When You Have A Killer In Your Tail
3 Capítulo 3 Quando cartas são escritas com sangue
Notas iniciais
Eram quatro e meia da madrugada. O capitão de policia de São Francisco estava junto a seus melhores detetives esperando os resultados da perica saírem. Todos eles tinham acabado de voltar do restaurante e nenhum deles pensou que aquilo era maior do que parecia ser.
Infelizmente para todos aquilo realmente era muito maior do que deveria ser.
O que parecia ser um simples restaurante que tinha sido assaltado e nenhum fregues tinha se machucado mostrou-se uma isca para atrai-los. Pouco depois de Gabriel ter sido chamado seus detetives mais jovens tinham encontrado um corpo dentro de uma das panelas da cozinha. Era o corpo de uma garotinha de um ano e ela tinha sido morta com uma faca de cortar peixe.
A única coisa que aliviava o clima (ou tentava aliviar o clima) era que os legistas descobriram que a menina estava morta há mais de um dia, ou seja, ela não tinha como ser filha de ninguém que estiver comendo ali.
A outra noticia ruim era uma carta, na verdade tinha sido o motivo pelo qual seus detetives tinham-no chamado, uma carta escrita com o sangue de alguma pessoa e endereçada ao “Melhor capitão de policia que essa cidade já teve”.
Nela estava escrito:
Olá meu caro Gabe. Se lembra de mim?
Caso não seja possível acessar as memorias relacionadas a minha pessoa trago-lhe esse sangue para você saber quem eu sou.
Espero que seus peritos descubram rápido. Talvez a pessoa que tenha dado o sangue para essa cartinha ainda esteja viva. Talvez não.
Como sempre, foi um prazer falar com você.
Sua admiradora secreta
Antes mesmo de terminar de ler o capitão Novak já tinha uma boa ideia sobre quem poderia ter mandado algo desse tipo. Ele apenas tinha de esperar para ter certeza, se o sangue fosse confirmado seria quem ele estava pensando.
Ele olhou para o relógio pela sexta vez e ainda não acreditou que tinham apenas se passado cinco minutos. Tudo o que ele queria era que alguns dos seus especialistas lhe dissessem o que ele queria ouvir, depois disso ele estaria livre para fazer uma força tarefa.
Antes que ele terminasse sua xícara de café sua criminalista mais confiável saiu da sala em que ela estava enfiada.
Ele entrou acompanhado por seu tenente. Nenhum deles se importou em perguntar como ela estava. A mulher era definitivamente acostumada com esse tipo de tratamento, sempre em casos como estes seus chefes não falavam de assuntos frívolos ou se davam ao trabalho de cumprimentar as pessoas. Ela acreditava que isso era alguma especia de respeito a quem morreu.
Hellen Harvelle os conduziu a sua mesa onde uma maquina de fax tinha acabado de vomitar os exames de sangue.
Ela pegou o papel e disse em uma voz muito solene:
-As amostras batem com o sangue de Anna Milton. Ela tinha vinte e cinco anos e era estudante de historia da arte na universidade do Kansas.
Ela olhou para seus superiores, o tenente Shurley ajeitava seus óculos repetidamente e parecia que não conseguia mais achar uma posição correta para eles em sua cabeça, enquanto o capitão simplesmente tinha ficado em silencio. Os olhos cor de avela que ele tinha poderiam dizer a qualquer um que os olhasse que ele estava com muita raiva. “Não era para menos”, ela pensou, “faziam três anos”.
Gabriel suspirou um suspiro que não sabia estar segurando e abaixou a cabeça por alguns segundos. Pensamentos tortuosos passavam pela sua mente e tudo o que ele queria era estar em casa vendo um filme idiota com seus irmãos e ouvindo Jessica reclamar com eles por deixarem a televisão em um volume muito alto. Infelizmente as coisas não poderiam ser tao fáceis.
Ele levantou a cabeça e olhou para Chuck.
-Chame todos os homens que puder e diga para me encontrarem na sala de reuniões em dez minutos.
Seu tenente acenou com a cabeça e saiu correndo da sala. Ele sabia o que aquilo significava. Era a hora de montar uma força tarefa contra aquela mulher.
Outra coisa que ele sabia mas que nunca diria em voz alta era que nesse momento seu chefe estaria precisando muito mais de ajuda do que qualquer um deles. Passaram-se três anos desde o dia que Ruby Evans tinha deixado de mandar cartas escritas a sangue para aquele departamento.
Ele apenas poda rezar para que dessa vez ninguém se machucasse durante essa brincadeira que ela tinha os colocado.
Do outro lado da sala Gabriel mandava sua perita voltar a examinar o corpo da pequena garotinha. Ele se sentia mal por te-la deixado nas mãos de seus legistas menos confiáveis, mas agora que o rosto do inimigo tinha sido revelado ele poderia saber mais sobre ela do que a data de sua morte. Ele apenas esperava não precisar ligar para nenhuma mãe e dizer que sua filha tinha sido encontrada morta.
