When You Have A Killer In Your Tail

11 Capitulo11 Quando a tempestade acalma


Notas iniciais
Demorou mais chegou!
Tentei posta-lo o mais rápido que eu conseguiria.
Tenho de dizer esse capitulo é definitivamente tenso. Seu titulo é definitivamente contraditório, aqui você não vai encontrar um monte de cenas leves e livre de assassinatos.
Espero que gostem.
PS- o poema que Jessica recita é "Psicologia de um vencido"- Augusto dos Anjos.

Era terça-feira dia vinte e nove de novembro. Faziam exatamente quatro dias desde que Jimmy tinha sido internado no hospital e, tecnicamente, ele ainda deveria estar lá, mas devido a própria irritação do enfermo e o desejo de ir para casa os médicos concordaram em deixa-lo ter alta uma vez que ele não corria mais risco de morte. O sangue e a taxa de plaquetas de James Novak estava como se nunca tivesse sido alterada, seus problemas de anemia e desidratação estavam longe de serem curados, nada que a ajuda da comida especial de Castiel e o constante cuidado de jessica Moore (e todos os outros) não poderiam dar um jeito.

Se qualquer pessoa olhasse para o pintor poderia ver as escaras em seu corpo- ele insistia em não usar roupa uma vez que qualquer tecido era incomodo a sua pele deificada e era uma recomendação no tratamento de escara que se utilize roupas leves, já que ele preferia andar seminu mais leve não poderia ficar- e a cinta grossa que envolvia as costelas (era uma outra coisa que o pintor odiava por completo e era a única coisa que não poderia ser abolida. Os médicos eram firmes quando disseram que a cinta era a melhor forma de cura das costelas quebradas), fora esses detalhes, e o fato de que talvez as marcas do chicote não sumissem nunca mais, ele parecia uma pessoa que não tinha passado os últimos meses em cativeiro sendo questionado por uma pessoa de mente doentia sobre algo que ele nunca iria revelar e que tinha sofrido as piores torturas. Ele realmente parecia sereno.

Ou tao sereno quanto ele poderia ser.

Era cinco horas da tarde, Gabriel estava completamente determinado a impedir que seu irmão dormisse e estava maldizendo os médicos idiotas que disseram-lhe que ele só poderia passar duas horas na cama durante o dia e quando fosse dormir teria de ter muitos e muitos travesseiros para que a pressão do corpo contra o colchão fosse reduzida. O policial suspenso estava definitivamente cansado de andar com varias almofadas de um canto a outro da casa acompanhando um Jimmy completamente hiperativo que queria, aparentemente, colocar tudo o que tinha perdido nesses dois meses em dia. O pobre capitão foi obrigado a fazer todo o tipo de coisas desde que eles tinham voltado do hospital, tinha imitado animais, visto desenhos animados (daqueles terríveis cheios de coelhinhos que cantam umas musicas muito estridentes) tinha brincado de pega-pega e de esconde-esconde e tinha lido cerca de nove vezes o conto do gênio e as rosas (21) que era o preferido de seu irmão do meio. Ele poderia estar completamente exausto e arrependido de ter enviado Jessica em um “Dia de folga” que a própria não queria- mais que ele insistiu...- no mesmo momento em que Castiel tinha avisado que estaria saindo com Dean em uma especie de encontro a moda antiga mas em nenhum momento ele se arrependeu de ter ficado sozinho na companhia do pintor, por outro lado, ele era grato por finalmente ter tempo para realizar todos os carpinchos da mente infantil e inocente dele. Durante todo o tempo ele mantinha um sorriso no rosto.

A única coisa que assustava o homem publico foi os pequenos momentos em que Jimmy iria parar tudo o que estava fazendo e chorar, chorar como se uma dor avassaladora o consumisse. Ficou claro nesse momento que ele realmente iria ficar traumatizado. Os olhos cor de âmbar prometeram que todas as medidas seriam tomadas para que isso não durasse muito tempo. Infelizmente ele sabia que não seria fácil.

Jimmy teria tempo para se readaptar ao mundo de fora, disso todos eles tinham certeza. Castiel sempre dizia que o tempo era o pai de todas as feridas e nem mesmo Lisa ousava discordar dessa afirmação. Isso mostrava a maturidade que ela tinha.

Falando em Lisa a menina tinha, pela segunda vez, sido suspensa da escola por agressão a um outro aluno, infelizmente dessa vez a menina não tinha sido a única a bater. Ela tinha se metido em uma briga com uma outra menina de sua mesma classe o que a principio não a intimidou, mas depois quando as duas já estavam dentro de xingamentos e socos Lisa tinha percebido que a outra menina de cabelos pretos brilhantes era tao boa em defesa pessoal quanto ela era. O resultado final da batalha foi muitos arranhões e um olho roxo em cada uma delas alem de um Dean muito irritado devido a total incompetência da diretora Talbot- que alem de ter colocado Lisa e Danny em salas separadas por nenhuma razão aparente- tinha sido unanime quanto a colocar Lisa e apenas Lisa em uma suspensão de dois dias. Sinceramente ninguém sabia o que a mulher tinha contra sua família, mas durante todo o tempo que seus filhos estudaram ali ela não tinha demonstrado o minimo profissionalismo que se espera de uma diretora de escola primaria.

Gabriel poderia dizer que Bella estava sendo bastante rancorosa com a policia, mas ele não tinha nenhuma culpa da morte do pai dela. Sim, ele estava no caso há cerca de nove anos atras, mas ele não poderia adivinhar que o cara realmente tinha inimigos, por tudo o que era sagrado o pai dela parecia apenas um louco que queria chamar atenção... mesmo assim a mulher não se esquecia das falhas que ele teve e fazia de tudo para que a vida da oficial Jo Harvelle virasse um inferno. A única coisa que o capitão poderia dizer era que a mulher estava passando dos limites ao deixar as crianças sofrerem por algo que era entre ele e ela. Algum dia, quando ele tivesse tempo, ele resolveria isso com ela.

A filha de Dean não parecia se importar, e como ela mesma tinha dito: bateria na vaca mais uma vez se ela tentasse insultar seu irmão ou a escolha sexual de seu pai de novo, ela estava aproveitando o tempo que tinha sem ter aulas para treinar a peça que iria apresentar na próxima sexta-feira. Tinha sido muito proveitoso para ele e Jimmy ficarem ali no outro apartamento vendo Chuck imitar a voz da bruxa má enquanto a menina fazia seu papel... o que Gabriel não entendia era o por que de ela estar treinando daquela forma uma vez que ela era apenas a narradora da historia. O sorriso maligno de Lisa tinha revelado a ele que a menina tinha um plano que seria posto em pratica em algum momento. Ele era mais do que ansioso para ajudar...

-Gabe, Gabe.

