a dizer já que o anjo não poderia revelar nada.
Era irônico como Jimmy tinha passado de guardião dos segredos para a única forma de conta-los. O anjo estava utilizando dele para desobedecer ordens celestiais que ela nem ao menos queria pensar em quem tinha as dado a ele. Eles precisavam de informação como Ruby precisava daquela maça e para todos os efeitos a única pessoa que poderia dar-la a eles era o pintor de olhos azuis que estava em sua frente.
Se um dia eles saíssem dessa ela iria passar uma semana inteira na cama dormindo.
Menos de um minuto tinha se passado e todos os presentes estavam olhando pacientemente para Jimmy. As lagrimas desciam de seu rosto como nas vezes que ele presenciou visões assustadoras sobre o futuro de todos eles. Mesmo assim ele respirou fundo e com um ultimo olhar para Gabriel disse tudo o que eles precisavam saber.
E foi assim que todos os presentes, os policiais, os judeus e as crianças descobriram que aquela era a única coisa que poderia cortar a fruta da sabedoria, a única coisa que poderia raspar a pele vermelha daquela maça sagrada para que depois, e com delicadeza, a casca indestrutível fosse colocada em uma outra e ordinária fruta. Naquele momento Gabriel pode ter a certeza de que Jimmy realmente o escultou quando em uma noite entediante- em que os dois estavam sem fazer nada- ele começou a brincar com as velhas historias dos irmãos Grimm. Nenhum dos presentes iria esquecer desse belo plano que tinha sido inspirado em uma alteração que o próprio capitão tinha feito de “os três porquinhos”. Era claro que se um dos porquinhos fizesse sua casa de tijolos e a cobrisse com a mais fina das palhas o lobo ia pensar que ele seria um alvo fácil... o mesmo valia para a fruta da sabedoria. Se eles cobrissem uma maça qualquer com a casca indestrutível da verdadeira fruta proibida eles tinham uma forma de colocar Ruby aos seus pês.
Aquilo parecia muito promissor.
Gabriel não podia conter o sorriso. Seu irmão era um gênio.
Com tudo o que tinha sido dito o capitão da policia de São Francisco tinha concluído dois coisas: a primeira era que eles finalmente teriam a chance de acabar de uma vez por todas com essas corrida maluca de maldades e terror e a segunda é que ter uma palavrinha ou duas com os neurologistas de Jimmy... bem, isso ele poderia fazer bem depois ou simplesmente esquecer completamente. No fundo o homem de olhos âmbar sabia que aquilo não era tao engenhoso assim e que poderia muito bem ter sido soprado na cabeça do pintor por um certo espirito que ele sabia muito bem o nome. De qualquer forma ele não poderia chegar para um medico e ir começando a dizer que seu irmão criou um plano para deter o apocalipse. Ele certamente iria acabar em um hospital psiquiatria e perdendo a guarda de Jimmy. Não, definitivamente ele teria de deixar isso para depois.
Para todos os outros que estavam na sala tudo o que tinha sido dito foi uma luz que tinha vindo para iluminar seus dias de uma vez por todas. Se eles pudessem dar um jeito de fazer a mulher acreditar que eles estavam dispostos a entregar a fruta a ela... talvez tudo pudesse ser resolvido até antes do ano novo! Maria e Benjamim tinham ficado esperançosos, desde o dia em que eles tinham sido recrutados para aquela missão eles sabiam que deveriam dar sua vida por ela e mesmo assim a tensão de saber que caso algo desse de errado o mundo inteiro sofreria pelos seus atos era desesperadora. Agora tudo o que eles queriam era se ver livres desse pesadelo. E por tudo o que eles poderiam sentir das demais pessoas ali presentes, pessoas que estavam lutando contra Ruby Evans há muito mais tempo que todos eles, era claro que todos os outros também estavam mais do que dispostos a fazer apostas altas para virar esse jogo.
Estava na hora de os mocinhos reagirem.
Lisa estava cansada. Já tinha passado da hora que era acostumada a dormir e mesmo assim ela não conseguia ver nenhuma possibilidade de ir para a cama agora. Eram meia noite e vinte e sete e a única coisa que todos as pessoas que estavam na casa de Gabriel queriam naquele momento era tentar mais uma vez.
Mais tarde depois das revelações sobre a adaga, adornada de joias que ela tinha encontrado em uma arvore, Emanuel (sim, esse era o nome do cara ruivo, mesmo assim Lisa ainda encontrava dificuldades de chama-lo assim, para ela os anjos não tem nome, eles são apenas... anjos) tinha deixado cair a informação de que somente o verdadeiro filho de Deus poderia manusear aquela arma branca. Não demorou muito para que os seis judeus da sala se levantassem, ora, eles eram o povo escolhido por Deus para ser o seu povo a final das contas. Cada um deles tinha tentado segurar a majestosa adaga sagrada e um por um, foram frustrados em suas trilhas. As mãos de Maria, Benjamim, Aviel, Yeda, Rebeca e Eva foram levemente queinadas por alguma propriedade bizarra que o metal da adaga possuía. Definitivamente o povo de Israel não era o povo que deveriam segurar aquela adaga. Nenhum dos seis amigos se sentia como uma pessoa inferior no entanto. Todos eles tinham a certeza de que se nenhum deles deveria tocar na arma era para melhor. Afinal, nenhum deles eram realmente as pessoas que mais estavam envolvidas naquilo tudo. Quando as mãos dos seis amigos pararam de arder depois de um determinado período de tempo cada uma deles já tinha feito sua mente sobre quem dos demais poderia ser a pessoa que levaria aquela adaga em mãos e cortaria a casca protetora da maça da sabedoria.
