When You Have A Killer In Your Tail

23 Quando a batalha começa parte dois


Notas iniciais
Eu não vou falar nada para nao ser apedrejada. Um ano sem escrever! Aproveitem!

“I'm not the same as yesterday
Ooh...It's hard to explain
How things have changed
But I'm not the same as before
And I know there's so much more ahead
I can barely believe that I'm here
And I won't surrender quietly
Step up and watch me go (...)“

E for Extinction– Thousand foot Krutch

Dean Winchester estrava tremendo, seu coração acelerava como se ele estivesse prestes a pular de para-quedas sem nenhum instrutor junto a si. Suas mãos tremulas eram escondidas dentro de seus bolsos laterais. Para um observador desatento, ele apenas parecia ser um passante que estava um pouco assustado com o caos que a bela cidade litorânea tinha se tornado, mas, dentro de seu âmago o engenheiro poderia sentir a corrente do medo apertar seu pescoço.

“Dessa vez, ou vai ou, racha”. Esse era o seu pensamento durante todos os minutos em que ele passava de um lado a outro do pier. Seus olhos verdes poderiam ver claramente o mar dançando indiferente a tudo o que estava prestes a ser definido. Ele não pode conter um suspiro, de fato, tudo estava prestes a ser definido naquela noite.

Definitivamente, ele não era mais o homem que fora outrora. De um simples engenheiro mecânico ele passou a ser um homem que tinha um grande papel na historia da humanidade, um pai das crianças descendentes de guardiões sagrados e, como se nada ainda bastasse, o único que tinha que encontrar-se cara a cara com o mal.

Aquela seria a segunda vez que ele conversaria com as forças inimigas. Mas, diferente do seu ultimo encontro, Dean sabia que dessa vez eles tinham um trunfo na manga.

Dessa vez era a hora de eles fazerem um belo movimento nesse tabuleiro de xadrez.

***

Na noite seguinte ao resgate de Castiel todos os amigos se juntaram no que, recentemente, tinha sido denominado como o seu quartel general. Ali, estavam todos os não tão ingênuos, ou, como Eva tinha os chamado, aqueles que sabiam que aquela cidade era o palco para o grande batalha do apocalipse.

Pela primeira vez, cada um deles sentiu em suas almas o peso do que realmente estava acontecendo. Trazidas pelo aparelho de TV, as noticias dos EUA e do mundo tinham chegado como uma bomba para todos os presentes. Aquela tinha sido a primeira vez que todos eles perceberam que o mundo estava mais louco do que costumava ser.

Charlie tinha levado suas mãos à boca quando viu uma noticia no canal da Espanha: Grandes cidades daquele pais tinham entrado em colapso devido a acoes terroristas. Como se aquilo não bastasse, os repórteres estavam falando freneticamente entre si e mostrando uma peça de xadrez, uma rainha! Nenhum dos presentes entendia uma única palavra de espanhol, mas eles tinham certeza de que a discussão girava em torno dessa peça que, eles conseguiam deduzir, tinha sido encontrada perto da cena de crime.

Ainda atordoada, a mulher começou a mudar os canais. A cada click ela percebia que o mundo estava mais e mais parecido com a sua amada cidade. As noticias continuavam a girar em torno de grandes ataques terroristas e cidades de países desenvolvidos como o Japão, Canadá, Alemanha, Iraque, Holanda e Russia mais pareciam campos de batalha. Quando a mulher mudou para um canal inglês, ela pode ouvir claramente que os repórteres estavam falando acerca de uma possível ação extremista que estivesse trabalhando em vários locais do mundo para criar esse grande caos. O que nenhum dos repórteres sabia, no entanto, era que o buraco era ainda mais embaixo. Aquilo não era apenas um lunático fundamentalista que estava com bombas e cúmplices em vários países do mundo, aquilo era uma guerra entre o céu e o inferno.

Naquele momento, os judeus tinham começado a rezar. Aquilo parecia uma boa coisa para se fazer.

Foi exatamente naquele momento que a mulher desligou a televisão. Eles não poderiam pensar no mundo todo naquele momento. Pensar no mundo os faria lembrar o tamanho de suas responsabilidades. Para todos os presentes, um seleto numero de policiais, crianças e civis, saber que uma única mulher tinha começado com tudo isso era devastador. Eles precisavam da falsa ilusão de que na realidade tudo não passava apenas de uma caça a uma assassina serial.

Infelizmente a assassina em questão era a única a trazer a grande guerra para aquele mundo.

Todos os presentes ficaram em um estado solene durante uma longa quantidade de minutos. Naquele momento Dean poderia ver que a sua expressão de pesar sob os ombros não parecia ser a pior. Ele não tinha certeza quais eram os sentimentos que lhe mobilizavam ao notar aquilo.

A única coisa que ele sabia era que ele não iria desistir, não facilmente.

Dean tinha certeza de que todos os demais pensavam da mesma forma.

Foi exatamente ali, na casa abandonada do bairro chines- na qual ninguém tinha a minima ideia de onde tinha ido o dono- que Gabriel recebeu uma ligação importante.

A pessoa que estava na outra linha era ninguém menos e ninguém mais que Bartolomeu. O taxista que já tinha namorado Castiel há anos atras, e que surpreendentemente parecia estar muito mais envolvido em tudo o que estava acontecendo do que ele deixava transparecer, tinha arranjado o numero privado do capitão de policia. Antes mesmo que o homem pudesse falar, Gabriel colocou a conversa no alto falante para que todos pudessem ouvir.

Quando a voz do taxista bateu nos ouvidos de Dean o engenheiro sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Olhando para o seu lado ele poderia ver que Sam e Rebeka tiveram a mesma reação. Certamente, nenhum deles confiava naquele homem mais do que confiavam nas palavras de Ruby, porem, ao dizer claramente que não estava trabalhando para ele e nem para ninguém que eles conhecessem o homem conseguiu ganhar um pouco mais de credibilidade.

