When You Have A Killer In Your Tail
22 Quando a batalha começa parte um
Notas iniciais
“Hitori de wa, tooi ashita wo
Yooke no mama de, koesou de”
“Quando estou só, o amanha é tao distante. E mesmo assim devo seguir adiante na escuridão da madrugada”
Hearth of Sword– T.M. Revolution
E mais uma vez os heróis solitários de uma batalha desconhecida se encontravam no hospital geral da cidade. O reencontro que foi forjado a balas e sangue não tinha saído como planejado. Muitos morreram para a libertação dos seus amigos e os que ficaram para vê-los serem salvos não tiveram uma experiencia agradável quando finalmente os retiraram das celas mofadas.
Desde que as barras de ferro de seu pequeno calabouço foram abertas a doce mulher de cabelos dourados não tinha falado nenhuma palavra. Seu companheiro de cativeiro, o professore de historia, não tinha feito nada diferente. De fato, os dois pareciam estar voltando a realidade agora, como se tudo o que viveram e ainda não conseguiram contar a mais ninguém fosse finalmente descoberto como sendo parte da mais crua realidade.
Ninguém conseguia entender o que tinha se passado com eles. Ao serem recebidos pelo silencio os jovens irmãos Winchester pensaram logo que seus amados estariam feridos, mais aquilo não correspondia a realidade, eles não tinham muito o que se preocupar em relação a feridas do corpo. O que eles não sabiam era que nas almas de cada um dos dois sequestrados haviam enormes buracos.
O único que tinha uma pequena pista do que poderia ter acontecido durante os quatro dias em que seus amigos ficaram presos era o tenente. Ao que parece, seu dom de ver as coisas acontecendo antes de elas acontecerem tinha chegado há um estado em que ele não precisava mais se esforçar para conseguir ver uma brecha do futuro. As coisas estavam sendo esparramadas em sua mente de qualquer maneira e sem nenhuma consideração ao que ele realmente queria ou podia ver. Agora o policial poderia simpatizar com Jimmy, definitivamente ele sabia como era sentir o que o jovem pintor sentia. Embora estivesse tremendo por dentro e com uma necessidade de ajudar Sam e Dean o tenente permaneceu calado.
Ele sabia muito bem que não deveria sair dizendo o que tinha acontecido entre Castiel e Jessika, o problema não era seu para que ele o divulgasse e mesmo se fosse havia uma probabilidade gigantesca de jamais querer falar sobre isso. Os dois jovens deveriam ter tempo para conversar entre si, para colocar em palavras o que fora feito a eles e para que só assim ele pudesse dizer as duas pessoas que os amam o que tinha ocorrido. Não era justo, mais era o minimo que ele poderia fazer.
Aquela tinha sido a primeira vez que Chuck Shurley ficou feliz ao saber que o pintor estava em coma. Se ele tinha sido invadido por cenas que não pertenciam a sua própria vida o que seria de Jimmy ao ver tudo aquilo? Definitivamente ele morreria. Os sentimentos de medo e de ódio ainda flutuavam pelo seu ser enquanto ele andava de um lado para o outro do corredor do hospital. Eles tinham matado o homem que fez isso, mas mesmo assim ele sabia que a morte por uma bala tinha sido muito misericordiosa para com ele. Se um dia Sam descobrisse que ele matou o homem que fez sua amada sofrer ele iria querer mata-lo por isso... e Dean? Chuck não queria nem saber o que o mais velho faria.
O melhor a fazer era realmente ficar em silencio. Eles não poderiam esquecer de tudo o que estava acontecendo por que um deles tinha sido ferido. Agora, mais do que tudo era a hora de continuar a lutar, pois, a única forma de vencer esse mal e salvar a Terra é ter foco em sua missão. Missão essa que no presente momento estava sendo guiada por duas crianças e o espirito de um deficiente mental em coma.
Pela segunda e não ultima vez o detetive pensou que se um dia saísse dessa enrascada ele iria escrever um livro sobre tudo o que aconteceu. Essa seria a maneira de o mundo saber, mesmo que inconscientemente, que foi salvo por pessoas comuns.
Olhando mais uma vez para seus amigos ele deixou definitivamente o hospital. Seu chefe queria vê-lo em vinte minutos.
Ele esperava que o que Gabriel estava prestes a lhe dizer fosse mais animador do que o que Sam e Dean iriam escultar.
Quando chegou a casa do anjo de cabelos vermelhos Gabriel Novak sentiu uma sensação estranha de aconchego embrulhar seu corpo, como se fosse um dos raros natais felizes em que ele passou na fazenda ao lado de sua mãe e seu pai. A sensação parecia tao distante, tao acolhedora que ele demorou um pouco para voltar a realidade, mais quando o fez não conseguiu deixar de reparar no sorriso da moça bonita que tinha se voluntariado a ir com ele.
Ironicamente a menina tinha um pingente de cruz em seu colar, mas naquele momento tudo parecia fazer muito sentido. Gabriel já tinha ouvido falar que haviam alguns judeus que acreditavam em Cristo mas nunca tinha visto um diante de seus olhos. Certamente ele jamais veria uma cena parecida em sua vida, não com uma jovem tao bela. Seu sorriso era realmente encantador e ele chegou a pensar que se ela fosse um pouco mais velha eles poderiam fazer um belo par, a garota pensava, falava e agia como uma agente especial e ele definitivamente estava começando a gostar daquilo.
Rebeka tinha seus olhos treinados nos desenhos que Jimmy tinha dado a seu irmão mais velho. Naquele momento nada mais poderia importar a ela e ela continuou a andar pela casa deixando seu sorriso abrir mais e mais a medida que os desenhos iam se mostrando precisos. Não demorou muito para que ela encontrasse o que tinha vindo procurar.
A fruta sagrada estava ali, ela nem ao menos precisava abrir a bolsa surrada para saber. Havia uma energia diferente de tudo o que já havia sentido em sua vida emanando de dentro dela e uma felicidade que parecia ser palpável escorrendo pelos seus dedos como se fosse um efeito colateral da fruta da sabedoria. Aquela era uma sensação que ela geralmente encontrava nas noites do Hannuka em sua casa e com sua família e ao meno tempo era uma coisa completamente diferente profunda e acolhedora como o mais belo dos oceanos. Se ela pudesse ela ficaria com aquela fruta em suas mãos por toda uma eternidade. Toda a felicidade que ela sentia parecia transbordar de seus poros e cada vez mais a mulher estava fascinada.
Seu sorriso se abriu a um nível que considerou impossível.
Do outro lado da sala o homem de olhos âmbar estava visivelmente confuso. Passara da quinta vez que ele tentou chamar a atenção de Rebeka mais a mulher parecei ainda não ter escutado. O que sera que estava acontecendo? A fruta sagrada da sapiência estava diante de seus olhos e mesmo que o envoltório ainda não tivesse sido tirado ele poderia sentir, ele sentia como um homem sente a luz solar que haviam algo muito especial dentro daquela bolsa surrada, algo que talvez fosse a coisa mais especial que esteve na terra nesses últimos anos. Até mesmo o mais ateu dos ateus não poderia negar que o que estava ali diante dele era algo divino, não havia escapatória para esse conhecimento.