Ele saiu da sala para deixar Hellen trabalhar em paz e se dirigiu a sua sala para preparar o discurso que daria mais adiante a sua equipe. Certamente a mídia também iria estar em seu pé quando eles descobrirem que havia um corpo de criança no restaurante mas o discurso para aquele bando de urubus ele faria depois. Nesse momento sua prioridade era montar um esquema mais forte de proteção para a família Winchester.
Ele nunca poderia esperar que iria precisar fazer isso tao cedo. Como aquela mulher descobriu onde eles estavam?
Ele queria resolver isso o mais rápido possível.
Castiel estava sentado em uma das cadeiras ao redor de sua mesa da cozinha. Um celular prateado jazia em sua frente e ele acariciava os botoes com o dedo polegar esquerdo debatendo com sua própria consciência se deveria ligar ou não para o numero que tinha acabado de escrever.
Sua cabeça estava baixa segurada pela mão que era apoiada no cotovelo do braço esquerdo e ele simplesmente não conseguia tomar uma decisão simples. Parecia que ele estava segurando uma caveira(5) em vez de um celular e dizendo frases existenciais que todos os seres vivos já sabiam de cor. Se ele não tivesse implorado para Jessica dormir- a mulher estava extremamente exausta- certamente ele já teria se decidido ou ela já teria se decidido pelos dois, mas ele não queria acorda-la, ela já tinha ficado acordada com ele até as duas horas e ela era a única que realmente tinha que estudar em um dia de domingo. Ele não deixaria ela se dar mal em sua apresentação por causa deles.
Ele suspirou longamente. Ele não queria que seu outro irmão deixasse de trabalhar por causa deles. Gabriel certamente era capaz de correr cidade afora para encontra-los em casa e ele não queria que isso fosse necessário, por tudo o que ele sabia as coisas ainda não estavam no pior. Mesmo assim Jimmy ainda insistia em falar com ele.
Jimmy... Castiel se focou em ouvir qualquer barulho que fosse capaz de reconhecer como ameaçador. Suas orelhas mais sensíveis do que as de qualquer outro eram acostumadas a vários tipos de barulho dentre eles os barulhos que apontavam para um estado negativo ou perigosos de seu irmão gêmeo. Nesse momento ele era capaz de ouvir Jimmy respirar com dificuldade e ele agradeceu a Deus por pelo menos ele estar respirando.
Outra coisa que ele sabia era que seu clone estava sentado no sofá. Ele se dirigiu para aquela direção sabendo exatamente onde tudo naquela casa se encontrava e não foi difícil sentir Jimmy sentado na ponta direita do estofado antigo. Estendendo uma mão ele sentiu os muculos de seu irmão dois minutos mais velho tensos ao toque e as retirou imediatamente.
Certamente Jimmy não queria ser tocado.
Para Castiel- que não era capaz de enxergar- aqueles eram os piores momentos. Ele queria poder ver, a sua maneira, como Jimmy estava, se ele estava sentado em sua posição comum com os joelhos dobrados e junto ao peito ou se ele estava chorando. Nesse momento ele não poderia saber nenhuma dessas coisas, assim ele resolveu sentar-se no sofá e se moveu para a outra ponta do móvel tentando passar o mais próximo possível dele. Com esse método não muito sutil ele pelo menos poderia descobrir em que posição o outro estava. Ao se sentar e não ter tropeçado em nenhuma perna ele pode saber que Jimmy estava em posição fetal.
-Jimmy- ele começou com a voz mais aveludada possível. Ele sabia o que o outro responderia mas ele tinha de ouvir por si mesmo, ele tinha de responder o dilema em questão- foi só um sonho.
Ele detestava falar isso. Ambos sabiam que não era apenas um sonho. Eles tinham vivido trinta e cinco anos um com o outro para saber que Jimmy não era capaz de mentir, se ele dissesse que aquilo- seja la o que for- que ele tinha visto iria acontecer seja la o que for realmente iria acontecer.
Aquele era um dos motivos para eles estarem ali, cerca de um continente de distancia de onde o resto de sua família estava. Eles não tinham nem o direito de receber ou mandar cartões de natal.
-Não! Não é, você sabe. Foi a resposta que recebeu. Mesmo que ela tinha vindo em uma voz estrangulada ele sentiu alivio. A resposta tinha chegado antes que seus pensamentos se perdessem em meio a seu passado.
Castiel ainda se sentia um idiota. Ele tinha feito Jimmy chorar.
Sentado ao lado dele o outro homem de cabelos negros despenteados, mas não tanto como os de Castiel, e olhos azuis vibrantes estava repetindo miseravelmente a frase anterior e a cada repetição ele chorava mais e mais. Um nervo tinha sido atingido e ele não conseguia se afastar de todas as lembranças dolorosas que vinham com ele.
Ao sentir o aumento de ansiedade vindo de Jimmy, Castiel não era mais capaz de ficar indeciso. Ele estendeu o braço para a direita e puxou seu irmão envolvendo-o e um abraço apertado, ele podia sentir o cheiro do shampoo dos cabelos macios de Jimmy e quando este envolveu os braços ao redor de suas costas e enterrou a cabeça em seu ombro as lagrimas começaram a correr batendo em sua camisa de flanela ele passou sua mão direita pelas costas dele, muito lentamente, em movimentos circulares enquanto a outra apertou a tecla responsável por iniciar chamadas.