–Relaxem guerreiros da paz- aquele nome não parecia nem um pouco heroico nos ouvidos de Chuck, a única coisa que ele conseguia pensar era que ele não usaria esse nome e4m seus livros...- Noa trabalho para a mulher e nem para seus anjinhos delicados. A única coisa que tenho para fazer nesse mundo e garantir que eu não morra junto a destruição dele. O tenente da policia começou a limpar seus óculos na camisa surrada que estava vestindo, nada do que aquele homem dizia o confortava. A impressão que ficava em sua mente de profeta era que ele trabalhava para alguém, mesmo que não fosse nenhuma das entidades que estivessem diretamente ligadas nessa guerra. Ele parecia saber demais, e isso o causava náusea. Quem ele poderia ser de verdade? Antes que o tenente entrasse em um verdadeiro ataque de ansiedade, suas mãos foram agarradas pelas mazinhas de Lisa Winchester. A menina de olhos verdes parecia querer acalma-lo de alguma forma, seus lábios sussurravam silenciosamente algo para ele, mas demorou para que o tenente compreendesse o que ela queria dizer talvez, se ele tivesse entendido isso antes sua ansiedade poderia ser melhor controlada, no entanto, o tenente só compreendeu o que a menina estava lhe dizendo depois de muito tempo.

–Vamos deixar de conversa fiada. Por que você está nos ligando? As vozes de Sam e Gabriel se misturaram na mesma frase proferida no mesmo momento. Nenhum deles estava para brincadeiras e se aquele homem não tivesse nada que realmente os pudesse ajudar eles estariam mais do que contentes em desligar aquele telefone ali mesmo. Os olhos dourados de Gabriel estavam brancos e impassíveis, não mostrando seus verdadeiros sentimentos, mas, o que se passava pela sua mente naquele momento era uma pergunta: “Como diabos ele deixou aquele homem namorar o seu irmão?” se ele soubesse que aquele taxista um dia poderia ser o detentor de segredos milenares ele jamais permitiria a presença dele em sua casa. Por causa a intimidade que os dois tiveram no passado, Gabriel tinha certeza que, Bartolomeu poderia usar um ou dois truques em cima dele e se safar. Era logico que ele poderia dizer que o policial na outra linha era uma pessoa que se importava mais com sua própria família do que com o mundo todo. Era exatamente a família que iria dar ao taxista a carta branca para manipula-los.

No outro lado de Gabriel, Sam não estava com um semblante calmo, sua expressão de poucos amigos mostrava claramente que ele não deixaria que nenhum joguete atrapalhasse sua vingança. Seu objetivo, naquele momento, era diferente do que tinha sido desde o começo de sua jornada. Agora, ele estava com sede de sangue, sangue da mulher que tinha feito sua amada sofrer. O mais novo Winchester tinha jurado para si mesmo que a mulher loira iria pagar, ela pagaria por ter colocado em sua amada um bebê que ele tinha certeza que não era seu.

O pequeno Daniel se encolheu no sofá onde estava, ele não estava gostando de nada do que ele estava sentindo. Mesmo assim, o menino ficou em silencio. Não e3ra a hora para ele falar de seus sentimentos. Ele sabia, mais do que ninguém ali, que o taxista poderia ser muito útil para eles. Aquelas tinham sido as ultimas palavras que o anjo de cabelos de fogo tinha o dito: “Acredito no que Bartolomeu tem para dizer, ele não está trabalhando nem para o céu e nem para o inferno, mas ele sabe muito mais das coisas do que se imagina. Ele à foi um de nos.” O menino suspirou com a lembrança daquelas palavras. De fato, era melhor confiar em um ex anjo do que em demônios.

No outro lado da linha o homem limpou sua garganta:

–Hum hum. Segundo minhas informações, você conseguiram a adaga que corta o destino não é mesmo?

A adaga que corta o destino? Dean tinha certeza de que não foi assim que Jimmy se referiu a aquele arma sagrada. Todos os presentes levantaram uma sobrancelha ao ouvir a nova denominação da arma, mas, nenhum deles ousou perguntar uma única coisa.

Gabriel foi o único a falar:

–E se nos tivermos? O capitão não podia deixar de sentir uma onde de paranoia percorrer o seu corpo. Ser que era o correto contar tanta informação a aquela pessoa? Ao olhar para seu tenente e parceiro o homem de cabelos quase loiros pode ver que ele não estava limpando os óculos. Aquilo era um bom sinal. Se o profeta alcoólatra e medroso que eles tinham como companheiro não estava se sentindo ansioso eles poderiam ir adiante. Claro que a suposição que Gabriel tinha feito não era cem por cento segura, mas ele preferia confiar nos instintos do homem de olhos azuis do que em seus próprios. Ele também podia ver Lisa segurando as mãos do profeta na tentativa de acalmá-lo. Aquele sim era um bom sinal.

–Então nossa conversa fica mais rápida. Foi a resposta determinada do taxista- eu tenho certeza de que o guardião de vocês não caiu em coma sem deixar o irmãozinho policial dele com um plano B.

A conversa tinha imediatamente ganhado um tom diferente. Dean tinha certeza de que do outro lado da linha o taxista desgraçado estava sorrindo. Agora, a curiosidade do engenheiro tinha sido desperta. Aonde será que aquela conversa os levaria?

***

O ar frio da noite foi a única coisa que trouxe o engenheiro para a realidade. Não havia mais ninguém ali alem dele e, por um instante, o homem começou a pensar que todo o esforço que eles tinham feito seria em vão. Chuck tinha gastado cerca de duas horas em plena meditação para conseguir localiza-los e convence-los a aparecerem. Se ele continuasse a encarar o mar sozinho todo o esforço do tenente seria em vão. Mais do que nunca, eles precisavam de aliados.

O barulho de passos foi capitado pelas orelhas do engenheiro muito antes de passaram pela sua consciencial. De forma ágil, o homem virou-se para encarar aquele que tinha chegado.

Andando sobre as sombras do pier deserto Bartolomeu parecia um ser fantasma, apenas quando a pequena luz de um farol bateu por sobre sua forma Dean pode ver seus olhos. Eles brilhavam como os olhos de um gato no escuro.

O taxista vestia um terno preto que parecia muito mais caro do que o próprio taxi que ele dirigia. Sua postura era ereta e confiante e ele tinha um cigarro em sua boca. Pelo cheiro Dean tinha certeza de que era da marca Malboro.

Quando finalmente a distancia que os separava desapareceu o taxista deixou seu cigarro cair, no que parecia ser um gesto de respeito ao não fumante. Ele esboçou um sorriso amarelo que muito lembrava Azazel, mesmo assim, Dean não se deixou levar pelas semelhanças- afinal, Azazel pelo que ele sabia era um anjo que tinha caído em tentação- ele estava ali para continuar com o plano.

O primeiro a quebrar o silencio foi o convidado:

–Se você está aqui eu posso dizer que vocês aceitaram trabalhar comigo?