Ele teve de voltar a sua atenção para a realidade, em sua frente estava Jimmy com um olhar de quem estava prestes a chorar mais uma vez. Ele não queria isso, não de novo e se apressou a afagar os cabelos loucos do pintor. Jimmy se afastou imediatamente. Ok, não era para ser tocado.

Eles estavam no sofá, almofadas e mais almofadas jaziam próximo ao corpo torturado de seu irmão do meio e este tinha abaixado a cabeça em um piscar de olhos. Imediatamente o capitão percebeu o que estava acontecendo:

-O que você vê Jim?

Era uma pergunta que tinha se tornado parte do cotidiano deles, uma vez que tinham um parente vidente. Gabriel tentou fazer com que o pintor olhasse para ele mas já era tarde demais, Jimmy já estava concentrado em um outro lugar.

Aos poucos o olhar azul foi voltando ao foco e quando ele se alinhou aos castanhos a intensidade da cor era de um azul escuro como o universo. Jimmy estava com raiva. Muita raiva.

-É Danny.

Gabriel se assustou por um período curto de tempo, fazia muito tempo desde a ultima vez que ele via seu irmãozinho assim. Jimmy não era uma pessoa que costumava se enraivecer, mas quando o fazia era capaz de assustar muita gente com seus olhos e tom gélido.

Antes que qualquer outra coisa pudesse ser dita o celular dele tocou:

-Capitão.

Ele poderia reconhecer aquela voz em qualquer lugar, era Jo Harvelle a menina que ele tinha ensinado a atirar e que seria detetive se não fosse pelo comissario Alder... ela estava incrivelmente nervosa e Gabriel poderia ter uma pequena pista do por que. Ele estava apreensivo.

-O que foi Harvelle?

Ele não esperava ouvir o que ouviu, ele sabia que Jimmy estava tendo uma daquelas visões em tempo real onde sua alma estaria completamente presa a outra pessoa e ele estaria vendo pelos olhos desta tudo o que ele deveria ver, mesmo assim nada o tinha preparado para o que a mulher disse:

-Danny não está na escola senhor Novak- sempre, ela sempre tinha de ser muito formal quando estava desesperada- eu não o encontro em canto algum.

Ele deu uma olhada em seu irmão com o canto do olho, era certo que Jimmy poderia ajudar nisso mas o pintor estava muito concentrado e muito raivoso para ser útil nesse momento. Suas respirações eram curtas e rasas como as de um corredor e seus olhos eram dez vezes mais intensos do que costumavam ser.

A oficial continuou contando a seu superior que eles estavam na biblioteca e ela tinha ido aos fundos para encontrar um livro que o menino queria, quando tinha voltado ele tinha sumido deixando a cadeira de rodas vazia. Era obvio que alguém o tinha levado, o que ninguém poderia dizer era como isso se deu, dentro da escola no meio do turno da manha... Harvelle acreditava que não poderia ter sido um agente de Ruby, não de uma forma completamente indiscreta como essa pelo menos, e mesmo assim continuava preocupada. Gabriel poderia dizer que tinha alguma coisa que ela não estava contando.

Ele olhou mais uma vez para Jimmy, tinha de haver alguma pista, alguma coisa que poderia indicar o sofrimento de sua aluna, infelizmente ele não via nada, Jimmy estava respirando ofegante como se não houvesse ar a sua volta e tinha começado a suar da mesma forma que Castiel fazia em seus ataques de panico, mas ele poderia dizer que não era esse o caso, Jimmy não tinha panico ou coisa parecida... parecia como se ele estivesse respirando muita fumaça.

A realização bateu o policial como um tapa na cara.

-Jo- disse ele em uma voz cortante porem baixa, seus olhos nunca deixaram Jimmy- a escola está em um incêndio?

A mulher chorou em resposta. Era tudo o que ele precisava saber.

Por um momento Gabriel perdeu todas as palavras.

Eles estavam em um teatro, era um dos mais antigos da cidade e estava completamente lotado, mesmo assim nada tinha atraído Dean para o local, nada menos a presença de Castiel. O professor era contente em poder finalmente se dar ao luxo de sair com Dean e era o minimo que ele poderia fazer depois de ter passado dois meses trancado dentro de casa chorando e amargurando-se. Ele tinha de ter um descanso de tudo agora que as coisas tinham voltado ao normal- ou o mais normal que poderiam ser- e que seu irmão mais velho estava vivo e bem, ele tinha prometido isso a Dean e tambem ao próprio Jimmy, prometido que não iria mais fazer o tipo de coisa que andou fazendo por dois meses inteiros e que iria começara a prestar atenção a si mesmo para não deixar que a depressão o abale novamente. Por sorte, ou graças a conversa que ele teve com Gabriel em um momento muito sombrio cerca de dois meses atras, ele se sentia cada vez mais confiante e capaz de conseguir tomar as rédeas de si mesmo e controlar as pequenas ondas de desanimo que ainda insistiam em vir... por mais natal que pudesse ser ele ainda não era capaz de compreender o por que de a depressão ser um produto do estresse.

O Winchester mais velho estava feliz por servir de ajuda a seu namorado e particularmente contente por este ter aceitado se trabalhar, mesmo que ainda não quisesse ir a um terapeuta, ele era grato pelos pequenos momentos a sois que tinham e gostava de ouvir cada detalhe das lembranças que Cas contava a ele. Esses eram seus momentos preferidos.

Agora eles estavam vendo uma peça que ele realmente não estava interessado em ver. Seus olhos estavam quase se fechando na maior parte do tempo e se não fosse pelos apertos de mão ocasionais que seu namorado dava-lhe ele definitivamente teria dormido até babar.

Ele também era muito feliz por sentir o calor do corpo de seu doce professor em suas mãos grossas e sujas de graxa. Se havia uma coisa que ele ainda não acreditava era como um cara tao inteligente como Castiel- ele tinha ajudado a corrigir as provas de uma das turmas dele e tinha visto o quanto era ignorante- tinha se interessado por ele.

Sem pensar nesse tipo de coisa Dean continuou vendo a peça, ou tentando ver a peça, e descobriu que não mais era capaz de compreender o que se passava naquele universo louco onde os pássaros discutem sobre filosofia. Desistindo bravamente da tentativa de perguntar a Castiel o que raios estava acontecendo no palco ele encostou a cabeça para voltar a cochilar, em menos de dois minutos ele já estava de volta a terra dos sonhos.

Cerca de dez minutos depois ele tinha despertado completamente rígido. A única coisa que via em seu sonho era fogo. Ele não tinha um bom pressentimento sobre seu sonho e sabia por A mais B que esse tipo de coisa deveria ser levado a serio, tinham sido muitos anos aprendendo ocultismo com sua vizinha Pâmela- a atual madrinha de Danny e Lisa- para saber que nunca se deve ignorar um pressentimento. Apertando o braço de Cas ele esperou que o outro homem tirasse a atenção da peça e perguntasse o que estava acontecendo.