Nessa altura do campeonato todos eles tinham uma hipótese em vista. Cada um dos presentes que ainda não tinha tentado segurar o artefato sacro estava mais do que ansioso para testar. De repente o clima da sala começou a se intensificar com as nuances de competitividade que foram criadas. E por um minuto eles poderiam acreditar que tudo não passava de uma simples gincana de faculdade ou uma daquelas coisas divertidas que se faz entre amigos.
Aquele clima de festa e de paz tinha sido quebrado com o som de alguém caindo no chão. Bem na frente de todos aqueles pares de olhos Jimmy tinha desmaiado e batido a cabeça na quina da mesa.
A respiração da pequena menina de oito anos tinha parado completamente e ela poderia ver seu irmão morder a mandibula em uma tentativa de se mostrar forte. Todos os adultos tinham parado em suas trilhas esperando por Gabriel para dizer-lhes que estava tudo bem.
Ninguém tinha percebido que o anjo da sala tinha sumido nesse exato minuto.
Danny tinha mordido sua mandibula com tanta força que ele poderia ter certeza que o gosto amargo que sentia era sangue, muito sangue escorrendo de sua bochecha mordida. Ele não conseguia parar as lagrimas que viam escorregar por suas bochechas e não conseguia esquecer seus pensamentos pessimistas enquanto via Gabriel levantar a cabeça sangrenta de seu tio. Todos eles estavam desesperados.
Mais tarde Danny poderia se lembrar de que a maior lição de tudo o que tinha se passado naquele momento era que as coisas da vida sempre podem mudar e o mais rápido possível seja para algo bom quanto para algo ruim e desesperador. No entanto tudo o que o garoto conseguia pensar ao ver a cena em tempo real era que o mundo estava contra eles. Definitivamente era a hora de por em questão tudo o que ele tinha pensado quando conheceu o homem ruivo. Se havia anjos na terra e se eles estivessem trabalhando a seu favor para ajuda-los em sua missão era claro que também poderiam existir demônios com poderes para fazer muitas brincadeiras com cada um de seu grupo seleto de pessoas amadas.
Naquele momento quando o pequeno Daniel Winchester viu Jimmy cair em câmera lenta no chão e ainda por cima bater sua cabeça na quina de uma mesa de madeira ele tinha certeza de que tudo aquilo era a obra de um demônio.
Se ele olhasse para o chão ele poderia ver o sangue carmim escorrer pela madeira envernizada. Definitivamente aquilo não era algo que ele poderia e queria ver. Em menos de um minuto suas mãos foram para seus olhos cobrindo o sangue de sua visão, ele poderia ter certeza de que Lisa tinha feito o mesmo, afinal tinha sido ela quem tinha encontrado uma colega da escola morta com a garganta cortada. Dentre os dois era ela a que tinha a maior necessidade de cobrir a vista, comparado ao que ela tinha encontrado naquele banheiro o sangue escorrendo da cabeça de seu tio não era nada.
Eram esses momentos que faziam o menino ter a certeza de que ele jamais iria cursar um curso da área de saúde. Ele não tinha equilíbrio nenhum para ver os outros sofrerem diante dele. O mais vergonhosos de tudo era saber que ele jamais poderia ver sangue e ficar imune. Não era uma visão que ele gostava, não realmente.
O menino estava tao imerso em seus pensamentos que quase deu um pulo quando uma mão delicada e com uma quentura familiar tocou em seus cabelos. Graças a Deus seu pai estava lá para prometer a ele que tudo ia ficar bem mesmo que o próprio não soubesse do futuro. Era aquilo o que os pais deveriam fazer. Danny deixou-se ser carregado para o colo de Dean e tao logo foi posto em um abraço apertado ela já tinha encontrado o caminho para o pescoço de seu pai enterrando a cabeça lá e deixando suas lagrimas salgadas escorrerem pela camiseta verde que ele estava usando.
O engraçado era que mesmo com todo o sofrimento o menino não conseguiu deixar-se abraçar por muito tempo, ele sabia que deveria dar espaço para sua irma.
Lisa era a menina mais forte que ele já tinha conhecido e saber que ela era sua irma mais velha era a melhor coisa do mundo. Ela sempre o ajudava em tudo o que ele precisava e era a hora de ele fazer o mesmo por ela. Ela não poderia se sentir melhor em um abraço dado por ninguém alem do próprio pai.
Dean entendeu o que seu filho queria sem que houvesse uma única troca de palavras entre os dois. Estava na hora de ele salvar o mundo de sua filha.
Nem por rum minuto Dean imaginou que na verdade tudo o que estava dizendo era para que ele pudesse se acalmar. Ele não tinha gostado nada nada de ver seu cunhado favorito desmaiando. Ele tinha certeza de que quando ele acordasse eles não teriam boas noticias.
Os olhos de Gabriel estavam treinados em Jimmy e ele tinha rasgado sua camisa com velocidade voraz enrolando o pano de algodão sobre a parte prejudicada na tentativa de estancar o sangue. Ele não poderia falar nada e nem sabia o que estava acontecendo a seu redor. Tudo o que ele queria fazer era fechar a ferida.
Em seus braços o pintor estava tremendo. Gabriel poderia se lembrar que um dia tinha aprendido que a perda de sangue faz isso as pessoas, elas começam a tremer de frio, mesmo assim tudo o que ele pensava era em jimmy, em como ele não podeira perde-lo de novo. Castiel ia mata-lo! O sangue escarlate escorria pelas suas mãos manchando não só a camiseta que estava sendo uma gaze improvisada como seus dedos brancos, o cheiro de ferro estava em suas narinas e ele poderia sentir seus olhos arderem. Naquele momento ele não conseguiu nem se perguntar por que. Tudo o que ele conseguia fazer era rezar, rezar para que tudo desse certo... em sua vida de policial ele já tinha visto muitos casos de pessoas que tinham morrido por baterem a cabeça, ele tinha visto o sangue e a dor nos corpos inchados dos protagonistas de seus casos e não queria ter de ver Jimmy adicionar seu próprio nome a lista.