Gabriel atendeu no primeiro toque:
-Olá?
Não houve tempo para mais nenhuma palavras de reconhecimento.
-Você esta vindo para casa?
O capitão poderia ver sirenes piscando em sua mente. A voz de seu irmão indicava alerta máximo.
-Não.
-Jimmy teve uma visão- foi a resposta seca que acompanhou a negativa de Gabriel, Cas não deu a ele nenhum momento para perguntar o que tinha acontecido ou fazer algum comentários em relação a isso. Ele simplesmente despejou tudo de uma vez- Ele diz que as cartas vão voltar e que você já recebeu uma.
Houve um suspiro na outra linha.
-Eu não queria que ele visse isso. O que mais ele viu?
Se tinha uma coisa que Gabriel queria era poder proteger cada inocente do mundo cruel que era a realidade. Por sua experiencia sendo o único que criou seus irmãos (o trabalho que seus pais não queriam fazer) ele era o único que conseguia falar com as crianças que chegavam a delegacia sendo vitimas de sequestro ou abusos. Ver pequenas criaturas sofrer era o que mais detestava. Quando Jimmy aprendeu a falar e começou a ter pesadelos ou ver coisas que alguns diziam ser premonições ou seres de outros mundos ele pensou que deveria dar um jeito de acabar com isso, ele levou Jimmy para todos os tipos de psiquiatras e nenhum deles dizia nada alem de “James Novak possui retardo, não doença mental.” finalmente ele descobriu que não tinha nada que ele pudesse fazer com isso, foi pouco depois que ele começou a acreditar que as premonições ou dom ou mediunidade- como uma mulher que servia café o dizia- nunca estavam erradas. Demorou um pouco, mas quando ele finalmente aceitou isso ele decidiu que deveria entrar na policia para ajudar todas as pessoas que seu irmão via sofrendo.
No começo ele fazia isso para impedir o sofrimento de alguém a quem estimava muito, mas a medida que o tempo foi se passando ele foi capaz de compreender que era isso o que ele deveria fazer pelo resto da vida. Ele deveria fazer isso, trabalhar no controle do crime, não para acabar com os pesadelos de Jimmy. Ele deveria fazer isso porque era a o que ele gostava de fazer. A única coisa que ele se arrependia era de não ter sido como Castiel. O irmão do meio tinha lido todo o tipo mistico de livro e tinha encontrado muitas respostas em Allan Kardec, definitivamente ele tinha sido muito menos resistente quanto aquilo tudo e muito mais corajoso ao entrar na velha casa em que viviam com seus pais com esse tipo de livro.
Infelizmente depois de ouvir algo como aquilo Gabriel simplesmente queria que nada disso fosse verdade.
Aquela mulher estava atras deles mais uma vez e estava arrastando quatro pessoas completamente inocentes no processo.
-Não. Ele diz que pode ouvir algumas vozes mas não consegue entender o que elas dizem.
Cas parecia estar muito aliviado com isso. Por tudo o que ele tinha estudado ele poderia dizer que os espíritos amigos de Jimmy respeitavam sua inocência. Tudo o que ele via era apenas o que ele poderia ver e o outro Novak sentia-se muito grato por seu irmão nunca ter visto algo que terminaria em mais de uma noite sem dormir. Mesmo assim ele não estava contente com as ultimas noticias.
Do outro lado da linha Gabriel olhou para o relógio em cima de sua mesa. Eram cinco horas e os jornalista já tinham ligado para fazer uma comitiva com ele. Coçando a cabeça ele voltou para a conversa.
-Amem. Eu estarei chegando ai depois de falar com aquele bando de abutres. Tente faze-lo dormir um pouco.
Uma única exclamação de ironia pode ser ouvida do outro lado da linha. Depois disso o celular foi tirado das mãos de Castiel:
-Gabe?
Gabriel prendeu a respiração, a voz que ouviu estava quebrada demais para ser a voz de Jimmy. Ele tinha um mau pressentimento sobre isso.
-Diga Jim. Ele tentou colocar a intonação menos policial que ele conseguia reunir as cinco horas da madrugada depois de ter gritado com um bando de detetives.
-Não é mentira!
Os olhos do capitão se arregalaram. Fazia anos que ele não ouvia Jimmy falar isso e ele tinha certeza que sabia o que o tinha feito voltar aquelas lembranças.
-Eu sei, você viu a carta, não é mentira- ele usou sua voz mais controlada que podia reunir e depois de ouvir Jimmy relaxar ele acrescentou- você pode passar de volta para Cas?
Quando recebeu o telefone em suas mãos Castiel estava morrendo de medo. De alguma forma ele sabia que merecia seja lá o que Gabriel iria dizer a ele, mesmo assim ele não queria sofrer as consequências de seus atos. Se ele não perguntasse a Jimmy certamente ele não teria coragem para ligar para um muito ocupado Gabriel as cinco da manha.
-Cas, por que diabos você fez isso?
Ninguém precisava de explicações sobre o que isso significava, ambos sabiam as conotações de dizer a Jimmy que tudo não passava de um pesadelo.