Dean respondeu imediatamente e Cas não se importou em saírem antes que a peça acabasse, sentido de mãe funciona, mas não é o único que existe.

Eles entraram no carro e arrancaram em direção a escola primaria onde seus filhos estudavam, durante todo o tempo Dean rezava para que seus pressentimentos estivessem errados.

Jessica era incrível. A melhor mulher que ele poderia encontrar em um milhão de anos e ainda por cima pensava o mesmo sobre ele. Ela estava recitando um poema muito bonito de um poeta brasileiro e, embora ele não sabia absolutamente nada de português, estava arrasando.

As pessoas se encolhiam diante da apresentação dela e sua voz parecia bastante grave todo o tempo que recitava, não era um poema muito longo mas parecia extremamente assustador.

Essa era uma coisa que ele jamais se imaginaria fazendo. Durante seu tempo de casado Ruby jamais tinha gostado de sair de casa para ver teatro ou cinema, a mulher era muito enjoada que gostava de sair apenas para o shopping center ou as floriculturas e restaurantes caros, ele ainda não poderá dizer como nunca tinha reparado em como era estranho esse gosto dela durante os três anos que estavam juntos mas agora que ele era livre e poderia sair com sua namorada para ver as manifestações culturais onde e quando quisessem ele dizia para si mesmo que estava muito melhor.

Era verdade, a dor e a raiva ainda não passariam. Sua dor seria destruída com o tempo essa devia-se ao fato de todos os planos que ele tinha tao alegremente planejado, todos os planos que tinha feito para ele e Ruby, suas viagens e aniversários foram desperdiçados em vao e jamais seriam concretizados. Já sua raiva não passaria até que ele visse a cara daquela mulher e pudesse perguntar por que. Ele precisava saber, era necessário para que ele fechasse sua Gestalt(22) e deixasse de vez de pensar naquela pessoa. Como ele queria que tudo fosse resolvido para que as lembranças boas que começou a construir ao lado de Jessica não fossem destruídas por uma falta fantasma.

Infelizmente ele tinha de concordar com o que seu cunhado tinha dito, somente o tempo poderia curar todas as feridas.

Foi quando ele ainda estava preso nos devaneios que Jessica tinha voltado a se sentar junto a ele. Eles estavam em sua aula de teatro- uma das aulas que ela geralmente não comparecia uma vez que era a hora de banhar Jimmy para que ele dormisse seu sono da tarde- e estavam bastante contentes por poderem ver tantos alunos interessados em recitar poesia, era claro que muitos deles eram latinos e que poderiam compreender trecos, senão todo, de seu poema favorito e logo que Jess tinha sido escolhida pela professora para recitar não teve nenhuma duvida de que seria este.

Seu namorado não parecia saber um bocadinho do idioma que ela falava e ela teve de se segurar para não rir da cara totalmente confusa que ele tinha dado. Talvez mais tarde ela diria o que aquilo significava para ele, talvez não.

Era a vez de um outro integrante da escola de teatro. Era um jovem rapaz de pelo menos vinte e cinco anos que tinha os cabelos trançados e os olhos muito negros. Se não fosse por Sam ela poderia ter dito que o achava bonito.

Ele começou a recitar o seu poema.

No começo Sam ainda ouvia os versos intrigantes de Shakespeare, mas depois de dois minutos uma sensação avassaladora começou a tomar conta de seu ser, era como se ele tivesse se esquecido de desligar o fogão ou de fechar a porta depois de sair de seu apartamento. Era estranho, ele sabia que tinha trancado a porta e desligado o fogo e mesmo assim o mal estar continuava. Sua concentração se perdeu completamente e ele se viu a deriva na sala de teatro.

O que no mundo poderia deixa-lo assim?

Ele não sabia.

Foi nesse momento que seu telefone celular tocou. Ele teve de sair da sala deixando a outra mulher para apresentar a sua turma regular e bateu a porta assim que passou por ela, as pessoas da sala não pareceram se importar.

Era Lisa no telefone:

-Tio Sam, onde você está?

Algo no tom da menina estava diferente, não era seu tom autoritário de sempre, era um tom assustado e fanhoso. Sam nunca tinha presenciado cena mais estranha e imediatamente ficou com medo.

Ele respondeu;

-Estou vendo a aula de teatro com Jess, por que?

-Ligue a TV! Foi a única resposta, em seguida a menina tinha desligado.

Todos os pelos do corpo de Sam Winchester se arrepiaram com aquilo e ele não tardou a obedecer, se dirigindo para a lanchonete ele sentou-se na mesa e ficou olhando a programação até perceber o que Lisa estava tentando dizer a ele. Seus olhos se arregalaram.

Diante de seus olhos a escola onde seus sobrinhos estudavam- e que no momento apenas Danny estava tendo aula- estava sendo lambida pelas chamas.

Se algum dia ele procurasse o significado para a palavra “Pandemônio” essa imagem apareceria imediatamente em sua frente. Era uma coisa que jamais esqueceria, haviam muitas pessoas dentre elas alunos, pais, professores, funcionários e faxineiros correndo de um lado a outro enquanto a equipe de bombeiros tentava controlar as chamas. Foi exatamente nesse momento que ele percebeu um carro Sedan estacionando bem em frente a escola.

Ele poderia ver- mesmo através da televisão- a determinação de Gabriel.

Sam achava que Jimmy tinha sido o único a dizer que a escola estava em chamas e pensou que para ele ter ido junto ao policial- ele poderia ver Gabriel abrindo a porta do outro lado e ajudando Jimmy a sair- só poderia significar uma coisa:

Seu sobrinho estava no meio do fogo.


O mais difícil não tinha sido dirigir no meio da estrada enquanto um perigo de vida ou morte estaria esperando-lhe do outro lado, o pior para ele tinha sido fazer Jimmy sair de casa no primeiro dia depois de sua tao esperada alta do hospital. Era verdade, o pintor estava querendo sair de casa há muito tempo, mas certamente não era para ir a uma escola em chamas. Gabriel sentiu uma dor física quando teve de ajudar seu irmão a mesmo assim James Novak parecia conformado o tempo todo. Ele bem sabia que seria oúnico que poderia dizer exatamente onde Daniel Chris Winchester estava escondido.

Se ele estava sentindo dor ou não ninguém precisava saber, não agora pelo menos.

Nenhum dos dois tinha percebido que Dean e Castiel tinham chegado na mesma hora que eles. Todos estavam correndo desesperadamente para a massa de pessoas que se encontravam na frente da escola, Jo Hrvelle era uma dessas pessoas e tinha os olhos completamente vermelhos de tanto chorar, a essa altura nem Dean nem Cas sabiam o por que.

Foi apenas quando eles descobriram, o que não tinha demorado muito tempo, que Danny não estava com ela que eles perceberam. Imediatamente os dois entraram em desespero.