Tudo o que o capitão de policia queria fazer era chamar a atenção da moça para pedir-lhe que ela voltasse a si. Eles ainda tinham uma longa jornada pela frente e ainda teriam que levar essa fruta para as duas crianças fazerem a sua parte. Era essencial para o plano que as duas maças não pudessem ser identificadas e eles só poderiam fazer isso se chegarem com vida ao outro lado da cidade. Não havia mais motivos para eles ficarem ali olhando uns para os outros com cara de paisagem. Já tinha passado do tempo de debandar. Mesmo assim a mulher com o colar de cruz não o ouvia.
A felicidade de manha de natal tinha deixado Gabriel nesse momento.
Nada parecia ser capaz de fazer a mulher prestar atenção a ele. Ela continuava ali, com a maça da sabedoria em suas mãos e os olhos arregalados de felicidade. Toda a sua postura lembrava a de uma pessoa altista. Ela estava perdida em seu mundinho particular, um mundinho onde existiam apenas ela e a doce fruta dourada.
Aquilo não parecia nada bom.
O sorriso da mulher que o acompanhava deixou de lhe parecer algo bonito para revelar a insanidade. Por um breve período de tempo Gabriel se lembrou dos momentos que lia “O senhor dos anéis” para Castiel, ele se lembrou de como uma simples coisinha que era nada menos do que um adorno para os dedos poderia fazer nações caírem e corromper qualquer um. Enquanto se lembrava de tudo o que tinha lido para seu irmão caçula o policial não poderia de ixar de fazer uma analise do que era ficção e do que era a realidade, naquele momento em diante a realidade parecia imitar completamente a obra do escritor e o capitão de policia ficou apavorado.
Ele sabia naquele instante que não era mais seguro carregar aquele objeto em maos de pessoas que, como Rebeka, ainda não estavam prontas para isso.
Uma outra coisa que o homem de olhos âmbar sabia era que se a jovem judia não era a escolhida para carregar a fruta ele também não o seria. Haviam muitos pensamentos não puros em sua mente e ele sabia do fundo de seu coração que ele- mesmo estando a frente de uma guerra santa- não era um homem santo.
Naquele momento, o ar poderia ser cortado com uma faca. Gabriel precisava de um tempo para pensar, mas não queria deixar a menina exposta a insanidade que vinha de tanta sabedoria. Enquanto andava de um lado para o outro na pequena salinha do homem de cabelos flamejantes ele fez um voto para jamais esquecer do que estava aprendendo ali. Não era a toa que as pessoas diziam que sabedoria e insanidade andam de mãos dadas. Olhando a cena diante de si e vendo a mulher recitar formulas matemáticas que ele nem sabia que existiam Gabriel tinha a certeza de que a inteligencia não poderia ser domada na mente de qualquer pessoa, para se ter sabedoria é necessário mais do que inteligencia, é necessário pureza de espirito.
Ele colocou a mão esquerda em seus cabelos e estava prestes arrancar um belo punhado quando no ultimo minuto teve uma epifania.
“É isso!” Ele pensou, “Se a única coisa que eu necessito é pureza de espirito já sei quem pode me ajudar!”
Ele ainda deu uma olhada sorrateira na mulher que agora parecia irreconhecível antes de pegar seu celular e discar um numero que ele conhecia muito bem. Não precisou nem de dois toques para a pessoa na outra linha atender ao telefone. O policial não poderia estar mais feliz em ouvir o que o outro homem tinha para dizer, mas ele não deixou se distrair pelas noticias gloriosas, não agora. O que ele precisava antes mesmo de ver seu irmãozinho de novo era encontrar uma pessoa que poderia segurar aquela fruta sagrada e não enlouquecer. Com Jimmy nocauteado para fora do tabuleiro Chuck Sherley era a única pessoa de confiança que ele poderia atribuir a essa missão.
Como era de se esperar, o seu parceiro policial não hesitou em nenhum momento.
Logo logo ele estaria ali.
Gabriel em momento algum se perguntou o por que de ter feito essa decisão, em momento algum ele pensou que Chu8ck não poderia segurar a fruta assim como Rebeka. De uma maneira estranha ele poderia sentir que a decisao que tomou era a mais adequada dentre todas as outras. E mesmo sem saber se o que fizera era certo ou errado ele já agradecia antecipadamente a qualquer alma caridosa que tinha sussurrado aquilo em seus ouvidos.
Não sabia ele que a alma caridosa em questão era exatamente a alma de quem tinha sido jogado para fora do tabuleiro. Jimmy ainda era, e sempre seria, uma das peças mais importantes daquele jogo.
***
Quando o tenente de olhos azuis entrou na casa já conhecida ele jamais poderia imaginar que seu chefe o aguardava fora da sala de estar. Gabriel não parecia estar vivendo seus melhores momentos e Chuck não poderia dizer menos dele, por tudo o que ouvira no telefone a situação com a garota judia não era lá a melhor do mundo.
Mesmo assim, era estranho para ele ver o seu destemido capitão estar quase branco diante de uma pessoa que não faria mal alguma a não ser recitar formulas matemáticas que ainda não foram descobertas. Não era um segredo, mas ele poderia saber o quanto Gabriel Novak detestava matemática. Aquilo poderia ser engraçado se não envolvesse o mundo e a batalha do juízo final. Talvez ele realmente pudesse virar escritor depois disso tudo...
Ao voltar a realidade o tenente de olhos azuis percebeu que a alma de Jimmy e o anjo de cabelos de fogo ainda estavam ali pairando delicadamente sobre a mulher enlouquecida. Pela primeira vez em sua vida o homem de olhos azuis e óculos baratos estava com medo. Será que ele realmente era digno de receber a confiança de três almas tao valiosas? Será mesmo que ele seria capaz de segurar aquela bolsa de couro e não enlouquecer? As mãos dele começaram a suar e ele foi invadido por uma vontade arrebatadora de mexer em seus óculos. Não havia garantia de nada em sua frente, não havia como ele saber se todos os esforços de seus amigos seriam estragados por um simples ato de sua parte.
As mãos do policial tremiam e ele teve uma súbita vontade de vomitar. Nunca foi isso o que ele imaginou de sua vida, nunca sonhou em ser o herói...