Sem que ele percebesse um cobertor tinha sido colocado em vola de seu irmão. As pessoas que estavam em seu apertamento não estavam apenas olhando para ele, elas estavam fazendo o possível para ajudar em tudo o que poderiam. Quando seus sentidos voltaram a si ele percebeu que Dean estava ligando para o 911, os judeus estavam tomando conta das crianças e Charlie estava contendo a histeria de Chuck. Parecia uma banda sinfônica de tao organizado.
Ele tinha de se lembrar de agradecer quando seus cérebro deixasse de pirar sobre a quantidade de sangue que Jim estava perdendo. O pior de tudo era que o idiota tinha de nascer sendo uma das raras pessoas que tem sangue tipo AB-. Ele sabia como era difícil achar doadores para esse tipo especifico de sangue e em uma emergência feito a que ele estava seria mil vezes pior! Mais uma vez Gabriel xingou a sua mãe negligente, se ela não fosse do tipo sanguíneo B ele poderia fazer uma transfusão direta, infelizmente a única pessoa de sua família que estava viva e que poderia doar o sangue para Jimmy era Castiel e naquele momento encontra-lo não era mais a sua urgência. Ele sabia que Cas iria resistir o quanto pudesse principalmente porque ele tinha Jessika para zelar por sua vida, Jimmy por outro lado tinha apenas tempo.
Enquanto suas mãos eram comprimidas na cabeça de cabelos cacheados e revoltos e o sangue escorria pelos nos apertados de seus dedos ele pode perceber mais coisas do que queria. A primeira delas era que Lisa estava chorando mais do que Danny, a segunda era que havia um barulho de sirenes pela rua e a terceira era que o homem ruivo tinha zarpado. Aquilo era muito estranho.
A única coisa que o policial não tinha percebido era que Jimmy estava acordado. Os olhos azuis do pintor imploravam por atenção.
Em toda a sua dor Gabriel não era capaz de perceber seu próprio irmão implorando para ser visto.
Jimmy estava com frio, com uma tremenda dor de cabeça e tinha quase certeza que vomitaria todo o seu café da manha. Mesmo assim ele precisava usar toda a força que tinha, ele precisava avisar a seus amigos o que estava acontecendo, o que ainda poderia acontecer. Eram tantas coisas que passavam em sua cabeça naquele momento. Ele era capaz de ver o rosto paliado de Jessika e os olhos estranhos de seu irmao gemeo, ele era capaz de ver os guardas das celas mofadas onde seu irmao e sua amiga estavam e ele poderia ter certeza de que eles estavam pouco interessados em observa-los... Jimmy precisava avisar a eles, ele precisava dizer que ele viu os outros, que eles estavam em algum lugar frio, escuro e que cheirava mal...
A dor o consumia mais uma vez. Ele estava com frio, com fome...
Ele tinha de avisar a seus amigos. Ele tinha de dizer que lugar era feito de pedra, que fazia muito barulho e que parecia um pouco com a fabrica de macarrão...
Ele tinha de avisar a eles que ele poderia ajudar a encontrar Cas e Jess.
Jimmy era capaz de sentir as mãos quentes de Gabriel em seu cabelo. Era uma sensação reconfortante e mesmo assim ele não estava contente com isso. Os olhos do policial não estavam olhando para os dele, eles estavam mirando outra coisa... O que Gabriel está olhando? Ele não poderia dizer. Tudo aquilo era tao estranhão, tao confuso. Ele via em sua frente Jessika, mais sabia que ela não estava ali. Por que ela não estava ali com eles/ por que ninguém estava dizendo nada/ por que Gabe estava com lagrimas nos olhos, por que?
Ele começou a ficar com sono. Mais ele não poderia ficar com sono, não agora. Ele ainda tinha que falar o que ele tinha visto. Seus olhos azuis brilhavam em chamas, eles tentavam chamar a atenção de alguém, qualquer um. Infelizmente parecia que todas as pessoas ao seu redor estavam e não estavam olhando para ele. Elas estavam trsites, olhando para ele. Jimmy não sabia por que?
Cada vez mais ele sentia frio e sono, sua cabeça estava molhada com alguma coisa, ele queria que aquilo saísse, tinha um cheiro ruim. Por que ele estava com dor?
O sono se espalhava pelos seus poros e ele não queria dormir. Ele sabia onde Jessika e Cas estavam. Ele já tinha estado naquele lugar!
Ele estava meio tonto. Tinha cada vez mais vontade de vomitar. Por que Gabriel não estava olhando para ele?
Jimmy estava com sono, muito sono. A dor em sua cabeça só fazia aumentar e ele pode sentir seus olhos lacrimejarem. Ele estava com medo.
O que estava acontecendo com ele?
Ele precisava ficar acordado. Ele precisava falar para Gabe ou Dean... ele precisava dizer que ele sabia onde os outros estavam...
jimmy queria apertar o braço de seu irmão. Ele queria sacudi-lo e faze-lo olhar para si, para que ele pudesse prestar bem atenção e ouvir quando ele dissesse que sabia exatamente onde Cas estava. Ele queria ver os olhos cor de âmbar se orgulharem dele e se encherem de esperança como eles sempre se enchiam quando Gabriel fica feliz. Ele precisava disso.
As sombras estavam começando a aparecer em sua visão e ele não queria abraça-las. Ele não queria dormir, não queria ser levado pela escuridão sem que antes dissesse a todos onde poderiam encontrar Cas e Jessika. As lagrimas escorriam pelos seus olhos e ele sabia que não poderia ficar mais nenhum minuto acordado.
Estava tao frio ali, tudo doía em seu corpo...
