When You Have A Killer In Your Tail

21 Quando a batalha chama parte dois


Notas iniciais
FINALMENTE PESSOAL! Os dias de crise de abstinência acabam aqui. Saiu antes do que eu tinha previsto. Esse capitulo tem mutas cenas de luta e espero que agrade. Um agradecimento especial para todos os que torceram para que o capitulo ficasse pronto, em especial a BETTIE e a PC HOLMES. Muito obrigada! Bom, sem mais delongas, boa leitura!

Dizer que o chefe de policia daquela cidade estava tenso era um eufemismo. O homem estava completamente aterrorizado com os eventos atuais, tudo em seu corpo demonstrava dor, medo e cansaço e ele não parecia estar mais a fim de perseguir ninguém.

Muito pelo contrario do que qualquer outra pessoa poderia pensar ou sentir naquele momento o homem de olhos cor de âmbar não tinha perdido sua fê. Ele ainda acreditava em algo maior que os estavam guiando para sua missão, mesmo assim ele não poderia mais continuar, não poderia ser o líder dos protetores desse mundo com essa baixa em seu coração. Seu irmão representava seu mundo, tudo o que ele tinha construído, sua fortaleza e seu guia e agora ele tinha sido alertado que talvez, talvez ele nunca mais pudesse ve-lo sorrir de novo. Para qualquer um que amava a família aquela informação tinha o mesmo poder que um tranquilizante. Gabriel poderia sentir-se paralisado e impotente.

Naquele momento ele tinha duas escolhas a fazer. Tudo o que ele sabia era que se optasse por uma não poderia mais se ver como um líder enquanto a outra o impedia de ser um irmão mais velho. Sabendo das consequências que poderiam ser trazidas por cada uma de suas decisões Gabriel não hesitou em fazer a escolha que era a mais importante para seu coração. Ele sabia também que era exatamente isso que Castiel esperava dele e se ele não respondesse a altura os dois jamais voltariam a ter a sinergia que sempre tiveram, pois, a confiança estaria quebrada para sempre.

O capitão da policia pode dar uma ultima olhada em seu entorno antes de fazer sua decisão final. Tudo o que ele via era exatamente o que ele esperava, seus amigos estavam prontos para apoiar tudo o que ele dissesse, afinal, todos eles sabiam o que era a família. Dean tinha seus olhos verdes bem fixados no outro lado da sala e era possível ver Sam e Jo com o canto do olho. Se era uma coincidência ou não ele jamais saberia, mais os dois tinham acordado e driblado as enfermeiras do hospital exatamente na mesma hora... tinha sido o Winchester mais novo quem amparou Jo em seu desmaio e tinha sido ele quem sugeriu ao tenente Shurley que voltasse ao estado de transe anterior para que assim eles pudessem tirar proveito dessa nova habilidade e descobrir se ela poderia ser utilizada para encontrar Jessika ou Cas. Definitivamente Dean tinha os motivos perfeitos para se orgulhar, o menino era um gênio!

Em sua direita estava seu fiel parceiro de trabalho, seu tenente Chuck, ou Charles, estava muito bem sentado em cima do sofá cama de hospital no que ele poderia reconhecer como a posição de Lotus e tinha as feições completamente concentradas. Era mais do que claro que a confiança do tenente tinha sido restaurada e com a preocupação com seus amigos alimentando-o como um combustível ele tinha toda a determinação em suas veias. Se os momentos fossem outros Gabriel poderia até mesmo sorrir, aquilo tudo tinha trazido a confiança de seu amigo de volta. Para quem tinha sido tímido e contido durante toda a vida seu parceiro tinha evoluído bastante após entrar em contato com as crianças e seus irmãos. A ternura que ele se acostumou a ver nos olhos azuis do homem ainda estavam lá, mais ela não precisava ser encoberta por uma cortina de medo e insegurança. Gabriel poderia dizer que tinha sido abençoado em ver grandes mudanças acontecendo em sua vida por causa de toda a tragedia e era agora a hora de fazer a sua própria mudança. Ele iria dar um passo que não teria volta, mais confiava em seus amigos para apoiarem-no no que viesse.

Olhando mais uma vez para o corpo inerte de seu irmão menor ele ergueu seu corpo na tentativa de chamar a atenção de todos os que estavam ali. Cada um dos pares de olhos voltaram-se para ele em um milésimo de segundos e o silencio se fez.

Gabriel colocou a mão direita em seu colide e sacou sua arma:

–Sam, Dean, agora é com vocês.

***

–Agora é com vocês.

O Wnchester mais velho já tinha ouvido aquela frase bilhões de vezes. Essa era a frase que seu pai disse para ele quando sua mãe morreu, era a frase que sempre ouvia de seus vizinhos quando viam o velho John cair de tao bêbado na calçada e era a frase que o seu próprio pai sempre lhe dizia quando tentavam falar sobre Sam.

Ao contrario de toda a tristeza e solidão que essa simples frase trouxera no passado ouvi-la de Gabriel naquele instante era algo completamente diferente por dois motivos: O primeiro era que dessa vez ela estava sendo empregada de forma plural e o segundo era que pela primeira vez na vida Dean sentia-se mais do que capaz de fazer o que era necessário pelo seu namorado e pelo mundo.

Dessa vez ele jamais estaria com medo de enfrentar coisas que ainda eram difíceis demais para uma criança. Agora ele era um homem adulto apaixonado e disposto a salvar o mundo em que vivia apenas pelo prazer de poder ver todos os seus amigos circulando nele. Dean tinha certeza de que eles não poderiam sair perdendo nessa missão, pois, assim como Gabriel ele sentia que seu caminho chegaria ao fim se por algum acaso algo de ruim acontecesse com o homem cego.

Foi com esses pensamentos que ele pegou a arma que Gabriel o estendia. Essa era a hora da ação.

Através de um único olhar nos olhos de seu irmão Dean poderia dizer que o outro sentia o mesmo que ele. Os olhos de Sam estavam escuros e penetrantes com uma intensidade que ele apenas encontrou uma vez. Definitivamente o mais novo dos Winchester também estada disposto a dar sua vida nesse vale-tudo. Dean não esperava menos dele.

Gabriel tinha mais uma arma e foi a Sam que ele entregou sua nove milímetros de estimação.

Sam não sabia o que dizer. Aquela era a segunda melhor arma de Gabriel e ao contrario de sua Tauros essa era a mais eficiente.

O policial parecia ter forças que eram enviadas a ele diretamente do alem e mesmo estando visivelmente abalado com tudo o que tinha ocorrido ele não deixou de esboçar um sorriso muito parecido com o que ele deu ao jovem no primeiro dia em que se conheceram. Seus olhos cor de âmbar estavam o mais serenos possível o que fazia duplicar sua aura de comando.

Nenhuma palavra foi trocada entre eles.

Antes que o clima de forças fosse quebrado o outro policial que estava até certo instante ventado em posição de meditação na tentativa de desenvolver um dom que normalmente se desenvolve em anos de pratica. Chuck estava com os olhos azuis marejados e com a cara vermelha. Era claro como o dia que ele tinha conseguido muito mais do que desejava.

–Eu os encontrei- ele dizia- eles estão muito mais perto do que imaginávamos.

Todos os corações se animaram com o que foi dito e naquele momento momento a única pessoa que não tinha se levantado da cadeira era Gabriel.

Com um simples olhar e sem pedir nenhuma explicação ele comandou seu grupo de forças secreto pela ultima vez:

–Vão! E que Deus esteja do nosso lado.

Ao ver todos os demais saindo do quarto apressadamente ele voltou a se sentar na cadeira desconfortável ao lado da cama. Por mais que desejasse ser o capitão de policia naquele momento tudo o que ele poderia fazer era confiar em seus amigos e continuar acreditando que sua presença poderia trazer Jimmy de volta.

Não demorou muito para começar a rezar.

Só porque ele não estaria participando dessa cruzada não queria dizer que ele não poderia ajudar seus amigos da melhor forma que era possível.

Eles estavam prontos para salvar o mundo.

***

Chuck não parava de engolir em seco. Finalmente eles estava frente a frente com o lugar que procuraram durante muito tempo.

