When You Have A Killer In Your Tail

4 Capítulo 4 Quando o jogo começa


Notas iniciais
Sam e Jes já estão no caminho certo, ainda falta Dean e Cas...
Enquanto isso o Plano de Ruby segue seu rumo.

Era segunda feira. Já passava da hora de ir buscar seus filhos no novo colégio mas Dean ainda resistia a sair daquele local. Aquilo era vergonhoso, ele, um engenheiro mecânico que tinha estudado em uma boa faculdade (ele nunca iria ser inteligente como Sam e ir para Stanford) estava ali completamente fascinado por uma velha loja de carros onde- graças a péssima escolha amorosa de seu irmão- ele estaria trabalhando por um tempo indeterminado.

O relógio da parede marcava quatro horas e ele sabia que estaria dando um castigo muito grande a seus filhos deixando-os esperar justamente no primeiro dia de aula. Como se ainda não bastasse ele deveria ir buscar Castiel o seu mais novo vizinho como parte do acordo. Mesmo assim ele ainda não queria sair dali.

A coisa que prendia sua atenção era o Cadillac Eldourado 1957. Dean nunca poderia dizer que trabalhar em uma oficina de carros era algo que poderia ser tao prazeroso para ele, mas quando o incrível carro vermelho entrou em seu campo de visão ele sentiu-se atraído da mesma forma que qualquer pessoa se sentiria ao possuir O anel(7). Seu lado que ainda não tinha sido corrompido pela brilhante ideia de ir até onde o carro que atualmente valia 55 mil dólares e limpar seu motor gritava para ele sair dali e ir buscar seus filhos e seu vizinho cego.

Dean não tinha se movido nem um pouco de seu lugar.

Certamente o jeito brilhante e autoritário de sua filha iria conquistar muitos amiguinhos e ela estaria conversando com as outras crianças que esperavam miseravelmente por seus pais, Danny certamente estaria observando sua irma fazer amizades e verificando cada uma das pessoas cuidadosamente para ver qual delas seria seu mais novo melhor amigo. Ele certamente não tinha o que se preocupar.

Esse pensamento não durou muito, assim que seu celular tocou e a voz de Danny saiu gritando do outro lado da linha ele foi convencido a voltar para o carro que a policia tinha emprestado a ele e dirigir na direção da escola.

Quando ele chegou ali o caos estava montado. O que exatamente seus filhos fizeram com seu delírio de grandes amizades?

Em frente ao patio da escola Lisa estava praticamente usando todos os golpes de Kong fu que ele tinha ensinado em um outro garoto que era duas vezes seu tamanho. Quando ele viu que era a sua filha que estava batendo ele começou a rir.

-Melissa Jane! Ele não tinha dito o ultimo nome porque tinha se esquecido completamente de qual era o nome falso que eles estavam usando.

Imediatamente após ouvir seu nome quase completo a menina parou de lutar, ela não tinha simpatia nenhuma pelo garoto no entanto e antes de parar completamente ela deu um chute bem no estomago dele fazendo-o gritar de dor. Aquilo não era a melhor maneira de se começar o ano letivo.

Quando Lisa viu seu pai na entrada da escola ela puxou a cadeira de rodas de Danny e o arrastou para ele. Seus olhos eram fogo puro e Dean não poderia adivinhar o que diabos tinha acontecido para ela estar em um humor completamente diferente de seu modo de ser. Antes que ele pudesse perguntar qualquer coisa uma mulher usando um vestido preto de bolinhas brancas pisou em seu espaço pessoal e o cumprimentou.

-Oi, sou Bella Talbot a diretora dessa escola por favor queira me acompanhar.

Ele nem ao menos teve tempo para dizer seu nome, enquanto caminhava para a sala daquela mulher- que ele não demorou em achar atraente- a vergonha tomou conta de todo o seu ser. Em muitos filmes e seriados da cultura pop cenas de pais sendo levados a diretoria da escola por causa do mau comportamento de seus filhos eram mostrados mas nunca com tanta vergonha, o que ele estava sentindo era diferente de tudo, geralmente ele estaria sorrindo por sua filha ter ganho uma briga com um menino maior do que ela mas naquele lugar eles não eram conhecidos e aquilo poderá chamar a atenção das pessoas erradas. Vendo Jo Harvelle colocar óculos escuros quando o acompanhava ele não pode deixar de ficar cem vezes mais preocupado. Se a policial que tinha sido escalada para observar seus filhos na escola já estava colocando os óculos escuros nada de bom poderia acontecer.

Ele olhou para Danny a procura de respostas para suas perguntas silenciosas mas o menino simplesmente abaixou os olhos e ficou calado enquanto rolava suas rodas pelo caminho.

Aquilo era outra coisa que não poderia ser boa.

Ele entrou na sala de paredes azuis e se sentou em frente a mesa de cerejeira da mulher, seus filhos ficaram na companhia da oficial do lado de fora. Por cerca de quatro minutos ou menos a mulher simplesmente o encarou como se estivesse tentando analisar sua personalidade, depois ela limpou a garganta e começou a falar:

-Você é o pai de Daniel e Melissa Smith?

-Yeah, meu nome é Dean.

A mulher não fez sinal de ter ouvido, ela simplesmente retomou a falar.

-Sua filha estava lutando alguma arte marcial enquanto brigava com Dylan?

-Yeah, meio que ela acabou aprendendo depois de me ver treinando toda quinta-feira.

O que ele poderia ter dito? Ele pelo menos teve a decência de parecer menos orgulhoso de sua garotinha, se aquela mulher o visse com um sorriso no rosto ele não queria saber o que ela poderia falar. Dean estava ali pensando em seu vizinho, Castiel deveria estar morrendo de impaciência por esse momento e ele não estava gostando em nada de deixar o pobre cara sofrer por coisas que ele não tinha nada a ver.

A mulher suspirou como um búfalo raivoso, Dean pensou por uma fração de segundos que se ela tivesse uma arma ele já estaria morto.

