When You Have A Killer In Your Tail

5 Capítulo 5 Quando o amor conhece o medo


Notas iniciais
Mais um capitulo para ir
Como estou meio apressada hoje pois tenho uma despedida para ir posso dizer que esse capitulo não foi revisado, assim sorry.

Era quarta-feira e de todos os dias este não parecia ser um dia digno de um primeiro encontro. Dean tinha acabado de descobrir- Na verdade Gabriel tinha dito a ele e Sam no dia anterior- que todos os seus pressentimentos estavam certos e que aquela mulher realmente estava atrás de seus filhos como uma vingança pessoal. Ele tinha sentido muito medo e tinha concordado com Sam em contar aos pequenos, pois, eles iriam descobrir de qualquer maneira; durante a noite Dean e Sam tiveram em seus braços Lisa e Danny respectivamente e cantaram Hey Jude durante muito tempo, as crianças simplesmente não conseguiam dormir e cada vez que eles tentavam novas imagens macabras brotavam em suas mentes. Tinha demorado mais de cinco horas para acalma-los e mesmo assim Danny insistia em dizer que sua visão estava cada vez mais perto e eles tiveram de fazer malabarismos para que o menino se esquecesse de tudo aquilo... no meio de tudo Dean e Castiel tinham combinado de saírem juntos como um primeiro encontro para amenizar o clima pesado e esquecer um pouco de tudo e ninguém parecia querer discordar disso, até mesmo Sam resolveu pegar Jessica, Jimmy e as crianças para se divertirem no parque do pier.

Mesmo com a urgência da situação nenhum deles queria concordar com a quantidade de policiais disfarçados que os rondavam. Se Dean olhasse para a mesa ao lado dele ele poderia ver um casal de oficiais conversando sobre qualquer outra coisa menos trabalho ao lado deles, os dois eram tao sutis que se eles não se conhecessem Dean não se importaria de te-los por perto, mas como ele sabia quem eles eram toda a ideia de paquerar o homem em sua frente tinha ido para o ralo.

Ao invés disso os dois estavam em uma segunda rodada do jogo perguntas e perguntas. Por um lado eles estavam confortáveis com isso, estranhamente para Dean Cas tinha o talento natural de faze-lo querer contar todo o seu passado e o inverso era verdadeiro, Castiel nunca conseguiria entender como alguém como Dean poderia fazer perguntas incrivelmente ingenuas sobre seus passado e ainda assim conseguir respostas melhores do que a maioria dos repórteres que já tinham o entrevistado ou seus alunos da faculdade. Na maioria das vezes o professor não conseguia responder nenhuma pergunta sobre sua infância, mas na presença daquele engenheiro ele até estava querendo responde-las.

A única explicação que ele atribuía para isso é que ele realmente precisava de terapia e como não tinha coragem de fazer todo o processo ele tinha se agarrado a pessoa cujas perguntas não o tornavam desconfortável. Foi divertido para Castiel descobrir que Dean sabia varias modalidades de luta e que uma delas era o Krav maga e ele definitivamente estava orgulhoso em saber que ele não se importava tanto assim com o sexo de quem ele amava. Dean Smith- eles tinham de se acostumar com esse nome falso- era definitivamente uma pessoa que já tinha se apaixonado por muitas mulheres e por alguns homens também.

Por sua vez Dean tinha adorada descobrir como Cas tinha aprendido a organizar seu mundo sem um dos sentidos mais importante para os humanos. Sendo cego de nascença Cas teve de aprender muitas coisas a partir de descrições que as pessoas davam a ele o que acabava por ser muito complicado até pra ele entender. No momento em que o professor tinha dito que quem o tinha ensinado sobre as cores foi Jimmy Dean tinha ficado mais curiosos, sabendo que o outro homem de olhos azuis era um pintor ele deveria ter dado as melhores explicações sobre as cores.

-O problema com Gabriel era que ele ia sempre pelo senso comum quando se tratava das cores- Dizia o homem cego enquanto comia seu macarrão com queijo, ele tinha a cabeça ligeiramente inclinada como se estivesse muito concentrado nas lembranças- ele dizia que azul era a cor do ceu, verde das plantas, mas parecia que não tinha alma atras disso como se ele não conseguisse fazer isso direito. Bom, eu nunca realmente posso dizer que sei como as cores são, mas quando Jimmy resolveu me dar uma aula sobre elas tudo ficou muito diferente.

Dean tinha os olhos fixos em Castiel, ele também estava comendo um prato de massas mas parecia que durante aquele momento ele não era mais capaz de comer.

E foi assim que ele aprendeu que o vermelho era teimoso e ardia como colocar a mão em uma vela ao mesmo tempo que era amigo e queria englobar todas as outras cores em seu calor e dentre todas as cores era a mais leve e furiosa de todas, a cor que fazia tudo para proteger as ouras cores. Castiel tinha lhe dito que quando se conheceram Jimmy disse que ele era vermelho assim como Gabriel. O azul era frio, como o vento de inverno tocando na pele ou a água gelada dentro da boca, azul era uma cor sonhadora que gostava de números e de ficar sozinha no seu canto da tela mas que quando as outras cores lhe pediam ajuda era mansa e gostava de se misturar nelas fazendo lindas outras cores, o azul era uma cor extremamente calma que lembrava Sam e Danny. Verde era uma cor esperta que conseguia se fechar e não se misturar com ninguém, era uma cor que gostava de chamar atenção pela sua atitude e que brigava pelo seu espaça sempre se distinguindo do azul e do amarelo, verde era inteligente e mostrava-se duro para não revelar seus sentimentos mas quando era para fazer companhia a outras cores e quando não era perturbada ele gostava da harmonia e não se importava em ser misturado ao branco para parecer brilhante. Essa era a cor de Castiel e Lisa.

Dean parecia hipnotizado, Castiel falava com uma voz melodiosa provavelmente a mesma voz que ensinava sobre a historia de Nabucodonosor II(9) e seus jardins. Ele daria tudo para ouvir as explicações sobre as outras cores ou simplesmente perguntar ao homem em sua frente qual era a cor favorita dele- Dean já tinha conhecido pessoas cegas para saber que sim, elas podem ter cores favoritas- mas antes que qualquer outra coisa fosse dita o celular dele tinha tocado ruidosamente.