As sombras traziam uma promessa de paz. Sem dores, sem medo, sem tontura.
Sorrateiramente os olhos dele foram se fechando em um processo que até mesmo o próprio pintor não pode identificar. Para ele as sombras eram a sua promessa de calor, de um mundo sem dor e sem o medo que corroía-lhe a alma. Ele não queria esquecer dos outros que estavam naquele lugar horrível, ele sabia como era estar em uma cela preso sob circunstancias macabras, mesmo assim ele não podia lutar contra suas próprias pálpebras. Elas eram bem vindas como um cobertor quente.
Jimmy ainda estava consciente. Ele ainda queria dizer tudo o que tinha lhe sido mostrado...
No meio de tanta dor e medo o pintor poderia sentir uma outra coisa corroer seu ser, ele poderia sentir uma outra presença, a presença de alguém que não queria lutar do mesmo lado que eles. Essa presença fazia com que cada vez mais ele sentisse vontade de gritar, de agarrar Gabriel e de faze-lo ser o herói da noite. Jimmy estava com mais medo agora que sabia que havia uma presença estranha a seu redor do que antes, nem mesmo o fio ou a dor poderiam deixa-lo mais aterrorizado.
Ele estava com a mente quase a deriva e ainda lutava para abrir os olhos, ele queria encontrar os olhos de âmbar que sempre o protegeram, ele queria encontrar a ferocidade dos olhos verdes que juraram amar Cas e os olhos azuis e pacientes de um amigo... ele não conseguia nada do que queria, não era capaz de lutar contra o cobertor de aço que o prendia no mundo do coma. Seu desespero aumentou exponencialmente.
Estava chegando a hora em que o cobertor de escuridão iria consumi-lo por completo.
As perguntas desorientadas voltaram a circular em sua cabeça. Cada vez mais ele ia se sentindo confuso e cansado. Cada vez mais o terror ia se instalando nele e o sentimento de estranheza avançava como um cavalo vencedor.
Ele não queria dormir.
Dormir parecia se ra única coisa que ele poderia fazer agora.
Os dedos longos de Gabriel ainda estavam em sua cabeça e a dor parecia quase distante... ele sentia que poderia se transformar em um algodão macio.
Enquanto sua mente flutuava entre a vigília e a inconsciência ele não poderia deixar de se perguntar sobre o significado de tudo aulo.
Por que seus ossos doíam?
Por que estava tao frio?
Jimmy não conseguia se lembrar do que tinha acontecido anteriormente. Por que sua cabeça estava molhada?
A escuridão parecia afeta-lo cada vez mais. Ele não poderia mais lutar, não tinha mais nada que conseguiria fazer. Ele era um homem vencido.
Segundos antes de seu corpo entrar em choque e sua alma adormecer em um mar de inconscienciosa ele se fazia apenas uma pergunta:
Por que?
Nada mais parecia fazer sentido alem da escuridão que o abraçava.
Jimmy finalmente a abraçou de volta. Ele não queria mais saber o por que.
Ele não queria mais saber de nada.
Os olhos negros e os lábios rosados da mulher demonstravam claramente o brilho de empolgação e veneno. Ruby estava calada apenas observando os movimentos heréticos da outra mulher ao mesmo tempo que admirava-lhe pelo seu poder.
Definitivamente Azazel tinha bons contatos. O tipo de pessoa que uma mulher com os planos como os dela deveria ter em sua agenda telefônica para projetos posteriores. Bem, se tudo terminasse como ela planejava não haveriam mais projetos posteriores, pois, ela seria a rainha do mundo. Ela finalmente seria tudo o que sua mae disse que um dia estaria sendo; a soberana de todo o universo.
Naquele momento Ruby não poderia sentir-se mais perto de tudo o que desejava, ela tinha certeza que os poucos obstáculos que ainda haviam em seu caminho seriam facilmente ultrapassados depois dessa. Como ela não tinha pensado nisso antes? Ela não poderia matar o guardião dos segredos por tudo o que sabia mais poderia muito bem dar cabo dele de uma forma que nunca mais os olhos azuis piedosos estiverem em seu caminho. Agora as coisas tendiam a melhorar.
Tudo isso tinha sido graças a mulher em sua frente. Ela deveria comprar uma cachaça muito boa para o homem de olhos amarelos. Dessa vez ele realmente tinha feito um bom trabalho.
Ele tinha contratado uma verdadeira bruxa para trabalhar para ela.
Diretamente em sua frente havia uma mulher de cabelos curtos e negros e olhos mais escuros que suas mechas sombrias. Ela carregava uma calice cheio de sangue e o cheiro de carne poder poderia ser sentido mesmo se Ruby saísse de onde elas estavam, aquilo iria ficar em sua memoria para sempre.
Pelo o que ela sabia Mag era a melhor de sua área, ela poderia invocar forças e faze-las trabalhar para si ou para aqueles que tivessem a coragem de contrata-la. Era exatamente esse tipo de trabalho que Ruby precisava. Alguém que pudesse fazer coisas mas a pessoas sem realmente estar perto de seus alvos era tudo o que ela queria. Seria rápido e discreto e não precisaria sujar suas laminas todas as vezes que ela desejava eliminar alguém.
Tudo o que ela precisou fazer para que a bruxa cumprisse o que ela desejava era oferecer sua alma em troca. Aquilo era um pequeno preço a pagar para uma pessoa que já tinha perdido tudo e não tinha mais esperanças de terminar de outra forma. Se havia um Deus nesse mundo ele não a deixaria ir a um lugar diferente do inferno depois de tudo o que ela queria fazer com a obra dele. Disso ela tinha certeza.