-A policia aparece na minha casa em um sábado, me diz que duas novas crianças serão admitidas nessa escola e que uma oficial iria estar trabalhando na biblioteca para manter um olho em possíveis assassinos que possam tentar fazer algo de errado para essas crianças e logo no primeiro dia você me diz que sua filha sabe lutar artes marciais! Quem é você?

Dean começou a ferver por dentro, ele não devia nenhuma explicação a aquela mulher principalmente depois que ela tinha falado daquela forma venenosa. Um alerta vermelho passou em sua cabeça e ele pensou que aquela mulher poderia estar sendo preconceituosa.

Ele respondeu no mesmo tom:

-Olha gracinha, eu não tenho a minima obrigação em me explicar para você. Eu gostei tanto de você quanto você de mim, assim eu sugiro que você diga logo de uma vez o que irá fazer com a minha filha e eu saio de sua sala pois tenho outras coisas a fazer. Antes que ele terminou seu pequeno monologo ele se lembrou de algo- Eu pensei que o papel da diretora era verificar o motivo da briga e depois conversar com os alunos e ensina-los a não fazer isso. Melissa não bateria o inferno fora de um colega se ela não achasse que ele merecia.

A mulher ainda estava impassível diante dele. Isso deixou Dean completamente irritado, a mulher não tinha nem sequer falado com sua filha para saber o por que da luta. Isso não era certo.

-Esse só é meu trabalho quando as crianças não estão colocando uma as outras em risco de morte. Era claro que a sua filha não estava motivada por algo diferente da vontade de bater.

Dean não podia acreditar no que estava ouvindo. Ele se levantou e bateu na mesa derrubando alguns lápis no processo.

-Quem você pensa que é?

A diretora Talbot simplesmente o olhou demoradamente e depois entregou a ele um papel com um nome e um numero de telefone escrito.

-Essa é uma psicologa infantil eu sugiro que você leve a sua filha a ela o mais rapidamente possível.

-Que porra...

Antes que Dean pudesse falar mais alguma coisa ela tinha saído de trás da mesa e aberto a porta para ele sair da sala.

-Encerramos por aqui.

Foi a única coisa que ele ouviu da boca daquela mulher antes que ela fechasse a porta na sua cara. Dean olhou para o pedaço de papel que estava em sua mão e sem nem ao menos ler o que tinha escrito ele o amassou e jogou no lixo. Aquele foi o pior primeiro dia de aula que ele já teve e nem era ele o estudante.

Quando ele voltou para onde seus filhos e Jo estavam a oficial tinha dado um pequeno sorriso para ele. Ela se levantou e o cumprimentou dizendo que estaria voltando para a delegacia e que nenhum incidente, fora a sua filha usar Kong fu contra um menino, tinha ocorrido. Ele a agradeceu e apertou a sua mão. Depois disso ele olhou para o par de gêmeos e não disse nenhuma palavra, era estranho que nenhum dos dois estava tentando defender-se diante do que tinha acontecido e ele não gostou nada daquilo.

Foi apenas quando eles estavam no carro que alguém começou a falar. Estranhamente foi Danny o primeiro a se manifestar Lisa mantinha uma cara fechada e olhava fixamente para a janela. Seu filho não era a pessoa mais falante do mundo e preferia abrir a boca quando fosse necessário.

Essa tinha sido a segunda coisa que tinha assustado o homem naquele dia.

-Aquele garoto, Dylan, estava fazendo piadas sobre a minha cadeira de rodas. Lisa tentou me defender mais ele a xingou também.

Ele estava certo. Lisa nunca machucaria ninguém por pura vontade. Ao ouvir tudo aquilo Dean estava em furria, seu desejo era voltar para a sala daquela filha da mãe e esfregar no nariz dela o que Daniel tinha acabado de falar. Quem era quele menino para tirar brincadeiras com seus filhos? Os dedos dele estava tao apertados contra o volante do carro que eles começaram a formigar, mesmo assim os olhos verdes não diminuíram a intensidade.

-Você sabe que não é para ficar chateado com o que esses idiotas dizem não é? Ele falou entre dentes e olhou para os olhos verde-esmeralda a procura de respostas ou sentimentos de menos valia.

-Eu sei, eles não me conhecem. É por isso que eles não conseguem respeitar as diferenças.

Ele não sabia a quem seus filhos tinham puxado, a inteligencia mordaz que eles tinham era alem de sua compreensão. Depois de ter ouvido o que seu filho falou Dean estava muito mais calmo e acelerou a velocidade para chegar o mais rápido possível na universidade.

Ele não resistiu a prometer um sorvete para os meninos na tentativa de faze-los esquecer toda aquela merda. Sua alma ficou mais leve quando viu os dois se animarem com a ideia.

E ali estava ele, sentado em uma sorveteria no bairro do Castro com duas crianças necessitando serem animadas e um pai solteiro muito confuso com a escolha de sabores que cada um escolhia. Cas poderia dizer que ele iria acabar ali mesmo se ele não quisesse, pelo que ele tinha ouvido Bella Talbot tinha feito das suas mais uma vez, ele poderia contar todas vezes que alguém acabava na policia por causa de algo que aquela mulher tinha dito sobre seu filho. Qualquer motivo para falar mal daquela mulher era bem vindo para o professor cego.

Aquilo por si só já tinha animado em muito os dois muios. Quando ouviram o histórico da diretora Danny e Lisa secretamente decidiram ser os primeiros a derrota-la. Para os dois meninos de olhos verdes a temporada de caça a diretora má estava aberta.

Cas apenas poderia sorrir com os comentários que os pequenos estavam fazendo, eles tinham voltado sua atenção para a sua pessoa e começaram a perguntar-lhe sobre tudo desde como ele fazia para se locomover em casa e no trabalho a assuntos acadêmicos como quais eram as matérias que ele ensinava. O professor respondia tudo sem se desviar de seu sorvete de menta com chocolate, ele poderia dizer pela voz de Lisa que ela estava sondando-o como se ele pudesse ser um bom partido para alguém...