-Eu estava indeciso. Foi a única resposta miúda. Castiel abaixou a cabeça como se estivesse sentindo um peso sobre seus ombros.
Do outro lado da linha Gabriel estava ardendo. Ninguém deveria ter o direito de fazer isso com Jimmy, nem Cas, nem seus pais e nem ninguém. Ele tentou respirar para não fazer muita besteira, assim como James Castiel era uma alma sensível que tinha sofrido muito no passado mas diferente do gêmeo mais velho Cas era um verdadeiro adulto e poderia medir suas palavras. Resolvendo ficar puto da vida de uma vez e sabendo que já não mais estaria quando chegasse em casa ele falou:
-Pois não fique indeciso quanto a isso.
Depois disso a linha tinha ficado muda, Gabriel tinha desligado na cara de seu irmão.
Sentindo-se miserável Castiel colocou o celular em cima da pequena mesa de centro e voltou a abraçar seu irmão pedindo-lhe desculpas que não tardaram a serem aceitas.
Do outro lado do corredor que ligava os dois blocos do apartamento um pequeno menino de poucos quilos acima do peso e grandes olhos verde-esmeralda lutava para se sustentar em pé. Suor escorria por sua face e ele parecia querer estar fazendo qualquer outra coisa menos uma excursão por seu apartamento novo a aquela hora.
Seu semblante apenas piorou quando ele descobriu que por alguma razão seu pai e seu tio trocaram de quarto. Ele tinha praticamente se matado para cruzar o corredor e chegar ao ultimo quarto do lado esquerdo para encontrar o corpo magro e gigantesco de seu tio em vez de seu pai que era muito menor e dormia geralmente de bruços.
Danny deixou-se cair em colapso ao chão em sinal de extrema frustração. Ao contrario do que parecia ele não estava se sentindo dessa forma por não confiar em seu tio para ouvir o que ele tinha a dizer, ele confiava bastante em Sam; o único problema era que ele se sentia melhor falando com seu pai, ele sabia que Dean estaria lá para ele e o compreenderia (não que Sam não o compreendesse, mas no momento em que acordou ele sentiu que deveria ir ver seu pai).
Ele tentou se lembrar de tudo o que tinha visto durante seu sonho, talvez se alguma pista fosse dada a ele- como por exemplo ver Sam sentado naquele lugar- ele poderia contar tudo o que tinha visto a seu tio. Fechando os olhos ele se concentrou e as imagens apareceram da forma que elas sempre apareciam quando ele se esforçava.
Seu pai, Lisa e as pessoas que ele tinha acabado de conhecer durante o almoço estavam ali: era uma sala grande de paredes brancas e cadeiras desconfortáveis feitas de ferro com pequenas almofadas em sua base e encosto. Trés pessoas estavam sentadas nessas cadeiras e ele não demorou a reconhecer um dos gêmeos de cabelos negros e olhos azuis (por mais que ele tentasse ele não era capaz de saber quem, seu ponto de visão estava muito longe para ver os olhos), Gabriel e Jessica. Seus olhares de tristeza eram assustadores e não muito diferentes dos olhares de seu pai e irma, mesmo assim ele não era capaz de ver Sam em nenhum lugar.
Ele esperou mais um pouco, tentou assistir a cena ao máximo que ele poderia. Aos poucos ele poderia ver Gabriel se levantar e começara a andar de um lado para o outro com Lisa logo atras dele na tentativa de ajudar no que podia; esperta como ela sempre tinha sido suas palavras tinham ajudado o policial e ele a ergueu para um abraço. Antes que ele pudesse ver mais alguma coisa as imagens começaram a acelerar como uma velha fita de vídeo e congelaram completamente logo depois de Sam entrar trazendo três grandes copos de café empilhados em uma das mãos.
Logo depois disso ele voltou ao planta terra. Não da maneira que ele desejava.
Sam- que estava meio acordado e com sede- tinha tropeçado em cima dele. O susto que ele teve provocou a queda do grande homem, se ele não tivesse recebido treinamento de seu pai de como sobreviver ele certamente teria caído em cima de seu sobrinho. Em vez disso ele deu uma cambalhota e foi parar próximo a porta do quarto com a certeza de que pelo menos Danny estaria ileso.
Quando finalmente se deu conta do que tinha acontecido Sam se levantou e olhou a seu redor e arregalou seus olhos em espanto. Diante de si a figura suada e assustada era seu sobrinho.
-Danny, como você chegou até aqui? Levantando-se rapidamente o advogado recolheu o menino em seus braços e se sentou na cama colocando Daniel ao seu lado com as costas apoiadas na madeira .
Por um instante Danny sentiu-se envergonhado. Ele não queria responder a essa pergunta porque sabia que seu tio não ficaria feliz com isso. Colocando os olhos bem treinados em seu colo ele respondeu com uma voz pequena;
-Eu me arrastei até esse lado do corredor e depois me apoiei na parede.
Sam suspirou, ele sabia que seria assim.
Pegando delicadamente o queixo de seu sobrinho com um dedo indicador o adulto fez com que os olhos esmeralda encontrassem os seus. Danny lembrava-o constantemente de Dean quando estava determinado, e não adiantava dizer para um deles que as coisas não poderiam ser feitas sempre a sua maneira pois eles sempre faziam tudo dar certo exatamente como eles queriam que desse mesmo que eles se machucassem no processo.