-Porra. Ele deixou escapar antes de atender o telefone sem olhar o visor.

Do outro lado da linha ele poderia ouvir o barulho das ondas do mar sendo abafado por milhares de vozes alegres e algumas musicas instrumentais, ele não precisou esperar para que Sam falasse para saber que era ele. Tudo estava muito obvio e ele teve de respirar fundo para não gritar com seu irmão por ter ligado no meio de algo interessante.

-Hey Dean...- A voz de Sam era um pouco tímida, mesmo assim ele não apresentava sinais de ter ligado por acaso- eu sei que essa não é a melhor hora para eu ligar, mas.. Jimmy quer falar com você.

Dean estava confuso. Por que diabos Jimmy queria falar com ele? Foi somente quando Jessica pegou o telefone e começou a dizer alguma coisa muito confusa para ele que ele compreendeu o que realmente estava acontecendo:

-Como assim “Ele tem mojo?” a partir desse pedaço da conversa Castiel poderia saber o que estava acontecendo. Se ele tivesse de escolher esse não seria o momento para contar a Dean mais sobre seu irmão gêmeo, principalmente esse detalhe. Ele suspirou pesadamente, se Jimmy tinha algo para falar com Dean certamente deveria ser importante. O que Dean jamais esperava era descobrir que James Novak tinha mais coisas em comum com seu filho do que a fisiologia, a partir do que ele poderia pegar da explicação de Jessica o pintor era capaz de ver e sentir coisas que as outras pessoas não eram capazes de ver. Os olhos verdes se suavizaram quando olharam para o homem em sua frente, Cas tinha o semblante um pouco ansioso como se ele estivesse esperando por um julgamento não muito bom da parte dele, em algum momento dessa conversa Dean deveria se explicar a Castiel e revelar logo de uma vez que ele não tinha nada contra pessoas que veem mais do que a realidade permite o que ele não conseguia compreender era como ele ainda não tinha falado sobre Danny e suas visões ao outro. Bom, tempo para resolver isso era uma coisa que não faltava, Jimmy estava na outra linha falando repetidamente “Alo” e esperando por ele para responde-lo.

As primeiras coisas primeiro, pensou Dean:

-Oi Jimmy. O que?- do outro lado da linha um Jimmy muito estressado estava falando tudo de uma forma rápida,, mesmo assim ele era capaz de entender a essência do que era dito- você tem certeza? Claro que você tem... Ok, eu vou resolver isso. Obrigado.

E a conversa terminou dessa maneira. Do outro lado da mesa Castiel estava coçando o osso atras de sua orelha esquerda e tinha um semblante completamente nervoso. Dean segurou a mão dele com a sua e ganhou a atenção do outro homem.

-Está tudo bem- ele não tinha o menor tempo para explicar as coisas para Castiel, mas ele tinha de dizer alguma coisa antes de sair para a mesa do canto do restaurante onde ele tinha confirmado que Jimmy estava certo- olha, eu não tenho muito tempo para uma conversa merecida mas...- como ele poderia dizer isso?- seu irmão, Gabe, está aqui e eu acho que ele não está fazendo serviço proteção a testemunha. Castiel tinha pego imediatamente o que estava acontecendo. Seu rosto mostrou sua total irritação para com o capitão de policia e ele inclinou a cabeça deixando que Dean resolvesse a coisa toda. Se Gabriel pensava que estaria livre dele ele estaria completamente enganado.

O professor sorriu um sorriso maligno quando seu companheiro deixou a mesa em que ele estava. Logo depois ele se levantou, estendeu sua bengala e se sentou em uma das cadeiras vazias da mesa ao lado. Os dois oficiais ficaram em silencio com a sua presença e ele reuniu a voz mais irritada que conseguia fazer antes de falar:

-O chefe de vocês não tem nada melhor para fazer não é? O casal que estava na mesa permaneceu em silencio sabendo que aquilo seria o começo de um sermão extremamente longo.

Do outro lado do restaurante Gabriel desfrutava de uma torta de morango com chocolate enquanto observava o movimento da mesa do seu irmãozinho. Ele estava sendo o mais discreto possível e não entendeu como poderia ter sido descoberto, antes mesmo que Dean chegasse a sua mesa seu celular tocou indicando uma mensagem. Ele leu seu conteúdo e não ficou nem um pouco surpreso ao saber que quem tinha o dedurado foi Jimmy. A mensagem dizia: “Jimmy diz para você parar de fazer isso, e eu também- Jessica”.

Provavelmente ele não estaria terminando essa torta. Quando ele guardou o aparelho em seu bolso ele percebeu que Dean já estava em sua mesa sentado em sua frente.

Pelo semblante o cara não estava nem um pouco feliz em vê-lo ali. Gabriel conseguiu acenar com a cabeça de uma maneira infantil e depois que o primeiro momento acabou seus olhos viraram âmbar liquido.

-Eu não sabia que você fazia espionagem capitão. A voz já veio sarcástica e os olhos tinham se tornado opacos com o desgosto, o chefe dos detetives tinha ficado um pouco alegre com a duelo que estava para acontecer. Ele deixou sua torta de lado:

-Bem, a policia faz de tudo... mas essa aqui é uma força-tarefa de um homem só. Em sua frente seu protegido tinha cruzado os braços em torno do peito.

Dean suspirou:

-Deixa eu adivinhar... é o seu direito como irmão mais velho espionar os caras que saem com os irmãos mais novos e assustar o inferno fora deles para que eles nunca mais encostem um dedo em Cas ou Jimmy? Ele tinha falado aquilo com uma voz compreensiva, ele mesmo como o irmão mais velho de Sam tinha pego a ficha de varias das mulheres com quem ele já tinha saído. Estranhamente ele nunca pensou em olhar um pouco mais para Ruby... antes que esses pensamentos tomassem conta dele Gabriel voltou a falar:

-Sim, sim e não- ele disse ainda com uma voz calma, não era o momento de fazer um barraco- eu não assusto o inferno fora das pessoas que saem com Cassy eu simplesmente aponto minha PT 940C e digo que irei mirar nas bolas se eles fizeram meu irmãozinho chorar. Para enfatizar o que estava dizendo Gabriel tocou Dean com o cano de sua pistola por debaixo da mesa, o engenheiro podia sentir o metal frio no seu joelho.