Eles poderiam ver os bombeiros saindo com uma ou mais crianças amarradas a sua cintura, eles podiam ver a água subindo na ponta da mangueira tentando controlar o fogo e poderiam ver a chegada de mais pais que assim como eles estavam desesperados para encontrar seus filhos. A única coisa que não viram foi Danny.

Dean estava prestes a arrancar seus cabelos.

Cas estava em frangalhos.

Gabriel não fazia a minima ideia de como direciona que r as visões de Jimmy para que ele pudesse ajudar a encontrar o menino loiro e mesmo fizesse não saberia se os bombeiros estariam dispostos a acreditar na velha frase “Meu irmão é um vidente e ele está dizendo que...”. Ainda por cima ele se via desprovido de poder policial, ele não poderia chegar para o chefe dos bombeiros e proclamar uma nova forma de busca que seria completamente duvidosa. Em outras palavras, ele estava desesperado.

James Novak sabia exatamente o que fazer.

Enquanto ninguém estava olhando- ele não poderia saber que a atenção das pessoas era reduzida a níveis microscópicos, mas poderia dizer quando alguém não estava prestando atenção nele- ele deslizou pela multidão em um movimento que tinha imitado o ato semelhante feito vários meses atras, dessa vez ele estava com medo de se perder ou de encontrar aquele homem de novo, mas tinha muito certeza de que se ele não estivesse ali para fazer aquilo ninguém mais estaria, ninguém mais iria procurar no lugar onde ele sabia que Danny tinha sido posto. Se ele não entrasse com tudo naquela escola mais duas crianças iriam morrer e mesmo que ele soubesse que a outra criança estava ali parada como uma folha caída por sua própria vontade ele não deixaria que a menina fizesse o que queria fazer a si mesma. Ele jamais admitiria deixar uma pessoa morrer por causa de um pensamento de menos valia, mesmo que ele não soubesse o que era isso... ele estaria lá para ela e sabia que ela seria grata a ele depois.

Sem nem ao menos se importar em derramar o balde de água em cima de seu corpo, ele não poderia saber que era necessário, ele nunca tinha entrado em uma casa em chamas e não queria repetir a experiencia... bastou apenas olhar para dentro do corredor destruído que ele poderia dizer que teria pesadelos piores aos que o lembravam dos tempos de tortura. Ele sabia- inconscientemente- que Ruby tinha de estar envolvida indiretamente nisso.

O pintor ouviu os bombeiros tentando impedir que ele entrasse mas os ignorou completamente e em menos de cinco minutos já estava nos corredores centrais da escola.

Tinha sido um pouco depois de ele entrar que o carro vermelho de Jessica Moore tinha se puxado para o que ela insistia ser uma parada de emergência. Ele não tinha olhado para trás mas tinha a total certeza que a mulher iria lhe reconhecer mesmo com as roupas que estava. Pelo menos ele teria alguém para salva-lo caso seu plano impulsivo fosse por água abaixo.

Ele já estava começando a tossir.

Os olhos de Sam estavam umedecidos e ele não tinha vergonha de mostra-los para todas as pessoas em sua frente, todos eles estavam no mesmo barco e ninguém iria acusa-lo de ser uma manina grande, nem mesmo Dean. Antes mesmo de o carro chagar na área escolar ele tinha visto o rastro de fumaça e seu coração tinha subido uma oitava. Quando viu os carros de bombeiros e o carro de Dean e de Gabriel ali ele não sabia o que fazer com suas emoções, elas estavam a flor da pele.

Ao seu lado Jessica tinha dado um grito de horror, ela começou a correr em direção ao seu grupo de amigos e quando conseguiu ver os cabelos quase loiros de Gabriel ela freou imediatamente. Sam estava logo em seu rastro e não fazia a minima ideia do motivo que a tinha levado a ficar tao desesperada.

Ele colocou a mão no ombro esquerdo do policial suspenso e disse em uma voz sussurrada:

-Gabriel, por favor, me diga que Jimmy não está usando uma roupa de turista havaiano.

O policial levantou as duas sobrancelhas ao mesmo tempo, algo na pergunta da mulher o tinha assustado mas ele não sabia o que. Sem nem ao menos pensar muito ele respondeu nunca tirando os olhos das chamas ardentes:

-Jess você pode vê-lo de havaiano se quiser ele está bem aqui- nesse momento a mão dele tinha apontado para um espaço vazio, mas o capitão não tinha se dado conta, ele estava preocupado demais em observar as crianças que eram resgatadas para isso- ele realmente não queria usar essa roupa, mas eu insisti dizendo que as dele são muito apertadas para ele por agora e...

Jessica e Sam o tinham interrompido abruptamente:

-Gabriel!

Ele parou o que estava fazendo e finalmente olhou para o espaço vazio ao seu lado.

O queixo do policial tinha caído completamente.

Antes que qualquer um pudesse reagir a súbita falta de James Castiel tinha começado a correr para a frente da porta de entrada da escola e se não fosse por Dean ele teria se queimado. Dean o colocou de volta no carro logo depois de perguntar o que porra o professor tinha em mente.

A única coisa que o historiador tinha para dizer era que não aguentaria perder seu irmão de novo e por mais que doesse Dean sabia que seria babaca o suficiente para fazer uma coisa dessas se fosse ele invés de Cas ali. Ele sabia mais do que ninguém o que era cuidar de um irmão embora não quisesse admitir isso em voz alta pois sabia que só ia fazer com que o professor tentasse cair nas chamas vermelhas mais uma vez.

Ele pode perceber assim como Sam e Jessica que se ele não tivesse impedido Castiel o outro dos três estaria prestes a fazer o mesmo. Cas tinha servido como um exemplo e tinha recolocado juízo na cabeça do policial. Nenhum deles tinha percebido que Jo estava um pouco mais a frente do grupo conversando com uma outra criança, um menino de cabelos castanhos, que era da mesma turma de Daniel. Ela parecia furiosa e o menino parecia estar completamente arrependido de algo muito grande.

Ela ainda não tinha percebido que Jimmy tinha sumido no meio do incêndio e quando um dos bombeiros começou a gritar para que o homem misterioso voltasse ela sentiu a necessidade de olhar para o seu grupo de amigos, ela sabia muito bem que eles eram suicidas o suficiente, mas quando seus olhos registraram todos eles com exerção de Jimmy ela entrou em panico, em sua cabeça Jimmy não poderia ter entrado assim em um lugar beijado pelo fogo ardente e seu capitão tinha sido completamente irresponsável por traze-lo ali. Ela não sabia de toda a historia e não sabia que Jimmy era o único que poderia ver onde Danny estava, sendo assim ela ignorou o apelo solitário do menino de cabelos castanhos e entrou na escola incinerada. Seus instintos de salvação estavam com todos os alarmes ligados e ela não sabia o que tinha dado em si mesma para fazer algo como aquilo, uma pequena parte de seu ser a empurrava para frente completamente determinada em encontrar o pintor. Era estranho, mas a nova sensação que derretia seu peito não se parecia com o medo. O que mais poderia ser?