Antes mesmo que Charles Shurley tentasse fazer uma manobra evasiva destino a sua casa quase destruída ele foi impedido pela mão firme de seu chefe. Gabriel tocou no ombro de seu amigo de uma forma que ele sabia que iria colocar um pouco de compostura de volta ao rosto pálido do outro. Quando os olhos dois dois se encontraram a força do olhar cor de âmbar era avassaladora. Chuck não poderia se ver livre daquele olhar e muito menos daquela confiança. Uma outra coisa que ele também era capaz de ver com a sua visão periférica era os dois outros seres que ali estavam. Nunca em sua vida ele tinha feito alguma coisa para deixar uma pessoa tao irritada quanto naquele momento. Com o canto de seu olho ele poderia ver o pintor olhando para seus olhos de uma maneira que sabia que era atípica. Jimmy estava verdadeiramente furiosos por ele ter colocado seus medos na frente de tudo nem que seja por um segundo. De todas as coisas que poderiam assustar-lhe aquela era definitivamente a mais improvável.
O policial deixou-se cair sobre um dos degraus da sala de estar. Ele soube naquele momento que jamais poderia fazer aquilo de novo. A decepção que ele vira nos olhos de uma alma em como era algo que iria caça-lo por toda a eternidade. Jimmy Novak não era o tipo de pessoa que demonstrava ódio ou raiva, muito pelo contrario ele era sempre a pessoa a fazer os outros sorrirem. Naquele instante Chuck sabia que se não concertasse as coisas ele jamais poderia conviver com sigo mesmo, ele jamais poderia olhar nos olhos de seu chefe e mentor e dizer a ele que ele tinha feito seu irmão ter um sentimento maldoso. Era a hora de ele se redimir e fazer por merecer toda a confiança que o seu capitão e os dois anjos tinham depositado nele e, embora ele tenha decepcionado a pessoa a quem ele menos queria prejudicar ele sabia que se ele estava ali diante da fruta sagrada era porque ele era a única pessoa alem de Jimmy e das duas crianças que poderiam ter alguma chance diante de seu poder esmagador. Era uma pena que ele precisou fazer Jimmy ficar com raiva dele para que enfim pudesse descobrir isso e ter confiança em si mesmo.
Talvez essa fosse uma forma bastante teatral que o pintor e o anjo tinham encontrado para fazer com que ele acreditasse em si mesmo.
Foi apenas quando ele pegou a fruta das mãos de Rebeka sem medo em seu coração que ele pode saber que era exatamente iso o que os dois espíritos tinham planejado. Para variar ele era o único de seu grupo que ainda precisava de um empurrão para doar sua vida em nome de tudo o que eles tinham de fazer. E era essa a sua principal característica, ele era o único dentre todos os outros que ainda tinha amor a sua vida.
Quando todos os presentes perceberam que nada de mal iria acontecer a ele depois de ter a fruta entre seus dedos o alivio invadiu a sala. Rebeka tinha voltado ao normal e esquecido completamente de tudo o que tinha acontecido deixando-os constrangidos em dizer a verdade.
A mulher demonstrou mais caráter do que ele dava credito ao pedir perdão a Deus por seus atos na frente de todos eles. De alguma forma, aquilo tinha enchido o coração de Chuck. Ele parecia estar mais convicto de quem era e do que veio fazer. Ele jamais esqueceria os momentos de hesitação, mas agora ele dava um novo sentido a seu papel naquela jornada.
Quando ele voltou a olhar para as duas entidades que estavam flutuando sobre eles o tenente da policia não pode deixar de sorrir ao ver o sorriso no rosto de cada uma das almas. Então toda a raiva que vira nos olhos do pintor não passava de uma forma de faze-lo ter mais fé? O tenente não poderia estar mais aliviado.
Ele viu as duas almas desaparecerem do mesmo modo que tinham chegado e ele sabia em seu coração que não havia mais nada que ele poderiam fazer agora. Estava tudo, literalmente, em suas maos.
Era imperativo levar aquela fruta sagrada para as duas crianças.
Era imperativo enganar a mulher de cabelos loiros e força-la a parar o que estava fazendo.
Era a hora de o mundo demonstrar resistência.
Chuck Shurley abriu um de seus mais belos sorrisos. Agora ele não poderia mais perder a confiança que lhe fora depositada. O plano deles deveria ser posto em pratica o mais breve possível.
***
Os olhos de ambos Winchester estavam vermelhos. Sam e Dean nunca tinham sido tao machucados em toda a sua vida. E pensar que após o resgate tao sofrido de Castiel e Jessika ele poderiam ter um pouco de sossego... não foi nada disso o que eles receberam.
Nos instantes finais de sua batalha no esconderijo abandonado no cais de Santa Mônica todos eles tinham descido as escadas bolorentas que levavam a um nível ainda não conhecido daquele esconderijo, seus corações estavam esperançosos e eles não viam a hora de reencontrar seus amantes. Quando as celas que impediam Cas e Jess de fugirem de suas prisões de pedra foram abertas nenhum dos irmãos foi recebido com sorrisos ou lagrimas de gratidão. Os dois receberam das pessoas que mais amam um silencio que escondia toda a dor e sofrimento dos três dias em que os prisioneiros passaram sob o domínio de uma mulher insana.
Assim que seguraram em seus braços o premio da batalha Sam e Dean sabiam que havia algo de muito errado com seus amores. Não era preciso ver o tremor contido de Castiel ao ser tocado por Dean ou o olhar de peixe morto que Jessika dava a Sam para saber que algo de muito ruim tinha sido feito a aqueles dois.
Saber disso sem nem ao menos perguntar tinha machucado por demais os dois irmaos. No fundo dois dois corações Winchester eles sabiam que suas vidas seriam marcadas pelas consequências de seja lá o que for que tenha acontecido a eles.
Sendo assim, tanto o engenheiro quanto o advogado preferiram dar espaço a seus amantes e permaneceram em silencio durante todo o tempo em que eles levaram para sair do esconderijo e chegar ao hospital. Nenhum deles, no entanto, teve vontade de encarar os rostos confusos dos outros policiais que tinham vindo com eles para o resgate. Estavam todos bastante confusos.
O medico de jaleco branco e rosto contorcido olhava para os dois irmãos diante dele sem saber a quem deveria se dirigir primeiro. Os dois homem olhavam iguais, com seus rostos vermelhos de chorar e seus olhos que um dia foram verdes injetados de sangue e lagrimas. Não haveria nenhum apoio para ele quando ele despejasse a verdade sobre os dois.
Eram nesses momentos que ele detestava ser um medico na area de traumatismos. As pessoas que chegavam para ele tinham menos e menos energia para viver. Aquilo por si só era deprimente.
Quando ele foi chamado para atender um caso de duas pessoas que tinham sido recém resgatadas de um sequestro ele sabia que nada poderia ser bom, mais depois que ele entrou na sla onde estavam os dois jovens que seriam examinados por ele as coisas começaram a ficar pior. Nenhum dos dois queria manter segredo de tudo o que lhes tinha acontecido, mas nenhum dois dois queria ser o único a dizer tudo a seus namorados. E para quem sobrava contar? Para ele que era um medico, claro.
Ele poderia sentir que o namorado do jovem cego estava ficando impaciente. Era a hora de ele se decidir de uma vez por todas a quem ele iria se dirigir em primeiro lugar.