Ele não estava com medo.

Os dois pareciam dois cachorros em uma disputa para ver quem iria comer a carne que sobra no jantar. Gabriel tinha recolhido sua arma e guardado no colide e Dean parecia um pouco menos nervoso, ele não estava com medo da arma mas sim de como poderia sair daquela situação e voltar para o que restava de seu encontro. O pior de tudo para ele era sentir-se concordando com tudo o que o capitão tinha feito até agora, ele sabia que se ele tivesse uma pistola dessas ele apontaria para as ultimas cinco namoradas de Sam.

Ele tentou ir por um outro caminho:

-Olha Gabe- nem ele entendia como tinha pego os apelidos de todos eles tao facilmente- eu realmente entendo o que você está fazendo. Porra, eu fazia coisas piores com as namoradas de Sam... mas o ponto é que eu realmente gosto de Cas e... eu não posso prometer coisas mas posso dizer que não vou faze-lo chorar por maldade.

Gabriel voltou para seu pedaço de torta. Aquilo ia ficar mais complicado do que ele pensou. Por que Cas tinha escolhido logo o irmão mais velho? Ah, porque o outro não era chegado a homens... ele voltou a conversa:

-Você não entende Den-no, eu não estou aqui agindo como um irmão mais velho pé na bunda. Eu realmente tenho uma razão para isso- seus olhos tinham virado para cima e ele estava lutando para não se perder nas memorias dolorosas do passado. Ele deu uma outra mordida em sua torta e ficou triste ao notar que estava quase acabando- Cas já se machucou muito em outros relacionamentos e eu só não quero que isso se repita.

Os olhos de Dean se arregalaram, por um momento verde encontrou castanho e eles ficaram ali em silencio. O que Gabriel tinha dito bateu muito mais fundo em Dean do que ele esperava e não havia outra saída senão revelar ao capitão o que ele tinha escondido de seus filhos por um longo tempo. Ele abaixou a cabeça e contemplou o pano de mesa bordado para ter forças suficientes de falar o que estava preso por oito longos anos. Fora Sam Gabriel seria a primeira pessoa a saber da verdade.

Ele hesitou por um momento e depois respirou fundo colocando tudo em uma única sentença:

-Meu ultimo relacionamento, ou seja, a mãe dos meus filhos se suicidou três meses depois deles terem nascido.

O policial esqueceu completamente sua torta. Ele não tinha lido nada sobre aquilo na ficha dos Winchesters, o que contava em seu acervo era que a mãe de Danny e Lisa tinha morrido de um ataque cardíaco três meses depois de dar a luz.

-Uau! O que mais ele poderia dizer? Tudo lhe parecia muito vazio diante da situação e da dor que Dean deixou mostrar em seus olhos.- Na minha ficha ela morreu de ataque cardíaco.

Dean não tardou a responder com ironia em cada silaba:

-Yeah, ataque cardíaco provocado por uma merda de planta que foi comprada de uma loja de artigos macabros e paga em dinheiro. Ela colocou a planta no chá e simplesmente deixou esse mundo- ele tinha voltado a abaixar a cabeça- eu acho que ela não conseguiu lidar com os problemas que vieram com Daniel. Ele tinha dito a ultima frase com uma voz tao pequena que se Gabriel não fosse acostumado a ler os lábios durante as missões mais sigilosas ele não entenderia. Um choque de empatia caiu sobre o capitão de policia, ele suspirou abertamente e entregou sua taça de vinho para o outro homem com um olhar que pedia as mais sinceras desculpas. Por tudo que Gabriel era ele não conseguia ser intelectualmente cego para as pessoas ao seu redor e se havia alguém que certamente poderia lidar com todas as crises emocionais de seu irmão mais novo era Dean. Eles só precisavam de tempo para se adaptarem um ao outro e conseguirem curar as suas feridas.

O telefone de Gabriel tinha tocado de novo e outra mensagem pode ser lida, dessa vez ele não fez nenhum segredo sobre seu conteúdo e a leu em voz alta para que Dean pudesse ouvir. O que estava escrito era: “Jimmy está dizendo que ele estava certo e que você deve parar de irritar Dean, ele é o namorado de Cas quer você queira quer não -Jessica” Gabriel poderia ter duvidas sobre Jimmy falar em um tom tao mandão e com as palavras rebuscadas que estavam no texto mas ele sabia que a essência do que ele queria dizer estava ali. A única coisa que ele conseguiu dizer foi que não sabia que eles já estavam namorando e Dean respondeu que eles não estavam. Aparentemente para Jimmy aquilo já era um namoro há muito tempo.

O engenheiro se levantou:

-Não se preocupe, eu vou fazer o meu melhor.

Gabriel sorriu em troca e desbloqueou sua arma com um clic:

-Eu sei que vai... mas se você não conseguir- Dean ouviu a arma ser destravada- tem uma bala com o seu nome. Estranhamente o engenheiro ainda não estava com medo, ele sorriu para o policial e depois deixou a mesa. Se havia uma coisa que Gabriel sabia era que ele tinha de correr o mais rápido possível dali, seu maninho não ia estar nem um pouco feliz em saber que ele tentou assustar seu novo investimento amoroso. Ele ligou para o seu tenente e perguntou qual era a parada.

Ele voltou para a delegacia logo em seguida.

Do outro lado do restaurante Dean voltou a mesa e guiou Castiel para fora, era a hora de se abrir um pouco mais com ele e mesmo se seu anjo não quisesse falar do seu passado Dean queria deixar esse começo de relação o mais transparente possível. Ele não tinha a minima ideia de o quanto isso tinha agradado o professor de historia.