Dean deu de ombros. Aquela era a única coisa que eles podiam fazer. Em sua frente estava um homem que tinha sido um dos anjos do senhor e que agora trocou sua vida imortal pela possibilidade de viver naquele mundo. Assim como eles, ele não iria querer que intrusos destruíssem a vida que ele criou para si. Pelo menos era isso o que Dean acreditava.

Mais uma vez o taxista abriu seu sorriso amarelo.

–Pois bem, venha comigo.

E foi tudo o que ele disse antes de conduzir o engenheiro para o seu taxi.

***

Em um local sombrio, as sombras dançavam em um ritmo frenético. O vento uivava de forma sádica e as arvores tremiam de forma assustadas. Ali, era o esconderijo de uma pessoa que tinha a beleza de um anjo, mas os sentimentos escurecidos de um demônio.

Ruby Evans estava sentada em um sofá ao lado de seu fiel cúmplice. O homem de sorriso amarelo parecia estar bastante satisfeito com o presente que tinha ganhado e agora exibia um ar de contentamento que apenas um amante do caos poderia exibir. Ambos, acompanhavam as noticias do mundo e viam com prazer que os aliados que tinham conseguido juntar estavam mais do que felizes em ajudar sua causa, mesmo que nenhum deles soubesse que eles queriam destruir o mundo, e não apenas algumas cidades.

O riso cruel da mulher era alto e histérico. Ele poderia se escutado por toda a casa e, principalmente, pela enfermeira de olhos roxos que estava ali como uma escrava sexual de um homem imundo. A mulher em questão tremia descontroladamente ao ouvir cada uma das palavras que saiam da boca daquela a quem lhe sequestrara. Nunca em sua vida tinha sentido tanto medo. Todo o seu corpo doía devido ao abuso que tinha sofrido, suas coxas não aguentavam de dor e pareciam queimar, sua mente- a única coisa que ainda lhe restava e que ainda poderia dizer que estava intacta- viajava a milhares de quilômetros, juntando os pedaços de tudo o que lhe tinha acontecido e de tudo o que ela sabia que estava para acontecer. Mais do que uma assassina serial, a mulher que a tinha sequestrado era uma emissária das trevas. Ela tinha feito em menos de um ano uma revolução na ordem do mundo e agora o jogo estava em sua parte mais critica. A enfermeira não poderia acreditar que ela tinha sido escolhida para habitar o covil dos demônios, justo ela, que jamais acreditara em nada em sua vida alem das próprias pessoas! De uma forma estranha, ela sabia que o dia que tinha mudado a sua vida, o dia que tinha encontrado o capitão de policia lhe tinha deixado marcas estranhas. Definitivamente, o homem que ela tinha tratado na ala psiquiátrica do hospital geral era a ultima esperança da Terra. Quem diria!? Ela continuava a ouvir os risos soberbos da mulher e de seu abusador e não conseguia deixar de se sentir enjoada. Era assim que sua vida terminaria? Era assim que sua carreira de enfermeira acabaria? Ela iria morrer sob as consequências do abuso sexual em um mundo que estava prestes a ser destruído por demônios? As lagrimas desciam pelos seus olhos de ametista e ela não pode deixar de pensar em como ela tinha desperdiçado a sua vida. Em seus quarenta anos não tinha dado importância ao amor e nem procurado por Deus, as únicas coisas que ela fazia era trabalhar. Enquanto ouvia os planos macabros da mulher loira a enfermeira prometeu naquela noite que se um dia ela sobrevivesse a essa guerra ela iria mudar de vida, mesmo não se imaginando como uma freira, a mulher tinha certeza de que pelo menos ela poderia encontrar o amor e ter filhos. Pelo menos, aquilo seria melhor do que passar a vida dentro de um hospital.

Ainda tremendo, a enfermeira esforçou-se para continuar escutando a voz da mulher. Ela sabia que uma conversa muito importante tinha se iniciado.

–Hum...- suspirou a mulher de cabelos loiros contente, sua voz era como o veludo e seus olhos brilhavam com determinação férrea- É delicioso ouvir essa sinfonia que vem do caos. O sorriso dela estava maior do que o do gato de Alice e ela tinha um brilho maliciosos em seus olhos, na mao direita ela segurava uma taça de champanhe- o que você me diz Azazel?

O demonico que estava sentado ao lado de sua mestra tinha uma expressao de puro prazer, nem mesmo o orgasmo que teve durante as noites que passou com a enfermeira eram mais prazerosos do que aquilo. Em suas veias o prazer de ver o mundo acabar em um grande inferno era o que fazia seu sangue circular. Ele vivia para isso e estava grato por ter tido a oportunidade de trabalhar com uma mulher tão inteligente quanto aquela. Mesmo que ele soubesse que a vadia já tinha dono ele não poderia deixar de pensar obscenamente em sua abelha rainha. Como ele gostaria de poder provar aquelas coxas!

–Eu acho- ele começou sem nem ao menos hesitar, pelo canto do olho ele poderia ver que o outro homem tinha entrado na casa- agora nos armamos algo que o Winchester não vai conseguir se livrar. Da ultima vez ele deixou muito claro como ele se importa com o mundo e as crianças que a senhora havia matado. Ele deve estar apavorado.

O outro homem, aquele que tinha uma energia mais pesado do que o próprio demônio gargalhou ao escutar aquilo. Em um instante, ele sentou-se ao lado de sua mulher no sofá e a agarrou em um abraço. Ele não parecia alguém que tinha acabado de voltar de uma negociação com terroristas e em seu sorriso qualquer cego poderia ver a ausência de sentimentos. Ele era, em sua mais profunda excelência, uma pessoa maligna.

–Bravo! Nosso Azazel finalmente criou neurônios- disse ele em um tom que parecia o de um professor do primário falando com uma criança particularmente lenta- e esse é a verdadeira face daqueles que trabalham do lado da luz. Sua fraqueza está em sua própria bondade. O Winchester, assim como aquele Novak não são capazes de pensar em si mesmos, eles sempre tem o instinto de proteger aqueles que amam e aquela coisa que vocês chamam de “o bem maior”.

Ruby, por mais feliz que ela estivesse, não estava nem um pouco a fim de ouvir aquele papo pedagógico. Em um movimento sedutor, ela sentou-se no colo de seu amado e começou a beija-lo ardentemente. Finalmente ela estava com o jogo ganho. Agora era a hora de todo o seu esforço ser recompensado.

Estava na hora de dar o próximo passo.

“Agora só falta mais uma ligação e tudo estará ganho” ela pensou enquanto despia-se para comemorar a destruição.