Para qualquer observador desatento o cais de Santa Mônica não parecia ser um lugar assustador e nem um esconderijo. Tinham tantas crianças alegres brincando em vários brinquedos, amores revelando através do algodão doce e pessoas que simplesmente estavam ali para admirar a beleza do encontro do rio com o mar. Para o espanto dos membros da força-tarefa aquele lugar também tinha sido uma rota de fuga para os navios negreiros na época da escravidão e era por ali onde os barcos cheios de pobres almas passavam despercebidos pela alfandega da colonia Inglesa. Sendo assim um lugar com tamanha historia não poderia deixar de ter os vestígios de seus tempos mais sombrios, e, uma vez que a historia é por demais importante antigos lugares, mesmo os cuja historia trás mais dor e morte do que alegrias, não são mais destruídos para permanecerem como um lembrete a humanidade.

Quando Chuck pensava em tudo isso ele podia perceber como tudo era irônico. Se a antiga construção utilizada pelos traficantes de escravos para vender seus negros aos grandes fazendeiros estava ali naquele tempo para mostrar as pessoas que não se chega a lugar nenhum escravizando umas as outras para Jessika e Castiel aquilo seria exatamente o que em tempos antigos o homem desejou que fosse. Um lugar de dor e sofrimento.

Mais do que nunca ele estava desejando poder ter acertado em seu palpite. Ele precisava tirar aquelas pessoas de lá, não por que esse era seu dever, mais porque eles eram seus amigos, os únicos amigos que ele sabia que teria.

O motivo pelo qual o tenente de óculos não conseguia parar de engolir em seco era o seguinte: Ele tinha que estar certo! Por mais que ele tenha acertado uma vez a ideia de descobrir coisas desconhecidas a partir de uma meditação auto induzida guiada por seres mortos não era segura e, mesmo que o fosse, Chuck sabia com certeza que a mente humana ve o que deseja. Dom como o de Jimmy e Danny eram coisas raras que são desenvolvidos com muito tempo, esforço e sensibilidade e ele não teve tempo de ter nada daquilo. A possibilidade de ele estar certo existia, mais junto a ele deitava-se a possibilidade de tudo ser um delírio criado por sua ansiedade e vontade de ajudar.

Ao olhar para as ruínas que conduziam a uma escadaria de pedra tombada pelo patrimônio histórico do estado da Califórnia ele não conseguia se conter. Seus olhos lacrimejavam e suas mãos tremiam como se estivesse em uma crise de abstinência. Tudo o que ele via era bastante familiar ao que ele tinha visto durante sua caminhada no astral e isso o deixava angustiado. Poucos minutos mais cedo Dean tinha dito em alta voz que mesmo que o palpite dele estivesse errado serviria para algo, pois, eles tinham de ter algum lugar para começar... Chuck não conseguiu olhar para os olhos do engenheiro. Se eles errassem todos teriam de voltar para a estaca zero e ninguém tinha tempo para isso.

Cada vez que pensava em voltar a estaca zero o tenente tremia mais e mais. Bem sabia ele que enquanto eles estavam ali esperando que a equipe do SWAT viesse para ajuda-los Castiel e Jessika sofreriam mais nas pobres instalações mofadas em que estavam. Isso, sem contar com os guardas que desejavam a cada instante poder provar aquela mulher... o tenente mais uma vez estremeceu. Como Jimmy, uma alma tao pura poderia ver e sentir coisas daquele calibre e não ficar abalado? “Respire fundo Charles!” seu pensamento não o deixou entrar mais no que tinha visto. Durante os poucos minutos que estivera dentro do esconderijo ele pode experimentar sensações das mais variadas e sem duvida o medo não era a mais frequente delas.

Mais uma vez ele olhou para a escadaria bolorenta próxima ao parque de diversões. Certamente qualquer outra pessoa poderia olhar para ela sem ter medo ou anseio... mais naquele momento e naquele lugar ele não era mais qualquer pessoa. Chuck tinha se tornado em um defensor feroz que faria de tudo para ajudar seus amigos.

Ele só esperava que a equipe da SWAT chegasse o mais depressa possível.

A equipe do SWAT que tinha prometido vir ajudar o grupo de resgate tinha chegado cerca de vinte e cinco minutos depois do previsto. Naquela altura o tenente já estava prestes a entregar seus pontos, o homem não parava de engolir em seco e sua pele parecia que tinha virado uma esponja de tanto que ele suava.

Por mais que a chegada da nova equipe aliada fosse reconfortante Chuck não era capaz de conter o calafrio que sentia em seu estomago. Estava faltando alguma coisa! Ele sentia que tinha deixado algo faltar e não poderia adivinhar o que era, por mais que ele se empenhasse em voltar ao estado meditativo que tinha conseguido no hospital sua angustia sempre o trasia de volta a realidade e ele abria os olhos para ver os ponteiros do relógio levemente deslocados para um outro numero. Nada adiantava.

Olhando para a direita Chuck poderia ver com o canto do olho o rosto de Dean, que, de descontraído e despreocupado não tinha nada. O pobre homem estava preocupado com seus filhos e com seus amigos. O tenente tinha certeza de que havia uma clausura que dizia que não eram permitidos casos pessoais na policia, que nenhum oficial ou qualquer outro policial deveria participar de crimes que envolvessem parentes ou amigos, mas , ele tinha certeza também que nessa clausura não falava nada sobre situações apocalípticas. Todo esse tempo o detetive pensou em como seria menos complicado viver nessa situação se alguém pensasse em como as pessoas deveriam agir diante da destruição do mundo... mesmo quase pirando o policial de olhos azuis conseguiu prometer para si mesmo que se um dia ele saísse vivo disso tudo ele escreveria um livro sobre essas coisas com direito a ser quase a sua autobiografia. Na hora ele não era capaz de pensar em coisas como o dinheiro que um livro como esse poderia lhe dar, tudo o que passou por sua mente foi escrever um manual para as próximas gerações que se metessem dentro de algo parecido e fossem tao fortes quanto eles para quererem resolver tudo sozinhos. Definitivamente o homem estava desesperado.

Se ele já estava sentindo a insanidade trilhar seu caminho para dentro de sua cabeça naqueles minutos de espera o que estaria se passadona mente de Dean? Chuck Shurley não queria nem mesmo saber.

Antes que ele começasse a pensar mais coisas seu walkie-talkie deu um rugido.

O detetive por um momento viu seu coração sair pela boca, mas assim que se lembrou o que aquele rugido queria dizer não teve tempo de ficar assustado ou tremer em suas bases. Aquela era a hora de agir. A equipe bravo tinha chegado ao seu destino.

Sem vestígio de incerteza- que por esse momento se guardou dentro de sua mente- o tenente fechou suas frequências de rádio e endureceu seu olhar. Não era mais a hora para duvidas e nem para o medo, agora era a hora de matar ou de ser morto.

Olhando mais uma vez para os irmãos Winchester Chuck conseguiu reunir a força suficiente para destravar sua arma e colocá-la no colide. Todos eles estavam com um pedaço a menos de seus corações, seja pelo mendo ou pela necessidade de encontrar seu ente querido e ele não era o único que iria estragar esse sentimento doloroso mais que os alimentava como um fogo na braseira.

Eles tinham que ter alguma lugar para começar. Mesmo que não fosse ali onde Castiel e Jessika estavam eles realmente precisavam de ideias para trabalhar em grupo. Contra tudo o que seu coração dizia Chuck tinha de admitir em uma coisa: mesmo que ali não fosse o esconderijo da bruxa eles estariam treinando para um trabalho rápido e eficiente que deveria ser feito em grupo e com o maior grau de harmonia possível.

Com o sinal da equipe bravo alertando-os de que já tinha dado a volta no perímetro ele sabia que essa seria a hora de apenas pensar como o policial e não como o futuro escritor que um dia ele viria a ser.

E foi com passos acelerados que Chuck Shurley entrou na escadaria bolorenta do cais de Santa Mônica.

***

Sentado no mesmo quarto de hospital estava Gabriel. O capitão de policia estava com seus olhos âmbar semi-serrados e a cabeça apoiada pelos cotovelos em um gesto que para qualquer passante despercebido poderia significar tristesa profunda ou ate mesmo que o homem em questão estivesse chorando. No entanto, não era nada disso que estava acontecendo.

O que o homem estava fazendo era a única coisa que ele poderia fazer em sua situaçao de abandono sem se deixar entregar pela tristeza. Ele estava rezando por tudo o que era mais sagrado.