Castiel pensou que talvez ele não precisava brigar com Gabe quando o encontrasse afinal. Um sorriso puxou seus lábios enquanto ele era guiado por Dean, sua mão estava na dobra do cotovelo do homem de olhos verdes e ele se sentia mais seguro do que em qualquer outro lugar.

Longe dali Sam e Jessica estavam tendo a difícil missão de tentar namorar enquanto tem de prestar atenção em duas crianças hiperativas e um adulto de cinco anos de idade. Não tinha demorado muito para eles perceberem que os beijos teriam de ser deixados em segundo plano.

A situação era um caos total; Danny queria ir na montanha russa, Lisa queria testar sua pontaria e ganhar um ursinho roxo e Jimmy estava bastante interessado na roda gigante. Nenhum estava com paciência para esperar os adultos chegarem em seus rastros e Sam não tinha a minima ideia do que fazer.

-Vamos tio Sam- dizia Danny muito entusiasmado puxando a manga de sua camisa- Lisa pode atirar e ganhar aquele urso feio quando ela quiser, mas a fila da montanha rusa não vai esperar!

Diante dele Lisa tinha os braços cruzados e se ele virasse o olhar um pouco mais para a esquerda veria Jessica mantendo Jimmy preso a seu aperto para que ele não desapareça bem diante de seus olhos. Sam sabia que uma dor de cabeça estava por vir.

Lisa estava argumentando que era muito possível que os caras grandes e gordos que estavam na barraca de tiro ao alvo poderiam ganhar seu urso, Danny dizia que aqueles idiotas não eram tao bons atiradores quanto ela ou Sam e infelizmente os dois começaram uma disputa com os quatro homens estupidamente grandes que estavam por perto. Nenhum dos quatro queria competir com a pequena menina de cabelos loiros e olhos verdes que estava petulantemente dizendo que queria ganhar o urso... atras deles Jessica estava quase morrendo de rir. Ver Sam tentar ser educado diante de quatro homens grandes como armários e acabar por insulta-los até suas decimas gerações era definitivamente a melhor coisa que ela já tinha visto.

O dono da barraca acabou por resolver toda a confusão organizando uma competição de tiro ao alvo, onde quem quisesse poderia participar. Em menos de vinte minutos catorze pessoas se juntaram ao redor da barraca e um quadro negro foi escrito com os nomes de cada competidor, depois dois grupos foram criados (o grupo dos quatro homens contava com um cara que parecia estar ali para impressionar a namorada e dois outros amigos desse idiota. O grupo de Sam tinha o apoio de Jo Harvelle, um casal de turistas japoneses e mais três adolescentes que estavam ali para colocar aquilo tudo na Youtube) começou a competição.

O primeiro Round provou que o idiota que queria impressionar a namorada era mesmo inútil, ele tinha perdido para um dos adolescentes. Na segunda rodada o homem japonês tinha perdido para um dos caras grandes, logo depois Jo tinha mostrado a um dos quatro caras que mulher também sabe atirar- ninguém precisava saber que ela era uma oficial da policia. Cerca de quarenta minutos tinham se passado e apenas sobravam seis competidores; Sam, Jo e a mulher japonesa de um lado e dois dos quatro caras gordos e um amigo do homem idiota. A cada minuto que se passava mais e mais pessoas tinham se juntado para ver a competição, para quem olhasse longe da barraca parecia que o dono estava distribuindo comida de graça, para quem estava torcendo por algum competidor nada mais importava.

Durante a próxima disputa (que era a mulher japonesa x um dos caras gordos e sem nome) Jessica soltou a mao de Jimmy para pegar sua maquina fotográfica, ela certamente se mataria se não tirasse nenhuma foto dessa disputa. Logo depois de ligar a câmera a mulher de cabelos loiros voltou a segurar no braço da pessoa ao lado. O que ela não sabia era que o pintor não mais estava ali.

Como sempre James Novak não gostava de brigas sejam elas como forem qualquer coisa que colocava uma pessoa contra outra não o interessava. Sendo assim o pintor tinha dado um jeito de escapar do aperto de sua babá antes que ela percebesse, tinha sido fácil escorregar dentro da multidão quando eles estavam se organizando para começar a competição toda e em menos de um minuto ele tinha saído daquela confusão toda passando do lado de um homem que queria pegar o seu lugar para poder ver tudo mais de perto, ele não poderia esconde ruma pitada de ciumes quando ele viu o cara se aproximar mais de Jessica. Bom, ele confiava em Sam para fazer alguma coisa com ele depois.

A principio Jimmy queria ficar longe da briga, mas ele logo percebeu que tinha se perdido no meio do pier. Ele deveria ter prestado mais atenção quando ele estava se afastando da barraca de tiro ao alvo. Com medo da bronca de Lisa e Jessica ele fez como um bom menino e se sentou no banco de pedra para espera-los.

Depois de uns bons dois minutos outro homem sentou a seu lado. Ele parecia ser um carteiro.

-Um ótimo dia para ver o parque não é?

Jimmy não respondeu, ele sabia que não deveria ficar falando com estranhos. O homem usava óculos escuros e tinha colocado a bolsa de cartas entre eles, ele parecia realmente cansado mas continuava a insistir em conversar e Jimmy se via curioso.

-Sabe eu estou aqui porque eu não consigo terminar um trabalho. Toda essa coisa de ser carteiro e as pessoas pensam que você conhece toda a cidade mais é mentira.

Nesse momento Jimmy era incapaz de se ajudar. Ele nunca pensou que os carteiros mentissem.

-Mentira? Ele deixou escapar em uma voz pequena.

O carteiro não pareceu notar a timidez. Ele continuou falando sem olhar para os olhos de Jimmy, ele parecia muito cansado e infeliz.

-Yeah...- ele começou a abrir sua bolsa de cartas e tirou de dentro dela uma pequena caixinha embrulhada em papel cartão- Me mandaram entregar esse pacote a um tal de James Novak, mas eu não faço ideia de quem ele é e eu não quero voltar para os correios e perguntar a alguém eles vão pensar que eu estou velho demais para o trabalho. Ele parecia triste, triste e decepcionado consigo mesmo, Jimmy sentiu um frio na barriga e uma vontade de ajudar esse homem. Ainda bem que ele sabia como.