Do outro lado do sofá o homem de olhos amarelos suspirou. Era a hora de deixar aqueles dois sozinhos. Levantando-se ele cantarolou:

–Enfermeira...

No outro lado da casa a mulher de olhos de ametista começou a tremer descontroladamente. Ela preferia estar no meio do bombardeio do que ali.

Não demorou muito para que o homem a encontrasse mais uma vez. A tortura iria começar.

***

Jo mais uma vez não sabia o que fazer com os seus próprios sentimentos. Mesmo querendo desesperadamente ajudar o seu capitão ela não conseguia sair dali. Aquele quarto de hospital, com as cadeiras mais desconfortáveis da historia, parecia ser o

único lugar que ela deveria estar. Toda a sua força como uma policial, uma boa atiradora parecia recarregar apenas por estar ali. Seus olhos marejados não deixavam de olhar a figura palida que estava por sobre o leito de hospital e ela não era capaz de esconder mais os seus verdadeiros sentimentos. Definitivamente, ela, Johanna Harville estava total e irrevogavelmente apaixonada por aquele homem. Seu coração batia em seu peito toda a vez que ela tentava toca-lo. Como ela queria sentir o calor daquela criatura, como ela queria ser a única a quem ele chamasse de Jo... de onde aqueles sentimentos tinham vindo? Tudo o que a mulher sabia era que, mais do que nunca, ela não poderia falar sobre eles em voz alta. Deitado em sua frente estava o homem pelo qual ela tinha se apaixonado, um homem que estava em coma.

A mulher não deixava de sentir vergonha de seus próprio sentimentos. Como ela, justo ela uma policial, poderia se apaixonar por uma criatura tao pura como ele? Jo não acreditava que merecia ter seus sentimentos correspondidos. O máximo que ela poderia fazer era lutar ao lado daqueles que confiavam nela como uma aliada, ela não os deixaria cair. Mesmo se sentindo solitária por não poder contar tudo o que realmente estava acontecendo para os demais policiais ou até mesmo para a sua mãe, ela sabia que iria continuar com o seu objetivo. Ela queria, mais do que tudo, fazer como que o mundo pudesse ser um lugar pacifico, no qual seu amado pintor pudesse viver sorrindo sem se preocupar com as coisas sombrias que pairavam por suas cabeças. Mesmo que o amor que ela descobriu por Jimmy não fosse correspondido, a mulher iria trabalhar para fazer do mundo um lugar melhor. Um lugar onde o anjo de olhos azuis pudesse pintar seus quadros com o seu sorriso mais doce em seu rosto.

Ela olhou mais uma vez para o relógio. Eram quatro horas da manhã. Logo logo, Dean estaria de volta em seu quartel general e ela teria de voltar para lá.

Olhando mais uma vez para Jimmy, ela estendeu sua mão para toca-lo pelo que parecia ser a milionésima vez. Mesmo assim, seus dedos delicados não ousaram encostar no rosto do pintor. Era quase como se ela estivesse com medo de desperta-lo.

De uma certa forma, a mulher em questão preferia que o homem permanecesse assim, pelo menos pelo resto daquela batalha. Ela não queria que os segredos guardados na mente pueril de Jimmy o levassem a ser mais uma vez o alvo da fúria de Ruby. Se havia uma coisa que Jo queria, era fazer aquela mulher pagar por tudo o que ela fez para o seu Jimmy. Por causa dos acontecimentos daquele ultimo ano o pintor tinha sido sequestrado, torturado, levado uma concussão, ficado cheio de escaras, atacado por uma bruxa e , por fim, entrado em coma. Ela estaria sendo uma péssima policial se deixasse que mais alguma coisa acontecesse a ele. Ela não deixaria mais nada de ruim encostar em seu amado. Por fim das contas, ele era o seu Jimmy.

“Meu Jimmy” ela pensou... de uma certa forma aquilo não parecia ser muito estranho. De fato, ela já tinha visto coisa muito pior nessa vida, muito, muito pior.

Quando o calor aqueceu todo o seu corpo a mulher resolveu se levantar. Estava na hora de saber exatamente qual tinha sido o resultado da conversa entre Dean e o taxista.

Ao voltar para o quartel general Jo não esperava encontrar o local completamente em silencio. As crianças que até um pouco antes de ela sair para visitar Jimmy não pareciam demonstrar o menor sinal de sono agora estava deitadas no sofá vermelho do anjo. Por um minuto a mulher pensou que mais, uma vez, Ruby tinha conseguido enfeitiça-los e diminuir o seu numero de aliados. Foi um alivio para ela encontrar seu sargento ali sentado em uma das poltronas.

O homem mais parecia um cão de caça. Seus olhos eram afiados como uma lamina e ele tinha naos mãos sua arma diretamente apontada para ela.

–Olá Jo. Alguma noticia de Jimmy? O policial abaixou a arma assim que a viu saltar em alerta. Ela deveria estar muito preocupada com as crianças para não ter percebido que ele tinha uma arma apontada para ela desde o começo.

A jovem se sentou na outra poltrona e deu de ombros. Ela não respondeu a pergunta de seu superior imediatamente.

–Ele não vai acordar nem tao cedo, pelo menos isso é o que os médicos dizem. Tmbem passei para ver Jess e Cas, eles não vao receber alta agora, mas estao muito melhor, pelo menos fisicamente... A voz dela parecia vir de longe, de um outro mundo. O sargento Rufus conseguia compreender como ela se sentia. Justo na primeira vez que a sua pupila tinha encontrado o amor ela precisava passar por tanta coisa. Parecia um pouco irônico, todos eles, que trabalhavam para a policia de São Francisco, sem exceção, já tinham encontrado o pintor uma ou duas vezes na vida. Ele era uma figura publica alem de ser o irmão do chefe. Tinha sido um choque para ele descobrir que a jovem policial tinha se apaixonado por uma pessoa assim... Rufus não era um policial do tipo sujo ou que julgava os outros por seus próprios princípios morais, ele bem sabia que a menina era a única mulher (talvez não a única, ele tinha certeza de que Jessika poderia ficar em seu lugar) que se apaixonaria verdadeiramente por alguém tao incomum quanto Jimmy. Ele desejava tudo de bom para ambos, mesmo assim, não conseguia deixar de pensar no sofrimento da jovem. Justo agora, que ela finalmente tinha assumido seus sentimentos para com ele a merda tinha atingido o ventilador. O garoto estava em como e todos os trunfos que ele poderia lhes emprestar para vencer essa desgraça de guerra tinham sumido junto com ele. Ele não poderia deixar de pensar que aquele, mais do que todos, tinha sido o melhor movimento de Ruby. Para ultrapassar essa jogada eles deveriam ir com tudo.- Onde estão os outros?