Ao lado dele Dean não poderia se ajudar, ele simplesmente continuava olhando para aqueles cabelos negros como a noite que pareciam não ter capacidade para ficarem quietos e os olhos azuis cor de um céu paradisíaco. O recém mecânico ficou impressionado ao saber que Castiel poderia andar sem bengala por toda a SFSU porque ele conhecia cada canto dela, ele tinha ensinado como ele aprendeu a decorar onde tudo está usando a “técnica do relógio” que Gabriel tinha visto em algum filme sobre pessoas cegas. A técnica consistia em leva-lo pelos cantos da casa direcionando onde cada objeto estava de acordo com uma hora, o homem riu ao se lembrar que seu irmão descrevia sempre a cama como “A hora depois das festas”.

De todas as coisas o que mais tinha impressionado Dean era que o homem ao lado era professor titular em uma cadeira que ninguém teve coragem de ensinar, a cadeira em questão era “Analise da teoria dos antigos astronautas.” e dentre as outras cadeiras que Cas ensinava- historia da guerra e civilizações antigas- essa era a matéria que ele mais gostava de ensinar. Segundo o próprio historiador algo sobre aquele assunto o fascinava e ele não poderia deixar de querer que os jovens aprendessem a pensar e a discutir e por em questão todos os seus valores.

-Eu acho que essa matéria causa tantas duvidas que ela me faz conhecer cada um de meus alunos, saber se eles tem medo do desconhecido ou não e saber se eles tem a coragem para enfrentar o que for para mostrar seu pensamento. Mesmo que a teoria nao seja aceita pela maioria, até agora existem fatos que não foram revelados e ninguém pode dizer que não existe algo que prove que ela é uma teoria fantasiosa.

Ele tinha falado tudo isso enquanto comia a casquinha de seu sorvete. Sua voz continuava sendo grave como o sopro do vento e parecia não se abalar com a mastigação. Dean não precisava nem ao menos olhar para seus filhos para saber que eles adoraram essa conversa.

-Cool! Os dois disseram em unissonismo.

Castiel abriu um sorriso largo em retribuição as crianças e depois limpou sua boca com um guardanapo, ninguém ousaria dizer que a boca dele não estava suja. Era necessário dar autonomia ao professor.

No carro os adultos descobriram que o sorvete fazia bem para crianças dormirem. Não tinha passado nem cinquenta minutos de engarrafamento e os dois estavam mortos para o mundo no banco de trás. Dean abaixou o som de seu radio (ele não ia desligar Metálica) para não perturbar o sono dos seus “anjos” e focou na direção. Por menos tempo que ele poderia esperar ele já estava olhando para o passageiro no banco ao lado.

-Sabe, eu posso dizer quando as pessoas estão olhando para mim Dean.

O motorista nunca imaginou que poderia corar com um simples comentário. Ele corou.

-Eu...hum- ele engasgou nas palavras. O que diabos estava havendo com sua voz? Dean pensou que ele parecia um total idiota tendo vergonha de seu vizinho- Eu estava pensando... você é muito bom com os pequenos.

Castiel sorriu e virou a cabeça para a sua voz, por um minuto seus olhos tinham se encontrado e Dean se esqueceu que o cara ao lado não podia enxerga-lo. Mesmo quando se lembrou desse detalhe ele desviou o olhar. Castiel voltou a falar, na sua voz havia uma pitada de orgulho e melancolia:

-Bem, meio que eu fui obrigado a ter talento com pirralhos. Aprendi tudo com Jimmy.

Ao ouvir o nome do irmão gêmeo de Castiel Dean sentiu muita curiosidade, suas memorias voltaram para o dia em que eles se conheceram e nada poderia impedi-lo de querer saber mais sobre essa figura misteriosa que era o ídolo de sua filha. Pela primeira vez na vida os olhos verdes estavam em duvida sobre perguntar ou não, ela não queria entrar em um assunto muito delicado que apenas traria um clima pesado para seu carro.

E quando sua boca falou as palavras que seu cérebro não tinha dado permissão para falar ele poderia jurar que se não estivesse com as mãos no volante elas teriam voado para seus lábios.

-Será que Jimmy sempre foi assim? Pela segunda vez naquele dia Dean Winchester tinha corado.

Por cerca de dois minutos Castiel tinha petrificado. Todos os tipos de pensamentos e memorias voltaram para ele com aquela pergunta e ele não sabia se poderia responder a curiosidade de seu vizinho sem entrar em um flashback dos grandes. Inacreditavelmente uma outra parte de si queria responder todas as perguntas daquele forasteiro e essa mesma parte não queria mentir em nada para ele. Dois segundos tinham se passado e o professor tinha sentido uma mão apertar o seu ombro, demorou um pouco para ele se lembrar que estava em um carro e que eles ainda não tinham voltado para a Pine Street.

Outra coisa que ele poderia ouvir era a voz daquela pessoa pedir-lhe desculpas. Ele parecia ser tao sincero que a outra parte desconhecida de Castiel tinha assumido toda a segurança e tinha jogado para fora o medo e a indecisão, de alguma forma ele não poderia resistir a aquela pessoa e ela nunca poderia dizer como algo assim aconteceu tao rápido. Em tempos de crise Castiel precisava de ansiolíticos para ajuda-lo a sair de uma lembrança de seu passado doloroso, mas no momento em que Dean tinha apertado seu ombro ele tinha esquecido toda a sua ansiedade.

-Me desculpe Cas, isso não era da minha conta.

Outra coisa que ele não conseguia entender era como esse homem tinha se apegado a seu apelido de uma forma tao rápida. Eles só se conheciam há menos de três dias.