Com o silencio de radio imposto para essa missão por ele mesmo nenhuma ligação telefônica poderia ser feita ate que os envolvidos nessa operação estivessem fora da zona de perigo. Até lá nem um pio poderia ser dado e nenhuma dica poderia ser cobrada. Todos os que estavam em busca do perigo estavam por sua própria conta e risco. Não havia mais nada inteligente afazer do que esperar e rezar para que tudo de certo.

Se apoiar em uma possibilidade de sucesso era bom, mesmo assim nenhum policial poderia deixar de ver a realidade como ela é. Eles eram vitas dessa realidade todos os dias e mesmo sendo massacrados por ela eles sabiam que o real é o único capaz de trazer a verdadeira rendição. Gabriel em seus quarenta eseis anos sabia muito bem disso e não tinha aprendido nada a partir de sua experiencia como membro da escola de policia. Para ele que teve uma vida muito mais complicada do que qualquer jovem de um comercial de margarina ter que enfrentar as amarguras de ter uma família que detestava-o e aos seus irmaos era toda a amostra de realidade que ele poderia ganhar. E, mesmo assim ele pode descobrir que nada é sempre espinhos e lagrimas. Foi por causa de tudo o que ele viveu que lhe permitiu encontrar a resiliência e sentir cada raio de sol que tocava sua pele.

Mesmo assim, somente uma pessoa insensível não se abateria diante das circunstancias impostas a todos eles. Naquele exato momento a única coisa que o chefe de policia conseguia pensar era em não rever o sorriso de seu irmão. Justo quando as coisas estavam começando a tender para o lado deles o dito cujo, o único que os tinha guiado para o caminho correto, tinha sucumbido a um feitiço maligno.

O homem de cabelos quase loiros jamais poderia esquecer da conversa que tivera com o anjo de cabelos de fogo. Definitivamente seu querido irmão estava em um coma por causa de um feitiço de uma bruxa.

Agora, ele poderia dizer que acreditava em tudo. Já vira pessoas loucas que desejam dominar o mundo, profetas nascidos do álcool, anjos, demonicos e agora ele estava sentado nas cadeiras desconfortáveis de um hospital por causa de uma bruxa.

Quando sua vida tinha virado esse carnaval? Gabriel não poderia deixar de sentir saudades da época em que ele era apenas um jovem policial que almejava ser detetive e entrar para a equipe de homicídios para ter um salario maior e poder cuidar de seus irmãozinhos.

Ele passou a mão pelos cabelos desarrumando todo o penteando.

Olhando para o pintor ele não foi capaz de esconder as lagrimas:

–Logo uma Bruxa James Novak? Como raios eu vou explicar isso para o neurologista?

E foi nesse momento que Gabriel percebeu que ainda tinha uma ultima coisa que ele deveria se preocupar. Ele precisava ir falar com o neurologista responsável por Jimmy.

Certamente ele não poderia sair com a verdade.

Quando o tempo parecia não passar mais e o próprio Gabriel já estava cansado de ficar preocupado uma batida pode ser ouvida na porta de madeira da sala em que estava. Não parecia ser possível, mas o chefe de policia tinha esquecido completamente de ir ver o neurologista! Aparentemente, aquilo não fazia muita diferença, pois, o homem em questao estava logo ali em sua frente e pela cara Gabriel tinha certeza de que a conversa não seria nada divertida.

Ele respirou o mais profundamente que conseguiu e fez sinal para que o medico entrasse. Era um homem cerca de dez anos mais velho que ele e tinha a pele negra e os cabelos grisalhos. O que fez com que o policial tremesse em suas bases foram os olhos, aqueles eram os olhos de alguém que já tinha ido ao inferno e voltado.

A única coisa que Gabriel era capaz de pensar naquele momento era em se acalmar. Ele já tinha visto pessoas assim e a única coisas que elas tem em comum eram o péssimo habito de levarem tudo para o pior lado possível. Pelo olhar de peixe morto daquele neurologista era fácil dizer que ele era profissional nisso.

O capitão de olhos âmbar engoliu em seco. Ele tinha que ouvir o que o medico tinha a dizer. Não era como se o anjo estivesse ali para responder suas perguntas...

Sem fazer muitos barulhos com os passos o medico se apresentou rapidamente e apertou a mão do policial, seu nome era Alfred Wilson e ele tinha um sotaque do sul como se ele tivesse sido criado em algum estado de lá.

Logo depois das apresentações necessárias o neurologista Texano resolveu partir para uma abordagem totalmente diferente da que Gabriel se sentia confortável. Ele era sem sombra de duvidas um cara apressado e que não se importava nem um pouco com os pacientes dele, muito diferente dos neurologistas que acompanhavam Jim. Gabriel não deixou de se perguntar onde eles estariam a uma hora daquelas. O homem estava tirando de dentro de uma pasta os resultados da ressonância magnética que fizeram no pintor, sem sombra de duvidas essa era o tipo de situação que uma junta medica deveria ser chamada.

Antes que Gabriel pudesse pedir para chamarem os médicos que cuidavam de seu irmão ele se lembrou do caos que estava essa cidade. Ele não teria nem tempo nem autoridade para traze-los ali. A única saida era ouvir o que quer que esse neuro tenha a dizer, mesmo que nada seja bom.

Alfred Wilson começou a falar assim que mostrou os exames em um papel de carbono preto.

–Ao que parece o coma de seu irmão foi provocado por uma pancada na cabeça que levou a um coagulo no logo esquerdo do cérebro. A área afetada sofreu certo deslocamento da massa cerebral resultando nesse coagulo.

Tudo parecia muito simples, mais ainda faltava muitas peças naquele quebra cabeça. Gabriel arregalou seus olhos ao acompanhar os dedos do medico que mostravam a área lesionada do cérebro de seu irmão. Mesmo que ele não entendesse nada de anatomia ele não era burro para saber que coágulos grandes como aquele poderiam causar uma forte pressão intracraniana levando a varias sequelas.

A única coisa que fez o policial não surtar foi a adrenalina que ainda estava circulando por suas veias. Ele tinha se levantado da cadeira preparado para ouvir todo o tipo de pergunta daquele medico. Ele não poderia estar com a mente ocupada se ele quisesse inventar uma mentira adequada para explicar aquele homem como diabos Jimmy veio a cair.

Os momentos que se passaram depois da declaração do medico foram preenchidos por um silencio assustador. Tudo o que Gabriel era capaz de concluir era que o tal Dr. Wilson estava deixando ele se acostumar com o que estava acontecendo. Mesmo assim era muito estranho não ver nenhum olhar de apoio ou solidariedade nos olhos dele.

Naquele momento o homem de olhos âmbar não poderia saber se a frieza do doutor era uma benção ou uma maldição.

Pelo menos ele estava livre para esconder o fato de que seu irmão estava em coma por causa de um feitiço de uma bruxa.

Gabriel pode respirar um pouco mais calmamente:

–Então doutor, qual é o prognostico?

O medico de pele negra o olhou com o que Gabriel poderia chamar de olhar policial. Aquilo era sem nenhuma sombra de duvida o tipo de olhar que os professores da academia de policia sempre desejavam que ele tivesse. Por toda a sua vida o capitão de São Francisco combateu aquela expressao de superioridade. Ele jamais olharia nos olhos de um parente de alguém que foi morto em um assassinato daquela forma, jamais.

Infelizmente tudo o que aquele olhar indicava era que o doutor era muito experiente em não mostrar simpatia nenhuma por parentes. Ele poderia se tornar um dos melhores professores da academia.

Tudo o que ele disse foi:

–A morte.

Gabriel sentiu que o ar estava escapando de seus pulmões.

A única coisa que ele conseguiu fazer antes de encarar o homem diante de si com olhos esbugalhados e desejo assassino foi se sentar. Suas pernas tremiam como se ele estivesse tendo um ataque epilético.