Um grande sorriso se abriu em seu rosto e ele conseguiu encarar o homem de forma eufórica. Ele sempre gostou de poder ajudar as pessoas.

-Sou eu!

Finalmente o carteiro olhou para ele, dessa vez o cansaço tinha se ido embora e ele se deixou ser contagiado por Jimmy:

-No way, você é James Novak, o pintor e desenhista famoso?

-Sim! Se o carteiro pudesse ele certamente teria beijado Jimmy naquele momento. Ele colocou o pequeno pacote no banco e depois se levantou. Jimmy fez o mesmo e percebeu que eles eram quase da mesma altura.

O carteiro pegou o pacote do banco e estendeu-o para Jimmy.

-Você só acabou de salvar a minha vida, muito obrigado! Jimmy pegou o pacote e estendeu a mão para cumprimentar o homem. O carteiro deu um aperto forte e depois voltou a falar- Bom, eu ainda tenho muito trabalho a fazer mas pelo menos eu não serei demitido hoje e isso tudo é graças a você.

Jimmy agarrou o pacote em suas mãos e estufou seu peito com orgulho. Era certo que Jessica e Sam ficariam muito contentes com ele. Antes de ir embora o carteiro tinha mais uma coisa a dizer

-Senhor James? Os olhos azuis intensos estavam completamente atentos ao carteiro- tem mais uma coisa... me disseram que quem mandou essa carta queria que você só a abrisse quando estivesse sozinho. Jimmy disse que tinha entendido e o carteiro foi embora.

Sendo assim Jimmy- que tinha se esquecido completamente que deveria ficar ali sentado no banco- começou a se afastar ainda mais do pier tentando encontrar um lugar em que pudesse estar sozinho para abrir o pacote.

Isso foi há sete horas atras.

A mulher estava ficando impaciente, o céu já tinha escurecido e eles ainda não tinham saído daquele lugar, não que ela não tinha gostado de ter ganhado dos quatro caras gordos no tiro ao alvo, mas mesmo assim eram oito horas da noite e o segurança do pier não estava ajudando. Na realidade ninguém a estava ajudando, eles pensavam que por ela ser muito nova ela não deveria falar com a autoridade que ela sempre usava e o fato de estar ali trabalhando disfarçada só piorava as coisas. Por trás da mascara de irritação Jo Harvelle estava genuinamente preocupada; era James Novak que ela estava procurando, o irmão do meio de seu capitão e o homem pateta que ela tinha vindo a gostar- não no sentido romântico, Deus. Ele era apenas uma criança- de uma maneira que a fazia querer protege-lo. Ela suspirou, seu disfarce iria ter de esperar...

Na sua frente o segurança do pier estava completamente perdido em todas as coisas, parecia que ele era muito novo em tudo aquilo ou que simplesmente não estava nem ai com um homem de trinta e cinco anos que tinha se perdido. Se ela olhasse para trás seus olhos iriam se encontrar com Sam- uma outra pessoa que ela tinha vindo a gostar- tentando consolar a sua namorada que estava completamente histérica e gritava para o outro segurança que parecia ser mais inútil ainda. As duas crianças estavam estranhamente silenciosas e tinham lagrimas em seus olhos verdes, eles estavam preocupados com os seu amigo.

Preocupação não era nem o eufemismo.

Quando Jessica tinha percebido que o braço que ela tinha agarrado não pertencia a seu protegido- o que aconteceu logo depois de Sam e Jo terem empatado no jogo de tiro ao alvo e terem dividido os presentes entre si- ela imediatamente alertou todos eles e cada um começou a procurar em todos os cantos do parque. O dia de quarta-feira não estava ajudando, com muitas pessoas vindo se divertir nos brinquedos a procura começou a ficar exaustiva e a noite começou a chegar.

Mesmo com tudo acontecendo nenhum deles queria avisar Gabriel ou Cas sobre esse incidente: o primeiro estava muito ocupado tentando caçar a filha da puta e o segundo estava em um encontro amoroso muito merecido e certamente iria entrar em um ataque de panico quando soubesse que Jimmy estava perdido. Se havia duas coisas que Jessica poderia se lembrar dos primeiros anos que trabalhou na casa dos Novak era que Jimmy não se perdia desde o dia em que ela os conheceu e que Castiel tomava ansiolíticos para não morrer de um ataque de panico.

Sendo assim Jo tinha de tomar as rédeas nessa confusão toda. Ela perdeu a paciência com aquele pier e com aqueles seguranças idiotas e em um piscar ela tirou seu crachá da carteira e praticamente esfregou-o no nariz do otário.

-Olha aqui seu idiota, meu nome é Joanna Harvelle SFPD. O distintivo estava tao perto do rosto do homem que era muito difícil para ele ler qualquer coisa, mas ele tinha entendido o recado- e eu estou dizendo que o homem que procuro é James Novak. O sino está tocando? Não, então deixa eu refrescar a sua memoria...- ela tinha uma voz venenosa e o segurança estava se encolhendo- Ele é um pintor muito famoso e também é o irmão do capitão da policia. Finalmente as coisas pareciam estar funcionando, o segurança pegou seu walkie-talkie e falou em uma voz grossa o que seus subordinados deveriam fazer. Se ele prestasse atenção ao que estava acontecendo em sua frente ele poderia ver Jessica dando-lhe o dedo do meio.

A cuidadora tinha um pressentimento de que eles não iriam encontrar Jimmy ali. Seu peito estava doendo e ela se encolheu nos braços de Sam.

Meia hora depois ela descobriu que estava certa. Eram oito e meia da noite e seus olhos eram vermelhos e inchados, todos eles tinham parado próximo ao carro de Sam para discutir o que deveriam fazer. Jessica tinha uma garrafa de água em suas mãos mas ela não sentia nenhuma sede.

-O que vamos fazer? Danny foi o primeiro a quebrar o clima tenso entre os adultos, sua irma estava consolando Jessica enquanto Jo e seu tio estavam conversando por telepatia.

-Ele pode estar em qualquer lugar.