Ele respirou fundo. Talvez contar um pouco de sua historia para um estranho não fosse tao ruim assim, Gabriel sempre insistia que ele deveria se abrir mais com as pessoas. Falar de seu irmão com o cara que morava na outra porta era tao bom quanto comer pizza de graça e se aquilo o ajudasse a dormir ele poderia dizer que foi um milagre.

Ajeitando-se no bando ele começou a falar:

-N...Não, está tudo bem, eu apenas fui pego pela pergunta. Fazia muito tempo que ninguém perguntava isso...- ele tomou um pouco de ar, agora que tinha começado ninguém o faria parar até o momento em que contasse o que conseguia para aquela estranho- você lembra do dia em que vocês almoçaram na nossa casa?

Como Dean poderia se esquecer? A comida feita por um cara cego provou-se a melhor que ele já tinha comido. Ele balançou a cabeça, mas quando se lembrou com quem estava falando ele respondeu que sim.

-Bem, quando seu irmão se irritou com o comentário que ele fez eu imediatamente perguntei a Jimmy quantos anos ele tinha para salvar seu irmão de um constrangimento maior. Certamente Castiel não sabia que nada tinha adiantado, Sam se sentia um idiota.

-Ele disse que tinha três anos. Dean respondeu por ele e Cas acenou com a cabeça.

-Yeah- disse ele, as memorias dolorosas estavam começando a voltar- retardo mental severo cuja estimativa de QI fica entre os 20 e 40. Dean tinha sentido um certo peso no coração, ele pensava que aprender tudo sobre Hidrocefalia já tinha drenado muito dele mas quando pensou em como tinha sido para Gabriel e Cas ele não poderia nem imaginar o que eles tinham passado para se adaptar a Jimmy.

Castiel continuava a falar:

-Bom, segundo alguns geneticistas Jimmy seria incapaz de aprender se ele realmente tivesse esse retardo, no entanto como você viu ele fala mesmo que de uma forma infantil e tem uma coordenação motira incrível que é avaliada em milhares de dólares- dessa vez Dean tinha certeza que ele estava falando dos quadros- assim eu e Gabriel concluímos que ele era bem mais inteligente que isso. Atualmente sabemos que Jimmy tem a inteligencia de uma criança de cinco anos, mesmo assim os médicos ficam em duvida sobre certas coisas. Meu irmão gêmeo não entende conceitos como o dinheiro ou sarcasmos e não consegue executar tarefas simples como tomar banho sozinho ou se vestir.

Dean ouvia tudo muito impressionado, a paixão que ele percebia na voz de Cas era semelhante a sua própria quando falava de Sammy ou seus filhos. Ele não conseguiu se conter em falar:

-O nome dele deveria ser Raymond(8) e o seu Charlie.

Mais uma vez Castiel riu com a referencia. Dean demostrava bom gosto sobre partes da cultura de entretenimento do cinema e da televisão. Ele apreciava isso.

-Se meu nome fosse Charlie eu teria me matado e se Jimmy fosse um Savant ele não teria conhecido Jessica. Dean não sabia nada sobre isso mas tinha sido legal amenizar o clima. Parecia que agora Castiel se sentia mais livre para falar e ele estranhamente queria continuar ouvindo.-Ele também não pode conquistar algo que as crianças na mais tentra idade conseguem; o controle de suas necessidades. Ele tem disfunção nos es...

-Esfincteres anal e uretral levando a uma incontinência para todo o sempre. Cas arregalou os olhos, como um mecânico/ engenheiro ele não tinha certeza poderia saber sobre bilogia justamente em uma parte esquecida da biologia? Ele deveria estar fazendo uma cara que transparecia seus pensamentos porque logo depois Dean deu um pequeno sorriso sonoro e disse: Yeah, meio que eu tive um choque ao descobrir que isso existia quando Danny nasceu.

Não houve mais nenhuma explicação. Certamente eles eram as pessoas mais incomuns da terra. Quem poderia imaginar que haviam duas pessoas que tinham nascido sem o controle remoto de seus esfincteres.

Um silencio contemplativo caiu sobre o carro. Eles ainda não estavam nem um pouco perto de chegarem em casa e cada um deles sentia a necessidade de preencher o silencio. Dean por curiosidade e Castiel simplesmente para não correr o risco de voltar a tempos mais sombrios.

-Se quiser ouvir minha teoria pessoal- ele começou com uma voz um pouco conspiratória- Jimmy tem realmente tem retardo mental que é o que os geneticistas dizem o moderado, entretanto ele se esconde das pessoas dizendo que ele tem apenas três anos. Eu não saberia responder se ele faz isso inconscientemente ou de forma proposital mas é certo que ele usa isso como um escudo contra as memorias ruins, como se ele não consegue lidar com as coisas que aconteceram depois que fizemos quatro anos... é como se... ele estivesse esperando por alguma coisa para faze-lo passar dessa idade.

Dean não poderia nem se quisesse ter compreendido tudo o que Cas o estava dizendo. Para essa tarefa era necessário ter um pouco de conhecimento sobre o passado que eles tiveram e como o tema “Conversas sobre passados tristes” nunca dava certo para os Winchesters que já tinham muitas lembranças danificadas da infância para somar a lista ele preferiu mudar o rumo da conversa para não acabar tendo um momento mulherzinha.

Assim, ele assoviou alto com olhos divertidos:

-Tem certeza que você é professor de historia? Parecia um professor de psicologia para mim.

Castiel sorriu e os dois estavam felizes por sair da areia movediça que estava na frente deles. Se teve uma coisa que ensinou ao homem cego sobre seu novo vizinho tinha sido aquela conversa, Dean não era e nunca seria uma pessoa preconceituosa. Ele tinha aceitado ele e Jimmy de uma maneira que ela desejava que seus pais fizessem.

-Independente do Ranking de QI de Jimmy eu posso dizer que você e Gabriel o amam muito.

Dean poderia se culpar de começar um momento de mulher depois. O sorriso que acompanhou sua observação valia muito mais que ouro.

-Você não tem ideia de quanto. Foi a resposta orgulhosa.