Ele não poderia acredita no que estava ouvindo. Pela sua pouca experiencia em hospitalizações ele poderia dizer que essa não era a conduta padrão dos médicos não quando alguém está em coma. Gabriel já vira pessoas escaparem de estados de coma profundos e voltarem a vida depois de muito tempo, quando todos os outros desistiam do doente, ele já vira um policial que estava na equipe de homicídios ficar quatro dias em coma depois de ter levado um tiro na cabeça e acordar apenas com falta de memoria... os punhos do policial se cerraram abruptamente e a única coisa que ele conseguia fazer para não socar o homem ali mesmo era respirar profundamente. Em sua cabeça ninguém tinha o direito de dizer que uma situação dessa apenas poderia levar a morte! Onde estavam aquelas pessoas que aparecem para falar de seguro de saudê e se ocupavam em falar sobre o tempo que o hospital estrará disposto a deixar as maquinas ligadas sem que ele precise colocar dinheiro nas mãos dos planos? Onde estavam os enfermeiros para dizer-lhe que iam cuidar bem de seu irmão? Gabriel sabia que a realidade era muito diferente dos filmes de Hollywood, mas ele jamais esperou que um medico pudesse puxar o tapete da vida de alguém com tamanha facilidade. A forma como o doutor Wilson o olhava era a mesma de um policial dando condolências.

Aquilo era, sem sombra de duvidas, inaceitável!

Os olhos de âmbar ardiam como brasas. Gabriel se levantou tomado por uma raiva quente e branda.

–O que o senhor quer dizer exatamente? Não há nenhuma esperança para o meu irmão?

Sua voz era como veneno, mais infelizmente, o medico em questão parecia ser imune a todo o tipo de coisa.

A única coisa que tinha se alterado em sua expressão era que sua cara agora esboçava um ar de tédio profundo. Ele tirou os óculos para limpa-los em sua bata branca.

–Há sim uma esperança palra ele- Alfred Wilson usou sua voz mais plana e desprovida de emoções – morrer de uma vez e deixar você em paz.

Gabriel estava atônito. Por mais que ele tentasse não saia nada de sua boca. Tudo o que ele estava ouvindo parecia muito mais uma daquelas piadas sem graça de programas pastelão do que a realidade.

Enquanto o policial estava tentando juntar o que conseguia de suas forças o medico ainda não tinha terminado tudo o que iria dizer.

–Pessoas como o seu irmão não tem muito o que fazer aqui. Melhor mesmo é morrer e deixar os outros livres dos problemas que eles trazem. Vidas como essas que não conseguem sair de infância não tem valor algum nesse mundo.

A mão de Gabriel tremia e ele já tinha matado o medico em mil formas diferentes na sua cabeça. Ódio e repulsa emanavam por sua aura e ele tinha prometido para si mesmo que mesmo que não matasse essa pessoa ali e agora ele iria se certificar que a vida dele se transformasse em um inferno. O policial ia caça-lo até a morte lenta e dolorosa.

Suas mãos ainda tremiam, mas a voz era bastante plana quando ele resolveu dizer o que estava na sua cabeça.

–Quem é você- ele começou com um ritmo lento e aveludado, totalmente diferente de como ele estava em seu intimo- para dizer que alguém não tem importância nesse mundo? Como ousa falar assim de uma pessoa que nem ao menos conhece? Foi nesse momento que Gabriel percebeu que o medico certamente conhecia (em um certo nível) seu irmão, ele era uma pessoa publica a final de contas- e o mais importante: como você assume que ele me causa problemas? Gabriel puxou o medico pela gola de sua camiseta e pressionou as costas dele contra a parede de uma forma que se fosse pelo barulho certamente causou dor- Saiba que esse homem é a minha alegria e salvação, ele é a luz que ilumina minha família nos tempos difíceis e está nessa situação por que é um herói! Ele continuou sufocando o medico até que ele ficou com o rosto roxo- não vou admitir que fale de meu querido irmão dessa maneira e vou me certificar que você jamais volte a atormentar pessoas nesse hospital da maneira que tentou fazer comigo estamos entendidos? O policial sacou seu distintivo do cinto e mostrou para o homem negro. Ele fez que sim com a cabeça, mais não parecia estar nada arrependido.

–Agora suma da minha vista! Eu mesmo vou atrás de um neurologista. Com um simples gesto de mão o policial tinha jogado o medico para fora da sala onde estava seu irmão. O doutor em questão tinha caído como um saco de lixo ao chão.

As pessoa ao redor olhavam para a cena com espanto, mas Gabriel não estava nem um pouco interessado em dar satisfações a terceiros, ele simplesmente tirou mais uma vez seu distintivo e mostrando para a plateia curiosa fez todos ficarem em silencio.

Em seguida ele bateu a porta na cara de todos.

Não demorou muito para que o publico se dissipasse. Não havia mais nada para olhar. O medico em questão já estava levantando sua bunda do chao frio e limpando suas roupas com a mão. Enquanto os curiosos iam embora fazer cada qual suas atividades o único envolvido no pequeno barraco se dirigia para a sala dos médicos. Ele não foi mais visto depois daquilo e ninguém percebeu que ele tinha um sorriso pequeno em seu rosto.

Voltando para o quarto onde tudo tinha sucedido Gabriel voltou a se sentar na cadeira desconfortável ao lado de seu irmão mais novo. Suas mãos acariciavam os cabelos cacheados rebeldes enquanto ele tentava se acalmar. Ele era completamente ignorante a duas outras presenças que ali estavam invisíveis aos seus olhos humanos.

As duas entidades estavam encostadas no canto oposto a cama, de costas para a janela de uma forma que se eles fossem corpóreos a luz não mais passaria para dentro. Para o olho humano a janela era uma janela comum, sem nada interferindo no caminho da luz que passava rápida como sempre pelos dois seres como se estes não estivessem ali.

–Ele não precisava ter feito isso. Falou a primeira entidade que tinha os olhos azuis.

Do outro lado do ser de olhos azuis um ser mais leve, de aura mais profunda e brilhante sorria deliciosamente. Pela forma como eles estavam conversando os dois pareciam se conhecer há muito tempo.

–Se ele não fizesse isso não seria o brincalhão que eu conheço. Não se preocupe- ele disse em um tom mais suave dessa vez olhando fixamente nos olhos azuis- seu irmão mais velho vai superar essa... ele até já está melhor.

Os ois olhavam para o policial que estava agora mais calmo e tinha até conseguido rir de todas as pessoas que ainda estariam se perguntando o que raios tinha acontecido. Por cerca de dois segundos os olhos âmbar se mexeram de uma forma peculiar, os olhos dele estavam na direção exata dos dois seres espirituais quase como se ele fosse capaz de vê-los. A entidade de olhos azuis sentiu o olhar de seu irmão sobre ele mas depois percebeu que aquilo era impossível, o policial não era caapz de ver almas nem que sua vida dependesse disso. Ele suspirou de uma certa forma aliviado, certamente seria um choque para o capitão de policia descobrir que seu irmão estava em dois lugares ao mesmo tempo.

Jimmy sentiu que deveria falar alguma coisa, sua boca tinha aberto para expressar o que ele sentia mas não foi possível encontrar forças para fazer com que o único indivíduo alheio sua presença ouvisse. De uma certa forma aquilo era frustrante. Nunca ele tinha sido ignorado por nenhum de seus irmãos.

Quando ele percebeu que nada iria adiantar ele olhou esperançoso para a outra criatura. O anjo de cabelos vermelhos parecia estar um pouco mais divertido do que da primeira vez ao ver toda a confusão que seu outro amigo tinha causado.

Ele tentou ser um pouco mais serio quando disse:

–Não vai adiantar. Gabriel não é como você ou como o pequeno Daniel, ele não vai conseguir sentir a sua presença e mesmo que se conseguisse seria um pouco estranho ver o irmão que ele se acostumou sendo completamente diferente diante de si.

A entidade de olhos azuis sabia muito bem de que o anjo estava falando. Certamente seria muito estranho ouvir uma pessoa a qual durante toda uma vida foi diagnosticada com deficiência mental, e que definitivamente não tinha o mesmo intelecto, nem a mesma forma de falar de uma pessoa normal, falar na sua frente de uma forma completamente sóbria e diferente da que ele era acostumado. Mesmo assim, para ele ainda valia a pena tentar, Gabriel não entenderia o por que de ele estar agindo e pensando como um homem adulto normal- ou até mais inteligente que- mas ele certamente iria ouvir o que ele tinha a dizer, ele não era o tipo de pessoa que julga assim a primeira vista...

–Não mesmo? O anjo mais uma vez se pronunciou. Ele colocou as maos nos ombros de seu amigo e afastou-o de perto do policial- você realmente acredita que a essa altura do campeonato Gabriel vai simplesmente ouvir um estranho falar com a mesma voz e corpo do irmãozinho dele? Por tudo o que eu sei ele pode acabar jogando agua benta em cima da gente.