Aquela pergunta tinha trazido o sargento de volta a realidade. Ele finalmente se lembrou o por que ele estava ali. Com tudo o que tinha acontecido ele se esquecera do que deveria fazer.

Ele suspirou:

–Dean voltou mas está dormindo, ele não queria começar a contar tudo o que o taxista falou sem você aqui. Assim vamos nos reunir de novo amanha a noite. Sam e o chefe voltaram para o hospital aproveitando o tempo livre e eu e Chuck temos que voltar para a estação. Os outros garotos ainda estão aqui. Charlie voltou para a casa dela porque o comissario a obrigou a trabalhar em segurança eletrônica de novo. Ele se levantou do sofá esfregando seus olhos e guardando a arma nas calças ao mesmo tempo- Bem, agora que você chegou eu posso tentar dormir. Essas crianças não fecharam os olhos até verem o pai delas entrar por essa porta.

O sargento pode ver o sorriso aparecer nos lábios de Jo. Finalmente! Ele sabia que se ele trouxesse algo familiar como a teimosia daqueles pirralhos para ela ela voltaria a sorrir. Naquele momento o policial estava mais do que satisfeito.

Ele não contaria a ela, não ainda, que quando o pai dos meninos tinha retornado ele não parecia estar com um semblante alegre.

“Uma coisa de cada vez” ele pensou.

Jo deixou que o sargento encontrasse alguma lugar mais ou menos confortável para dormir- que lugar era esse ela não sabia, haviam onze pessoas naquela casa- e retirou sua própria arma do colide. Ela vigiaria seus amigos enquanto pudesse.

Pelo resto da noite a mulher não deixou de pensar em um certo homem que estava em um leito do hospital geral.

***

Dean acordou um pouco atordoado, ele nem ao menos se lembrava de como tinha chegado ali. Seus olhos verdes ainda estavam fechados mesmo quando a sua consciência parecia querer expulsa-lo da cama. Deixando-se deitar por mais algusn minutos, o engenheiro não foi capaz de controlar o fluxo de pensamentos. Por mais que ele quisesse esquecer de tudo o que tinha conversado com aquele taxista desgraçado as memorias da noite anterior ainda estavam frescas em sua mente. A única coisa que lhe servia de consolo era saber que ele ainda tinha o resto do dia para pensar na melhor forma de comunicar a seu grupo tudo o que lhe fora confiado.

Esfregando os olhos, o homem finalmente criou coragem para sair da cama.

Foi apenas quando acordou por completo que ele percebeu os dois pequenos embrulhos que estavam aninhados a si. Com um sorriso ele colocou seus filhos em uma posição mais confortável na cama onde estava e os deixou dormir mais um pouco. Ele bem sabia que tanto Danny quanto Lisa não tinham dormido bem na noite anterior, logo que ele entrou na casa que estava sendo sua base de operações eus filhos gritaram seu nome e exigiram a sua presença. Era nesses momentos que o Winchester mais velho se lembrava de que por mais importante que possa ser o papel daqueles dois meninos nessa guerra, Daniel e Melissa não passavam de duas crianças de oito anos de idade.

Era engraçado se lembrar de tudo o que ele tinha feito para fazer seus gêmeos dormirem, mas, ao mesmo tempo, não ter nenhuma lembrança de como ele tinha chegado naquela cama. Ele até mesmo tinha certeza de que os dois tinham dormido no sofá...

Dean esfregou o rosto, não era hora para ficar ali especulando coisas desnecessárias. Ele precisava se preprara para o confronto que ele sabia que viria. As palavras do taxista ainda dançavam na sua cabeça e ele não sabia como exatamente ele iria conseguir dar forma ao planos que ambos tinham traçado sem levantar suspeitas. Um erro, apenas um erro e tudo iria por agua a baixo. O pior de tudo era saber que o homem era mais pessimista do que o profeta. Ter conhecido Chuck já era uma coisa que assusta uma pessoa pelo resto da vida, mas conhecer alguém pior do que ele era um assombro. Assombro maior era saber que mesmo pessimista o outro tinha muita razao em suas palavras.

Um pequeno trecho da conversa ainda poderia ser ecoado em seus ouvidos. Dean não queria se lembrar daquela parte naquele momento, infelizmente seu cérebro não iria ser obediente dessa vez.

As palavras de bartolomeu pareciam um mantra:

“–Acho que vocês vão ter de desistir do único trunfo que tem para vencer essa guerra.”

Por mais que Dean soubesse que o engenheiro estava certo, ele sabia também que seria quase impossível fazer com que todos os presentes concordassem com ele. Todos tinham chegado muito longe para obter uma vantagem, e desistir dela agora parecia um absurdo.

***

A noite tinha chegado sem nenhuma misericórdia para o engenheiro. As oito horas todos os membros do então não-tão autoproclamado time livre arbítrio (quem tinha escolhido esse nome ninguém sabia. A única coisa que Dean tinha certeza era que se um dia eles sobrevivessem a tudo Chuck usaria esse nome em seus livros para falar deles) tinham se reunido na casa do anjo sumido.

O engenheiro poderia ver cada um dos seus amigos claramente agora. A seu lado direito Gabriel estava com um pirulito nos lábios e seus velhos óculos escuros. O capitão da policia parecia ter recuperado a chama de liderança que pairava por cima dele. Mesmo que ele tenha preferido esconder seus olhos o engenheiro poderia saber que por trás das lentes negras havia um olhar de pura determinação. O policial não era o tipo de pessoa que se esconde de uma briga e, mesmo que ele teve que se retirar para cuidar de Jimmy, agora ele sabia que a melhor coisa que ele poderia fazer pelo seu irmao pinto era ir para a guerra. Com Castiel de volta a liberdade ele era mais do que certo de que sua presença não seria mais importante no hospital. Agora Jimmy poderia ter seu outro irmão- que ainda não tinha recebido alta- para cuidar dele. Aquilo o aliviava.