Ninguém queria admitir mas a criança de oito anos estava com a razão.

-Nos temos que avisar a Gabriel- foi Jessica que voltou a falar- se nos formos a policia eles vão querer esperar vinte e quatro horas para fazer alguma coisa e nos já procuramos por toda a área ao redor desse maldito pier, ele simplesmente não esta aqui!

-Jess- começou Sam com sua voz controlada- Gabriel está trabalhando no caso Ruby, ele não pode se preocupar com mais coisas. Ele se encolheu quando viu o olhar penetrante que ela dirigiu a ele, definitivamente ela estava furiosa. Para ele ela lembrava uma mãe galinha protegendo seu filhote e ele poderia se arrepender mais uma vez de ter sentido ciumes do cara, Jimmy era uma alma dócil que não nutria nenhum sentimento sexual para Jessica e ele poderia entender todo o amor que eles construíram um pelo outro.

-Claro que ele pode! Foi a resposta rápida, Jessica tinha o rosto vermelho de raiva e os olhos inchados de tanto chorar- Ruby pode estar atras de Jimmy!

Foi a revelação bombástica do dia, depois de descobrir que a mulher com quem tinha vivido por três anos era uma assassina Sam pensou que nada mais poderia o impressionar, mas depois de ouvir o que Jessica tinha dito ele mudou de ideia. A historia que ele e os outros ouviram era algo que fazia sentido (finalmente ele poderia saber o por que de Gabriel tratar esse caso de forma tao pessoal) mesmo assim tinha o assustado. Ele jamais poderia imaginar que Ruby tinha sido a namorada do primeiro parceiro de Gabriel e que o tinha matado antes de sumir sorrateiramente. Outra coisa que ele descobriu foi o fato de que a mulher odiosa nunca tinha gostado de Jimmy e que por muito tempo mandou cartas escritas a sangue para Gabriel e em muitas delas ela escrevia que um dia ela mataria eles todos começando por Jimmy.

Onde aquilo tudo tinha ficado tao familiar? Sam era capaz de compreender que ele nunca tinha sido o único a arrastar a desgraça para as outras pessoas, Ruby estava na cola de seus vizinhos muito antes e como sabia que eles estavam todos juntos ela resolveu jogar algo mais interessante.

Ele estava atônito. Antes que ele pudesse recuperar seus sentidos ele ouviu sua sobrinha falar:

-Assim, o que vocês estão esperando? Nos devíamos ter ido a policia sete horas atras!

Para enfatizar o que estava dizendo a menina entrou no carro de Sam e apertou o cinto.

Eles não precisaram pensar duas vezes.

Em sua sala o capitão Novak estava com um humor alegre: ele tinha conseguido identificar um dos agentes de Ruby, tinha conseguido um bom depoimento e a mesma mulher que o ajudou nessas duas coisas tinha acabado de reconhecer os dois últimos suspeitos do assalto ao restaurante e eles agora estavam todos presos. O melhor de tudo tinha sido que ele finalmente pode aprovar um dos namorados de seu irmão mais novo e que as quartas-feiras eram o dia em que ele e Jimmy assistiam filmes em desenho animado. Ele até tinha passado em uma locadora e pego Wall-e em DVD, era o filme favorito de seu irmão do meio e ele sabia que Jimmy faria uma festa para vê-lo.

Nada poderia tirar seu sorriso. Enquanto ele comia uma rosquinha ele assinava seus últimos processos e olhava o relógio, eram nove horas, ele pensou que talvez o filme tivesse de ser deixado para o outro dia. Jimmy não era a melhor pessoa para ficar acordado até tarde.

Ele ainda poderia contar piadas para ele antes de coloca-lo na cama. Esse pensamento o fez sorrir mais amplamente e ele tinha muita pressa de fechar seu turno.

Antes que ele pudesse assinar o ultimo processo ele ouviu uma batida na porta. Era seu sargento Rufus Turner, o cara não olhava muito animado. Ele se levantou imediatamente e cruzou os dedos, ele não queria ter uma outra chamada ele queria ir para casa ficar com sua família.

Rufus não deu tempo nem mesmo para ele perguntar o que era tudo aquilo. Ele simplesmente começou a falar:

-Capitão, a oficial Harvelle está la embaixo tentando trazer quatro civis para cá, três deles são os Winchesters.

Gabriel congelou por um momento, a matemática não era o seu forte, mas ele sabia que tinha um erro de logística no que seu sargento tinha dito. Menos de dois segundos depois ele compreendeu. Se haviam quatro civis junto a Jo e três deles eram a família que ele estava protegendo a outra pessoa tinha de ser Jessica e se Jessica tinha saído com Sam, as crianças e Jimmy para o pier...

Ele saiu de sua sala correndo e nem ao menos se deu ao luxo de entrar no elevador. Em menos de cinco minutos ele já estava na frente da delegacia de policia. Sua mente tinha registrado que Chuck estava conversando com Sam e que Jessica estava chorando.

Seu coração batia descompassado e ele não sabia mais como respirar.

Ele se aproximou de Jessica e a mulher apenas conseguia pedir desculpas a ele. Ela parecia acabada, assim ele se virou para a única pessoa que parecia ter capacidade de falar o que diabos tinha acontecido: Danny. Ele se abaixou para ficar ao nível dos olhos com o garoto e foi cumprimentado com grandes olhos cor de esmeralda.

-Daniel- ele começou e não saberia dizer por que estava usando o nome completo do menino quando ninguém o usava- por favor me explique o que aconteceu com Jimmy.

O pequeno garoto de cabelos loiros olhou para Jessica e para Lisa, que estavam muito devastadas para falar alguma coisa e se perguntou como eles tinham se apegado tanto em tao pouco tempo. Quando ele voltou a encarar os olhos de âmbar liquido do homem diante dele ele suspirou:

-Nos o perdemos no pier, mas ele não esta lá. Procuramos em todos os lugares e em alguns lugares mais distantes e não o encontramos em lugar nenhum. A resposta sincera tinha feito milagre para o capitão. Ele afagou o cabelo do menino e depois se levantou com toda a autoridade que conseguiu reunir.