Sabendo disso ele resolveu encurtar mais o sermão para obter algumas respostas:
-Nos vamos falar sobre isso depois. Agora você pode ir me dizendo porque veio aqui
Um pequeno sorriso cruzou os lábios do garoto. Agora que ele sabia que Sam também estava la seria muito mais fácil contar a ele o que tinha visto.
Foi isso o que ele fez. Infelizmente quando começou a descrever o local, o comportamento das pessoas e o que cada um estava fazendo ele começou a entender o que tudo se tratava. Eles estavam, ou iam estar, em um hospital! Lagrimas começaram a rolar pelos olhos verdes e Danny não foi capaz de se segurar por muito tempo, um arrepio de medo cruzou todo o seu corpo e ele começou a tremer enquanto continuava a contar o que tinha visto a seu tio.
Sam ficou em silencio o tempo todo, essa não era a primeira vez e nem seria a ultima que seu sobrinho tinha um sonho como esses. Tinha sido muito mais difícil para todos eles aceitarem o que estava acontecendo com a pequena criança se logo depois da morte de Mary seu pai não tivesse procurado respostas em todos os tipos de religiões e doutrinas que ele poderia conhecer. Dentre todas as coisas que Sam não apreciava em seu pai essa não estaria na lista.
Segurando o pequeno garoto em seus braços Sam se levantou da cama e se dirigiu para o quarto de Dean. Ele sabia que ninguém era melhor para acalmar aquelas crianças do que seu irmão. Quando Danny se enrolou nele envolvendo suas pernas em sua cintura e colocou a cabeça em seu ombro como um gato muito preguiçoso ele se deixou sorrir por um breve minuto que se encerrou assim que as lagrimas caíram em sua camisa de malha. Para acalmar o pobre menino ele acariciou os cabelos loiros e cantarolou uma musica pouco conhecida e uma voz baixa.
Danny tinha parado de chorar logo depois de perceber que eles estavam indo ver seu pai.
-Você quer que eu conte tudo para ele ou quer contar?
O menino olhou para o corpo adormecido de seu pai e não deixou de reparar nas olheiras que Dean tinha conseguido nesses últimos dias, todo o estresse e a preocupação com o bem estar dele e de Lisa tinham definitivamente drenado suas forças. Com um semblante culpado Danny desistiu de fazer seu pai se preocupar com ele mais uma vez, claro que Dean ainda continuaria preocupado e isso era parte de sua natureza, mas se ele deixasse Sam contar o que tinha sonhado pelo menos salvaria seu pai de vê-lo tremer de medo e tristeza como ele tinha acabado de fazer dois minutos atrás.
Ele comunicou sua vontade a seu tio e Sam não tardou em compreende-lo. Seus sobrinhos eram crianças incríveis que se preocupavam genuinamente com o bem estar dele e de Dean. Sendo assim ele deitou o pequeno formulário que carregava em cima da cama e esperou pacientemente até que ele dormisse, o que não levou muito tempo.
Quando Danny estava voando para a doce terra dos sonhos bons ele acordou Dean. Seu irmão mais velho escultou tudo o que ele disse com paciência e um pouco de medo, não era medo por seu filho mas pela situação em que as pessoas se encontravam no relato de Sam. Ambos esperavam ter um melhor futuro agora que estavam sob a proteção da policia e esse sonho veio justamente para lembra-los da situação em que estavam.
Não sabendo o que fazer com aquela pequena demonstração de futuro Dean resolveu ficar em silencio. Depois de tudo o que tinha aprendido com Pâmela ele poderia dizer que a amostra grátis de futuro que Danny encontrou poderia ser modificada. Como ele sempre foi um tipo de pessoa que não aguentaria ver ninguém sofrer por seus erros idiotas ele desejava que tudo fosse modificado, ele não gostaria de ver nenhum inocente se machucar ao invés dele.
O que nenhum deles sabia era que na realidade ninguém estava pagando por seus erros. A historia entre Ruby e Sam não era tao forte quanto a ligação que ela tinha com a família da casa ao lado.
Eram nove e vinte e sete da manha de um dia que supostamente deveria se o dia do descanso. Dentro de um Sedan prateado o capitão Novak estava proto para voltar para casa e dormir um sono de quarenta e nove horas (se isso fosse possível). Colocando seus óculos escuros ele se preparou para o curto trajeto entre a delegacia e sua casa. Um único pensamento passava por sua mente enquanto ele dirigia.
-Como as coisas estão lá em casa?
Se ele pudesse escolher o que seu irmão poderia ou não ver certamente aquelas cartas não seriam algo que Jimmy veria em sua vida. Cartas escritas com sangue eram uma coisa completamente fora de época, elas deveriam ser extintas com a morte de todos aqueles escritores de romance policial do seculo passado(6), no entanto aqui estava ele no meio do seculo vinte e um e ainda recebia esse tipo de carta.
Nesse momento ele se sentiu o pior policial que o pais já teve. Como ele poderia deixar algo assim acontecer? Em primeiro lugar ele não tinha sido capaz de prender a maldita mulher quando descobriu quem ela era e ainda por cima tinha acabado por envolver mais pessoas nesse processo. Definitivamente ele não era digno de seu posto.