A única coisa que deixava o capitao preocupado era saber que Jessika inda não o tinha ido visitar. A mulher não parecia te4r se perdoado pelo que tinha acontecido, pelo que tinha sido forçada a fazer e mesmo que Jim não tivesse nada a ver com tudo o que acontecera naquele dia, ela não conseguia deixar de pensar que não poderia mais ser digna de seu irmão. Para a mente fragilizada da cuidadora, ela tinha ferido o pintor. Gabriel já tinha ouvido sobre varias culturas que acreditavam que irmãos gêmeos sentiam a mesma coisa, mas jamais imaginou que Jessika acreditasse nesse tipo de coisa. Certamente, a mente da mulher estava tão torturada que ela não conseguia mais perceber a realidade. A única coisa que poderia faze-la melhorar era o tempo e Sam... O policial não sabia o que iria demorar mais.

Falando em Sam, o mais novo Winchester estava em pé com o corpo apoiado no umbral da porta. Seus olhos pareciam carregar uma tempestade de emoções e, pelo que Dean poderia ver, nem todas eram boas. Era cero que o mais novo ainda tinha muito o que viver para deixar a raiva que sentia por tudo o que Ruby fez a Jessika ir embora. Olhando as coisas de um ponto de vista diferente Dean podia pensar que era para ele estar com raiva e não Sam, tinha sido a filha dele quem tinha visto uma de suas colegas de escola serem assassinada brutalmente em sua frente, tinha sido o seu cunhado o único a ser sequestrado e depois enfeitiçado por uma bruxa e, por fim, tinha sido o seu namorado o único a estuprar a namorada de seu irmao. Tudo, por causa dos planos daquela mulher. Mesmo assim, as voltas dadas pela vida fizeram de Dean uma pessoa muito diferente de seu irmão mais novo, ser um pai de dois filhos, ter perdido sua esposa daquela forma... ele não sabia ao certo o que realmente tinha sido o fator crucial, mas ele sabia que algo tinha mudado dentro dele e era isso que o fazia não ser tao bom para odiar, mesmo que a pessoa a quem seu irmão estava odiando naquele momento mereça todo o ódio do mundo.

O engenheiro não poderia dizer o que Sam estava pensando naqueles minutos, mas ele tinha certeza de que assim que a conversa com o taxista fosse revelada ele sentiria muito mais ódio e raiva, dessa vez os sentimentos seriam direcionados a ele.

O homem de olhos verdes não teve mais tempo para analisar seus outros colegas. Antes que ele se deixasse levar por mais pensamentos o silencio foi quebrado.

IO sargento Turner, que estava sentado em uma cadeira de plastico perto da porta de entrada da casa, fora o único a quebrar o estado contemplativo de Dean. Seu olhar determinado parecia querer alguma coisa para lutar:

–Winchester, pare de ficar olhando para os outros e diga qual foi o veredito!

Naquele breve segundo todos os olhares de todas as pessoas que ali estavam se voltaram para Dean. O peso da responsabilidade caui sobre seus ombros, mas ele não hesitou em começar a falar:

–Nos teremos que dar a Ruby o que ela deseja.

Dizer que todos os presentes ficaram em choque era um eufemismo. Eles ficaram devastados. Tinha sido, sem uma sombra de duvida, um grande e perigoso trabalho encontrar a verdadeira e única fruta da sabedoria, e fora ainda mais complicado ir a New York atras de uma pista que poderia ou não leva-los a adaga. Nenhum dos presentes estava a fim de abandonar o plano que Jimmy tinha deixado para eles, o plano que realmente parecia ser a única salvação de sua especie e de seu mundo. Os olhos de Lisa encararam seu pai com determinação, a menina não queria ter de jogar fora todo o esforço que ela e seus novos amigos tinham conseguido, mesmo assim, ela não queria ir de contra seu pai. Era claro que se ele estivesse sugerindo para eles abandonarem seu plano inicial ele teria uma carta na manga. Disso a garota tinha certeza.

Lisa não precisou olhar para o seu irmão para saber que ele pensava o mesmo. O menino apenas parecia um pouco surpreso com tudo, mas não tinha um olhar de objeção.

A menina de cabelos dourados não teve tempo para observar todos os que estavam na sala. Antes mesmo de ela poder perguntar a seu pai qual seria a nova cartada por detrás de tudo aquilo, seu tio Sam tinha explodido.

O mais alto dentre os Winchesters tinha saído de onde estava e trotado em linha reta para encarar Dean. Seus olhos verdes estavam com um brilho diferente e em seu semblante era possível ver uma tensão. Provavelmente, o mais novo estava decepcionado com o que o mais velho tinha acabado de dizer.

Com uma voz baixa Sam perguntou:

–Como assim? Depois de tudo o que nos passamos para encontrar a maçã vamos ter de entrega-la de bandeja para aquela mulher? Eu não entendo Dean.

Aquela talvez fosse a pergunta do seculo. Todos os demais tinham se perguntado a mesma coisa em seus pensamentos, mesmo não tiveram a mesma coragem de Sam para verbaliza-la.

Dean, que até o presente momento estivera pisando em ovos, finalmente levantou seu olhar para encarar Sam. Ele colocou as maos em concha na frente de seu corpo e enrijeceu sua postura. Essa era a hora de fazer o que ele deveria ter feito há muito tempo atras.

Sua voz era plana e cristalina quando ele falou:

–É exatamente o que você ouviu, nos teremos que entregar a maçã de toda a sabedoria para Ruby. Não há mais nada que possamos fazer.

Nenhum dos presentes, nem mesmo Lisa, poderia acreditar no que estava escutando. Seu pai, Dean estava falando serio! Ele estava pensando em devolver a maçã depois de todo o sacrifício que eles tiveram para encontra-la. A menina poderia ver as lagrimas nos olhos de suas amigas judias e o desapontamento nos olhos de seu tio Samuel. Chegar a pensar na possibilidade de desistir parecia ser uma ofensa a todo o sacrifício que todos eles tinham feito. Lisa não estava contente com nada do que tinha ouvido, mas deixaria que seu pai se esclarecesse, ele ainda tinha esperanças de que tudo não passasse de uma brincadeira.

–Dean- a voz de Gabriel tinha quebrado a batalha de olhares entre os dois irmãos, ele sabia que se não falasse nada aqueles ali poderiam se matar- É verdade o que você está nos dizendo? Eu sei que o mundo começou a sofrer com e que Ruby colocou nossos nomes em sua lista negra, mas nos ainda podemos lutar.

Era de partir o coração ouvir o que o policial estava dizendo, depois de tudo o que ele tinha passado ele era um dos únicos que poderia saber como o engenheiro estava se sentindo, mas ele ainda sentia a chama da batalha chamar por ele e não desejava que seus planos ou a pequena possibilidade de vitoria fossem tirados de si, não depois de terem encontrado uma solução para tudo.