E mais uma vez o anjo estava certo. Eles todos tinham aprendido a duras penas a não confiar em ninguém, principalmente depois de tudo o que tinha acontecido nos últimos meses. Gabriel não teria e nem daria tempo para entender que uma alma fora do corpo não possui as mesmas mazelas, não iria ouvi-lo dizer nada sobre a situação da maçã sagrada, tudo o que ele faria era tentar dar um jeito de se ver livre dessas almas.

Jimmy ficou desesperançoso com aquilo. O anjo sempre estava certo e ele não poderia nem ao menos se comunicar com Gabriel nem para tentar dizer a ele que ele estava bem. Ele deu um grande suspiro e voltou as costas para a janela vendo a paisagem que estava ali fora e tentando se acalmar. As vezes ele sentia uma tristeza por estar naquela situação e não poder ajudar seus amigos e sua família. A bruxa que tinha morrido deixou o feitiço para ele e quanto as condições de sua magia não forem quebradas eel estaria ali, impossibilitado de voltar para seu corpo.

O pior de tudo era que ele tinha certeza de que a sua tristeza poderia estar afetando de alguma forma o juízo de Gabriel. Aquela não era a hora para surtar e nem para se desligar dos planos, ele não poderia fazer com que Gabriel perdesse toda a energia que tinha ganhado com o pequeno confronto que ele teve com o “medico”, não seria bom para nenhum dos dois.

Mais uma vez ele percebeu os olhos de âmbar liquido em sua direção.

–E agora/ o que nos fazemos?

O anjo de cabelos de fogo poderia sentir os sentimentos de seu amigo. Ele sabia que o jovem pintor estava desesperado para ajudar sua família e sabia também que ali ele não seria de nenhuma ajuda. Estava na hora de fazer as coisas andarem um pouco a seu favor, e mesmo que eel não pudesse passar por cima da magia da bruxa até que o encantamento se quebre ele poderia encontrar outras maneiras de fazer com que seu amigo se sinta melhor, afinal ele ainda estava vivo e por isso ainda conservava um pouco dos sentimentos e necessidades da pele que ele habita.

Estava mais do que na hora de eles procurarem os outros.

Com um simples movimento ele puxou seu amigo pintor pela mão e o conduziu para fora do quarto. Ele tinha um sorriso no rosto quando resolveu finalmente dizer para onde eles estavam indo:

–Venha Jimmy, ainda existem outras formas de se comunicar com os humanos.

Depois que Ezequiel disse aquilo os dois sumiram da mesma forma que vieram, se dissipando em luz plena e pura. Se alguém ali pudesse ver os dois seria fácil ficar feliz apenas de olhar o grande sorriso que o homem de olhos azuis tinha em seu rosto.

***

Chuck Shurley estava ainda mais desesperado do que estivera a principio. Agora todos eles já sabiam que o seu palpite tinha sido de sorte e o cais de Santa Mônica era realmente o lugar onde Jessika e Castiel estavam sendo mantidos.

Não foi muito difícil perceber as atividades estranhas que estavam sendo feitas por debaixo da escada bolorenta do antigo esconderijo de escravos, tudo o que eles ouviram assim que atingiram o primeiro patamar da construção mudou seus instintos completamente. Se antes eles estavam ali com cautela depois que ouviram os gritos de um dos lacaios de Ruby tudo tinha mudado.

O mesmo homem- Chuck era capaz de reconhece-lo mesmo estando em um lugar com cem pessoas iguais a ele- estivera atirando contra suas cabeças durante a corrida na fabrica de macarrão. Aquele rosto de olhos caídos e pele oleosa era muito familiar para ser um engano e o policial não deixou de passar o sinal para os outros. Depois disso o lugar que até então estava pacifico sendo apenas perturbado pelos gritos dos capangas de Ruby que lutavam entre si transformou-se em um campo de guerra.

Tiros e mais tiros ecoavam a cada lado. Ninguém tinha muita visibilidade naquele lugar estreito e bolorento. Os tuneis datados do seculo dezessete eram muito mais complexos do que ele poderia imaginar, isso fez com que o tenente se sentisse um pouco culpado em não ter procurado saber mais sobre o lugar em questão. Ele sabia muito bem que de agora em diante aquilo nunca mais se repeteia e da próxima vez que ele tivesse uma visão mostrando o local de um crime ele certamente veria na internet tudo sobre a planta do lugar (ou pediria para que Charlie fizesse isso). Agora nada mais que não fosse atirar e procurar pelos reféns poderia ser feito.

E era exatamente isso o que ele estava fazendo.

Ele apenas queria que a sorte brilhasse para ele mais uma vez e, de alguma forma, ele pudesse saber a localização exata de seus amigos.

Tudo o que ele sabia era que nem todos os membros do time Bravo voltariam com vida.

Bem, infelizmente, em uma guerra há vitorias e perdas. O policial sabia muito bem que era completamente impossível ter uma sem ter a outra.

Se tinha alguma coisa melhor para ilustrar aquele pensamento do que o som dos tiros e o cheiro da pólvora que entrava por suas narinas Chuck não sabia. Mais aquela era a situação em que ele estava.

Tudo o que ele queria naquele minuto era poder limpar seus óculos. Seu cacoete nervoso era completamente imperativo nos momentos em que ele estava ansioso e com medo, mas ele não teria tempo para segurar a arma com a boca e limpar suas lentes sujas pela sujeira que voava. Aquilo não era um conto de fadas onde o herói pode fazer mil e duas coisas em um único minuto, aquilo era a vida real e no tempo cronológico que ele tinha não havia nada mais que pudesse fazer alem de atirar e ir desbravando o caminho.

Sua função, assim como a do time Bravo era a de fazer o reconhecimento, limpando a área de possíveis ameaças enquanto o time Delta andava por trás procurando por vestigos de reféns ou da cabeça do crime. Nesse ultimo grupo os únicos que faziam parte eram os mais improváveis possíveis: Sam, Dean, Joanna e Charlie. Certamente se aquilo fosse uma operação policial normal com a aprovação do comissario nenhum deles estaria autorizado a participar. Sam e Jo porque estavam em pouca condição física, Dean porque estava emocionalmente envolvido (se for pensar bem, todos eles estavam) e Charlie certamente seria dispensada por que o comissario Adler acredita que ela não tem talento com uma arma.

Sendo assim ele continuou correndo atirando primeiro e olhando depois (ele nunca gostou de matar ou atirar em alguém). Até chegar a uma especie de escada em espiral que parecia ser feita da mais podre das madeiras. Só de olhar para ela dava medo e Chuck quase deu meia volta para continuar atirando.

Aonde ele estava era um corredor sem saída a não ser para baixo suas únicas opções eram a de voltar tudo de novo ou descer aos cafúndios daquele lugar. Ouvindo os gritos e o som reconhecível de gente sendo baleada o tenente não se sentiu forte o suficiente para voltar, ele nunca gostou de matar e mesmo assim sabia que não seria util em nada, os melhores atiradores estavam em outros corredores e ele estaria certamente muito mais seguro ali. Dessa vez ele conseguiu limpar seus oculos depois de um certo tempo parado. E o efeito de realizar essa ação foi quase imediato, assim como suas lentes, ele se sentia limpo e mais calmo para poder pensar.

Analisando a situação sem medo agora o tenente consegua perceber que o melhor lugar para esconder dois reféns era exatamente embaixo de toda a estrutura do lugar. Ele rangeu os dentes, a mulher era boa no que ela fazia.

Empunhando a arma mais uma vez e colocando o cano na frente de seu corpo ele começou a descer a escada de madeira podre com mais medo dos germes do que de encontrar um serial killer. Ele não tinha dado nem cinco passos antes de ser surpreendido por algo que jamais imaginou ser possível.

E um pequeno grito de espanto saiu de seus labios.

Do outro lado do esconderijo bolorento Sam e Dean percorriam uma nova modalidade de esporte de tiro, ambos estavam praticamente cercados por atiradores que vinham em sua direção. O lugar onde eles estavam era o que parecia ser o maior lugar dentre todas as dependências daquele covil e cinco homens poderiam andar lado a lado facilmente por lá, o que, certamente, não era um bom sinal para eles. O lugares mais expostos não eram os corredores apertados e sem muita visibilidade, o pior era estar onde eles tinham acabado de pisar.