Ela ignorou todas as perguntas quando ouviu uma parede desabar perto de si.

Do lado de fora da escola primaria Sam olhava de um lado a outro, ele poderia ver Cas rezando dentro do carro, via claramente o semblante mortificado de Gabriel, o semblante de quem não poderia perde-lo de novo e ao olhar para seu lado direito ele constatou o que já sabia; Jessica estava a beira de enlouquecer, ele sabia que ela tinha sido uma das que mais tinha sofrido com a perda de Jimmy, com seu cativeiro duradouro e justamente por ter sido a única pessoa a estar com ele na véspera de tudo a mulher tinha se culpado como se ela tinha sido a única a errar. Ele sabia que assim como os membros de sangue do pintor ela não aguentaria perde-lo, não depois que ele tinha sido o único a salvar sua vida, o único a dar um novo sentido a sua existência. Ele deixou seus pensamentos se desligarem aos poucos e olhou para Dean, como sempre seu irmão sabia exatamente o que ele estava pensando e tinha segurado seu olhar por cerca de três segundos enquanto ele o chamava de idiota através de sua comunicação telepática, mesmo assim ele iria em frente com seu plano e Dean sabia que agora não teria mais volta.

O Winchester mais velho simplesmente deu de ombros, seu irmão sabia como se virar em um incêndio- tinha sido a primeira coisas que o pai deles os tinha ensinado- e não disse uma única palavra em voz alta, por mais irresponsável que poderia ser deixar seu irmão entrar em uma escola em chamas era muito menos irresponsável do que ver Jimmy e Jo entrarem e não fazer nada por eles. Dean sabia que a mulher era tao dura como qualquer outro bom homem que ele conhecia, mas Jimmy? Jimmy era definitivamente aquela pessoa que assim que o conhece nunca se deseja mal a ele e por todas as razoes o cara não sabia nem ao menos quanto era dois vezes cinco, ele não saberia sobreviver em um lugar incandescente.

O que ele não sabia era que o cara que não sabia a tabuada do cinco era o único que poderia salvar seu filho.

O engenheiro tinha ficado feliz em reparar que pelo menos Sam tinha sido o único que colocou o balde de água sobre si mesmo. Ele pensou que seu irmãozinho rira sobreviver a essa.

Dentro da escola James Novak se apressava para chegar a seu destino, ele passou por cada dependência da mesma indo em direção aos corredores centrais onde ficavam as salas da segunda serie. Ele nunca tinha realmente entrado em uma escola, suas experiencias com o sistema de educação tinham se restringido a creches e a terapeutas ocupacionais, mas poderia dizer qual era o lugar, ele poderia se lembrar de sua visão e tinha decorado cada um dos armários até o que ele sabia que Danny estava, mas uma vez a raiva voltou para ele, não sua raiva não se devia a fumaça e ao fogo que agora tinha começado a se espalhar pelas portas das salas de aula sua raiva era completamente direcionada ao menino idiota que tinha começado tudo aquilo.

Ele tinha visto com os olhos que Deus o tinha dado tudo acontecer e tinha achado a cena toda uma injustiça. Em primeiro lugar o menino de cabelos castanhos tinha tirado Danny de sua cadeira de rodas- a essa altura até mesmo ele poderia entender que o menino não conseguia andar sem ela- e o tinha levado para trás do colégio onde seus outros “amigos” eram mais do que felizes em espanca-lo. Como tinha de ser o menino de cabelos castanhos, Dylan seu nome, tinha sumido antes mesmo de ser obrigado a contribuir no espancamento de Danny e não tinha visto o que tinha acontecido. Jimmy parou, ele se sentia ofegante e fraco, cada centímetro de seu corpo doía e ele começou a ser invadido por flashs da tortura que sofreu, seus olhos começaram a fluidescer e seus pulmões eram cobertos pela fumaça, mas ele teria de ser forte. Ele poderia ver em alguma parte os bombeiros indo e vindo para verificar se havia crianças que não tinham sido resgatadas, mas ele sabia que os nomes de Danny e Lisa nunca estiveram registrados na escola- cortesia de Bella, ela tinha feito questão em não os admitir dentro dos papeis- e graças a isso os bombeiros nunca iriam procurar por ele, eles apenas iriam se dar conta de que havia ainda uma menina, uma pequena menina com algumas tendencias suicidas que não foi resgatada.

Sendo assim ele tinha de continuar.

Ele começou a contar os armários. Graças a Deus era um numero que ele sabia, ele começou pelo primeiro assim como sempre lhe foi dito para começar e foi contando: Um, dois três... havia moveis e mais moveis em chamas, quatro, cinco, seis... as paredes estavam fracas e o reboco aia em seus cabelos, sete, oito nove... era esse o armário e ele ouviu o sem de uma parede inteira cair em algum lugar a sua esquerda. Ele ficou com medo, mas logo logo estaria longe dali, longe o suficiente para encontrar a menina e sair com as duas crianças.

Outra coisa que ele sabia de cor- graças a sua visao- era a combinação do armário onde Danny estava enfiado, o pobre menino. Jimmy poderia dizer que a sua relaçao com os espaços apertados tinha se transformado para sempre e sabia que as de Danny teriam uma mudança, ele não esperava que o menino ficasse com medo para sempre de lugares fechados como Lisa, mas esperava que pelo menos ele os evitasse em seu futuro.

-Cinco, dois, sete e quatro. Ele disse baixinho para se lembrar da combinação, enquanto suas mãos seguiam o padrão que tinha sedo feito mais cedo naquele mesmo dia seus olhos davam voltas pelo local, a cada segundo tudo parecia ser mais assustador.

A porta se abriu e Dann o esperava com um sorriso. O menino tinha os dois olhos roxos e muitos hematomas pelo corpo. Jimmy pensou que ele deveria estar pior mas era muito triste ver alguém que se ama maltratado daquela forma.

Tudo o que Danny fez foi dizer;

-Eu sabia que você viria tio Jimmy. Essa tinha sido a primeira vez que ele o tinha chamado dessa forma e ele se sentiu lisonjeado.

Infelizmente ele não teve muito tempo para ficar ali e dizer o quanto tinha gostado de ser chamado de tio, ele pegou Danny em seus braços- o movimento o fez quase perder a força de suas pernas- e correu para o lado oeste da escola.

Ele quase topou com Joanna Harvelle.