O engenheiro não hesitou para dar a sua resposta:

–Não Gabriel- aquela tinha sido a primeira vez que Dean tinha usado o nome completo do policial- nos não podemos lutar, não mais. O nosso plano era entregar uma fruta falsa para a mulher e esperar que ela não descobrisse, mas a essa altura, a única forma de fazer tudo acabar é entregando a ela o que ela deseja. Olhem para essa cidade, esta completamente destruída! O mundo está passando pelo mesmo terror! Nos não podemos deixar que as pessoas sofram no escuro por que nos ainda estamos pensando que podemos vencer. Nos não podemos! Ruby tem milhares de demônios e a anticristo trabalhando com ela e o nosso único anjo sumiu. Nos não temos mais nada!

Ao ouvir tudo o que saída da boca de seu irmão Sam foi completamente consumido por uma sensação crescente de raiva e sede de sangue. Em parte, ele sabia que o que o mais velho estava dizendo fazia um pouco de sentido, mas em outra parte, a parte que queria sentir o sangue daquela mulher escorrer por entre seus dedos, ele não era capaz de ficar de pé enquanto o outro desistia. Ele não ira fazer o mesmo que Dean, não iria pegar a saída mais covarde e esperar que a mulher poupasse o mundo depois de conseguir o que ela quer. Era um absurdo pensar que ela iria apenas querer a maçã e não usa-la para fazer do mundo o seu quintal.

Dominado por seus sentimentos brandos, o mais novo dentre os irmãos foi o primeiro a sair do quartel general.

Seus passos pesados e determinados diziam claramente que ele não concordaria com mais nada do que fosse sugerido pelo outro. Antes de sair ele afagou a cabeça de cada um dos seus sobrinhos e pegou uma pequena bolsa- que lhe tinha sido dada por Gabriel- cujo conteúdo era exatamente o que ele precisava para dar vazao a raiva que emanava de seu ser: Armas.

Ele saiu da cada de portas vermelhas sem nem ao menos olhar para trás.

Depois do que pareceu ser uma eternidade, na qual todos os demais ficaram completamente atônitos com a saída de Sam, os seis amigos judeus ortodoxos se levantaram de onde estavam sentados. Cada um deles tinha um olhar triste em seus olhos, mas esconderam seus sentimentos com um pequeno sorriso.

Eva, a que parecia ser a mais calma do grupo, foi a única a falar:

–Nos compreendemos a sua decisão. Iremos rezar por você. Depois de um pequeno momento de silencio ela alou mais uma vez- Eu não acredito que nos não tenhamos nada. Eu tenho certeza de que Deus está do nosso lado.

Dean encarou a mulher com seus olhos de esmeraldas. Por um breve período de tempo ele teve certeza de que ela havia entendido o seu recado. Agora ele sabia o por que de sua filha ter gostado tanto daquelas pessoas. Ele era muito grato por tudo o que eles fizeram até aquele momento.

A única coisa que disse foi:

–Deus não toma partido. Até mesmo os demônios de Ruby são filhos dele.

Eva não hesitou em responder. Antes de inclinar-se para beijar os meninos ela encarou mais uma vez o engenheiro. Sim, ela tinha entendido o recado. Ela esperava apenas que os outros pudessem entender assim como ela.

–Ele sabe, no entanto, o que cada um de seus filhos está fazendo. Se é o certo ou o errado.

O homem apenas inclinou sua cabeça para ela. Ele tinha um pequeno sorriso em seus lábios. Ele tinha certeza agora, a mulher tinha compreendido.

E os judeus deixaram a casa.

No quartel general restavam apenas sete pessoas e um profeta. Finalmente, era a hora de falar a verdade.

***

O local de encontro tinha sido um restaurante japones, ou o que tinha sobrado dele. Dean tinha certeza de que aquele foi o primeiro lugar em que a mulher tinha bombardeado, o lugar de onde ela tirou Cas e Jessika e os sequestrou para dar inicio a seu plano cruel. Os dentes do engenheiro rangiam com os pensamentos e seu corpo tremia com o vento gelado que batia em sua pele. Ao seu lado- e sempre usando os oculos escuros- estava o capitão de policia. Dessa vez, Gabriel não tinha um sorriso no rosto ou um pirulito na boca, tudo o que ele carregava era uma pequena mochila de couro e sua arma escondida em suas roupas.

Não tinha sido muito difícil localizar Ruby dessa vez. A mulher tinha aparecido dentro dos sonhos do profeta e estava querendo fazer uma negociação antes de explodir mais uma cidade dos Estados Unidos. Toda a postura dela, segundo Chuck, parecia demonstrar grande confiança. Afinal, ela tinha ce4rteza de que eles não deixariam que mais pessoas sofressem por causa de uma única fruta.

Bem, de uma certa forma, ela estava correta. Ali estavam eles, de pé em frente as ruínas de um restaurante japonês esperando que ela chegasse para entregar-lhe finalmente o que ela queria.

Eram vinte e três horas e cinquenta e oito minutos. Demorou exatamente um minuto para a mulher chegar até onde eles estavam.

Tanto Dean quanto Gabriel sentiram um frio na barriga assim que ouviram os passos dela, nenhum deles tinha visto de onde ela tinha aparecido ou como ela tinha chegado ali, tudo o que eles sabiam era que ela estava andando na direção deles. Um olhar mais atento de ambos os homens realizou que ela trajava um vestido de festa laranja coral. O acabamento do vestido era em rendas e tinha um brilho muito bonito na fraca luz da lua. Um decote mostrava apenas o que era para ser revelado de seus seios bonitos e ela tinha os cabelos presos em uma trança. Com aquela roupa, nenhuma pessoa que pudesse estar passando poderia dizer que ela era uma assassina serial e a única a começar toda a catástrofe que havia se instalado no mundo.

Por fim, ambos perceberam que ela estava acompanhada por uma outra mulher.

Assim que avistou os olhos violeta na luz da lua, Gabriel imediatamente reconheceu a enfermeira do hospital geral. Essa era uma surpresa para ele, ninguém lhe tinha dito que a mão na boca tinha feito mais um refém. O policial não precisava olhar duas vezes para saber que a enfermeira não tinha recebido o melhor dos tratamentos. Devido a forma como ela estava andando, e aos machucados em seu rosto os dois amigos poderiam dizer que ela tinha sido estuprada.

Ruby não deu muito tempo para eles reagirem ao choque. De forma profissional ela tirou de uma liga na perna esquerda uma pistola 9 mim e a apoitou impiedosamente para a enfermeira.