Dean quebrou o silencio frágil com sua voz ríspida:
–Vamos doutor, nos não temos o dia todo. Ainda temos que achar aquela filha da puta e faze-la pagar por tudo o que ela fez.
O medico quase poderia ter pena da mulher que tinha começado tudo isso. Ele limpou sua garganta e decidiu ir adiante com tudo o que precisava ser dito. E foi olhando para o mais velho dos dois que ele falou:
–A senhorita Jessika Moore e o professor Castiel Novak tem algumas pequenas fraturas em seus puzos, ossos quebrados e estão desidratados, mas não é nenhuma dessas coisas que os preocupa. Seria muito bom para o medico poderia recuperar suas forças antes de proferir a outra sentença, mas nenhum dos homens lhe permitiu isso- Eles estao completamente aterrorizados com o que a mulher que os sequestrou os fez fazer- a voz dele tinha sumido nessa ultima parte e ele realmente gostaria de saber um pouco mais do caso policial em questão, mas ele não sabia- ela os forçou a ter relações sexuais.
O mais velho Winchester não quis dar ao medico tempo para que ele fugisse deixando todas as coisas em aberto. Ele olhou para os olhos torturados de Sam e sabia que os seus eram um reflexo dos dele. Se deixando levar pera ira ele falou em uma voz ameaçadora:
–Quer dizer que aquela vadia fez seus capangas estuprarem Cas e Jess?
O pobre doutor parecia estremecer a sua voz, mas Dean não poderia ceder, não agora. Ele precisava de todas as informações necessárias, ele precisava saber tudo o que tinha acontecido a seus querido Castiel e ele sabia que Sam pensava o mesmo.
O medico resolveu encarar o chao encerado do hospital quando abriu a boca para responder. O que ele tinha para falar iria certamente traumatizar os dois jovens diante de si.
Sua voz estava esmagada quando falou:
–Não, a captora de seus namorados forçou a senhorita Moore a estuprar o senhor Novak e vice versa. Para o senhor Novak a situação parece ser mais dolorosa, pois, ele teve que penetrar a senhorita duas vezes. Ele está sentindo como se tivesse estuprado ela mesmo sabendo que na primeira situação foi ela quem o estuprou. “Mais foi o pênis dele que entrou na vagina e no anus dela” o doutor deixou essa ultima parte para si mesmo, ele sabia que os dois homens diante dele sabiam exatamente o que tinha acontecido sem precisar de descrições em demasia.
Os dois jovens estavam pálidos como as paredes brancas do corredor. Infelizmente para eles ainda tinha mais a ser dito.
–Sobre a senhorita Moore é necessário dizer mais uma informação. Foi detectado celulas embrionarias em seu teste sanguíneo.
Naquele momento o tempo pareceu congelar como um iceberg. Dean olhou para seu irmão mais novo e em seguida olhou para o medico, ele não sabia qual dos dois tinha a expressão mais machucada. O engenheiro poderia ver nos olhos do medico que aquela era a primeira vez em sua vida que ele não utilizou o tom de felicidade para dizer a algum marido que sua esposa/namorada/amante estava gravida, e aquilo certamente deveria machucar muito. Mais uma vez o mais velho Winchester voltou seus olhos verdes para seu caçula, Sam tinha os olhos vidrados em um ponto que parecia ser visível apenas para ele. Não deveria ser fácil receber aquela noticia, por um lado era maravilhoso saber que sua alma gemeá estava esperando um filho, por outro a possibilidade de que esse filho seja de outro homem, do namorado de seu irmão para ser mais preciso, não era nada interessante de se ouvir. Como se deve se comportar em uma situação assim? Essa pergunta pairava sobre a mente de Dean o tempo todo.
Dean não poderia deixar de ser sincero consigo mesmo, ele tinha ficado absurdamente devastado com a noticia. Ele realmente tinha levado um choque, mas ao olhar nos olhos vidrados de Sam algo tinha percorrido por suas veias, algo que era mais forte do que o orgulho ferido. No exato instante que os olhos do Winchester mais velho caíram sobre os olhos leitosos e chocados de seu irmão ele sabia que uma decisão deveria ser tomada. Não havia espaço para duas pessoas loucas em uma situação de crise. Como devo me comportar nesse momento? Mais uma vez a pergunta ecoou na mente do engenheiro e dessa vez ele sabia a resposta.
“Serei o apoio para quem precisar.” Penou ele, “Essa criança pode ter nascido de uma relação não desejada com as duas pessoas mais improváveis do mundo, mas ela merece nascer em um ambiente onde as pessoas ao seu redor não a critiquem por ela ser filha de quem é. Preciso ficar ao lado de Cas, de Sam e de Jess nesse momento.”
Talvez tenha sido por que ele já era pai de duas crianças, mas Dean Winchester não deixaria as circunstancias ruins ficarem no caminho da vinda desse bebe. Ele não amava a sua mulher antes de seus filhos nascerem e isso não o impediu de dar todo o amor que eles precisavam. Claro, ele sabia que se essa crianças fosse realmente de Cas e Jess iriam haver discussões acerca de quem deveria cria-lá, mas isso não importava agora. Ele sabia que tanto a mulher loira quanto o professor cego deveriam estar em um estado de fragilidade e por isso ele deveria usar toda a sua energia para ajuda-los no que fosse necessário.
Olhando mais uma vez para Sam Dean percebeu que os olhos verdes estavam voltando ao que eram. Ao que parece seu irmão esteve em uma viagem de muitos anos de auto punição antecipada. Ele se sentou em uma das cadeiras e agradeceu ao medico, até para ele suas palavras pareciam vazias, mas ele não ligou naquele momento. Tudo o que ele desejava fazer era ver Jessika, era olhar para os olhos dela e dizer que ele não se importava, que eles ainda poderiam ser um casal. O medico tinha dado a eles mais trinta minutos de espera para que as enfermeiras terminassem o seu trabalho e depois disso permitiu que os dois entrassem no quarto.
Durante todos os minutos da longa espera Sam não tinha dado nenhuma palavra.
Com um suspiro profundo Dean deixou seus olhos se fecharem por um momento. Ele sabia que havia algo de errado ali, ele sabia que a postura de seu irmão indicava alguma coisa não muito boa. Sam nunca foi o tipo de pessoa de se fechar. Naquele momento o engenheiro reafirmou sua promessa de proteger seus amigos não importa o que aconteça. Ele sabia que não seria assim tao fácil para seu irmão conviver com aquela noticia e mesmo que ele soubesse que havia sim uma possibilidade de a criança ser filha dele apenas uma rápida olhadela para os olhos vidrados de Sam diria a qualquer um que o garoto tinha se deixado convencer de que o feto que crescia no ventre de Jessika Moore não era feito de seu D.N.A. Mais uma vez Dean reafirmou a promessa em sua mente. Ele iria estar lá para seus amigos e para o seu irmão e não deixaria que o plano de Ruby tivesse efeito.