Em um outro lugar dos Estados Unidos uma mulher de cabelos dourados e olhos negros estava segurando pacientemente o telefone. Seu semblante indicava que ela estava ali há muito tempo e que ela poderia matar por uma resposta vinda do outro lado da linha.

-Então? Você fez o que eu te pedi? Os pês dela batiam descontroladamente no chão de madeira e seu salto alto cor-de-rosa brilhava na fraca luz. Sua impaciência a deixava mil vezes mais velha.

-Humhum...

Ela revirou os olhos. Estava testando a sua paciência conversar com um homem bêbado.

-Se eu soubesse que seria assim eu não teria adicionado cachaça Brasileira ao seu pagamento.

-Por que não? Você sabe que eu só trabalho sob o efeito de álcool. Finalmente ele parecia estar digno de sua conversa. A mulher assumiu uma expressão mais seria.

-Porque obter informações de um bêbado é a pior coisa para uma pessoa que gosta de planejar as coisas com muitos detalhes. Ela olhou para o relógio, certamente a outra pessoa já deveria estar ali para encontra-la- você fez o que eu te pedi?

-Sim, eu entreguei a primeira carta e coloquei a menina na panela. O que mais eu tenho de fazer?

A outra pessoa tinha finalmente chegado. Ela sorriu, seus planos estavam exatamente como ela queria que estivessem.

-Se você mandar a segunda carta você recebera junto ao pagamento um vinho de 1879. Que tal isso?

Enquanto a pessoa do outro lado da linha pensava em suas opções ela verificava os papeis que o outro homem a entregava. Tudo estava correto.

-Eu aceito. Onde eu coloco a carta dessa vez?

-Não é onde. Vou lhe mandar uma mensagem explicando tudo.

Eles desligaram e a mulher olhou para o seu companheiro que estava totalmente coberto pelas sombras.

-É a hora de começar o jogo.

Um sorriso de dentes brancos era a única coisa vista no meio da escuridão.

Jessica estava nas nuvens, ela tinha conseguido reencontrar o amor de sua vida em um momento que ela pensou nunca mais ser capaz. Naquele domingo todos os seus pensamentos do passado foram destruídos, todas as ideias de que nada de boma viria para ela se foram e só existia o amor, amor por Sam.

Era segunda feira e ela tinha voltado para a vida que estava acostumada nos últimos cinco anos, ela não estava reclamando de nada e sim mais feliz do que em qualquer outro momento. Ela queria agradecer aos três homens que moravam com ela por terem feito seu encontro amoroso ser possível, mas havia uma pessoa que ela queria agradecer em especial.

Nesse momento essa pessoa estava diante dela olhando-a com grandes olhos azuis.

-Você é feliz! Não era uma pergunta, Jimmy era capaz de conhecer as pessoas como cada uma de suas telas e naquele momento ele não poderia ignorar o brilho que saia da alma de sua amiga. Ela estava feliz por ela.

-Sim, eu estou! Ela respondeu no mesmo tom feliz para ele. E eles ficaram ali um olhando para o outro por um longo período de tempo. Jimmy estava comendo um bolo de baunilha mas parecia que ele estava alimentando um gato que estava no chão. Migalhas de bolo caiam em uma grande quantidade e quando a mulher se perguntou o por que ela não pode resistir a repreender o homem:

-Mastigue com a boca fechada Jimmy.

Ele fez uma careta. Ela sempre tinha que quebrar o clima? Mesmo assim ele obedeceu, como ele sempre faria. Jessica sorriu e voltou a lavar os pratos do almoço, depois de uma olhada no relógio ela finalmente percebeu que Castiel não tinha chegado em casa ainda.

A mulher não se deixou ficar preocupada. Colocou mais água nos dois vasos de flores que estavam em cima da mesa da cozinha e se voltou para Jimmy.

-Muito bem Senhor, nosso acordo era terminar de comer esse bolo e ir tomar banho, então trate de ir ao banheiro antes de eu colocar esse prato na pia.

Ela não precisou falar duas vezes. James Novak já estava no banheiro antes mesmo de ela piscar.

Antes que ela fosse encontra-lo o telefone tocou:

-Alo?

Era a voz de uma mulher no telefone.

-Oi, aqui é Rose Cook curadora da Minna Gallery posso falar com o senhor Novak?

Jessica conhecia aquela galeria e aquela voz, dentre os últimos dias aquela mulher tinha ligado querendo montar uma segunda exposição dos desenhos em preto e branco que Jimmy fazia em papel. Todas as galerias se interessavam por essas exposições já que Jimmy não se importava em vender esses desenhos ao contrário das pinturas que só eram vendidas se fossem feitas replicas, o que não era tao vantajoso para as vendedoras e divulgadoras de arte, embora exposições de qualquer tipo de arte de James Novak sempre terminavam com ganho astronômico.

A única coisa que ela não entendia era a insistência da mulher em querer falar com Jimmy. Certamente ela não estava nesse meio há muito tempo, pois se estivesse ela saberia que o pintor em si não era a melhor pessoa para resolver esse tipo de assunto, bem pelo menos ela aprenderia quando o encontrasse pessoalmente. Todos sempre acabavam por levar um choque...

-Oh, aqui é Jessica Moore você pode falar comigo.

Por um momento a linha ficou muda, Jessica pensou que a mulher talvez estivesse com um pouco de mal humor já que quando ela retornou a falar sua voz era um pouco acida para uma amante da arte. Varrendo esse pensamento Jessica simplesmente pensou que a mulher possivelmente estava em uma semana de tubarão e não quis perturba-la perguntando sobre assuntos pessoais.

-Venho dizer que confirmamos a data da exposição do senhor Novak. Vai ser nessa sexta-feira.