Quando a mulher viu Jimmy, o mesmo homem que tinha resgatado e que tinha recebido alta há menos de onze horas atras, ela não pode acreditar no que estava vendo. Ele não tinha entrado na escola porque ele não entendia a gravidade da situação ou porque ele tinha achado as chamas bonitas e queria desesperadamente vê-las de perto (como é que ela pode pensar nisso, ela sabia que Gabriel tinha ensinado muito sobre os perigos da cidade a ele) ela percebeu que ele tinha entrado ali para salvar a pessoa que ela deveria ter impedido de desaparecer, nos braços do pintor- ela sabia que ele mal estava se aguentando em pé- era Danny muito e mui espancado pelos amigos de Dylan. Ainda bem que ela tinha descoberto essa historia antes, pois se ela visse Danny no estado em que ele estava sem aviso prévio ela poderia desmaiar, ela tinha se afeiçoado muito as crianças de Dean e deseja que nada de ruim acontecesse a eles.

Ela se apressou e retirou o peso das mãos do pintor. Danny parecia se encaixar em seus braços como se ela fosse uma amiga muito antiga da família Winchester que o tinha visto desde seu nascimento, mas ela não tinha. Vendo os olhos azuis e vendo que se ficassem ali de bobeira poderiam morrer queimados ela puxou Jimmy pelo braço e começou a correr para a saída da escola com eles.

Ela não esperava que Jimmy não quisesse sair de lá.

-O que foi?

Alo em seu instinto a disse para ouvir o que o pintor tinha para dizer. Seu instinto não a decepcionou.

Eles dois estavam tossindo como loucos.

Jimmy olhou para Danny e tentou fazer com que as palavras complexas demais- principalmente quando ele estava nervoso- saíssem, ele fez de tudo para explicar que ainda havia uma menina ali e que se eles não chegassem a tempo ela seria engolida pelo fogo. Quando ele viu os olhos de Jo ele pode ter certeza de que foi compreendido, a menina tinha fibra para descobrir coisas que a maioria das pessoas não descobriam, não era a toa que ela tinha sido promovida a detetive. Se não fosse pelo comissario (Jimmy realmente não conseguia pronunciar essa palavra direito) ela poderia até mesmo virar uma sargento.

Eles correram para perto do teatro da escola e quanto mais entravam nas dependências do lugar mais sentiam a água de dentro de seus corpos ser evaporada pelo calor, nem suar eles suavam, suas gargantas eram secas e seus olhos ardiam pela exposição a fumaça negra. Mesmo assim eles continuaram correndo.

Eles não estavam em nenhum lugar e o fogo estava cada vez mais espalhado pela escola, Sam estava nervoso e estressado, fogo o lembrava da morte de sua mãe e lembrava de como seu pai tinha os criado. Ele realmente não queria estar ali, mas pelo amor que tinha por Jessica e pela amizade que tinha por Jimmy ele deveria estar ali, infelizmente Sam não tinha nenhuma ideia de que seu sobrinho tinha sido o motivo de tudo isso esse ele soubesse era claro que estaria muito mais nervoso do que já estava. Para Sam Danny estava em uma das ambulâncias vermelhas e o motivo que levou seus parentes e amigos a olharem para as chamas era o medo de que outras crianças morressem. Como ele era ingenuo.

Pelo menos ele não tinha sido tao ingenuo a ponto de não colocar parte da sua camisa sob seu nariz e boca para evitar que a fumaça entrassem em suas vias respiratórias.

Mesmo vendo as paredes do que era uma escola muito bonita queimarem e cederem sob o peso dos andares superiores ele não conseguia desviar sua atenção, ele era advogado e tinha aprendido a nunca desviar sua atenção do que deveria olhar, isso poderia leva-lo a perder uma pista de como dobrar o juiz ou uma das testemunhas. Ele passou pelo corredor onde os armarios das crianças da segunda serie eram dispostos e viu o nono armário com a porta aberta, por alguma razao todos os pelos de sua nuca se arrepiaram e ele pensou que deveria ter sido uma criança a abrir aquela porta. Logo que esse pensamento brotou em sua mente ele desistiu de procurar por Jimmy, afinal Jo estaria indo atras dele, ele apenas sabia que entre os dois havia algo diferente de dever, e subiu as escadas danificadas em direção ao teatro da escola, ele não sabia como e nem por que mas esse era o único lugar que poderia ser salvo de um incêndio, as paredes e as portas do teatro tinham de ser a prova de fogo, ele só sabia.

Ele agradecia a Deus por ter se lembrado de jogar agua em seu corpo, perto das portas de carpete do teatro as outras portas e janelas estavam completamente consumidas pelo fogo ardente e se ele fosse um pouco menos cuidadoso certamente teria se queimado.

Antes de abrir a porta ele ainda pode escultar mais uma parede desabar virando reboco ao chão. Ele estremeceu.

Nada no mundo iria prepara-lo para o que encontrou assim que escancarou as portas abertas. Absolutamente nada.

Dentro do teatro estavam Jo Harvelle, Jimmy Novak- o que de uma certa forma não tinha o surpreendido muito- a tal criança perdida e... Danny? Eel perdeu completamente a cor quando reconheceu o menino loiro e gordinho nos braços de Jimmy, ele tinha os olhos chorosos enterrados no pescoço do pintor e a imagem fazia com que James parecesse muito, mas muito adulto. Era a imagem de alguém que se importa consolando uma criança e Sam jamais se esqueceria disso.

Foi nesse momento que ele percebeu que ele ainda tinha certas reservas acerca do pintor e por mais estranho que fosse- ele nunca tinha se visto como uma pessoa de guardar rancor, mas era meio-claro que era isso que ele tinha feito, realmente a primeira impressão é a que fica... ele tinha certeza que ele nunca tinha passado esse rancor para a margem de sua consciência- essas reservas tinham desaparecido da mesma forma que tinham chegado assim que ele ouviu seu sobrinho chamando o outro de tio. Danny colocava ele, Gabriel e Jimmy no mesmo patamar e só não chamava Cas de tio (ele já tinha perguntado isso um tempo atras) porque o anjo professor era o namorado de seu pai. Ele se sentia um idiota por ter sido assim por tanto tempo e mesmo depois de ter feito muito por Jimmy ele nunca tinha feito nada de forma completamente verdadeira.

Sam pensou que estava mais do que na hora de consertar as coisas.

Mais as primeiras coisas primeiro e eles deveriam sair dali.

Ele ainda não sabia o por que deles não terem dado o fora assim que encontraram a menina e Danny, mas não demorou muito tempo para descobrir.

A menina estava ali sem querer deixar a escola em chamas porque queria se matar.

Sam se sentiu doente. Ela tinha oito anos de idade!

Em sua frente Jo Harvelle estava desesperadamente tentando convence-la de que a vida valia a pena. Ela não tinha sucesso, a menina tinha de ser tao inteligente quanto Lisa? Realmente o que essas crianças tinham para nascerem todas assim atualmente?