Os dois irmãos estavam de costas um para o outro em uma posição de guerra bastante conhecida. Enquanto isso eles estavam sendo encurralados dos dois lados por capangas de Ruby. Se algum deles tivesse tempo para contar saberiam que havia cerca de dezessete homens vindo em sua direção e cada um deles estava armado com uma arma de pequeno porte. Por enquanto ninguém estava atirando em ninguém.

Dean foi o primeiro a quebrar o silencio no meio do impasse:

–Sam, eu estou com uma bala apenas e você?

Definitivamente não era nada bom.

Dean falavam em um tom de sussurro e trincava os dentes de raiva, ele jamais esperou que houvessem tantas pessoas ali. Depois do que tinha acontecido na fabrica de macarrão era de se esperar que o numero de pessoas dispostas a trabalhar para a mulher tivesse diminuído, mais não tinha sido isso o que aconteceu.

Sam foi ver quantas balas ainda tinha e a resposta não foi animadora. Ele tinha apenas duas balas em sua arma e mais nenhuma no cartucho.

–Nada bom. Respondeu o mais novo entre dentes.

Enquanto eles se lamuriavam pela perda de balas um dos dezessete homens que estavam encurralando eles tinha destravado sua arma- uma calibre trinta e dois- e olhava diretamente para Dean Winchester com uma cara de medo. Provavelmente aquele ali não tinha matado ninguém em sua vida. Isso deu ao homem de olhos verdes uma ideia e ele sussurrou seus planos rapidamente para Sam.

–Perai! Pera ai! Eu disse espera ai! Depois de três gritos ele finalmente tinha conseguido a atenção de todos os dezessete capangas que os estavam rodeando. Ao ver o olhar de alivio do jovem que tinha destravado a arma ambos os Winchester tinham rido interiormente. O garoto certamente iria entra na onda deles. -Nos nos rendemos.

Aquilo tinha gerado um pequeno burburinho na multidão de capangas. Era claro como o dia que haviam pessoas mais experientes e menos idiotas entre os homens que os estavam encurralando. Felizmente para os dois o maior numero de pessoas decidiu ouvir o que Dean tinha a dizer.

E ele não tardou em continuar. Sam seguia sobriamente todos os seus passos:

–Não tem como a gente lutar contra tantos de vocês- ele fez um movimento lento para mostrar que estava colocando sua arma no chão o que foi seguido por Sam e por olhos curiosos- é melhor pararmos aqui enquanto ainda podemos continuar com vida. Então venham, nos prendam- o mais jovem do grupo, um garoto de cabelos tingidos de azul tinha se aproximado de Dean e chutado a arma dele para longe, em seguida fizeram o mesmo a Sam e depois disso mais capangas vieram para imobiliza-los.

Enquanto os capangas jovens e medrosos tinham caído na lábia perfeita de Dan Sam tinha percebido que um dos mais velhos dentre os homens que estavam cercando eles não tinha deixado de apontar sua arma para a cara deles. Era imperativo fazer algo em relação a ele, caso contrario um único homem poderia por em jogo todo o plano que Dean tinha formado.

Ele então vestiu sua cara mais inocente e falou olhando diretamente nos olhos do homem mal-encarado:

–Pode deixar sua arma fora disso, nenhum de nos temos treinamento na policia. Nos nos rendemos e não vamos causar problemas.

Sam sorriu interiormente enquanto via o homem ponderar o que ele tinha acabado de dizer. Depois de um tempo para reflexão o capanga mais experiente do grupo tinha decidido que dois homens não poderiam fazer nada contra ele e guardou sua arma em seu cinto. A partir daquele momento não havia mais nenhum dentre os dezessete que ainda empunhava sua arma.

Depois disso os capangas começaram a leva-los para uma outra parte do esconderijo e o caminho mais uma vez foi ficando estreito. Só era possível passar dois homens cada um de lado, o que quer dizer que cada Winchester poderia passar com seu próprio captor um por sua vez diante dos corredores.

O cara mal encarado que parecia ser o único dos dezessete que ainda tinha nervos resolveu tomar a dianteira e logo depois dele uma fila indiana foi formada com mais dois outros capangas atras dele antes de finalmente chegar a vez de Dean entrar com seu jovem captor na passagem estreita e cheia de mofo. Sam tinha entrado no corredor logo depois dele.

Foi assim que a sorte deles tinha acabado de mudar.

Inesperadamente, enquanto eles estavam sendo transportados para o que Dean chamaria um dia de “Prisão secular”, um dos capangas mais jovens do grupo tinha sido colocado para dormir com um movimento raposo de mãos executado por Dean. Em cerca de poucos segundos o guarda que fora responsável em acompanha-lo tinha sido atingido na cabeça (em um ponto muito especial) por uma mão aberta e tinha desmaiado silenciosamente. Os únicos que tinham percebido o que estava acontecendo não tiveram tempo suficiente para alertar o resto do grupo, pois, logo depois que Dean depositou o corpo do jovem medroso no chão Sam tinha se encarregado de colocar para dormir os outros dois na sua frente.

Com a velocidade dos golpes aplicados os capangas iam caindo um a um. Mais nem tudo eram flores e Dean logo percebeu que haviam outros jovens que poderiam oferecer resistência. Não era só ele e Sam que sabiam lutar artes marciais.

Com ainda dez capangas para liquidar Sam e Dean não poderiam mais usar técnicas silenciosas. Os outros homens que ainda estavam tentando mata-los sabiam fazer um belo combate corpo-a-corpo. E eles ainda tinham de se preocupar com o desconfiado do grupo que, mais uma vez, tinha voltado a segurar sua arma.

E de novo havia um empasse.

Sam e Dean se entreolharam cerca de um milésimo de segundos e tao pronto o bandido mais experiente tinha puxado o gatilho eles resolveram agir.

Com uma agilidade invejável Dean Winchester tinha pego o primeiro capanga que ainda estava tentando mata-lo e usou-o como um escudo para a bala. O homem morreu instantaneamente com um tiro em seu coração. Depois disso ele jogou o cadáver na frente de seu oponente criando uma bela distração que lhe daria tempo para tirar a faca que ele sempre escondia em seu sapato. Sam tinha feito exatamente o mesmo e em uma fração de segundos tinha usado sua arma branca para matar dois outros jovens que quase tiveram a chance de puxar o gatilho contra ele.

Ainda restavam sete homens.

Dean avançou direto para o velho mal encarado na mesma hora em que ele puxou o gatilho mais uma vez. Por sorte o Winchester mais velho levou uma bala de raspão em seu braço esquerdo, mas mesmo assim o sangue se espalhou pelas paredes coloniais e um grito de dor ecoou pelos corredores.

Agora o engenheiro estava com raiva.

Ele deu um chute certeiro na barriga de seu oponente e com um movimento habilidoso com as mãos retirou sua arma jogando ela sem nem perceber na cabeça de um outro homem que lutava contra Sam. Depois disso os dois começaram a lutar com tudo o que sabiam de artes marciais.

Socos, murros e chutes foram dados por cada um dos homens naquele corredor bolorento. Dean estava com um corte no osso da bochecha e um olho que certamente ficaria negro mais tarde. Tudo o que ele pensava era que ele precisava descobrir uma forma de derrotar aquele filho da puta. Infelizmente o homem em questão sabia lutar jiu-jitsu.

O capanga não estava nem um pouco a fim de pegar leve com o homem que enganou todo o seu bando. Era a hora de retaliação e ele deveria desequilibra-lo a qualquer custo. Ele poderia ver atras de si os outros idiotas lutando contra o outro inimigo e pode perceber que haviam uma especie de semelhança entre eles como se eles fossem irmãos. “Isso é confuso” pensou ele enquanto ainda tentava desequilibrar seu oponente.