Jessica abriu um sorriso, certamente Jimmy teria uma surpresa. Ele adorava as sextas-feiras e queria fazer algo de interessante nessa sexta em particular. Nada seria melhor para ele do que ver todos os seus desenhos expostos e muitas pessoas impressionadas com ele. Para um artista não havia nada melhor do que ter pessoas impressionadas com sua arte, e como agora eles tinham amigos pessoais que gostavam muito de seus desenhos Jessica não via uma razao para fazer Sam levar o desenho que Jimmy tinha feito dela para casa.

Ela contava pelo menos com um desconto para seus mais novos vizinhos, mas sabia que quando Jimmy queria ele poderia dar a algumas pessoas seus quadros mais preciosos sem querer nada em troca, Jimmy nunca tinha entendido o que o dinheiro significava e conseguiu criar um escândalo há dois meses quando uma jornalista e critica de arte flagrou um mendigo carregando uma de suas telas. Tinha levado quatro horas e muita paciência de Gabriel para resolver aquilo tudo, no final o homem não foi preso mais a repórter ainda não conseguia acreditar que ele tinha dado uma de suas pinturas... Jessica sorriu interiormente, agora que tudo tinha passado ela poderia dizer que foi o dia mais engraçado que ela teve. Atualmente o mendigo (Adam Milligan) era muito amigo de Jimmy e vinha visitar-los de vez em quando.

-Muito obrigada, ele vai ficar muito feliz em saber disso.

As duas mulheres desligaram quase que ao mesmo tempo. Jessica caminhou para o quarto de Jimmy para encontra-lo em cima da cama a sua espera. Ela abriu um sorriso e se aproximou dele para despi-lo.

Debaixo do mesmo prédio um carro azul era estacionado e duas pessoas saiam dele, eram dois homens e um estava completamente confuso sobre o que fazer. Ele não sabia se deveria ajudar Cas a entrar no edifício ou ir pegar a cadeira de rodas de Danny na mala.

Castiel simplesmente estendeu sua bengala longa no chão- Dean nunca tinha visto quão rápido essas coisas poderiam se desdobrar- e saiu do carro sem apresentar nenhuma dificuldade. Ele sabia o lugar exato em que estava e ficou esperando pelos seus vizinhos para acompanha-los. Enquanto ele ouvia Lisa reclamar sobre a maneira rude que seu pai a tinha acordado e Danny fazia seus movimentos não silenciosos de uma pessoa que tinha acabado de acordar e tinha de ser colocado em uma cadeira de rodas ele simplesmente sorria, pessoas que não reagiam bem a serem acordadas era para ele a coisa mais familiar do mundo.

Finalmente as duas crianças tinham entrado nos elevadores e Dean tinha apertado o botão do terceiro andar com Castiel a seu lado. O velho elevador fazia barulhos estranhos e não demorou muito para o professor sentir uma pequena mão agarrando-lhe a manga. Como ele não poderia dizer qual dois meninos era ele resolveu colocar a mão aonde ele sabia que a cabeça da criança estava e ao sentir longos cabelos ele sabia que era Lisa.

-De todas as pessoas eu jamais pensaria que você era claustrofóbica.

Lisa olhou para ele com grandes olhos assustados, ela não queria responder mais sabia que era falta de educação ficar calada diante de uma pessoa que não poderia ver sua linguagem corporal. O que a salvou, como em muitas vezes, foi Danny; o menino tinha pigarrado para chamar a atenção de seu mais novo amigo adulto:

-Lisa não gosta de lugares fechados desde que papai perdeu a gente em um Shopping center durante o natal. A gente tinha uns quatro anos e acabamos presos em um provador.

Se vergonha pudesse matar Dean Winchester já estaria a sete palmos debaixo da terra. Ele coçou a cabeça para tentar criar uma brecha e explicar melhor essa historia para Castiel, ele não queria que o outro homem pensasse que ele era um péssimo pai. Felizmente ela não precisava de nada disso, quando ele olhou para o homem cego ele percebeu que Cas estava tentando e não conseguindo conter o riso.

Cas tinha uma mão nos cabelos de Lisa e estava tentando seu melhor para se acamar mais parecia que toda a coisa era muito engraçada para ele. Depois de um tempo ele finalmente disse:

-Se eu fosse contar quantas vezes eu e Gabe já perdemos Jimmy eu certamente teria de entrar no departamento de matemática e não o de historia. A porta do elevador tinha se aberto nesse instante e Lisa tinha corrido para a liberdade dos lugares menos apertados. O homem de olhos verdes estava ajudando Danny a empurrar sua cadeira e sair do elevador, no fundo ele não poderia realmente acreditar que Cas poderia achar ele um péssimo pai. O cara de olhos azuis em sua frente lembrava-lhe as historias de anjos que sua mãe lhe contava quando ele tinha quatro anos: ele era um homem bonito como um anjo, tinha uma voz completamente forte que lembrava um fenômeno da natureza e era de um caráter incrível. Se um dia ele visse asas saindo de Castiel ele certamente não ficaria impressionado.

Alguma coisa tinha acontecido entre as crianças depois que eles saíram do elevador. Sem que ele percebesse seus filhos tinham pego as chaves da casa que estavam em seu bolso e, de uma forma bastante sorrateira, tinham entrado dentro do apartamento deixando os dois adultos sozinhos. Castiel sentiu a mudança de clima e poderia jurar que estava corando, mesmo assim ele não tinha feito nenhum movimento para pegar suas próprias chaves ou simplesmente bater na porta do apartamento ao lado. Ele sabia que o engenheiro em sua frente também não tinha mexido um único muculo.

Sabendo que era a sua vez de jogar Cas limpou sua garganta:

-Nos poderíamos fazer isso mais vezes, sabe a coisa do sorvete? Se ele teve ajuda divina para conseguir manter sua voz em um tom natural ele nunca saberia, mesmo assim ele era grato por isso.

Dean coçou a cabeça e olhou para baixo. Algo nele definitivamente não estava certo.

-Yeah, Danny e Lisa iriam adorar fazer isso mais vezes, eles gostaram de você.