Jimmy o olhava nos olhos, ele tinha se abaixado em uma das cadeiras- certamente toda a correria e o esforço adicional de ter de sobreviver num pandemônio daqueles não o fazia bem- e o encarava como se dissesse que a menina tinha escolhido o único lugar da escola que era a prova de fogo por uma rezao. Sam sabia que ele não teria a inteligencia para saber daquilo, mas ver os olhos azuis intensos tinha lhe dado um inspiração. Ele sabia o que tinha de fazer.

Ela era bonita, bonita para uma criança de oito anos, mas sim muito bonita, tinha os cabelos negros e os olhos muito verdes e seu nome era Vanessa, Vanessa Cook. Ela estava ali porque ninguém na escola gostava dela e por causa de sua mãe que a odiava. Sam poderia saber por que, isso se a mãe dela fosse quem ele estava pensando...

Ele chegou perto dela e quase se arrependeu pelo que estava prestes a fazer, aquilo poderia ter consequências drásticas, mas era a única maneira que ele via dar certo.

Sem mais nem menos ele deu um tapa na cara da menina. Os presentes tinham ficado petrificados:

-O que você pensa que está fazendo?

A menina estava sem reação. Isso dava-lhe tempo para continuar.

-Você acha que vai estar fazendo a coisa certa em se matar, mas não vai. Pense nas pessoas que se importam com você. Ele estava praticamente chacoalhando a menina pelos ombros.

Ela praticamente gritou:

-NINGUEM SE IMPORTA COMIGO SEU IDIOTA!

Sam sabia que estava no caminho certo, era justamente aquela resposta que ele estava esperando.

Ele fingiu estar abalado pelo o que ela dizia:

-Ninguém se importa com você?

A menina abaixou sua cabeça e deixou seus portões desabarem. Se ele olhase para Jimmy ele poderia ver que o pintor estava em comunhão com os sentimentos dela e lagrimas tinham feito seu caminho no rosto dele.

Todos eles ainda estavam bastante cientes do perigo iminente do lado de fora.

Sam tinha dois caminhos para seguir; fazer as coisas da forma sentimental de sempre e terminar com um grande abraço ou fazer as coisas de uma maneira que até mesmo sua sobrinha ficaria assustada. Ele se decidiu por uma mistura não homogênea das duas formas:

-Se você queria se matar porque tocou fogo na escola?

A menina franziu a testa. Não tinha sido ela quem tinha tocado fogo ali.

-Não fui eu quem fez isso! Foi uma mulher loira, eu vi com baldes de gasolina. Eu apenas fiquei escondida aqui e não vou sair até que eu morra.

Todos os outros tinham estremecido. A mulher tinha de ser Ruby.

Por que ela se abaixaria a esse nível?

Sam estava com medo. Do nada uma sensação de que a mulher poderia aparecer em sua frente e acabar com a vida de todos eles ali mesmo se instalou em sua mente. Ele tinha de trabalhar mais rápido se quisesse tirar todos dali com vida.

Ele se ajoelhou e olhou nos olhos da menina.

-Sabe voe não queria fazer isso, não realmente.

Mais uma vez Vanessa era incrédula:

-Claro que eu queria. Ninguém me ama e... ela se perdeu em pensamentos. Sam aproveitou a deixa.

-Sabe por que você não queria fazer isso? Ele estava se parecendo com Lisa e sabia disso- porque você veio para o único lugar dessa escola que é a prova de fogo.

Ela estava atônita e o homem não tinha percebido que Jimmy tinha desmaiado. Ele apenas continuou com o que tinha de fazer, ele abraçou a criança.

Os olhos de Vanessa eram enormes como pires por tras do abraço e ela poderia ver a preocupação de Jo ao não conseguir acordar Jimmy. Ela pensou que já tinha visto a mulher em algum lugar, o outro homem ela sabia que era o pintor irmão do capitão de policia, ele estava muito na mídia ultimamente. Ela tinha visto ele chegar antes de todos os outros onde tinha se escondido e se sentiu mais o que lisonjeada por perceber que alguém se importava com ela.

O outro homem ridiculamente alto ainda estava falando em seu ouvido.

Ela se impressionou com as palavras sinceras;

-Você não precisa se matar, ainda está muito cedo para dizer que ninguém gosta de você, sabe por que? Porque até ontem eu não te conhecia e hoje estou disposto a ser seu amigo.

-Eu também, e sei que o tio Jimmy também vai querer ser seu amigo. Ele é muito legal!

Era claro que Danny tinha percebido o que ele estava fazendo. O menino tinha dito aquilo de todo o seu coração, eles não tinham muitos amigos nessa escola nova- Lisa era a única que tinha ficado popular ao espancar Dylan- e ele estava um pouco desesperado para encontrar alguém que não o visse como um menino retardado. Ele sabia que as crianças dali não eram acostumadas a deficiência motora que ele apresentava, mas nunca tinha esperado que elas fossem tao agressivas. Danny as vezes tinha problemas para dormir se culpando pelas brigas de Lisa e preocupado em nunca vir a ter amigos diferentes dos adultos naquela cidade. Esse era o momento que ele tanto esperava.

-Verdade? Foram as palavras estranguladas de Vanessa.

O sim foi unanime e ela finalmente admitiu que estava com medo.

Já estava passando da hora de eles saírem dali.

Sam olhou para Jo que olhou para o corpo desmaiado de Jimmy e depois os dois olharam para as crianças. Imediatamente um problema se instalou, como eles iriam sair de uma escola em chamas com duas crianças a tiracolo e um homem adulto inconsciente?

Eles teriam de dar um jeito.

Sentado em seu restaurante preferido o homem de olhos amarelos assistia pelo noticiário uma escola pegar fogo, ele tinha um copo de cerveja nas mãos e seus olhos nunca deixaram a tela assim como seu sorriso nunca deixou o rosto. Ele parecia se divertir com tudo.

Ele nunca esperou que a mulher recusasse seus serviços, mas ele bem sabia que ela era uma maniaca pelo fogo.

Enquanto ele tomava uma golada particularmente satisfatória seu celular tocou.

Ele não precisou ver o identificador de chamadas para saber quem era. Ele tinha certeza:

-Rainha vermelha, meus parabéns pelo ótimo trabalho será que os coelhos saíram da toca?

-Eu espero que sim- Ruby tinha os olhos atras de lentes negras e um sorriso porpita no rosto, ela estava acompanhada de seu parceiro- não é minha intenção deixa-los presos no sol.

-Sei. Foi tudo o que o homem de olhos amarelos disse, ele sabia que ela iria dar mais um trabalho a ele e imediatamente tinha ficado contente, as bebidas que ganhava junto a seu salario eram o melhor. Como sempre ela não o decepcionou.

-Tenho duas amigas que adoram vodika escura- os dentes dele rangeram, ele sabia esse código e sabia que a vodika escura era muito boa- está interessado em visita-las?

Ele seria um macaco se não quisesse.