O lutador sabia que haviam pessoas que estariam dispostas a matar e a morrer pelos dois reféns que a sua chefe guardava naquele esconderijo e não conseguiu para de pensar um pouco mais sobre o que ele estava fazendo ali. Ele estava apenas ali por dinheiro? Sera que ele jamais iria conseguir algo decente em sua vida fora trabalhar no submundo? As perguntas começavam a crescer em sua mente ao mesmo tempo em que ele ainda aplicava golpes em Dean. A cada minuto que eles gastavam naquela luta o lutador poderia perceber que seu oponente ia ficando cada vez mais fraco, ao mesmo tempo suas indagações iam crescendo cada vez mais e mais a ponto de ele começar a se achar louco, pois nunca em sua vida ele tinha parado para questionar o tipo de atividade que ele fazia sendo algo do submundo ou não. Se ele pudesse ver alem dos cinco sentidos perceberia que em sua cabeça brilhava uma luz laranja que o abraçava e o enchia de ternura, infelizmente o fenômeno passou despercebido por ele até o fim de seus dias.

Enquanto iam lutando um tentando desequilibrar o outro- pois em qualquer arte marcial o equilíbrio é um fator crucial para a vitoria- o oponente de Dean se perguntava mais e mais sobre sua própria historia e sobre os reféns que ali estavam, será que eles eram traficantes de drogas rivais da chefe como ela mesma os tinha dito? Certamente não, ele tinha até mesmo visto com seus próprios olhos a mulher loira e ela não parecia mais do que uma simples trabalhadora. Sobre o homem cego ele não tinha opiniao já que não o tinha visto.

Enquanto o seu corpo ainda arremessava o homem de olhos verdes para o outro lado do corredor- ele tinha caído em cima de mais um dos idiotas que estavam trabalhando com ele- sua mente tinha perdido completamente a vontade de lutar. Em um piscar de olhos ele já tinha se decidido, ele os deixaria passar assim que seu oponente mostrasse em seus olhos o quanto ele se importavam com o homem e com a mulher que estavam ali.

Isso não demorou muito a acontecer.

Em uma fração de segundos dois novos personagens aparecem no final do corredor; Chuck Shurley e Joanna Harville chegam a ponta esquerda da passagem bolorenta e mal cheirosa e dao um grito que faz tudo mudar:

–Sam, Dean, nos os encontramos!

Por alguns milésimos de segundo o Winchester mais novo fica paralisado. Ainda haviam cerca de três homens que simplesmente não desistiam de lutar contra ele e mesmo que nenhum esteja mais com sua arma eles estavam dando trabalho. Essa perda de ação fez com que Sam perdesse a vantagem que tinha contra os homens, o que o levou a ser atingido por um de seus oponentes. Os três estavam agindo em conjunto e teriam imobilizado o advogado se a policial e seu tenente não entrassem na batalha.

Para um policial que não gostava de matar Charles Shurley demonstrava ser um excelente boxeador. Por outro lado Joanna Harvelle não mostrou nenhuma tecnica definida, ela simplesmente apontou a arma para a cabeça de seu oponente e o fez ajoelhar.

Assim que os joelhos do homem de olhos castanhos e cabelos cacheados tocou o chao empoeirado a mulher o arrodeou por tras dando uma chave de pescoço que o levou a perda de consciência.

Não demorou muito para que os três derrotassem seus oponentes. Sam tinha se desvencilhado do homem que o predeu pelo pescoço com um chute em seu joelho e uma cotovelada em seu queixo, depois disso quebrar o braço do inimigo não pareceu uma coisa tao apeladora.

Os três tinham vencido seus oponentes ao mesmo tempo que o Winchester mais velho. Do outro lado do corredor estreito Dean tinha conseguido imobilizar o homem de olhos caídos pondo-o contra a parede e colocando uma mão sufocante em sua goela. Naquele momento ele desconhecia completamente as intenções de seu oponente e graças a isso ele olhou nos olhos daquele contra quem lutava pondo em seu olhar toda a raiva do mundo e todo o desejo de reencontrar seu amante.

Aquela força de vontade foi o suficiente para que o outro homem desistisse de seus planos malignos por completo.

Ele levantou as mãos em sinal de rendição e disse:

–Podem passar, não vou mais ser um problema para vocês agora.

Isso não era o que nenhum deles esperava.

Na total perda de palavras que se seguiu única coisa que Dean conseguia fazer era olhar para seus companheiros. Os sons de tiro ainda estavam ecoando em algum lugar, mas naquele momento nada mais importava. Quando os olhos de Dean pousaram sobre os olhos azuis de Chuck ele pode ver que o homem que um dia considerou medroso agora estava completamente mudado, por ironia do destino o tenente parecia ser, por alguma razão desconhecida, o único que sabia exatamente o que estava acontecendo.

Por sua vez o policial resolveu limpar seus óculos antes de responder a duvida não externada. Com os óculos mais uma vez em seu rosto ele dessem calmamente:

–Ele está falando a verdade. Estamos recebendo a ajuda de algumas pessoas de cima.

Mesmo sem explicar muita coisa aquilo fazia bastante sentido. Em um piscar de olhos Dean soltou o homem que um dia foi seu oponente e deixou-o livre para recomeçar uma nova vida.

Depois disso os cinco companheiros correram em direção a escada de madeira podre.

***

Longe dali o grupo de judeus estava concluindo sua missão. Com a ajuda das duas crianças de olhos verdes os amigos tinham conseguido descobri quem era a pessoa que poderia empunhar a adaga. Na verdade tratava-se de duas pessoas; Danny e Lisa.

Aquilo fazia muito sentido já que Lisa tinha sido a única a encontrar a fruta proibida na arvore. O como ninguém tinha se lembrado de tudo aquilo ficava no mistério, talvez o fato de jimmy ter desmaiado tenha sido o motivo principal de tudo, a final, ninguém teve muito cérebro para pensar em muita coisa depois disso. Até mesmo Danny que tinha descoberto a possível localização do esconderijo de Ruby não teve tempo para dizer as coordenadas. Bem, pelo menos eles souberam que Chuck tinha conseguido mergulhar mais uma vez em sua intuição e por mais que o cais de Santa Mônica estivesse exatamente no centro do triangulo feito pelo raio que Daniel tinha composto (ele na verdade triangulou a área em cerca de quinze metros, nem mesmo suas habilidades de computação foram suficientes para descobri o lugar exato) o menino tinha se sentido triste por ter esquecido completamente de dizer aos adultos onde eles poderiam começar.

Quando ele conseguiu segurar a adaga sagrada com suas maos tremulas sem ser queimado o sorriso voltou a seus lábios. Os seis adultos que ali estavam para cuidar das crianças e as ajudarem a concluir seu destino ficaram imensamente aliviados ao verem o menino voltar aseu velho self.

Logo depois de o menino gordinho passar a arma branca para as mãos de sua irmao querida Benjamim resolveu falar na tentativa de quebrar o silencio da situação. Na cabeça dele aquilo poderia ser um momento de revolução dos homens contra as forças do mal, mas se não tivesse uma piada não seria humano.

Ele então resolveu fazer uma pergunta que estava na cabeça dele há muito tempo:

–Por que vocês chamam Emanuel de Ezequiel?

E pela primeira vez ninguém tinha revirado os olhos a pergunta do funcionário publico.

Lisa foi a primeira a responder. Ela falou em uma voz sussurrada como se tivesse medo de que alguém mais a ouvisse e enquanto falava tinha os olhos bem concentrados em cima de uma maçâ de verdade.

Sua resposta foi a seguinte:

–Na verdade o nome dele é Emanuel, mais o tio Jimmy chama ele de Ezequiel, ai a coisa meio que pegou sabe? Talvez esse seja o nome verdadeiro dele tipo- a garota colocou a mão de seu irmão na adaga e em um gesto inesperado fez com que ambos estivessem cortando a casca da maçã comum juntos, todos ficaram impressionados com aquilo- o nome dele de anjo sei lá, mais eu não consigo chama-lo de outra forma.

Todos os demais deixaram as palavras da menina encherem seus corações e ficaram completamente hipnotizados ao vê-la usar as mãos do próprio irmão para cortar a pele da fruta. Agora eles estavam quase completando sua parte do plano, mesmo assim ainda faltava encontrar a verdadeira fruta sagrada.

Assim que Lisa terminou seu trabalho minucioso eles fizeram uma breve pausa para descansar e sem que ninguém estivesse esperando receberam uma ligação de Gabriel. Ao que pareceu no telefone o policial tinha noticias importantes para dizer a eles.