-Todos os oficiais que estiverem indo para casa coloquem suas bundas em seus carros e comecem a rasgar essa cidade. James Novak está oficialmente em um APB!

Ele se lembrou de que um dos oficias mais jovens tinha tentado argumentar que Jimmy só estava desaparecia a oito horas. Gabriel o silenciou com um olhar. Todo o seu bom humor tinha se transformado em medo, as noticias que ele tinha recebido do FBI não eram nada agradecíveis e eles comprovaram que Ruby tinha voltado com uma vingança. Segundo Ash a mulher tinha deixado para os agentes uma pequena lista de nomes escritos em sua própria letras com caneta rosa. Mesmo que ela dizia que os nomes não seguiriam a uma ordem ela prometia se vingar de cada um deles e não estava fazendo nada para manter isso em segredo.

O nome de Castiel, Jimmy e os Winchesters eram os que ele era capaz de reconhecer. Por que o nome dele não estava nessa lista ele nunca saberia. Se havia uma coisa que ele sabia era que ele não deixaria nenhum desses nomes ser riscado.

-Shurley, Harvelle- ele gritava no meio do desespero- acompanhem esses quatro até em casa e protejam-nos e quando estiveram lá liguem para os oficiais Craven e Kramer e peçam a eles para escoltarem Cas e Dean. Turner, venha comigo. Nenhum deles precisava ouvir aquilo por uma segunda vez.

Em um piscar de olhos todos os carros tinham sumido na noite.

Ele estava tremendo, suas pernas não conseguiam sustentar seu próprio peso e ele teve que ser apoiado em Dean todo o tempo até chegaram a casa dele. Não era assim que ele imaginava seu primeiro encontro. Sua orelha parecia ser a única coisa de seu corpo que ainda queria trabalhar- ainda queria estar funcionando quando as noticias, sejam elas quais forem, chegassem- elas conseguiam pegar as vozes daqueles que eram importantes: Dean estava o tempo todo dizendo-lhe que tudo estaria certo e que Sam e Gabriel estariam rasgando toda a cidade para encontrar seu irmão perdido, Jessica se culpava como se todo o peso da situação caísse em cima dela e nesse momento a mulher estava em pior condição do que todos eles, mais ao lado suas orelhas poderiam detectar as pequenas vozes de Danny e Lisa brigando com o tenente Shurley, eles não queriam estar ali. No meio desse pandemônio ele se amaldiçoava por não ter forças para brigar com ninguém, a única coisa que ele poderia fazer era ficar ali sentado em seu velho sofá e chorar miseravelmente.

Ele sabia que mais cedo ou mais tarde ele sentiria os sintomas do panico.

Do outro lado da sala as duas crianças estavam de braços cruzados olhando com determinação para o tenente, nenhum dos dois queria ouvir que eles não podiam sair dali e fazer como seu tio. Eles queriam procurar por Jimmy. Chuck estava desesperado, aquelas crianças pareciam ser impossíveis, ele começou a mexer em seus óculos.

-Todo o mundo está la fora- começou Lisa com um tom muito autoritário para a sua idade- porque nos não podemos sair e procurar por Jimmy também?

Chuck tentou olhar para Dean pedindo ajuda com os filhos, tudo o que ele recebeu foi um olhar que dizia que ele estava muito oculado impedindo Castiel de entrar em panico.

Saindo de perto da janela a oficial Harvelle tinha uma garrafa de cerveja em uma mão e uma 9mim na outra, quando se aproximou das crianças ela teve a certeza de que sua arma estava travada. Assim que a viu chegando o tenente Shurley começou a assumir o posto dela com uma sembante aliviado.

Ela se ajoelhou diante dos pequenos e disse em uma voz muito compreensiva:

-Olha crianças, todos nos queremos sair e encontrar Jimmy e não estamos fazendo isso porque sabemos que só vamos atrapalhar. Eu e o tenente fomos mandados para proteger vocês e se por acaso falharmos o pai e o tio de vocês vão nos matar.

Nenhum dos dois estava convencido disso. Foi a vez de Danny de falar:

-Sim, mas se vocês estão aqui para nos proteger porque não vão nos proteger quando a gente sai e procura por Jimmy?

Essas crianças erram inteligentes, Jo poderia dar um credito a eles por isso. Ela ainda não tinha desistido de ganhar o argumento e sabia exatamente como eles estavam se sentindo pois tinha sido uma pirralha muito parecida com essas crianças.

Ela fez cada um deles olhar em seus olhos:

-Eu sei que vocês querem ir atras de Jimmy, eu sei que quanto mais gente melhor... mais vejam- ela olhou para o seu relógio de pulso- são uma hora da manha, está escuro e nenhum de vocês conhecem essa cidade por tempo suficiente. É fácil se perder aqui, entendam, eu não estou falando isso porque penso que vocês são crianças e não devem ajudar em nada. Eu digo isso porque se um de vocês for para o caminho errado e se perder teremos mais pessoas para procurar e vai ser mais difícil encontrar Jimmy.

Os gêmeos abaixaram a cabeça, e Dean estava impressionado. Jo tinha sido tao útil quanto Sam era para colocar um pouco de juízo na cabeça daqueles dois.

Lisa mordeu o lábio inferior admitindo o ponto e em seguida olhou para a janela.

-Nos podemos ajudar vocês?

Jo acenou com a cabeça, ela sabia exatamente o que a menina queria fazer. Logo em seguida Lisa tinha ido até uma armário e pegou duas vassouras uma para si e outra para Danny- não que o menino fosse muito bom com a coordenação motora, mas ela nunca conseguia trata-lo de forma diferente de como ela gostava de ser tratada- e partiu para a janela mais próxima para ajudar os policiais a protegerem as pessoas que estavam no apartamento 3A. Ela disse em uma voz muito animada:

-Qualquer estranho que vier por aqui e tentar subir por essa janela vai levar uma vassourada na cabeça! Ninguém tinha duvidas disso.