Para conseguir acesso a Jimmy ela deveria entregar a feiticeira algum objeto pessoal do pintor. Aquilo tinha sido a parte mais fácil, depois de meses sob sua vigilância Ruby não deixaria ele escapar sem tirar algo importante para o idiota. Tinha sido um de seus melhores momentos vê-lo implorar pelo objeto querido, mais ela não cedeu e nunca cederia. Logo no começo da estadia do pintor em sua fabrica de macarrão ela tinha tirado-lhe algo que conhecia muito bem. O chaveiro em forma de pato era um dos únicos presentes que o pintor tinha ganhado de sua mãe, ela sabia disso desde os tempos em que frequentava como amiga a casa dos três Novak e tinha visto chegar pelo correio uma caixa com três chaveiros e uma carta enviada de alguém que morava em Ohio. Era o único presente que a mulher tinha dado a seus filhos em muitos anos e o único que ela tinha dado a Jimmy especificamente... foi muito interessante ver aqueles sentimentos todos passarem diante de seus olhos quando ela roubou-lhe o objeto querido. Se ela soubesse que aquilo seria uma das coisas que poderiam fazer o pintor sumir para sempre de sua lista de preocupação ela teria roubado-lhe o chaveiro muito antes.
A outra coisa que a mulher precisava para seu feitiço era muito mais especifica e difícil de conseguir, mesmo assim não tinha sido uma maratona completa. O sangue de Jimmy estava dentro da sala em que ela o mantéu. Era certo que a policia ainda estaria dando olhadas naquele lugar, mais agora que a cidade estava um caos completo e nem mesmo a guarda nacional sabia por onde começar o inutil do comissario Adler certamente iria deixar de investigar os lugares que deveria. Ela tinha de admitir, ela odiava aquele cara. O comissario e sua burrice tinham deixado as coisas mais fáceis para ela... Ruby jamais negaria um desafio principalmente um que vinha de uma pessoa tao motivada a acabar com sua vida como Gabriel Novak.
Mandar Azazel encontrar um pingo de sangue em uma sala abandonada tinha sido uma outra coisa interessante. Ela sabia que o homem era um maniaco, mais não sabia que ele tinha a habilidade de um tubarão. Pensar que alguém que não passava um dia sem tomar mais de um litro de cachaça poderia voltar com uma gota de sangue em um cotonete era absurdo. Mesmo assim, foi exatamente isso o que aconteceu. O cara era um tubarão em todos os sentidos. Como esses peixes ele foi capaz de detectar uma gota de sangue em uma sala que tinha sido limpa pela equipe da policia.
Bem, a vida era realmente uma caixinha de surpresas.
Os pensamentos da mulher loira foram interrompidos drasticamente por uma voz feminina mais rouca a sua frente. Aquele era o sinal de que tudo já tinha sido feito.
–O sangue que você me deu era realmente o sangue de seu alvo. Meu serviço esta completo.
O sorriso sádico preencheu o rosto da mulher.
Aquilo era tudo o que ela precisava ouvir. Mesmo assim ainda restavam-lhe duvidas. Ela precisava saber certas coisas:
–Jimmy Novak, você o matou?
A mulher de olhos negros virou-se para sua empregadora com lábios sangrentos de quem tinha comido a carne crua para o feitiço. Ela não demonstrava nenhum tipo de emoção e se Ruby não soubesse melhor ela poderia muito bem ter matado todos daquele lugar.
A resposta não demorou muito a aparecer;
–Não. Não tenho forças suficientes para praticar o assassinato de um guardião. Mais posso assegura-la de que ele não será mais um empecilho.
–Muito bem.
Era tudo o que a mulher precisava ouvir.
Agora estava na hora de por em pratica a outra fase desse mesmo plano.
Ruby tirou da bolsa azul turquesa um telefone celular. Era hora de chamar as outras pessoas importantes para trabalharem com ela.
Antes mesmo que o primeiro toque começasse a soar em seus ouvidos a mulher detestável de cabelos loiros foi jogada no ar e bateu com seu ombro esquerdo contra a parede da sala. Ela não precisava de todos os seus sentidos para saber que havia um anjo ali. O brilho a a musica melosa já lhe diziam tudo.
Ruby poderia ter certeza de que seu ombro nunca mais seria o mesmo. Aquilo estava doendo como o fim dos tempos. Seu celular tinha sido estraçalhado em um segundo e sua cabeça doía como o inferno. Era muito provável que aquele ser celestial estava bastante contente por te-la acertado no processo.
Quando seus sentidos voltaram a si ela pode observar as asas coloridas e brilhantes do homem que sabia reconhecer, mais não poderia dizer de onde. De onde já vira esse rosto sardentos e esses olhos verdes? Ela não se lembrava. De fato ele era mesmo um anjo, com as penas feitas da mais pura matéria existente brilhantes como a luz em um prisma e a aura coberta de boas acoes nada poderia dizer o contrario. Talvez uma pessoa que não soubesse que tais criaturas eram os soldados dos céus jamais conseguissem acreditar que ele estaria portando uma lamina e com a posição de quem estava prestes a matar a mulher que tinha contratado. De alguma forma Ruby jamais pensou que aquele momento poderia ser diferente, ela sabia que eles não poderiam mata-la, afinal, ela era o apocalipse em pessoa. A única coisa que a tinha desanimado diante da luta que se sucedia era a diferença na força entre a mulher que tinha contratado e o anjo guerreiro.
Sua única chance de vitoria poderia estar definhando.
Enquanto o anjo brigava ferozmente em uma luta quase hipnótica Ruby corria para pegar todos os instrumentos que tinham sido utilizados pela bruxa. Aquilo poderia servir-lhe em algum momento posterior. Todo o tempo ela tinha certeza de que o anjo a observava não importa o que ele estivesse fazendo. Se ele estivesse esmurrando ou chutando sua oponente pouco importava ele jamais tiraria os olhos dela. Aquilo a assustou um pouco, o olhar do anjo parecia deixa-la nua.