E infelizmente, ele tinha de admitir, aquele era realmente um plano brilhante para distrai-los e tira-los da batalha. Com Jimmy fora do campo eles já perderam muito, mas se Samuel Winchester não fosse capaz de sobreviver a essa noticia eles perderiam dois de seus melhores homens.
E aquela tinha sido a ultima coisa que Dean pensou antes de ser interrompido mais uma vez pelos passos do medico. Já estava na hora de ambos enfrentarem a realidade que lhes foi maliciosamente preparada.
O pobre homem os guiou para a sala 707 do hospital geral de São Francisco. Qualquer pessoa que estivesse passando pelos corredores ao mesmo tempo que eles nem pensaria duas vezes e logo diria que ali estavam pessoas que iriam visitar seus amigos feridos, toda a sociedade desconhecias completamente o que realmente se passava no mundo. Dean tinha de concordar, era melhor assim.
Os passos arrastados de Sam diziam muito sobre o seu estado de espirito. O jovem homem tinha os olhos baixos fitando o chão e demonstrava não ter a minima pressa em entrar na sala indicada. O medico por sua vez parecia não querer deixa-lo entrar. No fundo, o mais novo Winchester sabia que o medico temia pela vida de seus pacientes, ele como uma das únicas pessoas naquele hospital que realmente tinha alguma pista- nem que seja pequena- que poderia apontar para o que realmente estava acontecendo ao seu redor não estava muito disposto a deixar a tranquilidade recem adquirida de seus pacientes ir por água abaixo por causa de um jovem que tinha fantasias de que fora traído. “Pelo amor de Deus!” Pensava o medico, “Existem pessoas que realmente são traídas por seus parceiros, traidas mais de uma vez e acabam por aceitar criar filhos dos outros... “ ele sabia que era muito cedo para afirmar qualquer coisa, mas o doutro de feições exaustas não estava disposto a deixar as únicas pessoas que, no presente momento, estavam empenhadas em prender a terrorista que explodira a cidade e matara criancinhas sucumbirem sem antes prender a desgraçada.
Infelizmente, para ele, era muito fácil entender as razoes por detrás da forma como o jovem (ele não sabia, será que os dois irmãos eram detetives?) estava agindo. Ele poderia ter pena do garoto de olhos verdes se a situação não fosse a mesma.
Eles finalmente alcançaram a entrada da sala onde a mulher loira estava. Aquele era o fim da linha tanto para o velho doutor quanto para o irmão mais calmo. Dean sabia que poderia entrar na sala junto a Sam, ele tinha todo o direito de faze-lo, afinal, Jessika também era da família, mas ele sabia que quanto mais pessoas ali menor seria a probabilidade de os dois namorados conseguirem expressar tudo o que sentiam. Por mais medo que o engenheiro estivesse sentindo naquele momento ele não poderia interferir. Ele precisava confiar em Sam para que ele tomasse a decisão certa em relação a todas as noticias que lhe foram dadas. Ele precisava ter fé em seu irmão e no amor que ele sentia por Jessika, pois, se algo saísse errado ali Ruby poderia ser vitoriosa. Dean já vira Sam dar as costas para tudo e todos no passado e não queria ver ele fazer isso de novo, não quando eles tinham um planeta para salvar.
Dando uma ultima olhada para seu irmão mais novo Dean Winchester se distanciou do quarto 707 e seguiu rumo ao quarto onde seu amante estava. Ele sabia que a sua conversa com Castiel também seria algo bastante doloroso. Felizmente ele tinha certeza de que nada nem ninguém poderia estar entre o amor que os dois sentiam um pelo outro. Aquela foi a ultima vez que ambos viram o medico, ao que parece, ele se demitiu cerca de dois meses depois.
Jessika estava sentada em seu leito, apoiada por em grande travesseiro. Ela realmente parecia uma mulher doente, todo o seu rosto pálido e o quase imperceptível tremor davam essa impressão a quem quer que a visse. Seus olhos estavam escondidos pelos seus cabelos loiros, mas Sam não precisava ve-los para saber que ela tinha chorado. Sua Jess sempre foi uma mulher que usa o coração em seu rosto. Não era difícil para nenhum estranho saber como a jovem estava se sentindo.
Naquele momento saber como sua amante se sentia sobre tudo o que lhe tinha acontecido parecia pior. Sam queria gritar, queria gritar com o desgraçado que tinha feito sua linda paquera sair da faculdade, queria gritar com a avó que estava para morrer e com Gabriel que tinha lhe dado uma nova vida naquela cidade. Ele queria mais do que qualquer outra coisa descontar cada pingo de sua raiva em qualquer um que tenha de certa forma ajudado o destino a chegar a isso. Ele até mesmo se culpava por não ter impedido que sua bela mulher fosse sequestrada.
As lagrimas estavam quase escorrendo de seus olhos, mas o jovem não deixou-as escapar. Ele tinha muito o que fazer ainda enao poderia mostrar que estava chorando, não agora e não para a mulher amada. Ele sabia muito bem que no momento que ea olhasse em seus olhos ela perceberia o que ele achava de toda a situação. Nenhum deles tinha mentido um para o outro e mesmo naquele momento doloroso Sam sabia que não mentiria. Era de partir seu coração, mas ele sabia exatamente que essa era a única reação que poderia traze-los de volta um para o outro.
Naquele momento o Winchester mais novo teve quase certeza de que Ruby tinha ganhado o jogo. A única coisa que o impediu de declarar a vitoria a ela foi a pequena voz de seu irmão em sua cabeça.
O pequeno Dean que habitava a mente de Sam dizia-lhe para parar de ser um idiota. Ele não tinha o direito de se dar por vencido nem mesmo depois do que tinha acontecido. Ora, Dean também teve seu namorado estuprado, teve suas crianças ameaçadas e traumatizadas e ainda estava lutando. Quem era ele para agir como um perdedor? Por mais vergonha que tivesse de suas açoes Sam não conseguia impedi-las. Ele estava completamente envolvido pelo medo de ter de lidar com tudo isso. Sua mulher estava gravida de outro homem, um homem inocente, e ele não poderia jamais esquecer disso.
As mãos dele tremiam durante todos os incontáveis minutos que passou em silencio perto do umbral da porta. Ele estava com muita coisa na cabeça e tinha medo de dar um passo a diante. Ele tinha medo de que todos os seus pensamentos pudessem fazer com que ele reagisse de maneira inadequada.
Era como se ele tivesse virado uma estatua. Seu corpo estava completamente anestesiado por tudo o que tinha ouvido da boca do medico. A única coisa que ainda conseguia fazer era olhar sua amada, de fato, seu campo visual nunca se alterava de modo a deixa-la sempre em sua vista. Ela era a mais bela de todas as mulheres que ele tinha conhecido e agora...
–Sam...