Lisa sentiu um arrepio percorrer-lhe a espinha. Aquilo não parecia ser nada bom. Não era para Gabriel estar junto com eles no resgate de Jessika e Cas? Ela não poderia saber das respostas mais tinha certeza que seu tio deveria ter um motivo muito bom para estar ali naquele momento e não na força-tarefa.

Foi somente quando Gabriel chegou que ela descobriu a verdadeira gravidade da situação em que eles estavam. Jimmy estava em coma.

O capitão de policia não tinha dado muito tempo para que os demais entrassem em depressão profunda. A situação era desesperadora sim, mais eles não deveriam ficar desesperados, caso contrario eles nunca conseguiriam derrotar a mulher de olhos negros. Ele tinha outras coisas a fazer ali alem de deixar seus amigos desesperados. E não demorou muito para que ele mostrasse suas verdadeiras tençoeiros ao vir para a casa de Benjamim.

Olhando para cada um dos presentes ele tirou do bolso um pequeno bolo de papeis dobrados, até aquele momento ele se arrependia em te-los arrancado do seu lugar original, mas ele tinha certeza de que tudo era por um motivo nobre. E se não fosse Jimmy iria mata-lo lenta e dolorosamente. Depois disso ele entregou os papeis para Lisa.

Não demorou muito para que a menina percebesse o que era aquilo.

Antes que ela pudesse tirar suas próprias conclusões Gabriel voltou a falar:

–Eu fiquei cerca de uma hora olhando para os desenhos de Jimmy depois que eu percebi que ficar naquele hospital não ia me fazer bem alguém. De uma certa forma esses desenhos em especial me chamaram a atenção.

Lisa poderia ver o traço de seu pintor favorito naqueles desenhos, mias alem disso ela não poderia dizer o que eles tinham de tao especial. Não seis folhas de papel estavam desenhadas a casa de Emanuel, a sua estante que ficava próxima a cozinha, uma chave em cima da geladeira, uma gaveta com chaveiro, uma bolsa de couro e a adaga sagrada.

–Isso não faz sentido. Foi a única coisa que ela conseguiu dizer e em seguida passou os desenhos para Danny.

O menino por sua vez olhou cada um deles cautelosamente. Gabriel tinha certeza de que se alguém poderia colocar uma luz sobre a sua curiosidade seria ele, afinal, foi o garoto o único que passou mais tempo na velha casa do bairro chines.

O menino de oito anos se demorou mais em uma das folhas. Aquela que continha o desenho da bolsa de couro. De uma certa forma o menino sabia que já tinha visto isso em algum lugar e o policial também, no entanto foi necessário cerca de vinte e cinco minutos de contemplação para que ambos conseguissem responder o quebra-cabeças.

Os dois falaram ao mesmo tempo:

–Essa é a bolsa de Adam Milligan!

O que parecia ser uma exclamação feita do nada na verdade fazia muito sentido. O jovem mendigo Adam Milligan que tinha conhecido Jimmy há uns bons sete anos sempre andava com aquela mochila velha que foi dada a ele pelo próprio pintor. O mendigo tinha sido morto recentemente com um corte na garganta bem característico da mulher a qual todos eles estavam perseguindo. E como todos eles já sabiam Ruby não faz nada ao acaso, suas acoes são predeterminadas a partir de planos e suposições, se ela matou o jovem mendigo era por que ele tinha algo que interessava a ela.

Os olhos de Gabriel começaram a ficar marejados. Ele voltou a se lembrar do momento em que ele estava no necrotério da delegacia acompanhado de seu irmão e ele teve aquela crise que quase gerou em uma internação de Jimmy na ala psiquiátrica do hospital geral. No começo o policial não conseguia entender o por que de seu irmão ter tido uma reação extremamente atípica a ele, mas agora, agora ele poderia dizer que Jimmy tinha reagido com raiva por que pensou ter deixado a fruta da sabedoria cair nas mãos das pessoas erradas. Nada era capaz de tirar de sua cabeça que Jimmy sempre soube onde estava essa bendita fruta sagrada e se tudo tivesse acontecido com ele, ou seja, se ele fosse o guardião em vez do pintor ele tinha certeza de que sua reação seria muito mais branda.

O quebra cabeça estava voltando a se juntar.

Por um momento a felicidade de todos os que estavam na sala modesta do apartamento de Benjamim tinham sentido uma alegria especial, um consolo para heroos de guerra e eles não foram capazes de quebrar esse sentimento por algum tempo. Ao invés de se falarem ou gritarem de alegria eles se abraçaram por um período de tempo que para suas mentes cançadas pareceu ser o suficiente para restaurar suas forças.

Silenciosamente o capitão de policia fez uma prece para seu irmão e para qualquer um que estivesse os ajudando. Quando o sentimento magico foi quebrado e a aura de forças se dissipou eles começaram a se reerguer para sua nova caminhada. Com a maçã as mãos eles teriam finalmente um trunfo diante da mulher.

Eles decidiram que era melhor deixar as crianças em casa para que elas ficassem em segurança. Apenas Gabriel e Rebeka foram atras da casa do anjo de cabelos de fogo. Por mais que Lisa achasse essa decisão desnecessária (afinal, ela estava até as orelhas nisso e se alguém quisesse matar ela ela iria dar uma mordida nessa pessoa) ela finalmente tinha concordado em ficar esperando os adultos voltarem. Danny não estava se sentindo bem depois dessa reviravolta toda e por mais que ela soubesse que ele tentava disfarçar ela não o deixaria sozinho.

Com os arranjos decididos Gabriel e a moça judia saíram em busca da casa de porta vermelha deixando para trás as pessoas que poderiam tocar na adaga que cortaria a fruta do conhecimento.

***

Sam e Dean estavam com os corações a mil. Finalmente eles tinham a oportunidade de resgatar seus entes queridos daquele lugar infernal. Tanto Castiel quanto Jessika estavam a uma escada de distancia.

Antes que eles pudessem chegar a escada de madeira apodrecida eles encontraram em seu caminho um homem que estava apontando uma arma de guerra para as suas cabeças. E em um segundo toda a felicidade tinha escorrido para fora deles.

Talvez a adrenalina tenha entrado no lugar do que a poucos instantes fora felicidade, os dois irmãos logo descobriram que não estavam mais com suas armas. O pensamento de que se eles não voltarem vivos dessa Gabriel os mataria de novo apareceu na mente de cada um deles quando ambos se lembraram que as armas que eles tinham era do chefe de policia.

Antes que qualquer um deles partisse para a porradaria sem medo de levar um tiro o som reconhecido como o disparo de uma arma foi pego pelos ouvidos de todos que ali estavam. E por mais estranho que aquilo fosse o homem que estivera na frente dos Winchester foi baleado na cabeça.

Segundos antes de o corpo cair ao chão morto e frio todos os presentes olharam para trás. O que eles viram iria perturba-los pelo resto da vida. O rosto do pacifico tenente que não gostava nem mesmo de usar balas de borracha estava contorcido em uma mascara de puro odio. Tinha sido ele quem tinha feito o disparo, a arma estendida em sua mão direita e que ainda saia fumaça de seu cano era a prova mais clara daquilo.

Ao perceber que havia matado um homem a queima-roupa o policial de olhos azuis começou a tremer e lagrimas caiam pelo seu rosto. Pelo menos ele conseguiu travar a arma antes de te-la deixado cair.

Em um segundo a oficial loira estava ao seu lado. Ela tinha um olhar doce e não o estava julgando.

–Chuck? Foi a única coisa que ela conseguiu pronunciar. Os outros dois estavam congelados, a única coisa que eles ouviam sair da boca do tenente era uma oração que ele estava fazendo a Deus. Era mais do que logico que ele estava arrependido.

Depois do que pareceu ser uma eternidade o tenente se abaixou para pegar sua arma e começou a andar na direção da escada de madeira. Quando ele desceu cerca de cinco degraus ele falou em uma voz triste, porem sóbria:

–Aquele era o homem que servia como meu “chefe” na fabrica de macarrão, eu vi com meus próprios olhos ele torturar Jimmy.

Nenhum dos presentes falou mais nada depois disso.

E eles continuaram a seguir seu caminho.

Os sons de tiros ainda poderiam ser ouvidos, mas pareciam ter diminuído de frequência. Aquilo era um bom sinal

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Notas finais
Quase que o nome do neuro ia ser Alfred Molina, mais não tive coragem. Comentários e recomendações sempre serão bem vindos. Mandy