Ezequel estava realmente impressionado. De todas as pessoas mortais que habitam a face da Terra aquela mulher era capaz de ver a verdadeira forma dos anjos? Definitivamente o destino estava sendo muito irônico com todos eles. Enquanto ele recebia os socos de uma bruxa poderosa ele tinha a certeza de que a mulher que tinha causado tudo isso, a mesma mulher que tinha se aliado a demônios e que queria o mesmo que Eva era capaz de ver sua verdadeira forma, suas asas iluminadas e suas cabeças de animais/ aquilo era mais do que ele esperava em um dia. O anjo temia que se ficasse atento a mulher loira ele poderia distrair-se de seu verdadeiro objetivo. Não, ele nunca poderia encostar um dedo na humana, a mulher era parte importante do projeto final mesmo tendo má índole... A bruxa naquele momento era a única que ele poderia alcançar. E mesmo que a diferença de forças entre eles fosse plausível ela estava mostrando-se uma oponente obstinada.
Em nenhum momento o anjo de cabelos flamejantes conseguiu cravar sua lamina na pele da mulher. Aquilo o estava irritando, a luta deles mais parecia uma luta humana comum do que o embate entre um anjo e uma bruxa de mais se um seculo.
O pior de tudo era que quanto mais a mulher resistia mais ele apanhava.
Pelo canto do olho ele pode observar que enquanto lutavam pelas suas vidas a única humana da sala recolhia todo o material utilizado no ritual, o único ritual que faria mal a Jimmy... Ele não queria deixa-la fugir mais era exatamente isso o que iria acontecer. A mulher bruxa conhecida pelo nome de Meg não o deixaria encostar um dedo em sua empregadora ou tentar impedi-la de sair do local. A batalha se desenvolvia em uma luta acalorada com socos, murros e pontapés e com direito a todos os moveis para voarem. Certamente o barulho de estilhaço era o suficiente para alertar os vizinhos, mais nenhum deles se importava. Era melhor que nenhum curioso chegasse ali no meio de sua briga, pois, apenas o brilho de seus olhos poderiam matar uma pessoa impura queimando-a até a morte.
Ele não tinha escolha. Era melhor deixar Ruby fugir.
Sua luta continuou o mais acirrada possível. Se ele fosse um ser humano estaria sentindo dor em todas as partes de seu corpo e se ela fosse uma bruxa mais fraca já teria queimado com a luz de sua graça. Infelizmente as condições ainda eram mais complexas.
O pior de tudo era que ele estava colocando seus próprios sentimentos nessa luta.
A bruxa sabia exatamente disso.
O sorriso da feiticeira de olhos negros se alargou quando ela desviou de uma facada no peito. O sangue escorria-lhe pelo labio e pela testa e mesmo assim ela ainda tinha desejos de continuar essa luta. Era logico que em um momento, quando ela menos estiver esperando, ela morreria, mais seu sentimento de missão cumprida seria levado para o inferno junto a ela. Ela tinha conseguido uma das melhores façanhas que uma pessoa de sua laia poderia conseguir. Ela tinha estragado de uma vez por todas a possibilidade de Jimmy abria a boca de guardião e soltar os passos necessários para ganhar esse jogo.
Para ela era imperativo que a mulher loira vencesse no final. O mundo inteiro iria se converter em uma nova area do inferno ela teria direito a um hemisfério só para ela. Para tanto era necessário que ela ganhasse mais tempo e deixasse a mulher que poderia transformar tudo em realidade longe de tudo aquilo.
Estava mais do que na hora de mexer com a cabecinha iluminada daquele anjo.
Seu sorriso se alargou ainda mais:
–Está tentando vingar o pintor é? Acredito que seja uma perda de tempo, ele nunca mais será o que já foi um dia.
Aquela tinha sido a maior frase que já dissera. Mesmo assim valeu cada minuto que usou para pronuncia-la. O anjo tinha deixado seus olhos brilharem com um sentimento gélido e improprio para sua especie. Ele estava com muita raiva. Muita raiva.
Em questão de segundos o homem de cabelos flamejantes tinha agarrado a bruxa pelo pescoço. Ela praticamente poderia ver o ar deixando seus pulmões e sentir o gosto da morte passar pelo corpo que hospedava sua alma antiga. Seu corpo não resistiria por mais tempo. Isso ela sabia.
–O que você fez com ele!? O anjo demandava por uma resposta e a cada palavra que ele pronunciava suas mãos iam apertando ainda mais no pescoço dela. Mesmo assim ela nunca tinha tirado o sorriso sádico do rosto.
Mais uma vez ela estava sorrindo interiormente. Aquilo ia dar-lhe o tempo que ela precisava:
–Nossa como vocês anjinhos perderam o glamour. A voz dela era doce como o veludo, mais teria ficado mais bonita se ela não estivesse quase sem ar- Pensei que você não se apegavam aos macacos que vivem aqui!
Ezequiel a jogou contra a parede. Infelizmente ela estava certa em um ponto nisso tudo. Não era para ele ter se apegado aos humanos... Para alguém como ele, um anjo de milenários de existência, aquilo era a pior das humilhações. Ele tinha definitivamente deixado-se levar pelos costumes e carisma humano.
–O que você fez com ele? Sua voz trovejou mais uma vez. Pelo canto do olho ele pode ver que a mulher de cabelos loiros já tinha desaparecido. No momento o sumiço dela pouco importava, ele tinha negócios a tratar com aquela criatura horrenda.
A bruxa estava com mais hematomas agora. Sua força tinha sido drenada e ela sabia que em alguma momento ela sentiria a pressão da lamina contra a sua garganta. Ainda assim nada a impediu de limpar o sangue de seu rosto com a mão esquerda e sorrir maliciosamente para o anjo diante de si.
–Ah anjinho. Você não vai querer saber.