Ele tomou outro gole de sua cerveja para depois responder. O noticiário tinha mostrado que a porta da frente da escola tinha desabado completamente.

-Quem sou eu para recusar beber com duas belas mulheres?

Do outro lado a mulher sorria. Ela desligou o telefone.

O homem de olhos amarelos sabia que logo receberia suas diretrizes.

Ele continuou assistindo a matéria que horrorizava todas as pessoas menos ele, de uma certa forma aquilo lhe dava prazer. Ele não estava nem ai se o menino não sobrevivesse, mas sabia que sua patroa não iria gostar, até o presente momento sua chefe nunca tinha matado uma criança e mesmo que ele soubesse que a mulher poderia matar muitas sem nem ao menos se importar ele poderia dizer que a morte do menino não seria um dado bom para a conclusão de seu plano.

Ele bufou. Por ele esse plano poderia ir a merda, mas ele realmente gostava de satisfazer as vontades da mulher.

Ele só esperava que seja o que for que ela esteja procurando fosse grande.

Ele mantinha esperanças de continuar ganhando boas bebidas.

Dean estava com o cú na mão. Ele tinha visto bem diante de seus olhos a parede da frente da escola desabar sobre o peso dos outros andares, as chamas lambiam qualquer tentativa de escapar e seu irmão, seu filho e Jimmy- ele não o chamava de cunhado, era muito estranho- ainda estavam ali. Seus olhos tinham virado cachoeiras.

Ele estava quase indo matar o chefe dos bombeiros quando Jessica agarrou seu ombro. A mulher ainda tinha os olhos vermelhos, mas tinha uma certa luz sobre si.

-Espere.

Ele disse em uma voz muito firme.

Tanto ele quanto Gabriel a olharam nos olhos, nesse momento Castiel tinha saído do carro e parecia bastante sereno, seus ouvidos tinha pego apenas um desabamento o que indicava que ainda havia chances de escapar.

Jessica não tinha como saber disso, mas sabia que Sam estava lá e conhecendo-o como ela o conhecia poderia dizer com toda a certeza que ele nunca deixaria seu sobrinho e protegido morrerem.

-Eles ainda estão lá, eu posso sentir.

Gabriel estava calado, ele respeitava os sentimentos de Jessica. A mulher parecia bastante sensível quando se tratava de jim. Dean por outro lado tinha dado uma risada de escarnio.

-E você tem mojo agora Jess?

Nada tinha preparado o engenheiro para a resposta seguinte:

-Não, mas eu tenho fé.

Ele poderia enterrar a sua cabeça em um buraco. Logo depois disso ele percebeu que os bombeiros estavam mais uma vez em movimento, os homens fardados estavam se dirigindo para as portas dos fundos e eles correram para lá, Dean puxava seu namorado sem nem ao menos se lembrar que ele era cego e Cas não se sentia no direito de faze-lo abrandar. Ele acabou ficando com alguns arranhões mas acabou feliz. Ele tinha sido o primeiro a ouvir a voz de Sam e um sorriso se espalhou em seu rosto. Ele tinha certeza que havia uma lei celeste para as coisas da vida pegarem leve com pessoas que tinham passado por poucas e boas e mesmo que essa lei não existisse os anjos protegeriam aqueles de coração puro.

Castiel sabia que Danny, Sam e Jimmy eram pessoas de coração puro.

Eles estavam seguros.

O que Cas não sabia era que Jimmy tinha desmaiado, o pobre tinha sido apoiado em Sam e em Jo- que tinha colocado Danny em suas costas e o amarrado com cordas de paraquedas de uma das bolsas que estavam no armário numero nove- para que eles conseguissem sair de la e seu rosto estava completamente sujo de reboco. Ele também não sabia que alem de Danny uma outra menina foi salva e que ele alem de ser filha de Rose Cook e ter visto Ruby incinerar a escola tinha uma das pedras de xadrez na mão, mas esse detalhe nenhum deles sabia.

Gabriel tinha sido o primeiro a reparar na peça negra e todos os seus sentidos alertavam para uma nova onda de assassinatos.

Ele resolveu ignorar o que tinha sentido e se dirigiu para seus parentes. Danny e Jo pareciam contentes em estarem vivos e Sam tinha um olhar de desculpas na cara. Ele ignorou tudo enquanto trazia Cas para junto de si.

Eles foram os únicos a entrarem na ambulância. Os carros os seguiam bem atras e os paramédicos insistiam que eles ficariam bem assim que o oxigênio fosse devolvido para seu devido lugar dentro de seus corpos. Todos tinham ficado mais aliviados.

Nenhum deles tinha reparado que a mulher ruiva estava ali disfarçada de enfermeira. Ela tinha entrado na outra ambulância e estava seguindo-os para o hospital. Ela tinha uma arma escondida na liga da coxa e um brilho assassino nos olhos.

Em seu sono provocado pela fumaça Jimmy ficava agitado e logo uma mão de um dos seus irmãos vinha para acalma-lo. Por alguma razão Gabriel estava feliz em saber que estaria voltando para o hospital da bela enfermeira ruiva.

Castiel apenas rezava, ele não queria que nada de ruim acontecesse, tinha sido muito sorte que eles conseguiram sair a tempo antes das paredes desabarem umas sobre as outras e a escola voltasse ao pó, ele não queria que outras surpresas aparecessem quando eles dessem uma nova entrada no hospital.

Ele não sabia que Ruby estava pronta para surpreender a todos.

Essa era uma nova faze de seu plano e seria iniciada na calmaria. Ela bem sabia que quando a tempestade acaba a calmaria pode ser o momento onde uma nova tempestade se apressava para nascer.

Por incrível que possa ser a mulher rezava para que nenhuma de suas vitimas tivesse morrido, ela não matava crianças e não estava disposta a matar Jimmy para conseguir o que ela queria.

Bom, a sorte dela é que Jimmy tinha muitos amigos.

Esses ela estava disposta a matar para conseguir o que queria.

Ela continuou olhando para a janela da ambulancial e seu sorriso ia aumentando conforme eles se aproximavam do hospital. As consequências da rainha negra eram as suas favoritas, aquela menina foi esperta em escolher aquela peça do xadrez, pena que logo logo ela estaria em um albergue.

Ela acariciou o metal frio da arma em sua coxa.

Ela estava recebendo seu premio não importa quanto tempo dure para encontra-lo.

Jimmy ainda se agitava em seu sono.

A ambulância vermelha onde Sam, Jo, e ele estavam estava há dois minutos do hospital geral e Gabriel tinha finalmente pego a peça de xadrez que estava nas maos da menina de cabelos pretos.

Ele estremeceu ao ver a rainha negra.

Aquilo não poderia ser bom e ele tinha de agir rápido. Muito rápido.

Notas finais
Quem gostou comenta!
Mandy
PS- o próximo? esse sim vai ter sangue.