Castiel tinha certeza que ele era verdadeiro, mais não deixou de ficar um pouco pensativo quando Dean não tinha entendido exatamente o que ele queria dizer. Por um momento ele pensou que ele talvez estivesse indo rápido demais...

As palavras seguintes saíram de sua boca sem ele ter dado permissão:

-Não me leve a mal... eu adorei seus filhos, mas quando eu disse que queria fazer isso mais vezes eu estava pensando que poderíamos fazer isso só nos dois.

Dean tinha parado de respirar por cerca de alguns segundos, seu coração batia forte no peito e ele tinha que sair dali para ter certeza de que não iria fazer nada que poderia se arrepender. Ele sabia que Danny e Lisa estariam escultando toda a conversa e não queria ter de conversar sobre o que estava acontecendo com eles... quando ele olhou para o seu vizinho ele poderia saber que o homem estava esperando pacientemente por uma resposta e tinha umidecido os lábios em antecipação a algo que não era bom. O engenheiro se sentiu culpado por dar esse tipo de impressão, certamente o cara cego diante dele estava interpretando o silencio como uma negativa. E quando os olhos azuis acertaram o caminho para os seus ele não conseguia mais pensar em seus filhos, ele simplesmente deu dois passos a frente e selou os lábios juntos em um beijo comportado.

-Isso é um sim/ foi a resposta de Castiel logo depois de terem quebrado o beijo.

-Por Deus! Sim. Foi a resposta apressada. Castiel poderia saber que o engenheiro já estava muito longe dele e quando o barulho da porta se fechando o cumprimentou ele resolveu fazer o mesmo e entrar finalmente em sua casa.

Ele não esperava ser abraçado por um Jimmy muito eufórico assim que pisou dentro de casa, sua bengala tinha caído no chão e quando seus braços não tinham escolha senão enrolar-se em volta do corpo de seu irmão mais velho ele não foi capaz de sentir nenhuma roupa. Seu rosto só não tinha virado vermelho porque não era nem a primeira nem a ultima vez que Jimmy faria algo assim, seu gêmeo tinha o terrível e infantil habito de querer sair de casa completamente pelado.

-Feliz aniversario!

Castiel revirou os olhos, Jimmy sabia que não era seu aniversario por que se fosse seria o aniversario dele também. Ele suspirou, provavelmente seu irmãozinho sabia de tudo o que tinha acontecido no corredor.

-Não é nosso aniversario Jimmy. Agora vá se vestir. E ele tentou inutilmente empurrar o corpo de Jimmy para longe mais apenas recebeu um outro puxão e mais uma vez estava colado a ele.

Jimmy tinha colocado seus braços em torno do pescoço de Castiel e tinha beijado-lhe na bochecha. Ele parecia uma criança em uma manha de natal. Se alguém visse aquilo diria que ele era uma criança em uma manha de natal.

-É seu aniversario sim. Aniversario de namoro...- Jimmy tinha praticamente gritado as palavras no ouvido sensível de Castiel, mas ele era muito contente para se importar. Se seu pequeno irmão vidente tinha dito que era seu aniversario de namoro então ele deveria ser o mais feliz dali, ele realmente gostava de Dean e tinha sentido que queria algo mais alem da amizade com ele desde o aperto de mão que eles tinham dado quando se conheceram- e eu estou vestido.

Castiel não estava certo sobre a segunda coisa que saiu da boca de Jimmy. Tendo muito cuidado para não humilhar seu irmão ele tateou lentamente as costas de outro até que sentiu o plastico macio da fralda. Essa peça não contava como vestuário, mas ele não iria ser rude com seu gêmeo. Ele mais uma vez tentou se desfazer do abraço apertado e dessa vez teve sucesso mas antes que ele pudesse empurrar Jimmy para seu quarto e vesti-lo um barulho fraco foi pego por sua orelha.

-Aww. Isso definitivamente está indo para o meu cartão de natal! Jessica tinha um sorriso malicioso nos lábios e Cas não precisava ver para saber o que ela poderia estar planejando.- não mande essa energia de ódio para mim Cas, a ideia de sair do quarto semi-nu e te abraçar não foi minha.

Jimmy sorria o tempo todo e foi abraçar Jessica. A mulher deixou-se ser abraçada e acariciou os cabelos negros do homem diante dela, com o canto do olho ela poderia ver Castiel sorrindo amplamente. Ela tirou outra foto.

O outro homem de olhos azuis simplesmente correu dali e se trancou em seu quarto. O tempo todo ele mantinha o sorriso e não era capaz de ficar brabo com nenhum dos dois. Era assim que eles eram: duas bolas de felicidade. Ele ouvia Jessica gritar para ele do outro lado da casa:

-Não tenha vergonha Castiel, Dean é um ótimo partido!

-Cale a boca e vá vestir Jimmy! Foi a sua resposta humorada. Ele não tinha nem um pingo de raiva quando falava e decidiu deitar-se na cama. Seu coração batia aceleradamente.

Na sala Jessica e Jimmy tinham feito um super aperto de mão como se eles fossem de alguma gangue e tinham sorrisos em seus lábios. A bengala de Cas estava esquecida em um canto próximo a porta.

-Vamos Jimmy, vamos deixar o pombinho em paz. Ela o empurrou para o quarto e começou a vesti-lo.

Alheio a toda a felicidade que estava acontecendo nos apartamentos 3A e 3B- Lisa, Danny e Sam estavam fazendo com Dean o mesmo que Jimmy e Jessica fizeram com Cas e Dean nunca iria acreditar que seus filhos já sabiam que ele tinha namorado outros homens e não estavam impressionados com isso...- o capitão Novak estava tomando sua quinta xícara de café naquela tarde enquanto observava sua oficial Harvelle (Jo, filha de Hellen Harvelle) interrogar uma mulher. Ele estava mastigando uma barra de chocolate, mas seus pensamentos não eram nem um pouco doces conforme ele ia ouvindo tudo o que a mulher dizia.