Tentando esquecer um pouco de tudo o que tinha acabado de acontecer Gabriel resolveu colocar uma musica em seu radio. Ligando o aparelho imediatamente a voz de Boby Marley tinha enchido seus ouvidos, o canto mundialmente conhecido insistia em dizer a ele que tudo estaria bem. Por um momento ele pensou que aquilo só poderia ser coisa de Jimmy, excêntrico como qualquer pintor famoso o irmão do meio era fascinado por essa musica e sempre a ouvia quando não conseguia terminar um quadro ou quando simplesmente queria ficar mais feliz do que ela já era.
O capitão começou a cantar junto com a musica e segurou o crucifixo que sempre esteve enrolado em seu espelho retrovisor, ele agradeceu a Deus por um breve momento e depois continuou o seu trajeto mais leve como se um peso tinha saído de seus ombros. Se existia algo que ele deveria ser grato era por ter uma família.
A primeira coisa que viu quando chegou em casa foi seus dois irmãos idênticos no sofá antigo. Ele poderia saber quem era quem por causa de como eles estavam: enquanto Jimmy se espelhava pelo sofá ocupando mais espaço que a física permitiria e tinha sua cabeça apoiada na coxa do mais novo, o pobre coitado do Castiel estava em uma posição rígida, sentado e quieto para não acordar Jimmy do sono merecido, uma de suas mãos acariciava os cabelos negros enquanto a outra impedia o mais velho de rolar para fora do estofado.
Quando percebeu a presença de Gabriel ele levantou a cabeça em um demostração de reconhecimento.
Gabriel já não tinha mais nenhuma gota de irritação. Toda a raiva que ele tinha sentido por Cas tinha ido embora da mesa forma que tinha vindo, assim, ele se sentou em uma das cadeiras cobertas com patchwork ao lado do sofá e falou na voz mais baixa que poderia fazer:
-Como ele está?
Castiel olhou em sua direção geral colocando seus olhos azuis desfocados em cima de seu ombro. Ele respondeu:
-Entrou na terra dos sonhos há uma hora.
Gabriel tirou os óculos de sol que ainda estava usando e os colocou em cima da mesa redonda ao seu lado, ele suspirou em alivio e levantou os olhos do formulário adormecido para ver a cozinha completamente vazia.
-Onde está Jessica?
Castiel demorou um pouco a responder a pergunta, ele tinha se esquecido momentaneamente que Jessica não estava ali dormindo em seu quarto. Quando ele se lembrou onde ela estava ele disse em uma voz muito mais baixa do que a usada por Gabriel.
-No teatro, hoje é a apresentação dela.
Os olhos dourados se arregalaram. Ele tinha se esquecido disso! Jessica morava em sua casa há mais de cinco anos e ele nunca tinha sido capaz de ir a uma única apresentação da garota. Ele era a pessoa mais desprezível da face da Terra.
Ele se deu um tapa no rosto. Aquela hora o minimo que ele poderia fazer era comprar um buque de flores e deixar em cima da mesa para que ela visse quando voltasse para o apartamento. Se ele tentasse assistir a peça ele chegaria a tempo mais certamente não seria capaz de dormir o tempo que precisava.
Ele decidiu comprar as flores mais tarde.
Levantando seu corpo cansado da cadeira confortável ele retirou delicadamente o braço de Castiel e colocou um braço por trás dos joelhos de Jimmy e o outro em sua cintura, por mais que o pintor fosse um homem adulto ele nunca admitiria que não conseguia dar conta do seu peso. Gabriel iria segurar Jimmy em seus braços até o dia em que ele morresse sem ao menos se importar com as regras sociais para esse tipo de coisa.
Ele sorriu quando sentiu o corpo adormecido se aninhar nele a procura de calor.
-Vou coloca-lo na cama e depois vou dormir até amanha, você vai fica ai?
Castiel poderia mentir se ele dissesse que não estava com sono, mesmo assim ele se sentia muito miserável pelo que tinha feito a Jimmy para simplesmente ir dormir. Gabriel conseguiu ler os pensamentos dele em um instante, ele liberou a mão que estava segurando as pernas de seu irmão adormecido e colocou-a no ombro de Cas enquanto isso Jimmy era apoiado pelo seu outro braço e não parecia estar nem perto de acordar mesmo que seu corpo tenha se agarrado mais próximo a Gabriel. O mais velho disse apertando o ombro de seu irmão cego:
-Está tudo bem. Nos já te perdoamos Cassy.
Castiel sorriu, disso ele não tinha duvidas.
-Eu sei, mas eu ainda me sinto um idiota. Por que eu tenho de ser tao indeciso?
Gabriel não queria que ele entrasse em uma crise existencial, não agora e nem em nenhum momento no futuro. Ele poderia se lembrar de quando Cas estava começando seu doutorado e não conseguia se decidir se iria fazer a pesquisa sobre armas da antiguidade ou a cultura Maya. Por mais que se lembrar desse acontecimento poderia trazer muitas gargalhadas a todos eles esse não era o momento adequado.