O sussurro percorreu o pequeno quarto de hospital chegando claro e cristalino ao lugar de destino. Por um momento o jovem se assustou com o olhar intenso que ela estava destinando a ele, mas depois tudo o que conseguiu pensar foi em não se mexer. Talvez se ele fingisse que nada tinha acontecido as coisas seriam melhor?
Jessika não queria nada disso. Não havia como fingir que nada tinha acontecido, não havia nenhuma maneira nesse mundo de ignorar o que foi feito e ela queria e precisava dizer isso a ele. Mais uma vez a mulher levantou seu olhar e fitou nos olhos da pessoa a quem ela mais ama nessa vida. Seu querido Sam parecia um cachorrinho perdido e ela não tinha duvidas que o rosto dele era um espelho a seu semblante. De forma determinada ela estendeu sua mão tremula para mostrar a ele que ela necessitava de sua proximidade. E eles ficaram assim por um bom tempo, a mulher não se atreveria a abaixar seu olhar antes que seu Sam chegasse perto dela.
Do outro lado da porta Sam Winchester estava quase que completamente petrificado. Mesmo assim a força do olhar da mulher não era algo que ele poderia ignorar. Ele amava tudo nela e aqueles olhos estavam implorando por sua presença. Não havia por que para desobedece-los.
Dessa forma o homem de olhos verdes conseguiu dar passos lentos, mais decididos em direção a sua amada. Ele até mesmo teve a força necessária para segurar nas mãos macias dela
Foi ai que as coisas começaram a desmoronar.
De um momento para o outro toda a aura de coragem da cuidadora se dissipou. A mulher de cabelos loiros e olhos pretos se desmanchou em lagrimas logo após a chegada de seu querido Sam. Ela não podia ser mais forte nem que a sua vida dependesse disso.
Ainda segurando as mãos dela. O homem de olhos verdes não sabia o que fazer.
Eles ficaram assim por um longo tempo.
–Sinto muito meu amor....
Eessas foram as palavras escolhidas para iniciar a conversa. Jessika sabia exatamento o que tinha para dizer e sabia o quanto tudo iria machuca-lo. O que ela não sabnia era que a decisão que já tomara faria um buraco em seu coração. Naquele momento era assim que ela estava se sentindo.
Mesmo com a surpresa da dor em sua alma a mulher não parou em suas trilhas. Ela conseguiu mais uma vez reunir a força necessária para encontrar os olhos de Sam e continuou seu monologo nunca tirando os olhos dos dele:
–Sinto muito meu amor- ela achou que deveria começar tudo do começo, a sua voz era fina como um lago congelado- eu não posso mais ser a sua Jessika.
Sam deixou que as palavras entrassem em sua mente. Por mais que ele soubesse que aquilo era uma das possibilidades de acontecimentos (inclusive ele próprio já tinha essa linha de discurso em mente) ouvir da boca dela doia, e muito.
Mesmo assim, ele deixou que ela continuasse. Aquele não era o seu momento. Aquele era o momento para que ela pudesse tirar tudo de seu peito para que talvez, e somente talvez, eles pudessem ter a chance de voltarem a ser um casal feliz. Sam sabia que se o seu irmão estivesse ali dentro de sua mente ele iria caça-lo por toda a eternidade. Dean jamais seria tao covarde como ele, Dean certamente teria a força para olhar nos olhos da pessoa que transou com a sua amada e que possivelmente é o pai do filho dela. Mais ele não era Dean, ele não era assim tao forte, não com esse tipo de coisa. Diferentemente do engenheiro Sam nunca tinha passado por uma experiencia amorosa tao intensa, ele nunca teve filhos e não sabia até onde o amor poderia ir. No momento tudo o que ele sabia era até onde o seu orgulho poderia ir, e ele não poderia andar tanto depois dessa marca. Para Sam não havia muitas possibilidades de conviver com a sua mulher gravida de outro e com o futuro pai dessa criança ao mesmo tempo. Desnecessário dizer que naquele momento ele havia ignorado completamente o que o medico disse, havia ignorado o fato de que Castiel era tao vitima de tudo o que tinha acontecido quanto Jessika. Tudo o que ele conseguia ver era a realidade do que tinha acontecido.
Alheia a tudo o que estava acontecendo, Jessika continuava seu monologo doloroso:
–Eu não posso mais ser a sua Jessika por que não sei se vou conseguir olhar para as pessoas da minha família nos olhos, não mais- ela parecia estar respirando com dificuldade, mais não havia como parar agora, ela tinha que terminar o que começou- Como poderei eu encarar os olhos de Dean? Ou os de Gabriel? Pelo amor de Deus! Eu transei com Cas. Eu não posso mais...- a barragem de lagrimas finalmente chegou a seu limite e os olhos delicados da moça começaram a ficar vermelhos de tanto choro- Eu não sei mais o que fazer, não posso mais continuar como se nada disso fosse uma ilusão. Tudo aconteceu de verdade, eu estou gravida de verdade e não tenho certeza de que esse bebe possa ser seu. A mulher começou a tremer violentamente e as maquinas que estavam ligadas a ela faziam muitos tipos de sons diferentes, mas tudo o que Sam conseguia se focar eram em suas palavras.
–Como posso eu, como eu posso continuar a cuidar de Jimmy? Eu não conseguia deixar de pensar, quando aquela louca nos fez... quando ela nos obrigou... eu não consegui parar de pensar na semelhança que os dois tem. Não consegui parar de pensar que na verdade eu estava seduzindo Jimmy e não Cas. A voz dela tinha sumido quase que completamente no ultimo trecho, mas ele finalmente tinha dito o que estava entalado em sua garganta.
Os médicos de jaleco branco tinham finalmente chegado ao local. O bip das maquinas era insuportável, mais para os dois amantes que ali estavam o mundo era vazio. Só existiam eles dois ali, um com a alma completamente quebrada na frente do outro. Sam não se atreveu a desviar seu olhar do dela. Ele sabia que se piscasse ela poderia sumir de sua frente. Haviam duas formas de lidar com tudo o que estava acontecendo a ele e essa era a hora de tomar um partido.
O advogado respirou fundo. Ele sabia que a qualquer instante os médicos poderiam retira-lo dali. Ele precisava ser rápido em sua decisão, pois aquilo não poderia ser feito depois. Com as mãos tremulas e o coração na boca ele comunicou a sua amada o que pensava acerca de tudo o que ela tinha dito. E nem por um minuto seus olhos olharam para outro ponto se não os olhos dela.
Ele ignorou completamente os instintos que lhe imploravam para ir por uma outra estrada... ele tinha que fazer isso, não pelo amor que tinha por aquela mulher, mas pelo seu orgulho que tinha sido ferido.
–Eu acho que você tem toda a razão. Não há mais como continuarmos como antes.