Aparentemente, Becky Rosen a mulher em sua frente, tinha visto um homem colocar a carta na mesa de numero vinte daquele restaurante. O que mais o deixava nervoso era a aparência desse homem. Ele tinha certeza que tinha visto alguém assim em algum lugar...

-É impressão minha ou você também acha que já viu esse cara? Seu tenente falava enquanto ajeitava seus óculos. Ele estava a sua direita e tinha um olhar bastante pensativo no rosto. Gabriel simplesmente assentiu com a cabeça em concordância.

E os dois continuaram a escutar, a mulher na frente de Jo era muito estranha e não conseguia colocar sentido em suas palavras na maior parte do tempo. Ela dizia sentir uma coisa estranha toda vez que se lembrava do homem e tinha descrito tudo o que se lembrava inclusive que ele parecia estar bem bêbado quando entrou no restaurante e que estava dizendo o tempo todo que tinha que ficar ali até que seus amigos chegassem.

Tudo começava a fazer sentido. Um homem tinha sido enviado para fazer o trabalho dela. Eles continuaram e ouvir o relato da mulher e ficaram impressionados ao saber que logo depois que ele disse aquilo dois homens entraram no restaurante com malas grandes e as abriram descaradamente revelando seu conteúdo. Em uma das malas havia armas automáticas que cada um dos homens usou para tirar o dinheiro das pessoas que estavam almoçando e na outra mala havia uma criança morta.

-Foi horrível- disse a senhorita Rosen- eu estava na mesa ao lado deles e vi a criança. Eu gritei como uma louca e todos no restaurante olharam para mim e perceberam o que estava acontecendo. Depois disso foi uma loucura, muitos saiam correndo e outros ficaram ali paralisados, mas quando o homem com a criancinha morta nos braços atirou em uma garrafa de vinho todos congelaram e eles começaram a nos roubar...

Becky estava tremendo e lagrimas saiam de seus olhos. A oficial Harvelle tinha colocado uma mão em seu ombro e esperou pacientemente que a mulher se acalmasse.

-E depois?

-Depois...- a voz dela voltou a se quebrar mas dessa vez ela estava determinada e voltou a narrativa- eu segui o homem e o vi colocando a meni.. o corpo na panela e me escondi debaixo de uma mesa até que ele saísse. Quando tudo acabou eu voltei para casa.

Gabriel estava confuso. Por que ele não tinha encontrado essa mulher ontem? Por que ela resolveu se revelar depois que a policia tinha dado o caso por encerrado? Aparentemente Jo tinha os mesmos pesamentos que ele e disse do outro lado do espelho:

-Por que vir a policia agora?

Becky tremia com essa pergunta.

-Quando eu sai do restaurante eu estava pesando em fazer isso, mas quando eu ia atravessar a rua fui puxado por aquele homem, o que tinha a carta e ele apontou uma arma para mim e me disse que eu estaria muito morta se chegasse no departamento. Para chegar aqui eu peguei emprestado a peruca da minha amiga e me maquiei toda para parecer diferente.

E ela tinha tirado a peruca vermelha e revelou seu cabelos verdadeiro, depois disso ela mostrou uma foto dela para Jo. Do outro lado do espelho Chuck tinha dado um ligeiro assovio. Ele tinha gostado da mulher.

A mulher tinha voltado a chorar.

-Me desculpe, eu queria ser mais corajosa... mas quando aquele homem olhou para mim e eu vi os olhos amarelos dele eu entrei em panico!

Os olhos do capitão e do tenente estavam arregalados. Agora eles sabiam com quem estavam lidando. Gabriel bateu no vidro e esperou sua oficial sair da sala e encontra-lo do outro lado:

-Bom trabalho garota, sua mãe vai ficar orgulhosa. Leve a senhora Rosen para falar com os desenhistas e depois vá para a minha sala.

Jo sorriu para o seu superior e cumprimentou-o. Ela saiu da sala em um piscar.

O tenente Shurley continuava a limpar seus óculos;

-Então descobrimos nosso primeiro passo.

Gabriel tinha aberto outra barra de chocolate e tinha praticamente colocado metade dela em sua boca. Ele jamais imaginaria conseguir um nome tao cedo.

Seus olhos castanhos estavam pensativos quando ele encarou seu parceiro:

-Definitivamente Ruby esta fazendo apostas altas, contratar Azazel para deixar uma carta em um restaurante deve valer muito caro.

Chuck concordou com um aceno de cabeça e os dois saíram da sala de interrogatório.

Gabriel brincava com sua gravata, a que ele estava usando desa vez era pintada de vermelho e tinha pequenas manchas de tinta roxa com olhos verdes desenhados em cada uma. Ele não conseguia afastar um sentimento de dor cada vez que olhava para eles. Em sua mente ele via Danny e Lisa em cada um dos olhinhos e sabia que iria ter de revelar algumas coisas para Sam e Dean Winchester. Era direito deles saber que havia mais coisas na carta que Ruby tinha deixado. Ele simplesmente sabia que aquilo seria tao difícil quando dizer a Jimmy que ele não poderia mais pintar.

-Qual vai ser nosso primeiro passo chefe? A voz de seu amigo o chamava de volta a terra.

O capitão voltou a brincar com sua gravata enquanto dizia:

-Vamos aumentar a proteção em torno do prédio e depois fazer uma conferencia com o FBI, está na hora deles desembucharem o que encontraram.

Por mais que ferisse o orgulho de cada um deles ninguém tinha outra alternativa a não ser pedir um pouco de informação aos federais. Mais uma vez os dois oficiais responsáveis pelo departamento sabiam que não estavam voltando para suas casa naquela segunda feira. O jogo estava indo ficar cada vez mais serio.

Notas finais
não me pergunte porque a letra mudou, eu realmente não sei.
Daqui para a frente só vai ter drama...
Diga-me o que achou que responderei quanto amo seu comentário!