Gabriel apertou a mão que estava apoiada no ombro do mais novo:
-Certamente é porque você se preocupa demais com nos dois. Vamos maninho, sorria Jimmy está dormindo e nenhum de nos vai morrer por causa disso.
Cas deu a ele um meio sorriso, ele ainda queria argumentar mas antes que qualquer um pudesse falar outra coisa uma batida na porta se fez ouvir.
Nesse mesmo instante Gabriel voltou a carregar Jimmy e desapareceu pelos corredores.
-Se for Chuck diga que eu morri.
Mais uma vez o professor de historia tinha sido deixado para atender a porta.
Ele nunca iria adivinhar que Sam Winchester estava do doutro lado.
O teatro estava lotado, parecia que todas as pessoas que conheciam aquela peça ou não tinham nada melhor para fazer as dez horas da manha de um dia de domingo estavam ali e Sam simplesmente não conseguiu se sentar em nenhum lugar perto do palco. Decepcionado consigo mesmo- ele queria fazer uma surpresa para Jessica- o advogado resolveu esperar o final da peça sem se importar com o enredo, ele não iria entender nada de qualquer maneira e sua mente não o deixaria prestar atenção em outra coisa que não fosse a atris principal.
Foi apenas no final da pela que ele descobriu que aquilo era um ensaio antes da verdadeira apresentação. Se uma mulher que estava a seu lado não estivesse escrevendo as notas de cada um dos atores em uma pequena prancheta ele nunca teria descoberto. A única coisa que o impediu de sair desse ensaio- se alguém descobrisse que ele não era nenhum aluno do curso de teatro ele tinha certeza que seria expulso- foi a grande nota 10 acompanhada pela palavras “brilhante” ao lado do nome Jessica Moore.
Ele esperou até o final e quando a mulher da prancheta (que era a professora) liberou todos os alunos eel correu o mais discretamente possível para o camarim. Não foi muito difícil encontrar a mulher depois disso. Jessica estava tirando sua maquiagem em um pequeno camarim individual e não percebeu sua presença até que ele disse o nome dela.
Quando a loira virou-se para encarar quem a tinha chamado ela viu um muito bem arrumado Samuel em sua frente, ele tinha um buque de flores vermelhas em uma das mãos e uma caixa de chocolates na outra. A única coisa que pensou ao ver essa demostração de romantismo foi o quanto tinha perdido esse tipo de coisa.
-Eu não me lembrava quais eram as suas flores favoritas, então eu comprei essas.
A mulher abriu um sorriso, definitivamente ela tinha perdido muito dele quando tinha “sumido' para cuidar de sua avó. Nunca em um milhão de anos ela iria pensar que um dia iria encontra-lo mais uma vez e quando uma de suas amigas tinha dito a ele que Sam iria se casar ela pensou que eles estariam longe um do outro para sempre. Nada explicava aquela pessoa com um buque de flores vermelhas em sua frente.
-São lindas. Foi sua única resposta, ela também agarrou a caixa de chocolates com sua mão livre.
Olhando para seu antigo colega de faculdade ela pode notar que ele não tinha mudado muito, os cabelos estavam mais escuros e maiores em um corte que moldava seu rosto e se não fosse por isso e pelo semblante triste que o acompanhava Jessica poderia dizer que tinha voltado no tempo. Visto aos trágicos acontecimentos que cercaram a família de Sam ela não poderia culpa-lo por ter uma cara triste.
Ele tinha voltado a falar assim que ela terminou de analisa-lo.
-Eu peço desculpas por ontem.
Ela não precisava ver para saber que ele estava arrependido. Sempre uma pessoa muito gentil o homem diante dela não tinha virado um advogado famoso porque ele gostava de mentir. Sorrindo mais uma vez ela o puxou pelo braço e os dois saíram pela porta dos findos.
Do outro lado da rua havia um pequeno café e eles se sentaram no ambiente agradável e começaram a conversar como se oito anos nunca tivessem se passado. Sam finalmente tinha sido perdoado e a sensação foi a melhor que ele sentiu em muito tempo. Quando ele descobriu que Jimmy tinha se recolhido para fazer um quadro de sua cara de espanto ele começou a rir e não era capaz de acreditar no que a mulher lhe dizia.
-Eu estou falando serio- dizia Jessica enquanto comia um pedaço de bolo- ele não se ofendeu com você, quer dizer não por muito tempo... depois que você pediu desculpas e Cas perguntou bem alto quantos anos ele tinha ele teve a ideia de registrar o momento.
Os dois estavam completamente relaxados nesse momento. Sam não tinha mais medo de se lembrar que ele tinha ofendido alguém que se considerava ter três anos de idade. Ele simplesmente continuava a escultar o que a sua amiga dizia e quando a conversa desviou de assuntos frívolos do dia a dia para tópicos mais pessoais ele continuou a escultar com a mesma atenção de sempre.
-Sabe, eles salvaram a minha vida. Depois que a minha avó morreu eu estava completamente perdida, ela era a minha única família e eu não sabia o que fazer. Jessica falava tudo enquanto mexia o seu suco de laranja e seus olhos nunca encontraram os de Sam- eu não terminei a faculdade e não conhecia nada em São Francisco. Eu estava completamente desesperada.