Mais uma vez a velocidade ordinariato do anjo a tinha pego de surpresa. Ela poderia ver os olhos da criatura celestial queimarem de um sentimento atípico. Ela poderia mais uma vez sentir o ar escapar-lhe pelos pulmões e toda a dor de ser sufocada.
–Eu sei que você não é capaz de mata-lo com a proteção que colocamos sobre ele. Diga o que você fez! Mais uma vez a mao do anjo apertou pelo pescoço da mulher maligna.
Ezequiel não estava para brincadeiras. Ele poderia ver o sofrimento das pessoas que tinha deixado para trás e sentir o cheiro de sangue que escorria da cabeça de seu amigo.
Em um movimento fluido ele pegou sua lamina mais uma vez e apontou-a sem nenhuma cerimonia para o pescoço da bruxa. Ela deveria dizer-lhe agora ou iria ser colocada em uma prisão celestial. Ele até que gostava dessa ideia.
Meg ainda sorria para ele. Esse seria o ato final de sua vida. Mais ainda poderia aparecer em outras cenas. Era a hora de desesperar o se iluminado ainda mais. Isso era tudo o que ela ainda poderia fazer. O ar cada vez mais deixava seus pulmões e o matal frio da lamina celestial estava doendo em sua pele.
Ela deixaria esse mundo com uma revelação revolucionaria. Pelo menos ela seria uma estrela. Mais uma vez os olhos dela endureceram de maldade.
O sangue começou a escorrer pela sua garganta e a bruxa tinha certeza de que não poderia esperar mais. Dentro de poucos segundos a lamina atravessaria seu pescoço deixando-a apenas no plano espiritual. Era a hora de jogar a sua ultima cartada.
–Existem outras formas de incapacitar permanentemente uma pessoa querido anjinho. O seu querido guardião nunca mais será o mesmo.
E essas forma as suas ultimas palavras. Ezequiel cravou sua espada no pescoço branco da mulher. Ele pode ver a alma dele derreter com a dor. A sensação era incrível para ele. Pela primeira vez ele estaria se levantando para proteger um amigo.
Ao final da luta quando só existia ele e um corpo de bruxa esparramado pelo chão o anjo tinha certeza de duas coisas: a primeira era que Ruby tinha ido embora e a segunda era que eles estavam em uma pior situação do que ele tinha previamente avaliado.
Vencer essa batalhe era imperativo pelo bem da Terra e pelo bem de Jimmy. Não haveria nenhuma outra maneira de salvá-lo se tudo desse errado.
E em um bater de asas a criatura celestial deixou aquele ambiente.
Ruby corria pelas ruas desoladas sem nem acreditar no que tinha acabado de presenciar. Um anjo, um anjo de verdade tinha estado debaixo do mesmo teto que ela... a criatura tinha tamanha força que era-lhe difícil até mesmo respirar e mesmo assim ele não colocou uma lamina sequer em seu coração. Esse para ela tinha sido o fato mais chocante.
As gotas de chuva caiam pelos ladrilhos quadriculados que tanto lembravam um conto de fadas e ela não conseguia parar de pensar no que tinha acabado de ver. De todas as pessoas ela era uma mulher que poderia ver a verdadeira forma dos anjos! Quem diria! Era uma ironia incrível, certamente Freud teria alguma palavra a dizer em relação a tudo isso, mas, ela não se importava. O fato de poder ver a verdadeira identidade de um anjo, um soldado de Deus era algo que certamente faria uma boa vantagem. Agora nenhum ser emplumado poderia alcançar sua beleza, pois ela poderia desmascara-los com exatidão.
Era certo que ela tinha perdido uma grande aliada em um momento importante da batalha, mais se tinha uma coisa que ela tinha aprendido com sua mãe era fazer dos limões limonada. Ela perdeu uma bruxa capaz de controlar forças malévolas, mais descobriu que pode ver seus inimigos. Aquilo à era mais do que suficiente.
A medida que a chuva ia engrossando as demais pessoas que passavam pela mesmo rua que ela iam se abrigando. Ruby estava feliz, na verdade em um dia de pura gloria. Ela daria de tudo, de tudo, para ver a cara de Gabriel Novak depois que ele descobrisse o que ela tinha feito com o irmãozinho retardado dele... Seria impagável! O sorriso dela a consumia da mesma forma que a chuva lavava o ambiente e ela estava tao feliz que seu humor se transformou em um daqueles raros momentos onde ela desejava mais que tudo um outro alguém, um outro senão ela com quem ela pudesse fingir ser uma pessoa normal, fingir ser uma simples mulher formada em direito que se perdeu pelas ruas...
Na esquina da rua onde ela passava havia um bar. Homens e mulheres pareciam se divertir naquela noite chuvosa, os copos de chopp faziam um barulho convidativo e ela não resistiu. Entrou com todo o ar de inocência que conseguiu dissimular.
E foi na ultima mesa que ela encontrou um rapaz de beleza singular. Que estava sozinho tomando um drink e comendo seu jantar. Os cabelos castanhos batiam-lhe no ombro e os olhos eram de um mel. Ele parecia ser alguns anos mais novo, e isso a agradou muito... estava na hora de conseguir diversao, estava na hora de comemorar um pouco sua pequena vitoria.
Sem olhar para trás a mulher de cabelos loiros sentou-se na mesa do rapaz e ambos começaram o que seria uma conserta agradável o que certamente terminaria na cama. Depois ela iria voltar para seus negócios sem que ele jamais a visse ou soubesse sobre seus planos de destruir o mundo como o conhecemos.
***
Gabriel suava da cabeça aos pês. Fazia uma hora que Jimmy tinha entrado naquela sala e ninguém tinha dado uma única informação.