E mais uma hora tinha se passado sem nenhuma noticia de Jimmy. Gabriel ligava para seus subordinados de tempos em tempos para saber como estavam as coisas por lá e para ver se Cas estava bem, felizmente os filhos de Dean não iriam deixar ninguém ficar de humor para baixo e conseguiram fazer Jessica mostrar todos os desenhos que Jimmy iria apresentar na exposição da sexta-feira. Estranhamente para a mulher loira mostrar as peças de arte de Jimmy eram um fator calmante para ela e foi assim que a noite começou a parecer menos sombria enquanto ela se lembrava da historia de cada um dos desenhos feitos em papel quarenta quilos.

Lisa abria um sorriso ao ver cada desenho e Danny ficava impressionado com a habilidade do homem.

Do outro lado da casa Castiel se sentia cada vez mais forte amparado pelo apoio que Dean lhe oferecia. Ele começou até a contar um pouco da sua historia, falou um pouco de seu pai que era um homem bastante religioso- era por isso que eles tinham nomes de anjos e Jimmy de um dos doze discípulos de Jesus- mas antes que ele pudesse terminar de falar as lagrimas vieram a seus olhos e as piscinas azuis se tornaram muito profundas. As lembranças que ele não tinha e as consequências delas eram devastadoras para ele contar naquela noite. Falar sobre a morte de seu pai era sempre complicado, pois foi a partir desse dia que a vida de todos eles mudou do vinho para a água suja. Sentado ao seu lado Dean era capaz de compreender tudo o que o outro estava sentindo, ele também era uma das piores pessoas para falar sobre assuntos dolorosos, mas estranhamente tinha conseguido- na presença de Castiel- se abrir completamente. Se havia uma coisa que Dean mais queria no mundo era conhecer cada parte da historia de vida dele, mas para isso ele teria de ser paciente.

Ao afagar a cabeça do homem em prantos ele prometeu a si mesmo que seria paciente e ouviria essa historia quando ele estivesse pronto para lhe contar.

Mais uma hora tinha se passado.

Eram três horas e vinte e cinco minutos da madrugada. Certamente metade da cidade estava em suas casa dormindo, Sam porem estava ali, no meio de um bairro chines que ele nunca tinha estado a procura de uma pessoa desaparecia. Ele sabia que deveria fazer isso não só pela pessoa que ele estava procurando ou pela mulher que estava chorando em algum lugar na Pine Street, ele deveria fazer isso por si mesmo. Essa era a única forma de se redimir de todo o ciume que ele sentiu por Jimmy em um primeiro momento. E também era uma forma de afronta contra Ruby, aquela mulher não destruiria a felicidade que ele tinha acabado de encontrar.

Lembrando-se de uma conversa que teve com Jessica na terça-feira ele ganhava cada vez mais forças para continuar e mesmo que estivesse com sono e que teria de acordar as oito horas para seu novo trabalho de professor de inglês ele não descanaria até encontrar o homem que fez sua vida mudar para melhor.

Naquela noite de terça-feira ele tinha ido ver a apresentação de teatro de Jessica- dessa vez a verdadeira apresentação- vendo todos os outros membros de curso com namorados ou parceiros românticos ele não era capaz de conter a sua curiosidade.

-Jess- disse ele ao saírem para tomar café em uma starboocks- você vive aqui há seis anos e meio, por que nunca namorou ninguém durante todo esse tempo?

A mulher que carregava um buque de flox azuis olhou para ele bem em seus olhos e Sam não pode esquecer de toda a tristeza que passou por eles.

Eles encontraram uma mesa e ela começou a falar:

-Minha avó estava morrendo e eu não queria o amor de ninguém, depois que ela morreu eu fui trabalhar na casa de Gabriel e até tentei ter alguns relacionamentos- ela estava apertando as flores com um pouco mais de força do que era necessário- mais eu me apeguei muito facilmente a Jimmy e nenhum dos meus investimentos amorosos queria me dividir com ele. Era como se eles vissem Jimmy como um concorrente e não como um bebe que ele realmente é. Nesse momento ela deixou as flores de lado e olhou intensamente para Sam colocando o rosto para perto dele como se não quisesse que o segredo se espelhasse- Isso foi até eu reencontrar você.

Eles tinham se beijado e Sam nunca poderia ficar mais grato a uma pessoa do que a esse pintor.

Era por isso que ele tinha de encontrar James Novak e agradecer a ele por ter cuidado de sua Jessica até que ele chegasse. Sam não descansaria até ter o homem de olhos azuis são e salvo de volta a sua casa.

Foi com esse pensamento que ele desligou seu carro e começou a procurar. O bairro era uma coisa complicada e ele nunca esperou entrar em um lugar assim na vida, mas quando a sua lanterna iluminou um quadro que estava ao lado de um jovem mendigo ele não teve outra alternativa senão acordar o rapaz.

O quadro era- na maior parte dele- pintado de uma cor amarela clara e mostrava um campo de tulipas bem psicodélico, em cima das flores era um céu roxo e uma lua que tinha um sorriso. Sam chegou a pensar que se o quadro fosse feito por uma pessoa que não soubesse pintar ele seria um pouco macabro, mesmo assim o quadro era muito bonito e tinha a assinatura inconfundível de Jimmy no canto inferior esquerdo.

Quando o mendigo acordou Sam pode ver que ele era muito sujo mas que não parecia ser bêbado ou drogado, o rapaz olhou para ele com olhos sonolentos e perguntou o que no mundo um cara como ele estaria fazendo ali.

Sam respondeu a única coisa que ele poderia dizer;

-Eu estou procurando por Jimmy Novak.

Ao contrario de tudo o que o Winchester poderia esperar o mendigo se levantou em um único pulo e olhou para ele de cima a baixo como se estivesse tentando medir a verdade em suas palavras. Depois do que pareceu meio segundo ele agarrou sua camisa e colocou o quadro debaixo do braço e foi correndo para um beco próximo a um restaurante.

-Oh, porque eles sempre mandam os pobres?(10) Porque nos conhecemos os guetos.

Notas finais
Jimmy perdido, ele pode bem estar morto nesse exato instante.
Será?
As coisas só vão ficar piores daqui por diante.
Deixe-me saber o que achou.