-E você decidiu arranjar um emprego de cuidador?
Finalmente os olhos dela encontraram os dele, mais uma vez seus lábios estavam abertos em um grande sorriso e Sam só podia sorrir junto a ela. Quando Jessica terminou de tomar seu suco ela respondeu:
-Não realmente. Se havia uma coisa que eu nunca me imaginei fazendo era ser um cuidador. As coisas foram muito mais loucas do que eu poderia imaginar.
E foi assim que Sam descobriu tudo. Como Jessica tinha deixado um futuro brilhante para viver em uma casa cheia de desconhecidos e ainda por cima trabalhar como a babá de um deles. O que tinha acontecido era que durante uma noite muito chuvosa Jessica corria por um cemitério apenas com um guarda-chuva a acompanhando, era o lugar onde sua avo descansava e ela se via na obrigação de passar ali a cada semana para perguntar o que faria de sua vida.
Quando ela finalmente tinha saído de seu transe de auto-piedade ela tinha reparado que uma figura a tinha seguido, no começo ela tinha ficado assustada, mas depois ela tinha visto que o homem de cabelos pretos e olhos azuis vibrantes estava segurando sua carteira.
-E foi assim- a voz de Jessica tinha adquirido um tom melodioso e seus olhos estavam voltados para cima como se ela não mais estivesse ali. Sam estava completamente preso a sua narrativa- nenhum pedido de desculpas ou alguém me oferecendo um emprego, Jimmy simplesmente tinha me seguido até o outro lado da cidade porque eu tinha esquecido a minha carteira exatamente nesse lugar. Ela apontou para a mesa em que eles estavam.- Quando eu olhei nos olhos dele eu pude ver que ele estava chorando e quando eu perguntei o por que ele simplesmente apontou para a lapide da minha avó. Depois disso ele olhou bem nos meus olhos e disse: “Não chore moça, vovó está bem.”
Jessica lembrou daquilo como se fosse ontem, ela tinha ficado completamente aterrorizada com o que aquele homem tinha acabado de dizer. Não havia como ele saber que ela estava indo visitar a sua vó e as únicas coisas escritas na lapide alem das datas eram o nome da mulher idosa. Depois disso Jimmy tinha ido embora e ela tinha corrido atras dele para obter respostas.
-Eu não parei de segui-lo até que eu percebi que ele estava mais perdido do que eu, ele estava completamente encharcado e tinha começado a chorar. Imediatamente eu percebi que havia alguma coisa de errado com ele. Depois disso eu ofereci-me para ajuda-lo a voltar para casa e coloquei o meu guarda chuva em cima de nos dois. Quando nos chegamos a Pine Street metade dos moradores estavam procurando por ele e foi ai que eu conheci o resto da família.
Sam estava boquiaberto. Ele já tinha ouvido falar muitas vezes em historias como essas mais nunca poderia dizer que teve a sorte de ouvir uma delas ser contada para ele, cada vez mais ele se sentia um idiota por pensar em ter ciumes de Jimmy. O homem tinha salvado a vida de Jessica de mais maneiras que ele poderia compreender e naquele momento ele tinha salvado a sua vida também porque se não fosse por ele eles jamais teriam se reencontrado.
Ele se encheu de ternura para aquela mulher enquanto a ouvia falar sua primeira impressão de todos os membros da família Novak e assim como tinha sido para ele o único que tinha se libertado de uma péssima primeira impressão tinha sido Cas.
Ele começou a pensar mais na mulher que estava em sua frente. Como ele poderia ter trocada uma pessoa assim leve e verdadeira por Ruby? Por que ele tinha sido tao cego e se deixado levar pelas aparências quando sua verdadeira felicidade não estava ali? Sam continuou a ouvir tudo o que ela dizia não sendo mais capaz de mascarar a admiração que sentia por ela. Tinha sido oito anos separados e agora que sua vida tinha virado de cabeça para baixo ele não queria perder essa chance. Terminando seu café ele esperou que ela terminasse de contar a sua historia para falar:
-Flox azul.
-Hum? Foi a resposta confusa que recebeu da mulher em sua frente.
-Sua flor favorita, eu me lembrei. É a Flox azul.
Ele não precisou ouvi-la responder que ele estava certo. Naquele momento ele poderia ter certeza que tinha acertado o nome da flor porque seus lábios estavam colados um ao outro.
Qualquer outra coisa que estivesse acontecendo naquele momento era inútil, nada se comparava ao sabor daquele beijo e nada seria mais importante do que explorar os territórios pouco conhecidos que eram os lábios daquela mulher.
Sam compraria um milhão de buques de Flox azuis para dar a ela se todos os dias eles pudessem viver esse momento.
Cerca de um quarteirão de distancia dali uma figura coberta por lençóis sorria em seu sono. Jimmy poderia estar dormindo mais o que via em seus sonhos era a verdadeira realidade.
Notas finais
Deixe-me saber o que achou.
PS-mas não por meu e-mail.
Criem uma conta vocês!
(Esse Ps é paras as pessoas que me conhecer e leem essa fic mas não tem conta aqui)
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