Os olhos da cuidadora se arregalaram. Nem em mil anos ela imaginou que ele fosse abrir a boca para dizer isso. Por mais que ela estivesse se sentindo impura, por mais que ela estivesse pensando em fugir dos olhos de Dean, Cas, Gabriel e Jimmy ela sabia que não poderia escapar, pois, sua vida toda estava ali. Jessia já tinha o discurso de Sam em mente e não era nada do que a realidade se mostrou. Para ele seu querido Sam iria dizer que tudo o que ela falou era bobagem e que eles tinham sim como continuar vivendo, não importam as consequências. Naquele momento a mulher tinha enxergado seu erro. Ela não poderia ter ela não poderia ter dito a Sam que desistiria dele, pois, aquilo não era a verdade, ela pode ter se sentido assim por um minuto, mas quando ele concordou com o que ela havia dito tudo desmoronou.
Jessika percebeu que não estava pronta para se desligar de Sam ou de sua família. A realização tinha lhe atropelado como um caminhão em um pedestre. E agora tudo parecia ser tarde demais. O homem que ela tanto amou, que ela um dia deseja se casar não era forte o suficiente para conviver com o fato de que ela pudesse estar gravida de outro.
Não era assim que ela imaginou que a conversa sairia.
A dor em seu peito tinha se tornado tao forte que a mulher começou a chorar incontrolavelmente. As maquinas faziam um barulho mais irritante agora e ela finalmente percebeu os médicos que a envolviam. A ultima coisa que ela se lembraria daquele dia eram os olhos tristes de Sam, a decepção que eles revelavam. Ela poderia se lembrar de ter sentido muita raiva daqueles olhos.
De maneira abrupta Jessika tinha desmaiado em seu leito de hospital. Talvez assim ela não teria de lidar com o fato de que o amor de sua vida tenha preferido seu orgulho a ela.
Ela não viu, no entanto, o mais novo Winchester chorar ao sair de sua proximidade. Talvez o próprio tenha percebido o tamanho da besteira que tinha acabado de fazer.
***
Em um local seguro e sombrio uma risada maligna poderia ser escutada por qualquer passante. Na fraca luz que reluzia na pequena telha de vidro da casa onde estava os cabelos dourados de uma mulher poderiam ser enxergados. Ela não era a única a estar ali, haviam mais dois tipos de vozes diferentes enquanto ela gargalhava.
Se os passantes pudessem ver o que aconteciam dentro da casa assustadora eles poderiam perceber que cada um dos três estava com uma taca de champanhe nas mãos. Ao que tudo indicava a risada que dava calafrios a todos os que por ali passavam era um roso de comemoração. Realmente existia um motivo muito importante para que aquelas tres pessoas estivessem ali juntas tomando champanha e esse motivo parecia que tinha animado todos eles.
Para os que estavam ali dentro da casa assombrosa uma pequena bola de cristal poderia ser vista exatamente embaixo da telha de vidro. Carregada pela luz do astro solar o instrumento de feitiçaria mostrava a todos eles o que estava acontecendo no hospital geral da capital do estado.
Os olhos da mulher pareciam estar mais brilhantes do que uma arvore de natal. Tinha sido uma otina coisa voltar para onde a bruxa tinha sido morta e roubar a bola de cristal da infeliz, o anjo não voltaria mais para lá pensando que ela já tinha se escondido em um outro buraco e as coisas certamente ficariam seguras para ela por mais algum tempo. Agora que seu plano estava caminhando de acordo com o que ela esperava só faltava mais um golpe para que a Terra fosse sua por completo.
Ela se levantou sedutoramente de onde estava sentada e caminhou na direção do homem de cabelos negros. Os olhos amarelados dele brilhavam maliciosamente.
–Bem meu querido Azazel. Você realmente fez um bom trabalho e eu lhe darei a sua recompensa como prometido.
O demônio sorria de orelha a orelha. Essa tinha sido a primeira vez que ele tinha feito um pedido daqueles a ela e não havia nenhum pingo de arrependimento em seu olhar. Seu premio era muito mais delicioso do que uma vodca e ele estava mais do que pronto para colocar suas mãos nele.
O outro homem da sala sorria maliciosamente. Ele sabia que Azazel pediria aquilo mais cedo ou mais tarde, com o passar dos anos as tarefas que sua putinha dava a ele eram cada vez maiores. Mais dessa vez ele merecia tudo o que iria ganhar, ele realmente tinha feito um trabalho sem igual ao contratar a pessoa certa que poderia dar cabo a Jimy e a Sam de uma vez por todas. O sorriso dele se alargou ao ver sua mulher voltar com o premio para o escravo.
Arrastada pelas mãos fortes da mulher loira havia uma outra mulher de aparencia muito mais frágil e de corpo esbelto. Haviam varias restrições impedindo que ela fugisse desse abatedouro e a única coisa que poderia fazer era olhar com terror para as pessoas que a tinham capturado. Ainda era difícil para ela descobrir como tinha entrado nessa armadilha, pois tudo o que se lembrava era ter acordado naquela manha e se arrumado para o trabalho... agora ela estava nas mãos de tres pessoas que ela sabia que não lhe fariam bem algum, principalmente o homem de olhos amarelos que olhava para ela com fome.
A jovem garota queria fugir mais não havia nenhuma possibilidade, não quando a outra mulher lhe agarrava pelos cabelos e tinha uma arma calibre 44 apontada para seu estomago.
–Bon apettite.
Foi tudo o que Ruby disse antes de jogar a mulher para os pes de Azazel. Seu cachorro merecia esse agrado, ele realmente tinha lhe feito um grande favor.
Azazel colocou suas mãos grandes e gordurosas em cima da pequena mulher d escabelos pretos. Ela era exatamente o que ele esperava, uma mulher francesa, pequena e magra que ainda por cima tinha os olhos raros de cor roxa. Seu pênis não poderia mais aguentar, ele tinha que fazer uso do seu premio agora.
Antes de sair do comodo principal de sua própria casa o demônio de olhos amarelos cumprimentou sua rainha vermelha:
–Muito obrigado senhora. Isso realmente é melhor do que qualquer bebida alcoílica que existe nesse mundo.
Ruby respondeu a seu criado com um sorriso em seus lábios.
–Se você manter sua competência para as próximas atividades que lhe pedir receberá muito mais do que uma mulher para foder. Isso eu lhe garanto.
O sorriso faminto do homem já mostrava sua devoção. Ele faria de tudo para sua rainha, assim ele teria as mulheres mais bonitas para brincar.
Sem mais nenhuma troca de palavras ele entrou em seu quarto.
Não demorou muito para que o som dos gritos fosse ouvido pelos outros dois companheiros. Definitivamente aquilo não os assustava.
Ruby sorria seu sorriso mais confiante enquanto tirava sua roupa na frente de seu companheiro.
E os dois fizeram sexo ecoando seus gritos d eprazer aos gritos assustados da jovem enfermeira de olhos violeta.
Ninguém poderia salva-la.
***
Dean Winchester, o engenheiro mecânico de olhos verdes, finalmente tinha entrado no quarto de hospital em que estava seu amado. A distancia ele poderia ver a silhueta do homem a quem amava mais que tudo nesse mundo e ele poderia dizer que esse homem estava bem ciente de sua presença.