Todo o momento que ele tentava desligar sua mente do que estava acontecendo ele se lembrava de tudo mais uma vez. Ter visto os homens que tinham vindo com a ambulância colocarem um colar cervical em Jimmy foi estressante, andar dentro da ambulância com as sirenes a todo o vapor e sem nenhuma perspectiva do que poderia acontecer era estressante, ver os paramédicos se entreolharem era estressante. Ele estava em um mar de medo e dor. Eram nessas horas que o policial se lembrava dos velhos tempos, os tempos em que era um jovem filho de fazendeiros em Ohio... sua mãe sempre dizia para ele nunca se machucar na cabeça, para ele nunca tropeçar de mal jeito... a mulher tinha um medo extremo de ver o único filho “normal” se transformar em mais um retardado como os dois mais novos. Por mais horrível que tudo parecesse o capitão de policia tremia da cabeça aos pês pensando exatamente da mesma maneira que sua mãe. Ele tinha medo que a luz que ele era abençoado por ter, a luz dos olhos e do sorriso de seu irmãozinho se apagasse por detrás de alguma sequela provocada por essa perda massiva de sangue.
E ele sabia, apenas de olhar para os outros que o seu seleto grupo de amigos estava pensando exatamente a mesma coisa.
Todos estavam ali menos as crianças. Dean não tinha deixado nem Danny nem Lisa saírem de casa e isso tinha feito o coração dele partir, mais tinha de ser feito. Essas crianças já tinham visitado hospitais mais vezes do que deveriam. Graças a tudo o que era sagrado os novos amigos e aliados estavam com eles. Isso deixava o grupo de vigília mais reduzido, ele, Dean, Charlie, Chuck e Rufus todos estavam mais uma vez sentados naquelas cadeiras desconfortáveis que somente os hospitais poderiam produzir aguardando por minutos a fio. Todos eles tinham um semblante triste em suas caras, como se eles já soubessem ou pressentissem o resultado e mesmo assim ninguém queria ser o mais fraco. Todos eles iriam encarar a verdade seja ela qual for de frente porque somente assim eles poderiam fazer quem os fez sofrer pagar.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!“ Ah, como eles iriam pagar!” Era o que Gabriel pensava enquanto observava os corredores vazios. Ele não desejava a morte de nenhum deles, ele apenas desejava que ajustiça fizesse seu papel. Ele desejava ver com seus próprios olhos as pessoas que estavam causando mal a ele e sua família serem punidas e aprenderem a não fazer isso nunca mais. Ele esperava pela paz que um dia tinha lido em uma bíblia, a paz que viria depois da tempestade seja para ele ou para todos os habitantes desse mundo.
Infelizmente essa paz parecia muito distante. Tudo o que ele conseguia fazer nesse momento era morder seu lábio e esperar intermináveis momentos de dor e angustia.
Seu único consolo durante essa espera eram as palavras de Jimmy. O mesmo irmão que estava causando-lhe dor e sofrimento dançava em sua mente gritando palavras de fé. Definitivamente, nem quando ele não está ali Jimmy consegue ser esquecível. Gabriel se permitiu um pequeno sorriso... quando aquilo tudo acabasse, isso é, se tudo aquilo iria acabar bem para eles um dia ele iria fazer uma viagem para o lugar que seu irmãozinho sempre quis ir nesse mundo. Afinal, o guardião dos segredos dos ceus merecia conhecer o paraíso na Terra.
Jo Harvelle andava pelos corredores do hospital. Ela nem conseguia acreditar que tinha conseguido escapar daquelas enfermeiras. A vigilância daquele lugar deveria receber um premio, certamente era melhor do que a da própria policia!
Mesmo divertida com suas próprias peripécias a jovem policial não conseguia abstrair seus sentimentos. Desde que tinha despertado ela não foi capaz de expulsar um sentimento de perda. Aquilo a fazia sentir-se pensada em sua alma e a estava incomodando. Mais do que nunca ela precisava encontrar seus amigos.
Ao andar pelos corredores gelados do hospital ela pode perceber que aquela noite não parecia como todas as outras. A incidência de entradas no ponto socorro estava baixa e haviam poucas pessoas ali esperando para ver seus parentes. O hospital parecia chorar em suas próprias paredes.
E cada vez mais que ela andava mais a dor e o aperto no coração iam aumentando.
Dobrando em uma esquina onde começava a parte mais nova do hospital, a parte que tinha sido anexada cerca de três meses atras, ela pode ver com os olhos esbugalhados seu grupo de amigos.
Não era preciso de olhos para enxergar a dor que cada um deles estava sentindo. Aquilo tinha feito seu coração gelar.
Em cerca de um milésimo de segundo Jo percebeu uma coisa que não tinha notado anteriormente. Jimmy não estava dentre eles! O coração dela galopou como um galo de corrida e o suor escorria por suas mãos. O que tinha sido de Jimmy? Será que ele tinha sido mais uma vez levado por aquela mulher? Não. Isso não poderia ser! Os olhos da mulher loira encheram-se de lagrimas e ela não conseguia mais se controlar. Foi necessário uma mão na boca para prender o grito iminente. Ela se achou incapaz de aguentar mais sofrimentos.
Foi nessa hora, exatamente nessa hora que ela viu o medico chegar.
Se escondendo para que nenhuma enfermeira a reconhecesse e a levasse mais uma vez para seu quarto a jovem mulher pode ouvir as palavras que lhe assombrariam pelo resto da eternidade...
Ela jamais esqueceria nem a forma como ele tinha dito, tampouco a cara de Gabriel quando tinha escutado. As palavras que chegaram a seus ouvidos eram nada mais nada menos que:
–Me desculpe, mais o seu irmão entrou em um coma.
Os sentidos dela tinham sumido muito antes de ela tentar escutar qualquer outra coisa e ela não pode ver o que aconteceu depois. Jimmy estava em coma.
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