Sua voz era áspera e ecoava pela noite:

–Abaixem logo as armas antes que eu faça mais um buraco nessa mulher.

Tanto o engenheiro quanto o capitão obedeceram imediatamente. A mulher sorria o tempo todo.

–Me mostrem o tesouro. Foi a sua próxima ordem.

Devagar Dean retirou de dentro de seu bolso direito uma maçã vermelha como o sangue. Ele estendeu as mãos para que Ruby pudesse pega-la de uma vez.

A mulher olhou por cerca de dois segundos para a fruta e em seguida apontou a arma que estava mirando na cabeça da enfermeira para a maçã das mãos de Dean. Ela atirou sem nem ao menos hesitar.

A bala atravessou a fruta como se ela fosse de papel.

Nem Dean e nem Gabriel esperavam por isso. Eles estavam verdadeiramente em choque. Ao ver o olhar aterrorizado de Dean, que tinha tido exito em não ser baleado junto a fruta, Ruby abriu um sorriso amarelo. Ela estava mesmo esperando que essa noite lhe trouxesse alguma diversão. Mesmo ouvindo que seus inimigos estavam determinados a entrar em uma especie de acordo com ela pelo bem do mundo ela sabia que eles não entregariam o que ela queria assim de bandeja. Ela continuou a rir.

–Vocês acham- a voz dela virou um veludo- que eu não sei qual é a cor da verdadeira fruta da sabedoria? Vocês realmente pensam que eu, justo eu a filha de Lilith iria me enganar assim tao facilmente? Ela apontou mais uma vez a arma para a cabeça da enfermeira- Me entreguem a verdadeira fruta, ou ela morre.

Dean não conseguiu deixar de notar que a enfermeira não tinha mais forças nem mesmo para lutar por sua própria vida. Aquilo o deixou com uma sensação avassaladora.

Gabriel levantou as mãos ao ceu. Ele não poderia aguentar mais aquilo.

–Está bem! Está bem! A verdadeira maçã está aqui.

Aquilo chamou a atenção de Ruby. Mais uma vez ele deixou de apontar a arma para a enfermeira. Ela fez menção para que o policial retirasse a fruta da bolsa de couro. E ele o fez.

Não mãos de Gabriel estava uma maçã que brilhava com um brilho de ouro. Mais uma vez a mulher puxou o gatilho mirando para a fruta. O resultado dessa vez foi o esperado.

Como se fosse feita de aço, a maçã dourada fez com que sua bala ricocheteasse sem nem ao menos causar nenhum dano a sua casca. Os olhos violetas da enfermeira se arregalaram, ela não poderia acreditar que aquilo realmente existia. Ruby, por sua vez, tinha um sorriso maior do que a cara. Ela finalmente tinha conseguido o que almejava.

Ainda apontando a arma para a cabeça da outra mulher ela se aproximou de Gabriel e pegou a fruta em suas mãos. O policial sentiu um calafrio percorrer sua espinha apenas por ter olhado para a mulher. Era a primeira vez que ele percebeu que ela estava usando luvas e não ousava tocar na fruta com suas mãos nuas. Um pequeno sorriso passou pelos lábios dele naquele momento, ele ficou feliz em saber que até mesmo ela tinha medo das consequências de tocar na fruta sem se ruma pessoa de honra.

A mulher guardou imediatamente a fruta dourada em uma bolsa que carregava. Ainda sorrindo, ela puxou a enfermeira para si apontando mais uma vez a arma para ela. Obedientemente, a mulher de olhos ametista mantéu distancia daqueles que tinham vindo salva-la. Quando as duas chegaram perto do homem de olhos amarelos a enfermeira foi jogada para a frente. Era claro que agora que Ruby tinha o quer queria ela não serverita mais para nada. Nunca em sua vida, a mulher de olhos ametista tinha se sentido tão aliviada. Ela fechou os olhos para bloquear o olhar obsceno que o demônio estava dando a ela. Finalmente ela era uma mulher livre!

Tanto a mulher loira quanto o seu capanga tinham sumido na escuridão como se jamais estiveram ali.

Gabriel e Dean correram para a mulher. Ela estava chorando copiosamente e seu corpo todo tremia. Nunca em sua vida- eles tinham certeza- ela esperava ser salva por eles, não depois de ter sido uma das pessoas que tinha ofendido Jimmy Novak.

No frio da noite a enfermeira continuava a chorar enquanto era carregada por dois homens corajosos das ruínas de um restaurante japonês.

Ela ainda tinha algumas perguntas para fazer a eles, mas havia algo mais urente em sua mente do que todas as perguntas que ela queria fazer.

Com uma voz quebrada ela falou:

–Vocês tem certeza de que valeu a pena entregar a maçã da sabedoria para ela? Havia um desespero na voz da mulher, um desespero que só poderia ser sentido por uma pessoa que sabia exatamente de todos os planos que Ruby tinha em mente. Ela sabia muito bem, depois de ter passado um bom tempo na barriga do monstro, que a maçã era apenas o começo e que ela não iria parar de destruir esse mundo até que todos os seres voltassem ao pó.

Antes de ter sua pergunta respondida a mulher sentiu os homens a abaixaram no chão. Assim, os três ficaram de joelhos em uma posição que possibilitava que todos pudessem ver os olhos uns dos outros. Ela não pode deixar de notar como os olhos dourados do policial eram bonitos e como os olhos verdes do outro homem estavam com um brilho diferente de tudo o que ela tinha visto. Ela soube naquele exato momento que ele não estava com medo, nenhum deles estavam.

Dean apenas continuou a olhar para ele e sussurrou em seu ouvido:

–Como você pode ter certeza de que aquela era a verdadeira maçã da sabedoria? Nenhum de nos disse isso.

Os olhos da bela mulher se arregalaram. Oficialmente, ela não entendia mais nada.

Ela se deixou embalar pelas risadas dos dois homens enquanto era carregada por eles para o local onde ela um dia chamaria de lar.

Mesmo sem saber o que eles tinham por sobre a manga ela ficou feliz em saber que eles não tinham entregado o ouro a mulher. Ela estava feliz por isso.

Naquela noite fria, a enfermeira de olhos ametista presenciou uma cena pela qual muitos dariam todo o seu dinheiro para estar. Ela tinha participado diretamente de uma jogada de mestre.

O xeque mate estava próximo. Dessa vez não para o lado da luz.

Notas finais
Se tiver alguém ainda lendo, favor comentar. Eu prometo que terminarei essa fanfic! Mandy
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.