Antes mesmo que a razao tomasse conta de seu corpo, antes que ele pudesse pensar um pouco mais acerca do que poderia fazer ele se apressou em direçao ao leito e ao homem que ali estava. Os olhos azuis cegos de Castiel por um breve momento olharam exatamente para os seus e isso deu a ele a energia suficiente para fazer o que ele tinha vindo fazer.
Sem nem ao menos dar uma dica para o outro Dean o beijou profundamente nos lábios. Era um beijo apaixonado que mostrava o quanto ele se importava com o professor. Suas línguas se encontravam e de cada uma das almas um enorme calor de ternura era produzido. Naquele momento os dois eram apenas um.
Eles ficaram ali por um tempo, desfrutando de vários beijos apaixonados até o momento em que Castiel quebrou a magica. Com suas inseguranças ele se abastou de Dean e começou a chorar. Dean, por sua vez sentou-se na cama de hospital onde estava Cas e deixou que ele chorasse o quando seu coração precisava para poder começar o que ele sabia que deveria ser falado.
Naquele momento nada mais era importante senão o amor dos dois.
Quando o professor de historia parou de chorar Dean limpou suas lagrimas e deixou que ele o usasse como um travesseiro. Ele não sabia, mais estava um pouco nervoso. Ele sabia exatamente o que deveria dizer, mas não sabia se Cas iria ter o mesmo pensamento do que ele. Bem, só existia uma maneira de descobrir.
Quando Castiel finalmente se acalmou Dean iniciou seu discurso:
–Cas, eu sei o que aquela mulher mandou vocês fazerem. O ar parecia se condensar a medida que ele ia falando, Castiel parecia congelar em suas palavras, bastante temeroso do que poderia vir. Dean no entanto não deixou espaço para que o outro homem o interrompesse- E não, eu não me importo a minima com o que aconteceu.
Foi nesse momento que Castiel percebeu que os médicos lhe deram algum remédio do tipo calmante, pois, se ele estivesse ali sem nenhuma ajuda de medicações ele não aguentaria a emoção de tudo.
Ele estava muito feliz e aliviado, mesmo assim era seu dever falar alguma coisa:
–Mas Dean, nos, nos... nos tivemos que transar, duas vezes... eu...eu...eu ela esta gravida.
Dean sabia que aquele assunto ia chegar mais cedo ou mais tarde. Ele não se assustou. Tudo o que aconteceu não poderia ser ignorado, mais ele não agiria como se aquilo fosse o fim do mundo. Não ele não perderia o amor de sua vida por causa dos jogos de uma mente insana. Ele preferia morrer!
–E dai? Eu também nunca fui virgem. Antes de chegar a você eu era um mulherengo daqueles que pegava todas as mulheres que estavam assim de !sair de casa! E alguns homens também... eu fui casado antes de te conhecer e tive dois filhos desse casamento. Depois de tudo isso eu não tenho nada o que falar sobre o que aconteceu entre você e Jess, a não ser que foi algo realmente desprestigiável que aquela mulher fez. Mas pensando por outro lado vocês poderia ter transado antes de nos conhecermos, você nunca me disse que era virgem ou que eu fui seu primeiro. O que há de errado com isso? Ele falava em um fluxo constante e verdadeiro. Cas não precisava olhar em seus olhos para saber que Dean dizia a verdade em cada sentença. Seu coração se encheu de orgulho.
–Eu sei que a situação em que vocês se meteram é um absurdo, que você vai sofrer e está sofrendo com o que aconteceu. Existe até a possibilidade de vocês ficarem traumatizados, mais e dai? Nos passaremos por cima disso tudo juntos e não importa se você e Jessika tiveram um filho juntos, nos vamos amar o moleque ou moleca como você amou os meus filhos. Tudo isso Cas, por que eu te ama e não existira algo mais forte do que esse sentimento.
Dean tinha dito tudo o que ele queria dizer. Seu coração estava galopando como um cavalo vencedor e ele sentia uma paz de espirito tremenda. Ele tinha conseguido finalmente falar tudo o que estava entalado em sua garganta.
Eles ficaram em silencio por um longo tempo. Castiel estava chorando mais uma vez, só que agora era de felicidade. A mais pura felicidade. Ele realmente tirou a sorte grande quando encontrou aquele homem tao especial.
–Não vai me dizer nada? Eu aqui abrindo o meu coração e você ai calado que nem pedra?
O professor de historia não poderia mais conter o sorriso. Somente Dean para quebrar um silencio em um momento tao importante. Mais ele era grato, muito grato por te-lo em sua vida.
Castiel não respondeu a Dean com palavras. Ele o beijou como se não houvesse mais amanha. Por mais assustador que o futuro pudesse ser os dois sabiam que se estivessem juntos nada poderia destruir o amor que haviam criado. Pois o amor, e somente ele é a força capaz de vencer a guerra que tinha chegado em seu planeta.
Foi naquela noite, naquele quarto de hospital com cheiro de amônia que os dois fizeram amor pela primeira vez. Seus corpos viraram um só enquanto eles gemiam de praser a faziam caricias um no corpo do outro. Dean foi sempre muito gentil ao tocar seu amado, ele sabia que qualquer movimento mais ousado poderia transporta-lo para lugares obscuros. Mais felizmente nada disso tinha acontecido. Castiel tinha participado alerta durante todos os momentos, tinha doado seu corpo, sua mente e sua alma para aquele homem que no momento estava em cima dele beijando-lhe com toda a ternura. Naquele momento tudo o que ambos pensaram era que não havia nenhum lugar melhor para estar senão ali. Mais tarde eles teriam de voltar para a realidade, para a guerra que ainda estava longe de terminar, mas agora. Agora eles estavam bastante concentrados em sentir o gosto um do outro em tocar-se mutualmente e em sentir os prazeres do orgasmo.
Os dois sentiram o prazer ao mesmo tempo, de uma forma que nunca foram capazes de sentir com nenhuma outra pessoa. Foi então que eles realizaram que eram nada mais nada menos do que duas almas gêmeas que tinham finalmente se reencontrado.
Não havia lugar melhor do que ali.
Quando o prazer terminou ambos dormiram com um sorriso de satisfação em seus lábios. Eles eram feitos um para o outro e ninguém jamais poderia apagar esse fato.
Eles ainda tinham muito o que fazer. Mais desfrutaram de seu momento juntos como se mais nada importasse. Um dia eles fariam a mulher que os tinha machucado pagar pelas suas acoes, mas naquela noite eles eram um só e permaneceriam assim por muito tempo até que os primeiros raios de sol voltassem a brilha na cidade de São Francisco.
Mal sabiam eles que não muito longe dali um policial e seu grupo estava pronto para fazer a sua nova jogada. A maça da sabedoria tinha finalmente sido substituida e o plano que eles criaram poderia prosseguir assim que todos se reencontrassem na casa do anjo.
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